31/05/2008

Má vontade em relação a Viena

Viena nunca esteve nos nossos planos, talvez daí a origem da nossa má vontade para com a cidade. Fato é que ela só foi incluída no nosso "roteiro" porque ficava no caminho entre Praga e Budapeste, de onde o Rafael retornaria para Milão, e de lá para o Brasil, e eu seguiria minha viagem sozinho, principalmente pela Itália - sem caminhos pré-definidos.

A inclusão de Viena, ainda assim, foi restrita: 1 noite só - coisa que não tínhamos feito em nenhuma outra parte da nossa viagem.

Com pouco mais de 24 horas para ver alguma coisa na cidade, não nos ativemos muito em nenhum ponto específico, deixando mais para "ver no que dava" à medida que passávamos pelos lugares. Com a questão da troca da passagem, ademais, perdemos um pouco mais de tempo com outra coisa que não o passeio. Há também o fator cansaço - já eram mais de 20 dias de mochilão sem grandes descansos.


Apesar de tudo isso, sinto que não erramos, porque acho que o tipo de turismo que se faz por lá não é muito do meu estilo. O que mais se vê são pessoas de mais idade admiradas com detalhes que os fazem lembrar dos filmes da Sissi, fazendo turismo "empacotado". Minha ignorância com relação à história do Império também não ajudou a me motivar em conhecer algo mais a fundo.


Alguns outros episódios nos deixaram meio de cara com a cidade, também.

Em primeiro lugar, a forma mal humorada e até meio estúpida com que as pessoas mais velhas tratam, ainda que estejamos comprando alguma coisa delas ou só pedindo uma informação.

Outro fato marcante foi quando saímos para jantar e para ver se havia alguma coisa na "vida noturna" da cidade, na região da Schwedenplatz. Além de só encontrarmos uns barzinhos meio vazios, quando paramos para pegar um sorvete fomos praticamente convidados a nos retirar, embora ainda estivéssemos comendo, porque já eram 22hs e tudo fecha naquela cidade a essa hora (nos guias turísticos há o aviso de que a maioria dos supermercados fecha às 18hs de sábado e geralmente não abrem domingo nem segunda de manhã).

A cidade parece ser ultra-conservadora - impressão que já existia pelo que eu já tinha lido sobre a Áustria e que só foi reforçada por ser época de eleições, situação em que a cidade estava tomada por santinhos e cartazes de uns candidatos de direita com uma cara de nazistas que vou te contar...

A única coisa que me surpreendeu positivamente e que fez valer a pena foi o castelo de Schönbrunn, que conhecemos na manhã seguinte, e do qual ainda vou falar.

Talvez numa outra viagem ainda volte lá para fazer as coisas que não fiz, como conhecer a casa do Freud, entrar no Belvedere, etc.

30/05/2008

Viena: Palácios e mais palácios

Logo depois da Ópera, passamos pela parte da cidade onde começa a seqüência de palácios e mais palácios do tempo do Império Austro-Húngaro.

Revisando minhas fotos, percebi que quase todas elas, quanto a essa parte da cidade, são comigo na frente, razão pela qual preferi não publicá-las aqui, para seguir a política que adotei desde o início do blog.

Bom, o primeiro lugar por onde passamos foi a Maria-Theresien Platz, que é cercada pelos prédios gêmeos onde ficam os Museus Nacionais de História natural (de um lado) e de Cultura (do outro). O gramadinho no meio convida para um descanso, e foi ali que tomamos as decisões referentes à continuação da viagem, telefonando para o Brasil.Em frente à praça, ainda fica o Museumsquartier, mas nesse nem chegamos a parar.

Umas poucas quadras dali, atalhando pela Heldensplatz, fica o complexo de palácios do Hofburg, sede do governo real nos tempos do Império. Naquele dia estavam preparando um palco e umas arquibancadas para algum evento em frente ao Neue Burg, por isso nem pudemos chegar muito perto.



Passando pelos portões gigantes do palácio, entra-se numa área aberta toda cercada por prédios do palácio. Um pouquinho ao lado, ficam a Josefsplatz e o palácio da Albertina.Nessa parte da cidade, o que mais há são carruagens puxadas por uns três cavalos, para aluguel para passeios. Os velhinhos fazem a festa, sentindo-se em dias de rei. Para nós, só resta o cheiro forte do xixi dos cavalos que toma conta de toda a rua, às vezes até acumulando em grandes poças nas sarjetas ao lado das calçadas (coisas ruins que parece que quem está por ali faz de conta que não vê).

