31/05/2012

De volta à Espanha


Embora a Espanha tenha sido o primeiro país que conheci na Europa, ainda em setembro de 2006, e um dos que, sem dúvida alguma, mais gostei, de todos pelos quais passei, ainda não tinha merecido uma nova visita minha até o mês de março de 2012. Nesse período todo, já tinha estado mais de uma vez em Portugal, na Alemanha, em Paris, em Amsterdam e na Itália, por exemplo, mas nunca voltado a solo espanhol.

No final daquele mês, aproveitei a oportunidade de ter um amigo bastante próximo, o Harold (que inclusive participou do mochilão pelos Bálcãs), morando lá para fazer um mestrado numa faculdade local, e voltar a visitar o país. Fui sem grandes objetivos turísticos, mais pela visita ao amigo do que para qualquer outra coisa, mas sabia que o simples fato de estar numa região como a Andaluzia já me traria boas experiências.

Como a Semana Santa, na Espanha, é um feriadão de ponta a ponta, ele teria vários dias para fazermos juntos alguns passeios por lugares mais distantes. As aulas terminariam na sexta, antes do domingo de Ramos, e só voltariam na segunda, depois da Páscoa, totalizando 8 dias de folga. Decidimos, depois de analisar vários possíveis roteiros, que iríamos para o Marrocos passar 5 dias a partir da segunda-feira da Semana Santa, aproveitando um voo recém inaugurado da RyanAir ligando Sevilha e Marrakesh sem escalas, com apenas 1h10 de duração. Com esses 5 dias fora, eu ainda teria três dias úteis na semana anterior para conhecer  a Andaluzia sozinho, enquanto ele assistia às aulas, mais o sábado e o domingo para curtir Sevilha com ele e com mais um terceiro amigo, o Achilles, que chegaria naquele mesmo final de semana para ir ao Marrocos conosco.

Eu cheguei a Sevilha na quarta-feira da semana antes da Semana Santa, num voo vindo de Lisboa, com a TAP. Tinha feito a imigração, sem problema algum, em Portugal, e embarquei pontualmente no minúsculo avião de 26 passageiros que liga a capital portuguesa à capital andaluz umas duas vezes por dia.

O Harold foi me esperar no aeroporto e, depois de um trajeto de cerca de meia hora de ônibus urbano, já estávamos no centro de Sevilha, onde ele tinha um apartamento alugado para seu período de 6 meses no país. Embora não estivesse dentro do “casco” histórico, o lugar era muito bem localizado logisticamente: está a meio caminho entre duas estações de da única linha de metrô da cidade (a estação San Bernardo, que também é estação de trem regional e Altavia, e a estação Prado de San Sebastian); a poucos passos de uma parada do bonde elétrico novinho folha que leva para dentro do centro histórico da cidade, com terminal no Archivo de Índias, em frente à Catedral de Sevilha; a uma quadra do terminal de ônibus do Prado de San Sebastian e a apenas 15 minutos de caminhada das principais atrações turísticas da cidade.

Depois de abrir a mochila e tomar um banho, para tirar a nhaca da viagem, saímos para almoçar ali por perto, num horário que para os espanhóis ainda é muito cedo: cerca de 13h30. O normal, por lá, é almoçar às 15h. A janta é degustada por volta das 22h30 e, no dia seguinte o café da manhã (quando existe) sai lá pelas 11h. Praticamente conseguíamos manter o fuso horário brasileiro para efeitos de refeições, mesmo estando num fuso de 4 horas a mais que no Brasil.

Já nesse primeiro dia, ele foi me passando suas impressões da cidade e da região, que seriam confirmadas nos dias seguintes: um lugar relativamente pequeno (Sevilha tem apenas 700 mil habitantes), com muito senso de comunidade e de poucos imigrantes, ainda desconhecido da maioria dos brasileiros (que ficam apenas em Barcelona, Madrid e Ibiza), mas que guarda o melhor de quase todos os estereótipos espanhóis: as melhores tapas, as melhores touradas, o melhor flamenco, os legados muçulmanos e ciganos na Espanha, as maiores procissões religiosas e uma vontade impressionante de curtir a vida na rua, tomando chopp a qualquer hora do dia, em pé, nas centenas de barzinhos espalhadas pelo centro histórico. De quebra, a cidade está a uma ou duas horas de trem de praias que ficam lotadas de turistas europeus em busca de sol (praias ao redor de Málaga, Cádiz, Alicante, etc.) e a duas horas da estação de esqui mais meridional da Europa, na Sierra Nevada, ao lado de Granada.

 Arquitetura árabe nos palácios
 Uma banda chegando na frente da Arena de Touros
 Uma dançarina de flamenco durante apresentação
Um nazareno vestido para procissão na Semana Santa

Assim como a Baviera representa a Alemanha em todos os seus traços mais típicos (turisticamente falando) e a Sicília representa a Itália, a Andaluzia (e Sevilha, especificamente) representa a Espanha, embora isso valha tanto para o bem como para o mal. Ela tem o melhor do que o país tem a oferecer a turistas, mas também tem taxas de desemprego que são das mais altas do país, uma pobreza econômica que só não é pior que a da região da Estremadura e um calor que, no verão, torna insuportável a vida de alguém que pretenda ficar batendo perna para aproveitar ao máximo as atrações turísticas, pois frequentemente chega aos 45ºC, principalmente quando sopra uma onda de calor dos desertos africanos.

Por isso tudo, o lugar é melhor visitado em estações intermediárias, entre os meses de março e maio, e de setembro a novembro, e com um ritmo que permita viver as experiências que a cidade oferece. Exatamente por essa razão, uma viagem completa pela Andaluzia exige um planejamento que coloque a Semana Santa, ou a Feria de Abril, ou a temporada de touradas no roteiro (ou uma temporada de praia). O lugar não é mais bonito ou mais fotogênico que muitos outros que existem na Europa, mas é um lugar para se viver essas experiências tipicamente espanholas como nenhum outro.

Se não for para lá com essa mentalidade, de viver as experiências, é possível que o visitante volte dizendo apenas que é um lugar muito seco, sem grande atrativos naturais, com palácios que depois de um tempo parecem todos muito iguais (a arquitetura mudéjar e muçulmana se revela nos detalhes), com serviços meio ineficientes. Se a pessoa não gosta de flamenco ou tem ojeriza a touradas, então, voltará indignada, porque isso está profundamente arraigado na cultura local.

