30/12/2010

Showzinho em Split

Showzinho de um grupo do leste europeu (aparentemente ciganos) no meio do peristilo do Palácio de Diocleciano, centro de Split. Crédito das fotos: Diego.

28/12/2010

De volta a Split

Depois de três dias e meio em Hvar, houve até uma discussão no grupo se não deveríamos emendar mais um dia no lugar, que oferecia tanta coisa para fazer.

Acabou vencendo o planejamento prévio: ida para Split, logo depois do passeio de veleiro a Vis. Acertamos, antes de viajar, como faríamos com as nossas coisas. Deixamos combinado no albergue que deixaríamos as mochilas na cozinha e pagamos um transfer até Stari Grad, com o próprio gerente do hostel, de onde poderíamos pegar o ferry boat das 20h30 para Split. As passagens já estavam garantidas: na noite anterior compramos no escritório da Jadrolinjia no centro de Hvar.

Chegamos do passeio de veleiro completamente encharcados. Mesmo assim, não tínhamos tempo nem lugar para tomar banho. O jeito foi simplesmente trocar de roupa e nos secarmos ali na área de uso comum do albergue, mesmo, para em seguida entrar no carro e seguir viagem. Pode até parecer que estou querendo minimizar o problema, mas é fato: a água do mar de lá não deixa aquele sal acumulado na pele como aqui nas nossas praias. Acho que tem a ver com o fato de o Mediterrâneo ser um mar quase fechado, com muita água doce de rios entrando e pouco contato com o oceano.

Com o dia cheio, dormimos a maior parte da viagem de duas horas de volta a Split, onde chegamos por volta das 22h30.
Já sabíamos o caminho até o albergue, que ficava bem no centrão, na Narodni Trg (Praça do Povo). Para que as reservas não caíssem, já que tínhamos marcado dizendo que chegaríamos no meio da tarde e só apareceríamos de noite, liguei ainda de Hvar avisando. Foi a nossa sorte, porque a portaria do lugar fechava às 22h00, e só assim o cara da recepção soube que era para deixar tudo pronto para nós e pôde nos passar a senha eletrônica da porta de entrada.
A Riva de Split estava bombando na hora em que chegamos. Conseguimos ver o finalzinho de uma apresentação folclórica no meio do povo, além de até interagirmos com um palhaço que andava por ali. Cansados que estávamos, não ficamos mais do que uns 15 minutos por ali, no entanto.

Chegando no albergue, vimos que o lugar era bem precário. Apesar de muito bem localizado (a menos de 100m de vários lugares para comer, beber e para sair), o tal Split Hostel Booze and Snooze (traduzindo: "Albergue Split - Tome um trago e tire uma soneca"), era bem apertado e tinha pouco espaço de uso comum. A área externa, na verdade, era um terracinho apertado entre outros prédios, cheio de avisos dizendo para não fazer barulho à noite sob pena de os vizinhos chamarem a polícia.
Guardamos nossas coisas, tomamos um banho e já saímos em busca de um lugar para comer.

26/12/2010

De Vis a Hvar - temporal na volta

A praia de Vis, a única com areia natural que vimos durante toda a viagem aos Bálcãs, era realmente um lugar muito bonito.

Foi ali que os responsáveis pelo passeio providenciaram o almoço, depois de uns 20 minutos de arrumação. Mesa farta, oportunidade de interação com os demais integrantes do tour (um casal sueco jovem, um casal de armenos mais velhos, nós quatro, uma neozelandesa e mais uma americana, além dos croatas do barco) e, depois, ainda, um tempinho para uma sesteada ou para curtir um pouco mais o mar azul piscina e a praia.

