31/12/2011

FELIZ 2012


Feliz 2012 a todos! (Na foto, um dos lugares mais bonitos em que estive no ano que passou: Punta Tragara, em Capri)

29/12/2011

Europa no inverno - Parte III


Escolhido o roteiro (e eliminadas as grandes furadas, como falamos no post anterior), é hora de analisar alguns pontos positivos e negativos de uma viagem à Europa no inverno e chegar a uma conclusão:

PORQUE PODE SER UMA BOA OPÇÃO:

- o inverno na Europa coincide com o período em que as pessoas têm férias maiores aqui no Brasil (férias da faculdade ou da escola, férias para quem é professor, recessos de final de ano de empresas ou órgãos públicos que podem ser emendados com férias voluntárias, etc.) e isso permite viagens mais longas – como no Brasil poucos podem ser dar ao luxo de um gap year (ou ano sabático), esse fator costuma pesar muito para mochileiros de primeira viagem.

- preços de hospedagem mais em conta, sem necessidade de tanta antecipação nas reservas – as passagens aéreas não são tão baratas, porque esse período também é considerado de alta temporada, mas a hospedagem realmente fica mais em conta e há menos procura por reservas, o que permite maior flexibilidade (exceto nas regiões de esportes de inverno).
 
- oportunidade de ver e viver uma paisagem e um clima diferente – para muitos brasileiros, a neve e o frio em si são atrações que justificam uma viagem à Europa nesse período. As construções clássicas ficam ainda mais bonitas, as pessoas se vestem melhor, etc. Para não ficar frustrado, vale a pena verificar se realmente cai neve no lugar que você pretende visitar, porque senão vai só ver tempo nublado, chuvisco e temperaturas em torno dos 5°C.

- menos multidões – no inverno, é muito raro ver filas nas grandes atrações das cidades europeias, mesmo na Itália, um dos lugares que mais sofre desse mal. Como há muito menos gente, costuma-se entrar nas atrações quase que imediatamente após a chegada (exceto nos dias próximos do Natal e do Ano Novo). Para quem quer conhecer muitos museus e igrejas, é o melhor período.


 Vaticano sem stress


 Coliseu sem filas


 Galeria Ferrari só para você


 Torre de Pisa sem ninguém fazendo a foto típica na qual finge que segura a torre


 Campo do Ghetto Novo em Veneza sem nenhuma viva alma

- a gastronomia se torna mais interessante – com o clima mais frio, qualquer turista ou mochileiro se sente na obrigação de experimentar pratos típicos diferentes nos lugares por onde passa. Com o frio, tudo fica mais apetitoso e a cada hora dá vontade de entrar num café para tomar um chocolate quente com um bolo. No verão, o normal é as pessoas fazerem pequenos lanches durante o dia, para não atrapalhar o passeio, para economizar e porque no calor têm menos fome. 

PORQUE PODE SER UMA FURADA:

- porque ao ar livre é muito frio e chuvoso, e você não suporta o frio e a chuva
- porque há bem menos horas de sol por dia e às 5 da tarde, em muitos lugares, já está tudo escuro, dando menos vontade de aproveitar mais a viagem

- porque as atrações ficam abertas por menos tempo (basta ver nos folhetos e guias como no inverno museus, igrejas e parques ficam bem menos horas abertos)

- porque uns dois dias depois que neva, forma-se uma capa de gelo na calçada que te faz resvalar o tempo todo

 Teste suas habilidades andando de bike na neve

- porque há mais greves, protestos e outros atos que interrompem os serviços públicos no inverno do que no verão (não há nada de científico nisso, apenas minha percepção)

- porque você pode ficar preso num aeroporto, num porto ou numa estação ferroviária esperando um meio de transporte que simplesmente não funciona em condições de clima extremo e isso não é culpa de ninguém, a não ser de São Pedro

MAS, ANTES DE TERMINAR, ALGUNS ESCLARECIMENTOS:

Por mais que os pontos negativos impressionem bastante, é importante que se saiba de algumas coisas:

- a Europa em geral está muito mais bem preparada para as baixas temperaturas do que para as altíssimas temperaturas do verão. Isso significa que, a não ser que você escolha algum muquifo no interior da Transilvânia para parar no inverno, seu albergue contará com calefação e água quente nos chuveiros, criando um ambiente no qual você poderá deixar o casaco guardado assim que entrar lá dentro, em alguns casos ficando até mesmo de mangas curtas. O mesmo vale para museus e (sim!) até igrejas – quase tudo tem calefação e por isso é comum as pessoas deixarem os casacos numa saleta da entrada das atrações, pegando uma ficha para poder pegar o casado de volta na saída. Portanto, frio mesmo, só na rua.

