30/01/2009

AMSTERDAM - Impressões

As primeiras impressões que tive de Amsterdam, logo que cheguei lá, não foram muito boas. A sensação era de uma confusão total, com gente de tudo que é tipo se cruzando com transportes de todas as espécies, num limitado espaço físico, em boa parte inutilizável pelo fato de estar coberto de água!
No entanto, à medida que se vai caminhando pela cidade e entrando no seu clima, a opinião sobre ela muda radicalmente. Hoje lembro e percebo que se vive muito bem lá. A qualidade de vida das pessoas é muito boa, porque se anda de bicicleta por quase tudo (inclusive à noite, para ir e voltar da boate), sem que haja nenhum constrangimento "por não ter carro". A pouquíssimos quilômetros da cidade, tem-se uma natureza vibrante, com campos mais bucólicos do que se poderia encontrar num rincão isolado do interior do Brasil.

Tudo isso é envolvido por todas as facilidades da vida moderna, que às vezes estão escondidas no interior de prédios com mais de 300 anos de idade, muito bem preservados ou restaurados.
Olhando fotos antigas em museus ou exposições, vi que a cidade sempre foi assim. Movimentada, vibrante. Parece que os holandeses gostam de se sentir bem e não dão bola para "tradições" ou para o "respeito religioso".
A tolerância é a marca da cidade. Tolerância com tudo que é diferente. Igrejas de quase mil anos convivem muito bem com o bairro em que as prostitutas se oferecem em vitrines. Criancinhas de 6 anos de idade (e seus pais) não se constrangem em passar pelo dito bairro ou por algum sujeito que exagerou um pouco na droga que consumiu. Aparentemente, não há racismo, e é normal ver restaurantes de comida surinamesa, argentina, italiana, indiana e local lado a lado, freqüentados por todo tipo de gente. Onde mais se faria uma quadra de futebol de areia ao lado do Palácio Real?
No início, uma certa "poluição visual" é capaz de deixar o sujeito inquieto ou desconfortável com a cidade, mas com o tempo se percebe que basta olhar para o lado e ali está a tranqüilidade de um canal, com um barquinho ancorado e flores por todos os lados.
Chegamos em Amsterdam numa sexta e fomos embora só na terça de manhã. Com isso vimos muito bem a diferença que é o movimento daquela cidade no fim de semana e fora dele. Recomendo fortemente que se visite a cidade no final de semana, para senti-la de verdade. Na segunda, depois de tudo aquilo que vimos, ela se tornou até meio monótona - tanto que saímos para fazer passeios em outras cidades lá por perto.

Uma dica de sobrevivência: cuidado com as bicicletas e os bondes. Se estiver caminhando e ouvir uma sineta, corra para o lado!

28/01/2009

AMSTERDAM - Albergue

Amsterdam tem uma infinidade de albergues para se escolher, dada a tradição festeira da cidade. Contudo, reservar com antecedência é essencial para não entrar em uma furada.

Nos finais de semana, milhares de pessoas pegam voos de companhias low fare só para passar o final de semana fazendo festa por lá. É comum encontrar grupos de amigos, especialmente ingleses (e inglesas!) fazendo despedidas de solteiro na cidade. Por isso, muitos acabam lotados, tornando praticamente impossível conseguir um dormitório de última hora numa sexta ou num sábado. Um amigo meu, o Harold, é testemunha disso. Passou 17 longas horas se revezando com amigos na busca de uma cama - enquanto uns cuidavam das mochilas num parque, outros batiam perna, sem resultado. Acabaram apelando para um hotel.

Fora a questão da grande diversidade e da necessidade de reserva prévia, está o fato de ser preciso escolher bem antes de fechar com um albergue. Falo aqui do perfil de lugar que se quer para passar a noite. Com a tradição liberal da cidade, alguns albergues acabaram se tornando verdadeiros antros para drogados de todos os tipos. Isso sem falar em albergues que são frequentados pela galerinha mais nova, que ainda tem a mentalidade de que se divertir é fazer bagunça no hotel, como nas excursões do colégio.

O pessoal que viajou comigo e eu optamos por reservar um albergue que não admitisse drogas ou cigarro, em primeiro lugar. Depois de muito pesquisar nos guias e no orkut, a opção unânime acabou sendo o Stayokay Vondelpark. Esse albergue, de uma rede de vários com o mesmo prefixo por toda a Holanda, tem uma reputação muito boa, sendo eleito por vários anos como um dos melhores da Europa.

