30/10/2010

Dubrovnik - praias


Dubrovnik tem poucas praias, mas as que tem são no mínimo "interessantes". Quando o pessoal quer ficar em praias maiores ou ter um pouco mais de sossego, o normal é pegar um barco até uma ilha próxima e passar o dia por lá.

A praia mais "normal" é a praia de Banje, que fica alguns metros para baixo do portão sul da cidade. Tem até areia no chão, coisa rara na Croácia - mas pelo que vi parece mais que jogaram alguns caminhões carregados dela para obter aquele resultado.
O lugar é meio lotado, porque pode ser atingido a pé a partir do centro histórico da cidade, onde muita gente se hospeda em apartamentos históricos e hotéis butique - além dos poucos albergues que existem por lá.

Quando se chega, a impressão é de que se está entrando numa praia particular, em que se tem de usar os guarda-sóis de um clube grande que fica por ali, o EastWest. Mas não, basta estender a toalha num cantinho de areia ou levar o seu próprio guarda-sol e cerveja que está tudo tranquilo.


Foi depois de ter ida a essa praia, logo na primeira tarde em Dubrovnik, que decidimos comprar um guarda-sol (ao invés de sempre alugarmos) e uma bolsa térmica para ter a nossa própria cerva gelada. Investimos uns 18 euros nisso e se revelou o dinheiro mais bem gasto da viagem, como contarei em outros posts.

O clube EastWest também serve para um after beach e até mesmo funciona como night club, por isso é algo que possivelmente quem for para lá visitará em algum momento.

A península de Lapad, onde fica a parte nova da cidade e a maioria dos albergues, também tem uma praia, um pouco maior, mas nessa não chegamos a ir, porque é necessário pegar transporte coletivo e não valia a pena porque disseram não ter nada de especial.

A ilhota de Lokrum, que é aquela bolota que se enxerga de qualquer ponto das muralhas de Dubrovnik, tem mais uma praia, mas pelo que soubemos é "FKK", ou seja, praia nudista. Para chegar lá, basta pegar um barquinho de 5min a partir do porto velho da cidade.

As praias mais interessantes de Dubrovnik, diferentes de tudo que eu já tinha visto na vida, no entanto, ficam nas muralhas da cidade velha. Há duas delas, ambas acessíveis por portõezinhos escavados nas muralhas mais ao oeste da cidade de menos de 1,70m de altura (a pessoa tem que se abaixar para não bater a cabeça). À noite os portõezinhos são fechados e só abrem por volta das 9h ou 10h da manhã.
O que eles chamam de praia, na verdade, são várias rochas no pé da muralha que foram sendo aplainadas com a construção de terracinhos (nos quais não cabem mais do que dois guarda-sóis com as cadeiras), interligados por escadarias.

Não há areia nem pedrinhas: para chegar a água usam-se escadas ou simplesmente se pula das pedras mais altas. Para voltar, como há limo nas pedras, há algumas cordas para se segurar.

As pessoas curtem o lugar numa boa: esticam toalhas na pedra (parece mais estão tomando banho de sol "na laje") e ficam bebendo dos barzinhos que atendem em cada uma dessas "praias".

Em todos os lugares, uma mesma característica: água transparente, ondas bem fraquinhas, mas quase nada de vida marinha. A temperatura é fria, para padrões brasileiros (os gaúchos talvez achem até mais quentes que as suas praias), mas dá bem para encarar com aquele calor quase insuportável que faz de manhã e no início da tarde em Dubrovnik).

07/10/2010

Dubrovnik - um pouco de história


Dubrovnik foi tombada pela UNESCO como patrimônio da humanidade e é considerada como uma das cidades mais bonitas do mundo. Desde muito tempo, é o lugar mais visitado da Croácia e de toda a antiga Iugoslávia. Milhões de pessoas a conhecem todos os anos, sendo que milhares delas o fazem através de paradas de navios de cruzeiros por apenas um dia.