- a chuva que comumente cai na Europa é bem mais fina que a nossa, típica de país tropical, estando mais para uma garoa do que para uma chuva propriamente dita. Na Dinamarca, por exemplo, vimos poucas pessoas usando guarda-chuva, mesmo com a “chuva” caindo, de tão fina. Se nevar, melhor ainda, pois aí mesmo que você não se molha. Basta dar uma batidinha que os flocos caem.

- não adianta esperar por milagres: vá bem preparado para as baixas temperaturas, seguindo a dica de usar sapatos adequados, várias camadas de roupas mais finas e justas e um casaco para cortar o vento por cima de tudo, luvas e alguma coisa para proteger a cabeça se for caminhar por muito tempo.

28/12/2011

Europa no inverno - Parte II

Uma viagem para a Europa durante o inverno pode ser muito legal, mas alguns cuidados iniciais devem ser tomados. 

A primeira regra, e talvez a mais importante, é a de evitar lugares que ficam praticamente “fechados” durante essa estação. Isso abrange uma série de regiões legais para se curtir em estações mais quentes, especialmente aquelas na costa do Mediterrâneo que não têm cidades grandes ou capitais. Dito isso, na minha opinião (e na de muita gente) é uma grande furada querer ir em dezembro, janeiro ou fevereiro para lugares como:

- Algarve (sul de Portugal)
- Ilhas Baleares, na Espanha (Ibiza, Maiorca, Formentera)
- Sardegna (Itália) e Córsega (França), duas ilhas no Mediterrâneo
- litoral da Croácia
- ilhas gregas
- litoral mediterrâneo da Turquia


Qual você prefere?

Em todos esses lugares, a beleza do mar e as praias são grande parte da atração – embora a neve seja incomum nessas regiões, o inverno não ajuda em nada com o vento frio, a chuva frequente, a água gelada e as ondas que inviabilizam muitas viagens de barco. Como há pouco movimento, algumas ligações de ferry boat são suspensas na baixa estação e muitas ilhas que não têm aeroporto só podem ser atingidas em frequências de uma vez por semana.

Em compensação, outros lugares se tornam ainda mais especiais no auge do inverno:

- a Islândia e o norte da Noruega e da Suécia são procurados por quem quer ver a aurora boreal (aquelas luzes verdes que aparecem no céu em regiões polares, quase só no inverno)
- quem é fã da Rússia diz que lá, apesar do frio ser muito forte, tudo fica ainda mais típico nessa época, além de ser alta temporada para espetáculos de arte
- toda a região dos Alpes, incluindo o sudeste da França, a metade sul da Suíça, o norte da Itália e boa parte da Áustria ficam lotadas de gente em busca de esportes de inverno – o mesmo vale para a região dos Pirineus, entre França e Espanha, com destaque para Andorra
- alguns lugares com fama de românticos, como Praga e Paris, ou belezas naturais como o Parque Nacional de Plitvice, na Croácia, transformam a paisagem em algo tão bonito (ou mais) que aquela visível nas demais estações

No mais, as grandes capitais da Europa continuam sua vida normal entre os meses de dezembro e fevereiro. Com a exceção de alguns períodos de recesso para as festas do Natal e do Ano Novo, a escolas estão funcionando, as empresas trabalhando a todo vapor, os campeonatos esportivos rolando e as atrações turísticas continuam abertas.


Metrópoles como Londres, Roma, Paris, Madrid, por exemplo, têm neve apenas algumas semanas por ano, se é que chegam a ter. Outras, como Berlim, Zurique, Amsterdam, Estocolmo e quase todas do Leste Europeu sofrem mais com a neve, mas mesmo assim continuam “funcionando” bem, exceto em grandes tempestades ou nevascas.
Por isso tudo, uma viagem para a Europa que inclua no roteiro apenas grandes capitais não fica prejudicada pela estação. Agora, se a ideia for sair um pouco mais dos roteiros mais conhecidos, é bom certificar-se de que realmente existe alguma coisa para se fazer por lá.

