31/08/2010

Sarajevo - chegada

O aeroporto de Sarajevo é bem pequeno, menor do que o de muitas cidades no interior do Brasil. Perguntamos para um pessoal se havia algum caixa automático ou casa de câmbio para que pudéssemos conseguir algum dinheiro local, mas a resposta foi negativa. Só no centro da cidade ou na estação rodoviária, disseram. Perguntamos então se aceitavam euros nos táxis e aí se solucionou nosso problema.

Não há transporte público direto entre o aeroporto e o centro de Sarajevo. A opção mais econômica e complicada é andar uns dez minutos até uma parada de ônibus no subúrbio, pegar um ônibus até uma região mais central e de lá seguir de bonde.

Os taxistas se aproveitam disse e cravam a faca no preço. Pagamos 20 euros para os quatro num Mercedão, o que até é compreensível pelo volume das quatro mochilas juntas, mas quatro marmanjos com mochilinhas menores na mão.

Eram 13h35 no horário local (5hs a mais que Brasília). Pedimos para que o taxista nos levasse até a estação de trens, onde conseguiríamos dinheiro e já deixaríamos acertado o trecho seguinte da viagem – uma descida de trem até Mostar.

No caminho, o taxista mostrou-se um exemplo da tão falada hospitalidade bósnia. Falou tudo que tinha de bom para fazer na cidade, explicou um pouco da situação na época da guerra, perguntou de onde éramos, etc. Não leva mais do que 20 minutos até a estação, ainda mais num início de tarde de domingo em que as ruas pareciam desertas.

A estrada do aeroporto ao centro era conhecida, na época da guerra civil, como a “alameda dos franco-atiradores”. Ali tivemos nosso primeiro contato visual com as marcas de bala nas paredes dos prédios que seriam uma constante em todo nosso tempo na Bósnia. Algumas eram verdadeiras rajadas, outras mais tímidas, mas todas bastante impactantes, pelo fato de se tratar de prédios civis, a maioria residenciais, com gente ainda morando.
A estação central de Sarajevo, que é a maior do país, estava deserta. Do lado de fora, umas três pessoas bebendo num café. Do lado de dentro, uns três ou quatro mendigos deitados rente às paredes – um até fez menção de pedir dinheiro. Um ambiente bem deprê, mas não pior do que uma rodoviária aqui no interior do Rio Grande do Sul.
Fomos até o guichê de compra de passagens de trem e perguntamos se poderíamos pagar em euros, disseram que sim (o inglês era sofrível, mas deu para o gasto). Pagamos cerca de 5 euros por passagem para cada um, numa viagem de mais de 250km, marcada para as 7h da manhã do dia seguinte.

Comprados os tíquetes, nos sentamos no café em frente à estação para nosso primeiro contato com a Sarajevsko Pivo, a melhor cerveja da bósnia (e possivelmente da nossa viagem inteira).
Enquanto isso, o Rafael foi até a estação rodoviária, que fica ao lado, sacar dinheiro local. A moeda da bósnia se chama Konvertible Maraka (abreviada como KM) e a cotação fica em R$ 1,25 por cada Maraka. Ele sacou 500KM e deixou 100KM com cada um – o que seria mais do suficiente para nosso período de três dias na Bósnia-Herzegovina, pagando outras despesas como hospedagem em euros.

Na hora de pedir a conta pelas quatro cervejas, de 500ml cada uma, nos demos por conta de que o país seria muito barato: 7,50KM, ou seja, pouco mais de 8 reais pelas cervejas. Logo em frente, na hora de comprar tíquetes para o bonde que nos levaria ao centro, também gastamos cerca de 1 real por pessoa.

29/08/2010

Istambul - Sarajevo

Na hora marcada, talvez com uns 5 minutinhos de atraso, estávamos de volta ao Cheers Hostel. Pegamos nossa bagagem de mão que estava no quarto e pedimos ao pessoal do albergue para chamar um táxi.

Em meia hora, depois de uma viagem a 120km/h como na vinda, e pagando as mesmas 30 e poucas liras, chegamos ao aeroporto com tranquilidade (é importante dizer ao taxista qual aeroporto você quer ir, porque há dois deles – um no lado asiático, para voos domésticos, e outro do lado europeu, para voos mais longos, chamado “Atatürk”).

Diferentemente da maior parte do mundo ocidental, e talvez por questões de segurança, há controle de raio-x logo na entrada do aeroporto, antes mesmo do check in. Uma vez lá dentro, é tudo muito tranquilo, porque há espaço de sobra e muito mais atendentes de check in do que em aeroportos brasileiros.

Os guris ainda precisavam despachar as coisas deles, mas eu e o Harold pudemos ficar numa lancheria esperando. Quando os outros estavam prontos, fomos para a fila de imigração, para fazer a saída do país, e em meia hora já estávamos do lado dos free shops. Como o aeroporto é muito grande, demos uma boa pernada até o portão de embarque do nosso voo, que estava confirmado no horário previsto: 12h35 de domingo, horário local (6hs na frente de Brasília).