A cidade é conhecida também pelo seu nome italiano - Ragusa. Na verdade, só recebeu o nome atual há menos de um século. Historicamente, foi uma república autônoma, como Veneza, com importante atuação no comércio marítimo do Mediterrâneo.
Pela beleza e pela riqueza cultural, já foi chamada de "pérola do Adriático" e "Atenas eslava". Era vista como um polo de cultura no meio da barbárie dos povos eslavos antigos, até porque foi fundada por latinos romanos fugidos da Itália. Alguns feitos, como a mais antiga farmácia do mundo ainda em funcionamento, são apontados como prova da tradição da cidade.

Inicialmente, Ragusa funcionou como uma cidade-estado independente dentro do Império Bizantino. Depois, com a queda do Império, ficou completamente independente, inclusive rivalizando com Veneza.

Com o tempo, o Império Otomano passou a assediá-la e, com um forte terremoto e a crise que se abateram sobre a cidade no século XVII, teve de entregar várias de suas terras e começar a pagar tributo aos muçulmanos.

Na época de Napoleão, foi libertada dos turcos, mas logo depois foi entregue ao Império Austro-Húngaro.

Com a I Guerra Mundial, foi absorvida pela Croácia e passou a integrar a Iugoslávia. Em 1991, com a separação do país e a guerra civil, chegou a ser bombardeada.

Até hoje militares sérvios respondem por crimes contra a Humanidade por terem bombardeado o centro histórico de Dubrovnik.

04/10/2010

Dubrovnik - albergue

Assim que chegamos na rodoviária de Dubrovnik, enfrentamos a fila do caixa automático e sacamos nossas primeiras das muitas kunas (moeda local) que sacaríamos na Croácia. De posse do dinheiro, pegamos um táxi com um porta-malas gigante para os quatro até o centro velho da cidade (Grad).

O centro velho é uma parte toda amuralhada da cidade onde não entram carros. O táxi só pode ir até um dos três portões de acesso e dali por diante a coisa é a pé... Também não adianta querer caminhar da rodoviária ou do porto novo até o centro, porque são cerca de 5km. Até dá para pegar ônibus, como muitas vezes fizemos, mas entre quatro a diferença não é tão grande e com os mochilões esse acaba sendo o melhor jeito mesmo.

Do portão de entrada até nosso primeiro albergue, sabíamos que tínhamos bastante caminho. Só não sabíamos que era tão sofrido. Tirando a rua central, a Placa, que é toda de mármore reluzente, o resto da cidade velha é todo íngreme, com escadarias sem fim que matam o pobre mochileiro no cansaço quando está com toda sua bagagem nas costas, especialmente se está fazendo mais de 30°, como era o caso.
Hospedagem no centro histório de Dubrovnik em período de alta temporada é coisa difícil de se achar. Tínhamos feito nossas reservas pelo Hostelworld cerca de dois meses antes, mas mesmo assim só tínhamos conseguido reservar duas diárias no Fresh Sheets Hostel, que parecia ser o melhor de todos. Por isso, decidimos mesmo assim fica uma parte do tempo nele e, depois de dois dias, seguir para outro, também no centro velho e reservado com antecedência.

O Fresh Sheets é bem simples, como a maioria dos prédios habitáveis do centro histórico de Dubrovnik, mas se revelou um albergue bem legal, sempre cheio de gente diferente e animado. O pessoal que trabalha lá é muito atencioso e tem dica para tudo que se pergunte.

A decoração da área comum é toda moderninha e tudo é bem legal. Se tivesse ar condicionado, seria perfeito. Os quartos têm tamanho bom e o banheiro fica do lado de dentro, para ser usado apenas por quem está nele. Há lockers (leve seu cadeado) e avisos bem humorados explicando como fazer chuveiro funcionar, onde pedir papel higiênico caso falte, o que fazer para manter as coisas em ordem, etc.
Se a ideia é arranjar um passeio pelo albergue, a Fiona (uma neozelandesa que mora em Dubrovnik há 10 anos) é a pessoa com quem falar. Acertamos com ela o tour para Montenegro logo no dia seguinte e perguntamos ainda em que praia o pessoal do albergue estaria na parte da tarde para poder encontrá-los.