As principais críticas que ouvimos em relação ao lugar, antes de ir para lá, estavam relacionadas à suposta distância em relação ao centro da cidade e ao Red Light District. Não poderia ter sido mais equivocada essa impressão, segundo pudemos constatar depois que estivemos lá. A localização, na nossa opinião, é ótima. O albergue fica a uns 100m de Leidseplein, a praça que concentra o maior número de pubs, boates e restaurantes da cidade.

É verdade que não fica tão perto do Red Light, mas convenhamos que, depois de umasvisitas, você não quer necessariamente dormir naquela parte da cidade. Mesmo assim, não dá mais do que uns 20 a 25 minutos de caminhada. Se for de bonde, então, são apenas umas 4 ou 5 paradas até o "Dam", ponto mais próximo do famoso "distrito".
O Stayokay Vondelpark tem esse nome porque fica bem ao lado do parque. O lugar é muito aprazível, mas fica fechado com grades à noite. O prédio principal foi construído onde antigamente era um internato, por isso tem uma atmosfera bem legal.

Tudo é bastante moderno e relativamente mais limpo do que a média dos albergues. Há bastante quartos, mas mesmo assim eles conseguem manter a coisa em ordem. A área de uso comum é bem ampla e junta sempre uma galera em volta.
O café da manhã também é muito bom, contando até com leite achocolatado saindo da máquina. Fizemos também algumas refeições com o "prato do dia" servido no restaurante. Uma boa opção de comida por cerca de 8 euros, em valores de 2007.

No hall do albergue, um quadrinho demonstra como ele (e quase tudo na cidade) está abaixo do nível do mar.
Ficamos num quarto de 6, com três beliches e banheiro privativo, com uma ampla janela que servia para secar bem as toalhas e as meias. Todos tinham lockers individuais, trancados com cadeado do hóspede, para a mochila inteira.

Para chegar lá, bastou-nos descer do bonde que pegamos na Centraal na praça de Leidsplein e, dali, atravessar uma ponte. O nome da ruazinha sem saída do albergue, onde não estacionam carros, é Zanpad. Não tem erro.

26/01/2009

AMSTERDAM - Chegada

Nosso vôo entre Berlin e Amsterdam foi feito pela KLM “City Hopper”, uma subsidiária regional da grande companhia aérea holandesa. Nada de especial – mas pelo menos o lanchinho era de graça!

À medida que fomos nos aproximando do pouso, pudemos ver pela janelinha um belo dia de céu sem nuvens (coisa rara na Holanda) e uma bonita paisagem de campos floridos e lagos e alagadiços por todos os lados.

Chegamos na hora marcada no aeroporto de Schiphol, mas tivemos um grande atraso até a liberação da bagagem. Creio que tenhamos ficado quase uns 50 minutos sentados ao lado das esteiras esperando, junto com todos os demais passageiros. O que nos salvou foram uns chocolates que tínhamos nas mochilas que foram como bagagem de mão, porque nessa parte do aeroporto (como na maioria dos lugares), não se tem acesso a áreas de alimentação.

Depois, com a bagagem em mãos, não levamos muito tempo até sair do aeroporto. Como era um vôo dentro do Espaço Schengen e da Zona do Euro, não havia nem imigração, nem alfândega, nem necessidade de fazer câmbio. Tratamos apenas de comprar os tickets necessários para se ir de trem do aeroporto até a cidade.

Os trens metropolitanos de Amsterdam são de cor laranja. Não são muito modernos, mas chegam rapidinho na Centraal Station, de onde seguiríamos para o albergue. Tivemos um pouco de dificuldade para encontrar o trem correto, pois vários outros, com outras direções, saem a todo tempo do aeroporto.

Chegando na Centraal Station, deparamo-nos com uma “muvuca” que fazia tempo que não víamos. Gente indo e vindo por todos os lados, uma estação antiga e quase toda em reformas e, do lado de fora, um caótico fim de linha das principais linhas de bondes da cidade com bicicletas cruzando em todos os sentidos. Com toda a bagagem nas costas, encontramos nosso caminho por entre a confusão e chegamos até o centro de informações do transporte urbano de Amsterdam, em frente à estação, mas do outro lado da rua.

Amsterdam tem metrô, mas ele serve muito pouco aos interesses dos turistas. Leva para regiões mais afastadas do centro, em direção nordeste. Nós, em quatro dias na cidade, só o usamos para ir e voltar do estádio do Ajax.

O principal meio de transporte público são os bondes elétricos, que parecem mini-metrôs. São praticamente iguais aos que existem em Milão e ao moderno bonde que leva do centro de Lisboa a Belém.

