31/07/2012

Neve na África


Assim que chegamos da daytrip a Essaouira, paramos numa agência de turismo no caminho de volta para o hotel e perguntamos por passeios às montanhas e ao deserto. Demos muita sorte em encontrar um guia chamado Abdelhouahed, que além de árabe e francês, também falava espanhol e inglês muito bem.

Abdelhouahed nos explicou (em espanhol) que é possível fazer daytrips de Marrakech até o início do deserto do Saara, mas que esse tipo de viagem é muito longa e cansativa. O normal é ir até uma cidade a 300km dali, dormir uma noite e fazer o passeio de camelo no dia seguinte, ou mesmo tirar mais dias e dormir em barracas em oásis no meio das dunas. Como tínhamos apenas mais um dia na cidade, entretanto, nos ativemos às nossas possibilidades: passeios pelas montanhas da Cordilheira do Atlas, com algumas vilas típicas interessantes no caminho.


Depois de nos explicar as possibilidades num grande mapa na parede da agência, acabamos fechando com ele um passeio de dia inteiro que seria fechado só para nós, numa caminhonete com tração 4x4, na qual cruzaríamos os Atlas, passaríamos na ida por Telouet e Aït Benhaddou e chegaríamos a Ouarzazate, voltando por um caminho mais curto, sem paradas. Deixamos um sinal de 20% e ficamos combinados de sair às 8h30 do dia seguinte, dali da agência mesmo. Como passaríamos pelas montanhas, fomos instruídos a levar casacos e cachecóis, além de óculos de sol e lanches.

Jantamos tranquilos num restaurante chamado Villa Flores, em um hotel ali perto, e na manhã seguinte estávamos pontualmente na frente da agência, ainda fechada. Não deu mais de 2 minutos até o Abdelhouahed aparecer e nos explicar que estavam abastecendo a caminhonete e que sairíamos dali uns 20 minutos.

A caminhonete, assim como no dia anterior, surpreendeu-nos positivamente. Bem cuidada e relativamente nova, era dirigida por um cara mais velho, que só falava um pouco de francês e inglês, sendo que o Abdelhouahed ia na vaga do passageiro e nos três no banco de trás, com espaço.

Dessa vez, saímos em direção ao oeste, pela estrada para Ouarzazate. Depois de uns 30 minutos de paisagem suburbana e plana, começamos a subir e andar em curvas cada vez mais acentuadas.

Aos poucos, a paisagem foi ficando cada vez mais verde e começaram a aparecer, ao longe e no meio dos vales, pequenas vilas rurais, sempre com uma mesquita no meio e casas todas pintadas com a cor do solo local – exigência do governo, segundo nosso guia.



O início de nossa viagem me fez lembrar bastante o tour que fiz entre Salta e Cafayate, na Argentina, em 2009. Rios de montanha correndo ao lado da estrada, paisagem que era árida, fica verde e depois vai se tornando apenas montanha, sem nada de vegetação.

Não demorou muito para que avistássemos algo que poucos imaginam que verão quando visitam o continente africano: neve. No alto das montanhas, ela era visível em grande quantidade, sendo que dali a uma hora já estaríamos passando no meio dela.

As curvas foram aumentando em intensidade e a velocidade do nosso motora não diminuía, a não ser quando pedíamos para parar para tirar algumas fotos. Numa das paradas, entretanto, não aguentei e botei parte do café da manhã para fora, porque já estava sentindo que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Para respirar melhor, assumi o lugar do guia, no bando do passageiro ao lado do motorista, e deixei a janela aberta, com o vento frio no rosto.

À medida que fomos chegando nos pontos mais altos, onde há um passo de montanha que fecha no inverno, por causa da neve, começamos a ver mais e mais turistas, principalmente idosos em ônibus europeus de excursão e trailers de europeus viajando em família.





Fiquei impressionado em ver que, mesmo com tudo que se fala do mundo árabe e com o que se tem no imaginário ocidental a respeito daquela região, europeus ainda continuem viajando em suas férias com os próprios carros ou em veículos fretados a turismo no país, que realmente se preocupa com a segurança do pessoal que o visita.

A Cordilheira do Atlas é a maior da África e corta o Marrocos em quase toda sua extensão, na parte central e oeste do país, dividindo as planícies litorâneas, parecidas com o Mediterrâneo, do interior desértico do continente. Na estrada entre Marrakech e Ouarzazate, o ponto mais alto cruzado é o Col Du Tichka, com pouco mais de 2200m sobre o nível do mar.



A partir dali, a paisagem mudaria e começaríamos a conhecer melhor as principais atrações do nosso passeio.

29/07/2012

50 melhores praias do mundo


Listas dos “melhores” lugares, coisas, comidas ou pessoas são sempre objeto de interesse, mas também são sempre muito polêmicas, por serem feitas com critérios e pontos de vista nem sempre considerados os melhores por seus leitores.

Como mencionei no post anterior quando falei que Essaouira foi citada pelo portal CNN Go como uma das cidadezinhas mais bonitas do mundo, existem várias outras listas naquele site, sobre hotéis, aventuras, metrópoles, nacionalidades, etc. A mais acessada pelos leitores naquele portal, entretanto, é a lista das "50 melhores praias do mundo".

