28/02/2011

Cerro Sta Lucía e arredores

Ao contrário do que muita gente imagina antes de ir para Santiago, inclusive eu, a cidade é bem plana, embora seja rodeada de montanhas. Há apenas duas elevações significativas no meio da cidade: o Cerro San Cristobal, onde ficam o zoológico, o santuário da Virgem, o Parque Metropolitano, o funicular e o teleférico, e o Cerro Santa Lucía, bem menor, mais na região central da cidade.

O Cerro Santa Lucía era um morro rochoso sem quase nada em cima, até que o Prefeito McKenna, ainda no século XIX, providenciou a construção de um grande parque urbano, bem ao estilo da época. Fez do lugar uma sequência de pátios, fortes com torres que servem como mirantes, fontes d'água, chafarizes, jardins com plantas exóticas e o próprio mausoléu, onde está enterrado até hoje, tudo interligado por escadarias (existia um elevador ao estilo "torre Eiffel", mas está desativado).
Esse mesmo cerro aparece no livro de Charles Darwin, "The Voyage of the Beagle", onde o naturalista relata que chegou a escalá-lo como parte do passeio que deu pela cidade. No Cerro Santa Lucía há uma pedra em que foi colocada uma inscrição numa placa de bronze, com a parte do livro que menciona o lugar. Só que foi propositalmente omitida a parte que vem logo em seguida no livro: o comentário pessoal de Darwin que diz ter achado a cidade de Buenos Aires bem mais aprazível.

Não se paga nada para visitar o lugar e há dua entradas: uma por trás, pela parte mais arborizada, onde se chega pela mesma rua onde fica o Andes Hostel, próximo ao Museo de Bellas Artes, e outra pela frente, na Alameda del Libertador. Embora não haja ingresso pago, há ponto s de controle de visitantes nas duas entradas em que se pede um documento do turista (não se se para fins estatísticos ou de segurança, já que o lugar é considerado bem perigoso depois que anoitece).

A coisa funciona mais ou menos como no Parque Guell, em Barcelona, onde as pessoas vão para namorar, fazer um lanche, descansar ou simplesmente caminhar. A atração ali é subir e descer as escadarias, encontrar passagens para todos os setores do parque e ler as inscrições gravadas nas pedras. As vistas não são lá grande coisa (para isso o Cerro San Cristobal é bem melhor) e alguns podem achar até meio chato (embora fosse considerado um lugar legal 120 anos atrás...), ou apenas "romântico".

Perto da entrada traseira do Santa Lucía fica o bairro Lastarria, onde há vários bistrôs e restaurantes, numa ruazinha com o trânsito fechado. É um lugar muito bom tanto de meio-dia como à noite, sempre com um movimento que parece ser mais de gente local do que turistas. Não há balada por ali (para isso basta andar alguns metros em direção a Bellavista), mas pela comida é um lugar imperdível em Santiago.

26/02/2011

Providencia, Vitacura e Las Condes

Os bairros mais ricos da zona norte de Santiago, respectivamente a Providencia, Vitacura e Las Condes, não têm tantas atrações turísticas para quem busca museus, prédios históricos ou vinícolas, mas são um bom lugar para entretenimento cultural e compras.

A cidade, naquela parte, parece com qualquer grande cidade americana, com prédios espelhados altíssimos, escritórios de empresas multinacionais, grandes shopping centers e parques com gramados verdes a perder de vista.
O metrô não chega além da Escola Militar (prédio acima), e por isso é preciso usar táxi ou ônibus para circular na maior parte de Vitacura e Las Condes.

Em duas das três vezes em que estive em Santiago dei uma passada no Parque Arauco, que parece ser o shopping mais interessante da cidade, com uma praça de alimentação do lado de fora (quase nunca chove por lá mesmo...) e um andar inteiro só com coisas para casa, na parte mais alta do lugar. Para quem tiver estômago, há um "estilingue humano" do lado de fora também, onde três pessoas sentadas numa cápsula de metal são arremessadas com uma corda elástica a partir do chão e ficam subindo e descendo até parar.
Quem se interessa por arquitetura moderna, vai achar interessantes alguns prédios que têm a base mais estreita que a parte de cima, ou que são "cortados" na transversal, que se equilibram sobre pequenas colunas com grandes vãos livres entre si ou que trazem a última tecnologia em prédios resistentes a terremotos, que são bem frequentes no país.

Na Providencia, talvez esteja o melhor lugar para se caminhar à noite de um bar para o outro, fora do circuito do Bellavista. A Calle Suecia concentra o maior número de restaurantes, bares e boates, alguns legaizinhos e outros bem furreca. Os locais dizem ser bem seguro caminhar por lá e de fato não vimos nada de muito suspeito nas vezes em que estive ali.

24/02/2011

Estadio Nacional


O Estadio Nacional de Santiago, no Chile, é um dos estádios de futebol mais famosos do mundo. Foi lá que o Brasil se sagrou bicampeão mundial, na Copa de 1962. O lugar tinha sido construído bem antes desse evento, em 1938, com inspiração no Estádio Olímpico de Berlim.

O estádio também ficou famoso por um uso indevido de suas instalações: a ditadura de Pinochet chegou a usá-lo como campo de prisioneiros, nos dois meses seguintes ao golpe que derrubou o Presidente Allende, em 1973.

