29/07/2011

Giro em Mykonos


Ali mesmo na “pequena Veneza” de Mykonos, um café nos chamou a atenção e decidimos subir para comer uma sobremesa e tomar um expresso. Escolhemos uma mesa do lado de fora, numa sacada que ficava literalmente sobre o mar.

Por sugestão do garçom, nos abrimos para o novo e pedimos um doce chamado baklava, que segundo ele era a mais tradicional sobremesa do país e seria um crime não experimentar. Realmente, era muito bom. Na definição do Wikipédia, baklava é um tipo de torta elaborada com uma pasta de nozes trituradas, envolvida em massa filo e banhada em xarope ou mel, existindo variedades que incorporam pistaches, avelãs e sementes de sésamo, papoula ou outros grãos.

Enquanto comíamos, percebemos que na sacada ao lado uma senhora de mais idade estava pescando. Sim, na própria sacada de casa, a mulher puxou um banquinho, pegou uma linha e uma vara, amarrou um pedaço de pão na ponta e tentou a sorte no mar agitado daquele dia. Em vão, ela ia tentando com pedaços cada vez maiores de pão. O engraçado era justamente o fato de ela estar fazendo isso numa casa caindo aos pedaços, num dos pontos turísticos mais visitados de Mykonos, como se estivesse a uns 50 anos atrás.

Depois de mais algumas voltas pela cidade e de até entrar em algumas lojinhas, fomos até o carro para dar mais algumas voltas pela ilha. Já estávamos certos de que faríamos o passeio à ilha de Delos no dia seguinte, por isso não haveria muito tempo para esperar dias melhores para conhecer as praias do lado sul.

Com o GPS ligado, fomos seguindo o caminho até Psarrou, uma das praias mais agitadas próximo à capital da ilha. Dali, seguimos para Platys Gialos, que até tinha algumas pessoas se banhando, outras deitadas nas cadeiras à beira do mar e algumas fazendo massagem na areia.

Nessas duas prainhas, tivemos um pouco a noção de como é que se aproveitam as praias por ali. Não é muito diferente do nosso jeito aqui no Brasil. Casas em condomínios, apartamentos e hotéis alugados por temporada, próximos ao mar e com uma infraestrutura razoável pertinho que permitem que a pessoa fique vários dias sem precisar pegar o carro.

Na praia de Psarrou, especificamente, muitas mansões do estilo “alemão aposentado” têm vistas privilegiadas da baía. Mesmo com o tempo feio, dava para ver as diferentes tonalidades do mar.


Dali, partimos de carro para as estradinhas mais complicadas que levam às famosíssimas praias de Paradise e Super Paradise, mas como era de se esperar, com aquele tempo e já em outubro, não havia mais nem uma viva alma por aquelas bandas. Essas praias não tem quase nada além de algumas mansões no alto dos morros e bares de praia, onde se aproveita o verão num estilo meio Ibiza/Jurerê/Punta Del Este.

De Paradise Beach até Ano Mera, uma cidade na parte mais alta e central da ilha de Mykonos, quase nos arrependemos de ter decidido conhecer o interior. As estradinhas, embora asfaltadas e sem buracos, eram cada vez mais estreitas e sinuosas. De quando em quando, tínhamos que dar passagem para algum agricultor que vinha dirigindo um trator, ou mesmo reduzir a velocidade para não correr o risco de atropelar alguma cabra pastando logo ao lado da faixa.

Levamos com certeza mais de 20 minutos para fazer pouco mais de 8km, mas finalmente chegamos a Ano Mera, onde a maior atração é o mosteiro ortodoxo de Panagia Tourliani, originalmente construído em 1580, em devoção à padroeira de Mykonos.

O lugar é bem interessante, todo cheio de ornamentações e com mobiliário de centenas de anos, mas como exige que o visitante esteja com os ombros cobertos, acabei entrando sozinho, enquanto a Gisele esperava do lado de fora, em meio aos vários gatos aparentemente mantidos pelos monges. Não é formalmente cobrada nenhuma entrada, mas a presença de um monge ao lado da caixinha de doações espontâneas logo ao lado da entrada da capela principal constrange qualquer um a pelo menos deixar e menor nota de dinheiro disponível – uns 5 euros.