Na hora de voltar, contudo, o tempo mudou rapidamente. O que era um céu azulzinho virou um monte de nuvens pesadas. Vento forte soprando e as ondas crescendo. Vivemos alguns momentos de tensão na volta, que levou um pouco mais do que as duas horas da vinda, mas no final das contas pudemos dar risada, inclusive do pequeno "tsunami" que serviu para encharcar quase todas as mochilas e até mesmo câmeras do pessoal a bordo (com direito a videozinho desse momento...)

video

24/12/2010

Vis - Green Cave

Mais ou menos uma hora e meia depois que saímos de Hvar, já estávamos nos aproximando da costa de Vis, em cujo extremo leste está o farol que aparece na foto acima.

Contornando a ilha, pudemos ver as casamatas que o exército tinha na ilha, bem no alto dos morros, e algumas outras fortificações de defesa. Não paramos em lugar nenhum, porque o primeiro destino seria justamente a Green Cave.

A tal caverna verde não fica propriamente em Vis, mas numa ilhota desabitada chamada Ravnik, bem ao lado dela.

A primeira impressão já foi de matar: um paredão de rocha esbranquiçada com água azul transparente, e duas entradas para a caverna.

Estavam só o nosso veleiro e outro barquinho pequeno, com umas quatro pessoas, fazendo a visita ao local. Pudemos escolher o lugar mais próximo da caverna para ancorar o veleiro e descer. O tour oferece gratuitamente snorkels (muito bons, por sinal - bem melhores que os que compramos e tínhamos levado) para poder olhar o fundo da água.

Não há muito o que falar sobre a caverna, porque a sensação de estar lá é o que vale. Água quase parada, como um piscinão, transparente (menos fria que nos dias anteriores), com alguns peixinhos para dar graça.

A surpresa é o feixe de luz que entra no meio da caverna por um furo bem no centro de sua parte superior e que reflete no fundo da água. Com uma câmera para bater fotos na água pudemos captar um pouco da impressão que isso dá...

22/12/2010

Hvar - Passeio de veleiro

Em matéria de embarcação, Hvar oferece tudo quanto é opção possível para passeios.

Desde que chegamos na ilha, falamos na possibilidade de alugar um barquinho só para nós quatro, sem piloteiro, para tentarmos nos virar sozinhos. Isso é possível sem qualquer exigência de habilitação - mas é claro que os barcos são quase tão potentes quanto um carrinho de rolimã.

Com o passar dos dias, fomos vendo que o vento era muito forte para tentarmos nos aventurar. Logo no primeiro passeio que fizemos, vimos uma gurizada quase à deriva, tentanto chegar numa ilha toda cheia de pedras, mas sem conseguir por causa do vento. Um deles já estava remando com as mãos. Furada na certa, concluímos. Sob protestos de um do grupo, sepultamos o plano de viagem independente.

Nas duas praias de que falei nos posts anteriores, usamos barcos médios, para cerca de 30 pessoas, que faziam o percurso entre as ilhas Pakleni e Hvar Town entre 20 e 40 minutos, sem nenhum atrativo adicional que não a paisagem.

No nosso último dia na ilha, contudo, queríamos ir mais longe: para a ilha de Vis, onde ficam algumas cavernas marítimas em que é possível mergulhar. O tempo de viagem até lá não é menor que duas horas.

Foi numa das idas e vindas pelo centrinho de Hvar que vimos a propaganda de uma agência que fazia esse roteiro em Vis, com um grande diferencial: a viagem seria de veleiro. Um tour para menos pessoas (12), um pouco mais caro (R$ 190, viagem de ida e volta mais almoço e lanche no barco), com tempo de viagem de duas horas para ir e duas horas para voltar, com visitação da Green Cave e de uma praia com areia em Vis.

Não hesitamos. O passeio foi uma unanimidade e só esperamos a agência abrir, no final da tarde, para já deixar o sinal de reserva para o dia seguinte.