Confesso que não estávamos muito inspirados nem com paciência naquele dia para dar muita atenção a esses palácios todos, com a questão da viagem a Budapeste por ser resolvida.

Seguimos nosso passeio em direção ao Volksgarten, uma simpática e inesperada praça bem grandinha ao lado daquela seqüência de prédios históricos. O clima era bem relax, com gente tomando sol sem camisa deitado na grama, casais namorando, crianças brincando com cachorros, etc. Um bom lugar para um refresco na andança. No meio dela, há uma réplica dos templos gregos clássicos - o Theseustempeln.



Em frente ao Volksgarten fica o prédio do Parlamento Austríaco, que é esse que aparece aí embaixo.
Pela avenida em frente ao Parlamento, seguindo a caminhada passa-se pela Prefeitura de Viena, que também tem uma pracinha (Rathausplatz). Curioso era que havia um circo, daquele com lona, antigões, instalado bem em frente ao prédio.


Algumas quadras mais adiante, fechando o anel (Ring) do centro de Viena, ficam os prédios da Bolsa, do Teatro e a Votivkirche, que aparece abaixo.

29/05/2008

O lugar para onde não fomos

Quando ainda estávamos em Munique, minha mãe disse, ao telefone, que havia várias notícias nos jornais sobre alguns protestos e tumultos na Hungria. O primeiro-ministro tinha sido flagrado, logo depois das eleições, contando que tinha prometido um monte de mentiras só para se eleger. Mais ou menos como ocorreu aqui no Brasil com o caso do Ricupero nas antenas parabólicas, o sinal estava aberto e a "confissão" vazou para o povo, que se revoltou imediatamente.

Em razão disso, além de pedir para sempre "levar um casaquinho", a mãe me pediu que não passássemos por Budapeste.

Fiquei com aquilo meio encucado, mas não disse nada ao Rafael no primeiro dia, porque sabia que ele certamente ficaria meio nervoso com a história.

No dia seguinte, porém, contei. Tranqüilizei ele dizendo que ainda tínhamos alguns dias para nos informar e reavaliar a situação. Se fosse necessário, mudaríamos o roteiro e, inclusive, o vôo dele, que saía de Budapeste para Milão, com conexão para o Brasil.

Essa situação de indefinição perdurou alguns dias - os últimos na Alemanha e todo o período em Praga. Na última noite em Praga, depois de já termos nos interado de que a coisa estava feia mesmo na Hungria (inclusive com prisões e pancadarias nas ruas), uma conversa acabou definindo a nossa decisão. Uma menina da Rússia que nos ajudou a encontrar um endereço, no bonde, disse que conhecia gente que morava lá e que era melhor mesmo que não fôssemos, porque a situação tendia a piorar.

Na noite em que decidimos desistir de Budapeste, ficamos meio ansiosos, sem saber o que fazer no dia seguinte. Em Viena, começamos a ligar para o cara da agência que tinha vendido as passagens para ver a possibilidade de troca da do Rafael (eu não tinha nenhum trecho aéreo depois de Viena, só retornando ao Brasil por Milão uns 12 dias depois).

Depois de cogitarmos ir por terra até Milão, parando em algum lugar como Innsbruck ou Zürich, o Rafael decidiu antecipar a volta e sair de Viena mesmo. Andamos bastante no centro até encontrar o escritório da Alitália - que estava fechado e com uma placa dizendo que o atendimento ao público, desde 2005, era só por telefone.

A solução foi fazer a troca por telefone. Ele pagou uma multa de 100 dólares, mas conseguiu sem maiores dificuldades um vôo de Viena a Milão no dia seguinte.

Perdemos a reserva de hostel pré-paga em Budapeste, em nome da tranqüilidade. Brincamos, ainda, que a Hungria se tornou uma questão mal-resolvida na nossa vida - mas quem sabe ainda não a resolvemos uma hora dessas, numa nova viagem ao leste europeu?!