Do lado de fora, no outro lado da praça principal da cidade, há uma feirinha de produtos locais. É o tipo de lugar que faz o cidadão esquecer que está numa das ilhas mais “badaladas” da Grécia, de tão tradicional.

No nosso fim de tarde, decidimos dar uma última esticada até as praias do extremo leste da ilha, antes que começasse a escurecer. O tempo não deu trégua e ficou emburrado o dia inteiro, nos deixando apenas com um leve gostinho de como todas aquelas praias devem parecer num dia ensolarado.


27/07/2011

Tempo feio em Mykonos

O primeiro dia na ilha foi muito mais de descanso do que qualquer outra coisa. Depois do prolongado almoço quase no meio da tarde e de uma merecida siesta, descemos para a piscina para aproveitar o pôr do sol na piscina e lendo alguma coisa nas espreguiçadeiras. Decidimos jantar no hotel mesmo e por isso nem tocamos mais no carro durante aquele dia inteiro.


Na manhã seguinte, abrimos a janela e demos de cara com um dia ainda mais feio que o anterior. Tempo nublado, temperatura ao redor do 17°C e previsão de que nada ia mudar muito com o passar das horas. Não é isso que se espera do final de um verão na Grécia, mas era a dura realidade. Na TV, podíamos ver que no resto da Europa inteira a temperatura não baixava de 20°C, com céu aberto e tudo, mas uma maldita frente fria teimou em estacionar no Egeu por aqueles dias.

Depois do café, decidimos mesmo assim começar alguns passeios. Pegamos o carro e rumamos para as prainhas do norte da ilha.

As estradas menores, depois que se sai da principal, são todas cercadas por muros e cercas de pedra rústicos, bem típicos da ilha (todas as propriedades rurais são delimitadas por cercas assim). É um pulinho para arranhar toda a lateral de um carro, principalmente quando no outro sentido vem um veículo maior como um caminhão.

Fomos andando em direção a Panormos e outros lugarejos menores, parando de vez em quando para admirar a paisagem, mas nem isso pudemos continuar fazendo por muito tempo. Quando estávamos no extremo norte da ilha, uma chuvinha fina e gelada começou, fazendo com que quiséssemos voltar para o carro.

Decidimos então conhecer o centrinho de Chora, para pelo menos ver as igrejinhas, museus e lojas do lugar.

Estacionar na capital de Mykonos é algo um tanto ingrato. As ruas mais centrais têm trânsito restrito aos táxis e a pequenos veículos de carga e descarga, por isso não tem nem como passar por lá. Há apenas dois estacionamentos públicos gratuitos nas duas pontas da cidade – um ao lado dos moinhos de vento, mais difícil de chegar, porque se passa por ruas estreitas, em que geralmente há caminhões fazendo carga ou descarga nos restaurantes ou no comércio, e outro maior, mais fácil, próximo ao porto novo.

Esse segundo estacionamento acabou sendo a nossa opção na maior parte das vezes que descemos à cidade, mas a pernada até o centro propriamente dito era o preço que se pagava por essa maior facilidade.

A Chora de Mykonos (várias ilhas têm capitais que também são referidas como Chora) é um verdadeiro labirinto, exatamente como tínhamos lido. Quase todas as ruas são apenas para pedestres, feitas de pedras, com todas as casas e prédios públicos brancos. Muitas são becos sem saída e nada é regular. Perder-se é muito fácil, mesmo com um mapa na mão, porque não há placas indicando o nome das ruelas na maioria das esquininhas.



De uma forma geral, esse simples vagar sem saber onde se está chegando é uma das principais formas de conhecer a cidade. Logo percebemos a grande diferença entre ela e Fira, na ilha de Santorini. Mykonos é muito mais fashion. É cheia de boutiques de roupas de marca, galerias de arte e lojas de decoração. As pessoas fazem questão de andar mais arrumadas e não se vê tanto aquele turismo de grupos que se vê em Atenas e em Santorini, exceto quando chega algum cruzeiro.

Em alguns cantos bem discretos, há bares e boates da moda, muitos deles com público-alvo GLS. Há até uma agência que providencia acomodações e pacotes para o público gay na ilha.