O sistema de passagens é que é um pouco complicado à primeira vista. Funciona como o da Dinamarca – só que agora não tínhamos mais um anfitrião para fazer essa parte por nós. A pessoa compra uma tira com dez espacinhos horizontais (ou mais, se quiser). Quando entra no bonde, deve cancelar (mais ou menos como bater um cartão de ponto) um espacinho para o embarque e mais um para cada zona da cidade pela qual vai transitar. Se ficar só dentro da zona central (o mais comum para turistas, que ficam só entre a Centraal Station e o Vondelpark), cancelam-se dois espaços apenas.

Os bondes funcionam, na prática, como metros de superfície. Há estações de parada anunciadas pelo condutor e bondes indo e vindo nos dois sentidos. Mapas com as linhas principais são facilmente encontrados em guias da cidade.

Depois de comprar os nossos, embarcamos num quase vazio (a estação central é o início e o fim das linhas), mas logo nos vimos apertados por todo o público que foi embarcando. Certamente o bonde não foi pensado para gente carregada de bagagem...

22/01/2009

Retomando Berlin

Já faz alguns dias que não escrevo sobre aquele meu segundo mochilão à Europa, feito em 2007. Eu havia parado na viagenzinha bate-e-volta que fiz até a fronteira com a Polônia, a partir de Berlin.

Como eu tinha dito, nem todos do grupo fizeram o mesmo. Os guris que ficaram na cidade aproveitaram a tarde para entrar no Museu Egípcio, cuja atração mais conhecida é o busto da Rainha Nefertiti, do Egito antigo (esse da foto).


Além disso, conseguiram pegar um movimento menor em frente ao aParlamento e tiveram a oportunidade de conhecer o lado de dentro. No final da tarde, pouco antes de voltarmos, eles deram umas voltas pelo Sony Center, um conhecido centro de compras e lazer que fica no centrão do que antes era Berlim Ocidental.

Naquela noite, mesmo um pouco cansado, eu fui com o Rafael até o ponto de encontro (estação do S-Bahn Hakischer Markt) do mais conhecido
pub crawl de Berlim.

Pub crawl, para quem não sabe ou não acompanhou os posts sobre minha outra viagem à Europa, é uma atividade que muitas cidades turísticas têm e que consiste em reunir uma galera (geralmente de albergues diferentes) de até umas 30 pessoas num determinado horário para, então, irem juntos passando de bar em bar, até terminar a noite numa boate. Geralmente se paga alguma coisa entre 10 ou 15 euros e isso dá direito a um guia não profissional conduzinho o grupo, alguns drinks de graça nos bares pelos quais se passa e, às vezes, cerveja liberada no primeiro deles. No final, a boate também é de graça. Além disso, o guia se encarrega das passagens de metrô, se elas forem necessárias em algum deslocamento.

Acabou sendo bem legal esse pub crawl de Berlin. O primeiro bar foi ali perto do ponto de encontro e era todo típico da Alemanha Orientar. Um lugar embaixo de um viaduto de S-Bahn, com bandeiras e bugigangas da era comunista.


O segundo já não tinha nada demais, mas serviu para tomar uns tragos. O terceiro era numa região não muito longe dali. Não sei direito onde era, mas lembro que a guia falou para "tomar cuidado" com as prostitutas que costumam fazer ponto ao redor. Nesse último bar já estávamos bem embalados. Alguns dos outros mochileiros que estavam no pub crawl desertaram do grupo, de tão bêbados que estavam. O próximo destino necessitava de uma andadinha de S-Bahn até a estação Warschauer Strasse. A boate ficava ali mesmo, embaixo da estação.

Ficamos lá até umas 3 e tanto da manhã e voltamos de táxi (raridade), porque não tínhamos muita idéia de por onde seguir para voltar até o albergue. Táxi, em Berlim, significa uma mega Mercedes Benz toda moderna, dirigida por um imigrante de algum país africano ou turco vestido de uniforme. O preço: uns 8 euros (muito menos do que se espera).


Na manhã seguinte, já era hora de arrumar as coisas e levantar acampamento. As 4 noites em Berlim passaram muito rápido e todos ficamos com um "gostinho de quero mais" em relação à cidade.

Fazendo um balanço, percebemos que praticamente não bebemos água na cidade, só cerveja. Foi o lugar onde gastamos menos com comida, disparado.
Não conseguimos ver muita coisa do que fomos descobrindo que seria interessante ver - talvez porque tenhamos feito muitos passeios ao redor da cidade, ao invés de ficar só nela.

Depois do café da manhã, seguimos até a Ostkreuz e pegamos um S-Bahn até a estação mais próxima do aeroporto de Tegel. De lá, um ônibus quase imediato até o embarque em si. Estranhamente, o aeroporto estava quase vazio, por isso não tivemos dificuldade em fazer o check in rapidinho para o vôo até Amsterdam.

