31/07/2008

Ao redor do lago


Nas horas seguintes, conheci a parte do centro que fica às margens do lago e me pus a caminhar no calçadão que fica na sua orla. Acredito que haja pouco mais de 2km entre o centro de Lugano e a parte conhecida como "Lugano Paradiso", no extremo oposto da cidade.
A visão bucólica daquela cidadezinha numa tarde de clima agradável foi muito legal. A maioria das pessoas andando por ali era de velhinhos mesmo, a maioria com jeito de ricos.
Fiquei realmente admirado com a limpeza e a organização de tudo. Foi o lugar mais perfeitinho que havia conhecido até então.

Mais uma vez se confirmou uma coisa que hoje eu percebo com bastante clareza: as melhores sensações que tenho em viagens ocorrem em lugares inesperados, dos quais nunca tinha ouvido falar direito ou nos quais não sabia muito bem o que veria. Os cartões postais tradicionais, com honrosas exceções como o Coliseu, Veneza, Barcelona e a parte histórica de Praga, acabam sempre sendo algo ou previsível (e portanto nada demais) ou às vezes meio decepcionantes.

Chegando em Paradiso, ainda tive a grata surpresa de ver que aquele chafariz que havia no lago servia (acredito que intencionalmente) para formar um permanente arco-íris sob as águas.
Depois de algumas voltas por ali, refiz o caminho até o centro, com o obejtivo de comprar alguns presentinhos de viagem para amigos e familiares que faltavam.

Por azar, a maior lojinha de souvenirs estava fechada na terça-feira e então tive que catar uma espécie de hiper-mercado para suprir a falta.

Quando me dei por satisfeito, tomei o rumo em direção à estação, mas, já cansado, paguei o 1,50 franco para subir de funicular até lá.
Um dia que realmente valeu a pena, recomendável para qualquer um que não tenha gostado muito de Milão, como eu, e que tenha vontade de conhecer um lugarzinho com ares de perfeição.

30/07/2008

Saluti dal Ticino

A Suíça é um país muito menor que a maioria dos seus vizinhos, mas é cheia de particularidades. Além de ser um dos únicos que não aderiu à União Européia (só recentemente aderiu à ONU!), é um país em que se falam oficialmente quatro línguas diferentes.

A maior parte do país fala alemão. Em cerca de 30% do território, o francês é o idioma predominante. Em alguns cantinhos próximos à Áustria e ao norte da Itália, fala-se romanche. Já o Ticino, esse cantão (província) que visitei, é o único que fala italiano.

A mistura entre a "perfeição" suíça e o jeitinho italiano forma uma combinação muito legal. Lugano é conhecida como um "paraíso de verão" para os suíços e, embora fique a umas boas centenas de quilômetros do mar, é descrita como uma cidade de estilo quase mediterrâneo.

O lugar não tem muito mais do que 70 mil habitantes, mas vale a pena conhecer, pela proximidade que tem em relação a Milão e pela beleza.

Da estação central de trem, que fica numa das partes mais altas da cidade, há dois jeitos de descer até o centro, que fica às margens do Lago di Lugano: a pé, por calçadas para pedestres que vão em zigue-zague por causa do forte aclive, ou com um funicular (que custa pouco mais de 1 franco suíço).
Decidi descer a pé e deixar o funicular para a volta. O caminho é todo por vielas estreitas, mas muito limpas. Os prédios ao redor são bem do estilo italiano, gealmente uns sobrados de dois ou três andares. Ao contrário do que se vê na Itália, porém, são todos muito bem conservados e limpos.
No caminho há algumas lojinhas de bugigangas para presente e de comida. Como já eram quase 11 da manhã, parei numa delas e comi um tipo de "panini" com uns queijos e salames estilo italiano, muito bom e barato (relativamente, pois logo vi como as coisas são caras daquele lado da fronteira!).

No caminho da descida, também, fica uma das igrejas mais importantes da cidade, a de San Lorenzo, cuja torre se vê logo que se sai da estação:
Lá embaixo, chegando ao centrinho da cidade, logo se percebe que tudo é muito pertinho e que dá para dar uma volta em poucos minutos para ver o que os mapinhas turísticos apontam como pontos principais da cidade.

O lugar mais movimentado do centro é a praça que fica em frente à Prefeitura, onde há vários cafés e restaurantes chiquezinhos (e podre de caros).
Um pouco mais para dentro, distanciando-se do lago, fica a Piazza della Independenza, que tem essa estátua bem interessante:
Certa vez, depois que voltei de lá, vendo um programa de TV sobre Veneza, tive a impressão de ter visto uma igual e mais antiga em Veneza, por isso acredito que seja uma réplica de uma estátua veneziana mesmo.

Algumas quadras mais adiante, encontrei o Parco Civico, lugarzinho tri simpático e cheio de banquinhos e sombras para um descanso durante um lanchinho.
Do outro lado do parque, o Lago de Lugano, que seria a minha próxima visita.

28/07/2008

Già sei in Svizzera!

O trem para a Suíça saiu por volta das 8 e pouco da manhã. O primeiro trecho da viagem, através da região metropolitana de Milão, não foi muito interessante. De notável, apenas o fato de passar por Monza, que é a cidade onde se disputa o GP da Itália de F1.

O trem tinha bem pouca gente e a maioria foi descendo nas intermináveis paradas ao longo do caminho. Quando finalmente parou no fim da linha - a fronteira - no meu vagão não havia mais ninguém senão um senhor dormindo.