Por um momento, chegamos a pensar que voaríamos num avião da Bosnia Airlines, já que um code share com a Turkish estava sendo anunciado, mas logo vimos que era um A320 da própria Turkish que nos levaria a Sarajevo (em turco, a cidade é anunciada como Saray Bosna). O voo foi melhor do que muitos dos que já fiz entre países europeus. Apesar do calor intenso, o ar condicionado estava numa temperatura ideal, a comida era bem melhor do que normalmente as companhias servem em voos curtos como aquele, de apenas 1h30, e as atendentes muito simpáticas. Parabéns para a Turkish Airlines também por esse voo.

Tudo ficaria perfeito nossas mochilas estivessem realmente na esteira de Sarajevo quando chegássemos. Nossas esperanças haviam diminuído um pouco, porque conseguimos ver pela janelinha a maior parte da bagagem sendo embarcada, inclusive as mochilas do Diego e do Rafael, mas não a minha e a do Harold. Confesso que fiquei o tempo inteiro imaginando a chateação de ter que perder tempo de passeio para comprar uma mochila nova em Sarajevo e roupas para aguentar os primeiros dias de viagem, já que não teríamos tempo suficiente em lugar nenhum para conseguir receber as mochilas eventualmente extraviadas de volta.
Pela janelinha, acompanhei boa parte da hora e meia de voo, desde a decolagem de Istambul, que se revelou uma cidade quase infinita para quem olha de cima (são 12 milhões de habitantes, quase sem prédios maiores do que quatro andares), passando pela Bulgária e pela Sérvia (cheguei a ver Belgrado de longe), até o interior da Bósnia, que é todo verde e montanhoso.

O tempo estava nublado, como previsto, quando nos aproximamos de Sarajevo. A expectativa tomou conta de todos nós, e as brincadeiras com o fato de estarmos chegando num país que só é conhecido no Brasil por causa da guerra eram a tônica dos comentários. As outras pessoas, no entanto, pareciam encarar com tranquilidade a viagem, que só era uma “aventura” na nossa cabeça mesmo.

Quando o aeroporto apareceu lá embaixo, vimos como era pequeno e simples. O único movimento naquele horário era justamente o do nosso avião.

Ao desembarcar, com a adrenalina a mil por causa da expectativa sobre as mochilas, ainda tivemos de passar pela imigração. Fomos ligeiro para sermos os primeiros, mas vimos que havia pelo menos 6 cabines atendendo, mais do que haveria aqui no Brasil. Deu tempo até de trocar de fila, porque não gostamos da cara mal humorada de uma oficial com cara de megera. O guardinha que nos atendeu perguntou o que faríamos no país e por onde passaríamos, respondi que passaríamos uma noite em Sarajevo, outra em Mostar, e depois seguiríamos para a Croácia e que estávamos os 4 viajando juntos. Ele só inseriu dados no sistema e carimbou os quatro passaportes. Até havia pensado que ele faria aquela mesma pergunta da mulher no aeroporto de Istambul (“Cadê o visto para a Bósnia?”), mas foi tudo tranquilo.

Mal saí da cabine e enxerguei a minha mochila na esteira. Era a primeira de todas. Um alívio. Corri para pegá-la e vi que estava tudo ali, embora estivesse meio rasgada/descosturada na parte debaixo, deixando à mostra um pedaço da sacola plástica que continha um tênis extra que eu estava levando. Não demorou muito e veio uma das mochilas embarcadas em Istambul. A do Harold ainda ficou no suspense por mais uns minutos, mas no final estávamos todos com nossas bagagens, para minha tranquilidade. Ainda não foi dessa vez que passei pela situação desgraçada que é ter uma bagagem extraviada!

28/08/2010

Turco


Nunca tive a pretensão de aprender a falar turco, mas também não imaginava que seria um idioma cujas palavras não fariam o menor sentido para mim. Pouquíssimas são as expressões a respeito das quais se consegue vislumbrar alguma possibilidade de tradução sem o auxílio de alguma legenda ou subtítulo em inglês.

O turco, ao contrário do que eu pensava, não é nem um pouco parecido com o árabe, aos ouvidos de quem escuta. Na escrita, a profusão de letras com trema (ö e ü) faz lembrar um pouco de alemão.

Nos guias da Lonely Planet, li que o idioma turco falado atualmente, na verdade, é uma reinvenção artificial da revolução dos anos 20 e 30, quando se enterrou o Império Otomano, separou-se a religião da política e adotou-se o alfabeto ocidental como obrigatório. Como idioma recriado, foi feito de forma simplificada. Não há artigos e os verbos são todos regulares, com a exceção de um só, que acho que é o verbo “ser/estar”. Os plurais dos substantivos também são regulares e, por essa estrutura científica, o idioma foi utilizado como um dos modelos na criação do esperanto, a língua artificial criada por cientistas para ser a língua universal.

Embora não seja esperado de nenhum brasileiro que aprenda o idioma para fazer turismo na Turquia, é importante que se saiba ao menos como pronunciar algumas letras para poder dizer o nome dos lugares na hora de pedir informações ou de pegar um táxi. Por isso, vale a pena uma consulta rápida a essa seção, que quase todo guia de turismo tem.

