26/02/2013

Londres à noite

Nossas noites em Londres quase sempre terminavam cedo, mas todos os dias, com exceção de um em que choveu forte, fizemos pelo menos alguma coisa antes de ir dormir.

Depois dos dois primeiros dias conhecendo a região no entorno do Soho e do Piccadilly Circus (e gastando uns pilas no Trocadero), dos quais já falei nos primeiros posts, num dos nosso finais de tarde pelo centro da cidade saímos direto da National Gallery para um pub, na hora em que todo mundo está fazendo o happy hour do trabalho, e por ali ficamos bebendo até mais tarde.

Um fenômeno relativamente novo estava ocorrendo naquela época: todo mundo tinha começado a beber na rua, do lado de fora do pub. No ano de 2007, o fumo foi proibido no interior dos pubs e a reação foi quase imediata: as pessoas começaram a levar seus copos de cerveja para a calçada.  O governo veio para cima dos estabelecimentos, exigindo que eles não deixassem que as pessoas atrapalhassem o trânsito, e o resultado acabou sendo o de que todos tiveram que contratar seguranças que não deixam as pessoas saírem exatamente da calçada que pertence ao pub - nem na sarjeta, nem nas calçadas dos prédios vizinhos; só na frente do pub.

A cena chegava a ser um pouco surreal: um aperto desgraçado de gente em cima de um espaço que não tem fronteiras com os demais espaços vazios, mas que fica sendo vigiado por um segurança, que não deixa nenhum cliente sair dali. Do lado de dentro do pub, em compensação, havia vários espaços vazios - basicamente só se entrava lá para pedir mais uma cerveja. 

Em outras das noites decidimos fazer parte de uma caminhada noturna pelos lugares historicamente ligados ao rock and roll em Londres. O aviso, que estava na área de uso comum do albergue, dizia apenas para deixar os nomes na recepção e estar no ponto de encontro às 20h30, que um guia voluntário viria para levar o grupo. Na hora marcada, comparecemos mas o grupo era formado apenas por nós dois, uma mulher e o próprio guia. Depois de uns 15 minutos esperando para ver se mais alguém aparecia, saímos andando pela cidade ouvindo as explicações do carinha - basicamente um cinquentão ainda entusiasmado com as histórias das bandas inglesas mais famosas. 

Passamos em frente às gravadoras em que Beatles, Rolling Stones e até o Oasis gravaram alguns de seus discos. Passamos também em frente ao prédio em cujo terraço os Beatles fizeram a sua última apresentação conjunta. 

Conhecemos o prédio onde Yoko Ono encontrou John Lennon, cafés que apareceram na capa de discos, a Carnaby Street e uma série de outros lugares ligados à indústria musical e aos anos da swinging London dos 60.

Passamos pela região onde estão os melhores alfaiates da Inglaterra, na Saville Row, e pela mercearia que fornece as "groceries" para a Família Real Britânica também. 






Depois de mais de duas horas e meia de caminhada e muitas explicações sobre a história de cada lugar, nos despedimos, e até hoje não sei se o cara estava esperando alguma gorjeta ou não - muito embora tivesse reforçado que fazia aquilo voluntariamente, ficou um clima meio estranho. 

Na noite de sábado, depois de voltar de Oxford, programamos a nossa única ida a uma boate em Londres da nossa semana na cidade. A escolhida foi a Ministry of Sound, que fica na margem sul do Tâmisa (um pouco longe), perto da estação Elephant & Castle do metrô.

Na época, a entrada custava £20, sem direito a consumação, e a dura que tomamos dos seguranças na entrada foi das mais "invasivas" que já vi numa boate: até por dentro das minhas meias o cara passou o dedão procurando se não estava levando alguma droga para dentro. Assim que entramos e fomos ao banheiro, entendemos a preocupação: havia gente descaradamente vendendo algumas pílulas de não sei o quê lá. 