O veleiro, que conhecemos na hora marcada na manhã de nosso último dia em Hvar, era realmente muito bonito. Novinho, bem conservado, limpo.
O velejador e sua mulher (foto acima) foram bem profissionais. Ele inclusive, comentou que até dois anos antes nunca tinha visto um brasileiro na vida, mas de um ano para cá já deve ter feito passeios com centenas deles.
A sensação de viajar assim (eu nunca tinha andado num veleiro) é muito boa e dá bem para entender porque tanta gente sente prazer nisso. Havia vários veleiros fazendo passeios parecidos, mas a maioria é particular - o que dá a sensação de exclusividade que essa agência, Hvar Adventure, promete quando vende o passeio.

Pudemos curtir um clima agradável com temperatura amena (cerca de 19ºC) e um sol muito bom, andando em mar aberto (Vis é a ilha habitada mais distante do litoral croata e só foi aberta a visitação no ano de 1989, porque antes servia exclusivamente como base militar do Exército Iugoslavo).


20/12/2010

Hvar - Palmižana beach

Palmižana é outra das praias que ficam nas ilhas Pakleni, um pouco mais longe que Mlini (cerca de meia hora de viagem). É vendida pelos barcos de passeio como sendo a mais bonita de todas as praias da região de Hvar.

Foi para lá que fomos no nosse segundo dia em Hvar. Saímos um pouco depois do meio-dia, após termos almoçado na praça central da cidade (essa lula da foto foi a minha refeição).
O bilhete de ida e volta fica em cerca de 25 reais por pessoa, havendo barcos para retornar praticamente de meia em meia hora a partir das 14h. Independentemente do que se usou para ir, pode-se escolher qualquer barco para voltar.

Como em todas as praias da região, o preparo prévio no quesito cerveja mais uma vez foi essencial. Carregamos nossa bolsa térmica com gelo do mercado de peixe e compramos umas long necks no mercadinho ao lado da igreja. Com o passar dos dias na Croácia, fomos aprendendo que a Ožujsko pivo é bem melhor que a Karlovačko, que vínhamos comprando no início. O preço é praticamente o mesmo e as duas são tratadas quase que indistintamente pelos locais, sem uma Brahma X Skol, embora a primeira seja bem melhor, na nossa opinião.
O passeio de barco dessa vez permitiu uma vista de alguns dos maiores barcos que estavam ancorados perto do porto de Hvar. Já tínhamos ouvido falar que não sei qual veleiro havia chegado na cidade, que o iate de não sei quem estava por ali também (fiquei com a impressão de que uma das donas do nosso albergue era a maior "Maria-iate").

Da mesma forma como ocorreu na praia do dia anterior, o barco atracou no lado da ilha oposto ao da praia, de modo que tivemos que atravessar para o outro lado por umas passarelas de madeira bem sinalizadas. Isso dá um belo alívio para os pés, já que todo chão é tomado por aquelas mesmas pedrinhas brancas que existem na beira da água e no fundo do mar, em sua parte mais rasa.

Chegando do outro lado, deu para ver a marina natural com vários iates ancorados, num mar ainda mais azul que o do dia anterior. A água era simplesmente cristalina. Um portalzinho de acesso à praia dava ao lugar um ar ainda mais chique.

A faixa de praia é bem estreita em Palmizana, não havendo espaço para mais do que uma pessoa entre a água e o início da vegetação. Preferimos, como no dia anterior, formar nossa base debaixo de pinheiros, numa parte mais alta, para não esquentar a cerveja e até poder dormir sem preocupação com o sol.

O clima é bem família nessa praia e, ao contrário de algumas outras na região, não é permitido nudismo. Alguns ficam apenas em seus barcos e pulam na água de vez em quando. Embora haja um bar restaurante, não se vê muita gente utilizando seus serviços. O mais comum é um piquenique improvisado (se fosse aqui no Brasil eu estaria chamando de "farofa" mesmo).

A água era um pouco mais quente que a de Mlini, tanto por o dia estar com um sol mais forte e menos vento, como por ser uma baía mais fechada, sem correntes de água nem trânsito de barcos. A impressão é literalmente de uma piscina, tanto pela inexistência absoluta de ondas, como pela pouca profundidade e pela transparência da água. Um snorkel chega a ser quase desnecessário para explorar o fundo, mas há pouca vida marinha, exceto por alguns ouriços-do-mar e alguns peixinhos menores.
Ficamos lá por umas quatro horas, só curtindo. Vida boa...