Já antecipo, porém, que para o meu gosto, Sevilha é um dos melhores lugares para se passar alguns meses na Europa que eu já conheci.

29/05/2012

Índice de viagens


O blog já completou 4 anos de existência e a maior parte das viagens que já fiz já mereceram posts a seu respeito. No entanto, ainda tenho bastante coisa para contar.

Recapitulando meus 10 últimos anos, desde a época em que era estagiário, até o mês atual, as minhas andanças foram as seguintes:

- dezembro de 2002 a janeiro de 2003 (recesso de fim de ano): 19 dias de mochilão com 3 amigos conhecendo a Bolívia, o sul Peru, o norte do Chile e passando na volta pelo norte da Argentina (posts publicados entre fevereiro e abril de 2008);

- novembro de 2003: Buenos Aires e Montevideo: 6 dias sozinho aproveitando o período entre o fim das aulas e a espera pela defesa da monografia (posts publicados entre setembro e outubro de 2011, misturados com outras visitas posteriores a essas mesmas cidades);

- dezembro de 2005 (recesso de fim de ano): 7 dias de mochilão sozinho por Misiones (Argentina), Paraguai e o Chaco argentino (posts ainda não publicados);

- fevereiro de 2006: 5 dias de feriadão de Carnaval em Buenos Aires e Mar Del Plata, com 1 amigo, para ver show dos Rolling Stones e curtir a praia (experiências em Buenos Aires misturadas nos posts de agosto/setembro de 2011);

- setembro/outubro de 2006: 30 dias de mochilão na Europa com 1 amigo, passando por Espanha, Alemanha, República Tcheca, Áustria, Eslováquia, Eslovênia, Itália, Vaticano, San Marino e Suíça (posts publicados entre abril e julho de 2008);

- março de 2007: feriadão de Páscoa em Buenos Aires namorando (posts mesclados sobre a cidade em agosto/setembro de 2011);

- maio/junho de 2007: 22 dias de mochilão com 4 amigos na Europa, passando por França, Suécia, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Bélgica e Luxemburgo (posts publicados entre agosto de 2008 e maio de 2009);

- março de 2008: feriadão de Páscoa com minha então namorada em Fernando de Noronha (posts não publicados);

- setembro de 2008: 12 dias de mochilão com 1 amigo por Portugal e Inglaterra (posts não publicados);

- dezembro de 2008 a janeiro de 2009 (recesso de fim de ano): 9 dias com minha então noiva no Chile, conhecendo Santiago, Viña e Pucón (posts publicados em julho de 2010 e retomados entre abril e maio de 2011)

- abril de 2009: 4 dias de feriadão em Santiago do Chile, para ver jogo do Grêmio e passear (posts mesclados com relatos variados sobre o Chile);

- julho de 2009: 17 dias de mochilão pelo norte da Argentina, pelo Salar de Uyuni e pelo deserto do Atacama (posts publicados entre agosto de 2009 e junho de 2010);

- outubro de 2009: 7 dias de lua-de-mel com minha mulher nos EUA, após o casamento (sem relatos publicados);

- janeiro de 2010 (recesso de fim de ano): 9 dias no inverno, em viagem familiar pela Itália, com conexão em Amsterdam (posts sobre o “inverno na Europa” publicados em dezembro de 2011, faltando algo sobre a região centro-norte da Itália);

- julho de 2010: 17 dias de mochilão com 3 amigos por Istambul, Bósnia, Montenegro e Croácia (posts publicados entre agosto de 2010 e fevereiro de 2011);

- outubro de 2010: 12 dias na Grécia com minha esposa, com conexão em Paris (posts publicados entre maio e agosto de 2011);

- março de 2011: 9 dias em Cancún com minha mulher, num feriadão de Carnaval emendado com 5 dias de férias (posts não publicados);

- outubro de 2011: 13 dias com minha mulher, em Portugal e no sul da Itália (posts ainda não publicados);

- janeiro de 2012: 21 dias na Tailândia (conexão na Turquia) com minha esposa, emendando o recesso e um 12 dias de férias (posts recém terminados);

- abril de 2012: feriado de Páscoa emendado com 5 dias de férias, com 2 amigos, pela Andaluzia e Marrocos (posts que ainda não foram publicados).

Ou seja, ainda falta escrever sobre bastante lugares:
- Andaluzia e Marrocos (começam esta semana)
- Inglaterra e Portugal;
- sul da Itália e algumas cidades do norte;
- Cancún;
- EUA.

Aguardem!

27/05/2012

Pit stop em Istanbul e fim de viagem


Com o frio e a escuridão que estavam em Istambul na nossa chegada, não fizemos mais nada além de sacar algum dinheiro local, pegar um táxi até o hotel que tínhamos reservado em Sultanahmet e comer alguma coisa por lá mesmo. Depois, cama.

O hotel em que ficamos, chamado Citadel, era do outro lado da rua em que ficava o hotel no qual nos hospedamos na ida (Armada Hotel), em nosso stop over na cidade. Escolhi o Citadel por ser da rede Best Western. Como já tinha pontos suficientes num programa de fidelidade da rede, consegui resgatar uma diária gratuitamente e com isso economizar uns 85 euros, que seria o preço do quarto de casal que pegamos. Para minha surpresa, nenhuma taxa de serviço ou imposto foi cobrado – só assinei a fatura no dia seguinte e não desembolsei nem uma moeda.

O hotel é muito bem localizado, mas é um pouco mais barulhento que o Armada, por estar ao lado da avenida que circunda o litoral do bairro de Sultanahmet. Além disso, os quartos são bem menores, mas o restaurante é muito legal e o café da manhã ainda melhor do que o servido no Armada. Recomendaria o lugar, destacando os defeitos acima.



A imagem acima, da janela do nosso quarto (que fica na Europa, sendo a parte atrás do barco a Ásia), foi a última cena de nossa viagem antes de tomarmos um táxi até o aeroporto, para pegar o voo da Turkish de volta para o Brasil, cerca de 16 horas depois de chegarmos da Tailândia. Mal o sol estava nascendo, por volta das 7 da manhã, e já tínhamos de tomar café e pegar um táxi para seguir viagem.