Meio confuso (não sabia que haveria troca de trem na fronteira) desci e segui o fluxo das poucas pessoas que desceram de outros vagões. Todo mundo passou reto por um posto de fronteira que, na verdade, era apenas uma estação de trem prolongada, com o lado de cá italiano e o lado de lá Suíço.

Andei mais um pouco e comecei a ver umas placas indicando a aduana e a migração. Voltei um pouco e perguntei para uns guardas italianos onde fazia a imigração para a Suíça. Indicaram-me uma janelinha no final de um corredor.

Cheguei lá e perguntei, timidamente, como fazia para entrar na Suíça. O cara me olhou e disse: "Ma, già sei in Svizzera!!!" (Já estás na Suíça).

Perguntei se, sendo brasileiro, não tinha que fazer alguma coisa, carimbar o passaporte, mas o cara, seguro de si, respondeu que ali não precisava de carimbo... Fiquei meio cabreiro, mas tudo bem...

Parei na casa de câmbio que havia no caminho e troquei uns 30 euros em francos suíços. A taxa de câmbio saiu uns 2 euros, pelo menos - ou seja, um baita preju.
O dinheiro suíço é muito estranho. São umas notas coloridas, com as figuras na vertical, e não na horizontal. A menor nota é de 10, e as moedas maiores, como as de 2 e 5 francos, são bem grandonas e pesadas.

Atravessada a "fronteira", do outro lado havia um trem da SBB, a companhia estatal suíça, esperando para seguir viagem.

Dali começou a parte mais bonita daquela curta viagem. Praticamente o tempo todo, até Lugano, havia lago de um ou do outro lado da estrada de ferro - às vezes dos dois lados. Ao fundo, montanhas crivadas de casinhas de cima a baixo (nada parecidas com favelas, hehehe).
Se olhar no mapa, pode-se ver que ali fica um pedacinho da Itália dentro da Suíça: uma cidade chamada Campioni d'Itália que não tem ligação por terra com a Itália, mas que pertence a ela. Se não me engano, são essas casinhas que aparecem na foto.
Chegando perto da cidade, perguntei a uma mulher (uma baita africana com cara de prostituta de luxo falando o tempo todo no celular com alguém que na minha cabeça só podia ser o cafetão dela) se deveria descer na estação Lugano-Paradiso ou numa outra, depois. Ela me indicou a outra, que seria a central, e assim eu fiz.
Cheguei lá e tratei de cuidar bem os horários de retorno a Milão, para não me atrasar muito na volta.

Saí da estação, que fica numa parte bem alta da cidade, e já pude ver um pedacinho do que me esperava lá embaixo.

27/07/2008

Decidi: vou dar um pulo na Suíça

Desde antes da minha viagem, a proximidade entre Milão e o sul da Suíça tinha me deixado com vontade de dar um pulinho do lado de lá da fronteira. Cheguei até mesmo a cogitar de reservar um albergue em Lugano para dormir a última noite antes do meu retorno ao Brasil, ao invés de ficar em Milão, que sinceramente nunca me atraiu muito.

Acabei deixando de lado o plano porque não consegui, pela internet, encontrar um albergue que ficasse próximo ao centro da cidade e que fosse barato. Como também não tinha muita noção do grau de facilidade/dificuldade de cruzar aquela fronteira e de voltar em tempo curto para pegar o avião em Malpensa, a idéia foi morrendo.

Quando cheguei em Milão, entretanto, tratei de me informar como era possível ir até Lugano e voltar logo em seguida. Descobri que existe um sistema integrado de trens regionais chamado Ti-Lo (abreviação de Ticino, cantão suíço em que fica Lugano, e Lombardia, a região italiana de Milão). Por cerca de 14 euros, podia ir em pouco mais de uma hora e voltar em cerca de uma hora e meia.

Não comprei nem reservei nada, deixando primeiro para ver se acharia alguma coisa que me agradasse em Milão para fazer.

Como dei aquela passada geral pelo centro da cidade, meu último dia serviria, em tese, apenas para fazer o passeio por dentro do San Siro e, quem sabe, visitar o convento onde fica a famosa pintura da Santa Ceia. Contudo, em tempos pós "Código da Vinci", essa última atração estava disputadíssima, falando-se em necessidade de reserva com 2 dias de antecedência.

Considerando isso tudo, decidi, no final daquele dia, que iria a Lugano no dia seguinte, antes do retorno ao Brasil.

À noite, quase desisti da idéia conversando com um pessoal que conheci no albergue. Um australiano contou que, vindo da Suíça, a polícia parou um brasileiro que estava no ônibus e mandou-o descer para "averiguações", fazendo-o interromper a viagem. Essa situação, pensei, poderia ser terrível em se tratando de horas antes de um vôo transcontinental.

Hesitei um pouco, mas acabei decidindo ir igual, certo de que nada daria errado.

Naquela noite, acabei conhecendo bastante gente no albergue, inclusive um pessoal de tudo quanto era canto da Itália que estava fazendo um curso de (adivinha?!) moda em Milão, que "adotou" os estrangeiros como eu, o australiano e um texano que estavam por ali. Compartilharam a janta que estavam fazendo e até nos deram um pouco dos vinhos que tinham, cada um de sua região. Viramos meio que "atração" para a italianada, e a conversa na cozinha se estendeu até altas horas.