18/12/2010

Hvar - Mlini beach

A primeira praia que conhecemos nos arredores de Hvar foi a praia de Mlini, nas ilhas Pakleni.

O arquipélago de Pakleni é em boa parte um parque nacional protegido, praticamente inabitado. Apenas em algumas das várias baías há um mínimo de infraestrutura para turistas e marinas para barcos de passeio.
Esse arquipélago, visto do Google Earth (ou mesmo do ponto mais alto da ilha de Hvar, onde há uma cidadela fortificada) parece um monte de biscoitos, todos recortadinhos. Nessas entrâncias é que ficam as praias.

As ilhas são todas feitas de uma base de pedras brancas, o que garanta a claridade e a limpeza da água, mas são também cobertas de uma vegetação verde, inclusive com pinheiros na beira da água.
Essa praia, de Mlini, tem esse nome por causa de uma ilhota do mesmo nome, redonda, bem na sua frente, à qual só se pode chegar atravessando o mar, que é tranquilo e não muito fundo. Para chegar até ela, na verdade, tem-se que cruzar a ilhazinha onde o barco encosta, porque a marina fica do lado oposto.
Para ter a visão do conjunto de ilhas ao redor e da praia inteira, o segredo é pedir autorização ao dono do restaurante da praia para subir ao seu "quintal", onde há algumas cabras pastando e nada mais, e chegar ao meio da ilha principal, onde está o seu ponto mais alto. A vegetação, que ali é mais seca, fica avermelhada, e o azul da água do mar parece ainda mais brilhante visto de longe.

As fotos que postei aqui não tem nada de photoshop, posso garantir e provar para quem duvidar!


Para mim, que não gosto de ficar torrando no sol e nem de passar calor demais na praia, o lugar é perfeito. Alugamos espreguiçadeiras de madeira por um dia inteiro por cerca de 8 reais e as colocamos embaixo dos pinheiros, a uns poucos passos da água. Quando dava vontade de ir para o sol direto, era só arrastar um pouquinho. Levamos nosso isopor cheio de cerveja - tivemos o cuidado de comprar gelo no mercado de peixe ao lado da feira no centro da cidade, antes de vir para a ilha - e ficamos ali curtindo a tarde. Para comer, pegamos alguns petiscos como batata frita e peixe no restaurante ao lado, que até vinha trazer a comida até nós.

Pode até ser fria a água e não ter areia, mas só o fato de não ter vendedor gritando, de não ter que se preocupar em deixar bens de valor desacompanhados e de poder ficar na sombra olhando para aquela água transparente, entrando só quando dava vontade (e não por causa do calor) para mim é o mais próximo da praia perfeita que já vi, no meu conceito de descanso na praia.

16/12/2010

Hvar

Hvar aparece como um dos principais pontos turísticos em qualquer guia sobre a Croácia e vem se tornando cada vez mais conhecida, mesmo entre brasileiros. Hvar (pronuncia-se o "h" como em inglês, "rrvar") é o nome tanto da ilha como da capital, que acaba sendo chamada de Hvar Town para não dar confusão.

O lugar vem se tornando famoso por vários motivos:

- é a ilha mais ensolarada de toda a Croácia, com 2800 horas de sol por ano;

- no interior da ilha, além de haver vários vinhedos, há campos de lavanda que florescem na primavera, o que dá a ela um ar de sul da França;

- o centro histórico de Hvar Town tem a maior praça da Croácia e é o mais bem conservado dentre os construídos na Idade Média;
- pela proximidade com a Itália e pelo mar tranquilo, tornou-se o principal point para quem gosta de velejar ou de andar de iate (rola até um exibicionismo entre os barcos);

- a ilha é ponto de partida para várias outras ilhas e praias menores ao redor, que não possuem conexões diretas de barco ou ferry com o continente, como Vis, as ilhas Pakleni e a praia de Bol - todas figurando nos melhores cartões postais do país;

- tudo começou com o Carpe Diem e depois foram surgindo o Ula Ula e mais outros tantos, mas fato é que agora a cidade está tomando fama como uma alternativa mais tranquila e barata a Ibiza e Ios, pelo clima meio Jurerê Internacional dos seus clubes.