Foi lendo essa parte do Lonely Planet que descobri que a letra “i” deles não tem o pingo em cima, e que quando tem, é como se fosse um acento de sílaba tônico. Além de terem “ç”, que se pronuncia “djh”, eles tem um “s” com cedilha (ş) , que se pronuncia como “x” em xadrez. O “ö” é uma mistura de “o” com “e”, como no alemão, e o “ü” tem aquele som misturado com “i”, como em “Gisele Bündchen”. O “g” com um acento circunflexo virado em cima funciona como um prolongamento da vogal anterior. Uma regra de outro é que todas as letras são pronunciadas ou servem para alguma coisa, não há letras mudas, como o “h” de hotel ou o “u” em “que”.

Se você perguntar a algum turco em Istambul para qual time ele torce, Fenerbahce ou Galatasaray, provavelmente ele responderá que para nenhum dos dois, que é torcedor do “Bexiktax” – coisa que só depois fui entender que na verdade é o nome do bairro de “Besiktas”, com duas esse-cedilhas.

De um modo geral, consegue-se levar tudo numa boa com gestos e um inglês bem tosco. A coisa encrespa um pouco mais do lado asiático, não acostumado a receber muitos turistas, onde pouquíssimos falam inglês e mesmo que falem, tem dificuldade para entender o que um brasileiro fala quando tenta falar em inglês. A conversa fica parecendo coisa de louco e não sai muito do básico.

Pela grande quantidade de imigrantes turcos na Alemanha que acabaram voltando para a Turquia ou que mantém relação com os parentes do país de origem, muitos sabem um pouco de alemão, o que ajuda quem se aventurou a aprender esse idioma em algum momento.

26/08/2010

Flashtour em Sultanahmet - Parte II

Depois de uma meia hora conhecendo o interior da Mesquita Azul, cruzamos novamente a praça em direção à Santa Sofia e entramos na fila para comprar ingressos, que estão custando 20 liras turcas. O Rafael e o Diego voltaram ao albergue, para fechar as mochilas, e combinamos de nos encontrar às 10h00 para pegar um táxi para o aeroporto.

A Santa Sofia (Hagia Sophia em grego, ou Ayasofia em turco, também traduzida para o português como "Santa Sabedoria") foi construída ainda no século VI, pelo imperador Justiniano I, na época do Império Romano do Oriente, para ser uma basílica cristã. O domo principal, que tem mais de 30m de diâmetro, segundo informações disponíveis nos guias e na Wikipedia, cobria o maior espaço coberto do mundo por mais de 1000 anos. Ela foi convertida em mesquita depois que os conquistadores otomanos tomaram a cidade no século XV. Em 1935, depois da revolução cultural que pretendeu aproximar a Turquia do Ocidente, o prédio foi transformado em museu, e assim tem sido desde então.

O interior do prédio está passando por reformas intermináveis desde os anos 1980, mas finalmente a maior parte do teto do domo principal foi liberado dos andaimes e tapumes em razão da promoção da cidade como capital europeia da cultura em 2010. Ainda assim, há parte encobertas por grades e panos.

Os detalhes mais bonitos e interessantes da Santa Sofia só foram trazidos de volta à luz do dia em razão dessas reformas. Os mais belos são os mosaicos bizantinos com imagens de Cristo e de Nossa Senhora, ricamente ornamentados, que estavam encobertos por camadas de tinha, de madeira ou de acessórios de metal colocados pelos muçulmanos, que não podem ter imagens de seres vivos em seus locais sagrados. Além deles, há rostos de anjos no alto dos pilares dos cantos da nave principal. Em alguns, o rosto continua tapado, em outros já está à mostra.
Os resquícios do período em que ela funcionou como mesquita são menores: grandes painéis com inscrições em árabe penduradas nos cantos, um púlpito no estilo das mesquitas e o altar deslocado para a direita, de forma que fique em direção a Meca.

A grandiosidade e a conservação do lugar impressionam, para um prédio de mais de 1500 anos. É possível subir nas galerias superiores, de onde se tem uma visão ainda melhor.
É um lugar que algum dia ainda vou conhecer melhor, porque dá bem para passar algumas horas explorando os detalhes. Como não tínhamos mais do que uma hora, logo saímos e ainda passamos, por 15 minutinhos, na Cisterna da Basílica, outra das grandes atrações de Istanbul.

Essa cisterna foi construída ainda pelos romanos, no ano de 532, para prover a cidade de água em caso de ela vir a ser sitiada. Por vários e vários séculos, esteve escondida e foi esquecida a sua existência. Alguns curiosos, porém, ficaram intrigados com o fato de que moradores da região conseguiam água em poços profundos no interior de suas casas e decidiram investigar. Acabaram encontrando a gigantesca cisterna quase intacta, cheia de peixes nadando em suas águas.

Para entrar na Cisterna, paga-se 10 liras e se pode andar por passarelas de madeira construídas por entre as colunas. O interessante é que a cisterna é toda sustentada por colunas trazidas de outras construções ou de ruínas, de modo que uma é diferente da outra. Há colunas dóricas, coríntias, retas e algumas com detalhes mais interessantes, como olhos gregos e até mesmo duas que possuem cabeças de medusas nas pontas – o local mais fotografado no interior da cisterna.
Lá dentro, a temperatura é pelo menos uns 10°C inferior ao lado de fora, o que dá um bom refresco e deixa a gente sem vontade de sair de lá. Não é muito bom para tirar foto, porque é sempre escuro e úmido, além de haver sempre algumas gotas caindo do teto, mas é um passeio bem interessante de se fazer.

