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Bolívia - perdendo um pouco do encanto

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No meu primeiro mochilão, em 2002-2003, fiquei com uma lembrança muito boa da Bolívia. É claro que fiquei um pouco chocado por conhecer um lugar tão diferente de tudo que eu considero como “confortável” – sempre comentei que em La Paz não conseguiria levar uma vida “normal” do estilo que temos aqui no Brasil. Mas, apesar dos contrastes, da pobreza e da dificuldade em algumas coisas bem básicas, sempre alimentei um desejo de voltar lá e de conhecer outros cantos do país. Dessa vez, porém, foi diferente. Lembranças de viagem são, basicamente, impressões pessoais sobre cada lugar. E, exatamente por isso, nada do que eu estou escrevendo aqui é necessariamente verdade ou será a mesma percepção de outros que passarem por lá. Fato é, contudo, que perdi um pouco do “tesão” pelo país. Não sei explicar exatamente o que mudou, mas acho que tem a ver com o clima político do país. Antes, havia uma inocência geral na população, que embora fosse muito pobre, transmitia uma sensação de segura...

Visto americano agora vale para o México

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Notícia que já vinha sendo divulgada em blogs do ramo e que agora aparece no site oficial do Consulado Mexicano: EXCEÇÃO DO VISTO MEXICANO PARA PORTADORES DO VISTO DOS ESTADOS UNIDOS Com a finalidade de oferecer ainda maiores facilidades migratórias para visitar o México, a partir do dia 1º de maio de 2010, todos os estrangeiros nas categorias de turismo, negócios e trânsito, que possuem um visto com validade dos Estados Unidos, poderão ingressar no México com dispensa do visto mexicano, apresentado o visto dos Estados Unidos e passaporte com validade mínima de seis meses. Portanto, não é necessário apresentar-se ao Consulado para requerer eventual autorização "extra". Nas outras categorías migratórias, os cidadãos do Brasil deverão solicitar o visto normalmente através do Consulado.

Laguna Verde e fronteira

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Depois dos gêiseres e das águas termas, demos uma paradinha no alojamento ao lado das piscinas para uma espécie de segundo café da manhã e retomamos a estrada. Agora, nosso destino era a Laguna Verde, a última que visitaríamos naquele passeio antes de seguir viagem para o Chile. A estrada entre a Laguna Salada e a Laguna Verde é uma das mais bonitas da viagem, embora tenha bastante areia e pó. O destaque é a paisagem, que lembra alguma coisa do que já vi na TV ou em filmes sobre o Tibet. Montanhas totalmente sem vegetação, salpicadas por blocos de neve, no meio de uma paisagem árida. Muito bonito de se ver mesmo. Creio que não demore mais de uma hora para chegar à Laguna Verde. Quando se está lá, a visão impressiona muito também. O vulcão Llicancáhur, ao fundo, dá o toque majestoso ao lugar. A água da lagoa é realmente verde esmeralda, embora pareça meio opaca. Muito bonita. Ali, naquele lugar, já em clima de fim de tour, fizemos algumas fotos do grupo todo e demos mais umas caminhadas...

Sol de la Mañana e Laguna Salada

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Com aquele frio todo e com aquelas condições (sem luz elétrica ou água quente), ainda tínhamos que acordar às 4h30 da manhã para sair antes do sol nascer. Apesar de reforçar a questão do horário, foi o guia quem se atrasou. Tomamos o café da manhã e, apesar dos minutos de atraso, conseguimos pegar a estrada numa hora ainda boa para ver as ebulições dos gêiseres Sol de la Mañana, a primeira atração do dia. Os gêiseres são fontes de água subterrânea que entram em ebulição com a mudança de temperatura, assim que o sol nasce. Por isso o seu nome. O lugar parece de outro planeta. Algo como a Lua ou Marte, pelo que se vê nos filmes de ficção. Crateras pequenas e grandes, com as bordas esbranquiçadas, lodo se remexendo com o vapor, jatos de vapor saltando a todo minuto, uma névoa no ar. As fotos não saíram boas por causa da escuridão e do vapor no ar, mas o lugar é bem interessante. O lado ruim é que talvez tenha sido o maior frio que já passei na minha vida. O vento era muito gelado, a tempe...

O alojamento "mais frio do mundo"

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Qualquer pessoa que leia alguma coisa sobre o tour pelo sudoeste boliviano, passando pelo salar de Uyuni e pelas lagunas altiplânicas, acaba ficando impressionado com os relatos sobre o alojamento em que se passa a noite ao lado da Laguna Colorada. Todos são efusivos em destacar como o lugar é frio (fala-se em temperaturas de até -25°C) e sem estrutura alguma de conforto. Foi por isso que criamos uma expectativa (e até um temor) bastante grande em relação à malfadada segunda noite do circuito sudoeste. O guia, como na noite anterior, disse que era importante que chegássemos cedo para garantir lugares bons. Não lhe demos tanto ouvido, porque na primeira noite acabamos ficando sozinhos no alojamento que nem foi tão frio assim. Dessa vez, contudo, foi diferente. Estava ventando bastante e assim que nos aproximamos dos alojamentos vimos que já havia várias caminhonetes com outros grupos. Não demorou muito e recebemos a informação de que o alojamento que estava reservado pelo nosso grupo te...