Não há linha de metrô com estação próxima ao local, por isso o jeito é usar um táxi ou um ônibus urbano para chegar até lá.

Minha "visita" ao lugar, na verdade, foi para assistir a um jogo do Grêmio pela Libertadores de 2009, ainda na primeira fase, contra o Universidad de Chile. Embora a equipe tenha como sede um estádio menor, na zona oeste da cidade, as exigências da Conmebol impuseram que o jogo se realizasse nesse estádio, que é público.

Depois de uma cervejada preparatória para o jogo, desde a metade da tarde até uma hora antes do jogo, pegamos dois táxis até o local. Paramos no caminho para comprar cerveja, mas fomos advertidos de que não poderíamos sair andando com elas na rua, porque é proibido beber sem estar num estabelecimento ou numa residência.

O taxista conseguiu fazer exatamente o que poderia ser o pesadelo de qualquer torcedor visitante: deixou-nos exatamente na frente do portão de entrada utilizado pela torcida local, que àquela hora já estava quase toda lá dentro. Ainda havia muita gente chegando e nós, quando nos demos por conta do lugar em que tínhamos nos enfiado, tratamos de ser amigáveis com quem passava. Teve uns caras que até foto quiseram tirar conosco. Os carabineros (a polícia local), no entanto, advertiu que era melhor não ficarmos muito tempo por ali.
Conseguimos encontrar a entrada do setor de visitante e logo encontramos algo entre 300 e 400 gremistas num cantinho bem protegido do estádio.

A torcida tem um jeito bem diferente de torcer, quando comparada com o Brasil ou com a Argentina. São cânticos mais rápidos, mais generalizados, mas que logo silenciaram com o rumo que a partida foi tomando.
No final, saímos vencedores por 2x0, e depois da tradicional espera da torcida visitante por questões de segurança, pudemos continuar a cervejada noite adentro.

Obs: o crédito das fotos vai pro Zeh e pro Alemão!

22/02/2011

Mercado Público de Santiago


O Mercado Público em Santiago é um dos mercados mais legais em que já estive.

Embora as opções de restaurantes sejam um pouco restritas, porque o tal de "Donde Augusto" tomou conta da maioria absoluta dos espaços disponíveis para locação, praticamente monopolizando o atendimento, há bastante bancas vendendo de tudo um pouco, especialmente frutos do mar.

No dia em que estive lá pela primeira vez, quando fui ao jogo do Grêmio, o pessoal sabiamente seduziu os turistas brasileiros colocando bandeiras do Grêmio e saudações aos torcedores em vários lugares.
Quando a pessoa senta numa mesinha daquelas, os garçons sempre tentam a todo custo convencer o cliente a pedir a tal de centolla, um crustáceo meio lagosta, meio caranguejo, que custa pelo menos R$ 100 para dois comerem. Apesar dessa forçação de barra, dá para escolher coisas bem mais baratas.

O prato mais típico do pobre chileno, como o próprio nome já diz, é o "lomo a lo pobre". O troço é para profissionais (famintos): trata-se de um bife de gado, coberto com quantidades até excessivas de batatas fritas, um ou dois ovos fritos e ainda um bom tanto de cebola picada.
Vi muito marmanjo remando para conseguir pôr fim ao prato, sem sucesso. A quantidade de comida é muito grande mesmo, mas a gordura também (hehehe).

O conceito do "a lo pobre" também se aplica a outros tipos de pratos, por extensão. Assim, por exemplo, ao invés de pedir apenas um filé de salmã na "plancha", ou seja, na chapa, pode-se pedir um "salmón a lo pobre", que o peixinho vai vir coberto de batata frita, cebola e ovos fritos.

Uma dia extremamente importante para quem não sabe muito de espanhol e não gosta de misturar fruta com comida salgada: muitos pratos no Chile são feitos com palta, que significa abacate. A primeira vez que pedi um hamburger por lá não me dei por conta, achei que era algum creme verdinho com alface e só depois percebi que era na verdade o malfadado abacate.

Na segunda vez em que fui lá, quando voltávamos da viagem do Atacama e basicamente só visitamos o Valle Nevado, comemos no Donde Augusto e a "gentileza" dos garçons era tanta que não demorou muito ele já estava nos perguntando se queríamos que ele arranjasse uma "marijuanacita" (!!!) Bah...

20/02/2011

Museus em Santiago

Santiago tem bastante museus interessantes, com atrações bem diferentes entre um e outro.

Além do Museu Histórico Nacional, do qual falei no post passado, e que fica bem em frente à Plaza de Armas, contando a história do país desde a Colônia até a República, existe um outro museu bem menor, chamado Museo de Santiago, que conta a história da capital chilena desde a fundação até os dias atuais.

O lugar é essa casarona avermelhada, na Calle Merced (foto no início do post), em direção oposta ao antigo Congresso Nacional. Há várias maquetes com a evolução da cidade, mas como o próprio guia Lonely Planet define o lugar, as exposições são um pouco amadoras. Esse foi outro lugar em que só valeu a pena entrar porque fomos no domingo pela manhã, quando o ingresso não era cobrado.