28/05/2008

No centrão de Viena

Na recepção do albergue, pegamos umas dicas do que ver no pouco tempo que teríamos na cidade (eram só umas 24 horas). A sugestão foi que ficássemos naquele primeiro dia dentro do "Ring", que é o anel central da cidade, correspondente à área antigamente cercada por muralhas de proteção. Lá se concentram as grandes catedrais, os maiores museus, os prédios públicos mais importantes e os palácios da época do Império Austro-Húngaro pelos quais a cidade é famosa.
Saímos caminhando até a Westbahnhof e de lá pegamos um metrô (linha U3) até a Stephansplatz, o ponto mais central da cidade. Saindo da estação, demos de cara com a Catedral de Santo Estêvão (Stephansdom), que é essa da foto.

A entrada na catedral, como na grande maioria das igrejas, é gratuita. É tudo realmente muito luxuoso, cheios de detalhes, como era típico das coisas feitas em estilo gótico.
Na frente da catedral, na praça de mesmo nome, o movimento de turistas era intenso, mesmo sendo uma tarde de segunda-feira. Algumas poucas quadras dali, existem outras várias igrejas dignas de uma visita.
Na minha cabeça, eu imaginava Viena como um lugar à beira do rio Danúbio; mas não. O rio fica numa área periférica da cidade. O curso d'água mais próximo do centro é apenas um canal do Danúbio, e mesmo assim não tem nada de muito interessante por lá. O rio em si (Donau é o nome em alemão) é bem largo no ponto em que passa pela cidade e funciona como hidrovia, o que explica o fato de haver apenas a estrutura portuária e de transporte ao redor dele.
O centro propriamente dito da cidade é uma área relativamente pequena, plana, sem atrativos naturais.
Saindo um pouco de perto da Stephansplatz, o primeiro lugar que encontramos foi a famosa ópera de Viena, lugar mais importante na história da música clássica, porque foi palco das grandes estréias perante o Imperador das maiores obras feitas pelos compositores mais conhecidos, como Mozart, Lizst, Strauss, etc.

27/05/2008

Chegando em Viena

Chegando na Südbahnhof, começamos o ritual de procurar quiosques de informações turísticas e tentar recolher todo o material possível sobre a cidade. Assim como ocorrera com Munique, não tínhamos nenhum guia de viagem sobre a cidade, que só entrou nos nossos planos porque estava no caminho até Budapeste.

As dificuldades de encontrar alguém, especialmente se for mais velho, que soubesse falar inglês (ou outra coisa que não alemão) são ainda maiores em Viena do que em Munique, com o adicional de as pessoas parecerem ligeiramente mais antipáticas. Ainda que algumas perguntas saíssem em inglês, as respostas voltavam em alemão.

Estávamos morrendo de fome. No trem, vindo de Praga, tínhamos comido apenas umas baguetes compradas no mercadinho de um chinês ao lado do albergue, pouco antes de embarcar. Lanches em trens são geralmente muito, mas muito caros mesmo. Para se ter uma idéia, um copinho de café não costuma sair menos de 3 euros.

Tratamos, portanto, de encontrar alguma coisa para comer. Foi por acaso que compramos um tipo de crèpe que estava muito, mas muito bom. Acabamos comendo outro logo em seguida.

Alimentados (um pouco), começamos a ver como faríamos para chegar até o albergue. Tínhamos uma reserva de uma noite para o Wombat's, o mais famoso da cidade e considerado um dos melhores da Europa nos rankings do HI.

Viena tem uma coisa muito irritante com relação ao transporte público: a estação de onde partem e chegam a maioria dos trens internacionais, a Südbahnhof, não é interligada ao resto do sistema por metrô (U-Bahn), apenas por bondes.

A nossa referência do Wombat's, que fica no bairro de Mariahilf, era a Westbahnhof. Para chegar lá, tivemos que sair na rua e encontrar o bonde certo que ia naquela direção.

Pegar bonde não é tão fácil como metrô, ainda mais quando tudo é em alemão. Assim como ônibus urbanos, não dá para saber direitinho em que ponto descer e nem se consegue muitas vezes ver com clareza o nome de cada parada. Tem ainda a questão do sentido: pegar o que vai para um lado ou o que vai para o outro? Não há mapas claros mostrando a rede de bondes.

Depois de uma conversa com um velho imigrante de algum país árabe, conseguimos pegar o bonde certo. É bem pinga-pinga e são umas 12 paradas entre uma estação de trem e a outra.

Finalmente chegamos na Westbahnhof e pegamos a avenida Mariahilferstrasse.

Só então é que nos demos por conta de que existiam 2 albergues Wombat's em Viena: o mais tradicional (Wombat's - The Lounge), que fica nessa mesma avenida, a apenas 2 quadras da estação, e o nosso, umas 4 quadras adiante (Wombat's - The Base), havendo a necessidade de dobrar em 2 esquinas, até a Grangasse.

