30/06/2011

Barrados no exterior

Brasileiros foram os mais barrados em aeroportos da UE (NOTÍCIA DA AGÊNCIA BRASIL, disponível em http://www.panrotas.com.br/)

Os brasileiros são os estrangeiros que mais tiveram a entrada recusada, em 2010, nos aeroportos de países que integram a União Europeia, além de ser o sexto grupo com mais permanências ilegais detectadas.

De acordo com a agência europeia de controle de fronteiras (Frontex), no ano passado, 6.072 brasileiros foram barrados pelas autoridades europeias ao tentar entrar no bloco por via aérea, o equivalente a 12% do total de entradas recusadas.

Quase 30% dos casos envolvendo brasileiros ocorreu na Espanha, onde 1.813 pessoas foram enviadas de volta ao Brasil, principalmente por não poder justificar o motivo da viagem ou as condições de estada no país. Os brasileiros também foram os mais barrados nos aeroportos da França em 2010, com 673 casos.

O Brasil mantém a primeira posição entre as entradas negadas nos aeroportos europeus desde que a Frontex começou a contabilizar o dado, em 2008, mas a agência destaca que o número de casos caiu 24% no ano passado em relação a 2009.

Em segundo lugar, muito atrás do Brasil, estão os Estados Unidos, com 2.338 cidadãos barrados às portas da UE em 2010, o equivalente a 4,8% do total, seguidos de Nigéria, com 1.717 barrados, e China, com 1.610.

Apenas outros dois países latino-americanos estão entre as dez nacionalidades mais recusadas nas fronteiras aéreas europeias: Paraguai, em sexto lugar, com 1.495 entradas negadas, e Venezuela, em décimo, com 1.183.

De maneira geral, considerando também fronteiras terrestres e marítimas, os brasileiros foram a quarta nacionalidade mais recusada pela UE no ano passado, com 6.178 negativas – o equivalente a 5,7% do total.

Em primeiro lugar ficaram os ucranianos, que responderam por 17% do total, com 18.743 negativas, seguidos de russos, com 9.165 negativas, e sérvios, com 6.990.

No ano passado, a Frontex também detectou 13.369 brasileiros vivendo ilegalmente em algum país da União Europeia – a maioria deles em Portugal, Espanha e França.

O número representa 3,8% do total de residentes ilegais identificados no bloco em 2010 e coloca o Brasil na sexta posição da lista, liderada por Marrocos, com 6,3% do total. Na frente dos brasileiros, também ficaram os cidadãos do Afeganistão, Albânia, Sérvia e Argélia.

Nenhum outro país da América Latina figura está na lista dos dez primeiros entre as nacionalidades com mais ilegais detectados.

29/06/2011

Entendendo Santorini

Santorini, que em grego é chamada de Thira/Θήρα (Santorini vem do nome da padroeira do lugar, Santa Irene, com a pronúncia grega) é um lugar único no mundo e é considerada uma das mais bonitas ilhas da Grécia, senão a mais bonita mesmo.

O que torna esse lugar tão especial e diferente dos outros é o fato de, na verdade, ser uma borda de uma cratera de um vulcão. Sim, isso mesmo, a ilha é a borda da cratera de um gigantesco vulcão, que está parcialmente encoberto pelo mar.

A ilha, 3500 anos atrás, tinha um formato circular e um vulcão bem no seu centro, como muitas ilhas do oceano Pacífico e algumas do sul do Atlântico. Entretanto, uma erupção vulcância de efeitos catastróficos gerou uma explosão de proporções bíblicas no ano de 1680 AC, que acabou por implodir uma grande do vulcão, fazendo sua cratera engolir boa parte da ilha.

O buraco aumentado da cratera acabou sendo inundado pelo mar, quando uma de suas paredes laterais cedeu, formando-se uma baía circular. Depois, outra parede caiu e a ilha, que já estava em formato de lua crescente, ficou um cara de um semicírculo e uma parte menor separada, a ilha de Thirasia.
No centro da "caldeira", a cratera do vulcão inundada pela água (veja acima na foto de satélite), depois de outras erupções, acabou ainda por fazer emergir algumas ilhotas menores, feitas de lava endurecida, que até hoje têm fontes de águas termais em ebulição constante, por conta do coração do vulcão, logo abaixo, que continua ativo.

O resultado de tudo isso é uma ilha que tem, na parte interna, da baía, penhascos que seriam as paredes da cratera do vulcão, e do lado de fora, depois de longas descidas que são a superfície do vulcão, praias que se formaram onde o mar cobre a montanha.

