29/08/2013

Londres - Greenwich e o Imperial War Museum

Pois bem.

Depois de cerca de 6 meses sem postar absolutamente nada aqui no blog, decidi que já estava na hora de sair de um período de hibernação e voltar a escrever alguma coisa.

Nesse meio tempo, viajei bastante (como de costume) e escutei muitos comentários de pessoas que continuavam usando o "De Mochilão" como fonte de consulta - e são esses os dois principais motivos que me levam a querer continuá-lo. Como era de se esperar, ouvi também reclamações pela falta de atualização e pedidos para compartilhar algumas dicas sobre destinos que ainda não apareciam por aqui, mas que sabiam que eu já conhecia.

Para não deixar o assunto se perder, decidi, primeiro, terminar a série de posts sobre a viagem que fiz a Londres em setembro de 2008, tratando dos lugares que visitei em meus últimos dois dias naquela cidade e que ainda tinham ficado faltando aqui no blog.

Começo, por isso mesmo, falando do agradável dia de domingo que tive em Londres, quando o sol finalmente saiu com toda a força detrás das nuvens, no qual visitei a região de Greenwich e o Museu Imperial de Guerra.

Chegar em Greenwich, para quem está no centro de Londres, não é tarefa das mais fáceis e rápidas. São necessárias alguma baldeações de transporte público e, na maioria das vezes, conforme de onde se vem, até mesmo usar o DLR (Docklands Light Railway), um sistema de transporte público integrado ao metrô de Londres, mas que funciona mais como uma espécie de trem suburbano de superfície (o cartão Oyster vale para ele também).

Quando fui até lá, inclusive, havia obras de ampliação em algumas estações de metrô e do DLR na região próxima a Canary Wharf e, em razão disso, precisei usar ônibus substitutivos para percorrer um dos trechos. 

A região de Greenwich é completamente diferente de todo o resto de Londres: áreas abertas, muito verde, prédios clássicos em meio a parques e, ao fundo, arranha-céus cobertos de vidros espelhados, onde estão sediados grandes bancos e empresas. Ao redor de tudo isso, o Tâmisa, já mais largo do que no centro da cidade (a região é próxima do antigo porto) e dando algumas voltas - praticamente uma ferradura contornando o bairro.


Como era domingo, tive a oportunidade de ver um pouco da vida de londrinos típicos durante o final de semana, assim que cheguei por lá. Pessoas fazendo piqueniques ou simplesmente aproveitando o sol nos extensos gramados era a cena mais comum. Gente passeando com o cachorro, com os filhos pequenos ou simplesmente correndo pelos parques completavam o cenário.


A primeira coisa que fiz, assim que cheguei no local, foi subir até o ponto mais alto da região, onde está o Observatório Real de Greenwich, que é esse prédio que aparece na foto. 


É numa das torres do observatório que fica uma famosa esfera vermelha, que cai exatamente na hora cheia, para que os navios que estivesse passando lá embaixo, no rio, pudessem sincronizar seus relógios. Como qualquer turista que se presta para ir até ali, eu também fiquei esperando a bolinha fazer seu movimento curto e sem graça para tirar uma foto.

A importância do observatório está no fato de que ele, historicamente, foi utilizado como ponto de referência para traçar os meridianos do globo terrestre. Ali, passa justamente o "meridiano de Greenwich", ou a longitude 0°. Tecnicamente, pode-se considerar que uma pessoa que coloca um pé de cada lado desse meridiano está, ao mesmo tempo, no hemisfério ocidental e no hemisfério oriental. Em outras palavras, é o equivalente a cruzar o Equador, só que esse fica no sentido vertical...

A partir dessa definição dos meridianos, foram calculados também os fusos horários mundiais. Assim, toda a referência a horários parte da hora de Greenwich. Nós, no Brasil, por exemplo, estamos no fuso -3h em relação a Greenwich (muito embora hoje em dia seja mais correto falar em "Tempo Universal Coordenado" do que hora de Greenwich).

Dentro do prédio do observatório, é possível visitar gratuitamente uma espécie de museu do fuso horário e entender a importância histórica do lugar, inclusive com a possibilidade de experimentar tipos antigos de observatórios espaciais. 

Depois de esgotar o que tinha para fazer por ali, desci parque abaixo em direção à Queen's House, o prédio branquinho que fica no centro do conjunto arquitetônico formado pelos demais edifícios do Antigo Colégio Naval Real.


Nessa parte, as atrações são pagas, mas é possível comprar um ingresso combinado que torna a entrada um pouco mais barata. Pode-se visitar o palácio propriamente dito e o museu naval. 

Eu mesmo não sabia, até chegar lá, que naquele lugar tinham nascido importantes reis da Inglaterra, como o famoso Henrique VIII e os demais integrantes da dinastia Tudor, além da Rainha Elizabeth I. Antes de ser destruído numa guerra civil, ali ficava o Palácio de Placentia, mas no século XVII a Rainha Anne determinou a construção de um novo palácio, que é o que está até hoje em pé.

Por muitos e muitos anos, portanto, essa foi a residência oficial da realeza britânica. Depois da construção de outros palácios, como o de Windsor e o de Buckingham, entretanto, a realeza deixou o lugar e um hospital público para marinheiros foi então construído aproveitando parte da estrutura. Mais tarde, o lugar se tornou também a sede da escola naval inglesa e, depois de ter sido fechado para essa função, tornou-se um museu marítimo. O conjunto é protegido pela UNESCO e reconhecido, hoje, como Patrimônio da Humanidade.

Dentro do palácio propriamente dito, há objetos da realeza e quadros para serem vistos, como se ainda fosse um castelo real. Nas alas adjacentes, as mostras do museu estão relacionadas à história naval do Império Britânico, que por muitos séculos deteve o controle dos mares mundo afora, conquistando e mantendo suas possessões graças à força de sua Marinha.

A mostra explica as grandes batalhas navais inglesas, como a de Trafalgar, e vai até os dias atuais, mostrando como o turismo se desenvolveu ao longo do século XIX e XX, com os primeiros transatlânticos e, posteriormente, com os navios de cruzeiro. Falando assim, parece chato, mas tem bastante coisa interessante para se ver por lá e devo ter ficado pelo menos umas duas horas olhando tudo. 

Quando finalmente terminei a visitação ao museu marítimo, já eram mais de 4 horas da tarde, e decidi fazer ainda outro passeio antes de voltar ao centro. Aproveitei que estava numa área ao sul do rio e fui para outra atração que também estava nessa margem. Cortei caminho pegando um ônibus urbano, coisa que raramente faço em viagens, já que me sinto mais seguro para não me perder em cidades grandes usando o metrô.

O Museu Imperial da Guerra, lugar que eu queria conhecer, é, na verdade, dividido em 4 ambientes diferentes. O mais tradicional e mais amplo é o que conheci, na zona sul de Londres.




Chegando lá, confesso que não gostei tanto assim do lugar. Tinha na cabeça, ainda, a experiência de ter conhecido o excelente museu de guerra do Hotel des Invalides, de Paris, e esse de Londres não chegou nem perto... 

Estão expostos armamentos de guerra, aviões das duas Guerras Mundiais e inclusive bastante material capturado dos inimigos da Inglaterra, principalmente da Alemanha. Um pedaço do muro de Berlim, aliás, está exposto do lado de fora, na entrada do museu. 

Como o lugar fechava às 6 da tarde, acabei ficando menos de uma hora lá dentro, por isso também não posso dizer que conheci adequadamente o museu.