Reservamos pelo menos 3 noites para ficar na cidade, e quando saímos chegamos a discutir seriamente a possibilidade de esticar mais um pouco. É um lugar que sinceramente dá vontade de voltar mais vezes, porque tem muita coisa para fazer ao redor.

O clima é muito bom e a rotina de umas férias por ali consiste basicamente em acordar lá pelas 10h da manhã para comer alguma coisa nas várias padarias que existem nas ruelinhas medievais, ou mesmo no mercado ao lado da praça central, para depois arranjar algum passeio de barco que te leve para alguma das praias paradisíacas nas redondezas, de onde se volta lá pelas 17h. Aí, para quem tem forças e vontade, os agitos se sucedem nos bares: Ula-Ula das 17h às 22h, Carpe Diem das 22h às 2h e Veneranda das 2h até amanhecer, sem falar em outros menores ao longo da marina.
Nos próximos posts, vou mostrar as tais praias. Nunca vi água tão clara e transparente, num mar tão calmo. Parece piscina. Claro, algum defeito tinha que ter: as praias não são de areia (com exceção de uma em Vis), mas de pedrinhas brancas, e a água é fria para os padrões brasileiros (o que não me impediu de entrar nem um dia sequer).

Tudo isso não significa preços exorbitantes nem muvuca. Pelo contrário. Parece até que se está numa praia menor de Santa Catarina, com pescadores trabalhando alheios ao turismo, mercadinhos com gente simples atendendo e comprando (Hvar tem uma população permanente de apenas 4.100 habitantes). Como o centrinho é pequeno, dá para fazer tudo a pé (a menos que se queira conhecer vinhedos e campos de lavanda no interior da ilha, carro não é necessário e nem tem por onde andar).

14/12/2010

Chegando na Ilha de Hvar


Perder aquele catamarã em Split não significou apenas uma viagem mais cansativa e ter de matar tempo em Split. Significou também uma viagem que duraria o dobro de tempo (2hs em vez de uma) e ainda chegar à ilha de Hvar pela cidade de Stari Grad, ao invés de direto em Hvar Town.

Quando finalmente aportamos, já passava das 22h30. Por sorte, lembrei de ligar para nosso albergue para avisar que não chegaríamos no horário indicado na reserva e, com isso, fiquei sabendo que o pessoal do lugar nos buscaria na rodoviária.

Descendo do ferry boat, nos deparamos com aquele desespero típico de desembarque de navio, com dezenas de táxis, carros particulares e transfers esperando pelas pessoas. Para os como nós, que não tinham uma nem outra dessas opções, um único ônibus coletivo esperando, já com uma fila enorme na entrada. Nos separamos, para que dois colocassem a bagagem e dois garantissem lugar, mas recebemos a informação de que entraria todo mundo e que ninguém seria deixado na mão.

Assim foi. Uns 15 minutos depois, o ônibus partiu de Stari Grad, mas com o corredor lotado de gente em pé, inclusive três de nós quatro. Estava completamente escuro, mas deu para ver que subimos e descemos de montanhas, passamos por túneis e curvas bem fechadas nos aproximadamente 10km que separam as cidades da ilha.

Quando chegamos à rodoviária de Hvar, ainda tivemos de esperar que o pessoal levasse outro grupo que estava no mesmo albergue. Fomos os últimos a sair da rodoviária, em função disso.