As cidades de cartão postal de Santorini, por isso, nada mais são do que uma série de casas construídas nesses penhascos da caldeira submersa do vulcão, que podem ser vistas ao logo de quase toda a extensão da ilha, pois estão num círculo que quase de fecha.

27/06/2011

Santorini - chegada

A chegada em Santorini, depois de pouco mais de 40 minutos voando sobre ilhas e mais ilhas do mar Egeu, não poderia ter sido mais tranquila.

O voo pousou no horário marcado, o clima era agradável e, como em qualquer ilhota, o aeroporto pequeno e tranquilo era o que nos esperava. Não levou muito mais do que uns 10 minutos para que já estivéssemos com nossas bagagens e pudéssemos sair da área de desembarque, em busca do escritório da locadora de veículos.

Com a reserva já feita pela internet no site da Budget, levou apenas o tempo necessário para preencher o contrato, passar o cartão de crédito e receber algumas orientações sobre como chegar até o hotel para que puséssemos as mãos na chave e saíssemos dali dirigindo.

Seguindo as indicações, chegamos ao hotel que tínhamos reservado pela Booking.com em uns 15 minutos.

Depois de muita pesquisa na internet, cheguei a algumas conclusões. Em Santorini, as acomodações mais caras são aquelas que ficam em Oía, no extremo norte da ilha. São pousadas e hotéis boutique bem ao estilo lua-de-mel de luxo. Em Fira, a capital da ilha, há bastante opção, desde lugares mais baratos até alguns mais tradicionais, de luxo. Tudo, porém, sofre com a agitação e o barulho da cidade, que não é a mais bonita da ilha. Nas praias do sul, em Perissa e Kamari, o foco são apartamentos e casas para temporadas mais longas na praia, assim como hotéis mais familiares. Ou seja, o foco não é tanto o turismo típico que se espera da Grécia, para quem nunca foi lá, mas a praia mesmo.

Entre tantas indefinições, acabei gostando de um hotel relativamente novo, chamado Volcano View Hotel & Villas, que fica na estrada entre Fira e o porto novo de Ormos Athinios, onde atracam os ferries. Fica longe da agitação da cidade, mas tem estacionamento gratuito e liberado a qualquer hora, uma vista impressionante da "caldeira" de Santorini e é todo construído no estilo tradicional que marca a ilha: casas arredondadas, baixinhas, construídas em cascata penhasco abaixo.

A entrada do hotel é pela sua parte mais alta, ao lado da rodovia. Dali, começa uma sequência de escadinhas em direção à parte mais baixa, com três piscinas, áreas de uso comum com cadeiras de sol, um restaurante, além de apartamentos com sacadinhas privativas.

Escolhemos um quarto no prédio mais ao alto, com sacada própria, mas não do tipo varanda grega - pois estes são os mais caros. Se o nosso saiu por cerca de 110 euros, um daqueles mais "exclusivos" não fica por menos de 390 euros a diária para o casal.

Assim que entramos no quarto e demos de cara com a janelinha para a sacada, revelando por trás da cortina a vista para o mar, vimos que a escolha não poderia ter sido melhor. Eu chegava a rir por estar achando aquilo tudo muito perfeito para ser verdade.
O lugar é lindo mesmo. Penhascos com cores que vão do amarelo ao vermelho escuro, casinhas brancas (quem já conhece a Casapueblo em Punta del Este tem uma ideia desse efeito, porque o lugar foi inspirado em Santorini, mas imaginem o original!) e o mar azul, lá em embaixo, com barquinhos e iates indo e vindo. O tempo agradável, o sol a pino, o céu azul, tudo contribuiu para umas boas vindas perfeitas à ilha de Santorini.
Não resistimos e pedimos que nosso almoço fosse servido ali, do lado de fora, ainda bobos com a paisagem.

25/06/2011

Como viajar com seus amigos (e não querer matá-los)


Estava lendo a página da Lonely Planet e encontrei esse artigo engraçado sobre relacionamentos em viagens. Segue uma tradução livre, de minha autoria, do texto de Leif Pettersen, jornalista na LP, disponível em http://www.lonelyplanet.com/north-america/travel-tips-and-articles/76701:

"Até mesmo o seu amigo mais próximo, aquele que você conhece há mais de 20 anos, que até salvou o seu cachorro fazendo respiração boca-a-boca e que doou um rim para sua irmã (ou vice-versa), às vezes pode levá-lo à loucura durante uma viagem.

As divergências cotidianas e as circunstâncias de uma viagem podem expor e ampliar irritações e disparidades que você nunca soube que existiam. Isso se vocês forem compatíveis. Porque se não forem, mais cedo ou mais tarde aquele saca-rolhas que vocês levaram poderá ser usado para finalidades não imaginadas.