Na manhã seguinte, tomei meu banho e deixei tudo ajeitado para a viagem ao Brasil no final do dia. Coloquei o essencial para 2 dias na mochilinha pequena e fechei todo o resto no mochilão, que deixei depositado no guarda-volumes que o albergue oferecia gratuitamente aos hóspedes mesmo após o check out.

Decidido, saí e peguei o metrô até a estação Porta Garibaldi, de onde saíam os trens com destino à Suíça. Cheguei à conclusão de que Milão era mais para quem queria fazer compras do que para fazer turismo e me fui para umas horas em Lugano.

25/07/2008

Milão - passeios rápidos

Fui caminhando do albergue até o centrão da cidade - a Piazza Duomo. No caminho, sem o peso da mochila nas costas, pude perceber bem melhor a cidade. Milão parece que não tem nada a ver com as demais cidades da Itália que até então eu tinha conhecido. É bem mais "européia", no sentido de parecer mais com o que se espera de um lugar mais desenvolvido. Lembra mais um lugar francês do que italiano, pelo menos na imagem que eu tinha na cabeça.

Chegava rir sozinho quando via pessoas estilosas na rua, com cara de modelo, tanto homens como mulheres, usando aqueles óculos gigantes de marca e casacos que tinham jeito de custar pelo menos uns 1000 euros. Nunca vi um lugar em qualquer outro lugar da Europa em que as pessoas andassem tão bem vestidas na rua. A cidade faz jus à fama ligada à moda.

Quando cheguei na Piazza, a decepção com o fato de o Duomo estar em obras foi inevitável, mas mesmo assim fiquei muito surpreendido com a catedral.
Só depois de dar umas voltas pelas laterais é que percebi como ela é cheia de detalhes. Cada torrezinha, na verdade, é um santo. A cor do prédio chega a ficar dourada, conforme o ângulo do sol. Muito bonita mesmo.
Por dentro, a impressão é a de que é uma das maiores igrejas que existem. A escuridão de dentro permite ver com bastante clareza os vitrais.
Como na maioria dos lugares católicos, a entrada é de graça, mas a subida na torre e a visita à parte onde ficam guardadas as "relíquias" não. Não estava muito a fim de pagar, por isso me contentei com o interior do templo em si.

Do lado de fora, dei uma olhada melhor na praça em si, que estava bastante tranqüila àquele hora, embora tenha fama de concentrar muita gente, inclusive batedores de carteira. Rumei para as galerias Vittorio Emanuelle, logo ao lado do Duomo, conhecidas como o lugar mais chique de todos para fazer compras.
As galerias, na verdade, são quatro trechos de rua inteiramente cobertos, só para pedestres, que se encontram numa esquina onde ficam as lojas mais famosas de todas: Prada, Luis Vuitton, uma outra que não lembro e, pasmem, um McDonald's. Um mau gosto terrível, na minha opinião, misturar marcas de grifes com um fast food, mas comecei a perceber que os italianos, ao contrário do resto dos europeus, parecem ser muito baba-ovo de americano mesmo...
Dei uma volta pelas galerias, obviamente só olhando vitrines (e me sentindo pela primeira vez muito mal vestido para passear numa cidade européia), e saí do lado oposto ao da praça, numa outra pracinha em cuja frente fica o famoso teatro Scala de Milão, que é esse da foto abaixo (bem simplesinho por fora, por sinal, apesar do nome pomposo).
Daquela parte da cidade, segui para o Castello Sforzesco, a poucas quadras do centrão. No caminho passei por mais lojas e lojas daquelas só para gente podre de rica.
O Castello Sforzesco é o coração da Milão da Idade Média. Dali os Sforza dominavam a Lombardia, região que tem Milão como capital.

A entrada no castelo é de graça. Lá dentro, há várias mostras sobre a história da cidade, desde o tempo em que os romanos a chamavam de Mediolanum, passando pela época em que era toda amuralhada (num formato que, de cima, lembra um coração) até os tempos atuais.

Há várias "camadas" do castelo que se vai passando, para depois chegar-se à parte detrás dele, que dá para o Parco Sempione, outra das atrações da cidade.
Embora Milão seja uma cidade com bastante áreas verdes, essa é a maior de todas as mais próximas ao centro. Como a maioria dos parques europeus, tem laguinho, patinhos, arcos históricos. Um bom lugar para o descanso após os passeios meio corridos que fiz àquele tarde no centro da cidade.
Tomei fôlego e segui caminhando, do lado extremo do parque, em direção à estação Norte, de onde peguei outro metrô para os lados do estádio San Siro, sede do Milan.

A viagem é bem longuinha e, da estação do metrô até a entrada do estádio, há uma bela caminhada (mais de um quilômetro) por uma avenida toda arborizada - isso para quem quer economizar e não gastar um euro no bonde que passa por ali.

Cheguei na frente do estádio e bati de cara na porta. A visitação havia se encerrado cerca de uma hora antes. O jeito foi se contentar com uma fotinho do lado de fora e pegar o rumo do albergue.


24/07/2008

Milão - chegada sofrida

As quase três horas de viagem entre Imola (na verdade Bologna, porque fiz conexão) e Milano passaram mais rápido do que qualquer outra que fiz de trem pela Europa naquele mochilão. Talvez porque tenha conseguido dormir numa parte, coisa rara para mim.

A paisagem não empolga nem um pouco e talvez isso tenha contribuído para o sono. A região centro-norte da Itália é quase toda plana e não se passa perto de nada muito interessante.