É claro que o nosso era o mais longe. Só quando tentamos fazer o check in no primeiro é que percebemos o erro.

A pernada não foi tão curta, porque as quadras são relativamente grandes. Era meio-dia recém passado e chegamos a suar no caminho, embora o clima fosse agradável.

Chegando no albergue, uma boa surpresa. O lugar é realmente muito legal, com uma área de uso comum bem massa, recepção atenciosa, quartos limpos, com banheiro privativo (4 pessoas em cada quarto). Recomendo mesmo.

Ajeitamos nossas coisas, tomamos um banho e cerca de uma hora depois já estávamos prontos para conhecer a cidade em que menos tempo ficaríamos.

26/05/2008

De Praga para Viena

Numa das idas e vindas de metrô em Praga, saltamos na estação central para ver como iríamos até Viena. São cerca de 300km e a freqüência dos trens é razoável, havendo cerca de uns 6 por dia.

Um pouco traumatizados com o desconforto da viagem entre Munique e Praga, decidimos comprar reservas de lugares, muito embora o vendedor afirmasse que não seria necessário. Compramos para as 10h30 da manhã.

Na última noite em Praga - um domingo - acabamos não saindo e fomos cedo para o albergue. Pensamos bem e decidimos que, talvez, seria melhor sair ainda mais cedo do que tínhamos planejado - ainda que isso significasse jogar fora a reserva (uns 2 ou 3 euros a mais).

Colocamos o despertador para as 4 da manhã e, com o céu ainda escuro, pegamos um dos primeiros metrôs da manhã até a estação, para pegar um trem que saía por volta das 5 e pouco. Nem o café da manhã chegamos a pegar (o ticket que sobrou é uma lembrança disso), mas fizemos a escolha mais acertada.

O trem era bem das antigas, mas era da companhia estatal austríaca (OBB). Havia bem pouca gente viajando naquela hora e, mesmo sem reserva para aquele horário, pudemos escolher à vontade onde sentar.

O trem era quase todo com as cabines de 6 lugares. Dividimos a nossa com um casal de americanos com o mesmo destino.

O trajeto é menos interessante do que aquele antes de Praga, com algumas florestas no início da viagem e, mais perto de Viena, planícies com alguns cata-ventos gigantes ao fundo.

De cidades para ver no caminho, só Brno, uma das 3 maiores da Rep Tcheca.

A reentrada no Espaço Schengen passou quase despercebida, mas carimbaram tanto a saída da Rep Tcheca como a entrada na Áustria, perto da fronteira.

Sem nenhum problema adicional no caminho, chegamos em Viena perto do meio-dia, pela Südbahnhof.

25/05/2008

Balanço de Praga

Fazendo um balanço da minha passagem por Praga, o saldo é extremamente positivo.

A cidade é a mais bonita da Europa, segundo a opinião de muita gente - e minha também. Além disso outras coisas tornam o lugar uma ótima escolha em qualquer roteiro:

DINHEIRO: a cidade é mais barata do que outras da Europa Ocidental, embora seja mais cara que outras mais ao leste. Enquanto o euro não for adotado, a tendência é que continue sendo vantajoso. Onde mais na Europa se beberia uma das melhores cervejas do mundo por 3 reais o copo de 300ml?

BELEZA: já falei linhas acima e repito - a cidade é muito bonita. As fotos que tenho de lá são algumas das melhores que já tirei. O tempo favoreceu, é verdade, mas as fotos que já vi de inverno também são muito legais; parece outro lugar (merece uma visita em outra estação!).

TRANSPORTE PÚBLICO: o transporte público é barato e fácil, depois de aprender a manha no início. De dia tem metrô para os pontos mais importantes e à noite os bondes quebram o galho. Só os taxistas cravam a faca - acho até que são mais caros do que na zona do euro.

PROXIMIDADE: as coisas mais importantes para se ver e fazer ficam pertinho umas das outras, tornando fácil ir a pé de um lugar para o outro. A cidade é bem compacta, mas parece maior por causa do rio no meio. Consegue-se ver as coisas mais legais ficando só na área do Josefov, Staré Mesto e Malá Strana - inclusive à noite. Para uma experiência menos "turística", aí é melhor andar um pouco mais.

