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Respondendo à Luciana

Oi, Luciana! Respondendo aos seus comentários nos posts anteriores, seguem algumas considerações! Com relação a albergues, não posso te ajudar muito, porque tudo o que encontramos foi lá mesmo, ao chegar na cidade. Não fizemos pesquisas prévias. Em Santa Cruz de la Sierra, ficamos na casa de conhecidos. Em La Paz, ficamos no Continental, que é filiado à rede Hostelling International. Parece muito mais um hotel do que um hostel, pelo conforto e segurança. Fica na Calle Illampu, a uma quadra da Plaza Eguino. Em Copacabana, embora não tenhamos passado nenhuma noite, sei que há um hostel bom filiado à HI. Acho que no site da HI (http://www.hihostels.com/) vc encontra... Em Cusco, ficamos num hotelzinho chamado Carlos IV, que encontramos numa ruela a umas três quadras da Plaza de Armas. Fomos andando pela cidade até encontrá-lo; não sei nem se eles têm site. Em Salta, na Argentina, ficamos no Backpacker's Hostel, também filiado à HI. Meio apertado, bem simples, mas tranqüilo e barato. A...

Dinheiro

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Dinheiro foi um dos fatores que mais determinou a forma como nosso primeiro mochilão aconteceu (tudo muito, muito econômico!). Logo nos primeiros posts , relatei que juntei o que precisava para viajar economizando a bolsa recebida no estágio, mas que tudo acabou ficando um pouco mais sofrido por causa do câmbio, que estava fazendo US$ 1,00 custar cerca de R$ 3,65 às vésperas da viagem. Com a experiência daquele mochilão e de outros que acabei fazendo nos anos seguintes, acho que dá para enumerar algumas dicas a respeito desse assunto... QUANTO VOU PRECISAR JUNTAR? Acho que essa pergunta não tem uma resposta padrão. Não acredito muito naquelas estimativas que dizem que vc vai precisar de tantos dólares por dia. Cada pessoa é diferente da outra e vai fazer coisas diferentes; logo vai gastar quantias diferentes, nuns dias mais, noutros menos. Na viagem que relatei nos tópicos anteriores, tirando os gastos que tive com a compra da mochila, de algumas roupas e da primeira passagem de ônibus...

Descendo até Aguas Calientes

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Após decidirmos que já era hora de ir embora das ruínas de Machu Picchu, o Leonardo, o Diego e eu buscamos nossas mochilas no portão de entrada e começamos a descer para Aguas Calientes pela estrada "Hiram Bingham", que é esse zigue-zague que aparece na foto abaixo. A descida leva quase uma hora e é bastante cansativa para os joelhos, em razão do peso da mochila e do cansaço. Para ir mais rápido, o melhor é cortar caminho pelo meio da vegetação, entre uma reta e outra. Na maior parte do trecho, formaram-se trilhas no mato, havendo inclusive escadas para as partes mais íngremes. Chegando lá embaixo, às margens do Rio Urubamba, há uma grande placa de boas vindas ao Parque Nacional onde fica Machu Picchu. Para atravessar o rio, há duas pontes - uma para veículos, pela qual passam os ônibus que sobem até as ruínas levando os turistas que chegam de trem, e outra para pedestres (foto). Depois da ponte, segue-se pela estradinha costeando o rio por cerca de 3km, até o po...

Machu Picchu

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Não é meu objetivo tratar aqui de detalhes sobre as ruínas da cidadela de Machu Picchu, informações que podem ser facilmente obtidas na internet , como por exemplo no verbete daquele sítio no Wikipedia . Também acho que muito do que se vê e se aprende só tem importância para quem esteve lá. Algumas coisas, no entanto, acho interessante comentar. A primeira que me vem à cabeça é que, ao contrário do que imaginamos aqui no Brasil, aquele "c" na palavra "Pi c chu" não é mudo na pronúncia correta do nome das ruínas. Os locais falam "Mátchu Píktchu". Outra coisa que não imaginamos, a não ser depois de lermos mais a respeito ou de ouvir a informação dos guias, é que a cidade não é tão antiga quanto se pensa. Estima-se que tenha sido construída por volta de 1450, ou seja, apenas 50 anos antes da chegada dos espanhóis. Nesse ponto, embora seja uma das coisas mais legais para se conhecer no mundo, nem se compara em antigüidade com as Pirâmides do Egito, o Coliseu...

A entrada em Machu Picchu

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A visão que se tem de Machu Picchu logo depois de descer do alto da montanha chamada Machu Picchu, na parte final da Trilha Inca, é espetacular. O caminho de pedras vai costeando a montanha oposta à cidade e, de tanto em tanto, tem partes mais largas que funcionam como verdadeiros mirantes da cidade. Nesse ponto é que tirei a foto abaixo, que inclusive já usei no post sobre meu primeiro mochilão. A sensação de estar ali é muito boa. É sensação de objetivo alcançado, de "dever cumprido", de que tudo deu certo, apesar da nossa inexperiência. Não tem como não lembrar as horas no trem entre Quijarro e Sta Cruz, tudo que fizemos em La Paz, a correria para pegar o ônibus para Cusco... A cidade ainda vazia lá embaixo e o dia de sol mostram que acertamos mesmo em ter feito tudo da forma como fizemos. Não tenho bem certeza, mas acho que essa visão mais de cima (que na minha opinião é a melhor) não é acessível por quem entra direto na cidade, sem fazer a trilha. O ponto em que os que f...