18/01/2009

Dicas para fotos - Parte II

Continuando com o assunto das fotos, ainda tenho algumas outras coisas para falar...
  • RESOLUÇÃO: as máquinas digitais permitem que se escolha a resolução em que as fotos são tiradas. Uma máquina de 8 megapixels, por exemplo, permite que se tire fotos em 5, 3 ou até 1 megapixel. Isso não significa que uma foto vai sair melhor que a outra, só por causa da resolução. Tem a ver com o tamanho que a foto vai ter. Fotos de 3 megapixels, por exemplo, ficam muito bem se forem impressas no tamanho normal das fotos que colocamos em albuns (10x15cm). Fotos de 5 megapixels já são as que garantem boa qualidade em fotos até do tamanho de uma folha A4. 8 megapixels são recomendados para fotos maiores ainda, e por aí vai. O tamanho do arquivo gerado em cada foto vai depender em boa parte dos megapixels com os quais a foto foi tirada. Quanto maior, mais pesado o arquivo e, consequentemente, menos espaço vai sobrar no seu cartão de memória. Além disso, fotos mais pesadas acabam se tornando mais difíceis de manusear em computadores mais antigos e com menos memória. Por isso tudo, avalie bem quais são os seus objetivos com as fotos e só use resoluções maiores se tiver vontade de fazer grandes porta-retratos com elas no futuro - se não, é só perda de espaço virtual.
  • TAMANHO OU FORMATO: normalmente, as máquinas digitais vêm programadas para tirar fotos com o formato de uma tela de computador normal (não as widescreen). Assim é com as da Sony. Na hora de imprimi-las, contudo, o formato é mais retangular - mesmo comprimento, mas menos altura, nas fotos horizontais. Isso significa que, na impressão, serão perdidas duas faixas horizontais das suas fotos, uma em cima e outra embaixo. Se você não fizer nada a respeito antes de mandar "revelar" suas fotos, poderá ficar decepcionado com uma ponta de uma torre cortada ou com algo escrito na parte debaixo que ficou de fora. Por isso é que é sempre recomendável cortar as fotos que pretende imprimir no formato 10x15 manualmente. Programas como o Picasa, disponível gratuitamente na internet, são bons para fazer isso. Cortando manualmente as fotos para o formato 10x15, você escolhe o que prefere preservar - mais céu ou mais chão. No caso das fotos tiradas na vertical, escolhe se quer preservar na versão impressa mais ou lado esquerdo ou o direito. É uma boa oportunidade para tirar alguma coisa que não ficou tão legal na foto. Para visualizar as fotos na TV ou na tela do computador, entretanto, a versão inteira original é a melhor, por isso mantenha sempre uma cópia nos seus arquivos, usando as versões cortadas apenas para mandar ao laboratório fotográfico.
  • OLHOS VERMELHOS: embora muitas máquinas anunciem que reduzem a ocorrência de olhos vermelhos quando acionada determinada função especial, na prática os resultados nem sempre são satisfatórios. Fotos à noite, com flash, especialmente de pessoas com olhos mais claros, geralmente deixam olhos vermelhos aparecendo. Para solucionar essa situação, geralmente percebida só depois que já se está olhando as fotos no computador, o melhor também é usar programas de correção. Assim como falei no parágrafo acima, o Picasa resolve a maior parte desses problemas. Na versão 3, lançada há pouco tempo, a correção é automática, mas mesmo assim às vezes alguns olhos vermelhos não são corrigidos e o programa permite que, com o mouse, se selecione a área a ser corrigida; depois o programa mesmo aplica a cor mais escura sobre o tom avermelhado.
  • ENDIREITANDO FOTOS: dificilmente conseguimos perceber, ao bater uma foto, se ela não ficou um pouquinho inclinada para algum dos lados. Se a foto foi batida num barco, então, é quase impossível conseguir tirá-la com o horizonte bem retinho. Tem gente que gosta de fotos "tortas"; eu, particularmente, só uso esse recurso em situações especiais, como a partir de um teleférico, ou para dar uma noção de altura que não se consegue tão bem numa foto na vertical. De qualquer forma, se a sua intenção é ter fotos "retinhas", o fato de ela ter saído não muito bem nesse quesito pode ser facilmente solucionado, mais uma vez, com programas como o Picasa, que é o que eu uso. Esses softwares, feitos para usuários leigos (como nós!) permitem usar a função "Endireitar". Clicando nela, aparece uma "grade" de linhas pontilhadas para orientar a visão. Aí, com o mouse, gira-se a foto para um lado ou para o outro, até que esteja satisfatoriamente retificada. Depois, é só confirmar. Nem sempre o horizonte serve como referência para retificar uma foto, porque às vezes o fundo é feito de prédios ou montanhas. Nesses casos, o melhor é adotar como referencial um poste, uma pessoa ou outro objeto mais ao centro da foto, inclusive se valendo das linhas verticais para retificá-la.
  • CLAREAMENTO DE FOTOS ESCURAS: os softwares de fotos permitem que se clareie fotos muito escuras, o que normalmente ocorre com aquelas tiradas no interior de prédios ou à noite. Contudo, essa função prejudica bastante a qualidade da imagem. Tente e observe o resultado: depois de clarear uma foto e salvar a alteração, o arquivo perde bastante em tamanho. A tendência é que apareçam pontos esbranquiçados ou até mesmo quadriculados se o recurso é utilizado de forma exagerada. Por isso tudo, moderação é essencial nessa "ajeitadinha" - caso contrário sua foto ficará parecendo que foi tirada de um celular.
  • NA HORA DE IMPRIMIR: se você pretende imprimir algumas fotos, saiba antes como pretende imprimi-las. A maioria dos lugares oferece duas opções: brilhosas ou opacas. Só olhando exemplos das duas para saber qual você prefere. Eu já tive dos dois jeitos, mas atualmente tenho preferido as brilhosas, porque acho que dão um aspecto mais natural à foto. Outra opção é com relação à moldura: pode-se fazer com uma moldura branca ao redor de cada foto (fica legal porque parece um cartão-postal ou aquelas fotos antigas) ou sem moldura, com a foto indo até o corte do papel. Por fim, com relação ao preço, saiba que quanto maior o número de fotos impressas, menor tende a ser o preço por cada uma delas. Recentemente, comecei a mandar imprimir as minhas pela internet (Saraiva, Americanas e outros vários laboratórios oferecem esse serviço), sendo que consegui preços de cerca de 40 centavos por foto (quantidades iguais ou maiores que 300) e frete grátis. Não tenho o que reclamar da qualidade.