Falou em praia, mexeu com os brios de brasileiros, gregos, caribenhos, filipinos, croatas e outros tantos que se orgulham das suas maravilhas nacionais. Confira a lista dos gringos da CNN e veja se concorda com alguma coisa:

50ª Praia de Pidgeon Point, em Trinidad e Tobago (ilha caribenha ao nordeste da Venezuela)

49º Praia do Sancho, Fernando de Noronha: essa praia é frequentemente citada como a melhor do Brasil no Guia 4 Rodas e ficou com essa fama no imaginário nacional. Conheci pessoalmente o lugar em 2008 e achei muito exótica (o acesso é feito por uma escada vertical no meio das rochas), mas não necessariamente a “melhor do Brasil”, que na minha opinião poderia ser a Praia de Carneiros (PE) ou outras praias na própria ilha de Fernando de Noronha. De qualquer forma, colocar essa praia na 49ª posição certamente ofendeu os mais nacionalistas.


48º Praia da “Água Quente”, Península de Coromandel, ilha Norte da Nova Zelândia: essa eu já vi na TV. O pessoal leva baldinhos e pazinhas e fica cavando para conseguir ter acesso à água quente abaixo da areia. O mar e gelado, em compensação.

47º Praia de Bottom Bay, Barbados (Caribe)

46º Paradise Beach, ilha de Rab, norte da Croácia: é uma praia famosa pelo nudismo e fica um pouco fora da rota mais procurada por turistas brasileiros no país, que geralmente preferem o sul daquela região.

45º “Praia dos Amantes”, Baja California del Sur, México: fica na região dos “Cabos”, famosa entre o pessoal de Hollywood, e cenário do filme Sex and the City I.

44º Byron Bay, Australia

43º Praia de An Bang, Vietnã

42º Bandon, Oregon, EUA (deve ser gelada)

41º Praia de Puka, ilha de Boracay, Filipinas: está na modinha de uns anos para cá, basta ler alguma coisa sobre Ásia e verá a tal ilha entre os destinos top. O difícil é chegar lá: voo só para uma ilha vizinha, de onde se pega outro para Manila, e de lá para algum ugar civilizado.

40º Las Salinas, Ibiza, Espanha: essa eu também conheci, em 2006. Não é necessariamente a mais bonita da ilha, mas é uma das mais badaladas, naquele estilo “gente bonta, champagne, música eletrônica”. (a foto abaixo é de outro lugar na ilha)



39º Cabo Maclear, Malawi: praia de lago também vale?

38º Jeffreys Bay, África do Sul: essa o pessoal do surf certamente já ouviu falar

37º Praia de Vilanculo, Moçambique: estão tentando fazer de Moçambique um Taiti genérico de baixo custo, a exemplo do que se fez com Maldivas, Seychelles e outros, que logo viraram tão caros quanto o original.

36º Cabo Sant’Andrea, ilha de Elba, Itália

35º Venice Beach, Califórnia, EUA: é a praia daquele Romeu e Julieta do Leonardo di Caprio.

34º Praia de Piemanson, Bretanha, França: lugar frio e bucólico, certamente

33º Praia de Kaiteriteri, Nelson, Nova Zelândia

32º Praia Sudoeste de Koh Rong, no Camboja

31º Praia de Skagen, Dinamarca: deve ser uma maravilha (ou não)

30º Praia de Isshiki, Japão

29º Haad Rin, ilha de Ko Phan Ngam, Tailândia: é o lugar das famosas Full Moon Parties, de que já falei nos posts sobre aquele pais

28º Bedaihe, China

27º Baía de Na’ma, Sharm el Sheik, Egito: praia dos israelenses no mundo árabe

26º Akajima, ilha de Okinawa, Japão

25º Praia de Phra Nang, Tailândia

24º Praia de Cavendish, Ilha do Príncipe Eduardo, Canadá: certamente mais uma das praias bucólicas geladas colocadas na lista para parecerem politicamente corretos

23º Praia de Panama City, Florida, EUA

22º Praia da Barra, Salvador, Brasil: tudo bem estar na lista, mas à frente de Noronha?

21º Tanjung Ru, ilha de Langkawi, Malásia: faz parte dessa que é a ilha “feita” para os turistas pelo governo local, mais ou menos como se fez com Cancun, no México

20º Praia de Patnem, Goa, Índia : praia estilo mochilão roots, meio hippie

19º Praias do Dia D, Normandia, França: só para aulas de história

18º Praia Dominical, Costa Rica

17º Praia de Canggu, Bali, Indonesia: está na minha lista para médio prazo

16º Praia de Kare Kare, oeste de Auckland, Nova Zelândia: o autor da lista deve amar aquele país

15º Baía Solano, Colômbia

14º Praia do Rio Marguerit, Austráia

13º Praia Paraíso, Cayo Largo, Cuba

12º Baía de Hanaley, Havaí, EUA

11º Praia de Sun Island, Maldivas: estilo bangalôs taitianos

10º Nungwi, ilha de Zanzibar, Tanzânia (África): é um lugar exótico que me atrai

9º Praia de Boulders, Cidade do Cabo, África do Sul

8º Praia de Grace Bay, ilha de Providenciales, Turks & Caicos (Caribe): virou sinônimo de Caribe luxuoso nos EUA

7º Maya Bay, Ko Phi Phi, Tailândia: orgulho-me de ter conhecido a famosa praia do Leonardo di Caprio no filme “A Praia”, na viagem que fiz em janeiro desse ano.