27/12/2011

Europa no inverno - Parte I

Sempre que me perguntam, costumo dizer que a melhor época do ano para viajar para a Europa é setembro, quando o calor do verão ainda não passou, mas as multidões já diminuíram um bocado. Entre a primavera e o outono, também costumo indicar o outono, por ser menos chuvoso, na maioria das vezes. No auge do verão, em julho, só fui uma vez, e apesar de ter sido uma experiência muito bacana, sofri um tanto com a falta de ar condicionado nos albergues e com enxurradas de turistas descendo de navios de cruzeiro gigantescos, tornando quase inviável qualquer passeio por pontos turísticos mais conhecidos entre as 10h e as 16h, com temperaturas tranquilamente passando dos 35°C.

Mas e o inverno?

Essa é sem dúvida a estação menos procurada pelos brasileiros que vão para lá, especialmente pelo fato de a maioria dos nossos compatriotas não estarem acostumados com o frio. Porém, volta e meia surgem discussões sobre se vale ou não vale a pena viajar nesse período. No último mês, aqui no blog mesmo, pelo menos dois mochileiros de primeira viagem me consultaram sobre o que eu achava de viagens programadas por eles para os meses de janeiro e fevereiro.

Já fui algumas vezes à Europa, mas em apenas uma delas estive naquele continente num período de inverno. Na verdade, embora tenha viajado “de mochila”, não fui para lá fazer “mochilão” daquela vez. 

Era janeiro de 2010 e uma prima minha que mora no centro-norte da Itália tinha tido uma filha. Decidi então levar minha mãe, sua madrinha, para visitá-la e conhecer a criança. Antes e depois da visita propriamente dita, aproveitaria para levá-la a alguns lugares que a interessassem, como Roma, Veneza e Amsterdam, esta última porque seria a nossa conexão de e para o Brasil. 

Reservei hotéis de redes internacionais conhecidas para as 9 noites que passamos lá, inclusive na cidade da minha prima, Imola, para não atrapalhar o casal com o filho recém-nascido. Consegui tarifas bem razoáveis em hotéis muito bons, nas redes Best Western e Mercure, por 45 euros em Imola, 85 euros em Roma, 80 euros em Amsterdam e 75 euros em Firenze – tudo para duas pessoas, em quartos com duas camas de solteiro, mas com café da manhã incluído em apenas 2 deles.


Apesar de ser uma viagem mais ao estilo “família”, acabei fazendo bastante passeios ao redor da região de Bologna e umas boas pernadas com a minha mãe em Roma e em Amsterdam.
É com base nessa experiência, portanto, que pretendo fazer uma análise de prós e contras de viajar para a Europa no inverno.

23/10/2011

Guias Lonely Planet em português

Começaram as campanhas publicitárias na internet, na TV e na mídia impressa para a divulgação de um produto que já era há muito esperado pela comunidade mochileira do Brasil: os primeiros guias da Lonely Planet em português. A responsabilidade pela edição é da Ed Globo.

A Lonely Planet é uma editora de livros de viagem de origem australiana, que começou publicando os relatos de viagem e as dicas de amigos australianos que percorreram o Sudeste Asiático nos anos 70 (até hoje o Southeast Asia on a Shoestring é um dos seus guias mais vendidos). Nos anos 90 eles deram seu grande salto e passaram a produzir programas para a TV e a cobrir praticamente todos os lugares visitáveis do mundo (inclusive com livros polêmicos sobre o Afeganistão e Myanmar). No final da década de 2000, a empresa foi comprada por uma subsidiária da BBC, da Inglaterra, e passou a agir dentro de uma estratégia mais comercial, ampliando a variedade de produtos.

Até então, os guias já tinham sido publicados em algumas línguas que não o inglês em situações pontuais. O espanhol, o alemão e o francês receberam versões de países mais procurados por cidadão falantes das respectivas línguas, mas algumas edições chegaram a ser inclusive descontinuadas, dando a impressão de que essa iniciativa não tinha dado certo.