CLIMA: no verão, o clima é muito agradável, não chegando nunca a fazer aquele calorão de matar e deixar todo suado. À noite, é bom ter um casaco leve.

FESTA: a cidade é conhecida pelas festas, nas boates que em sua maioria ficam na Staré Mesto e na Nové Mesto. Com a cerveja àquele preço, não poderia ser diferente. Tem gente que compara a Amsterdam! Particularmente, ainda prefiro Barcelona, mas acho que colocaria Praga em 2º lugar, sem pensar muito.

COMIDA: a comida talvez seja o ponto que mais deixou a desejar, na minha opinião. Talvez isso varie em função do gosto de cada um, mas sinceramente não me afeiçoei muito àquela comida deles. O prato mais típico é pato assado com uns negócios de repolho, beterraba, cenoura, umas sopas e tal. Tudo meio adocicado. Teve um dia em que experimentamos e fiquei com a sensação de que tinha engolido um bloco de cimento. Os turistas em geral também não gostam muito, o que explica a grande quantidade de restaurantes italianos (que foi o que nos salvou) e as lanchonetes de redes americanas.

ALBERGUE: o albergue foi o melhor que ficamos em todo aquele mochilão (A&O). Embora ficasse um pouco longe do centro, era fácil ir e vir de metrô. O quarto bastante confortável, o banheiro privativo, a boatezinha no andar de baixo e a recepção fazem valer a pena.

24/05/2008

Sensação de insegurança


Até hoje, já visitei 4 países que eram comunistas até o final da década de 80: República Tcheca (essa vez em Praga), Eslováquia (uns dias depois, quando passei um dia em Bratislava), Eslovênia (passei 2 dias em Ljubljana, na semana seguinte) e Polônia (quando só fiquei algumas horas de uma tarde, em 2007, numa cidadezinha de fronteira chamada Słubice).

Com exceção da Polônia, nesse último ano, em todos os outros a primeira impressão que tive foi negativa, de um certo medo, uma certa insegurança. Na minha cabeça, relaciono isso a esse mistério que ainda hoje existe sobre o “Leste Europeu”, ao medo da polícia desses países ex-comunistas, conhecida por ser burocrática e corrupta, bem como aos freqüentes alertas sobre golpezinhos e pequenos furtos cometidos por ciganos (que se concentram mais nesses países do Leste do que em qualquer outra região).

Está certo que os trens muitas vezes caindo aos pedaços não ajudam muito a mudar essa impressão inicial, mas hoje em dia não há mais muitos motivos para tomar precauções extras quando se visita esses lugares. Avisos de “pickpockets na área” existem em qualquer lugar, tanto em Praga como no topo da Torre Eiffel e no metrô de Copenhague. Quase todos esses países são membros da União Européia, o que significa que você não está mais numa “terra de ninguém” e que não existe mais a possibilidade (teoricamente) de você ir preso numa salinha com dois caras de sobretudo te interrogando (teoricamente).

Com relação à Rússia e à Bielorússia (onde nuca estive!) não ponho minha mão no fogo, até porque muita gente fala de alguns abusos em nome da burocracia ainda de praxe por lá, mas com relação a esses países da “Europa Central” (Rep. Tcheca, Hungria, Eslováquia, Eslovênia, Polônia, Croácia), que é como eles preferem ser chamados, ao invés do genérico “Leste Europeu”, dá para ficar bem tranqüilo e aproveitar sem stress. É mais fácil ser extorquido pela máfia (e isso um amigo meu foi há apenas alguns meses atrás) no sul da Itália ou ficar retido num aeroporto de Londres ou Madrid para averiguações, sem comida, do que enfrentar algum problema mais sério por ali.

Só não dá para dar sorte ao azar, deixando de tomar cuidados básicos como carteira no bolso da frente, ter sempre documentação junto consigo, pagar as passagens no transporte público ainda que a sensação de impunidade seja instigante a fazer o contrário, passar um cadeado no locker, etc. Conheço mais gente que já teve coisa roubada por outros mochileiros em albergues ou malas perdidas por companhias aéreas do que gente que foi assaltada ou furtada em qualquer rua da Europa.

Com relação aos mendigos, acho até que os tchecos são mais interessantes. Ao invés de te abordarem para pedir dinheiro, eles ficam ajoelhados, com a cabeça no chão, escondendo o rosto, mas com as mãos levantas, como se tivessem vergonha de estarem pedindo alguma coisa – não ficam te pedindo um cigarro e para ler a mão como os ciganos que abordam turistas na França ou na Itália.