6º Pulau Perhentiam Kecil, Malásia

Praia de Tulum, Riviera Maia, Mexico: lugar muito bonito que conheci em março de 2011, com ruínas maias quase tocando o mar com uma das cores mais brilhantes que já vi.


4º Praia de Whotehaven, Austrália

3º Praia da Champagne, Vanuatu (Oceania)

2º Anse Source d’Argent, Seychelles: virou local badalado nas listas de praias por ter sido um dos lugares por onde provavelmente o Príncipe William passou em lua de mel com a Kate Middleton

1º Matira Beach, ilha de Bora Bora, na Polinésia Francesa (ou Taiti), Oceania: o quase inatingível, caríssimo e para poucos "paraíso na terra" que é o queridinho dos casais em lua de mel.

27/07/2012

Essaouira - uma das 10 cidadezinhas mais bonitas do mundo (?!)


Exagero ou não, fato é que eu estava lendo neste final de semana que passou umas matérias na CNNGo, um portal da CNN especializado em dicas de viagens dos correspondentes internacionais, e, numa lista das 10 cidadezinhas mais bonitinhas do mundo, encontrei a marroquina Essaouira, que conheci em abril deste ano.

Essaouira é uma cidade pequena, com cerca de 70 mil habitantes, mas com muita história.

Antigamente, era conhecida como Mogador, nome da ilha que fica em frente ao seu porto. Na época do Império Romano, depois de ser esgotada a produção de púrpura pelos fenícios, Mogador transformou-se no maior centro de produção desse corante natural. A púrpura era extraída de bichinhos que vivem dentro de conchas marinhas e era o que dava a cor púrpura aos mantos dos nobres romanos. Era muito apreciada por ser uma coisa muito rara e por ficar cada vez mais brilhante com o uso da roupa e com a exposição ao sol.

No século XIV, foi conquistada pelos portugueses, que a usavam como ancoradouro nas grandes navegações. Posteriormente, no século XVIII, os franceses assumiram o controle do Marrocos e da cidade, dando-lhe o aspecto atual.


As muralhas que circundam o centro histórico de Essaouira, na verdade, são obra de arquitetos militares franceses, sendo o projeto parecido com aquele que foi executado em Saint Malo, na costa da Normandia.

Desde 2009, Essaouira é tombada como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, pelo conjunto que seu centro histórico medieval forma com a arquitetura colonial.

Essaouira é um lugar bem legal para um passeio de um dia, mas não oferece muito mais do que paisagens legais e um pequeno centro histórico. É um lugar para relaxar, dar umas caminhadinhas, curtir a brisa do mar e o silêncio depois da muvuca de Marrakech. Chegamos lá por volta do meio-dia e fomos direto almoçar, mas lá pelas 5 da tarde já estávamos satisfeitos com a cidade.

As melhores atrações da cidade são as muralhas (é possível subir numa parte delas, inclusive ter acesso aos canhões que ainda existem) e o porto, onde há pescadores indo e vindo e gente vendendo frutos do mar frescos para os restaurantes e para os moradores locais.

A impressão que se tem de Essaouira é a um de oásis no meio do deserto, porque não há quase nada ao seu redor. A cidade evoca ainda alguma coisa da época da escravidão, pela ligação que teve com o Império Português.

Para que curte esportes de praia, a cidade é muito boa para fazer kitesurf. Chega a ser conhecida como a “cidade dos ventos”. O mar é bem agitado e a água um tanto fria, por isso não se vê muita gente nadando (Agadir, uns 150km ao sul, tem fama de ter um mar melhor para banhos). Para quem ainda não viu camelos, geralmente há alguns passeando pela orla, principalmente para tirar fotos com turistas.

O restaurante onde almoçamos foi o Taros, bem na esquina da praça Moulay Hassan e da rua que dá acesso à mesquita central. O lugar tem comida muito boa, um astral bem legal, vende cerveja e ainda oferece a oportunidade de comer em diferentes terraços a céu aberto, com vista da cidade, do porto e da ilha. Acabou sendo uma das melhores experiências naquele país.


Para chegar ao trecho das muralhas onde estão os canhões, é preciso cruzar boa parte da Kasbah, rente aos muros, até o ponto conhecido como a Skala de La Ville. Não há controle de entrada e nem cobrança de ingresso para subir – mas também não há nenhuma proteção contra quedas nas pedras lá embaixo.

A caminho do porto, fica a Skala Du Port, e ali é necessário pagar uns 20 dirhams por pessoa para poder subir numa espécie de torre de observação e para conhecer um museuzinho náutico da cidade.



O porto aparenta ser um local proibido para turistas, de tanto vai e vem de gente trabalhando, mas não há problema algum em entrar lá. É só cuidar para não atrapalhar ninguém e para não ser atropelado pelos carretos carregados com pesca e por alguns carros que vão e vem daquele molhe principal.