16/01/2009

Algumas dicas para tirar fotos


Não sou profissional e nunca fiz nenhum curso sequer de fotografia; nunca investi muito em máquinas fotográficas e tampouco uso tripés ou qualquer outro instrumento. No entanto, gosto de tirar muitas e muitas fotos em cada viagem que faço - não pelo prazer de tirar fotos em si, mas pela vontade de guardar e olhar com mais calma tudo (ou quase tudo) que de mais interessante eu vi.

Isso não significa, de outro lado, que eu nao goste de tirar boas fotos com a minha singela máquina de 6 megapixels da Sony, já com quase três anos de uso.

Tirar fotos legais é muito mais uma questão de tentativa e erro para mim. Com o tempo elas vão ficando melhores, basta comparar com as primeiras que eu tirava e com as atuais. Claro, também existem ocasiões em que não se está muito inspirado para tirá-las e alguns retrocessos são observados.
Algumas coisas eu fui aprendendo sozinho, outras escutei de amigos próximos e alguma, ainda, li em livretos com dicas ou mesmo sites e revistas de turismo.

Minha idéia, no post de hoje, é falar brevemente de alguns desses pequenos truques que fazem uma boa diferença no resultado, sem exigir paciência na hora de ficar fotografando ou mesmo investimento. Então, vamos lá.

1 - Uso do flash: a questão do flash não é muito bem compreendida por muita gente. A maioria acaba deixando a máquina no automático, o que não garante bons resultados. Se a opção ficar no automático, um resultado bastante comum são fotos ao ar livre em que o fundo está claro e o rosto da pessoa está escuro. O melhor é selecionar manualmente para o flash disparar nessas situações, iluminando o rosto de quem está perto da câmera, sem prejuízo do fundo também sair claro. Em situações opostas, como na "escuridão" do interior de uma igreja, por exemplo, o automático faria com que o flash disparasse, mas isso acaba gerando apenas um efeito de claridade nos objetos mais próximos e um breu total no fundo. Para aprender, não tem jeito: faça duas fotos, uma com e outra sem flash, e veja a diferença. A partir daí se vai pegando a técnica.

2 - Enquadramento: a maioria das pessoas tende a enquadrar o objeto principal da foto bem no centro. Nem sempre, porém, fotos assim ficam interessantes. Às vezes se consegue um efeito bem melhor deixando a coisa ou a pessoa mais para o lado, dando uma dimensão melhor de onde ela está, preservando a continuidade da paisagem ao fundo, etc. Imagine duas linhas verticais dividindo o campo de visão em três partes iguais e tente, de vez em quando, colocar o objeto principal da foto em uma dessas duas linhas.