Na região central da cidade, no entanto, existe um museu que eu recomendo bastante. É o Museo Chileno de Arte Precolombino, que fica próximo ao antigo Congresso e que também tem entrada franca aos domingos. Mesmo que não esteja lá nesse dia, vale a entrada.
O lugar tem uma das maiores (se não a maior) coleções do mundo de peças de arte e do cotidiano das culturas indígenas americanas, de antes da época do descobrimento pelos espanhois. Objetos das culturas asteca, maia e inca formam a maior parte do acervo, mas há também itens da cultura da ilha de Páscoa (inclusive com alguns moais gigantes) e até mesmo dos indios marajoaras brasileiros, além de tribos dos Estados Unidos e do Canadá (com os famosos tótens).

A exposição permanente fica no andar superior, que é bastante extenso, e embaixo ficam exposições temporárias e o café do museu, com a lojinha de souvenir. Pela qualidade do museu, até que estava bem tranquilo andar por lá nas duas vezes em que visitei o lugar - a primeira com a minha mulher e a segunda com os guris que foram ver o jogo do Grêmio comigo.

Outro lugar que valeu muito a pena visitar - mas que dependendo da data, pode não ser tão legal, já que as exposições são sempre e integralmente itinerantes - é o Centro Cultural Palacio de la Moneda.
O lugar é bem moderno e foi inaugurado não faz tantos anos no subterrâneo da praça que fica entre o Palacio de la Moneda e a Alameda del Libertador. A entrada é franca e mesmo assim não há tanta gente lá dentro.

Da primeira vez em que estive lá, havia uma exposição muito legal com quadros do Diego Rivera e da Frida Kahlo, aqueles dois artistas mexicanos que foram retratados no filme "Frida". Poucas vezes vi uma exposição tão interessante. Da segunda vez em que fui no lugar, havia uma exposição inspirada em mulheres e sua emancipação, com artistas variados, mas sem tanto apelo quanto a primeira.

Um pouco mais longe do centro, mas bem pertinho do albergue em que fiquei por duas vezes, o Andes Hostel, estão o Museo de Arte Contemporaneo e o Museo de Bellas Artes, que ocupam a mesma quadra em dois prédios colados um no outro, com entradas nos lados opostos. Bem em frente à entrada do Bellas Artes, fica o Parque Forestal, que é um lugar frequentado por gente que faz cooper ou que leva o cachorro para passear, bem agradável.
O prédio do Museu foi afetado pelo terremoto que atingiu o Chile no início de 2010, por isso não sei se já está aberto para visitação.

Bom, lá dentro, encontra-se a evolução da arte no mundo e no Chile, com obras de vários artistas - não só quadros, mas também esculturas e instalações. O lugar é bem interessante e também vale a visita, mesmo que seja pagando o ingresso (ô pão-duro!).

17/02/2011

Centro de Santiago

O centro de Santiago, ao contrário do que pode sugerir uma cidade com milhões de habitantes e conhecida pela poluição e pelos engarrafamentos, é um lugar relativamente tranquilo e fácil de conhecer a pé.

Apesar de haver muito movimento nas peatonales (calçadões), especialmente o Paseo Ahumada, onde se concentram a maior parte das lojas de departamentos, de sapatos e de moda feminina, as demais ruas têm um movimento normal.

Para conhecer as principais atrações dessa parte da cidade, não é preciso caminhas mais do que umas seis quadras. O trecho entre a Plaza de Armas, o Palacio de la Moneda, o antigo Congresso Nacional e a igreja de Santo Domingo concentram a maior parte dos museus, prédios públicos, templos e monumentos dessa parte mais tradicional de Santiago.

Ao redor da Plaza de Armas (cuidado para não dar muita bobeira, pois apesar da tranquilidade e das rondas de policiais turísticos, há avisos para se precaver contra batedores de carteira), estão a Municipalidad (prefeitura) e o Museu Histórico Nacional. Esses são os dois prédios próximos à estátua de Pedro de Valdivia (fundador da cidade) a cavalo.
Nesse museu, estão a maior parte dos objetos, quadros e bustos relacionados à independência do Chile e à época em que o país era colônia espanhola. A visita vale a pena para quem se interessa por história, porque não há objetos ou obras especialmente bonitas para se ver lá. Como tive vários dias na cidade da primeira vez que fui, com a minha então namorada e hoje esposa, deixamos para fazer a visitação no domingo pela manhã, quando a entrada é gratuita (hehehe).

Na própria Plaza de Armas, há algumas atrações, como um mapa em bronze do centro histórico da cidade, como era antigamente, colado no chão. Há várias fontes de água, uma delas dedicada a Simón Bolívar e vários banquinhos para ficar tomando um sorvete ou simplesmente descansando enquanto consulta o guia para ver o que fazer em seguida.
Escondida no canto oposto ao cavalo de Valdivia, fica um dos monumentos mais famosos do Chile, o Monumento al Pueblo Indigena, que é meio moderninho e tenta passar a ideia de que a cultura daqueles povos, embora parcialmente destruída pelo colonizador, ainda está presente (foto acima).

A Catedral Metropolitana também fica nessa praça e é possível visitá-la em qualquer hora do dia. Apenas existe restrição a fotos e a barulho durante as missas. O interior lembra aquele das igrejas coloniais de Cusco, com santos e imagens religiosas com traços indígenas, algumas enfeitadas com cabelo de verdade.
Um clichê irresistível é a foto do contraste entre a catedral, bem antiga, e o prédio moderno coberto de espelhos que fica ao seu lado, na outra esquina, e que reflete a imagem da igreja.