As melhores vistas da cidade são justamente a partir do porto, porque se vê o centro histórico, todo branco, rodeado pelas muralhas. Um festival de pássaros sobrevoando a região e aproveitando os restos que os pescadores lhes jogam complementa o cenário.



Na hora de vir embora, matamos os últimos minutos num café na beira da praia, chamado Côté Plage, do lado de fora da cidade histórica (veículos não passam das muralhas). Ficamos ali, assistindo uma pelada de gente da cidade na areia, pertinho do calçadão, e curtindo um solzinho, coisa rara por aqueles dias.

25/07/2012

Óleo de argan


Na manhã do nosso terceiro dia no Marrocos, levantamos novamente por volta das 8 horas da manhã para tomar café, com um objetivo bem definido: arranjar alguém ou algum meio de chegar até a cidade de Essaouira, a 150km a oeste de Marrakech, no litoral do país. Não foram necessários mais do que uns 2 minutos conversando com o gerente do hotel para que ele nos arranjasse um motorista de sua confiança e, por 1100 dirhams, fechássemos negócio para sairmos dali uma meia hora e voltarmos no final do dia.

Aprontamos as coisas para passar o dia fora e, com uns 20 minutos de atraso em relação à hora marcada, já estávamos saindo do hotel em direção à praça em que a van que nos levaria a Essaouira estava estacionada. Para nossa surpresa, era um veículo bem amplo, confortável e limpo, e logo vimos que fizemos bom negócio fechando uma viagem assim.

A saída de Marrakech foi relativamente rápida, já que não havia tanto trânsito. A paisagem, em compensação, não era nada muito animadora. Em meia hora estávamos os três tirando uma soneca. Apenas quando nos aproximamos de uma das duas únicas cidades no caminho até nosso destino é que tivemos alguma coisa para ver, além de terra, pedras e estrada e algumas dunas bem ao fundo.



Embora a primeira parte da viagem tenha sido em estrada simples, mais da metade do trecho entre Marrakech e Essaouira é feita em uma estrada duplicada, em bom estado de conservação e sem pedágio. Há controle de velocidade em alguns pontos, e percebemos que a maioria dos veículo tende a manter-se nos limites máximos de velocidade.

A monotonia da viagem só foi quebrada quando o motorista nos chamou a atenção para uma das cenas mais inusitadas da minha vida: cabras no topo de uma árvore. Obviamente, pedimos para parar e tirar fotos – e só depois de um bom tempo é que caiu a ficha e vimos que eles sempre devem fazer isso para que os “pastores” das cabras ganhem alguns trocados.


Cabras efetivamente sobem em árvores de argan, típicas da região (isso eu tinha lido em algum lugar, mas tinha esquecido), mas obviamente que não naquela quantidade e naquela concentração. Aquelas ali estavam no lugar só “para inglês ver” (e brasileiro também). Apesar de ser um negócio meio fake, valeu pelo inusitado e pela reação das pessoas quando veem essas fotos. (Ah, se duvidou que isso existe, joga no Wikipedia).

As árvores de argan, aliás, são outra atração da região. Muitas mulheres hoje em dia (inclusive eu recebi encomendas) sabem sobre os efeitos benéficos do óleo feito dessa frutinha, que é um meio termo entre uma castanha e uma azeitona. O óleo é tanto comestível (se feito do argan torrado) como pode ser passado na pele e no cabelo para hidratação (se feito da semente crua). Substitui um azeite de oliva, até na pizza, por exemplo.

Há várias cooperativas de mulheres que vivem da extração do óleo de argan no caminho entre Marrakech e Essaouira e, embora isso nem estivesse nos nossos planos, quando o motorista ofereceu, prontamente aceitamos a ideia de parar numa delas para uma visitação. Além da explicação sobre o processo de produção, ainda tivemos a oportunidade de fazer as compras para atender as encomendas ou para levar os souvenirs.



Já era passado de meio-dia quando finalmente vencemos aqueles longos 150km e avistamos o mar. Para nossa alegria, o céu estava mais aberto e pelo visto teríamos uma tarde bem agradável na nossa daytrip.


23/07/2012

Dicas de voos entre o Brasil e a Europa - 2012


Planejar um mochilão, um intercâmbio ou uma viagem qualquer à Europa, para um brasileiro, implica em escolher uma dentre as mais de 20 opções de voos entre o nosso país e aquele continente, sem falar de outras possibilidades, como uma conexão na Argentina, no Chile ou na Colômbia.

Nesses meados de 2012, as melhores opções para ir direto de nosso país à Europa são as seguintes, no meu “ranking pessoal” de custo-benefício:

1º - TAP – é a companhia que atende o maior número de cidades brasileiras, fazendo ligações diretas com a Europa. Os voos saem de Porto Alegre, São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza, mas têm sempre como destino a cidade de Lisboa. Há voos diretos com a cidade do Porto saindo de São Paulo e Rio, apenas. A empresa, que é uma estatal de Portugal, tornou-se a maior transportadora de brasileiros ao Velho Continente desde há alguns anos e é considerada como sendo uma companhia de boa qualidade pela maioria dos que a conhecem. O serviço de bordo é bom, o entretenimento é individual, os aviões são novos (com raras exceções em que se usam alguns mais velhos, principalmente saindo de São Paulo), mas há mais reclamações por conexões perdidas em Lisboa e por extravios de bagagens do que na média das companhias. Os preços estão geralmente entre os mais baixos para conexões além Lisboa. Continua pontuando no Fidelidade TAM enquanto a empresa permanecer na Star Alliance. Gosto dela, principalmente por sair de POA, e é a que mais usei nesses anos todos.