4º Dia na Trilha Inca

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Antes mesmo que o sol nascesse, já estávamos de pé. Tínhamos sido avisados na noite anterior que deveríamos acordar por volta das 4h30 para tomar café e começar a caminhada às 5hs, quando abriria o último posto de controle da Trilha, em Wiñay Wayna. Às 8hs, os portões de Machu Picchu se abrem para os que vêm de trem até Aguas Calientes e sobem de ônibus até as ruínas. São centenas de pessoas, a maioria em grupos de 30 a 60 pessoas, que invadem o lugar e tornam a experiência bem menos atraente. O objetivo é chegar antes deles e aproveitar ao máximo Machu Picchu enquanto ela é só dos mochileiros que vêm pela Trilha. Ainda estava bem escuro. Foi a única vez em que tivemos que usar lanternas para caminhar. Ao contrário dos outros dias, a concentração de gente era bem grande, quase uma fila indiana de pessoas apressadas para chegar o quanto antes a Machu Picchu. A fila já estava formada em frente ao posto de controle, que efetivamente abriu às 5hs em ponto. Creio que, por cerca de uma hora,...

3º Dia na Trilha Inca

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Acordamos um pouco mais tarde na manhã do terceiro dia de trilha, por volta das 8hs. O café da manhã já estava servido e em seguida estávamos caminhando novamente. O terceiro dia se destaca por uma forte subida no início, até o Paso de los Venados; depois, um trecho sinuoso, mas relativamente plano, finalizando com uma forte descida. A primeiva visão que se tem do dia é parecida com aquela que se teve do Warmiwañuska: o acampamento de Pacaymayo lá embaixo, em meio às montanhas, com riachos descendo em vários pontos, como na foto ao lado. No alto dessa primeira subida, há um pequeno conjunto de ruínas chamado de Runkurakai. O guia explica que se tratava de um ponto de apoio para os viajantes incas que percorriam aquele caminho. A Trilha Inca, na verdade, aproveita trechos de 3 caminhos incas que ligavam pontos do Vale Sagrado a Cusco, capital do Império. Como não havia qualquer tipo de veículo e não eram usadas carroças - apenas lhamas -, a largura da trilha era apenas o suficiente par...

2º Dia na Trilha Inca

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O segundo dia, segundo o guia, seria o mais puxado. A maior parte do tempo seria gasta em subidas até o Passo de Warmiwañuska ("Mulher Morta", em quechua), ponto mais alto da Trilha, com 4.215m de altitude. Justamente em razão do maior esforço, seria o dia de menor tempor de caminhada. A previsão era de que no início da tarde já estaríamos no próximo acampamento. Levantamos cedo. Cerca de 5hs da manhã, chamaram-nos para o café da manhã. O dia amanheceu chuvoso, e assim continuou até a tarde. Nesse dia, é fundamental que a pessoa mantenha o seu próprio ritmo, sem tentar acompanhar quem vai mais rápido ou muito menos os porteadores , que ultrapassam os turistas numa velocidade invejável. Creio que eu e o Diego tenhamos levado umas 4hs subindo até o passo naquele dia. O Leonardo vinha uma meia hora atrás. O Giórgio chegou uma hora antes de nós. A paisagem vai mudando à medida que se sobe. De uma vegetação abundante, passa-se para vegetação rasteira, com pequenas árvores. É muito...

1º Dia na Trilha Inca

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Conforme combinado, por volta das 7hs da manhã uma van da agência que nos levaria a Machu Picchu veio nos buscar no hotel. Eu e o Leonardo já estávamos melhor, apesar dos problemas no fígado horas antes. Fomos de van até os arredores de Ollantaytambo, alguns metros antes do km82, onde entraríamos na Trilha. Visão do trem que vai a Machu Picchu e do Urubamba, na entrada da Trilha Naquele local, serviram o que seria o almoço do dia: massa com molho vermelho e sopa com ovo. Foi também a oportunidade para conhecermos o pessoal que faria parte de nosso grupo pelos próximos dias. Além de nós 4, havia uma equatoriana, um casal de belgas, um português e 3 franceses (não me lembro se 2 não eram suíços). O guia se chamava Epifanio e ficamos felizes ao perceber que foi a mesma pessoa que nos abordou na praça no dia anterior para vender o pacote. Havia ainda uns 4 porteadores - pessoal que carrega e monta as barracas e que faz a comida. Logo depois do almoço, entramos na trilha. Há um controle d...