Uma quadra e meia da praça, seguindo pela Calle Merced, dá-se de cara com o prédio do antigo Congresso Nacional chileno. O prédio ainda existe como arquivo e para o funcionamento de órgãos internos do Legislativo Nacional, mas os deputados não trabalham nem se reúnem mais ali. É possível apenas circular pelos jardins, pois o interior é vetado para turistas.
Como uma das medidas para evitar manifestações populares e afastar ainda mais o centro das decisões do povo, o ditador Augusto Pinochet transferiu a sede do Legislativo para Valparaíso, num prédio moderno e horrível de feio, que fica próximo à estação rodoviária daquela cidade.

Em frente ao antigo Congresso, do outro lado da rua, está o Tribunal de Justiça mais alto da estrutura do Judiciário chileno. O prédio é aberto porque o tribunal funciona ali, mas apenas advogados, juízes e funcionários circulam lá por dentro.

Umas duas quadras em direção ao sul, pela Calle Morandé, fica a Plaza de la Constitución, onde se pode ver a fachada mais bonita do Palacio de la Moneda. Ali, em 1973, o ditador Augusto Pinochet mandou a aeronáutica chilena soltar bombas sobre o governo comunista, num golpe que culminou no suposto suicídio do presidente Salvador Allende, no 11 de setembro dos chilenos.
Uma estátua do ex-presidente foi colocada bem na esquina à direita do Palacio de la Moneda, nessa mesma praça.

O Palacio de la Moneda tem uma passagem interna bem no seu centro, que era aberta ao trânsito do público até alguns anos atrás, mas que hoje encontra-se fechada por questões de segurança. Também era possível fazer visitações internas da sede do governo, mas hoje em dia as datas são cada vez mais restritas e os procedimentos de agendamento cada vez mais complicados.

Em horas determinadas, há uma troca de guarda em frente ao palácio, que acaba sendo a única atração interessante do lugar, fora a simples olhada de seu lado exterior.

16/02/2011

Concha y Toro


Depois de alguns meses narrando como foi o mochilão que fiz com os amigos pelos Bálcãs, em julho de 2010, vou retomar os posts sobre o Chile, que estava desenvolvendo até meados de agosto do ano passado.

Já havia escrito alguma coisa sobre como chegar ao Chile, onde ficar em Santiago, relatos sobre o bairro de Bellavista, a Casa de Neruda em Santiago, o Cerro San Cristobal, além do Valle Nevado (na volta do mochilão pelo Atacama) e outras impressões iniciais sobre a cidade.

Agora, depois dessa overdose de Croácia, começo por um dos passeios mais procurados por quem vai a Santiago: o tour pela vinícola mais famosa do Chile, a Concha y Toro.

Inicialmente, é importante destacar que o tour precisa ser previamente agendado. Para isso, é preciso entrar no site da empresa e preencher o formulário, disponível em http://www.conchaytoro.com/visit-us/.

A sede original da Concha y Toro, lugar onde até hoje parte da produção da empresa é guardada e em que a visitação é feita, fica no subúrbio sul de Santiago, numa área em que termina a zona urbana e começa a zona rural. O município se chama Pirque e não há metrô nem trem direto até lá.

Uma das opções é marcar com um taxista desde o centro, num grupo de 4 pessoas, mas não sai muito barato. Outra opção, ainda mais cara, é a de contratar alguma agência que ofereça o passeio a Pirque, que geralmente vem associada a outras vinícolas, numa van ou microônibus. Para quem quer economizar e/ou está viajando sozinho, o jeito mesmo é usar o transporte público.

A descrição do caminho para chegar até lá pelo Lonely Planet é um pouco complicada. Recomenda que a pessoa pegue o metrô até a estação Bellavista de la Florida, vire aqui e ali dentro da estação e de lá tome um ônibus para Pirque, descendo bem na frente da Concha y Toro.

Essa descrição, no entanto, está um pouco desatualizada, porque houve ampliação do metrô e agora é possível ir por esse meio de transporte até alguns metros antes da Concha y Toro. Basta seguir direto até o final da linha 4 (azul escuro), até a estação de Plaza de Puente Alto. De lá, pode-se pegar um taxi que não leva mais de 3 minutos até a entrada da vinícola, ou um ônibus urbano, que não leva mais tempo do que isso e sai ainda mais barato.

Já ouvi falar que o lugar (Puente Alto) é um pouco barra pesada, mas durante o dia e com o movimento que estava, não vimos nada de assustador na vez em que estivemos por lá.

O percurso todo demora aproximadamente uma hora para ser percorrido, não importa se a pessoa vai de carro (o trânsito em Santiago não é dos mais fáceis) ou de transporte público. Como o tour é agendado, é preciso calcular bem a antecedência necessária para chegar lá.

Uma vez chegando ao lugar, passa-se direto pela bilheteria, onde são checadas as reservas e o pagamento é feito. Não é barato: são cerca de R$ 30 por pessoa, por pouco mais de meia hora de tour (no tipo mais simples de visitação).

Os grupos de 15 pessoas são acompanhados o tempo todo por uma guia local, que vai explicando como é a empresa, onde são plantadas as uvas (há uma área na região de Mendoza, na Argentina, além das vinhas chilenas), a velha história sobre a forma de fabricação do vinho (para quem já fez outras visitações parecidas, não há nada de novo) e quem morava nas propriedades que existem até hoje no local.