2º - Turkish Airlines – voa apenas de Guarulhos para Istambul, na parte europeia da Turquia, mas é a companhia que tem os melhores aviões, o melhor serviço de bordo e, se estiver sobrando um dinheiro, a melhor classe econômica Premium entre Brasil e Europa. Tem boas conexões para o Leste Europeu (Grécia, Rússia, países da ex-Iugoslávia, Finlândia) e se for necessário dormir uma noite em Istambul, o hotel é pago pela companhia. Pontua no Fidelidade TAM, enquanto essa companhia estiver na Star Alliance. Tem preços relativamente estáveis o ano inteiro, por isso é considerada cara na baixa temporada, mas muito boa na alta temporada. Experimente pesquisar um mês de julho e vai entender o que estou falando.

3º - KLM – foi eleita a melhor companhia aérea da Europa num famoso site desse ramo e tem dois voos saindo do Brasil com destino a Amsterdam: um do Rio e outro de Guarulhos. A companhia tem aviões bons, serviço de bordo muito atencioso e costuma ser pontual. Os preços estão entre os melhores, geralmente, como se pode ver no site de blogs sobre promoções. É a melhor opção para conexões com a Escandinávia e o norte da Europa em geral, inclusive Escócia e Irlanda. É da Skyteam e faz parte do mesmo programa de fidelidade da Air France, o Flying Blue; por convênio bilateral, pontua no Smiles da Gol, aqui no Brasil.

4º - TAM – é a única companhia aérea “nacional” (agora é controlada por uma empresa chilena) a fazer esse trajeto transatlântico. A TAM voa a partir de Guarulhos e do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. De SP, são voos diretos a Madrid, Paris, Londres, Frankfurt e Milão. Do Rio, são voos apenas a Paris e a Londres. Os voos que a TAM vende a Lisboa e a Munique como sendo diretos, na verdade, são feitos com aeronaves da TAP e da Lufthansa. Embora tenha o atrativo de ser uma empresa nacional e de pontuar sem qualquer problema no TAM Fidelidade, dificilmente se encontram tarifas mais baixas do que na concorrência com essa empresa. O único voo que costuma ter tarifas realmente boas é o de Frankfurt e, fora de temporada, os que vão a Madrid. Os aviões, também, não estão entre os mais modernos e confortáveis, e o serviço de bordo não tem nada de excepcional. O entretenimento é individual. Na média, entretanto, a sua classe econômica está acima da qualidade de empresas como a Iberia.

5º - Singapore Airlines: é sempre uma das 3 melhores companhias do mundo, segundo várias fontes, e tem um voo direto entre São Paulo e Barcelona. O atendimento é considerado o melhor do mundo, as refeições são consideradas muito boas e os aviões são impecáveis. Seria excelente, não fosse o fato de serem apenas 3 dias por semana que ela faz isso e o horário bem bruxo que ela sai de Guarulhos, na madrugada. Os preços às vezes são bons, mas geralmente são meio salgados. Pontua no Fidelidade da TAM, enquanto estiverem ambas na Star Alliance. Ainda quero conhecer, mas quem já voou, só tem a falar bem.

6º - Swiss – faz apenas voos entre Guarulhos e Zurique, e no Brasil ganha muito mais vendendo passagens a executivos e ao público corporativo do que a turistas comuns. Historicamente, fez algumas grandes promoções, mas hoje em dia costuma ser bem salgada nos preços. Ainda quero voa nessa companhia, pelo que já li e ouvi a respeito de sua qualidade, de seus aviões e do entretenimento. Costuma ser bastante pontual e profissional também.

7º - Air France – parceira da KLM, tem voos do Rio e de São Paulo para Paris (mais de um por dia). Acaba sendo a melhor opção para conexões com o centro e o sul da Europa. Também pontua no Smiles da Gol. Tem um serviço de bordo muito bom, mas às vezes coloca uns cacos velhos de avião para fazer o trajeto, até mesmo sem entretenimento individual e com poltronas mais apertadas que nos voos nacionais, especialmente saindo do Rio. As reclamações eram tantas que a companhia prometeu rever isso de uns meses para cá e supostamente agora está andando com Boeings renovados (o Airbus saindo do Rio foi aquele que caiu em Noronha, por isso acho que eles evitam usar a mesma marca na rota). Os preços costumam ser um pouquinho mais altos do que a KLM.

8º - Alitalia – pertence ao mesmo grupo empresaria da KLM e da Air France, está no mesmo programa de fidelidade, mas não pontua no Smiles da Gol. No Brasil, voa do Rio e de São Paulo a Roma (antigamente fazia esse trajeto tendo Milão como destino, mas trocou há uns anos). Tem um tipo de serviço de bordo e de avião parecido com a Air France e é uma boa opção para conexões no Mediterrâneo europeu (Grécia, Malta, etc.). Os preços costumam ser meio salgados, mas com o lançamento da rota pelo Rio algumas promoções apareceram.

