De Cusco ao Chile
A viagem entre Cusco e Tacna não começou nada bem. O espaço entre os bancos era mínimo, o ar condicionado parecia que não daria conta do calor e, em alguns minutos, a coisa piorou de vez. Do nada, um sujeito levantou e começou todo um discurso de que tinha perdido o emprego, que tinha não sei quantos filhos e que precisava sobreviver. Em seguida, passou a falar das maravilhas que as suas barrinhas de cereal faziam à saúde. Passou de banco em banco, constrangendo todo mundo a comprar pelo menos uma, salientando os benefícios que uma barrinha feita com técnicas "incas" trariam. Passado o primeiro incômodo, não demorou muito e outro indivíduo se apresentou. Contou uma história parecida e disse que, para viver, tocada violão. Tirou uma viola da mochila e começou a tocar músicas típicas da região, gritando de um jeito bem desafinado. De tanto em tanto, passava com o chapéu, pedindo colaborações. Naquela hora, eu juro que me deu um desespero, pior do que qualquer outra viagem que...