Como a maioria dos trens que vêm do sul, o meu chegou na estação Centrale, a mais importante das várias de Milano. Construída no início do século, a estação tem um ar parisiense (como depois eu veria em vários outros aspectos da cidade). É meio apertada para os dias atuais, mas havia obras, possivelmente para alguma ampliação ou melhoria.

Segui meu ritual de cidade nova (procurar quiosques de informações turísticas, informação sobre o metrô) e em alguns minutos já estava procurando a entrada da estação do metrô, que fica embaixo da estação de trem.

Apesar de ser menor que Roma, Milão tem três linhas (bem mais extensas) de metrô.
A passagem simples estava custando, se não me engano, 1 euro. De acordo com as informações que consegui quando reservei uma cama no albergue La Cordata, bastava tomar o metrô até a estação Missouri e de lá seguir caminhando algumas quadras.

O metrô era muito limpo e moderno, um dos melhores que conheci naquela viagem. O problema foi o que aconteceu a seguir: a estação era muito, mas muito longe da Via Burigozzo, onde ficava o albergue. Para piorar as coisas, ainda saí para o lado errado (devo ter andado umas três quadras no sentido norte até perceber isso). Olhando no mapa, até que não é tanto, mas a questão toda é que eu estava com toda minha bagagem: mochilão carregado com uns 18kg atrás (fim de viagem, hehehe) e mochilinha menor na frente.

Andei, andei, andei e nada de encontrar a tal Via Burigozzo. Até parei e perguntei para dois guardas se estava certo o meu caminho, e eles me asseguraram que sim, faltavam apenas mais 2 quadras.

Quando finalmente cheguei no albergue, outro problema: ele ficava fechado do meio-dia às 14hs. É, o famoso "lockout" em prática... Solução: já que era meio-dia e não havia como ficar ali esperando mais de uma hora, sem comer nada, perguntei para alguém na rua onde ficavam as lanchonetes mais próximas e lá me fui, com mochilão, mochilinha e tudo mais até um McDonald's umas três quadras adiante.

Por sorte, consegui uma mesinha num canto, para deixar a mochila enquanto fazia o pedido no balcão. Talvez s culturas sejam diferentes, sei lá, mas quando voltei havia duas pessoas sentadas na minha mesa. Fiz sinal indicando que tinha deixado minha mochila guardando o lugar e eles me pediram desculpas, mas pediram para usar um pedaço da mesa.

Uma coisa interessante que observei naquele McDonalds foi o fato de que, ao contrário do que geralmente se vê, havia quase só pessoas de mais 50 anos de idade atendendo. Triste ou legal a iniciativa? Não sei. Achei diferente.

Bom, depois do menu especial do Mc italiano, voltei ao meu albergue, faltando ainda uns 10 minutos para abrir. Havia outra pessoa lá esperando também; uma mexicana que, como depois eu descobriria, também estava ali apenas para aguardar uma noite antes do vôo a partir do aeroporto de Malpensa.

Pontualmente às 14hs, chegou um cara para abrir a recepção do albergue. Explicou tudo muito direitinho, fez o check in e me mostrou o quarto. A impressão foi muito boa. Lugar muito limpo, seguro, novinho em folha, com senhas eletrônicas para acesso ao prédio e aos quartos. Combinei também de deixar a bagagem no dia seguinte em uma sala, após o check out, para não ter que carregá-la até a hora do meu vôo, que só saía à noite.

Pude escolher minha cama, pois não havia mais ninguém no quarto de seis pessoas. Tomei um banho, guardei a maior parte das coisas e me preparei para sair. Peguei um mapa melhorzinho na recepção e umas dicas do que ver na cidade. Como não tinha muito tempo, pus logo em seguida o pé na rua para começar o passeio.

23/07/2008

Domingo de descanso

Voltamos de Veneza no sábado de noite, bastante cansados, mas não o suficiente para deixar de jantar fora, hehehe. Cada noite que passei em Imola era motivo para a minha prima nos levar a um restaurante diferente, que ela e o marido (que estava viajando pros EUA enquanto ficamos lá) já conheciam.

Confesso que a viagenzinha de dia inteiro com tios, prima e afilhada não foi das mais tranqüilas. Minha afilhada só tinha 10 anos recém completos e, como toda criança, não via graça nenhuma em ficar caminhando um dia inteiro para olhar prédios velhos. Depois do episódio na praça, em que ela caiu e se sujou, ficou ainda mais irritada e pedindo para ir embora a todo tempo. Fora isso, ainda havia o "conflito de interesses" entre minha tia e minha prima de um lado e eu o meu tio do outro. Elas se interessavam mais em olhar com calma as vitrines e até experimentar alguma coisa nos vendedores de rua; eu e o meu tio queríamos mais era conhecer o máximo possível e tirar fotos legais. Quando um grupo demorava demais no seu interesse, o outro chiava, reciprocamente.

Mesmo assim, foi bastante válida a experiência. Num mochilão só, tive a oportunidade de ver como era viajar com um amigo, como era viajar sozinho e como era viajar com família - só faltou com a namorada, experiência legal que tive em outras viagens posteriores.

Depois de uma noite tranqüila de sono, tirei o domingo para descansar. Seria meu último dia antes de viajar para Milão, de onde tomaria o avião de volta para o Brasil. Ficamos em família, almoçamos em casa mesmo e à tarde, como se fosse aqui perto de casa, fomos para uma pracinha em frente ao prédio tomar mate, enquanto minha afilhada brincava de bicicleta.