Preparativos para a Trilha Inca

No post de hoje, vou tratar de alguns preparativos que acho que são importantes para fazer a Trilha Inca, nos moldes em que a percorremos. BAGAGEM : para fazer a Trilha, quanto menos bagagem melhor. Não tem como levar apenas uma mochilinha pequena, porque afinal de contas são 4 dias longe da cidade. De outro lado, é loucura carregar todo aquele peso que você vem trazendo desde o Brasil em 4 dias de caminhada, com altitudes que variam de 2.400 a 4.000m acima do nível do mar. Assim, a melhor coisa a fazer é deixar parte de suas coisas em Cusco . A maioria dos hotéis e albergues fornece esse serviço de graça mesmo, desde que você tenha se hospedado lá antes da Trilha ou tenha reserva para depois dela. Aproveite para deixar na cidade coisas como presentes, roupas que você usa para sair à noite, potes grandes de shampoo, etc. Leve só o básico : roupas para 4 dias de caminhada, tênis resistente ou bota para trekking, capa de chuva para você, capa de chuva para a mochila, saco de dormir (inf...

Contratando a Trilha Inca

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Originalmente, pensávamos que percorrer a Trilha Inca até Machu Picchu era uma coisa para fazer por conta própria. Daí é que surgiram os planos de levar barracas, utensílios para comida, entre outros equipamentos de camping. Alguns meses antes de viajarmos, porém, descobrimos através do site Machu Picchu - Nas asas do condor (link ao lado, nos recomendados) que a coisa já não era mais bem assim. Desde que o Presidente Alejandro Toledo assumiu, tornou-se obrigatório o acompanhamento de um guia de uma agência credenciada. Com o risco de desmoronamento progressivo das ruínas da cidade, o número total de visitantes passou a ser restringido também, exigindo-se identificação individual dos turistas, tanto para conhecer a cidade propriamente dita (com acesso por ônibus) como para fazer a Trilha. Os lugares para acampar também estão pré-definidos, sendo vedado, por exemplo, dormir em lugares onde há ruínas. Hoje, as regras atualizadas para a Trilha Inca podem ser obtidas de forma muito fácil, ...

Chegando em Cusco

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Cuzco (na grafia mais usada) ou Cusco (na grafia oficial do Peru) é a cidade base para quem quer fazer a Trilha Inca ou simplesmente conhecer Machu Picchu. Há um aeroporto internacional que recebe milhares de turistas todos os anos e lojas que vendem todo tipo de equipamento. Brinca-se que uma pessoa pode sair do serviço só com um terno e chegar na cidade no dia seguinte que encontrará tudo que precisar para fazer a Trilha Inca. Nós chegamos na cidade por volta das 5hs da manhã, enquanto ainda estava amanhecendo. Apesar do frio que passamos no ônibus (que tinha banheiro, mas não fazia paradas para lanche), conseguimos dormir o suficiente. Depois de alguns minutos pensando o que fazer, decidimos aceitar uma das muitas ofertas de táxi grátis até o centro, para conhecer albergues, sem compromisso. Acabamos não ficando com o primeiro, que era realmente muito ruinzinho. Com toda a bagagem, caminhamos umas boas quadras e passamos por pelo menos 4 albergues e hotéis até nos decidirmos pelo Ca...

Preparativos para Machu Picchu - burocracia

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Viajar, mesmo que seja só de mochila, exige preparação. Não estou falando aqui da escolha do roteiro, do estudo ou do condicionamento físico, mas especificamente da parte burocrática que a viagem à Bolívia, Peru, Chile e Argentina envolveu. Como as exigências daquela época não eram as mesmas de hoje em dia, procurei atualizar as informações pesquisando na internet. DOCUMENTO DE VIAGEM : para viajar a esses 4 países ( Bolívia , Peru , Chile e Argentina ), hoje não se precisa nada mais do que uma carteira de identidade nacional civil relativamente recente (fala-se em no máximo 5 anos, às vezes até 10 anos, contados da data de emissão). Pode-se usar passaporte, se a pessoa quiser, aí deve obedecer a regra de que ele tenha pelo menos 6 meses de validade a contar do início da viagem, bem como folhas suficientes para os carimbos de entrada e saída do país. Quando fiz o mochilão que agora estou contando, ainda havia necessidade de levar passaporte para a Bolívia e o Peru, mas essa exig...

O primeiro mochilão

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O meu primeiro mochilão surgiu a partir de uma idéia plantada por um colega de faculdade, o Diego. Desde o final de 2000, ele já falava em algo muito incerto e distante ainda, sobre ir a Machu Picchu, só de mochila, com um ex-colega de colégio que morava em Florianópolis, o Giórgio. Ao longo de vários meses, a coisa foi amadurecendo. Passamos para a fase de começar a pesquisar sobre o caminho que faríamos. Sequer cogitamos de comprar um guia para mochileiros, pois nem tínhamos noção de que isso já existia (certamente não em Santa Maria). A coisa era bem tosca mesmo: encomendamos um livro de um relato de viagem a Machu Picchu e passamos a procurar páginas na internet dedicadas à cidade inca. Encontramos 2 ou 3 que nos serviram de referência. Quando eu trouxe da casa de minha família para o meu apartamento em Santa Maria um atlas mundial (Atlas 2000: A nova cartografia do mundo - avô do Google Earth, fonte de referência que uso até hoje, só disponível em sebos), comprado em 199...