Com relação ao lugar, digo que não tem nada demais. Aliás, boate tende a ser meio igual em qualquer lugar do mundo. Um diferencial era uma espécie de inferninho techno que havia numa sala separada das demais por um tipo de isolamento acústico. Lá dentro, o volume era literalmente ensurdecedor e só eletrônica da mais pesada tocando - acho que fiquei umas boas horas com zumbido no ouvido só de ter passado um tempo lá.

Como o metrô de Londres fecha à noite, foi nesse sábado que tivemos de usar pela primeira vez o sistema de ônibus noturno da cidade. Basicamente são os mesmos ônibus vermelhos de 2 andares que circulam de dia, só que com horários reduzidos e trajetos maiores, englobando numa só linha paradas de linhas diurnas diferentes. Nos mapinhas do metrô tem a explicação.

Nessas idas e vindas, achamos curioso naquela época o grande número de cartazes de um filme brasileiro bem conhecido aqui e no resto do mundo: Tropa de Elite...



24/02/2013

Oxford

Após um dia na chegada e mais quatro dias de passeios em Londres, foi num sábado que fizemos a nossa única day trip para um destino fora da cidade. A escolhida foi Oxford, que fica a umas duas horas de ônibus dali (muito embora se diga que a distância só toma uma hora, leva-se um bom tempo até sair da metrópole).

Dias antes, descartamos a ideia inicial de ir até Liverpool, tanto por causa dos absurdos preços das passagens de trem (custava mais de £100 se compradas na hora) como por conta do tempo de deslocamento, que nos tomaria mais de 6 horas ida e volta. Da mesma forma, achamos a logística de ir a Stonehenge um pouco complicada, e por isso preferimos fazer algo mais fácil.

Os ônibus a Oxford são bastante frequentes e muito confortáveis. Geralmente têm internet wi fi a bordo e as passagens integradas de ida e volta saem bem em conta. Só a velocidade é que irrita um pouco: como a estrada inteira é monitorada por radares de velocidade, nem a pau ele passa dos 80km/h.

Chegando em Oxford, tratamos de conseguir um mapa num guichê de informações turísticas para percorrer os pontos de interesse da cidade. 

Por lá, tudo parece um grande campus universitário, só que com prédios da Idade Média - bastante diferente dos nossos prédios modernistas de campi brasileiros. Não há exatamente uma fronteira clara entre o que são prédios públicos, prédios privados e as escolas da universidade. As placas indicativas de cada local são bem discretas e fica-se com aquela sensação de que se pode estar invadindo alguma propriedade particular durante as caminhadas. 




Lendo um pouco sobre o lugar, vimos que na verdade não há uma coordenação central das faculdades. São mais de 30 e poucas instituições independentes entre si, que simplesmente foram sendo construídas próximas umas das outras. 

Como era sábado, havia pouca gente na cidade (muitos vão embora no fim de semana, como em qualquer cidade universitária). Até mesmo as famosas canoas dos riozinhos que cortam Oxford estavam em sua maioria guardadas nas margens.




Algumas das partes mais interessantes do trajeto são a visita à Radcliffe Camera, na biblioteca Bodleian, que é esse prédio arredondado que simboliza a cidade, e a visitação interna do Christ Church College, um dos mais famosos e tradicionais de Oxford, em cuja sala de festas foram filmadas as cenas do refeitório do filme do Harry Potter. A catedral do Christ Church também pode ser visitada.



Na maioria das faculdades, e também das bibliotecas, entretanto, não é permitida a entrada de turistas, por isso as opções acabam sendo um tanto limitadas mesmo. Há alguns museus a visitar, mas depois de tantos em Londres, preferimos deixá-los de lado.

O centrinho comercial de Oxford tem uma cara típica de cidade do interior da Inglaterra, com alguns pubs, a prefeitura, lojinhas de souvenir e algum comércio de verdade (muita coisa até parece meio fake). 
Depois de umas seis horas caminhando pelos parques, percorrendo o roteiro do nosso mapinha e visitando os poucos lugares em que conseguimos entrar, voltamos para o nosso ponto de partida para esperar um ônibus de volta a Londres. Quando chegamos de volta, ainda estava claro, mas só voltamos para o albergue para descansar um pouco antes de sairmos à noite.