Para não ter novamente os mesmos problemas que tive em Roma, reservei por telefone, com antecedência, um albergue legal na cidade, não sem antes consultar comunidades no orkut, que acabaram recomendando o La Cordata, certamente uma ótima escolha, como depois falarei, quando tratar de Milão.

Comprei antecipadamente a passagem de trem também, com uma reserva de assento, para ir tranqüilo (a estação ficava umas três quadras dali da casa da minha prima, por isso era fácil dar um pulinho e voltar).

Tratei de fazer um backup, no computador dela, de todas as minhas fotos de viagem, inclusive as gravadas em CD, para não ter nenhuma surpresa desagradável no retorno ao Brasil.

Fizemos as despedidas antes de dormir no domingo, porque meu trem sairia cedinho, e só minha prima estaria acordando para ir trabalhar.

Ter uma "base" como Imola foi essencial para que a viagem não se tornasse tão cansativa para mim. Afinal, somando tudo, foram 34 dias de viagem, dos quais apenas 21 com um amigo mochilando junto. Certamente teria aproveitado bem menos o final da viagem, por cansaço, se não tivesse essa possibilidade de voltar e me sentir meio "em casa" a cada pouquinhos dias.

22/07/2008

Italiano

Assim como a Alemanha, a Itália é um país que só se formou numa época relativamente recente, a menos de 200 anos. Antes disso, era um punhado de pequenos reinos e Estados independentes que tinham línguas próprias e costumes um tanto diferentes entre si.

O italiano funciona como a língua nacional, dos meios de comunicação, da escola, do serviço militar, do serviço público, etc., o que não significa que as pessoas tenham deixado de falar suas línguas e dialetos locais. É bem comum não conseguir entender nada do que duas pessoas conversam entre si num trem ou num restaurante, porque, embora soem parecido, esses dialetos são bem incompreensíveis para nós.

Mesmo não conhecendo muito da língua, os sotaques diferentes de cada região são logo percebidos por quem escuta com atenção, principalmente na entonação que dão nas frases.

Não sei explicar porque, mas eu tinha um certo receio de ter dificuldades de comunicação na Itália. Fiz um cursinho de italiano pelo consulado, aqui em Santa Maria, mas abandonei na metade porque me irritava demais com os colegas de turma e porque não sentia que estava evoluindo mais. Talvez isso tenha me deixado um pouco apreensivo, mas chegando lá consegui me virar muito melhor do que imaginava.

Engana-se quem acha que é fácil de falar, como espanhol. A língua é bem mais complicada gramaticalmente, bastando lembrar que o plural das palavras não é feito com "s", mas geralmente com "i" ou "e" e que há regras quase indecifráveis para saber qual é a silaba tônica de uma palavra ou quando é que se usa "doppia lettera" (duas letras iguais).

É muito mais fácil entender do que falar e, por mais estranho que isso possa parecer, parece que eles é que não entendem quase nenhum outro idioma, nem mesmo o espanhol. Por isso, acabava que sempre eu entendia tranqüilamente o que eles me diziam, mas parece que o esforço vinha quando eu tinha que falar. Além disso, eles tendem a pronunciar muito bem cada palavra (exceto os do sul da Italia!), por essa razão não há grande dificuldades - ao contrário de franceses e ingleses, diga-se de passagem.

O inglês dos italianos é sofrível - mais difícil de entender do que se vc não souber nada de italiano e deixar eles falarem com calma. Eles têm uma necessidade muito engraçada de colocar vogais no final de todas as palavras, na hora de pronunciar, resultando em coisas como "compiuter-a", "weekend-a", etc.

O negócio é não se assustar, porque é bem tranqüilo, afinal!

20/07/2008

Venezia - 3ª parte

Da Piazza San Marco, saímos em direção à Ponte dell'Accademia, para conhecer o outro lado da cidade e, de lambuja, as melhores vistas da cidade.

De cima da ponte, tem-se essa vista da foto acima, que é um cartão-postal em si mesma. Ainda que estivesse chovendo, a visão era muito bonita. Gôndolas, vaporettos, aquelas estquinhas listradas para amarrar as gôndolas, a cúpula da Santa Maria della Salute ao fundo, tudo muito perfeito.

Nosso objetivo era chegar até a igreja da S Maria della Salute, bem na pontinha da cidade, para conhecê-la e para ter a vista da Piazza San Marco de longe. Não foi fácil. É um verdadeiro labirinto que se tem que passar até chegar lá. No caminho, passa-se pelo Museu Peggy Gugenheim, que é esse prédio branco com folhagens verdes que aparece na foto de cima.

Quando finalmente chegamos, a chuva apertou mais um pouco e nos socorremos no interior da igreja até que ela acalmasse.
A vista a partir da frente também é muito legal.
Já eram cerca de 16hs quando estávamos na igreja, por isso achamos bom começar o caminho de volta. Não foi fácil, mais uma vez. Os labirintos de canais, calçadas estreitas e ruelas confundem bastante. Às vezes, chega-se num canal e percebe-se que a ponte para cruzá-lo só é acessível voltando e entrando por outra ruazinha.

Com o mapa na mão, eu ia tentando guiar minha prima, que estava duvidando um pouco que eu conseguiria nos conduzir até a estação.

Nesse percurso, tivemos a oportunidade de conhecer uma parte menos turística da cidade, com prédios residenciais e inclusive protestos políticos numa praça chamada Campo Santa Margherita.

Passando pelo calçadão ao longo do Canale della Giudecca, vimos grandes navios de cruzeiro passando bem ao ladinho da cidade (não imaginava que aquelas águas fossem profundas a esse ponto).

