31/12/2011

FELIZ 2012


Feliz 2012 a todos! (Na foto, um dos lugares mais bonitos em que estive no ano que passou: Punta Tragara, em Capri)

29/12/2011

Europa no inverno - Parte III


Escolhido o roteiro (e eliminadas as grandes furadas, como falamos no post anterior), é hora de analisar alguns pontos positivos e negativos de uma viagem à Europa no inverno e chegar a uma conclusão:

PORQUE PODE SER UMA BOA OPÇÃO:

- o inverno na Europa coincide com o período em que as pessoas têm férias maiores aqui no Brasil (férias da faculdade ou da escola, férias para quem é professor, recessos de final de ano de empresas ou órgãos públicos que podem ser emendados com férias voluntárias, etc.) e isso permite viagens mais longas – como no Brasil poucos podem ser dar ao luxo de um gap year (ou ano sabático), esse fator costuma pesar muito para mochileiros de primeira viagem.

- preços de hospedagem mais em conta, sem necessidade de tanta antecipação nas reservas – as passagens aéreas não são tão baratas, porque esse período também é considerado de alta temporada, mas a hospedagem realmente fica mais em conta e há menos procura por reservas, o que permite maior flexibilidade (exceto nas regiões de esportes de inverno).
 
- oportunidade de ver e viver uma paisagem e um clima diferente – para muitos brasileiros, a neve e o frio em si são atrações que justificam uma viagem à Europa nesse período. As construções clássicas ficam ainda mais bonitas, as pessoas se vestem melhor, etc. Para não ficar frustrado, vale a pena verificar se realmente cai neve no lugar que você pretende visitar, porque senão vai só ver tempo nublado, chuvisco e temperaturas em torno dos 5°C.

- menos multidões – no inverno, é muito raro ver filas nas grandes atrações das cidades europeias, mesmo na Itália, um dos lugares que mais sofre desse mal. Como há muito menos gente, costuma-se entrar nas atrações quase que imediatamente após a chegada (exceto nos dias próximos do Natal e do Ano Novo). Para quem quer conhecer muitos museus e igrejas, é o melhor período.


 Vaticano sem stress


 Coliseu sem filas


 Galeria Ferrari só para você


 Torre de Pisa sem ninguém fazendo a foto típica na qual finge que segura a torre


 Campo do Ghetto Novo em Veneza sem nenhuma viva alma

- a gastronomia se torna mais interessante – com o clima mais frio, qualquer turista ou mochileiro se sente na obrigação de experimentar pratos típicos diferentes nos lugares por onde passa. Com o frio, tudo fica mais apetitoso e a cada hora dá vontade de entrar num café para tomar um chocolate quente com um bolo. No verão, o normal é as pessoas fazerem pequenos lanches durante o dia, para não atrapalhar o passeio, para economizar e porque no calor têm menos fome. 

PORQUE PODE SER UMA FURADA:

- porque ao ar livre é muito frio e chuvoso, e você não suporta o frio e a chuva
- porque há bem menos horas de sol por dia e às 5 da tarde, em muitos lugares, já está tudo escuro, dando menos vontade de aproveitar mais a viagem

- porque as atrações ficam abertas por menos tempo (basta ver nos folhetos e guias como no inverno museus, igrejas e parques ficam bem menos horas abertos)

- porque uns dois dias depois que neva, forma-se uma capa de gelo na calçada que te faz resvalar o tempo todo

 Teste suas habilidades andando de bike na neve

- porque há mais greves, protestos e outros atos que interrompem os serviços públicos no inverno do que no verão (não há nada de científico nisso, apenas minha percepção)

- porque você pode ficar preso num aeroporto, num porto ou numa estação ferroviária esperando um meio de transporte que simplesmente não funciona em condições de clima extremo e isso não é culpa de ninguém, a não ser de São Pedro

MAS, ANTES DE TERMINAR, ALGUNS ESCLARECIMENTOS:

Por mais que os pontos negativos impressionem bastante, é importante que se saiba de algumas coisas:

- a Europa em geral está muito mais bem preparada para as baixas temperaturas do que para as altíssimas temperaturas do verão. Isso significa que, a não ser que você escolha algum muquifo no interior da Transilvânia para parar no inverno, seu albergue contará com calefação e água quente nos chuveiros, criando um ambiente no qual você poderá deixar o casaco guardado assim que entrar lá dentro, em alguns casos ficando até mesmo de mangas curtas. O mesmo vale para museus e (sim!) até igrejas – quase tudo tem calefação e por isso é comum as pessoas deixarem os casacos numa saleta da entrada das atrações, pegando uma ficha para poder pegar o casado de volta na saída. Portanto, frio mesmo, só na rua.

- a chuva que comumente cai na Europa é bem mais fina que a nossa, típica de país tropical, estando mais para uma garoa do que para uma chuva propriamente dita. Na Dinamarca, por exemplo, vimos poucas pessoas usando guarda-chuva, mesmo com a “chuva” caindo, de tão fina. Se nevar, melhor ainda, pois aí mesmo que você não se molha. Basta dar uma batidinha que os flocos caem.

- não adianta esperar por milagres: vá bem preparado para as baixas temperaturas, seguindo a dica de usar sapatos adequados, várias camadas de roupas mais finas e justas e um casaco para cortar o vento por cima de tudo, luvas e alguma coisa para proteger a cabeça se for caminhar por muito tempo.

28/12/2011

Europa no inverno - Parte II

Uma viagem para a Europa durante o inverno pode ser muito legal, mas alguns cuidados iniciais devem ser tomados. 