22/02/2013

Londres - London Eye e a "City"

Após termos passado boa parte do dia envolvidos na visita ao British Museum, o tempo teve uma reviravolta e um pouquinho de céu azul começou a aparecer. Corremos para o metrô e seguimos para uma das atrações que mais queríamos fazer na cidade, e para a qual estávamos esperando justamente um clima um pouquinho mais favorável - a London Eye.

A London Eye é aquela roda gigante que se vê perto do Big Ben, na margem sul do Tâmisa. Colando do Wikipedia, tem uns 135 metros de altura e 120m de diâmetro. Foi inaugurada justamente no final do ano de 1999, como parte das comemorações da cidade pela passagem do Milênio, por isso também ficou conhecida como Roda do Milênio. O nome da atração está sempre vinculado ao de um patrocinador, e na época em que estivemos lá o nome completo oficial ainda era British Airways London Eye. 




Ao contrários dos museus, essa atração é paga - e é bem carinha. Paga-se ainda mais se quiser pegar a "fila rápida", um jeito sem hipocrisia alguma de dizer que ricos não precisam esperar muito na fila. 

A atração está sempre lotada e oficialmente é considerada a atração paga mais visitada do país. Não chega a ser como a Torre Eiffell, entretanto. 

Nós devemos ter ficado pelo menos uns 30 minutos na fila. Chegando mais perto e já com os ingressos na mão, percebemos o porquê de tanta demora: a cada vez que um grupo é desembarcado de uma das "cápsulas" da roda gigante, e antes que o próximo grupo de pessoas entre (são umas 15 em cada cápsula), há uma checagem completa de segurança em busca de alguma possível bomba que possa ter sido deixada por alguém lá dentro. Os guardas passam um espelho na ponta de um bastão em todos os contornos de baixo e de cima do interior de cada cápsula e só então liberam a passagem.

As cápsulas têm um tamanho bem maior do que eu imaginava. São quase do tamanho dos bondinhos do Pão de Açúcar, mas não se deixa entrar tanta gente de uma só vez como no Rio. Como são presas à roda gigante, elas balançam bem menos do que o nosso bondinho também - só um leve balanço para frente e para trás quando a roda se move para a próxima cápsula chegar no setor de desembarque e embarque. 







A volta toda leva cerca de 30 minutos para ser completada, mas como a cada cápsula ela é parada, não se trata de um movimento contínuo. Na verdade, porém, o tempo acaba sendo curto, porque há muita coisa para se ver. 

A vista é praticamente de 360º da cidade. Como fica bem na beira do rio Tâmisa e pertinho do Big Ben, a atração mais óbvia para se fotografar lá de cima são justamente os prédios do Parlamento. 

Pode ser um clichê, uma atração manjada e não sei mais o quê, mas eu recomendo a qualquer um que esteja visitando a cidade pela primeira vez que reserve pelo menos uma hora e meia para aguentar a fila e fazer o passeio. Nenhum outro ponto da cidade te dará uma vista tão completa de tudo, numa experiência bem agradável e tranquila até para crianças. 

Depois de descermos, decidimos conhecer um pouco do centro financeiro de Londres, a parte que na verdade é a mais antiga da cidade e que justamente por isso é conhecida como a "City" (na verdade seria o distrito de Londres propriamente dito, já que o resto se divide em Westminster, Kensington, Chelsea, etc.).

Essa região da cidade se enxerga de longe por causa da cúpula da Igreja de Saint Paul, onde casou a Princesa Diana. A Igreja, que na verdade é Anglicana e não católica, cobra bem caro por uma visita interna: na época já passava de £11 e hoje em dia não sai por menos de £14,50, a não ser ser que se pague com antecedência pela internet, quando há um desconto de £2,00.



Como no horário em que passamos lá já tinha acabado a visitação, não conhecemos o seu interior. Ficou para outro dia (que acabou não acontecendo).