Embora seja menos turística, essa parte da cidade é tão cortada por canais como as outras, sempre com gôndolas e barquinhos indo e vindo.
Chegamos tranqüilamente na estação, cerca de meia hora antes do trem sair. Tempo para escolher lugares bons e para espichar as pernas.

E nesse dia, ficou para trás mais um lugar a ser conhecido com mais calma, no qual ficaram faltando muitas outras coisas a serem vistas e aproveitadas. Não vou nem começar a lista, para não ficar me lamentando por tanta coisa que não vi!

18/07/2008

Venezia - 2ª parte

Logo depois que atravessamos a Ponte di Rialto, decidimos encontrar algum lugar para almoçar. Contando com a presença de uma criança e com a pouca vontade dos meus familiares de gastar um pouquinho mais em alguma coisa melhor, acabamos escolhendo uma lanchonete de fast food (tudo a ver com Veneza, hehehe...), perto do Campo di San Lucca.

Na Itália, os Burger King geralmente têm ao lado uma outra cadeia local de fast food, a Spizzico, que lida com pizzas por preços e pacotes semelhantes aos de hamburger. Na minha opinião, uma opção bem melhor...

Almoçados, chegamos finalmente na Piazza San Marco.
A visão da praça é realmente impressionante. Quase toda cercada por prédios que parecem um filme em preto-e-branco (as Procuratie Vecchie), a praça se destaca pelo campanário alaranjado e pela Basílica de San Marco ao fundo. Outra coisa inconfundível é a maior concentração de pombas por metro quadrado que se vê por aí.

Justamente na hora em que chegamos lá, começou uma chuva bem fininha que, embora não chegasse a molhar, ajudou a reduzir o número de pessoas na praça, permitindo uma visão mais "limpa" do lugar.

As pombas da praça são um capítulo à parte. Embora vários turistas gostem da idéia de tirar fotos rodeados por elas, inclusive comprando milho para chamar a atenção, a impressão que se tem delas é bem repugnante. Parece mais coisa do filme "Os Pássaros" de Hitchcock do que algo romântico. Elas aparentam ser extremamente sujas e basta que se pare um pouquinho com os braços abertos para que elas venham rodear a pessoa, imaginando que se está com algo que elas possam comer nas mãos. As investidas que algumas dão levam invariavelmente a pessoa a querer proteger os olhos contra elas.

Minha afilhada foi inventar de andar no meio delas, se assustou e acabou caindo no chão, cheio de poças d'água àquela altura. No que ela caiu, dezenas de pombas foram pra cima dela, deixando a coitadinha em pânico. Minha prima teve que pedir para usar o banheiro de um restaurante ao lado para limpá-la depois do incidente.

Outra cena macabra foi ver que algumas aves maiores (acho que gaivotas) ficam à espreita das pombas nos prédios maiores. Quando encontram uma presa fácil, dão um rasante e saem com uma pomba no bico. Levam para uma marquise ou alto de uma coluna e, na frente de turistas surpresos, matam e arrancam as entranhas das pombas para comer, deixando cair no chão apenas uma "carcaça" cheia de penas... Muito dark!

A Basílica de San Marco, em compensação, é uma das coisas mais originais que já vi na vida. É muito diferente de qualquer outra igreja em que já estive. Seus detalhes, suas formas, seus mosaicos, tudo é surpreendente.
Ficamos cerca de meia hora na fila para conseguir entrar. Como não se pode levar mochilas nem bolsas grandes lá para dentro, deixamos nossas coisas com minha prima, que já conhecia o interior da Basílica. As filas se formam em cima de passarelas estrategicamente colocadas em frente à Basílica por causa das freqüentes enchentes que ocorrem na praça.

Lá dentro, tudo é muito escuro, mas muito bonito. O chão, todo feito em mosaicos, é todo irregular, por causa da umidade. A única parte que precisa pagar para conhecer é a capela subterrânea onde está o tesouro da igreja e o túmulo de São Marcos.
Só depois que saí da basílica é que percebi, ao lado dela, a Torre dell'Orologio, um dos símbolos da cidade (foto acima). O relógio é um dos poucos no mundo que tem as 24 horas num círculo, ao invés de apenas 12. Causa estranheza também a referência aos signos do zodíaco ao redor das horas. Bem no alto, um leão alado, símbolo da República Veneziana, uma das mais importantes do mundo nas idades Média e Moderna.

No lado oposto, e já de frente para o Canale di San Marco, fica o Palazzo Ducale, outro dos símbolos da cidade, antiga sede do poder local. Ali é que ficavam os "doges", governantes da República. Atualmente, o lugar é um museu aberto a visitação.
Da frente do Palazzo Ducale, tem-se a bela vista da igreja de San Giorgio Maggiore, numa pequena ilha bem distante da Piazza San Marco, onde só se chega de barco.
O tempo continuava feio e com uma chuvinha fininha, por isso decidimos seguir o passeio para o outro lado, em direção à Ponte dell'Accademia.

17/07/2008

Venezia - 1ª parte

Depois de três dias em Roma e um em Firenze, cheguei em Imola na noite de sexta-feira, já com a combinação de que iríamos todos juntos (minha prima, minha afilhada e meus tios) a Veneza no dia seguinte, cedo da manhã.

As passagens de trem já estavam compradas e por isso foi só descansar até o dia seguinte.