No fim das contas, essa parada para dormir em Istambul na volta acabou sendo um pouco desnecessária. Na ida, é normal, pela ansiedade da viagem e por não se estar tão cansado, a vontade de parar um pouco no meio do caminho antes de seguir para a Tailândia. Mas, na volta, com dias de viagem nas costas e uma vontadezinha de voltar para casa, a parada acabou sendo algo não tão agradável – seria algo que eu suprimiria se pudesse refazer aqueles planos de viagem. Além do deslocamento até o hotel, tem toda a questão da imigração e do tira e bota da bagagem, que poderiam ser evitados numa conexão direta. Mas, é errando que se aprende.

Neste último voo, também feito durante o dia, conseguimos ler e olhar filmes, mas chegamos mais cansados a São Paulo do que na perna anterior. Com um certo atraso na decolagem e uma demora extra na esteira de bagagem de Guarulhos, acabamos perdendo a conexão para Porto Alegre, por isso só na manhã seguinte é que chegamos em Porto Alegre.

Apesar do cansaço, da distância e do custo das passagens aéreas, porém, reconhecemos a Tailândia como um dos melhores lugares em que já estivemos. Em matéria de hospedagem, aliás, eles nos estragaram: agora nada será igual àquilo que vivenciamos lá! Recomendo a todo mundo que conheço uma viagem àquele país, mas sempre advirto que se deve pelo menos ficar uns 15 a 20 dias, para valer a pena. Certamente,  ainda visitaremos novamente aquela região (Malásia, Vietnã, Indonésia), porque não vimos nem a metade!

25/05/2012

Red Sky Bar


No nosso último fim de tarde na Tailândia, fizemos um programa que é quase obrigatório para quem conhece Bangkok, e que ainda não tínhamos cumprido em 5 dias na cidade: tomar um drink ao pôr do sol num dos bares que existem nos terraços dos arranha-céus mais altos da cidade.

Para chegar lá, foi simples: simplesmente apertamos o andar nº 55 do elevador do nosso hotel. Nesse andar, fica o restaurante do Grand Centara, que dá acesso ao Red Sky Bar, no 56º andar (aonde se chega por escadas).

Embora seja necessário reservar com algumas horas de antecedência para jantar no bar a céu aberto, para tomar uma bebidinha no final da tarde, basta chegar que, segundo os funcionários, quase sempre há espaço livre.

Não é cobrado nada a título de entrada, mas, como era de se esperar, os coquetéis e cervejas tem um preço bem salgado, para padrões tailandeses, mas nada que alguém acostumado com a noite carioca ou paulista possa se assustar.




E foi isso que fizemos: chegamos, pegamos nossa mesinha (surpreendentemente há bastante privacidade, porque as mesas são distantes umas das outras) e pedimos as nossas bebidas. Depois de uns momentos iniciais, admirando a paisagem e hesitando em sacar a máquina para começar a bater algumas fotos, vimos que era exatamente para isso que as outras pessoas também estavam ali e fizemos o mesmo.

Na hora da saída, quando já estava mais escuro, tirei também umas fotos da área principal do bar, no nível do 55º.



O Red Sky não é o mais alto da cidade (há outro no 63º andar), mas é um dos mais famosos. Existem outros, um deles, aliás, conhecido por ter servido de cenário no filme “Se Beber não Case 2”. Para uma lista com outras opções, sugiro o site http://www.bangkok.com/top10-rooftop-bars.htm

O programinha de fim de tarde fechou com chave de ouro nossas férias no Sudeste Asiático. Mais tarde, jantamos e na manhã seguinte, logo depois de café, já estávamos num táxi rumo ao aeroporto internacional, para tomar um voo de volta da Istambul.

Como a companhia tinha nos dito, o casacão que esquecêramos na ida dentro do avião nos foi devolvido no check in. Fizemos o despacho das bagagens, a imigração, buscamos nossos impostos de volta no tax free e gastamos o que ainda tínhamos de moeda local nos free shops.

Ao contrário da ida, agora o voo de volta seria todo à luz do dia, com as 5 horas que nos foram tomadas sendo devolvidas. Saímos por volta do meio-dia no horário de Bangkok e, depois de sobrevoar Myanmar, Bangladesh, Índia, Turcomênia, Azerbaijão e Geórgia (esses dois com montanhas todas coberta s neve no Cáucaso), chegamos por volta das 17h30 em Istanbul, com uma temperatura de 6°C. Dessa vez, não havia bebês chorando e conseguimos ler e olhar bastante filmes, para fazer como manda o figurino: mantermo-nos acordados o máximo possível no voo sentido leste-oeste.

23/05/2012

Bangkok - missão compras de fim de viagem


Com o atraso do voo de Ko Samui para Bangkok, uma boa dose de espera pela bagagem na esteira do aeroporto (que no mês de janeiro deste ano, chegou a ser o 4º mais movimentado do mundo!) e a necessidade de ir buscar a mala depositada no guarda-volumes, perdemos quase uma hora até conseguir chegar na fila do táxi.

Depois, o que eram para ser apenas 40 minutos de corrida até o nosso hotel, no centro da cidade, transformou-se em cerca de 1h30 de viagem, por causa dos congestionamentos pesados da cidade, majorados pelo fato de ser sexta-feira.

Com isso tudo, só conseguimos chegar no hotel perto das 17h, restando não mais do que uma hora de sol (que nesse dia parecia nem ter dado as caras em Bangkok, dada a feiura do tempo).

Dessa vez, ficamos hospedados num hotel diferente daquele da vinda (o Ratchadamri), que tinha mais cara de apart hotel. Esse, o Grand Centara, tinha um perfil mais normal e ficava em cima do maior Shopping Center da cidade, o Central World. Tinha feito essa escolha porque justamente queria deixar eventuais compras de bugigangas e presentes para esses dois últimos dias em Bangkok, e nada melhor para isso do que dormir em cima de um prédio de shopping.