Ali pertinho fica também a sede do Banco da Inglaterra, que é esse prédio bem tradicional aí da foto.


Não muito longe também, fica a sede de uma das bolsas de valores mais importantes do mundo - a London Stock Exchange. Naqueles dias, o clima andava bem tenso por aquelas partes da cidade, porque a crise das hipotecas nos EUA estava começando a se espalhar - o Lehman Brothers pediu concordata no dia seguinte e só em Londres mais de 700 pessoas foram demitidas. 


Como o tempo de Londres não dá trégua, aquelas poucas horas que aproveitamos para fazer o passeio na London Eye acabaram num temporal, que começou a se ensaiar justamente enquanto estávamos ali na região da City. Acabamos tendo que fugir da chuva forte e encaramos um rush de final de tarde junto com metade do pessoal que estava voltando do trabalho bem naquela hora. 

20/02/2013

Londres - British Museum

Depois de uma noite bem dormida, acordamos cedinho novamente para o nosso terceiro dia de passeios por Londres. Tomamos o café da manhã no mercadinho em frente ao metrô e fomos nos dirigindo de transporte público até o British Museum, o nosso objetivo principal para aquela jornada. O tempo, para variar um pouco, estava exatamente como na manhã anterior: fechado, com uma chuvinha irritante que quase  chegava à categoria de chuva, obrigando-nos a estar sempre com o guarda-chuva na mão.

Acabamos nos precipitando um pouco no horário e demos de cara com a porta do museu ainda fechada. Tivemos que matar uns 20 e poucos minutos na região ao redor do museu, basicamente numa pracinha em frente, chamada Gordon Square, até que fosse permitida a entrada das primeiras pessoas. Não lembro bem, mas acho que quem tinha comprado ingressos de grupo em excursões organizadas até estava entrando, mas nós tivemos que esperar o horário público oficial.


O British Museum, na minha opinião antes de ir para Londres, e agora confirmada depois da visitação, é o maior e mais importante museu da cidade. Sinceramente, acabei gostando mais dele do que do Louvre, de Paris, por exemplo. Ah, e é de graça!

A proposta do "Museu Britânico" é reunir objetos de uso cotidiano e de arte das grandes civilizações clássicas e com isso ir contando a História do Mundo inteiro. Para isso, nada melhor do que contar com a ajudinha de centenas de navegadores, conquistadores militares, funcionários públicos dos tempos de Império e milionários colecionadores, que durante os séculos foram trazendo para a Inglaterra um pouco do que havia de melhor em todos os grandes centros arqueológicos do mundo. 

A parte do Museu que trata da história do Egito Antigo, por exemplo, é extremamente ampla. Há quem diga que há mais coisas para se ver ali do que no próprio Egito. Sarcófagos banhados em ouro, múmias das mais variadas, estátuas de animais, adornos de santuários, papiros e tudo o que se possa imaginar do Egito Antigo têm belos exemplos em exposição. O governo egípcio, depois da independência ocorrida na metade do século XX, volta e meia postula a devolução de alguns itens.


Um dos itens mais famosos dessa parte do museu é a Pedra de Roseta, aquela com base na qual pela primeira vez se decifraram os hieroglifos egípcios, porque no mesmo objeto havia uma versão equivalente do texto em grego clássico.

Outra parte do museu, que trata da Grécia Antiga, é igualmente impressionante. O melhor exemplo disso - basta dizer - está no fato de que boa parte dos adornos do Parthenon, da Acrópole de Atenas, foram removidos e trazidos para esse museu, estando hoje numa sala que tem o tamanho da Acrópole verdadeira. Para criar a sensação de ver todos os painéis, eles foram instalados ao contrário, nas paredes internas, como dá para ver nessa foto (em que eu apareço junto, hehehe).