Depois de algumas idas e vindas e uma quase certeza de que estávamos indo para fora da cidade de tão perdidos, decidimos fazer nosso almoço numa lancheria típica grega, comendo gyros, uma espécie de kebab grego, bem mais gostoso (e saudável) que o primo turco.

Depois do almoço, fomos para a parte mais conhecida e famosa da cidadezinha: a Little Venice, ou “pequena Veneza”. Essa é uma parte da cidade em que os prédios foram construídos na beira da água do mar e que é cheia de bares e restaurantes nos quais as pessoas aproveitam o que a Grécia tem de melhor: comida, descanso e o por do sol.



24/07/2011

Chegada em Mykonos

A chegada em Mykonos não foi muito diferente da chegada em Santorini. Aeroporto pequeno, malas rapidamente nas nossas mãos, trâmite bastante simples para pegar o carro reservado na locadora (da mesma marca, Budget).

O único diferencial era que a Budget nem mesmo tem um escritório no aeroporto de Mykonos: um empregado espera os turistas que fazem reserva e num banquinho de espera mesmo faz a conferência dos dados e fica com cópia dos dados do cartão de crédito para garantia. Dessa vez, já ficamos previamente acertados que a devolução na partida ocorreria simplesmente deixando a chave embaixo do tapete do carro, estacionado em frente ao aeroporto. Quando perguntei do tanque de gasolina, se estava cheio e como tinha que devolver, a resposta foi: “tem mais ou menos 3 quartos de gasolina, devolva mais ou menos assim e está tudo OK”. Não poderia ser mais simples (confesso que me senti bem à vontade com esse clima “ah, vai dar tudo certo, sem stress!” dos gregos).
Pé na estrada com o C3 (completinho e com preço de econômico), GPS ligado e fomos à caça do nosso hotel. O aeroporto de Mykonos é ainda mais próximo da capital da ilha do que em Santorini, por isso menos de 5km depois já estávamos no meio de Chora, a cidadezinha que é o centro mais povoado da ilha.

A primeira impressão foi a de um lugar bem mais muvucado, com carros estacionados em quase todos os lugares possíveis ao longo das ruas. As estradas também são mais estreitas e a velocidade não pode ser muito grande, sob pena de deixar um retrovisor pelo caminho. A maioria delas é de mão única e algumas curvas são bastante fechadas na área urbana.

Demoramos um pouco para achar o nosso hotel. Devemos ter passado na frente dele umas duas vezes, pelo menos, mas não conseguíamos encontrar a entrada. Desisti e terminei ligando para a recepção, para que me ajudassem com indicações.

O Vencia, hotel que reservamos, estava bem onde deveria estar, mas o pátio de entrada era quase “camuflado”. Estacionamos, fizemos o check in e em poucos minutos estávamos entrando no quarto, para um bom banho, já pensando no almoço em seguida.
O hotel de Mykonos, o Vencia, foi escolhido com base na recomendação do blog “Turista Acidental”, de que já falei aqui em outros posts. É um lugar bem legalzinho, num estilo mais “descolado”, como aliás quase tudo em Mykonos.

Ficamos num quarto no térreo, com uma área privativa com vista para a piscina de borda infinita e para a baía do porto. O restaurante do hotel, mesmo lugar onde se serve o café da manhã, também tinha parte interna e parte externa – essa sem dúvida mais atraente.
Foi por ali mesmo que curtimos nossas primeiras horas na ilha, aproveitando para fazer uma refeição bem tranquilamente – como deve ser um passeio pela Grécia.

21/07/2011

De Santorini a Mykonos

Deixamos Santorini depois de três noites e três dias muito bem aproveitados. Nosso voo estava marcado para as 7h da manhã, por isso tivemos que madrugar às 5h para poder fazer o check out, dirigir até o aeroporto e fazer a devolução do carro à locadora.