O quarto em que ficamos foi o menor de todos os cinco hotéis pelos quais passamos na Tailândia, mas nem por isso era menos confortável ou tinha menos tecnologia. Seguindo o padrão Bangkok, tinha um nível 4-5 estrelas, com preços em torno de 250 reais por casal. E, além disso, ficava no 48º andar (dá medinho só de olhar para baixo).

Descansamos um pouco, fizemos um lanche num lounge do hotel e descemos para encontrar o acesso direto ao shopping (é um labirinto e fomos guiados por um chef francês que encontramos no elevador e viu que estávamos meio perdidos). E, naquela primeira noite, não fizemos mais nada além de bater perna no Central World, pesquisando máquinas fotográficas e nos decidindo por qual modelo de iPad levaríamos (na época, só havia o iPad2, e um modelo de 64Gb com suporte para 3G saiu por R$ 1440 – sem contar a devolução de 113 reais no tax free do aeroporto, o que dava metade do preço no Brasil).

 Entrada do complexo de cinemas do Central World
Doces artesanais sendo preparados na hora no CW

Jantamos por ali mesmo e fomos dormir mais cedo do que o normal, para encarar o último dia na cidade fazendo as últimas compras de presentes e do que mais faltava.

No último dia, acordamos um pouco mais tarde e, depois do café, nos mandamos para o shopping mais popular, o MBK, para procurar as pechinchas (já fiz um post há alguns meses sobre os shoppings de Bangkok, publicado em http://demochilao.blogspot.com.br/2012/02/shopping-centers-em-bangkok.html). Almoçamos por lá mesmo.

Na parte da tarde, nos dividimos entre o Central World (que tem 7 andares gigantes, não é pouca coisa) e a loja de departamentos Central de que também já falei.

IPad comprado; máquina fotográfica daquelas com monitor dos dois lados, para tirar foto com braço esticado e não erra a mira, também adquirida; presentes tudo OK, demos por encerrada a missão Bangkok, com sucesso. Agora, só faltava um último programinha para fechar nossa passagem na Tailândia...

22/05/2012

Despedida de Ko Samui



Os cinco dias e quatro noites que passamos em Ko Samui foram os mais tranquilos de toda a viagem à Tailândia.

Já que a chuva não deu trégua, passamos o primeiro dia inteiro no quarto, aproveitando a piscina e a banheira de hidromassagem privativas que acabaram caindo no nosso colo, por causa da lotação do tipo de quarto de tínhamos reservado. Só à noite é que demos uma caminhada pela praia.

No segundo dia, ficamos só no esquema praia, lanchinho, caminhada pela areia e massagem, bem típico de lua de mel. Não fomos mais longe do que até as praias imediatamente vizinhas, para os dois lados. No final da tarde é que fomos descobrir o caiaque e podemos dizer que fizemos uma das maiores atrações da ilha.


No terceiro dia, demos uma volta pela parte mais urbana da cidade, entramos em algumas lojas para comprar umas camisetas (àquela altura, eu já nem tinha mais roupa limpa e não estava mais valendo a pena mandar lavar), e voltamos para o esquema praia, piscina, lanchinho, caiaque.

Foi só no quarto dia que fizemos o tour pela ilha, relatado pelas atrações mencionadas nos posts anteriores.

Toda essa tranquilidade, porém, acabou revelando o que Ko Samui tem de melhor: coisas simples, restaurantes aos quais se chega de pés descalços pela areia da praia, a possibilidade de comer bem e barato em lugares bem estilosos, o pôr do sol visto de uma piscina de borda infinita, a água do mar quentinha, as massagens relaxantes e que não pesam no bolso, ficar olhando balões subindo na escuridão da noite.


Hoje, sem dúvida alguma, se tivermos de indicar um lugar que um casal que vai à Tailândia deve conhecer, falaremos sobre Ko Samui.

No quinto dia, estava na hora de sermos expulsos do paraíso, mas como o voo era só depois do meio dia, por volta das 13hs, ainda pudemos tomar um café da manhã com tranquilidade, dar mais umas voltinhas na praia e arrumar as coisas para voltar para casa. Como seria só mais duas noites em Bangkok e outra em Istanbul, praticamente não precisaríamos mais mexer em muita coisa até chegar no Brasil.

Nem me preocupei com o almoço, porque já sabia que no aeroporto de Ko Samui, pelo simples fato de voarmos com a Bangkok Airways, teríamos acesso à área vip com comidinhas à vontade. E assim foi. O voo atrasou uns 50 minutos, e depois de comer alguma coisa ficamos aproveitando a internet wi fi liberada.



Depois de 45 minutinhos de voo (e de um dos visuais mais impressionantes que já vi da janelinha de um avião, após decolar num dia de sol e ver aquela ilha paradisíaca lá embaixo), já estávamos de volta ao aeroporto de Bangkok, onde retiramos a mala com as coisas de inverno que tinha ficado depositada por duas semanas e pegamos um táxi direto ao centro da cidade.

20/05/2012

Budas e Budas

Além de atrações meio bizarras, Ko Samui também tem umas boas dezenas de templos budistas espalhados por vários cantos da ilha. 

Os dois wat mais interessantes (e que normalmente são sugeridos pelos taxistas quando se contrata um tour pela ilha), porém, ficam bastante próximos um do outro, nas praias a nordeste da ilha: o templo conhecido como o do Big Buddha e o templo "do Buda de oito braços".

O nome oficial do templo onde está o Big Buddha é Wat Phra Yai. Ele fica numa pequena ilha, bastante próxima da ilha principal, ligada por uma ponte (em condições bem precárias, é verdade, principalmente por causa da buraqueira) ao resto do lugar. 



No alto de uma escadaria, fica a imagem dourada de 12m de altura de um Buda em estilo tailandês. A estátua é visível até mesmo do avião, quando se está chegando no aeroporto, que está bem próximo dali, e nas horas de nascer-do-sol ganha ainda mais brilho. Há alguns anos, a imagem ganhou um adorno: uma espécie de mandala, atrás de si (nas fotos mais antigas dos materiais turísticos ela não aparecia).

Embora seja normal em templos budistas a exigência de se tirar os sapatos, há uma placa expressamente autorizando as pessoas a subirem as escadas com os calçados durante as horas mais quentes do dia, porque o sol aquece o material de que elas estão revestidas a ponto de queimar os pés, se não estiver nublado ou chovendo. E, além disso, quando chove, o piso parece ser bem escorregadio.