24/08/2010

Flashtour em Sultanahmet - Parte I

Como perdemos o fim de tarde de sábado no aeroporto e como ficamos a noite de sábado no albergue, só tínhamos algumas horas da manhã de domingo para aproveitar alguma coisa de Istambul antes de voltar ao aeroporto para seguir viagem a Sarajevo.

Com a claridade da manhã entrando cedinho no quarto, acordei sem despertador e fui tomar um banho. Uma meia hora depois, estávamos saindo para dar umas voltas nas atrações mais próximas, sendo que combinamos de encontrar o Diego e o Rafael mais tarde, em algum lugar do bairro.
A cidade ainda estava quase vazia naquela hora. Fomos caminhando em direção à praça que separa a Santa Sofia da Mesquita Azul e de lá seguimos para o pátio da Mesquita Azul. Foi a primeira vez que vi de perto uma mesquita com minaretes. O troço é impressionante, muito gigantesco, muito bonito. Essa mesquita foi construída por volta do ano 1600, para rivalizar e superar em beleza a Santa Sofia, que tem quase 2000 anos.

Fomos até a porta e descobrimos que só abriria às 8h30, o que ainda nos dava uns 40 minutos para dar mais uns passeios ao redor. A Santa Sofia já sabíamos que só abriria às 9h00.

Ao lado da Mesquita Azul (ou Sultanahmet, o mesmo nome do bairro), fica o Hipódromo. O lugar era o centro de Constantinopla no tempo do Império Romano e do Império Bizantino e hoje é uma praça. Os obeliscos que estão ali foram colocados ainda no ano 400 DC: uma coluna espiral quebrada ao meio; um muito bem conservado, com inscrições egípcias, e outro mais em ruínas. Na praça também há uma fonte de água típica da cidade, doada pelo Império Alemão, com ornamentos árabes, no tempo do Império Otomano. O acúmulo de história num lugar só é impressionante!

Do outro lado da rua, avistamos um café e decidimos parar ali para comer alguma coisa e esperar a mesquita abrir. Nisso, já enxergamos os guris vindo na esquina, e comemos os quatro juntos. Pedimos um omeletão com tomate e cebola, mas o tempero era tão forte que a gosto ficou indo e vindo o dia inteiro.

Já na hora de entrar na mesquita, tivemos de tirar os sapatos, como de praxe nesses lugares e acabamos abordados por um senhor todo solícito entregando folhetos explicativos que, é claro, era um guia querendo alguns trocados. Ele pediu 40 liras, mas fechamos em 20 liras para o grupo inteiro, pela explicação.

Já tinham me falado, e é verdade: ao entrar numa mesquita, você sente o cheiro de chulé. Sim, chulé. Imagine centenas e centenas de pessoas de pés descalços ou de meias entrando e saindo todos os dias de um lugar todo encarpetado (o chão deve ser fofo para facilitar para os joelhos).

Na tradição islâmica, são proibidas reproduções de quaisquer seres vivos, para que elas não se tornem objeto de adoração e com isso se desvie da fidelidade a Alá. Por essa razão, o interior de todos os prédios muçulmanos, especialmente mesquitas, é decorado com motivos abstratos ou geométricos. Assim, não há tantos detalhes para serem observados numa mesquita, o que faz com que qualquer visitação se torne rápida, a não ser que se queira ficar buscando ângulos diferentes para as fotos.

22/08/2010

Cheers Hostel


O albergue que escolhemos para ficar tanto na ida como na volta da viagem foi o mesmo, o Cheers Hostel. Pelas avaliações de usuários do Hostelworld.com, esse seria o melhor albergue disparado na cidade. O Diego e o Rafael, que chegaram dois dias antes, também tinham feito as reservas lá, mas já tinham avisado que o principal problema era a falta de ar condicionado no quarto.

Quando chegamos, o albergue estava todo aberto e sem ninguém cuidando. Encontramos alguém que parecia trabalhar ali lá atrás, na copa, e o chamamos. Fizemos nosso check in, pagamos (são 14 euros por pessoa em dormitório com 5 beliches, mais os quase 2 euros da reserva pelo Hostelworld pagos com cartão de crédito pelo site) e perguntamos pelos nossos amigos, que estavam na parte de cima do albergue, onde há um barzinho com vista para a Santa Sofia.

Deixamos nossas coisas no quarto, que de fato estava bem quente, e subimos para relaxar com uma cerveja, depois do stress todo passado em função das bagagens no aeroporto.A vista lá de cima é muito legal e decorre da localização perfeita do albergue. Fica a apenas meia quadra da Santa Sofia, que é a principal atração de Istanbul, a uma quadra da Mesquita Azul, a duas quadras da Cisterna da Basílica, a umas três ou quatro quadras do Palácio de Topkapi e a umas quatro quadras do Grand Bazaar. De bonde, depois de duas paradas, você está no porto de Eminönü, de onde saem barcos para o lado asiático da cidade e onde há vários restaurantes e lancherias típicos, tudo do ladinho da ponte Gálata, que leva para o centro moderno da cidade, conhecido como Taksim.

Não deixa de ser meio contraditório estar bebendo cerveja de frente para um lugar que era uma mesquita e que ainda conserva os minaretes ao seu redor, mas a sensação é de que você está no melhor lugar em que poderia estar em Istambul.