Uma coisa é certa: quem (sobre)vive no Brasil está preparado para muita coisa nesse mundo...

23/05/2008

Praga - o rio Vltava

Assim como Paris tem o seu Sena, Londres tem o Tâmisa, Roma tem o Tibre, Praga tem o Vltava, o rio que corta a cidade ao meio.

Ao contrário do que se imagina, embora esteja no meio da cidade mais importante de um país que tinha sérios problemas ambientais até bem pouco tempo atrás, incluindo até mesmo chuva ácida por causa da poluição do ar, o o rio é bem limpinho e não tem cheiro nenhum.

As águas são bem calmas, graças a diques e canais que foram sendo construídos ao longo do tempo para diminuir a intensidade de enchentes. Em razão disso, porém, o rio deixou de ser navegável na parte central da cidade, havendo apenas alguns barquinhos, pedalinhos e canoas fazendo passeios de lazer ou para turistas.

A beleza do rio fica ressaltada pelas várias pontes que existem ao longo da cidade. Só na área mais central, são nove delas, sendo a mais importante, sem dúvida, a Ponte Carlos, que é fechada para carros.

Vale a pena aproveitar a tranqüilidade que o rio passa, indo em lugares não tão freqüentados pelos turistas, mas com uma visão privilegiada da cidade: as ilhas no meio do rio. São duas as maiores: Střelecký ostrov e Slovanský ostrov. Para chegar nelas, basta descer umas escadarias nas cabeceiras das pontes. Não há prédios, só jardins e banquinhos para descansar ou fazer um lanchinho.

Ali também é possível alugar uns barquinhos para ter umas vistas legais de tudo ao redor e, de quebra, ainda fazer um exercício para os braços. Só cuidado para não virar e deixar a máquina cair na água!

22/05/2008

Nové Město e Vysehrad

No domingo pela manhã, decidimos andar por uma parte mais tranqüila da cidade: o bairro de Vysehrad, mais especificamente no parque de mesmo nome.

Chegamos de metrô, na estação com o nome do bairro, mas sofremos um pouco até achar o caminho para o parque. A estação fica logo ao lado de uns centros de convenções gigantescos e se tem que atravessar uma autopista por uma passarela elevada, próxima à saída da estação (na verdade, há uma saída para cada lado, mas como as linhas do metrô ficam no meio, só tem como passar de um lado para o outro saindo para fora e fazendo toda essa volta pela passarela.

Não há muito o que ver por lá, sendo mais um local para dar uma caminhada mais tranqüila. O parque foi feito nas ruínas de um antigo castelo, com o mesmo nome, com muralhas que vão até o rio Vltava. Há uma igreja (Igreja de São Pedro e São Paulo) no centro do parque e um cemitério logo ao lado.

Depois de algumas horas no parque, fomos de metrô até a estação Karlovo Namesti, que fica na praça de mesmo nome, já no bairro de Nové Město (Cidade Nova). Seguimos caminhando até a beira do rio, onde ficam a ópera e os prédios todo moderninhos conhecidos como "prédios dançantes".

Ali perto, alugamos uns barquinhos a remo para dar uma volta no rio, que é relativamente tranqüilo e bem limpinho (falo mais num post sobre o rio em si).

Nesse mesmo bairro, concentram-se a maioria das opções de boates e discotecas da cidade. Para ter uma idéia de como são, basta descer à noite na estação Muzeum, que fica na frente do museu nacional, esse que aparece aqui embaixo.

No avenidão que se inicia em frente ao museu (que inclusive foi o palco da chamada Revolução de Veludo, que determinou o fim do comunismo e depois acabaria na divisão do país em República Tcheca e Eslováquia) ficam a maioria das boates.

Além das boates normais, nessa mesma avenida ficam outras que são, na verdade, puteiros. O assédio é grande da parte de uns entregadores de flyers e propagandas, na sua maioria uns imigrantes africanos.

No dia em que saímos alí naquela região (sábado à noite), passamos na frente do Duplex, que é uma das discotecas mais famosas (fica no 12º andar de um prédio comercial), mas a fila estava monstra e disseram que não estava muito bom.

Entramos no Lucerna, uma boate que é famosa pelas festas anos 80 nos sábados, inclusive passando videos das músicas. Para a nossa surpresa, até "Chorando se Foi" tocou!!!