Quando estivemos lá, estavam ocorrendo algumas reformas no entorno do Buda, na parte alta do templo. Havia a possibilidade de fazer uma doação para contribuir com as obras, comprando uma telha (quem comprava podia escrever o seu nome com uma dessas canetas de escrever em quadro branco, e foi o que fizemos.


A vista que se tem lá de cima também é muito bonita, especialmente quando há sol e o mar mostra todo o seu azul de estilo paraíso tropical.

O outro templo, um pouco mais difícil de achar (e até por isso mais tranquilo e com menos lojinhas ao redor), é o Wat Plai Laem. 

Esse templo é relativamente novo, mas tem uma característica única: foram feitas duas grandes imagens de Buda, uma em estilo chinês (com o Buda gordinho e sorridente) e outra em estilo indiano (com os oito braços), cada uma numa ilha artificial no meio de um lago, ligadas ao restante do templo por pontes decoradas no estilo de cada um. 




Ao redor das imagens, há urnas funerárias onde pessoas (inclusive muitos ocidentais, principalmente do norte da Europa) mandaram colocar suas cinzas, através de doações ao templo.

O lago ainda é cheio de carpas asiáticas, e para vê-las basta colocar alguns trocados numa máquina que dispensa ração de peixe em baldinhos de plástico retornáveis. 

Além das imagens, o templo tem uma escola (enquanto estávamos lá ficamos ouvindo o tempo todo vozes de crianças cantando músicas religiosas) e um retiro de monges. O lugar transmite uma grande paz e não é de se admirar que tanta gente o tenha escolhido ao invés de um cemitério comum.

Para conhecer os dois lugares bem, reserve pelo menos uns 45-60 minutos para cada um deles, talvez um pouco mais para o segundo, que é maior e tem mais coisas bonitas e interessantes para ver.

17/05/2012

Ko Samui bizarra

Algumas das atrações turísticas de Ko Samui são bem bizarras para padrões ocidentais...

Uma das que mais aparece em cartões postais da ilha são as pedras do "Vovô" e da "Vovó" (Hin Ta e Hin Yai), que na verdade são rochas numa praia que têm o formato dos órgãos sexuais masculino e feminino. Sempre há pelo menos algumas dezenas de curiosos dando risadinhas visitando o lugar que, na minha opinião, não tem nada demais. 



As rochas ficam entre a praia de Lamai e Hua Thanon. Para chegar até lá, é preciso passar por uma rua bem estreita, onde só passam veículos menores e pedestres, bem no alto da curva da estrada, ao sul de Lamai. O acesso até o local é gratuito, mas há bastante lojinhas de souvenirs no caminho e alguns ambulantes. Só vale a pena pegar táxi até o local se for no contexto de tour pela ilha ou de passagem para outro lugar.

Outros conhecidos pontos de interesse da ilha são os templos em que existem múmias de monges. 

Não se trata de múmias antigas ou de civilizações anteriores - são corpos de monges que morreram no século XX mesmo e que nem mesmo foram mumificados: eles simplesmente não sofreram o processo de decomposição natural. 

O mais famoso e mais acessível para quem está hospedado nas praias mais conhecidas da ilha é o monge mumificado do templo de Wat Khunaram, alguns km depois de Lamai. O monge se chamava Luang Pho Daeng e morreu em 1976. 


Segundo uma placa explicativa no local, ele próprio havia deixado instruções para que seu corpo continuasse na posição de meditação na qual passou boa parte da vida.

Como o local é um templo e não uma atração turística ou museu, a entrada é gratuita, mas é comum fazer oferendas em dinheiro, como em qualquer outro wat no país.

Ao lado do templo principal, onde está exposta a múmia, há uma residência de monges bastante grande, não acessível.


15/05/2012

Nosso hotel em Ko Samui

Existe uma infinidade de hotéis em Ko Samui e, pelas razões que expus no post anterior, é preciso escolher com base no lugar em que se pretende ficar, eliminando um pouco das opções. Desde o início, escolhi Chaweng como nossa base e por isso fui restringindo um pouco minhas escolhas a essa praia, depois restringi ainda mais à parte norte da orla, chegando ao meu eleito: o Baan Haad Ngam.

O Baan Haad Ngam é um hotel boutique que tem uns quatro tipos diferentes de quartos: os apartamentos standard, em prédios de dois ou três andares dispostos ao longo do jardim vertical que é o centro do hotel; dois tipos de bangalôs (o luxo e o executivo, que se diferencia do outro por ter jacuzzi) e as "pool villas", ou seja, apartamentos com piscina privativa. Na beira da praia, uma piscina com borda infinita, rodeada por um deck de madeira, ao lado de um restaurante italiano, o Olivio's, onde são feitos os lanches, os pratos do serviço de quarto e onde é servido o café da manhã. 

Os preços do hotel revelaram um excelente custo benefício, mesmo em se tratando de um país em que tudo é mais barato do que estamos acostumados. Descobri ainda que apenas duas semanas depois do ano novo, os preços ficavam ainda mais em conta, e como já tinha programado passar por Ko Samui mais no final da viagem, dei sorte em pegar logo o primeiro dia com tarifas já mais reduzidas. De tão empolgado, resolvi aumentar para 4 noites na ilha, reduzindo uma de Phuket, por tudo que comecei a descobrir sobre o lugar. 






Como se não bastasse o lugar ser bom, quando chegamos lá descobrimos na hora do check in que o tipo de quarto que tínhamos reservado, um bangalô, estava com lotação integral, e por isso ganhamos um upgrade. Sim, um quarto melhor - o melhor de todos - uma pool villa. Nem parecia verdade quando fomos entrando e conhecendo o quarto, com banheira de hidromassagem do lado de fora, uma piscina privativa, portas de vidro do chão ao teto removíveis (que assim integravam o quarto à piscina), um telão de LED de 40', uma cama king size, e um monte de mimos. Sem dúvida, o melhor quarto em que já paramos em nossas viagens de casal (um mochileiro xiita ficaria de cara comigo!).