Agora, aproveitando o bom momento que o Brasil vive na área do turismo internacional, e seguindo-se à publicação da revista Lonely Planet, que já circula em português há uns 2 anos, estão sendo lançados os guias em português para alguns países como Portugal e Argentina e para algumas cidades como Nova York, Praga, Istambul e Barcelona.

Ainda não tive a oportunidade de conhecer nenhum desses guias traduzidos, mas certamente comprarei algum para conferir. 

Não nego que sou fã desses guias (na sua versão original) e sempre que possível compro aquele que cobre o lugar por onde vou, ou ao menos o capítulo correspondente em PDF na página da empresa. Só quando a crítica a respeito de alguma edição é muito negativa e alternativas melhores se apresentam é que, com resistência, parto para outra opção.

21/10/2011

Voltaremos

Daqui uns dias retomo os posts, possivelmente na semana que vem, continuando com Uruguai (Punta del Este, da foto acima, viagens de carro pelo país), Portugal e Inglaterra!

16/10/2011

Aprendizado

Depois de muitos anos daquele mochilão em Buenos Aires e Montevideo, alguma coisa eu pude aprender e agora alertar aos marinheiros de primeira viagem:

- não chegue numa cidade totalmente estranha sem no mínimo ter reservado a primeira noite no lugar onde pretende dormir (ou ao menos se certifique de que o lugar em que pretende dormir estará efetivamente funcionando);

- não saia caminhando pelas ruas fora do circuito turístico no bairro de La Boca, a menos que queira fazer alguma experiência antropológica nos estratos menos favorecidos da população argentina ou simplesmente ser assaltado;

- não tente economizar dinheiro em transporte público caminhando dezenas e dezenas de quadras, numa cidade em que o táxi não custa mais do que alguns trocados por quilômetro rodado;

- não tente entender o sistema de ônibus urbano portenho: cada linha é operada por uma microempresa diferente, em ônibus que muitas vezes fazem você se sentir em Assunción ou na Bolívia e, para finalizar, não aceitam notas de dinheiro, só moedas;

- não tenha a brilhante ideia de ir para um jogo da seleção argentina sem ter um ingresso comprado com antecedência e com pessoas que sequer falem espanhol;

- quando a tropa de choque da polícia argentina se aproximar para “organizar” a fila na entrada do estádio, não tente dialogar e pedir-lhes informações;

- os albergues dos nossos hermanos não são dos mais organizados e limpinhos; vá preparado.

13/10/2011

Red Hostel e Centenario


Em janeiro de 2011, quando fui com mais três amigos ao Uruguai ver um jogo de pré-Libertadores, escolhemos ficar naquele que frequentemente é considerado como o melhor albergue de Montevideo – o Red Hostel.

O site dos caras na internet impressiona bastante e não tivemos muita dúvida, na comparação com outros que havia na cidade. Ao chegarmos, ficamos também bastante impressionados com a localização (uma rua arborizada bem ao lado do prédio da Prefeitura, a apenas uma quadra da Avenida 18 de Julio) e com o prédio em que o albergue funciona (um casarão de três andares, todo estiloso, com uma escadaria legal na entrada e um pátio interno em estilo espanhol, com um pé-direito bem alto e piso de tabuão.
No dia em que estivemos lá, obviamente, havia mais gremistas como nós do que gringos se hospedando no lugar, mas mesmo assim pudemos ver que é um lugar que sempre tem gente de fora. As áreas de uso comum são bem bacanas e um dos maiores atrativos é a cobertura, que tem redes de dormir estendidas, churrasqueiras e mesinhas com bancos para vários grupos. Lá em cima, também, é servido o café da manhã.
O albergue tinha tudo para ser um dos melhores do mundo (lembra-me aqueles de Lisboa, que são sempre classificados no topo das listas do Hostelworld), não fosse o relaxamento dos proprietários em relação aos banheiros e a falta de ventilação adequada e de ar condicionado nos dormitórios. Os banheiros são dos piores que já vi em albergues, com pouco ou nenhum lugar para pendurar as coisas enquanto se toma banho, box que deixam a água de um passando pelos pés dos outros (reze para o vizinho de box não aderir à campanha do xixi no banho!) e chuveiros meio podres, com água quente que fica indo e vindo. Com relação aos quartos, como disse, a ventilação/refrigeração é o problema. Era janeiro e o calor era insuportável. Para fazer frente a isso, só um ventiladorzinho chinês fraquinho, disputado pelos seis ocupantes de três beliches. O Diego, que estava comigo, conta que levantou no meio da noite, encharcou uma toalha com água fria e deixou-a por cima do peito para conseguir dormir.