Incontáveis duelos mortais podem ser evitados com algum diálogo sincero antes da viagem. Alguns dos critérios mais pertinentes para levados em conta na hora de escolher a companhia de viagem incluem:

1. Seleção natural
Espontaneidade durante a viagem é ótimo, mas não tanto ao selecionar um companheiro de viagem. Escolha um amigo de cuja companhia você já desfrutou em situações das mais variadas. Frequentemente, viajar com alguém que você ainda não conhece direito acaba resultando em viagem recheada de desarmonia. Isso inclui aquele seu parceiro de bebedeira, aquela gata que você namorou só por duas semanas, e até mesmo aquele escritor de viagens espirituoso, que você conheceu no café da manhã do albergue.

2. Definição de expectativas
Discuta com ele a sua visão geral da viagem. Férias? Viagem a trabalho? Exploração urbana? Praias? Se uma pessoa é um tipo “anda, anda, anda, vê, vê, vê” e o outro é um daqueles que curte aproveitar lentamente um café numa cadeira na calçada, o atrito irá rapidamente surgir. E você já viu pessoas obsessivas compulsivas viajarem juntas? Nem queira. Considere cuidadosamente o que você gostaria de realizar em sua viagem e comunique tudo isso ao seu potencial co-piloto.

3. Orçamentos
A gota d'água para muitas amizades ocorre enquanto os dois estão numa rua movimentada, na chuva, a três quilômetros do albergue, e uma das pessoas preferir caminhar, para poupar a passagem de ônibus de € 1,50, e o outro só quer ficar seco. O mesmo ocorre com a comida, quando um só quer comprar o básico para sobreviver sem gastar muito e o outro quer se atolar em jantares caríssimos. Antes de começar a planejar, estabeleça com seu amigo quais são os padrões de conforto que pretendem adotar e quanta grana cada um tem para coisas como alojamento, alimentação e transporte.

4. Dividir para conquistar
É perfeitamente possível se separar eventualmente quando vocês preferem fazer coisas diferentes. O ressentimento cresce rapidamente quando uma pessoa percebe que está apenas cumprindo um itinerário feito pela outra pessoa. Assim, dividir-se às vezes, seja é por três horas ou por três dias, vai acalmar as frustrações de planejamento. Isso não é um sinal de problema ou falha para qualquer um dos amigos, é apenas uma boa política de convivência. Além disso, vocês vão ter mais histórias para compartilhar quando se reunirem novamente.

5. Noite e dia
Uma discussão sobre a rotina diária é essencial. Uma pessoa que gosta de dormir tarde e acordar tarde vai desgastar uma pessoa que gosta de dormir cedo e acordar cedo muito depressa.

6. Seja atencioso
Depois de ter encontrado o companheiro certo, um pouco de gentileza e etiqueta de viagem é essencial. Esteja sempre consciente do humor e do cansaço do seu companheiro. Leve em conta as necessidades do outro. Seja sincero. Não “destrua” o banheiro. E pelo amor de Buda, não seque a garrafa de vinho sozinho!

23/06/2011

Atenas: o que ficou faltando

Passamos apenas umas 40 horas em Atenas, tempo insuficiente para conhecer propriamente uma cidade com milhões de habitantes. Como contei nos posts anteriores, o que fizemos foi aproveitar ao máximo o período em que estivemos na cidade para conhecer as atrações que ficavam mais próximas entre si e que, no nosso entender, eram as mais imperdíveis (Acrópole, Ágora, Estádio das Olimpíadas de 1896 e os arredores do Parlamento).

O horário de funcionamento de muitas atrações também impede que se aproveitem na totalidade as longas horas de sol que o verão no Mediterrâneo proporciona; afinal, muitos lugares só abrem depois das 9h30 da manhã e fecham pouco depois das 17h.

Pelo que lemos, vimos e conversamos, as atrações que seriam mais legais de conhecer numa segunda ida à cidade, ou para quem tem mais tempo por lá, seriam as seguintes:

Monte Lycabettus: é um morro isolado, um pouco mais alto, mas bem menor que a Acrópole, no lado oposto da cidade. Para subir, existe um funicular turístico que sai da região de Kolonaki. Lá de cima, é possível ter belas vistas da cidade, da Acrópole e do pôr do sol. Ouvimos de um pai e uma filha brasileiros que o lugar era bem legal e, de fato, sentimos vontade de ir até lá só de vê-lo dos outros lugares em que estivemos.
Museu Arqueológico Nacional de Atenas: é um dos mais importantes museus sobre a cultura clássica no mundo. Não chega a ter o mesmo volume do acervo pilhado por ingleses e franceses, hoje à mostra no British Museum e no Louvre, mas é uma referência para quem tem interesse por esculturas, objetos e história da Grécia Antiga. Fica um pouco longe da área mais turística, próximo à Universidade Técnica, ao norte de Omonia.