A comida do restaurante, toda com menu em italiano, era realmente muito boa e veio muito a calhar, depois de alguns dias já começando a enjoar de comida tailandesa. Acabamos fazendo pelo menos umas 4 refeições ali, além do café da manhã, nos 5 dias e 4 noites que passamos no hotel. O plus era comer em mesas ao lado do mar, perto da piscina. 

Para completar, o hotel oferece internet wi fi de graça (com computadores no lobby), tem jardins com cachoeiras e esculturas e ainda empresta caiaques para fazer passeios pelo mar, que como falei no post anterior, é muito, muito rasinho, e permite que se vá mais de 300m p dentro, sem passar a água da linha da cintura.

13/05/2012

Ko Samui - visão geral


Se Ko Phuket é a ilha tailandesa mais famosa no Oceano Índico, Ko Samui é a mais famosa no Oceano Pacífico.


Embora não seja tão conhecida no Brasil, Ko Samui tem atraído cada vez mais gente nos últimos anos – muitas dessas pessoas acabam preferindo justamente essa opção, por ser menos muvucada e por ter praias com águas ainda mais tranquilas do que as do Oceano Índico (e tão cristalinas quanto).

Por estar do “outro lado”, Ko Samui tem um clima diferente. As monções (períodos de chuva forte) ocorrem numa época distinta de Phuket, tendo seu auge nos meses de maio a setembro, enquanto que em Phuket o auge ocorre entre agosto e outubro. Além disso, janeiro costuma ser um mês que ainda tem um pouco de vento forte na ilha de Samui, por isso mesmo é que deixamos para visitá-la em último lugar, para ficar mais perto de fevereiro, que é quando começa o período “ideal” para uma visita.

Ko Samui tem um formato quase redondo e possui boas praias e todo o seu entorno. Obviamente, algumas são melhores que outras e, nesse caso, destacam-se mais aquelas situadas na costa sul e sudeste da ilha, com algum crescimento verificado no nordeste.

Chaweng é a praia que é o sinônimo de Ko Samui, para muita gente. É bastante extensa, tendo um setor com águas mais agitadas, ao sul, boas para prática de surf, e outro bem mais tranquilinho, isolado por uma barreira de corais, que é praticamente um piscinão rasinho, com águas quentes.

Parte de Chaweng, vista desde sua extremidade norte

Essa parte no extremo norte de Chaweng é tão tranquila que figura em algumas listas de melhores praias do mundo para se levar crianças pequenas. A água dificilmente passa de 1 metro e meio de profundidade e por isso pode-se andar metros e mais metros mar adentro, com a água na altura dos joelhos ou um pouco mais acima. Bastante comum também é alugar ou pegar emprestado com o próprio hotel um caiaque, para passear pela “lagoa”. Num determinado setor, delimitado por boias, há jet skis para alugar.

Ao longo de toda Chaweng há hotéis de luxo, hotéis boutiques e pousadinhas, a preços muito mais acessíveis do que em Phuket. Os restaurantes, muitas vezes dos próprios hotéis, estão abertos a qualquer um. O mais comum, aliás, é que as pessoas cheguem pela praia, de dia ou à noite, para jantar inclusive nos lugares mais ajeitadinhos. Em alguns, há música e até se forma um pointzinho.

Um pouco mais longe da praia, há um centrinho urbano bem movimentado em Chaweng, que conta até mesmo com uma churrascaria brasileira. Há alguns pequenos shoppings, muitas lojas de conveniência e farmácias, um caixa eletrônico em cada esquina, algumas feiras de rua e banquinhas de souvenirs. A cidade é mais desorganizada que outras em que estivemos na Tailândia, com ruas um pouco esburacadas e muitas obras, mas mesmo assim é bem tranquila e segura, embora não seja tão agradável.

A segunda praia mais conhecida de Ko Samui é Lamai, que fica na continuação de Chaweng, ao sudoeste. Ali, há ampla variedade de hotéis e até mesmo alguns condomínios de luxo, com campos de golfe e tudo mais. Só acabamos passando por lá em meio a um giro pela ilha, quando visitamos as rochas do “Vovô e da Vovó”.

A "rocha do Vovô", em Lamai

Há muitos hotéis com bom custo benefício na praia de Bophut, que não fica longe de Chaweng, mas está voltada para o norte. As pousadas e os hotéis são mais novos por lá e estão caprichando mais no atendimento para firmar a praia como uma nova opção aos que querem boa infraestrutura sem tanto movimento, que as vezes pode ser um pouco do problema de Chaweng (o que não ocorreu, na nossa opinião). A praia é um pouco mais selvagem, com vegetação separando os hotéis da areia, e o mar não é tão tranquilo, mas se tem a impressão de um lugar mais deserto.

O Buda de 8 braços, perto de Bophut

Tirando essas três praias, as demais acabam sendo muito longe das atrações locais e só valem a pena se for para ficar num hotel sem muita necessidade de sair.

O interior de Ko Samui tem várias trilhas, que passam pelas florestas locais e pelas montanhas. De certa forma, a ilha é um resumo da Tailândia: tem até campos de elefantes, que também fazem trekkings para turistas com os animais; tem templos budistas espalhados por todos os lados; tem praias paradisíacas; agito noturno com direito a shows de cabarets; além de um parque nacional marinho (Ang Thong) que faz as vezes do Phang Nga local.

11/05/2012

De Phuket a Ko Samui


No nosso quinto e último dia em Phuket, só tivemos tempo de tomar o café da manhã, arrumar as malas e ler um pouco até chegar a hora combinada com o nosso transfer para o aeroporto.

Era domingo de manhã e, com o trânsito bem mais tranquilo do que na chegada, conseguiríamos facilmente chegar até o aeroporto em 40 minutos. (Existem outras formas de ir de Phuket a Ko Samui, sendo a mais popular comprar uma passagem de ônibus combinada com o ferry boat que leva até a ilha, mas a operação toda não costuma levar menos de 6 horas. Um voo direto entre as duas ilhas, porém, leva apenas 40 minutos.)

Chegando lá, ficamos um pouco perdidos até encontrar o balcão de check in da Bangkok Airways. Havia muita gente pegando voos de volta para a Rússia e para a Escandinávia e não conseguimos localizar onde estava a plaquinha da nossa companhia. Com os monitores não ajudando muito, pedimos informações e fomos parar lá no Terminal 2, uns bons 100 metros de caminhada por corredores, tapumes e elevadores arrastando as malas, para nos darmos por conta de que tínhamos entrado no lugar certo inicialmente e que precisávamos voltar tudo de novo.