O ponto alto da visitação, que é o motivo pelo qual todo mundo vai à Concha y Toro, é a descida até a adega conhecida como o Casillero del Diablo, onde ficavam os melhores vinhos do dono da vinícola e sobre o qual foi espalhada a lenda de que era a casa do diabo, para que ninguém se atrevesse a entrar lá. Há até uma pirotecniazinha no lugar, com áudio e luz especial, mas confesso que esperava mais.
Depois de ver os lugares onde ficam os diferentes tipos de vinho, a esperada hora de degustar um pouco de cada especialidade da casa é chegada. Dura pouco, mas a taça em que se bebe o vinho fica de presente para o visitante, numa embalagem que serve para protegê-la.
Depois do passeio, que fiz com mais 6 amigos em umas das vezes que fui a Santiago para assistir a um jogo do Grêmio na Libertadores, discutimos sobre o que vimos e a opinião foi praticamente unânime. Por mais famoso que seja o tal passeio, quem vai até lá, naquela distância, fica achando que andou muito por pouco. O tour é um tanto impessoal demais, passa muito rápido e pouca coisa interessante é mostrada...

Por isso tudo, fica a aqui a advertência pessoal de que pode ser mais interessante, para quem realmente gosta de vinho, fazer um passeio por uma vinícola que dê uma atenção mais especializada ao visitante.

14/02/2011

Taksim e despedida

Na nossa última noite de viagem, um sábado, decidimos sair jantar e conhecer a região mais central da parte nova de Istanbul, os arredores da praça de Taksim.

O táxi deu umas boas voltas para chegar até o lugar, porque o trânsito fica interrompido nas noites de final de semana em boa parte da ruas do centro, que ficam cheias de gente andando para lá e para cá até altas horas.

Quando descemos, bem no olho do furacão, ainda levamos uns bons minutos para conseguir atravessar a rua ao redor da rótula central da tal praça, tal era o movimento de carros e táxis por ali. A primeira impressão foi a de uma muvuca gigantesca - uma saída de jogo de futebol ou uma chegada para um show.

Como não conhecíamos muita coisa nem tínhamos nos informado sobre onde comer, pela primeira vez na viagem fizemos uso de uma lanchonete de franquia internacional: um Burger King bem em frente à praça. (Meses depois, já no Brasil, vi o mesmo lugar numa foto de internet mostrando um atentado em que uma mulher bomba se explodiu na frente dessa lanchonete, ferindo 36 pessoas - chocante para quem esteve lá.)

Já jantados, saímos para conhecer a região.

A coisa funciona mais ou menos assim: as pessoas saem à noite para verem o movimento, ficam andando para lá e para cá e apenas quem tem um pouco mais de dinheiro efetivamente pára e senta em algum bar ou restaurante para conversar (em sua grande maioria homens). Os demais, muitas vezes famílias inteiras, com crianças, ou amigos idosos, ficam só perambulando pelas ruas com o trânsito fechado.


Até existem alguns lugares com música eletrônica mais agitada, alguns bares vendendo bebida alcoólica, mas a maioria do pessoal mesmo fica só tomando refrigerante ou chá.

Segundo soubemos, todos os artistas da TV e do cinema turco moram naquela região e não é difícil encontrar algum deles (como a fama é relativa, isso fica um pouco prejudicado para quem vem de fora...).

Tomamos algumas Efes, a cerveja mais vendida do país, assistimos umas musiquinhas folclóricas sendo tocadas ao vivo numa espécie de café com ares intelectuais, depois trocamos para um bar-restaurante com mesinhas do lado de fora e lá pelas 2h da manhã demos por encerrada a noite.

A dificuldade para conseguir um táxi na hora de ir embora daquela região é impressionante. Primeiro, por causa das filas gigantescas de congestionamentos que se formam, deixando os carros parados por vários minutos. Segundo, porque dependendo de onde a pessoa quer ir, o taxista não aceita a corrida, dizendo que é muito perto. No nosso caso, tivemos de oferecer um pouco mais do que seria devido pela distância para conseguir entrar num carro.

O taxista, completamente pirado, lacrou o som no volume alto e depois que se liberou do congestionamento, corria feito louco pelas avenidas maiores, fazendo ziguezague achando que estava agradando, enquanto gritava algumas frases sem sentido num inglês meio tosco.

Dando graças a Deus (ou a Alá) por termos chegado vivos no albergue, foi só cair na cama e aproveitar aquele ar condicionado que fez do Cheers Hostel um lugar bem melhor para se ficar em nossa opinião.

Na manhã seguinte, depois do café da manhã simplinho do hotel, chamamos um táxi para nos levar até o aeroporto.

Sem correrias, com o check in já feito e a bagagem despachada no dia anterior, ainda fizemos um reforço no café da manhã no aeroporto antes da migração e pudemos passar para a área de embarque com tranquilidade. Lá conhecemos um brasileiro que está terminando o curso de diplomacia (mas que já tinha passaporte diplomático) que estava voltando de uns dias no Irã, com quem trocamos uma ideia a respeito de viagem.