3 - Horizonte: a linha do horizonte sempre aparece, de uma forma ou de outra, em fotos ao ar livre. A tendência natural das pessoas é deixá-la bem no centro da foto, dividindo-a ao meio; metade céu, metade chão ou mar. Segundo os profissionais, fotos assim acabam ficando meio monótonas e, segundo outros, dão a aparência de duas fotos, uma sobre a outra. Por isso, a dica é também imaginar duas linhas, só que agora horizontais, dividindo o campo de visão em três faixas. Tente colocar a linha no horizonte numa delas, deixando só um terço de céu ou o contrário, deixando dois terços de céu na sua foto.

4 - Posição em relação ao sol: um erro muito freqüente que se comete é tirar fotos desconsiderando a posição do sol ou de uma outra fonte de iluminação. Tirar fotos contra o sol geralmente produz resultados indesejáveis. A foto sai clara demais e tende a ficar desfocada. Se a foto é de um prédio grande, por exemplo, o céu sairá bem branco e o prédio escurecido. O melhor é sempre ter o sol atrás do fotógrafo, ou numa das diagonais traseiras. O único cuidado, nesse caso, é para que a própria sombra do fotógrafo não saia na foto, hehehe... Na maioria das vezes, essa questão da iluminação se resolve apenas trocando o ponto de visão ou pedindo para a pessoa que está sendo fotografada ir mais para o lado ou se virar um pouco. No entanto, se a foto é de uma grande paisagem, para sair com aquela cara de cartão-postal acaba sendo melhor voltar pela manhã seguinte ou à tarde, quando o sol estará em posição oposta, para ter um bom resultado.

5 - Iluminação: para fotógrafos profissionais, as únicas horas para se tirar fotos ao ar livre são o nascer do sol e o pôr do sol. Nos demais horários, elas são praticamente imprestáveis profissionalmente, por causa do excesso de iluminação. Isso soa quase como algo meio xiita, mas é exatamente assim que livros de dicas tratam a questão. De qualquer forma, quem não está interessado em fotos profissionais não precisa se preocupar tanto com isso. Fica aqui só o registro de que fotos nesses horários tendem a ficar mais legais, por causa do efeito que a luz tem sobre as cores. No início do ano passado, quando fui a Fernando de Noronha, conheci um alemão que viajava só para tirar fotos. Ele acordava às 5h da manhã, saía, voltava, e lá pelo fim da tarde retomava novamente sua atividade.

6 - Fotos noturnas: à noite, é muito mais difícil tirar fotos. Flash ajuda muito pouco (só em objetos a menos de 4m de distância) e, quando não se usa flash, a tendência é que saiam tremida, porque a captação da imagem demora um pouco mais. Nesse caso, até que um tripé realmente faz falta. Muitas vezes, porém, se não há um tripé à mão, dá para improvisar deixando a máquina sobre uma superfície plana e ajustando-a para tirar a foto sozinha, sem encostar a mão nela.

7 - Zoom: aprender a usar o zoom também é legal. Muitas vezes, paisagens distantes que são bonitas de se ver não saem tão bem nas fotos, parecendo pequenas ou pouco nítidas. Colocar uma pessoa na frente de uma paisagem dessas acaba parecendo que se estava muito longe do fundo. Usar o zoom, nessas situações, cria um efeito legal. Aproxima-se o fundo um pouco mais e se coloca a pessoa um pouco mais longe da câmera, de forma que ela não fique um gigante na frente da foto. Só não dá para exagerar no zoom, porque a qualidade da imagem nas digitais tende a cair bastante e é muito mais fácil de sair tremida a foto.

8 - Vertical/horizontal: a tendência natural é tirar fotos na horizontal, como a máquina parece sugerir que deve ser feito. No entanto, muitas vezes se têm resultados melhores girando a câmera e tirando a foto na vertical, de comprido. Igrejas com torres muito altas, ruas estreitas, pessoas de corpo inteiro, entre outras situações, são só alguns exemplos de fotos que ficam melhor na vertical. Para sair bem na foto em frente a uma torre ou um arranha-céu, da mesma forma, o melhor é que além de a foto ser feita vertical, o fotógrafo se ajoelhe e tire a foto de baixo para cima ou num nível mais baixo que a pessoa que está sendo fotografada.

9 - Fotos em movimento: tirar fotos da janela de avião, trem, ônibus ou carro nem sempre dá um resultado legal. A tendência é que a foto saia tremida. Por isso, o melhor é aproveitar uma paradinha, num semáforo, por exemplo, para fazer a foto, ou mesmo aquele ponto em que o avião está em velocidade de cruzeiro (quando as bebidas são servidas). Em algumas máquinas, tirar com flash faz com que a foto seja tirada mais rápido, por isso menos tremida. Só que não dá para usar flash se a foto é tirada através do vidro, pois certamente, aí, haverá reflexo da luz na frente do objeto principal da fotografia.