Confusão resolvida e malas despachadas, tratamos de arranjar um lugar para almoçar. Antes da área de embarque, há bem poucas opções nesse quesito – a única coisa que se vê bastante são lojas de lembrancinhas e as onipresentes lojas da Jimmy Thompson. Depois do embarque, porém, as opções melhoram, e conseguimos fazer uma boa refeição.


Eu já sabia, mas muita gente não: o voo da Bangkok Airways entre Phuket e Ko Samui é feito em aeronaves pequenas, bimotores, mas com as hélices para fora. Pela surpresa, muita gente fez piadinhas e ficou tirando fotos do lado de fora do avião, entre a porta de embarque do aeroporto e a escadinha para subir nele. A companhia até estimula isso, porque personaliza com pinturas diferentes cada avião que tem, reforçando seu slogan de “companhia boutique da Ásia”.

Assim que decolamos, pude ver um pouco da paisagem lá embaixo, principalmente as ilhas da baía de Phang Nga, que conhecemos de caiaque. Depois que comemos a refeição servida no voo (muito boa, aliás), o tempo do lado de fora começou a fechar e assim que nos aproximamos de Ko Samui vimos que nossa chegada seria com chuva, das fortes.

 Vista aérea de ilhas no Mar de Andaman
Pack com sanduíche e água mineral

O aeroporto de Ko Samui é particular e pertence à própria Bangkok Airways, que por muito tempo tinha o monopólio dos voos para a ilha. O aeroporto é um dos mais pitorescos que já vi: todo ajardinado, com aquários nos banheiros, sofás de vime com almofadas para descanso em todas as partes e parte dos prédios cobertas com folhas de palmeira, num ambiente que lembraria um filme feito no Havaí.

O transporte entre o avião e a área do desembarque, onde pegamos as bagagens, foi feito em bondinhos daqueles que fazem passeios com crianças no Natal e tudo corre de uma maneira bastante mais tranquila do que em outros aeroportos.

 Sim, isso são mictórios!

Do lado de fora do aeroporto, vi acontecer exatamente aquilo que os guias de viagem descrevem: o serviço de táxi na ilha é completamente dominado por uma cooperativas quase mafiosa, que define os preços das corridas em patamares muito mais altos do que em qualquer outra parte do país. Nada que seja absurdo para padrões brasileiros, mas pagamos uns 25 reais por uma corridinha de cerca de 2 ou 3km até nosso hotel.

O negócio, aqui, é já ir sabendo disso e nem se estressar. A ilha é relativamente grande e por isso o melhor a fazer é tentar ficar em algum lugar com mais opções de restaurantes, boas praias e comércio, como Chaweng, que é a praia mais conhecida da ilha e também muito próxima ao aeroporto. 

09/05/2012

Phuket - expectativas


Phuket, de certa forma, era o ponto alto de nossa viagem. Por ser o lugar mais conhecido e divulgado como sendo um paraíso na terra e com praias magníficas, ainda mais na época do ano em que estaríamos viajando, acabou se tornando a parada mais esperada dentre as 4 que faríamos na Tailândia (as outras eram Bangkok, Chiang Mai e Ko Samui).

Exatamente por isso tudo, acabamos criando muitas expectativas sobre o lugar e, por termos sido surpreendidos com aspectos muito mais interessantes do que imaginávamos nos lugares por onde passamos antes (e principalmente depois, porque Ko Samui acabou sendo nossa preferida), a ilha acabou decepcionando um pouco.

Entendam-me bem: o lugar é realmente muito bonito, os passeios são únicos e nada deu errado (o mar é quentinho, as paisagens são lindas, tudo é muito seguro, etc.). O que houve foi apenas uma certa frustração de expectativas excessivas em relação ao lugar.

O principal motivo para isso foi o excessivo desenvolvimento da ilha. O cenário de um lugarejo paradisíaco quase escondido acabou-se nos anos 70. De lá para cá, o que houve foi uma intensa ocupação dos pontos mais bonitos da ilha com megaempreendimentos hoteleiros e condomínios privados de luxo.

As melhorias na infraestrutura da ilha, por sua vez, contribuíram para que ainda mais gente viesse morar, trabalhar e até mesmo se aposentar lá. Para onde quer que se vá, há estradas com até quatro pistas nos dois sentidos, muito movimentadas a maior parte do dia. As distâncias são grandes e não há como evitar congestionamentos em boa parte do dia.


De outro lado, como já falei em posts anteriores, quem não escolhe um hotel mais ajeitado na beira-mar, acaba ficando só com a vista do muro do hotel – cada praia tem um ou dois dominando quase toda a orla, com exceção das cidades maiores, como Patong. Os bastidores são de país de terceiro mundo mesmo, com riachos poluídos rodeados por alguns casebrinhos, mas nada que não seja comum numa cidade litorânea brasileira.

Talvez, indo bem informado e sabendo desses “poréns” que a ilha oferece como preço pela sua beleza, o turista já vá preparado de corpo e espírito para deixar de lado os problemas e se admirar com o principal.

A dica é essa: escolha bem o seu hotel, numa praia que tenha o seu perfil de viajante, e concentre as saídas para passeios em apenas umas duas oportunidades, para ficar o resto do tempo no cantinho que você escolheu.

Alugar moto ou carro é a maior fria, porque além de congestionamentos, as estradas são bem perigosas em razão de muitas curvas, subidas, descidas e da velocidade com que as pessoas trafegam. Além disso, chove um pouquinho quase todo dia, no final da tarde.

Não é porque Florianópolis se tornou um inferno logístico na alta temporada que as pessoas deixaram de ir para lá – com Phuket não é diferente, e nem vai ser por um bom tempo.

Aliás, dizem que, se você quer ver como era a Tailândia nos anos 70, o melhor é procurar lugares que ainda estão só começando a bombar, como Boracay, nas Filipinas (que já está passando do ponto, segundo outros) e as praias a leste de Bangkok. Mas, vai saber...