Na hora de embarcar efetivamente, uma grata surpresa: um avião ainda melhor do que o da vinda (um Boeing 777 todo pintado com os emblemas do Manchester United, com mais espaço nas poltronas e telas de LCD no entretenimento individual ainda maiores). Foi o melhor voo que já fiz em matéria de conforto (nunca voei de executiva!), e só não foi perfeito por causa de um casal mala que ficava brigando entre si ao meu lado e que tanto encheu o saco que acabei cedendo meu lugar no corredor em troca da janela, porque a mulher reclamava que era difícil me acordar para ir ao banheiro...

12/02/2011

Um pulinho na Ásia

Já na hora de arrumar as malas em Zagreb, tomamos uma decisão inteligente: despachar os mochilões maiores direto para São Paulo e passar a noite que teríamos em Istanbul apenas com as mochilinhas menores de passeio - uma muda de roupa, necessaire só com produtos pequenos que poderiam ser embarcados na cabine do avião e documentos.

Como seriam apenas umas 20 horas na cidade turca, até o voo para o Brasil no dia seguinte, não valia a pena todo o transtorno de ficar esperando as mochilas na demorada esteira do aeroporto de Istanbul, para no dia seguinte ter de encarar novamente uma fila de check in para despachar a bagagem. Como estaríamos com os cartões de embarque já certos até nosso destino final, em Porto Alegre, era só chegar na hora do voo sair e fazer a imigração rapidinho.

Antes de pegar o voo em Zagreb, contudo, ainda tínhamos uma missão quase impossível: nos livrar das kunas, o dinheiro croata, que não serviriam para nada fora do país e que dificilmente conseguiríamos trocar em outro lugar. Havia apenas uma casa de câmbio, que não tinha câmbio (!!!), apenas notas de 500 euros (!!!) e uma agência de um banco estatal, onde havia uma fila de mais de meia hora até que fôssemos atendidos.

Dividimos e enquanto uns iam cuidando de comprar algo para comer ou verificando a que horas abria o check in, outro ficava na fila do banco.

No final, deu tudo certo. Fizemos o check in e despedimo-nos das mochilas até o Brasil. O voo atrasou uns 20 minutos, mas assim como na ida, no trecho entre Istanbul e Sarajevo, o avião era de ótima qualidade, com entretenimento, comida boa e farta e bastante organização.

Desembarcamos em Istanbul com a alegria de quem não tem bagagem para pegar. Corremos até a fila da imigração e em 15 minutos já estávamos liberados para ir para o albergue - o mesmo da vinda, chamado Cheers Hostel.

Pegamos um táxi (R$ 35 euros e 120km/h de muitas emoções até Sultanahmet) e em meia hora já estávamos fazendo nosso check in, agora num quarto privativo para quatro pessoas, com ar condicionado e acesso ao banheiro melhor do andar de cima (tudo muito diferente do calorão que passamos quando chegamos na Turquia na primeira vez, no andar de baixo do albergue).

Já chegava perto das 18h quando nos liberamos para dar alguma volta ainda com o dia claro. Desde a Croácia, vínhamos discutindo se faríamos um passeio num banho turco ou se iríamos dar um pulo do lado asiático da cidade. Venceu a segunda opção, embora o Diego e o Rafael já tivessem ido para o outro lado nos dois dias de antecedência com que chegaram a Istanbul, no início do mochilão.

Pegamos um bonde da estação próxima ao albergue e descemos até o porto de onde saem os barcos para a Ásia, em Eminönü. O valor da passagem, que é comprada numas maquininhas que dispensam uma ficha como comprovante, não é maior do que R$ 1,50 por pessoa e a vista imperdível da cidade a partir do estreito de Bósforo vem toda de graça.
Antes de embarcar, compramos uns sanduíches feitos na hora com peixe frito na frente do cliente, com um pão parecido com o francês, cebola e alface, sem nenhum condimento. Os barquinhos que vendem esses sanduíches (na foto acima) ficam flutuando e os caras ainda brincam de malabarismo enquanto montam o sanduba para os clientes.

Há barcos com intervalos de no máximo 30 minutos entre um e outro, indo e vindo em direção a Üsküdar, do lado asiático de Istanbul. Assim que embarcamos, embora o tempo não estivesse dos melhores, pudemos ter um pouco da noção da cidade como um todo.

Dolmabahce
Torre Galata
Já do lado asiático (minha primeira vez naquele continente, e única até hoje), andamos um pouco para o lado de um beco sem saída que tem um mirante com uma vista legal da Ponte do Bósforo, que liga Europa e Ásia (foto abaixo).
Não fizemos mais do que tirar umas fotos por ali.

Na hora em que decidimos avançar um pouco "no outro continente", o movimentado estava pegado. Era carro e moto e gente para tudo quanto é lado, com taxistas chamando clientes e uma muvuca bem diferente daquilo que se vê do lado europeu de Istanbul.
A algumas quadras do porto de Üsküdar, encontramos um MacDonald's e logo ao lado uma InterSport (que na Europa não tem nada a ver com as lojinhas licenciadas do Inter de Porto Alegre, registre-se de passagem).

Como não tínhamos planejado nada para fazer do lado asiático, a não ser o simples fato de ir até lá e poder fazer o passeio "panorâmico" de barco, nos pusemos a buscar algumas ofertas que havia em tênis e material esportivo. Garantimos assim uma opção já para usar à noite, numa saída que pretendíamos dar no centro moderno de Istanbul, no Taksim.