Embora não seja nada de matar, o café da manhã não é dos mais fortes, com apenas algumas bananas, pão de sanduíche, doce de leite e margarina, além de uns frios meio ruins.

Como era só um dia, serviu apenas para darmos risada, mas recomendaria que a pessoa não se hospedasse por lá no auge do verão e fosse preparada para o banho.

Para nós, a localização do albergue se revelou ainda melhor, porque a sede da federação uruguaia de futebol ficava a apenas uma quadra dali, por isso pudemos comprar nossos ingressos para o jogo com tranquilidade e sem nem precisar pegar o carro.

O jogo, contra a equipe do Liverpool, estava marcado para o Estadio Centenario, aquele mesmo da final da primeira Copa do Mundo, em 1930.

Não dava para ir a pé, porque senão levaríamos pelo menos uns 30 minutos caminhando, e por isso pegamos um táxi que nos deixou quase no portão do estádio. A torcida do time local, muito diminuta, quase nem se fazia notar. Em compensação, estava cheio de ônibus fretados vindos do Rio Grande do Sul e uma verdadeira galera esperando o início do jogo.

Apesar dos esforços e de pernadas num raio de duas quadras do estádio para vários lados, não encontramos nenhum lugar vendendo cerveja. As opções de comida, também, não eram muitas e onde havia alguém vendendo um pancho tinha uma fila gigante de gente esperando o seu.

O Estádio Centenário fica no meio de um parque que era considerado, alguns anos atrás, como uma das áreas mais nobres da cidade. Um dos monumentos mais conhecidos de Montevideo, uma escultura de um carreto puxada por vários pares de bois, fica ali no meio, no alto de um morrinho artificial. Várias embaixadas ficam na avenida entre ele e a estação rodoviária de Tres Cruces. Hoje em dia, o parque está meio descuidado, assim como o próprio estádio, que merecia uma reforma.
Há um museuzinho da história do futebol e da Copa, mas que estava fechado no horário próximo ao jogo.

Na hora do jogo, tudo tranquilo. Entramos por um lado separado da torcida local, que só começou a chegar depois de iniciada a partida. Até houve algumas provocações entre as torcidas, num ponto em que elas ficavam mais próximas, as quais deram algum trabalho para a polícia uruguaia, mas em relação a nós, nenhum problema.
Na hora da saída, como as únicas opções de transporte para quem dormiria na cidade se resumiam a táxi, levamos algum tempo para conseguir um carro – e isso só depois de nos afastarmos umas três quadras dali.

10/10/2011

Dia do Patrimônio


Na vez em que fui a Montevideo com minha namorada, só para passar um feriadão logo após o final do inverno, tivemos a grata surpresa de descobrir, já naquela cidade, que estávamos exatamente no “Dia do Patrimônio”, uma espécie de feriado cívico nacional, em que quase todos os prédios públicos são abertos para visitação da população sem nenhum custo, com visitas guiadas.

Aproveitamos a oportunidade para conhecer vários lugares que, por si só, não estariam em nossos planos.

Logo depois do café da manhã, fomos ao Museu Militar que fica no Cerro de Montevideo, no bairro também conhecido como “Cerro”, do outro lado da baía. Poucas pessoas que vêm à cidade visitam esse lugar e até mesmo são desestimuladas pelos que trabalham nos hotéis a irem até esse lugar. Mesmo assim, por já ter visto fotografias de amigos que passaram por lá, decidi que queria conhecer.