O prédio do albergue é um sobrado típico da cidade, com piso de madeira, escadarias um tanto apertadas. Na primeira noite, até que não fez tanto calor e eu não senti problema algum para dormir (embora lá pelas 5h40 da manhã, com a claridade entrando pela janela, já estivesse acordando). Para mim, o problema principal são os banheiros, que são pequenos e mal cuidados. O café da manhã está incluído no preço, mas não faz muita diferença. Não havia pão e só tomei um café e comi umas fatias de laranja enquanto estive lá.
Na volta da viagem, 14 dias depois, quando estivemos novamente no Cheers, tínhamos reserva para o quarto privativo de 4 pessoas no segundo andar. Aí sim, por 18 euros por pessoa, ficamos bem: tinha ar condicionado e descobrimos que os banheiros do andar de cima eram bem melhores. Por isso fica a dica: pague um pouco mais e fique nos quartos de cima, vale a pena.

20/08/2010

Do aeroporto ao albergue


Do aeroporto ao centro de Istambul, a distância é de mais ou menos 23km. Existem ônibus urbanos bem baratos que fazem o trajeto, mas são demorados e são necessárias algumas baldeações.

Um dos jeitos mais recomendados em guias de turismo é pegar o metrô do aeroporto até Zeytinburnu (a passagem custa uns R$ 2,00) e, nessa estação, descer e pegar um bonde até Sultanahmet (há três paradas no bairro, que é o mais turístico da cidade: Sultanahmet, Gülhane e Eminönü). A passagem do bonde, que é elétrico e bem moderno, custa mais uns R$ 2,00.
O problema das opções de transporte público é que são bem demoradas e não há muito conforto, especialmente se a pessoa está com malas ou mochilas grandes (não era nosso caso, hehehe).

Como já estávamos cansados pelo tempo perdido no aeroporto e tínhamos pouco tempo para aproveitar a cidade, pegamos um táxi. A corrida é medida no taxímetro, mas não costuma ficar muito fora de 30 a 35 liras turcas.

Só para registrar: R$1,15 = 1 lira turca. Por isso, a corrida não sai por mais do que 40 reais – mais barato que no Brasil, relativamente, pela distância percorrida. Se você está em 4 pessoas, são só 10 reais para cada um e em meia hora está no centrão.

O taxista só esquece de informar que no preço da corrida também está incluída a emoção da viagem. Por mais velhinho que seja o taxista (pegamos uns 5 ao longo dos dias em Istambul, na ida e na vinda), eles correm como loucos pelas avenidas. Fiquei cuidando: nas avenidas eles andam a 120km/h, e freiam em cima dos semáforos fechados. Se tem alguém andando devagar, freiam em cima, buzinam e ainda xingam, fazendo uns gestos engraçados.

A chegada em Istambul, mesmo a 120km/h, é bem agradável. Um avenidão sem fim, com parques do lado sul, e a visão do mar de Mármara, cheio de navios mercantes e de cruzeiro. Há pessoas em grupos fazendo piqueniques a qualquer hora do dia e da noite, passando uma sensação boa de segurança pública e de simplicidade. Em tudo quando é lugar, tem alguém com uma vara de pescar concentrado e na expectativa de pegar alguma coisa.
A cidade foi eleita como uma das capitais europeias da cultura nesse ano de 2010 e, certamente por isso, passou por uma faxina geral. As flores dos canteiros estão bem cuidadas, a grama aparada, as muralhas de Teodósio, que cercam a parte antiga da cidade, restauradas e bem iluminadas. Em Sultanahmet, a primeira impressão é a melhor possível: limpeza, segurança, organização, monumentos bem iluminados, sinalização, o bonde moderno passando.

Descemos do táxi ao lado da mesquita azul, porque eu sabia que o albergue ficava num beco em que não entravam carros. Sofremos um pouco para encontrar o lugar, porque a entrada do tal beco, chamado Zeynepsultan Sokak, era quase invisível para quem passa na avenida ao lado da Santa Sofia. Além disso, ninguém sabia dizer onde ficava o lugar, por mais que estivéssemos o tempo todo ao lado dele. Depois de uns 15 minutos subindo e descendo, encontramos o albergue pelo caminho mais improvável: um outro beco, que dava numas ruelas suspeitas e nos fundos de uma casa, acabou levando a uma ruazinha calçada bem simpática, onde finalmente apareceu a placa do albergue – Cheers Hostel.

18/08/2010

Bagagem (quase) extraviada


Assim que saímos do avião, pudemos sentir os 30°C que castigam Istambul em boa parte do verão. Corremos para o setor de imigração, sem muito sucesso, porque a fila já era grande.

Havia pelo menos 15 cabines para conferência de passaportes de estrangeiros, com duas filas independentes, mas o volume de pessoas fez com que ficássemos pelo menos meia hora até recebermos o carimbo de entrada. A única pergunta que o oficial da imigração me fez foi se era a primeira vez na Turquia – mas acredito que isso se deva ao fato de que ele teve de me cadastrar no sistema, o que não seria necessário se eu já tivesse passado pelo país antes. Nessas horas, dá bem para ver a diferença na rapidez do atendimento a um passaporte do modelo novo, que tem códigos para leitura automática de informações, e um do modelo velho (como o meu), em que tudo precisa ser digitado.