Em pouco mais de duas horas, já estávamos chegando na estação central de Veneza, chamada Santa Lucia. A sensação de estar chegando perto da cidade é muito legal. Há uma longa ponte ferroviária ligando Mestre, no continente, até a cidade propriamente dita.

A estação é pequena (não há mais para onde ampliá-la, pois ocupa toda uma parte de uma ilha relativamente grande) e por isso fica abarrotada de gente. Até os banheiros são pagos. Não há mapas de graça em nenhum quiosque turístico, por isso fiquei com o do meu guia mesmo.

Era mais ou menos 9 e pouco da manhã e teríamos até as 18hs para conhecer a cidade. O tempo não era dos melhores, mas de vez em quando até abria um pouquinho de sol. Fazia um dia relativamente frio, a temperatura mais baixa de todos os 34 dias que passei na Europa - cerca de 15°C - , mas nada de assustar.

Comemos um lanchinho na estação e começamos nosso passeio a pé pela cidade. A primeira cena, do lado de fora da estação, já impressiona: a água batendo na calçada, mansinha, mas com a impressão de que basta subir uns 5cm para inundar tudo.

O canal que passa na frente da estação é o mesmo que corta a cidade ao meio: o Canal Grande. À esquerda de quem sai da estação, fica a ponte Scalzi, uma das três pontes para pedestres que cortam o canal. À direita da estação, há um grande estacionamento, que serve de "fim da linha" para carros e ônibus.

Nosso objetivo, como o de 95% das pessoas que vem a Veneza por apenas um dia, era seguir para a região da Piazza di San Marco, mas sem um caminho pré-definido.

Não adianta tentar seguir as plaquinhas que indicam "Ponte do Rialto" ou "Piazza San Marco", porque a maioria é falsificada pelos lojistas, que querem que os turistas passem na frente de seus estabelecimentos antes de ir para a região mais importante da cidade. Com alguma experiência, consegue-se identificar quais são as plaquinhas verdadeiras, que indicam o caminho mais curto até lá.

Nosso objetivo, porém, não era ir o mais rápido possível, mas sim fazer um caminho descompromissado, passando por algumas igrejas indicadas nos mapas como importantes (impossível ver todas, porque há uma em cada "quadra", mais ou menos como em Roma).
A primeira com que demos de cara foi esta, que mais parece um templo grego. Procurei nos mapas e não consegui encontrar o nome. Mas não tinha nada de especial.À medida que fomos seguindo, fomos encontrando outras várias, algumas muito parecidas com as outras.Há várias lojas de máscaras típicas do Carnaval veneziano no caminho, bem como vitrines cheias dos famosos vidros de Murano.Na hora em que chegamos, a cidade ainda estava relativamente bastante calma. A maioria das lojas só começou a abrir depois das 10h30 e só sentimos o movimento começar a aumentar depois das 11hs. Ao contrário do que eu imaginava, porém, não chega a se tornar uma coisa quase insuportável a multidão de pessoas (a Ponte Carlos em Praga é uma experiência muito pior, nesse sentido). Como as ruelinhas, pontes e canais confundem as pessoas a caminho da Piazza de San Marco, e como as placas acabam levando-as para diferentes caminhos, não chega a haver uma concentração excessiva de gente num mesmo trecho.

Como fizemos todo o caminho com bastante calma, parando sempre que algo nos chamava a atenção, levamos cerca de 2 horas entre a saída da estação e a Ponte do Rialto, no Canal Grande, que proporciona a vista que se vê na foto abaixo.

15/07/2008

Passes de trem ou passagens individuais?

Uma pergunta que freqüentemente surge em comunidades ou sites destinados a discussões sobre mochilões na Europa é se vale a pena ou não comprar um daqueles passes de trem para viajar por terra.

Para quem não sabe, existem alguns passes que são oferecidos pelas agências de turismo a quem vai para a Europa, que dão direito a um número ilimitado de viagens de trem dentro de determinadas regiões e por certo número de dias, ao longo de um período pré-estabelecido. Para pessoas não-residentes em países europeus, o mais conhecido é o Eurail.

O que muita gente não sabe (ou não se dá por conta) é que, na maioria das vezes, esses passes só dão direito à passagem propriamente dita, não à reserva de assentos ou camas nos trens. Isso significa que, conforme o tipo de trem (Intercity ou Eurostar), um pagamento de uma taxa adicional pode ser facultativa ou até mesmo obrigatória para garantir um assento.

Tirando essa questão, na minha opinião, um passe desses só vale a pena em situações muito específicas, como aquelas em que a pessoa quer conhecer várias cidades num curto período de tempo, ficando um ou dois dias em cada cidade, com distâncias relativamente grandes entre uma e outra.

Por quê?

Primeiro, porque os trens regionais, mais usados para distâncias curtas, são realmente mais baratos - muito menos do que um dia de passe. Faça as contas: divida o preço do passe pelo número de dias de utilização a que ele dá direito e veja quanto fica por dia. Geralmente não baixa de 20 ou 30 euros por dia... Só que uma passagem de trem regional dificilmente custa mais do que uns 10 euros.

Em segundo lugar, porque distâncias grandes (a melhor utilização do passe) hoje em dia valem muito mais a pena serem feitas de avião em companhias low fare ou mesmo em "pernas" da sua passagem intercontinental. Aqui, não estou falando apenas em menor preço, porque efetivamente a passagem poderá custar mais do que "um dia do seu passe", mas sim na relação custo-benefício. Provavelmente você levará umas 6 horas para fazer uma distância de uns 400km, coisa que se percorre em 1h de avião. Mesmo se considerar o deslocamento até o aeroporto, o tempo de espera pós check in, ainda vale a pena pagar um pouquinho mais e aproveitar mais tempo na viagem em si.