Deserto de Dalí e laguna Colorada

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O trecho que fizemos na tarde do segundo dia passa pela parte conhecida como Deserto de Dalí. O lugar recebeu esse apelido por causa das formações rochosas que aparecem no meio da areia, lembrando alguns quadros do pintor espanhol surrealista. Dentre as figuras que se pode ver, a mais famosa é a “árvore de pedra”, que aparece na foto. Na verdade, todas são rochas mais porosas que acabam sendo desgastadas pelo vento ao longo dos anos e que vão acabando cheias de furos, cavidade e, muitas vezes, com a base mais estreita que a parte de cima, como no caso da árvore de pedra. Essa parte do passeio tem os ventos mais fortes de todo o tour, forçando a pessoa a se proteger muito no rosto, nas mãos e no pescoço, para não passar ainda mais frio. Óculos também são essenciais para proteger os olhos da areia e da poeira que o vento carrega. Bonito, mas muito inóspito. Não é à toa que ninguém mora ali perto. A única forma de vida que se vê nessa região, que quase nem plantas tem, são umas espécies d...

De laguna em laguna

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Saindo da laguna Cañapa, o próximo destino seria a laguna Hedionda, onde faríamos a parada para almoço. O caminho até lá foi o mais difícil de todo o tour. Com muitas pedras na estrada e bastante sobe e desce, tudo isso a uns 4.000m de altitude, nossa velocidade média não deve ter passado dos 30 e poucos quilômetros por hora em todo esse trecho. Ali se mostrou totalmente necessária a tração 4x4. Nessa altitude, não crescem mais cactus. O que se vê é apenas uma vegetação rasteira, amarelada, que cresce em tufos, cobrindo as “colinas” que na verdade são saliências do grande planalto em que estamos. Nesse percurso, anda-se a pouquíssimos quilômetros da fronteira com o Chile. Os famosos gêiseres de El Tatio, perto de San Pedro de Atacama, estão a apenas alguns quilômetros ao sul, mas totalmente inacessíveis daquele ponto por não haver estradas cruzando a cadeia de montanhas vulcões que fica à direita de quem faz o tour saindo de Uyuni em direção ao sul. Diferentemente da laguna Cañapa, a l...

Início do segundo dia

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A noite acabou passando ligeiro. Eu consegui dormir bem, mas o Rafael disse que passou muito calor no início, quando estava com muita roupa, e muito frio depois, quando tirou algumas cobertas. Eu só me acordei para ir ao banheiro no meio da madrugada – efeito do vinho – e pelas 5 da manhã, quando o Diego, com o celular ainda no fuso horário brasileiro, nos acordou já pronto para sair achando que estava na hora certa. Foi só convencê-lo de que ainda tínhamos algum tempo a mais para dormir que voltamos ao sono. Como me preparei bem – e isso é importante nessa viagem – não passei desconforto. Dormi com aquela malha de underwear polar por baixo de tudo, com calça e um casaco, além da coberta do alojamento. Deixei as pilhas da máquina fotográfica junto ao travesseiro, para que não estivessem “paradas” no início da manhã. Ao acordar, só troquei a parte de cima da roupa, colocando o casacão, o cachecol e as luvas, e reacomodei as baterias na câmera. A mochila já estava quase pronta para volta...

Primeira noite no tour

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Deviam ser umas 16hs quando deixamos a ilha do pescado, depois de várias tentativas de fazer fotos engraçadinhas brincando no salar. A saída da ilha do Pescado se faz em direção à margem sudeste do salar de Uyuni, que fica relativamente mais próxima da ilha do que a margem nordeste, por onde havíamos entrado pela manhã, no início do tour. Assim que saímos do salar, começamos a andar por estradas de chão que, embora pareçam mais trilhas de aventureiros no meio do deserto, são as únicas estradas que existem na região quase totalmente desabitada. Aqui, a paisagem é árida e poeirenta, ao contrário do salar, que tinha pouco pó no ar e até evocava algo de praia. No caminho, lembro de termos passado por dois sustos. O primeiro foi que uma mulher boliviana, vestida a caráter, apareceu do nada do meio da estrada fazendo sinal para que o motorista parasse, toda esbaforida. Eles trocaram algo num espanhol bem rudimentar, incompreensível para nós, que depois foi explicado como sendo um pedido para...

Isla del Pescado

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O trecho entre o hotel de sal e a Isla del Pescado, se bem me lembro, é o mais longo que se anda por dentro do salar. Ali sim se tem a noção de estar no meio do nada, indo para lugar nenhum, já que a vista nos 360° ao redor do veículo é basicamente igual: um mar branco sem fim, com montanhas ao longe, tudo coberto por um céu azul. Como eu já fiz questão de destacar num dos posts sobre a preparação da viagem, é essencial levar óculos escuros, de preferência polarizados, para não perder essa vista toda. A claridade é muito forte e uma dor de cabeça acaba se tornando algo quase inevitável se a pessoa não levar um óculos. Chegamos à Ilha do Pescado um pouco depois das 13h. O guia e motorista “Edson” estava preocupado em não chegar muito depois dos demais veículos, porque dizia que à noite quem chegava primeiro garantia as melhores acomodações nos alojamentos noturnos em San Juan, enquanto que os últimos podiam até mesmo ficar sem alojamento, tendo que dormir na caminhonete. O almoço era su...