Para chegar, precisa-se tomar a avenida que dá acesso às Rutas 1 e 5 (saídas para Colonia e Rivera) e, logo depois que a rota se afasta da baía, tomar a direção do Cerro, num entroncamento. O bairro todo é bastante humilde e é todo estruturado quase como uma COHAB. Como era sábado, ainda havia várias ferinhas populares trancando partes das ruas, muitas delas de calçamento ou mesmo de chão batido. Só depois, na volta, é que descobrimos que pela Calle Grecia poderíamos ter ido com asfalto todo o percurso.
No final da rua, está o acesso ao cerro, por uma estradinha em ziguezague morro acima. Lá, uma fortificação toda branca, com canhões de ferro apontados para o mar e guardado por militares, sedia o museu. 
Depois de um passeio pelos mirantes, nos cantos do forte, conhecemos o interior do museu, que preserva celas onde foram feitos prisioneiros de guerra e itens históricos, que contam a chegada dos “33 Orientales” que vieram de barco da Argentina para a insurreição contra o domínio brasileiro e a consequente independência do Uruguai, em meados da década de 1820.
Na volta ao centro, vimos que o prédio do Congresso Nacional também estava aberto e tratamos de estacionar ali perto, para conhecê-lo.
Nunca imaginei que, sendo um país unitário, o Uruguai tivesse um Senado, mas tem. São duas as casas legislativas no prédio, portanto: uma câmara de deputados e um senado. O prédio tem um estilo bem tradicional, com salas amplas e de pé-direito alto, poltronas de madeira escura estofadas com veludo e muitos detalhes em dourado, com pinturas históricas nas paredes. Ali, para evitar “danos ao patrimônio”, o passeio era guiado e o acesso restrito por algumas cordas. 
Além dos salões, pode-se ver também objetos como a mesa onde foi assinada a primeira Constituição uruguaia e outras relíquias.
No dia do patrimônio, o teatro Solís também estava com entrada gratuita, mas como tínhamos feito a visitação no dia anterior, acabamos perdendo a “oferta”.

08/10/2011

Ramblas e Pocitos


Montevideo é conhecida, dentre outras coisas, por suas ramblas – avenidas à beira do Rio da Prata, com amplos calçadões para caminhadas, que se estendem desde o porto, na Cidade Velha, até os bairros nobres entre Pocitos e Carrasco, este último já perto do aeroporto internacional.

São quilômetros e quilômetros de calçadões ao longo de praias que recebem diversos nomes, sempre cheias de gente tomando mate, correndo, passeando com o cachorro ou simplesmente namorando. 
As partes mais próximas do centro antigo estão um pouco abandonadas, com muitas pichações e bastante coisa quebrada. A situação melhora mais ou menos a partir da região onde fica o Hotel Ibis de Montevideo, que foi onde me hospedei quando fui com minha namorada (tarifas de US$ 49 em 2008!!) e chega no auge da agitação em frente à praia e ao bairro de Pocitos, onde há clubes náuticos, restaurantes e equipamentos para exercícios.
 
No início do século XX, essas praias eram o que havia de mais chique para a sociedade local e da Argentina, pois ainda sequer haviam sido “inventadas” Punta del Este e Piriapolis. Para quem tem na cabeça a imagem de praia como um lugar com um mar azulzinho e ondas, vai ficar meio sem entender qual é a graça de uma praia na frente de um rio meio marrom, só com uma marolinha.

Não muito longe do Hotel Ibis e também em frente às ramblas, fica a sede do Mercosul, um prédio de um duvidoso estilo mourisco, que até onde sei não permite visitação interna.
Pertinho dali também fica o Parque Rodo, que tem parque de diversões e também é usado por famílias para passeios, especialmente nos finais de semana. 

Um pouco mais para dentro do bairro de Pocitos, nas suas extremidades, ficam dois dos maiores shoppings da cidade, o Punta Carretas Shopping e o Montevideo Shopping – nenhum dos dois com nada espetacular.

Alguns quilômetros depois, no bairro de Carrasco, o Cassino de Montevideo, num prédio tradicional da primeira metade do século XX, também vale uma visita.

05/10/2011

Centro Velho de Montevideo


O centro velho de Montevideo, que também é o seu cartão-postal, começa na Plaza Independencia, aquela onde fica a grande estátua do General Artigas a cavalo e o prédio que foi o mais alto da América Latina quando construído, e vai até o porto. É exatamente a ponta da península em que Montevideo foi construída e, no passado, era delimitado por muralhas fortificadas, das quais só resta uma única lembrança: um dos portões de acesso, em frente ao calçadão que dá acesso à Catedral a partir da praça da Independência.