Templo de Hefesto: como eu falei num dos posts sobre a cidade, chegamos a tentar entrar nesse lugar, mas como a bilheteria fechava meia hora antes do encerramento do expediente, não conseguimos. Essa parte da ágora reúne restos do centro de Atenas no tempo em que a cidade foi dominada pelos romanos.

Estádio Olímpico de 2004: a região foi toda criada para as últimas olimpíadas disputadas na cidade e, como na maioria dos lugares que sediaram o evento, há bastante estruturas, esculturas e lugares interessantes para se conhecer ao redor.

22/06/2011

Novos voos de Porto Alegre

Porto Alegre continua recebendo boas notícias em matéria de novos voos diretos para o exterior.

No último Dia dos Namorados, a TAP deu início ao primeiro voo direto entre o RS e a Europa, com aviões A330, o que já tinha sido objeto de outro post aqui no blog. Fala-se inclusive em aumentar a frequência de 4 para 7 voos por semana, devido à grande procura. De Lisboa, é possível voar para quase toda Europa em voos da mesma companhia ou de parceiras Star Alliance.

Ontem, foi a vez da Copa Airlines dar início à ligação direta com a Cidade do Panamá - outra boa oportunidade para voos baratos e fáceis aos EUA, Caribe e Canadá (ainda mais que agora o México frouxou exigências de visto para brasileiros). A dureza é aguentar mais de 6 horas num B737.

Hoje a boa nova veio da Gol, que começará um voo direto com seus B737 a Santiago do Chile no dia 07/07/11, saindo às 23h57, com duração de pouco mais de três horas. O voo para o Chile complementa outros tradicionais "corujões", como para Rosario, Cordoba, Montevideo e Buenos Aires (EZE), que a Gol opera há anos. Todos os voos parecem ser uma estratégia da companhia para ocupar aeronaves que, caso contrário, ficariam paradas à noite toda num pátio de aeroporto.

A esses voos, somem-se:
- o início das operações da TACA Airlines, ligando Porto Alegre a Lima desde o ano passado (com grande procura);
- a mudança da Aerolineas Argentinas, que passou a pousar no centro de Buenos Aires (Aeroparque), facilitando conexões internas;
- a retomada dos voos da Pluna (com destino a Montevideo e várias conexões no Conesul); e
- o surgimento da BQB Linhas Aéreas, que voa para Rivera e para Punta del Este.

Dizem que, assim que a pista for ampliada (o que deve ocorrer até o final de 2013), começam voos diretos aos EUA (leia-se Miami).

Mesmo no estado atual, POA já tem mais opções diretas para o exterior do que, por exemplo, Belo Horizonte, capital muito maior.

Assim, está cada vez mais fácil fugir do superlotado e muvucado aeroporto de Guarulhos. Outra dica para escapar de São Paulo é a de aproveitar as várias novidades ligando o Rio de Janeiro à Europa (KLM, Alitalia, Lufthansa, Iberia, etc) e usar o Galeão como porta de saída do país.

21/06/2011

Seguindo viagem

Na nossa segunda noite em Atenas, decidimos ir jantar na região de Monastiraki, já que, durante o dia, vimos por ali uma série de barzinhos e restaurantes cheios de gente, um ao lado do outro. Um lugar como aquele certamente estaria em movimentado até altas horas.

Saímos do hotel em direção àquela parte da cidade e demos algumas voltas antes de nos decidirmos. No final das contas, um restaurante que prometia atendimento e menu em espanhol foi o que acabou nos convencendo a entrar.

Diferentemente da noite anterior, em que nos dedicamos a experimentar os pratos típicos (moussaka, souvlaki, etc.), dessa vez pedimos uma variedade de mezes (comidinhas tipo tapas) para comer com uma cerveja local. Experimentamos vários tipos diferentes de queijos, alguns levemente assados numa grelha sobre a brasa – muito bons. Comemos azeitonas de vários tipos, umas salsichinhas, carninhas grelhadas, moluscos na vinagrete e por aí vai.

Com relação à cerveja, além das marcas europeias onipresentes (Heineken, Amstel, Carlsberg), a maioria dos restaurantes oferecem as duas maiores cervejas nacionais: a Mythos (mais famosa) e a Alfa. Ambas são muito boas, são claras e leves (o foco delas é o turista do verão grego), mas não são tão aguadas como as nossas cervejas mais comuns.