Com o carimbo no documento, fomos para as esteiras de bagagem, já sabendo que a coisa seria demorada – os guris ficaram mais de uma hora esperando dois dias antes. Ficamos só andando de lá para cá e ligando para dizer que tínhamos chegado bem, porque nem caixa automático tem na área de retirada de bagagens.

Demorou uns 45 minutos até que a esteira começasse a se movimentar e despejasse algumas poucas malas. Assim foi ocorrendo de 10 em 10 minutos. Saíam umas 15 malas, e parava. Recomeçava, e parava. Quase duas horas depois, a esteira parou, e percebemos que os nossos mochilões não tinham aparecido.

Adrenalina a mil. Apesar de ter viajado bastante, eu nunca tive uma bagagem extraviada. E agora? Os guris já estavam ligando do centro, perguntando o motivo da demora.

Fomos até o balcão de bagagem extraviada e o carinha simplesmente lamentou e nos deu um formulário gigantesco para preencher. Eu perguntei se eles não tinham como rastrear, e ele disse que em Istambul nossas mochilas não estavam. Perguntei se estavam em São Paulo, e ele abriu uma tela de computador e disse, num inglês sofrível, que se houvesse algo de bagagem em São Paulo, haveria uma mensagem naquela tela.

Entre um silêncio constrangido e outro do funcionário que mal entendia inglês, o Harold perguntou se não seria possível que nossas mochilas tivessem sido despachadas direto para Sarajevo, para onde iríamos no dia seguinte. Aí o cara olhou de novo os tickets e disse que sim, que deveria ser isso que tinha acontecido, e perguntou se queríamos nossas mochilas. Dissemos que sim e ele então pegou um walkie-talkie para pedir que tirassem nossas mochilas do depósito.

Depois de uma meia hora e de várias chamadas dizendo que ainda não tinham achado, chamamos outra pessoa e explicamos a situação. Ela nos recomendou que fôssemos para o hotel e que pegássemos nossas mochilas em Sarajevo, porque elas certamente estariam lá. O aeroporto estava muito movimentado e provavelmente demoraria muito para encontrarem. A segurança com que essa funcionária nos falou isso nos encorajou a deixar assim mesmo e ir para o albergue só com a bagagem de mão.

Saímos da área de retirada de bagagem e, antes de sair do aeroporto, sacamos algumas liras turcas num caixa automático e fomos até um balcão de check in, pedir nosso cartão de embarque para Sarajevo.

No sistema, constávamos como tendo já feito o check in, mas não tínhamos cartão de embarque porque a Turkish de São Paulo dizia que não podia imprimir cartões de embarque com mais de 24 horas de antecedência. Explicamos a situação a uma gerente e ela se prontificou a imprimir os cartões de embarque, mas antes pediu nossos passaportes. Aí, veio outra pergunta que me deixou brabo:

- Onde estão os vistos para a Bósnia?

Respondi que brasileiros não precisavam de visto desde 2008 com tanta segurança que a gerente só baixou a cabeça, imprimiu os cartões e nos agradeceu.

Finalmente, depois de umas três horas no aeroporto, tomamos um táxi para Sultanahmet, onde os guris nos esperavam a pelo menos duas horas no barzinho do albergue.

MORAL DA HISTÓRIA: a culpa pela história das bagagens também foi nossa, mas por falta de informação. Em Porto Alegre, deveríamos ter pedido expressamente para despachar as bagagens apenas até Istambul. Como na etiqueta dizia SJJ (Sarajevo) como destino final, as malas foram automaticamente remetidas para o depósito do voo que sairia no domingo de meio-dia – pouco importando que nossa conexão fosse de mais de 18 horas. Ao contrário do que ocorre no Brasil, em que as malas sempre são retiradas no primeiro porto de entrada, lá na Turquia, se Istambul não é o destino final, elas não são liberadas ao passageiro.

Pelo menos eu tinha feito o que se deve fazer: havia levado a nécessaire, uma cueca, um par de meias e uma camiseta extra na bagagem de mão, para sobreviver àquelas horas em Istambul sem a bagagem principal.

16/08/2010

O incidente no voo a Istambul

Depois de alguns chopps na Devassa da área de embarque internacional, embarcamos na hora marcada.

O avião, um A340, já estava bem cheio e estava com cara de que iria lotado. Assim que embarcamos, confesso que não tivemos uma impressão muito boa. Os bancos eram de uma cor azul piscina com cara de meio velhos. O som ambiente, umas musiquinhas orientais tocadas com harpa, fazia parecer que já estávamos em algum país árabe.
Logo que nos sentamos em nossas poltronas – felizmente eram dois assentos, um corredor e uma janela, sem ninguém no meio – ficamos só observando o movimento.

O que mais chamava a atenção era um grupo de africanos que ia e vinha pelos corredores, como que procurando pelo melhor lugar para sentar. No banco à nossa frente, que tinha uma porta de saída de emergência e que, por essa razão, permitia um espaço bem amplo para esticar as pernas, um desses africanos se sentou. Não demorou muito, um sujeito com aparência de ser árabe, com o cartão de embarque na mão, se apresentou como dono do assento e pediu ao passageiro sentado que deixasse o lugar. O africano argumentou (tudo em inglês) que alguém tinha pego o lugar dele e que era para o árabe procurar outro lugar. Chamaram o comissário de bordo e, já num tom bem exaltado, conseguiram demover o africano do lugar. Nesse meio tempo, porém, alguém levou o cartão de embarque para outro lugar e acabou perdendo, deixando o árabe indignado e reclamando que queria o cartão de volta porque precisava dele para comprovar a viagem ao patrão.