As coisas não começaram muito bem. Na nossa frente, para fazer o check out, estava um grupo de mais de 20 chineses, coordenados por uma chinesa estressadinha que também tinha organizado um casamento na beira da piscina do hotel na tarde anterior (veja na foto abaixo a arrumação do evento).
Quando chegou nossa vez, o cartão de crédito não passava, por problemas de comunicação no aparelho deles. Sem solução imediata, o cara da recepção sacou do fundo de uma gaveta um daqueles equipamentos com duas folhinhas, um pedaço de papel carbono no meio e uma chapinha que desliza para fazer marcar as letras e números elevados do cartão de crédito, como ainda se fazia há uns 10 anos atrás.

Finalmente liberados, mas ainda com tempo de sobra, chegamos ao aeroporto e começamos a procurar pelo agente da locadora que estaria nos esperando para receber o veículo. Já tinham nos dito que a agência só abriria às 8h da manhã, mas também tinham nos garantido que um empregado levantaria mais cedo e estaria nos aguardando. Nada. Ninguém na Budget.

Nas companhias ao lado, havia gente e perguntei o que fazer. Garantiram-me que era só deixar a chave embaixo do tapete do motorista dentro do carro e deixá-lo estacionado em frente ao aeroporto, que não haveria problema. Meio cabreiro, ainda tentei ligar várias vezes para o celular do velhinho que nos alugou o carro, para dizer que ninguém havia vindo nos esperar, mas ele também não atendia.

Nesse meio tempo, tratamos de fazer o check in e nos livrar das malas. O aeroporto de Santorini é muito, muito pequeno, e nem esteira de bagagem tem na hora do check in. Por isso, depois de etiquetar a bagagem, o próprio passageiro tem que pegar a mala, levar até um policial que tem uma máquina de raio-x e, recebido o OK do agente de segurança, despachá-la numa área de onde ela será levada para dentro do avião por alguém da companhia.

Livres da bagagem, ainda tratamos de encarar uma fila para comprar algo a título de café da manhã numa das duas lancherias abertas. Eu ainda não havia desistido de entregar o carro para alguma pessoa da locadora, e de tanto em tanto ia lá fora dar uma olhada. Quando fizeram a chamada para o embarque, entretanto, não tive mais escolha e fiz exatamente como me disseram: estacionei o carro do outro lado da rua, deixei a chave sob o tapete e fui embora (não sem um pouco de receio de ter uma franquia de seguro inteira debitada do meu cartão de crédito na volta para casa).

O voo saiu bem no horário e, como na vinda, sequer houve tempo para que servissem bebidas a todos os passageiros. Quarenta e poucos minutos depois, estávamos pousando novamente em Atenas, para algumas horas depois pegar o segundo voo a Mykonos.

Gastamos umas boas três horas no aeroporto de Atenas, a maior parte delas nos sofazinhos confortáveis de um McCafé do segundo andar. Íamos consumindo sempre alguma coisa de vez em quando – a única regra era não dormir no lugar, sob pena de ser acordado pelos empregados da limpeza. Aproveitei para ligar novamente para o sujeito da locadora de veículos e me tranquilizei quando ele disse que estava tudo certo e que não havia motivo para me preocupar: o carro já estava com ele, são e salvo - aliás, acrescentou, isso era normal e tranquilo de fazer nas ilhas gregas.

Já por volta das 11h da manhã, embarcamos para Mykonos e dessa vez chegamos ainda mais rápido: 35 minutos de viagem, apenas. Infelizmente, a previsão do tempo não errou e tivemos um dia bem nublado, mais friozinho que os últimos, e até mesmo uma garoazinha fina nos esperava no desembarque.

19/07/2011

PAlegre ao vivo

Se você é usuário do aeroporto Salgado Filho, em POA; é aficionado em aviação ou simplesmente quer informações bem atualizadas sobre destinos, companhias aéreas ou aeronaves, vale dar uma passada no blog http://palegreaovivo.blogspot.com

O pessoal do blog fez posts bem aprofundados sobre os novos voos da TAP, da Copa e as perspectivas para o futuro "próximo" nesse aeroporto.

17/07/2011

Santorini: Fira

Fira é a capital da ilha de Santorini e o seu maior centro urbano. Fica bem no meio da "meia lua" formada pela ilha e está à beira do penhasco, com a baía toda à sua frente.
Não tem a mesma beleza de Oía (mal acostumado!!!), mas mesmo assim vale a pena dedicar uma tarde para conhecê-la. Ali podem ser encontrados a preços mais camaradas lembrancinhas de viagem e lojas com itens normais que possam ser necessários durante a passagem pela ilha.