9º - British Airways – voa do Rio e de Guarulhos para Londres (Heathrow), com um atendimento e um tipo de avião considerados melhores do que a média europeia. O grande problema costuma ser o preço, o mais salgado dentre todas as companhias europeias, na maioria das vezes em que já pesquisei qualquer passagem. Como é da Oneworld, não pontua em nenhum programa brasileiro de fidelidade. Nunca voei, mas quem já foi disse que não tem nada de mais.

10º - Lufthansa – voa do Rio e de São Paulo a Frankfurt e de São Paulo a Munique. É considerada uma companhia tradicional, eficiente, de boa qualidade, mas castiga os brasileiros com aviões velhos, sem entretenimento individual, e preços geralmente mais altos do que a média. Pontua no Fidelidade da TAM. Só usei em voos internos na Europa, mas não pretendo usar tão cedo pelo que já ouvi da companhia.

11º - Air China – faz o voo entre Guarulhos e Madrid, geralmente com os preços mais imbatíveis de todos. Entretanto, só opera umas 4 vezes por semana. Quem já voou, disse que é bem tranquila, com entretenimento individual, comida boa, atendentes que conseguem entender o passageiro e que não teve do que se queixar. Já teve alguns problemas de simplesmente suspender a rota no Brasil, mas nos últimos anos estabilizou-se. Pontua no Fidelidade.

12º - Iberia – a companhia espanhola é considerada sempre como uma das piores do mundo, dentre as grandes. Seus preços geralmente são os mais baixos, mas paga-se muito caro no quesito conforto pela economia. Os aviões são velhos, não há entretenimento individual, o mau humor das aeromoças é lendário, as greves são frequentes, é a que mais perde bagagens e tem como destino final, tirando alguns voos para Barcelona, o temido aeroporto de Barajas, em Madrid. Os pacotões vendidos pelas agências de turismo brasileiro geralmente a usam como meio de transporte, justamente pelo preço inferior. Para completar, como pertence à Oneworld, não pontua em nenhum programa de fidelidade nacional. Em resumo: só vale a pena se 200 reais a menos forem um critério muito importante para você.

13º - Aerolineas Argentinas – alguns corajosos fazem uma conexão em Buenos Aires e seguem ao Velho Continente nos aviões velhos, sem entretenimento individual, com aeromoças “de lua” e arriscando atrasos gigantescos em troca de preços mais baixos do que as companhias que voam para o Brasil. A estatal argentina às vezes oferece só uma banana de café da manhã, literalmente, e não faz muita questão de agradar. Voa para Madrid, Barcelona, Roma e Paris.

Quem mora em Salvador ou no Nordeste deve considerar ainda as empresas que se aventuram a fazer voos sazonais ou permanentes, algumas vezes por semana, entre a Bahia e a Europa. Atualmente, a Condor voa para Frankfurt e a Air Europa liga o Nordeste a Madrid. Às vezes, os preços são imbatíveis, mas poucas são as opções de conexão.

21/07/2012

O lado ocidental de Marrakech


Depois de uma manhã e uma tarde inteira de passeios por pontos turísticos locais e há mais de 24 horas sem sair da Medina, decidimos dar um tempo para a cabeça e encontrar um lugar para tomar uma cerveja no início da noite num shopping localizado na parte mais nova de Marrakesh. Com a nova chuva de fim de tarde que se abateu sobre a cidade, não havia coisa melhor a se fazer por ali.

O shopping, chamado Marrakesh Al Mazar, faz parte de um rede existente em outras grandes cidades do país e não é muito grande. Está mais para umas lojas agregadas a um hipermercado, como é comum aqui no Brasil. Ao seu lado, fica a filial local da boate espanhola Pacha e hotéis de redes internacionais abertos há menos de 10 anos.

Logo de cara encontramos uma Virgin Megastore, com um café no segundo andar do shopping, passando o jogo do Real Madrid contra o Barça pela Champions. Não tínhamos como não entrar. Pegamos uma mesinha ali mesmo e tratamos de fazer o programa mais ocidental possível naquele lugar: comer hamburger, tomando cerveja e olhando futebol, num ambiente em que até mesmo as mulheres (sempre acompanhadas por seus namorados) estavam com roupas “normais” (exceto pelo lenço no cabelo).


Depois do jogo, ainda demos umas voltas pelas lojas do local e até entramos para experimentar alguma coisa, mas tirando um cachecol, ninguém de nós comprou nada (os preços são muito mais altos do que na Espanha, até porque quase tudo é importado da própria Europa).

Já estava completamente escuro e o frio estava começando a pegar. Decidimos então ir jantar na Cité Nouvelle, o centro novo de Marrakesh, onde nossos guias impressos mostravam que havia inúmeros restaurantes e bares para que pudéssemos escolher um para jantar. 

A única opção de transporte disponível era uma vanzinha, daquele tipo que servia para entregar pão ou vender cachorro quente aqui no Brasil. “Fretamos” o táxi com um guri completamente sem noção na direção, que não entendia quase nada de francês e muito menos de qualquer outra língua que soubéssemos. Depois de muita dificuldade e de tentarmos mostrar para ele no mapa onde queríamos ir, chegamos bem na rótula central da Avenida Mohammed V. O cara ainda tentou cobrar mais do que o combinado (70 dirham), mas mandamos ele pastar.