Muito satisfeitos com a escolha, voltamos para o hotel, para descansar e seguir viagem na manhã seguinte.

No domingo de manhã, o tempo estava bem melhor que no dia anterior. A Acrópole, ainda mais bonita do terraço onde se toma o café da manhã no hotel.
Por volta das 9h30, saímos pelas ruas quase vazias e pegamos um metrô também quase deserto (bem diferente da chegada) até o aeroporto internacional, de onde viajaríamos para Santorini com a Aegean Airlines – um voo de apenas 50 minutos, por pouco mais de 100 euros por pessoa ida e volta.

Tomamos um susto com a franquia da bagagem: apenas 17kg por pessoa. Mesmo assim, não precisamos pagar nada extra, porque o peso foi somado para o casal. Colocamos algumas coisas mais pesadas na bagagem de mão e fomos para o embarque.

Na Grécia, mesmo em voos domésticos, a proibição de viajar com líquidos de mais de 120ml existe e é rigorosamente fiscalizada. Vimos muitas pessoas à nossa frente e ao nosso redor tendo xampus, cremes e garrafas de água sendo jogadas fora pelos fiscais, inclusive um caso esdrúxulo em que uma pessoa tentava argumentar que o seu vasilhame, que era de 125ml, não estava completamente cheio, mas que mesmo assim teve o bem confiscado e jogado fora.

Sem atraso, decolamos e começamos uma bela viagem, num dia quase sem nuvens e com o mar bem azulzinho.

19/06/2011

Fim de tarde em Atenas

Após terminarmos a visita à Acrópole, já estávamos bem cansados do intenso dia em Atenas. Voltamos de metrô para a região de Monastiraki e tratamos de encontrar um café para fazer um lanche e descansar um tantinho. Ficamos numa praça bem arborizada, um pouco longe da muvuca da região, até reencontrarmos forças para seguir nosso roteiro e ir até outra Ágora antiga, onde fica o templo de Hefesto.

Essa parte da cidade é o centro de Atenas no tempo em que ela foi dominada pelos romanos. Também é toda protegida e cercada e exige o pagamento de ingresso. O que não contávamos é que ela encerraria as vendas de ingressos meia hora antes de fechar, por isso as únicas fotos que temos de lá são ou de cima, vista da Acrópole, ou do lado de fora, através do portão.
Um pouco desapontados pelo contratempo, decidimos então terminar o dia na beira do mar. Pegamos um metrô até Pireus e, de lá, um bonde bem moderninho que faz toda a costa marítima da cidade. Descemos numa praça em que havia pessoas pescando e crianças brincando.

Caminhamos pelo calçadão marítimo até o pôr do sol. Curioso que estava, fui até a água e vi que estava bem quentinha. O mar, como na maior parte da costa mediterrânea, era calminho e sequer tinha aquele cheiro de maresia.
Compramos até milho verde no nosso passeio e vimos uma Atenas bem diferente daquela que tínhamos enxergado até então: prédios mais modernos, pessoas “normais” e não só turistas e prestadores de serviço, alguns imigrantes africanos, como em qualquer país da Europa e até alguns clubes de iates de ricaços.

Quando finalmente escureceu, tomamos um bonde de volta ao centro, dessa vez por outro caminho, que nos deixou cerca de 40 minutos depois exatamente em frente ao Parlamento, onde tínhamos começado a manhã daquele longo e produtivo sábado de passeio pela cidade.

17/06/2011

Atenas: Acrópole


Para nossa alegria, o céu foi limpando cada vez mais no meio da tarde e, quando chegamos na estação de metrô mais próxima da entrada da Acrópole, já estava fazendo um sol de rachar.

O caminho entre a estação e a entrada é quase todo íngreme. À medida que a pessoa se aproxima do portão da área, que é protegida como um dos maiores patrimônios da humanidade e, sem dúvida, o monumento mais importante da Grécia, percebe que a polícia fiscaliza e impede a venda de bugigangas e que não ninguém com cara suspeita espreitando os turistas.

Um pouco antes de chegar ao acesso à área histórica, passamos em frente ao Museu da Acrópole, recentemente aberto em substituição a outro, menor e mais antigo, que ficavam bem ao lado das ruínas. Ali ficam guardados os objetos e estátuas que foram retirados do lugar original para serem mais bem preservados. Decidimos que só entraríamos se estivéssemos empolgados na volta e seguimos em frente (na volta acabaríamos não entrando também).