Chegamos cedo e decidimos tentar passar ainda em algum outro lugar, meio after party. Pegamos umas dicas com uns taxistas e acabamos parando lá do outro lado da cidade, pertinho do nosso albergue, numa boate chamada Misch Masch, que acabou se revelando uma escolha legal. Para evitar os preços abusivos que os taxistas cobram àquela hora da noite, encaramos um bonde da Starè Mesto até lá (aquela hora o metrô já extava fechado). Pegando informação, conseguimos chegar certinho no dito lugar e, na saída, foi só dar uma pernada de umas 4 quadras que já estávamos em "casa" de novo.

21/05/2008

Por que tudo é tão "perfeitinho"?


A impressão que se tem (muita gente acha a mesma coisa) é que a República Tcheca parece mais com a “Europa” que temos na cabeça do que a própria Europa Ocidental. No imaginário de quem nunca foi para lá, tudo é lindo e maravilhoso, a população é quase 100% branquinha e de olhos azuis, tudo é antigo, mas bem conservado, etc. e tal.

E não é isso o que se vê quando se chega em Paris, Londres, Barcelona ou Berlim, só para citar alguns exemplos de cidades mais famosas. É mais provável que você acabe comprando mais lanchinhos e usando mais táxis de pessoas que falam árabe, ou um francês ou inglês com sotaque de africano. Da mesma forma, muita coisa que se vê são catedrais e igrejas que foram completamente reconstruídas depois de uma guerra, bem como alguns problemas sociais que, guardadas as devidas proporções, também temos aqui no Brasil (mendigos, sem-teto, greves freqüentes, etc.).

Na República Tcheca, pelo menos em Praga, não. É diferente. Ali tudo é bonitinho, perfeitinho, com exceção da estação de trem (que parece saída de um filme sobre o comunismo), dos bairros mais suburbanos (idem) e da avenidona onde, à noite, ficam entregando panfletos para entrar em zonas ou boates de strip tease.

Uma primeira explicação para tudo parecer mais bonito é o fato de que Praga não foi destruída na 2ª Guerra, como a maioria das cidades alemãs e muitas outras dos países vizinhos. Assim como a Suíça (que é o país mais perfeitinho da Europa, na minha opinião), a República Tcheca conservou muita coisa como era nos séculos passados, e só foi ajeitando cada vez mais.

Uma outra explicação é a relativa estagnação econômica do país (comparada com Alemanha, Escandinávia, Espanha) e o próprio comunismo, que jamais fizeram do lugar uma atração de primeira linha para imigrantes de países mais pobres, como Turquia, Marrocos, Nigéria, Senegal ou China. No tempo do comunismo, aliás, acho que nem se podia imigrar para lá! Essa falta de dinamismo econômico deixou o país, do ponto de vista da tecnologia, mas atrasado que os vizinhos também, o que favorece o turista que quer ver coisas mais históricas.

Outra questão que explica a relativamente baixa taxa de imigração para lá é o fato de o país nunca ter tido nenhuma colônia na América, África ou Ásia. A tendência do imigrante é aproveitar as facilidades da língua e até mesmo de cidadania dos países que foram as metrópoles dos seus países de origem, enquanto ainda eram colônias.

Isso tudo contribuiu para o país preservar muito mais as características da velha Europa, que são as que temos na cabeça antes de ir para lá. Tanto que hoje, países que recém saíram da “cortina de ferro” exploram essa imagem com slogans como “A Europa, como ela costumava ser”, usado pela Eslováquia, ou “O Mediterrâneo, como ele costumava ser”, usado pela Croácia para promover suas praias.

Uma pena é que tudo isso está acabando, e numa velocidade impressionante.

A República Tcheca era um dos destinos mais baratos que havia, uma das melhores relações custo benefício. A cotação da moeda favorecia muito isso. Entretanto, nos últimos anos está cada vez mais cheia de turistas e, com a demanda subindo, os preços vão junto. Daqui a alguns anos, a exemplo de vizinhos como a Eslovênia e a Eslováquia, a República Tcheca também deve aderir ao Euro, e aí sim, adeus preços baixos. Da mesma forma, tudo tente a se equalizar no aspecto da tecnologia, da circulação de trabalhadores e de riqueza, afinal o país já está a mais de quatro anos dentro da União Européia.