Passamos um pouco de dificuldade na comunicação, mais do que em qualquer outro lugar onde já estive, para conseguirmos conversar com os vendedores. É impressionante, mas a imagem que fica é a de que do lado asiático ninguém fala inglês nem entende nada, já que pouquíssimos turistas vêm até lá.

Já com as compras feitas e com as passagens compradas de volta para Eminönü, também pudemos ver outra característica do lado asiático: a quase absoluta inexistência de lugares vendendo bebida alcoólica, ao contrário da região turística de Sultanahmet.

Até mesmo o número de mulher com trajes tradicionais e véus cobrindo os cabelos era bem maior daquele lado, dando uma breve introdução do que deve ser um país muçulmano de verdade...

10/02/2011

Zagreb - parte II

O albergue que reservamos em Zagreb foi uma grata surpresa. O tal Hobo Bear tinha bem cara de albergue: ficava no subterrâneo e num andar de um prédio residencial clássico, antigão, bem no centro da cidade, a menos de quatro quadras da praça principal.
Tanto a área de uso comum (essa que aparece na foto acima) como nos quartos do andar subterrâneo, a impressão era de estar numa adega (ou numa prisão, hehehe). Com o clima chuvoso e fresco do lado de fora, o lugar parecia ainda mais aconchegante. Um cachorrão peludo desses bem pacatos, que vão com qualquer estranho, circulava por ali como que sendo uma atração para os hóspedes brincarem e ficarem passando a mão.

Um barzinho com cerveja numa temperatura bem melhor do que a média das lojas da Croácia, internet liberada, TV com Sky num sofazão e uns guias de viagem para compartilhar completavam a área social. Nos quartos, dois beliches num espaço um tanto apertado (como o teto é baixo, quem tem claustrofobia pode até se assustar), mas tudo muito tranquilo. Os banheiros, no andar de cima e debaixo, davam conta do público que não era muito grande naquele dia.

Os atendentes também eram muito simpáticos e prestativos, principalmente depois de umas cervejinhas. Não sei se eles não tomaram prejuízo (ou se o cara foi demitido no dia seguinte), mas a cada rodada de cerveja a próxima era por conta dele... Perguntamos bastante sobre o que tinha para se fazer na cidade, mas tanto o atendente da manhã, como o da tarde e a da noite foram enfáticos ao dizer que tínhamos chegado na cidade num dia ruim, porque todo mundo estava de férias nas universidade e tinha ido para o litoral ou para parques nacionais.

Zagreb, segundo eles, é uma cidade com perfil universitário que tem bastante agito o ano inteiro - exceto nesses períodos de férias. Quem sabe se a pessoa se programa para outra época não dê mais sorte.

Já chegava o meio da tarde e a chuva ficava cada vez mais forte. Não tínhamos almoçado propriamente, apenas feito lanches, e por isso decidimos então fazer o programa mais óbvio num dia de chuva e com fome: encarar um shopping. Pegamos as instruções com o atendente do hostel, compramos uns tickets de bonde na banquinha de revista ali perto e embarcamos quase em frente ao hostel para uma viagem de mais de 20 minutos de bonde, até o lado sul da cidade, onde ficava o maior shopping perto do centro (havia outros fora da cidade).

Tomamos um aguaceiro na hora de descer do bonde e atravessar a avenida, mas depois demos graças pela escolha. O shopping, chamado Avenue Mall, tinha bastante lojas de marca, esportivas e sociais, além de bastante opções para presentinhos de último dia de viagem para trazer para o Brasil. Os preços eram parecidos com o que já estávamos acostumados na Croácia e assim pudemos ocupar a tarde que, de outra forma, teria sido perdida.

Encaramos uma espécie de buffet self service, achando que seria como um buffet livre ou por quilo aqui no Brasil, mas demos de cara com atendentes que serviam porções pré-determinadas com preço fixo num bandejão à medida que íamos passando. Não saiu caro, cerca de 25 reais por pessoa, mas a comida não era lá essas coisas. Pelo menos deu para sentir gosto de arroz, frango e outras coisas mais "normais" que há vários dias não víamos.

Já passava das 18h30 quando decidimos que era hora de ir embora. Pegamos um bonde na frente do shopping e voltamos até o centro. Como a chuva dera uma trégua, descemos umas duas paradas antes da nossa e fomos caminhando.

Como de manhã, tudo estava meio fechado, as ruas meio vazias e nada chamava muito a atenção.

À noite, ainda demos uma última chance a Zagreb. Perguntamos qual o melhor lugar para tentar sair em algum bar, comer alguma coisa e tivemos a resposta de que SE, e apenas SE, houvesse alguma coisa para fazer na cidade naquele sábado no fim de julho, esse lugar era o lago Jarum.

Para chegar lá, no entanto, passamos por uma das maiores indiadas de toda a viagem. Seguimos à risca as instruções: pegamos o mesmo bonde que usamos para ir ao shopping, mas ao invés de converter à esquerda, na saída do centro da cidade, pegamos uma linha que ia para a direia, a sudoeste. Andamos mais algumas estações no bonde, quase vazio àquela hora da noite, e descemos onde nos tinham dito para parar.