A maior parte dos restaurantes e hotéis se concentram na cidadezinha, assim como a maior parte das (poucas) opções noturnas de Santorini.
Basta parar um pouquinho numa das ruelas da cidade para observar os burros, que como eu disse, são o símbolo de Santorini, passando para lá e para cá, carregando carga de verdade desde o porto lá embaixo, ou turistas a passeio.

O burro era a única opção de transporte do porto velho até a cidade, mas hoje em dia quem chega de barco atraca no porto novo, mais ao sul, e sobe de táxi ou de ônibus. Quem chega em barcos menores ainda pode atracar no porto de Fira, mas tem um teleférico como opção de subida aos burros.

14/07/2011

Santorini: Antiga Thira


A Antiga Thira é um sítio arqueológico localizado num dos pontos mais altos de Santorini, entre as praias de Kamari e Perissa. Como é uma área protegida, cobra-se ingresso para visitar o local (não mais do que 4 euros por pessoa) e deve-se observar horários de abertura (geralmente das 9h da manhã às 17h).

Ali ficava uma cidade que foi habitada entre os anos 900AC e 700, ou seja, tanto na era clássica da Grécia, como no período em que o Império Romano dominou a região. Era o centro mais importante da ilha e foi construído a mais de 300m acima do nível do mar por uma questão de segurança: dali era possível avistar embarcações inimigas se aproximando e construir mecanismos de defesa (desde muralhas até a possibilidade de jogar água ou óleo quente em quem estivesse subindo sem ser convidado).

A cidade foi abandonada depois de uma erupção relativamente pequena do vulcão submerso na baía de Santorini, mas que foi suficiente para cobrir o lugar com cinzas e detritos. Só no início do século XX é que pesquisadores alemães se interessaram pelo lugar e começaram a escavá-lo.

É possível fazer o passeio sem guia nenhum, com os folhetos explicativos que são distribuídos na bilheteria, mas também é comum ver grupos de 20 ou mais pessoas acompanhados por uma pessoa explicando a história do lugar.

Os itens mais interessantes são as capelas medievais construídas no período bizantino (mais recente) logo na entrada da cidadela, que ainda estão em pé; algumas rochas ornadas com imagens de animais com simbolismo religioso em altares sacramentais do tempo da Grécia Clássica; as ruínas do teatro, numa parte mais baixa e quase inacessível da cidade; resquícios dos banhos e das latrinas públicas, já no tempo dos romanos.
Por mais que as ruínas não empolguem muita gente, o passeio vale a pena pelas vistas impressionantes que se tem lá de cima. Em dias claros e com boa visibilidade, é possível avistar os pontos mais altos da ilha de Creta, dezenas de quilômetros ao sul. Uma visão de 360° de Santorini toda também é possível nos pontos mais altos.
Como quase não tem vegetação, e pela própria altura do lugar, venta muito lá e é bom levar casaco mesmo em dias de muito calor e sol.

Para quem está de carro, basta ir até a praia de Kamari e seguir as placas para a “Ancient Thera” ao sul da cidade. Quando as casas terminam, começa uma estrada em ziguezague montanha acima, toda asfaltada com concreto, que exige uns bons 8 minutos em primeira marcha, a menos de 30km/h.

Alguns corajosos até fazem o percurso a pé, mas certamente chegam lá mortos depois de uma meia hora de caminhada montanha acima, e aí vai faltar disposição para subir mais uns tantos metros por pedregulhos e escadas até o sítio propriamente dito.

11/07/2011

Santorini: Mais Oía


Oía teve boa parte de suas construções destruídas num terremoto na década de 50, por isso muita coisa do que se vê por lá atualmente foi construída já dentro de um projeto para o desenvolvimento do turismo local. Ou seja, a “perfeição” do lugar não é totalmente despropositada.
Como eu disse no post anterior, não há como circular de carro por dentro do vilarejo. Há apenas uns três estacionamentos públicos na área urbana, à esquerda da estrada que vem de Fira, por trás da cidade. É preciso catar algum canto para deixar o veículo e seguir a pé. Não dá para se perder, porque basicamente as ruelas acabam desembocando sempre na rua principal, que fica na parte mais alta de Oía, que forma uma “cascata” penhasco abaixo com as suas casas típicas.