14/01/2009

Mandamentos de mochileiro

A mesma edição da Viagem e Turismo sobre a qual comentei no post de ontem trouxe aquilo que se poderia chamar de "os 10 mandamentos do mochilão".

Ao ler a reportagem, fiquei analisando as minhas viagens e pensando se realmente posso dizer que todas tenham sido mochilões de verdade... Pensando bem, acho que só aquela grande primeira jornada pela Bolívia, Peru (Machu Picchu), Atacama e Argentina é que poderia ser enquadrada nesse conceito.

Para a revista, mochileiro de verdade tem os seguintes princípios:

1 - Não ter destino certo (esse é o que mais teria sido "desobedecido" nas minhas viagens pela Europa, já que em nome da organização das passagens aéreas e das reservas, quase sempre tive esquemas certos de onde iria, com exceção dos dias que fiquei na Itália viajando sozinho).

2 - Ficar o tempo necessário em cada lugar (idem ao anterior).

3 - Não ter muito conforto (concordo!).

4 - Não andar na moda (é verdade, mochileiro não está nem aí para isso...)

5 - Não tomar táxis. (Concordo em gênero, número e grau e às vezes sou chamado de xiita por isso)

6 - Ter opinião forte e compartilhá-la (é isso que estou fazendo aqui!)

7 - Não ter medo de idiomas. (Por supuesto!)

8 - Não se acomodar jamais (quando estou num mochilão, corro três turnos e durmo muito menos do que o normal - até a ressaca é menor!)

9 - Fazer muitos amigos (a bem da verdade, são gente que se conhece, não amigos de verdade).

10 - Não levar muito a sério listas de mandamentos (ufa!)

13/01/2009

A crise e o câmbio (volume 2!)

Quem acompanha o blog há pelo menos 3 meses deve lembrar que fiz alguns posts sobre a forte desvalorização do real frente ao dólar, ressaltando que, de outro lado, alguns países não ficaram tão mais caros para os brasileiros como se poderia esperar.

Nesse mesmo sentido, foi publicado na Revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, no mês de janeiro, uma reportagem nesse mesmo sentido, confirmando o que se havia dito por aqui.

De acordo com os dados da revista, em alguns países a desvalorização do real em relação à moeda local foi de menos de 5%. É o caso da Austrália e da Nova Zelândia. O único problema é que até agora ninguém explicou como é que dá para chegar até lá de forma econômica, considerando que não se consegue nada por menos de R$ 5.000 (Aerolineas Argentinas, ida e volta)...

Ainda segundo a reportagem de Ricardo Freire, no Chile, no México e no Leste Europeu (República Tcheca e Hungria) a desvalorização ficou entre 5% e 10%, o que não é tanto assim.

Surpreendentemente para muitos, a Inglaterra não ficou tão cara depois da crise. Como a libra esterlina teve uma queda vertiginosa frente ao dólar, em relação ao real a desvalorização da nossa moeda ficou entre 10% e 15%. O mesmo se pode dizer com respeito ao rand da África do Sul.

Europa, Uruguai, Canadá, Rússia, India, Costa Rica e Tailândia estão entre 15% e 30% mais caros para brasileiros; Argentina, China, Japão e EUA estão acima desses patamares - lugares, portanto, a serem evitados se o objetivo é economia.

11/01/2009

Recomeçando


Olá! Só escrevo para dizer que estou de volta e que amanhã ou na quarta reinicio os posts por aqui. Agradeço aos votos na enquete que promovi e aos comentários que apareceram aqui e acolá enquanto estive fora. Acima, um presentinho da última viagem - que embora não tenha sido feita de mochilão, vai merecer alguns comentários e dicas por aqui: o vulcão Villarrica, visto de Pucón.

04/01/2009

Fora do ar

Estou viajando no Chile por alguns dias e, assim que retornar, retomo os relatos e dicas aqui do blog. A previsão é que eu esteja de volta dia 12/01.

Minha idéia é terminar os relatos sobre esse segundo mochilão na Europa (ainda falta Holanda, Bélgica e Luxemburgo) e, em seguida, começar a falar de alguns lugares mais próximos (Paraguai, Uruguai e Argentina) que conheci em mochilões ou viagens mais rápidas entre 2005 e 2008. Depois, ainda tenho histórias de Portugal e da Inglaterra (2008) e outros posts com dicas. Mas, o futuro é o futuro...

02/01/2009

Do outro lado de lá...

Assim que saímos do zoológico de Berlin, reencontramo-nos com o Rafael e o Marcelo e deixamos o Rodrigo com eles. Eu e o Diego faríamos um passeio até a Polônia e os outros três ficariam na cidade, conhecendo o museu egípcio e o interior do Parlamento.