Na bilheteria, vimos que havia várias opções de ingresso: um só para a Acrópole, um para o Teatro de Dionísio e um para o Museu, além de outros combinando duas ou três dessas atrações. Compramos só o da Acrópole e do Teatro e seguimos pelo caminho ainda mais íngreme e cheio de oliveiras que dá acesso às escadarias da entrada.

Não é à toa que Acrópole significa “cidade alta”. Dá uma boa pernada até lá em cima, quando se chega ao Templo de Nike, no acesso usado pelos visitantes.
Chegar lá em cima e ver o Parthenon da Acrópole, mesmo com algumas partes em restauração, é uma daquelas sensações parecidas que se tem quando se visita o Cristo Redentor pela primeira vez, o Coliseu ou Machu Picchu. Não foi por acaso que o lugar ficou entre os finalistas na eleição das 7 Maravilhas do Mundo Moderno (só perdeu por falta de apoio e organização popular).

O Parthenon (que significa “Virgem”) era considerado como a morada da deusa Atena, que dá nome à cidade, e foi o maior templo em estilo dórico já construído.
A vista da cidade, que rodeia completamente a Acrópole, também é impressionante. O vento amenizava o calor, que já era bem forte e dava bem a noção de como dever ser insuportável no mês de julho ou agosto, na altíssima temporada. Detalhe: como a área é toda protegida, não há bares nem quiosques, por isso quem não levou a sua aguinha, passa sede.
Além do Templo de Nike, na entrada, e do Parthenon, no centro da Acrópole, outra atração importante é o Erechtheion, lugar onde, segundo a mitologia, Poseidon tocou o solo da terra com seu tridente e onde Atena fez nascer a primeira oliveira.

Esse prédio é decorado por seis colunas em formato de mulheres, as Carátides, e tem intactas partes do teto, que são também muito bonitas.
Tudo na Acrópole é sagrado para a religião clássica grega e desde muito tempo foi proibido que qualquer pessoa mortal morasse e muito menos nascesse naquele local.

Do lado da Acrópole que se tem a vista para o mar Egeu, ficam também os dois teatros clássicos da cidade. O primeiro, que pode ser bem visto lá de cima, é o Teatro de Herodes Ático, que está restaurado, é usado em concertos de música clássica a céu aberto e que não pode ser visitado fora dos espetáculos.
O outro, o Teatro de Dionísio, está em ruínas e pode ser visitado mediante pagamento de ingresso. Foi por lá que passamos na hora em que já estávamos indo embora, depois de umas duas horas de visita e contemplação na cidade alta de Atenas.

15/06/2011

Atenas - templos e ágoras

Saindo do Templo de Zeus Olímpico abaixo de uma chuvinha fina, atravessamos a grande avenida que separa aquela parte da cidade do bairro de Plaka, por onde já estivéramos andando na noite anterior. Ali, com ruas mais estreitas, parreirais cobrindo partes das calçadas e mais árvores, conseguimos até dispensar o guarda-chuva.

A primeira paradinha foi na igreja de Santa Catarina (Aghia Ekaterini), mais uma daquelas igrejinhas ortodoxas gregas baixinhas, com formas arredondadas.
O interior é bem diferente de uma igreja católica. Mais acolhedor, mas cheio de indumentárias e objetos religiosos. Nas paredes, imagens de santos com aquele estilo bizantino. A idade do templo? Uns oitocentos anos, segundo as informações existentes.

Para chegar ao nosso próximo destino, passamos pela infinidade de lojinhas de souvenires turísticos do bairro, revimos algumas tavernas da noite anterior e quase nos perdemos no labirinto formado por ruas sem saída que, muitas vezes, nos davam a impressão de estarmos invadindo algum jardim particular.

A chuva parou e, quando chegamos na Ágora Antiga de Atenas, outra área histórica preservada, casamos mais alguns euros em troca dos ingressos e de um mapinha informativo.

A ágora era, para uma cidade grega, o que o fórum era para uma cidade romana. Ou seja,era o centro religioso, político e comercial da cidade. A região era dominada por um grande templo religioso, onde eram feitos os sacrifícios em nome dos deuses e onde eram consultados os oráculos. No espaço aberto, em frente, eram feitas as assembleias democráticas onde as decisões eram tomadas pelos votos dos nobres considerados como cidadãos. Ao redor de tudo isso,havia espaços para que mercadores de comida, escravos e utensílios fizessem as suas trocas.