Aí é que começou o problema. Disseram-nos que teríamos que caminhar uma quadra e meia até a região do lago e cruzar uma pontezinha. O problema é que ninguém disse que era um lugar totalmente deserto (além de nós apenas três guris meio arruaceiros estavam indo para aqueles lados), com pouquíssima iluminação e que, quando o asfalto acabasse, teríamos de caminhar em ruas de chão batido.
Quando vimos por onde tínhamos de passar, paramos e conversamos. Eu fui um dos que queria voltar, mas de comum acordo concluímos que se chegamos até ali não valia a pena voltar. Embora estivéssemos com um pouco de medo, éramos quatro marmanjos e dava para ouvir alguma coisa de música ali por perto, na direção para onde íamos.

Passamos uns atalhos, uma ponte, umas ruelas e se não me engano até uma cerca, mas finalmente chegamos no dito lago Jarum. Como era de se esperar, até havia alguns bares e restaurantes com cara ajeitadinha ao redor do lugar, mas quase tudo estava fechado ou com bem pouca gente.

Depois de algumas cervejas, fizemos algo inteligente: saímos pelo outro lado, onde havia táxi (mas não bonde) e pagamos uma corrida de volta até o albergue, para uma boa noite de sono.

No domingo de manhã, era hora de arrumar as malas e dar adeus à Croácia, depois de muitos dias bem passados no país. Acertamos na recepção um táxi agendado para nos levar até lá (cerca de 70 reais para todos, num trajeto de quase 25km) e saímos com a antecedência suficiente para um check in tranquilo. Quando chegamos, aliás, o aeroporto parecia meio sonolento, e nem mesmo havia pessoal da Turkish trabalhando no check in ainda.

08/02/2011

Zagreb - parte I

Em termos turísticos, Zagreb não faz jus ao posto de capital de um dos países mais bonitos da Europa. Por mais que os guias escritos se esforcem para dizer que vale a pena ficar mais do que um dia na cidade, a impressão que tivemos de lá não foi das melhores.

A cidade tem como atrações principais uma infinidade de museus - nenhum com algo espetacular ou que se compare a algum museu de uma capital da Europa Ocidental; um centro histórico restaurado cheio de igrejinhas, prédios públicos, casas onde viveram personalidades locais e ruas com o calçamento de antigamente; parques e ruas largas projetados na época em que o país pertencia ao Império Austro-Húngaro e uma pretensão de ser uma capital que une elementos da Europa Oriental e da Ocidental (como quase todas as cidades da ex-Iugoslávia).

Embora menor, Ljubljana, na Eslovênia, por exemplo, é bem mais interessante...

O que Zagreb tem, de fato, é uma grande semelhança com Viena. As ruas com bondes elétricos para lá e para cá, os cafés e padarias em cada esquina, os teatros e a ópera, os prédios clássicos de cores amareladas, os espaços abertos ao redor de prédios importantes, como a biblioteca, os museus e institutos nacionais de atividades variadas. Fora dessa região central, no entanto, ela tem bem a cara de uma cidade comunista: bairros com prédios velhos, nada bonitos, apenas funcionais, distantes uns dos outros, quase sempre de cor cinza, cortados por linhas de trens e de bonde, cheios de pichações.
Como só tínhamos 24hs na cidade e como tínhamos o objetivo de pelo menos dar uma olhada nas atrações principais, decidimos começar ainda pela manhã (antes de fazer o check in no albergue, que apenas nos liberou o depósito de bagagem para fazer a entrada nos quartos só depois do meio-dia).

Iniciamos pela Cidade Alta (Zagreb tem uma região central dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa), onde se concentram os prédios do governo e os lugares que estampam os cartões postais da cidade.
Logo depois de passarmos por um parque, que àquela hora e com a garoa que caía estava completamente vazio, demos de cara com a Igreja de São Marcos, que é famosa no lugar pelo telhado decorado com brasões da Croácia (essa da foto acima).

Ao redor dessa igreja, ficam o Parlamento, o prédio da Presidência e outros Ministérios do Governo do país.

Das redondezas da igreja, rumamos para a Catedral e sem saber acabamos encontrando a feira da cidade, o Mercado Dolác, que estava bem movimentado e que acabou servindo para um lanche rápido antes do almoço, além de algumas fotos do Diego com uns closes dos locais fazendo compras, sem perceberem que estavam sendo fotografados.
Depois da feira, ainda tentamos encontrar algum café na rua que valesse a pena parar para tomar algo, mas não encontramos nada àquela hora. Chegamos a sentar num deles, bem em frente à Catedral da cidade, mas a total ausência de atendimento nos fez desistir e seguir caminho, em direção ao centrão da cidade.
Caminhamos à toa, sem muito ânimo com o que víamos, até que voltamos à principal rua da cidade, a Ilica, por onde a maior parte das linhas de bonde passam.

Por aquela região, finalmente conseguimos um lugar legal para um café. Uma padaria com croissants, sanduíches e rosquinhas bem fresquinhos veio bem a calhar àquela hora, já que não tínhamos tomado café da manhã direito e já passava do meio-dia.

Depois da padaria, também sem querer acabamos encontrando a principal praça da cidade, a Ban Jelačić. Ali achamos uma grande quantidade de lojas de roupas esportivas e, como ficava a apenas algumas quadras do albergue, deixamos para voltar mais tarde ou no dia seguinte para aproveitar uns preços que estavam mais atraentes, principalmente em coisas da Nike, da Reebok e da Columbia.