01/10/2010

De Mostar a Dubrovnik

Os ônibus da Bósnia e da Croácia geralmente não asseguram os lugares marcados, embora ninguém fique de pé. Mas, para não perder o melhor da paisagem ou mesmo fugir do sol, o ideal é ser um dos primeiros a entrar para escolher onde ficar. Foi o que aprendemos logo nos primeiros dias de viagem e, por isso, sempre nos organizávamos de modo que dois subissem direto enquanto outros dois ficassem para colocar as bagagens no maleiro (ah, não dá para esquecer da verba extra que se deve pagar por cada mala ou mochila guardada no bagageiro, de cerca de 1 euro por peça).

Assim que o ônibus saiu de Mostar, o que vi pela janela foram vários prédios ainda destruídos no meio do campo, principalmente sobrados de gente que trabalha em pequenas propriedades. Um ambiente bem triste, mas bonito. Há alguns vinhedos na região e começam a surgir prédios mais novos, de depois da guerra, como concessionárias de veículos, atacados e lojas de móveis nos arredores da cidade. Outra coisa que me chamou a atenção é que as placas que indicavam os nomes dos lugares em alfabeto cirílico e latino tinham muitas vezes pichações sobre as letras cirílicas, no que eu interpreto como um protesto contra os sérvios (que usam esse alfabeto).

O ônibus só entrou numa cidade bósnia antes da fronteira e nessa cidade o que se viu foi a mesma coisa do resto do país: prédios crivados de balas na paredes, mas uma população simples levando uma vida bem serena.

Pelas placas, percebe-se que o ônibus entre Mostar e Dubrovnik passa bem pertinho de Medjugorije, uma das cidades mais visitadas da Bósnia. O motivo é religioso: nesse lugar, desde o início da década de 80, alguns jovens começaram a ter visões da Virgem Maria (ao estilo daquelas ocorridas em Fátima e Lourdes). Só que, diferentemente dos casos da França e Portugal, essas visões teriam continuado por anos e anos, de modo que até hoje alguns ainda dizem recebê-las. Milhares de peregrinos vão até lá para presenciar esses momentos, que não são oficialmente reconhecidos pelo Vaticano como fenômenos milagrosos, embora já tenham sido objeto de congressos de bispos.

Cerca de uma hora e meia depois de sairmos de Mostar, chegamos à fronteira com a Croácia. A estrada é estreita e não há nenhum estacionamento no posto de controle, por isso forma-se um longo congestionamento. O passo de fronteira, ali, tem o nome de Metkovic, e tudo que vimos foi um policial croata entrar no ônibus, olhar alguns passaportes e só carimbar aqueles que era da própria Bósnia ou da Sérvia - todos os demais, inclusive os nossos, não receberam nenhum carimbo.

Do lado croata, logo percebemos a diferença na paisagem natural e nas cidades. Tudo tem cara de Mediterrâneo. As cidades não têm marcas de guerra. Tudo parece mais novo e bem conservado. A planície já é a regra e já se começa a ver o mar logo ao fundo.
A viagem pela costa da Dalmácia, que é o nome dessa região croata, é uma das mais bonitas que já fiz na vida. O mar é de um azul impressionante. A estrada vai serpenteando as inúmeras baías que o mar forma quase na beirada dos penhascos que geralmente dão direto para o mar (há poucas praias e as que existem são de pedras). Ao fundo, sempre há uma ilha ou uma península para dar o toque final.

No meio do caminho, passa-se novamente por um trecho da Bósnia, onde fica a cidade de Neum. Esse pedacinho de litoral bósnio tem só 9km e é o único contatdo daquele país com o mar. Tudo não passaria de uma interessante curiosidade se não fosse pelo fato de que há postos de controle de fronteira tanto antes como depois desse trecho, o que gera congestionamentos e atrasos de mais de meia hora.
Também em Neum, na Bósnia, o ônibus faz a parada para lanche num restaurante com um visual muito legal da cidade, que aparece na foto acima.

Após passar por Neum, a viagem ainda demora mais um bom tanto, mas a paisagem, que continua bonita até Dubrovnik, serve como distração.

Dessa vez não teve bêbado incomodando e nem nada. O ar condicionado na medida certa e o ônibus mais confortável fizeram do deslocamento algo bem agradável.

Chegamos em Dubrovnik perto do meio-dia e primeira visão que tivemos da cidade foi da gigantesca ponte que serve para cortar uma estreita baía ao lado do porto novo e de um navio de cruzeiro ancorado.