Debaixo da praça, fica o memorial onde está enterrado o General Artigas, permanentemente guardado por militares com fardas cerimoniais, que também cuidam de uma chama sempre acesa. Confesso que da primeira vez em que estive no lugar, não tinha atinado que se tratava de um memorial subterrâneo (achei que as escadarias davam acesso a um banheiro público).
De qualquer forma, não pude conhecê-lo quando cheguei lá sozinho, vindo de Buenos Aires, porque estava ocorrendo a visita oficial de um casal de príncipes do Japão. Só quando voltei em 2008 é que desci a primeira vez.

Tirando o memorial, na praça a única atração é o prédio que é o símbolo daquela parte da cidade, que não anda muito bem cuidado, mas faz uma bela foto à distância.

A Presidência da República fica ali também, ao lado da praça, mas não passa de um prédio com uma fachada um pouco parecida com a do Teatro Solís, bem mais interessante e apenas uma quadra ao lado. Não há como deixar de notar, entretanto, a feiura de um prédio de ministérios que deve ter sido construído nos anos 60 e que hoje em dia parece apenas uma sequencia interminável de aparelhos de ar condicionado bem velhos e enferrujados irregularmente colocados em quase todos os andares e salas, com a parte de trás dando para a praça.

No lado oposto à Presidência fica o Hotel Radisson, que tem um dos maiores cassinos de Montevideo em sua parte de trás. Já fui ali num sábado à noite com minha namorada, mas achei um ambiente bem trash. O que mais vi foi um monte de chineses sozinhos jogando nas mesas e nas máquinas, um pessoal meio deprimido tentando a sorte nos caça-níqueis e uns flanelinhas do lado de fora tentando descolar um troco de quem estacionava por ali.

Já a visita ao interior do Teatro Solís vale muito a pena. Demos sorte de chegar na cidade exatamente uma semana depois que ele havia sido reinaugurado, depois de uma reforma de dois anos, que lhe acrescentou uma sala de exposições e um ambiente adicional para ensaios.

As visitas saíam de hora em hora, por isso matamos tempo num café em frente, até que começasse o tour guiado. Embora não seja tão interessante quando o Teatro Colón, o exemplar uruguaio não faz feio e tem muitos detalhes bem preservados que o colocam dentre os grandes da América Latina.

A Catedral de Montevideo, que fica numa outra praça a duas quadras da Plaza Independencia, não chama tanto a atenção. A sua frente é quase toda encoberta por árvores que estão precisando de uma poda e de uma organizada. O estilo é bem sóbrio e me lembrou algumas igrejas que já vi no Peru.

Da praça da Catedral até o porto, as ruas, casas e prédios estão bem degradados e não se aconselha, inclusive, que se percorra a pé, principalmente à noite. Há alguns vagabundos andando para lá e para cá, à espera de um momento bobeira, e alguns lugares com cara de zona de prostituição camufladas. 

Apesar das advertências, atravessamos, eu e minha namorada, esse trecho até o Mercado Público, este sim a maior atração de Montevideo, em minha opinião.

O Mercado ainda conserva bastante de sua estrutura original, quase toda de ferro, com um relógio bonito, dois andares e toldos estendidos para o lado de fora. Mas, ao contrário do que ainda se vê em outros lugares, quase não tem mais nenhuma banca de venda de produtos – quase tudo está tomado por restaurantes, principalmente especializados em parrilladas e em frutos do mar. 

Os restaurantes são muito bons, alguns são os melhores da cidade e consequentemente do país. Mas, é bom avisar, não são baratos. Se a ideia é só aproveitar o lugar sem esbanjar, o melhor é pegar algum do lado de dentro, porque aqueles com cadeiras do lado de fora são os que mais cobram.
 
Em janeiro de 2011, quando estive na cidade para ver o jogo do Grêmio, esse acabou sendo o ponto de encontro de muita gente que veio por conta própria ou que já estava no país passando o verão. Entre as 11h e as 15h, o lugar ficou quase completamente “azul”.

Logo em frente ao Mercado, fica o Porto de Montevideo, área de acesso restrito e sem interesse turístico. Ao redor, porém, ficam várias banquinhas de souvenir e artistas de rua, tentando aproveitar o movimento.