Nessa sala onde estão os painéis do Parthenon há toda uma explicação oficial do museu de porque as peças não são devolvidas à Grécia, com argumentos que vão desde o fato de terem sido comprados legitimamente à circunstância de que ali eles estão muito mais bem protegidos da poluição que a própria Acrópole e à possibilidade de que mais turistas vejam as peças porque tem mais gente visitando a Inglaterra do que a Grécia...

Não é só Egito e Grécia... tem muita coisa de Roma, bastante coisa interessante da Babilônia, dos Sumérios e outras civilizações do Oriente Médio. Além disso, há até algumas estátuas, totens e múmias de civilizações indígenas norte-americanas e de Impérios pré-Colombianos da América Central e do Sul, bem como relíquias das civilizações orientais (Khmer, chinesa, etc.). 







A famosa caveira de cristal, que apareceu no quarto filme do Indiana Jones, também está exposta ali. Essa peça foi alegadamente uma descoberta feita em sítios arqueológicos da América Central, mas logo se descobriu que se tratava de uma falsificação fabricada com vidro na própria Europa, no século XIX. 


O Museu Britânico, tal como o Louvre, toma pelo menos umas quatro horas para ser visto nas suas partes principais, por isso acabamos fazendo o nosso almoço por ali mesmo, na cafeteria do pátio central (que graças a Deus é coberto, porque só chove naquela cidade).

Já passava das 14h30 quando finalmente saímos do museu, e como o lanchinho lá dentro não matou exatamente a nossa fome, ainda demos uma paradinha estratégica numa Starbucks que estava dando sopa ali na frente para fazer um reforço, antes de seguir viagem.

18/02/2013

Londres - Hyde Park e Notting Hill


Depois de um dia intenso de visitação, com a Torre de Londres pela manhã e três museus pela tarde (bem rapidamente nos dois últimos, é verdade), terminamos nossa jornada com ainda mais dois passeios: uma caminhadinha pelo Hyde Park e outra pelo bairro de Notting Hill.

O Hyde Park é um dos maiores parques urbano na região central de Londres. Originalmente, era uma área em que os reis ingleses apenas caçavam, sendo proibido o acesso da população em geral. Hoje em dia, tornou-se um lugar para prática de esportes no final do dia e no início da manhã, e para a realização de grandes concertos a céu aberto nos finais de semana, em épocas de festivais.



Para o visitante de primeira viagem, talvez uma das atrações que mais chame a atenção seja o Memorial da Princesa Diana. O memorial é bem diferente do que se imagina para esse tipo de atração: é na verdade uma fonte de água com a aparência de um rio, com uma calçada em todo o seu entorno, num formato irregular. A água vai aos poucos caindo por suaves declives e depois é impulsionada por bombas de água para reiniciar o seu ciclo.

Uma caminhada por outras partes do parque revela uma série de cabaninhas com jeito de terem uns bons séculos de existência e permite também ver uma coisa rara na cidade: londrinos de verdade, em seu habitat natural (afinal, o que mais se vê é turista e imigrante circulando nas regiões turísticas mais centrais).



Depois de uma caminhadas por ali, decidimos que ainda daríamos uma última esticada antes de ir para o albergue, até o bairro de Notting Hill, não muito longe dali e famoso por causa daquele filme com a Julia Roberts e o Hugh Grant.

O bairro de Notting Hill é considerado uma atração por ser formado por casinhas coloridas, quase todas iguais entre si, que originalmente foram construídas na época vitoriana, mas depois acabaram ocupadas por imigrantes caribenhos que vieram para a cidade trabalhar no período pós-guerra.



Depois de um período de decadência (os imigrantes fizeram do lugar um bairro conhecido como região pobre na cidade) e de ter-se tornado inclusive um lugar violento, Notting Hill passou a ser modinha entre o pessoal alternativo a partir do final dos anos 1980.

Nesse processo de reocupação e revalorização do bairro, conhecido tecnicamente como gentrificação, o bairro acabou se tornando um dos lugares mais desejados da cidade. É hoje considerado tranquilo, limpo e bastante agradável, além de estar próximo de várias áreas verdes da cidade.