Demos umas voltas tentando encontrar o tal do Yellow Submarine, mas soubemos por um garçom de um restaurante próximo que o local havia (ou estava) fechado. Cruzamos de volta para o outro lado da avenida e passamos pela frente de uns 4 locais indicados nos guias, até nos decidirmos por uma pizzaria chamada Catanzaro, que acabou sendo uma ótima escolha.

Comemos pizzas em estilo italiano bem tradicional (os donos era da Calabria mesmo), regadas com vinho tinto marroquino. Ali, vimos como é a classe média e alta da cidade: pessoas que falam francês, etnicamente mais brancas do que a média da população (provavelmente muitos tenham ascendência francesa, da época da colônia), mescladas com muitos expatriados europeus vivendo no país. Outra curiosidade é que, como no resto desta parte da cidade, quase nada está escrito em caracteres árabes.

Na saída, perto da meia-noite, a cidade já parecia bem vazia e decidimos voltar para o hotel e descansar para o dia seguinte, quando iríamos a Essaouira. Nesse trajeto, o táxi entendeu direitinho onde queríamos chegar (Riad Larousse) e pela primeira vez e nossa viagem vimos um taxímetro funcionando – o resultado, pagamos menos da metade que nas outras corridas, combinadas de boca com o motorista.

19/07/2012

Marrakesh – tour pela Medina – Parte 2


Da região da Ben Youssef, fomos andando direto à parte da cidade onde fica o Palácio El Bahia, passando por ruelas que ficam atrás da praça Djema El Fna.

No caminho, encontramos até as ruínas do que foi, até a metade dos anos 1990, um cinema, ainda com cartazes dos últimos filmes que estavam passando na época – de certa forma uma imagem icônica, sobre o qual tinha lido no Lonely Planet Morocco que nos servia de base para as andanças pela cidade.


Sem nem saber como tudo tinha dado tão certo, de repente já estávamos na esquina na qual onde deveríamos dobrar à esquerda para entrar no Palácio Bahia, considerada uma das atrações da cidade.

O preço da entrada, de cerca de R$ 1,50, já indicava um pouco do que acabou sendo minha percepção em relação ao lugar – bem mixuruca.

O Palácio El Bahia (que significa “o Belo”) era a casa de um nobre local no século XIX, que chegou a ser Grão-Vizir no Reino do Marrocos, e que foi aberto à visitação do público.





Por mais que os guias turísticos da cidade se esforcem em descrever a grandeza do local e a beleza dos seus detalhes, acabamos achando tudo muito parecido e até mais sem graça do que já tínhamos visto pela manhã, na madrassa e no museu de Marrakesh. De qualquer forma, sempre há tours guiados de multidões de pessoas prestando atenção a todos os adornos dos pórticos, aos canais internos de água, às plantas ornamentais e às grandes piscinas no centro de alguns pátios – muitas delas em reforma.

Aqui, abro um parênteses: como eu já comentei em outros posts, a cultura islâmica não permite a representação de pessoas ou de animais, porque teme que eles se tornem objeto de adoração – o que só é devido a Deus. Por isso, há sempre o apelo a formas geométricas, desenhos abstratos e materiais que demonstrem riqueza. O problema é que isso acaba se tornando um tanto quanto repetitivo a olhos ocidentais e pode parecer um desperdício de tempo ficar conhecendo vários lugares parecidos.

Alguma coisa eu aprendi num livro chamado “A História da Vida Privada – volume 1”, que descreve como era a avida nas casas romanas e como essa tradição (pátios descobertos e amplos, rodeados de peças da casa) permaneceu viva nas regiões ocupadas pelos árabes, embora tenha sido preservada na Europa apenas em conventos, que me fez aproveitar um pouco essas visitas a palácios no Marrocos. Mas, se essa não é a sua área, melhor investir mais em passeios pela região ao redor da cidade.

Do Bahia fomos até o Kosybar para almoçar, do que já falei no post sobre a bebida em Marrakesh, e de lá seguimos à tarde para outras duas atrações que ainda faltavam no nosso roteirinho pela medina: o Palácio El Badi e as Tumbas Saadianas.

O Palácio de El Badi está completamente em ruínas e ainda pende de escavações em muitas partes. Foi um grande castelo entre 1578 e o século XVII, quando foi destruído por um invasor e teve suas riquezas levadas para outro palácio em Meknes, mais ao norte do Marrocos.






Ali, a atividade consiste basicamente em tentar descobrir alguns cantinhos escondidos e andar pelas rampas em meio às escavações. As muralhas são curiosamente ocupadas, em suas torres, por grandes cegonhas, que parecem voar perigosamente sobre a cabeça dos turistas lá embaixo (ficávamos só imaginando o tamanho de uma caca daquele bichão caindo na cabeça de alguém).

Paga-se uma entrada de mais ou menos 1 real e nada mais do que isso para conhecer o lugar, que não toma mais do que uma meia hora (dependendo do clima, deve ser uma tortura, porque praticamente não há nenhuma sombra).