Outro fator a ser levado em consideração é o conforto. Por mais apertado que seja um avião, eu prefiro passar uma ou das horas voando do que 5 ou 6 horas num trem. Geralmente, os trens diurnos europeus têm duas espécies de configuração: cabines ou salão. Nas cabines, invariavelmente você vai ficar de frente com outras pessoas, que se não forem suas conhecidas, te obrigarão a ficar com as pernas encolhidas - sem contar o abafamento de uma cabine lotada e a "boa vontade" das pessoas em abrir ou manter a janela fechada (parece que sempre o que vc quer não é o que os outros querem). Nos salões, muitas vezes também os bancos são arranjados de forma que fiquem um de frente para o outro, repetindo o mesmo problema das cabines. Só quando os bancos são organizados na forma de um ônibus é que dá para ficar um pouco mais confortável, o que é raro. Além disso, alguns trens não têm compartimentos grandes o suficiente para guardar a sua bagagem em cima ou embaixo do seu assento, obrigando a colocá-la entre um vagão e outro. Por mais seguro que seja, a gente sempre fica com um pé atrás de deixar a mochila ou a mala sozinha bem ao lado da saída, muitas vezes sem ter como ver se ela continua ali.

Na minha opinião, o passe ficou para trás. Foi muito útil no tempo em que não havia tantas cias aéreas como agora, por isso ficou famoso e gerou aquela imagem glamourosa de conhecer a Europa toda de trem. Só que isso, perdoem-me os fãs, ficou para trás.

Numa época em que todo mundo tem cada vez menos tempo (e dinheiro), o melhor é usar o que há de mais rápido (ou pelo menos tenha o melhor custo benefício) para conhecer tudo o que se quer e aprovietar ao máximo a viagem, passando o menor tempo possível em deslocamentos.

Até porque, se o negócio é economizar dinheiro mesmo, o melhor meio de transporte é o ônibus, usado por muitos imigrantes de grana curta... Agora me diga quem é que quer ir à Europa para ficar andando de ônibus, como se faz em casa?

14/07/2008

Firenze II

Já era passado de meio-dia quando desci do Duomo, por iss tratei de achar algum lugar para comer. Não foi muito fácil encontrar algum lugar com comida de verdade a um preço acessível e que não estivesse atopetado de gente.

Meus planos para a tarde incluíam uma passada pela Ponte Vecchio e os dois mais importantes museus da cidade: a Galeria degli Uffizi e a Accademia - coisa que descobri ser impossível de fazer num dia como aquele.
Pois bem, comi e saí andando com um sorvetinho até a região da Piazza della Signoria, que é essa que aparece na foto acima. Ali, bem no meio dela, há uma estátua de Netuno (sensação de dejà vu, porque tem outra em Bologna!).
Num dos lados da praça, fica o Pallazzo Vecchio, que tem uma área aberta à visitação gratuita. Fui, mas me arrependi, porque não achei nada de muito interessante lá.

Num outro canto da praça, em direção ao rio, fica a Galeria degli Uffizi. Em frente a ela, uma estátua bem conhecida: o David de Michelangelo! Mas calma, ele não fica assim, ao ar livre - esta é apenas uma réplica do original, que está bem guardadinho dentro da Accademia.
Fui me informar a respeito do Uffizi e tive a trágica notícia de que a fila estava demorando mais ou menos 2 horas. Isso colocou por água abaixo os planos de visitar a Accademia também, porque disseram que o prazo de espera lá era semelhante. Meu trem sairia por volta das 18h30, por isso tinha que escolher apenas um dos museus.

Como a fila ia demorar mesmo, decidi então primeiro ver a Ponte Vecchio, enquanto ainda fazia um dia bonito, para depois voltar e esperar. Não me arrependi. As vistas ao redor da ponte são muito legais. Do lado de lá do rio, não há muito o que ver além do Palazzo Pitti, que tinha um monte de gente do lado de fora descansando do almoço para encarar uma das filas nas atrações da cidade em seguida.Satisfeito com a Ponte, vim para a fila e ali fiquei. Até arranjei uns americanos para conversar um pouco, li umas partes do meu guia que ainda não tinha lido e fiquei sabendo que o "point" para ver na Itália era Cinque Terre, que até então eu nunca tinha ouvido falar.

Quando finalmente chegou a minha vez, paguei o exorbitante preço da entrada e aí relaxei para olhar com calma o que havia por lá.

Não são permitidas fotografias, deve-se inclusive deixar a máquina na entrada, num lockerzinho, por isso não tenho nenhuma lá de dentro.

O que vi realmente valeu a pena. Quase tudo o que já se viu em cartõezinhos de presente ou livros de história a respeito do Renascentismo está por lá. Boticelli, Caravaggio, Giotto, Rafaello, Michelangelo, da Vinci, etc. O quadro mais concorrido parecia ser a Sagrada Familia (foi uma luta para eu conseguir chegar perto, de tanto chinês que tinha ao redor, ouvindo explicação do guia).

Havia uma exposição temporária dos desenhos e escritos do da Vinci que me prendeu mais um tempo ainda naquele museu. Devo ter ficado umas três horas lá, tanto que, na saída, até apertei o passo para não chegar muito em cima da hora na estação de trem, onde ainda tinha que pegar a bagagem antes de embarcar.