Outra forma de chegar a Oía é de barco, através de um dos portos de pescadores. Segundo dizem por lá, aqueles portos são uns dos mais antigos do mundo em atividade contínua. Segundo os locais, há mais de 3000 anos se pesca por ali ininterruptamente. Do porto para o alto da cidade, assim como na capital da ilha, a forma mais tradicional de subir até o centro é no lombo de um burro (o burro, aliás, é o símbolo da ilha). Para quem não está no lombo de um, vale o lembrete: olhe bem para o chão para não enterrar o sapato num montinho verde e fedido deixado pelo caminho.

Oía não tem mais do que 1500 habitantes, por isso quase tudo é voltado para o turista mesmo. Mesmo assim, dá para perceber por alguns pequenos detalhes que existe “vida normal” por ali. A igreja matriz é um desses sinais.
O lugar não é muito diferente das demais igrejas ortodoxas gregas, mas uma entrada rápida revela um lugar bem cuidado, com avisos sobre festas, batizados e casamentos locais. Sempre há algumas senhoras com véu cobrindo a cabeça rezando a qualquer hora do dia.

Há bastante restaurantes, mas quase todos cobrando preços bem mais altos do que no resto da ilha. Existe uma taxa pública que se paga para a manutenção da cidade, além do imposto normal (I.V.A.) que encarece ainda mais as coisas.
Naqueles que têm vista para o pôr do sol, é comum exigir-se que a pessoa faça uma refeição completa para liberar a mesa. Se quiser só um drink ou um sorvete, por exemplo, são oferecidas mesas menos atrativas.
Nosso fim de tarde acabou acontecendo num terraço bem alto, coberto com pedacinhos de tecido branco e com uma vista bem legal, num café chamado Pelican, em que serviam sobremesas, sorvetes e cafés – tudo ao som de trilhas sonoras daquelas que criam clima para pedidos de casamento.
Definitivamente, se você está num mochilão com os amigos, é melhor procurar outro lugar!

08/07/2011

Santorini: Oía


Oía (pronuncia-se Ía) é uma cidadezinha no extremo norte de Santorini, que tem a fama de ter o pôr-do-sol mais belo do mundo.

A paisagem da cidade, tanto para quem vê de dentro, como para quem vê de fora, no mar, é das mais espetaculares que existem. Quase todos os ângulos revelam um cartão-postal diferente. Sem dúvida alguma, é um dos lugares mais bonitos em que já estive.
Ficar lá custa muito caro - o foco são casais em lua-de-mel dispostos a gastar muito dinheiro em pensões e hotéis butique, muitos construídos em antigas casas de família. O "must" é alugar um quarto com sacada privativa com vista para o pôr-do-sol.

Todas as tardes, centenas e centenas de pessoas (quando estivemos lá, havia muitos e muitos chineses) chegam de ônibus nas redondezas da cidade e se dispersam pelas ruelas por onde só passam pedestres (e burros de carga) para catar algum lugar favorável para esperar o pôr-do-sol. Antevendo o problema cada vez maior, já se fala inclusive em limitar a entrada diária de turistas na cidadela.
Observe as pessoas espremidas na muralha

Fomos duas vezes passar o fim de tarde por lá. Na primeira delas, chegamos um pouco depois das 17h, deixamos o carro num estacionamento público (surpreendentemente gratuito, como todos em Santorini) e fomos andando pelas ruelas, sem um objetivo específico.


Na primeira vez em que chegamos nos muros que dão a vista para o mar, a partir da rua mais central de Oía, tivemos uma daquelas sensações que valem a viagem por si só. A partir dali, foram descobertas e mais descobertas pelos cantinhos escondidos das cidades. Aqui e ali, algumas placas de "propriedade privada, não avance" interrompiam nossos planos, mas a vontade de buscar mais e melhores ângulos de visão nos tomou um bom tempo, até que pensamos em procurar algum lugar com terraço aberto para esperar a maior atração do local.