Não chegamos a ver funcionando, porque já estava escurecendo, mas o bairro também é conhecido pelo seu comércio. Na Portobello Road, que corta quase toda a região, ocorre um famoso mercado de rua, especializado em antiguidades.

Em outra época do ano, obviamente, também ocorre um dos maiores eventos do calendário londrino nesse bairro: o Carnaval de Notting Hill.

Assim como em várias outras regiões na cidade, é possível identificar em Notting Hill umas plaquinhas azuis que mostram que pessoas famosas já moraram em algumas das casas. Na foto abaixo, por exemplo, está a indicação do que já foi a casa de George Orwell, o criador do “Big Brother” no livro “1984”, além da “Revolução dos Bichos”.


Na hora de ir embora, indo em direção a uma estação de metrô no extremo oposto do bairro, passamos pelo único momento de insegurança em todos aqueles 7 dias na cidade: um grupo meio mal encarado de jovens debaixo de um viaduto ferroviário, numa região meio mal iluminada (e já estava escurecendo) nos fez fazer um desvio... nunca se sabe!

16/02/2013

Londres - Trinca de Museus

Depois de passar quase a manhã inteira envolvidos na visitação à Torre de Londres, nossa tarde tinha como programação principal um passeio pelo Museu de História Natural da cidade, um dos mais importantes do mundo. 

O Museu foi fundado há mais de 100 anos e abriga uma série de itens relacionados à biologia, à botânica, à zoologia e à paleontologia. Como a maioria dos museus londrinos, tem entrada gratuita - mas contribuições são bem-vindas.

A maior atração do lugar são os esqueletos de dinossauros armados no formato original do bicho, ocupando salas inteiras de exposição. Logo na entrada, aliás, se dá de cara com um Diplodocus gigantesco, atrás do qual uma estátua solenemente sentada numa cadeira, representando Charles Darwin, dá as boas vindas aos visitantes. 






Como não poderia deixar de ser, o lugar é muito visitado por turmas de colégio, por isso às vezes é necessário esperar a galerinha passar para ter acesso a determinadas partes do museu. 

Um dos itens mais curiosos é um pássaro dodo empalhado. Esse pássaro foi extinto depois que cães foram introduzidos no seu habitat natural nas ilhas Maurício, fator que contribuiu para o que a caça por sua plumagem mais cedo ou mais tarde acabaria realizando.

O Ângelo tinha grandes expectativas sobre o museu, porque já tinha lido livros que o mencionavam, mas me confessou que acabou se decepcionando um pouco. 

Aproveitando a proximidade física do Museu de História Natural com o Museu de Ciências, a chuvinha fina que caía lá fora e, obviamente, a gratuidade da entrada, aproveitamos também para conhecê-lo em seguida.

O Science Museum, no entanto, foi uma grande decepção para nós dois. Como não tínhamos muito interesse em design industrial, engenharia ou mesmo aeronaves e naves espaciais, acabamos apenas dando umas voltas pelos saguões principais. 




Alguns andares, porém, possuem algumas atrações mais interativas, que prenderam nossa atenção por mais algum tempo. 

Já cansados de toda a visitação feita no dia e bem de cara com o último museu, ainda demos o golpe de misericórdia daquela tarde: uma rápida visitação do Museu Victoria & Albert.

Esse museu, que ocupa quase uma quadra inteira pertinho dos outros dois, e que ainda tem as marcas dos bombardeios alemães da II Guerra Mundial, concentra uma série meio confusa de itens de decoração, roupas, joias, arte em geral, objetos e algumas antiguidades egípcias, gregas e romanas. 




O lugar tem origem na Exposição Universal de 1851 e continua sendo mais um local de reunião de itens variados que teriam sido dados de presente à realeza britânica por chefes de outros países do que propriamente uma exposição organizada querendo dizer alguma coisa. 

Não sei se foi pelo cansaço, ou pela falta de informação (ou mesmo de interesse), mas não recomendaria a ninguém que não tenha um interesse especial por esses lugares fazer essas visitas aos dois últimos museus...