Enquanto tudo isso acontecia, outros africanos seguiam na sua busca por bons lugares no avião. No meio da madrugada, quando fui ao banheiro, encontrei um deles sentado na parte detrás do avião, naqueles assentos dobráveis usados pelas aeromoças, trancando com os pés a porta de um banheiro. Achei estranho, vi que o sujeito parecia meio bêbado e simplesmente procurei outro banheiro.

Quando saí do banheiro, vi que havia pelo menos uns 8 tripulantes do avião reunidos ao redor do sujeito que estava esticado com as pernas na porta do banheiro e vi que algo estava acontecendo. Voltei para meu lugar, dormi, e na manhã seguinte, quando voltei ao banheiro, encontrei o tal bêbado preso, algemado com as mãos para trás com lacres plásticos, numa cadeira de comissário, todo vomitado (o chão estava roxo de vinho ao seu redor), balbuciando palavras em algum idioma incompreensível, meio que chorando.

Conclusão: o bêbado se passou no vinho, começou a fazer baderna na parte detrás do avião e, àquela hora em que fui ao banheiro, a tripulação estava se reunindo para “efetuar a prisão” do sujeito, que ficou assim até o final da viagem. Essa eu nunca tinha visto!

Apesar do incidente, aparentemente a tripulação conseguiu manter a tranquilidade no voo. Quem estava sentado mais lá atrás deve ter sentido o mau cheiro, mas no mais a situação foi bem contornada.

De resto, o voo estava bem tranquilo. Não aproveitei muito o sistema de entretenimento, porque ou já tinha visto os filmes, ou não me interessei por nenhum outro. A comida estava muito boa – talvez a melhor janta e o melhor café da manhã que eu já comi num avião. Lasanha de berinjela, salada com iogurte, castanhas, pães bem fresquinhos, omelete e salada de frutas foram alguns dos itens do cardápio.

Do lado de fora, não dava para ver muita coisa. O voo passa boa parte do tempo sobre o oceano Atlântico, à noite, e boa parte do dia sobre o deserto do Saara. Embora seja algo diferente, o que se vê é apenas um reflexo tão forte do sol na areia que não há nem mesmo como distinguir a linha do horizonte. Só na parte final da viagem é que valeu a pena ficar na janelinha: vi o litoral da Tunísia, o sul da Itália (inclusive aquele estreito em que a “bota” da Itália quase toca na Sicília), a ilha de Corfu e o interior da Grécia (inclusive o Monte Olimpo).

O avião aterrissou em Istambul na hora marcada, depois de mais de 12 horas de viagem, com aplausos dos passageiros, como de costume em voos longos assim.

14/08/2010

Medo de perder a conexão

Havia pelo menos umas três semanas que eu estava preocupado com a possibilidade de que não houvesse tempo suficiente para a conexão no aeroporto de Guarulhos, com os horários em que havíamos comprado as passagens. O voo de Porto Alegre, pela TAM, sairia às 19h20 e chegaria em São Paulo às 21h15, segundo a previsão da passagem. O voo da Turkish Airlines para Istambul, por sua vez, sairia às 23h20.

Olhando assim, até parece bastante tempo, mas se for considerado o tempo de antecedência com que se faz o embarque (pelo menos 45 minutos em voos internacionais), a espera na fila de imigração para sair do Brasil (tem levado quase meia hora em dias tumultuados em Guarulhos) e a possibilidade (até então eu não tinha certeza) de que tivéssemos de retirar as malas em Guarulhos para fazer novo check in na Turkish, o espaço de tempo parecia bem pequeno mesmo. Não haveria muita margem para atrasos.

O que assustava nessa possibilidade era a certeza de que, caso perdêssemos aquele voo, o próximo só sairia três dias depois – o que mata boa parte de uma viagem planejada para durar apenas 13 dias.

Até tentamos ver a possibilidade de antecipar o voo entre Porto Alegre e São Paulo, mas as taxas cobradas (US$ 125 por alteração) e os horários disponíveis (teríamos de ficar pelo menos umas 6hs em São Paulo) acabaram nos desencorajando. Andei dando uma olhada no site da Infraero para ver se o voo da TAM costumava atrasar, mas com o que vi fiquei um pouco mais tranquilo.

Na quarta-feira à noite, dois do nosso grupo de amigos, o Diego e o Rafael, fizeram o trecho de ida e deu tudo certo. Chegaram em São Paulo com a bagagem já despachada, passaram pela imigração e ainda conseguiram tomar um chopp na área de embarque. Na quinta de tarde estavam na Turquia. Eles haviam decidido viajar com dois dias de antecedência para poder aproveitar melhor Istambul, coisa que eu e o Harold não podíamos fazer em razão de compromissos de trabalho. O fato de ter dado certo com eles tranquilizava, mas também deixava aquela angústia de “será que nós também vamos conseguir”.

Felizmente, porém, tudo deu certo.