Do El Badi, tratamos de seguir para as Tumbas Saadianas, que, no mapa, parecem estar bem ao ladinho do palácio. O grande problema é que há grandes muralhas do próprio palácio de El Badi e da Kasbah, onde ficam as tumbas, isolando uma atração da outra.

Para chegar lá precisamos dar uma senhora volta por ruelas quase desertas e sem nenhuma indicação, até conseguirmos encontrar um certo fluxo de turistas vindo, provavelmente, do lugar para onde queríamos ir. Pedindo informação, conseguimos finalmente encontrar a entrada das tumbas, que fica quase escondida ao lado de uma grande mesquita em reformas.

Mais uns 2 reaizinhos de entrada e já estávamos dentro do antigo cemitério dos nobres de Marrakesh, que devem ter gasto boa parte de suas fortunas decorando os lugares onde seus restos mortais ficariam pela eternidade.

As tumbas, que datam do século XVI, só foram redescobertas em 1917 e, desde então, restauradas e abertas à visitação. Há grandes mausoléus onde estão os restos de gente da Dinastia Saadi – daí o nome do local.






A decoração consegue ser mais rica que as dos demais palácios da cidade e a visita não deixa de ser interessante pela oportunidade de ver como é um cemitério islâmico tradicional – que, apesar dos ornamentos e da riqueza dos detalhes, é bem menos apelativo que os nossos cemitérios cristãos, cheios de fotografias e de anjos gigantes saindo de cima de cúpulas e placas de mármore. 

17/07/2012

Marrakesh – Tour pela Medina – parte 1


Na manhã da terça-feira, nossa primeira na cidade, levantamos lá pelas 8 hpras para tomar café no terraço do riad. A refeição, que se repetiria de forma exatamente igual nos três dias seguintes, consistia basicamente em duas porções de pão comum, uma porção de pão sírio e porções pequenas de manteiga e geleias – tudo individual. Para acompanhar, um iogurte natural, café com ou sem leite e uma fruta. Os mais famintos certamente ficariam insatisfeitos e os sedentos por novidade também.

Nosso primeiro destino daquele dia era a atração turística mais próxima de nossa hospedagem: a Madrassa Ben Youssef.

Madrassas, para quem não sabe, são escolas religiosas muçulmanas, que funcionam em regime de internato. Atualmente, esse tipo de escola está associado na mídia ocidental a locais de formação de jovens terroristas ou de lavagem cerebral de crianças, mas a instituição é muito maior e mais antiga do que isso. Esse tipo de madrassa “do mal” basicamente está concentrado em regiões remotas do Afeganistão, do Paquistão e do Líbano.

A Madrassa Ben Youssef era considerada a maior de todo o norte da África e foi fundada há pelo menos 650 anos. Só encerrou suas atividades em 1960, sendo depois reaberta para visitação nos anos 1980. Funcionava mais ou menos como os conventos europeus, onde nobres entregavam seus filhos a religiosos, com uma dotação em dinheiro e bens para custear a educação, a hospedagem e a alimentação que eles receberiam enquanto passassem seus anos de infância e juventude por lá.









O interesse no local decorre basicamente da arquitetura do prédio, muito rica em detalhes, e da curiosidade histórica por esse tipo de instituição, já que é possível visitar todos os quartos por dentro e entender um pouco como os estudantes viviam ali. Alguns têm recriações com mobiliário de época, demonstrando tanto como viviam os mais ricos como os mais pobres que estudavam lá. O pátio central é rodeado por três andares de quartos, que abrigavam até 900 estudantes. Visualmente, confesso que achei muita coisa parecida com o que vi no Alcázar de Sevilla uns dias antes.

A mesquita de mesmo nome fica ao lado da madrassa, mas como todas em Marrakesh, não pode ser visitada por quem não é muçulmano. A única parte que pertence à mesquita e que é visível mesmo para quem está do lado de fora é o pátio externo, onde há uma estrutura em forma de cubo que se vê em várias cidades religiosas muçulmanas (para quem não sabia, aquela peregrinação que os islâmicos fazem a Meca tem seu clímax justamente na parte em que se dá voltas ao redor da Qaaba – ou cubo – onde está uma rocha negra caída do Céu para mostrar a Adão e Eva onde erguer um altar, segundo a tradição.

Curiosamente, ao sairmos da madrassa vimos uma modelo ocidental em trajes bem provocantes fazendo fotos para uma campanha publicitária de sapatos – tudo isso em meio àquele vai e vem de motos, carroças, vendedores e mulheres só com os olhos de fora que é típico da medina.

Bem próximo da Bem Youssef, fica o Museé de Marrakesh, um museu de certa forma um pouco mais parecido com o que entendemos por isso no Ocidente. Há exibição de obras de arte de artistas locais, de itens históricos das tribos do norte da África e de indumentária típica, principalmente feminina.







Na real, só entramos para conhecer porque a entrada da madrassa incluía uma visita a esse museu. O destaque realmente interessante, mais uma vez, fica pela arquitetura do palácio onde ele está sediado. Nele, dá para ter uma noção bem boa de como funcionava uma “mansão” árabe antes da invenção da luz elétrica, da á agua encanada e do aquecimento a gás. De certa forma, o lugar me fez lembrar um pouco o Harém do Palácio de Topkapi, em Istambul.