Como ocorreu com a maior parte das cidades clássicas, esse centro antigo acabou virando um grande depósito de entulho e foi esquecido durante toda a Idade Média e a Idade Moderna. Só com o despertar da ciência arqueológica, a renovação da história da arte e a dominação da região por impérios ocidentais é que as escavações e restaurações começaram, devolvendo à área um pouco de visibilidade.
O prédio mais interessante e talvez o mais bem preservado da Ágora é a Torre dos Ventos. É uma torre de altura equivalente a pouco mais de três andares, toda de mármore branco, em que existem ainda relógios solares, um relógio de água um indicador da direção do vento. É toda decorada com imagens de deuses dos ventos (cada um dos oito lados tem um deus diferentes. Após o surgimento do Cristianismo, virou uma torre para sinos de igreja e, durante o Império Otomano, chegou a servir como local de encontro de sufis.

Como já passava das 13h e a fome estava pegando, escolhemos um dentre os restaurantes que havia logo ao lado da ágora. Pedimos umas saladas, alguns frutos do mar e salmão grelhado.

Depois disso, caminhamos mais alguns metros em direção ao centro do bairro de Monastiraki, onde sempre há uma grande concentração de turistas, de artistas populares e de gente simplesmente trocando de meio de transporte público. Com a muvuca que estava, foi um dos únicos lugares da cidade em que fiquei preocupado em proteger a carteira e colocar a mochila para a parte da frente do corpo, para evitar um pickpocket indesejado.
Do outro lado da rua, em frente à entrada da estação de metrô de Monastiraki, fica a Biblioteca de Adriano, uma ruína do tempo do Império Romano que é aberta à visitação sem a necessidade de pagamento.

Basicamente só a fachada está preservada e, numa parte coberta e mais protegida, está a estátua da deusa Nike (só não vale pronunciar “naike”!), sem cabeça e sem os braços, o que sem dúvida tira boa parte do interesse.

13/06/2011

Atenas - Olímpíadas e Zeus Olímpico

O primeiro lugar em que comeamos a ver um pouco mais de burburinho de turistas ficava logo abaixo, no fim da rua que passa em frente ao Palácio Presidencial.

Lá, onde também terminam os Jardins Nacionais, está o Estádio Olímpico de Panathinaikos, usado como sede das primeiras Olimpíadas da Era Moderna, em 1896.

O estádio é surpreendentemente pequeno e não tem, como nos estádios atuais, um campo que possa ser usado para jogos de equipe no centro. Possui estrutura, apenas, para provas de atletismo (salto em distância, salto em altura, salto com vara, pista de corrida, etc.).

O que chama a atenção na estrutura é que ela é toda feita em mármore branco, reproduzindo e restaurando um estádio semelhante que havia no mesmo local no período Clássico da Grécia antiga. Um pouquinho de pesquisa sobre o lugar mostra que já era utilizado como lugar de cerimônias olímpicas há mais de 300 anos antes de Cristo e que foi reconstruído várias vezes, até 140 DC, pelos romanos.

Nas Olimpíadas de 2004, novamente disputadas em Atenas, o mesmo local foi sede das provas de arco e flecha.

Ao redor do estádio, existem algumas esculturas modernas representando esportes olímpicos, além de estátuas dos patrocinadores das primeiras Olimpíadas modernas.
Não muito longe dali, fica o Zappeion, um centro de convenções ainda utilizado em mostras culturais que funcionou como portal de recepção das primeiras Olimpíadas, em 1896. Nas Olimpíadas de 1906, também disputadas na cidade, o lugar, que possui alguns prédios anexos, foi usado como Vila Olímpica.
Hoje em dia, além do centro de convenções, há alguns cafés e restaurantes ao redor – inclusive foi num deles que experimentamos nosso primeiro café grego (um café feito com bastante açúcar, quase um melado, em que a borra fica no fundo da xícara, misturada a esse “melado” batido). Por ser o mais pedido pela população, e não só pelos turistas, é mais barato que um expresso.

Os jardins cheios de chafarizes na frente do Zappeion servem de caminho até a entrada de uma área protegida em que estão as ruínas do Templo de Zeus Olímpico (ou Júpiter Olímpico, para os romanos).

Nesse lugar, é preciso pagar cerca de 5 euros para poder entrar e se ganha um mapa explicativo sobre as ruínas.
Um dos restos mais interessantes é o portal de Adriano (acima), pelo qual os peregrinos ingressavam na área considerada uma das mais sagradas da antiguidade para venerar os deuses, vindo do centro da cidade.