A primeira regra, e talvez a mais importante, é a de evitar lugares que ficam praticamente “fechados” durante essa estação. Isso abrange uma série de regiões legais para se curtir em estações mais quentes, especialmente aquelas na costa do Mediterrâneo que não têm cidades grandes ou capitais. Dito isso, na minha opinião (e na de muita gente) é uma grande furada querer ir em dezembro, janeiro ou fevereiro para lugares como:

- Algarve (sul de Portugal)
- Ilhas Baleares, na Espanha (Ibiza, Maiorca, Formentera)
- Sardegna (Itália) e Córsega (França), duas ilhas no Mediterrâneo
- litoral da Croácia
- ilhas gregas
- litoral mediterrâneo da Turquia


Qual você prefere?

Em todos esses lugares, a beleza do mar e as praias são grande parte da atração – embora a neve seja incomum nessas regiões, o inverno não ajuda em nada com o vento frio, a chuva frequente, a água gelada e as ondas que inviabilizam muitas viagens de barco. Como há pouco movimento, algumas ligações de ferry boat são suspensas na baixa estação e muitas ilhas que não têm aeroporto só podem ser atingidas em frequências de uma vez por semana.

Em compensação, outros lugares se tornam ainda mais especiais no auge do inverno:

- a Islândia e o norte da Noruega e da Suécia são procurados por quem quer ver a aurora boreal (aquelas luzes verdes que aparecem no céu em regiões polares, quase só no inverno)
- quem é fã da Rússia diz que lá, apesar do frio ser muito forte, tudo fica ainda mais típico nessa época, além de ser alta temporada para espetáculos de arte
- toda a região dos Alpes, incluindo o sudeste da França, a metade sul da Suíça, o norte da Itália e boa parte da Áustria ficam lotadas de gente em busca de esportes de inverno – o mesmo vale para a região dos Pirineus, entre França e Espanha, com destaque para Andorra
- alguns lugares com fama de românticos, como Praga e Paris, ou belezas naturais como o Parque Nacional de Plitvice, na Croácia, transformam a paisagem em algo tão bonito (ou mais) que aquela visível nas demais estações

No mais, as grandes capitais da Europa continuam sua vida normal entre os meses de dezembro e fevereiro. Com a exceção de alguns períodos de recesso para as festas do Natal e do Ano Novo, a escolas estão funcionando, as empresas trabalhando a todo vapor, os campeonatos esportivos rolando e as atrações turísticas continuam abertas.


Metrópoles como Londres, Roma, Paris, Madrid, por exemplo, têm neve apenas algumas semanas por ano, se é que chegam a ter. Outras, como Berlim, Zurique, Amsterdam, Estocolmo e quase todas do Leste Europeu sofrem mais com a neve, mas mesmo assim continuam “funcionando” bem, exceto em grandes tempestades ou nevascas.
Por isso tudo, uma viagem para a Europa que inclua no roteiro apenas grandes capitais não fica prejudicada pela estação. Agora, se a ideia for sair um pouco mais dos roteiros mais conhecidos, é bom certificar-se de que realmente existe alguma coisa para se fazer por lá.

27/12/2011

Europa no inverno - Parte I

Sempre que me perguntam, costumo dizer que a melhor época do ano para viajar para a Europa é setembro, quando o calor do verão ainda não passou, mas as multidões já diminuíram um bocado. Entre a primavera e o outono, também costumo indicar o outono, por ser menos chuvoso, na maioria das vezes. No auge do verão, em julho, só fui uma vez, e apesar de ter sido uma experiência muito bacana, sofri um tanto com a falta de ar condicionado nos albergues e com enxurradas de turistas descendo de navios de cruzeiro gigantescos, tornando quase inviável qualquer passeio por pontos turísticos mais conhecidos entre as 10h e as 16h, com temperaturas tranquilamente passando dos 35°C.

Mas e o inverno?

Essa é sem dúvida a estação menos procurada pelos brasileiros que vão para lá, especialmente pelo fato de a maioria dos nossos compatriotas não estarem acostumados com o frio. Porém, volta e meia surgem discussões sobre se vale ou não vale a pena viajar nesse período. No último mês, aqui no blog mesmo, pelo menos dois mochileiros de primeira viagem me consultaram sobre o que eu achava de viagens programadas por eles para os meses de janeiro e fevereiro.

Já fui algumas vezes à Europa, mas em apenas uma delas estive naquele continente num período de inverno. Na verdade, embora tenha viajado “de mochila”, não fui para lá fazer “mochilão” daquela vez. 

Era janeiro de 2010 e uma prima minha que mora no centro-norte da Itália tinha tido uma filha. Decidi então levar minha mãe, sua madrinha, para visitá-la e conhecer a criança. Antes e depois da visita propriamente dita, aproveitaria para levá-la a alguns lugares que a interessassem, como Roma, Veneza e Amsterdam, esta última porque seria a nossa conexão de e para o Brasil. 

Reservei hotéis de redes internacionais conhecidas para as 9 noites que passamos lá, inclusive na cidade da minha prima, Imola, para não atrapalhar o casal com o filho recém-nascido. Consegui tarifas bem razoáveis em hotéis muito bons, nas redes Best Western e Mercure, por 45 euros em Imola, 85 euros em Roma, 80 euros em Amsterdam e 75 euros em Firenze – tudo para duas pessoas, em quartos com duas camas de solteiro, mas com café da manhã incluído em apenas 2 deles.


Apesar de ser uma viagem mais ao estilo “família”, acabei fazendo bastante passeios ao redor da região de Bologna e umas boas pernadas com a minha mãe em Roma e em Amsterdam.
É com base nessa experiência, portanto, que pretendo fazer uma análise de prós e contras de viajar para a Europa no inverno.