Por fim, chegamos ao albergue, que para mim deixou uma primeira impressão muito boa. Ficamos no Villa Skansi, um lugar que até 2009 era uma pousada com poucos quartos, bem confortáveis, com vista para o mar e tudo bem ajeitadinho, e que depois de algumas adaptações e da colocação de beliches nos quartos virou um albergue.

Os guris reclamaram que era gente demais no mesmo quarto, mas eu achei bem bom. O banheiro, que tinha até hidromassagem, tinha os melhores chuveiros que já vi num hotel ou albergue da Europa. A área de uso comum tinha uma parte externa e outra interna - tudo muito legal.

O lugar ainda oferece aluguel de scooters, tem uma cozinha de uso comum até com um lugar para assar carne e os donos - com exceção de um cara mais velho e gordo - são muito simpáticos e prestativos.

O Villa Skansi não fica bem no centro, mas a uns 5 minutos descendo por ruazinhas de mão única e escadas, no lado sul do porto que ocupa a baía central de Hvar Town. Mesmo com o cansaço da viagem, tomamos um banho rápido e descemos para o centrinho, para comer alguma coisa a mais e para conhecer o que a cidade tem para oferecer - e porque está ficando tão famosa, mesmo entre brasileiros.

12/12/2010

Matando tempo em Split

Como falei no post anterior, o que era para ser uma viagem de pouco mais de 300km por terra e 1 hora pelo mar acabou nos tomando quase um dia inteiro.

Com mais de 4 horas à toa em Split, tendo que carregar nossas mochilas, não encontramos alternativa melhor do que procurar algum lugar para sentar e tomar cerveja no centro histórico de Split, a umas poucas quadras do porto.

Quando escrever sobre Split com mais profundidade, depois dos posts dedicados a Hvar, explico melhor, mas já adianto que o centro da cidade é um dos mais interessantes que já vi em minha vida. Todo ele cresceu e se manteve dentro do antigo Palácio do Imperador Romano Diocleciano, que o construiu pensando em sua aposentadoria.

Ao longo dos séculos, depois de passar por um tempo abandonado, o lugar foi sendo ocupado pela população, que o usou como fortaleza em tempos de guerra, como centro comercial desde a Idade Média, o encheu de prostíbulos uns 700 anos atrás e depois o restaurou, para fazer dele a peça central do Patrimônio da Humanidade declarado pela UNESCO em relação à cidade.

O calçadão que separa o palácio do mar é obra humana: um aterro com alguns séculos já. Conhecido como "Riva", esse calçadão é recheado de restaurantes, barzinhos e até uma cancha de bocha, que estava lotada de espectadores no final da tarde.
Passamos por tudo isso, só olhando rapidinho, em busca de um lugar para parar. Fomos encontrar do lado de dentro, ao lado do peristilo (pátio central) do palácio, onde há uma catedral cristã. Pusemos a bagagem no chão e ficamos tomando chopp até a hora em que a fome bateu.

Olhando no mapa, decidimos rumar para um lugar com maior concentração de restaurantes. Até encontramos aquele que seria nosso albergue dali a quatro dias no caminho. Alguns dos restaurantes ainda não estavam abertos àquela hora, por isso seguimos adiante. Fomos parar na Praça da República, que mais parece uma réplica da Piazza San Marco, de Veneza, com prédios iguais preto e branco e quase todo seu entorno.

Bem ali, no meio daquela praça, pegamos uma mesa que parecia daqueles restaurantes caríssimos da Europa Ocidental, mas pudemos fazer uma boa refeição sem gastar mais do que uns 20 reais por pessoa.

Um pouco antes da hora marcada para a saída do noss ferry boat com destino a Hvar, voltamos ao porto. Para mim, um verdadeiro suplício, dado o estado do meu pé, torcido por volta do meio-dia. Mas chegamos, a tempo de pegar lugares bons para sentar.

Naquela hora, com o sol ainda se pondo, pudemos ver uma bela paisagem com o palácio em primeiro plano e as montanhas ao fundo, deixando uma espectativa boa para as noites que passaríamos na cidade, após os dias em Hvar.