Saímos de carro daqui de Santa Maria na sexta de tarde, chegamos em Porto Alegre com chuva às 17h, deixamos o carro na garagem de um amigo no Menino Deus e tomamos um táxi até o aeroporto. No caminho até lá, um engarrafamento como eu nunca tinha visto na zona norte de Porto Alegre. Os guardinhas mandando usar a via lateral, caminhões atravessados na pista tentando fazer manobras absurdas, um caos típico de dia de chuva. No aeroporto, quase não havia fila no check in. Despachamos a bagagem, fizemos um lanche e embarcamos na hora marcada.

O voo chegou em São Paulo 5 minutos antes do previsto e, já com o check in feito, fomos ao balcão da Turkish apenas trocar os cartões de embarque impressos pela TAM em papel de nota fiscal pelos cartões de embarque da própria empresa turca – exigência deles explicada já em Porto Alegre na hora do check in. Dali, passamos pelo raio-x, pela imigração e chegamos à área de embarque.

13/08/2010

Roteiro nos Bálcãs

O roteiro do mochilão pelos Bálcãs foi organizado basicamente em cima da Croácia. Como leitura de viagem, para organizar por onde passaríamos e o que faríamos, compramos o Guia da Folha da Croácia (em português, cerca de R$ 83,00 pela Saraiva), o Lonely Planet dos Western Balkans (em inglês, comprado da Amazon.com por cerca de US$ 17,00, mas taxas de frete, divididas com outro livro) e o City Guide da Lonely Planet para Istambul (comprado junto com o Western Balkans, por uns US$ 15,00).

O Lonely Planet dos Western Balkans é a leitura mais detalhada dessa editor sobre Bósnia-Herzegovina e tem a única compilação de Montenegro, Croácia e Bósnia num livro só. De lambuja, ainda traz Sérvia, Kosovo e Albânia, que não visitaríamos.

Depois de discussões a respeito, ficou assim:

16/07 – Saída do Brasil
17/07 – Istambul
18/07 – Sarajevo
19/07 – Mostar
20/07 – Dubrovnik
21/07 – Dubrovnik (daytrip a Montenegro)
22/07 – Dubrovnik (daytrip a Mljet)
23/07 – Dubrovnik
24/07 – Hvar
25/07 – Hvar (daytrip a alguma ilha)
26/07 – Hvar
27/07 – Split
28/07 – Split (daytrip a Bol)
29/07 – Plitvice
30/07 – Zagreb
31/07 – Istambul
01/08 – Retorno ao Brasil
No final, dois de nossos amigos anteciparam a passagem de ida para o dia 14/07, de modo a ganharem mais dois dias para conhecer melhor Istambul.

12/08/2010

Um mochilão aos Bálcãs

Não me aguentei.

Recém voltei do mochilão à Croácia e vizinhanças e já fiquei com vontade de contar sobre como foi essa viagem, que durou 15 dias ao total, contando deslocamentos e os passeios propriamente ditos.

Por isso, vou suspender agora os relatos sobre o Chile e passar a falar sobre os Bálcãs.

A ideia de viajar para a Croácia já tem mais de 2 anos entre nosso grupo de amigos. Inicialmente, pensamos em conjugar Croácia com Hungria, que eram dois lugares onde nenhum de nós já tinha estado.

Depois de muitas idas e vindas (ano passado a viagem ao Atacama acabou sendo a opção mais econômica e rápida a essa viagem para o leste europeu), fechamos questão no mês de março desse ano que iríamos viajar em julho, por duas semanas e pouco, para conhecer finalmente essa região da ex-Iugoslávia.

Viajar na alta temporada não era desejo de ninguém, mas foi a única opção possível, frente aos compromissos de trabalhos dos quatro que se comprometeram a viajar juntos.

Ainda em abril, começamos a pesquisar passagens aéreas e de cara nos assustamos com os preços quase absurdos que algumas companhias estavam cobrando. Pesquisa vai, pesquisa vem, acabamos descobrindo que a opção mais econômica e interessante seria utilizar a Turkish Airlines, que tem um voo direto entre São Paulo e Istambul e conexões para quase todas as capitais dos países do leste europeu.

Chegar em Dubrovnik, que era o principal ponto turístico dessa viagem, era quase um desafio logístico. As opções direto do Brasil, que eram a Lufthansa e outras companhias inglesas, basicamente, se revelaram muito caras. Por isso, logo abrimos mão da possibilidade de começar ou terminar a viagem por lá.

Fazendo algumas simulações, abriu-se a possibilidade bastante curiosa de abrir a viagem por Sarajevo, na Bósnia, e fechar por Zagreb, capital da Croácia, com paradas de quase um dia inteiro em Istambul tanto na ida como na volta.

Esse roteiro acabou sendo de agrado de todo grupo e já no final de abril tínhamos passagens compradas para todos com os seguintes trechos:

16/07 Porto Alegre – São Paulo – Istambul
18/07 Istambul – Sarajevo
31/07 Zagreb – Istambul
01/08 Istambul – São Paulo – Porto Alegre

Fazendo os trechos internos com a TAM e os demais com a Turkish, numa passagem só, com todas as taxas incluídas, podendo parcelar em até 5 vezes, a conta total ficou em R$ 3.058 – uma barbada para a altíssima temporada, segundo a agente que intermediou a compra.