Até pouco tempo atrás, era quase uma aventura viajar pelo Leste Europeu. Hoje, é um dos destinos da moda (Praga já é uma Disneylândia, já disse e repito). Nem visto mais precisa para ir para a grande maioria dos países. Brasileiros, hoje, só precisam de visto prévio para ir à Sérvia, Bósnia, Macedônia, Montenegro, Moldávia, Ucrânia, Bielorússia e Rússia, além dos países do Cáucaso. De resto, é só apresentar o passaporte. Os pacotões de viagens de trem (Eurail, etc) já cobrem boa parte dos países do leste e cada vez mais há vôos de companhias low fare voando para lá, especialmente a partir de Londres e Berlin. Tem gente que até brinca que existe uma divisão de era entre o “Antes da Ryanair” ou “Antes da Easyjet” e o “Depois” dessas companhias.

Portanto, corra enquanto ainda é tempo!

20/05/2008

Malá Strana

Malá Strana, que em tcheco significa algo como "Cidade Menor", é o bairro da parte histórica da cidade que fica do lado esquerdo do rio Vltava, do outro lado da ponte Carlos.

Essa parte da cidade é tão bonita quanto a Staré Město. Na parte baixa, fica o bairro propriamente dito; na parte mais alta já é a parte amuralhada que concentra o Castelo de Praga.

A principal atração do bairro é a catedral de São Nicolau (Chrám sv. Mikuláše), referida nos mapas geralmente como St. Nick's. O templo tem estilo barroco e também ficou famoso por ter sido um dos lugares onde Mozart tocou órgão.

O bairro ainda concentra outras várias atrações, como a igreja onde fica o Menino Jesus de Praga e outros vários mosteiros.

Na nossa passada pelo bairro, começamos pela igreja de São Nicolau e depois logo subimos para o castelo de Praga. Na saída do castelo, fizemos o roteiro recomendado pelo Guia da Folha para conhecer os mosteiros e demais igrejas do bairro e terminamos nos Jardins de Petřínské, o "Central Park" de Praga (para não fugir do lugar-comum da comparação).

Nesse parque, fica a Torre Petřínské, que oferece umas vistas bem legais da cidade, inclusive do castelo de Praga. Mas prepare-se para suar bastante na subida. É quase uma Torre Eiffel para subir por escadarias.

Existe um funicular ligando a parte mais alta do parque, onde fica a torre, e o nível da rua, lá embaixo. Na minha opinião, é meio inútil, especialmente se você vai percorrer o trecho descendo, como nós fizemos.

19/05/2008

Passeios em Praga: Pražský hrad

O castelo de Praga, visto da Staré Město, é sem dúvida a imagem mais marcante da cidade. Olhando com detalhes a foto acima, nem eu acredito, às vezes, que aquilo ali é de verdade. Parece áté que a cor das casas e dos prédios abaixo do castelo foram escolhidas de propósito, porque tudo ficou tão perfeitinho na foto...

O castelo é, na verdade, quase um mini bairro, cercado por muralhas e por outros prédios que também servem de divisão em relação ao resto da cidade. Lá dentro há várias igrejas e prédios diferentes. A entrada é de graça, por um portão onde há guardas com roupas quase cerimoniais.

A parte mais importante é justamente aquela que mais se destaca, a catedral de São Vito, que de perto parece meio dourada. Na verdade, sempre que se fala no castelo, na verdade a imagem que vem à cabeça é essa da igreja, e não do castelo propriamente dito, que são os prédios ao redor.
Dentro do templo, o mais legal são os vitrais, porque a igreja em si não tem tantos detalhes em esculturas.

As melhores vistas panorâmicas da cidade são tidas a partir da Torre Sul, que é aquela de base quadrada com o topo de cor esverdeada, no meio da catedral.

Pare subir na torre, tem que pagar algo em torno de 10 reais, mas vale muito a pena. Há um aviso grande alertando para a grande escadaria até lá em cima, que é de matar mesmo. Nas nossas fotos pessoais, o cansaço aparece na cara.

As vistas lá de cima são muito legais mesmo. Quem lembra daquele primeiro filme "Triplo X" do Vin Diesel, deve lembrar de uma corrida de lanchas por várias pontes em seqüência, que foi filmada ali em Praga.

Além da catedral principal, outros pontos do castelo estão abertos a visitação, incluindo casas de artesãos que faziam a manutenção do castelo, alojamentos, a igreja de São Jorge e alguns outros prédios importantes.