A idéia de dar um pulinho na Polônia surgiu meio do nada, ainda nos preparativos da viagem. O Diego e eu estávamos vendo o que havia de interessante por perto de Berlin e eu propus a ele, que nunca havia ido à Europa, conhecer um pouquinho do lado de lá do continente.

Berlin fica a apenas 80km da fronteira com a Polônia e, pelo que vimos na internet, havia trens de meia em meia hora partindo para Frankfurt (Oder), de onde se passa a pé para o outro lado.

Tivemos um pouco de dificuldade para comprar a passagem na Hauptbahnhof de Berlin, mas em alguns minutos já estávamos embarcando. A viagem durou cerca de uma hora, passando por lugares bem bucólicos, alternados com bosques de pinheiros. Tudo parece (e é) meio deprimente no interior daquela região.

Frankfurt (que não é a Frankfurt-am-Main, sede da Bolsa de Valores e do aeroporto internacional), é uma cidadezinha pacata de pouco mais de 60 mil habitantes, que tem uma grande peculiaridade: com o final da Segunda Guerra Mundial, a cidade foi dividida ao meio e nunca mais voltou a ser uma só. Até 1945, a Alemanha ocupava parte do que hoje é a Polônia e a cidade de Frankfurt, dividida ao meio pelo rio Oder, acabou dando lugar a duas cidades: Frankfurt, do lado alemão, e Slubice, do lado polonês.
Durante a existência da Alemanha Oriental, os dois lados eram comunistas e as diferenças não eram tão evidentes. Porém, com a reunificação alemã, o lado polonês começou a ficar bastante empobrecido, enquanto que os cidadãos de Frankfurt cresciam em ritmo alemão.

Recentemente, as cidades voltaram a se aproximar, com o ingresso da Polônia na União Européia. Embora o controle de fronteiras ainda estivesse em vigor quando estivemos lá, em maio de 2007, em dezembro do mesmo ano a passagem passou a ser livre e irrestrita de um lado para o outro.

Da estação de trem de Frankfurt até a fronteira, tivemos de caminhar mais de um quilômtero. Até paramos num posto de informações para perguntar se estávamos no caminho certo e se não haveria nenhum problema em ir e voltar no mesmo dia, sendo brasileiros. Afinal, nossas bagagens estavam em Berlin e tudo o que tínhamos era uma mochilinha de passeio, com barrinha de cereal e um casaco, cada um. Como nos garantiram que era tranqüilo, seguimos, e assim foi.

A ponte tinha os postos de controle alemão e polonês bem no meio. Primeiro, no lado alemão, o oficial perguntou se realmente havíamos entrado pela França (em alemão, e eu entendi!), carimbou e nos desejou bom dia. Do lado polonês, o guardinha mal encarado só carimbou e nem nos olhou.
Slubice é uma cidade visivelmente menor e mais pobre que Frankfurt. Há muita gente sempre indo e vindo dali para comprar cigarros e outros produtos que são mais baratos daquele lado (soubemos, inclusive, que o lugar é uma zona franca que vem tomando empregos do outro lado).

As primeiras construções são quase todas ocupadas por lojas de cigarros. Mais adiante, começamos a ver o que se vê em qualquer cidadezinha pequena: colégio, biblioteca, prefeitura, igreja, pracinhas.
Embora não fosse nada ameaçador, sentíamo-nos observados o tempo todo pelos locais, que tem um aspecto bem diferente dos alemães.

Depois de alguma idas e vindas, resolvemos fazer o que a cidade tinha de melhor para oferecer: sentamos num barzinho e descemos uns (vários) chopps. Os preços (em zlotys) eram ridiculamente baixos, quando comparados com os da Alemanha - que já são baixos em relação a outros países da Zona do Euro. Não precisamos nem trocar dinheiro, porque se aceita euro por tudo quanto é canto em Slubice.

Comemos uma pizza de frutos do mar muito boa, enorme e muito barata. Como não era um lugar de atrações turísticas, acabou servindo só para um relax e para ver um pouco do que é o interior de um país ex-comunista.
Andar por Frankfurt, do lado alemão, acabou sendo uma experiência diferente, também, porque afinal só acabamos conhecendo lugares maiores.

Na volta, sem maiores problemas, passamos pela ponte e pegamos nosso trem de volta a Berlin. Uma cochilada de cerca de uma hora foi inevitável depois da cerveja, naquele trenzinho tranqüilo.

01/01/2009

FELIZ ANO NOVO!!!

FELIZ ANO NOVO AOS MOCHILEIROS-LEITORES!!!