07/05/2012

Passeios de Phuket - Ko Phi Phi




O passeio mais famoso que se pode fazer em esquema de bate e volta a partir de Phuket (embora muita gente prefira fazer uma viagem específica para esse lugar) é aquele que envolve as ilhas Phi Phi (em tailandês, é Ko Phi Phi, e pronuncia-se o "p" e o "h", como se fosse "pji" em espanhol - nada de falar "Ko Fi Fi"!).

As ilhas são duas: Ko Phi Phi Don e Ko Phi Phi Leh. Ambas estão localizadas a mais de uma hora de barco de Phuket, na província de Krabi.

A primeira delas, Ko Phi Phi Don, é a maior e é habitada. Tem vários hotéis e pousadas e até chega a ser meio muvucada. No tsunami de 2004, foi severamente atingida em um de seus lados, mas a cidade foi praticamente toda reconstruída do mesmo jeito que era antes (para o mal e para o bem).

A maior atração ali é curtir a praia durante o dia e a noite mais agitadinha. O estilo, no entanto, é bem pé na areia, sem muitas regalias típicas de outros lugares maiores (os preços, em compensação, são bem salgados).

A segunda ilha, Ko Phi Phi Leh, é uma reserva natural e não permite pernoite a turistas. Apenas guardas florestais e uma comunidade tradicional ficam por lá à noite, embora se diga que é possível conseguir autorização para acampar no local.
Essa ilha, na verdade, é a grande atração do turismo local. A sua praia mais bonita, aquela que fica na baía de Ma Ya (conhecia em inglês como Maya Bay) é o cenário paradisíaco conhecido no mundo inteiro por ter sido o local em que se filmou o filme “A Praia”, com o Leonardo DiCaprio.

Ao redor da ilha, há vários pontos em que se pode fazer enxergar bastante vida marinha simplesmente usando snorkel ou um óculos de natação. Do lado oposto a Maya Bay, há uma “lagoa”, que na verdade é outra baía, quase fechada por pedras grandes e rodeada de penhascos.

A água ao redor da ilha é a mais cristalina que vi na Tailândia e basta um raio de sol para ela mostrar a sua cor que vai do esmeralda ao azul turquesa. O lugar, para mim, foi o mais impactante pela beleza em toda a viagem que fizemos àquele país.

Fizemos o passeio com a mesma empresa que nos levou às ilhas da baía de Phang Nga, porque gostamos muito da infraestrutura e da atenção dos guias. Da mesma forma, foram nos buscar no hotel de manhã (só que era uma hora mais tarde), com a van, para então esperarmos o barco na Marina de Phuket.

De lá, um barco parecido nos levou até as ilhas Phi Phi, só que sem nenhuma parada no caminho. Como o mar é mais aberto, a chance de ondas mais altas e mal estar é maior que no passeio do dia anterior, mas não tivemos problemas. Demora bastante, mas quando chegamos perto das ilhas, já vimos a que viemos.

O primeiro ponto em que paramos foi a chamada “praia dos macacos”, um canto de Phi Phi Don que é uma reserva natural e que tem um monte de macacos que ficam todos excitados com a aproximação dos turistas, o que geralmente significa comida.

Alguns, mais exaltados, até pulam para dentro dos barcos para comer bananas que os guias trazem e depois voltam nadando para a praia, quando o barco começa a se afastar. Pede-se a todos que não tentem passar a mão nos bichos, porque podem morder e têm pulgas.

Em seguida, é feita uma paradinha para snorkel de uns 40 minutos a alguns metros da praia, numa parte em que não dá pé para ninguém (cerca de 5m de profundidade).


Depois, chega a hora mais esperada: a descida em Maya Bay, por volta da 1h da tarde. Fica-se cerca de 1h no local, tempo suficiente para cruzar a ilha (são 5 minutos até o outro lado, apenas com um pequeno bosque, uma área de manutenção do parque (onde há banheiros públicos fedidos pra cacete) e uma escadaria de madeira que dá para um portal de pedra, de onde se enxerga a “lagoa” do outro lado. De quebra, um tempinho para curtir a praia, que obviamente é compartilhada por algumas dezenas de turistas indo e vindo de barcos de passeio.

Após a praia, passeia-se de barco ao redor de Phi Phi Leh, passando bem ao lado da comunidade tradicional que vive numas cavernas, conhecida como a “Caverna Viking”. Nesse local, os moradores sobem pelas gretas das pedras é “caçam” os ninhos que um tipo especial de pássaro faz naquela ilha. O tal ninho, todo coberto pela caca das aves, é considerado uma iguaria pelos chineses, que pagam os olhos da cara pela “matéria-prima” com a qual fazem uma sopa supostamente afrodisíaca.

A caverna ganhou o nome por causa de desenhos rupestres de barcos nas paredes, que à primeira vista pareciam com os barcos daquele povo nórdico, mas que nada mais são do que barcos tradicionais tailandeses. Várias partes da tal caverna estão protegidas por andaimes e não está sendo permitida a visitação a pé no local, só passando de barco ao ladinho.

Depois disso, novamente se faz uma parada num ponto de mergulho, para fazer snorkel, só que agora mais perto de Phi Phi Don.

Dali, depois de meia hora, é a vez do almoço, servido num restaurante estilo Buffet (dessa vez em terra firme), também em Phi Phi Don.


Na volta, a parada para descanso é na ilhota conhecida como Bamboo Island, que nada mais é do que um pequeno círculo de areia no meio do Mar de Andaman, com algumas rochas cobertas de vegetação em uma extremidade. A ilha pode ser cruzada em menos de um minuto de um lado para o outro, mas fica cheia de cadeiras para aluguel e permite fazer snorkel numas pequenas piscininhas naturais formadas por coral ou mesmo saindo da própria praia, em pontos que dão pé até para crianças.
O mar de cadeiras na Bamboo Island (e o tempo para chuva)

Ninguém mora ali (o lugar é realmente muito pequeno), mas os vendedores e o pessoal que cuida das cadeiras vai e volta todo dia de ilhas vizinhas.

A "ilha do Homer Simpson" (olha se não parece ele deitado!)

Para não romper com a tradição, no final da tarde o tempo fechou e chegamos em Phuket com uma chuva tropical, para uma hora depois estarmos de volta ao hotel.