Outro, o principal do lugar, é o próprio Templo de Zeus, do qual só restam algumas colunas tombadas no chão e, em pé, não mais do que umas vinte delas.
Esse foi o maior templo de toda a Grécia, mas só foi concluído no período do Império Romano, quando a Grécia era apenas uma província.
Para quem lembra de aulas de história antiga e daquelas diferenças entre colunas dóricas, jônicas e coríntias, não é difícil ver que as colunas daquele templo são dessa última espécie:
As fotos não ficaram a melhor coisa do mundo, porque bem naquela hora começou uma chuvinha fina que demoraria quase uma hora para passar - felizmente a nossa única na primeira semana inteira de viagem.

11/06/2011

Atenas - ao redor do Parlamento

Nosso sábado em Atenas começou cedo. Tomamos café olhando a cidade de cima, com a Acrópole ao fundo, e por volta das 9hs da manhã já estávamos com o pé na rua.

A primeira parada foi logo ali, na Praça Syntagma (Πλατεία Συντάγματος), que quer dizer “Praça da Constituição”. A maior atração é a troca da guarda, que ocorre a cada hora cheia, bem em frente ao Túmulo do Soldado Desconhecido.

Como ocorre na maioria dos países que se envolveram em alguma grande guerra, o corpo de um soldado morto em batalha, cuja identidade verdadeira não tenha sido possível determinar, é enterrado num altar monumento como símbolo de todos os soldados que morreram em defesa dos interesses nacionais. Normalmente, esse tipo de monumento é visitado pelos Chefes de Estado nas trocas de governo ou nas recepções a Chefes de Estado de outros países.

No caso do túmulo do soldado desconhecido em Atenas, que fica bem abaixo do Prédio do Parlamento, um pouco acima da estação de metrô, há permanentemente dois soldados com uniformes tradicionais da infantaria de montanha, datados de meados do século XIX, que compõem a Guarda Presidencial, fazendo a vigia do local.

De hora em hora, eles abandonam os seus postos (umas “casinhas” parecidas com as dos soldados britânicos) e, com a baioneta no ombro, fazem um elaborado ritual de cerca de 5 minutos para deixar o lugar para os próximos dois soldados, que são conduzidos por um superior.

À primeira vista, parece até meio ridículo, porque o uniforme é composto por uma saia e umas sapatilhas com umas coisinhas que mais parecem um pompom na ponta. Cada passada da marcha é feita elevando-se o pé o mais alto possível, com uma paradinha. Mas em alguns segundos percebe-se a seriedade com a qual tudo é feito e como deve ser honroso para cada militar estar fazendo aquilo – afinal eles são um dos cartões postais do país.

Vista a troca da guarda, passamos mais perto do prédio do Parlamento. Até o século XIX, esse era o Palácio Real da Grécia, no período que se sucedeu à independência do país em relação ao Império Otomano. Hoje, no entanto, o país é republicano parlamentarista e o local funciona como lugar de encontro dos 300 deputados gregos.
Até onde soube, não há visitação interna e por isso não há muito o que fazer além de tirar algumas fotos da fachada.

Bem ao lado do Parlamento, ficam os Jardins Nacionais da Grécia, um parque de mais de 15 hectares cujo projeto foi encomendado pela Rainha Amália, no período monárquico do século XIX.
Além de servir como lugar de descanso e para caminhadas e corridas, os jardins têm como atração mais de 500 espécies de plantas importadas de outros países e continentes, inclusive algumas brasileiras. Aqui e ali também há algumas estátuas, alguns exemplares de ruínas de templos gregos antigos e umas partes em que são mantidas algumas aves e cabras da montanha.
O parque é todo cercado, mas há portões de ambos os lados. Cruzando ele todo e saindo do lado oposto ao portão mais próximo do Parlamento, dá-se de cara com o Palácio Presidencial grego – nada muito melhor do que uma mansão de rico comum.

O lugar, todo cercado por vigilantes, até parecia que estava aguardando alguma ameaça terrorista. Ficamos até com receio de caminhar muito perto da entrada, ainda mais porque não passava uma viva alma por ali, além dos próprios guardas.

09/06/2011

Comida típica

Na nossa primeira noite na cidade, uma sexta-feira, escureceu um pouco mais cedo do que o normal, por causa do tempo nublado. Mesmo assim, o clima estava bem agradável, permitindo inclusive que saíssemos de mangas curtas.

Saindo do hotel, voltamos até a praça de Syntagma e dali tomamos o calçadão que é o coração moderno de Atenas, a rua fechada para carros Ermou. A cidade, por mais estranho que pareça, me lembrou um pouco Buenos Aires. Não sei se são os prédios, o estilo do calçadão ou o quê. Fato é que o ambiente ao nosso redor era bem família, com muita gente simplesmente passeando no início da noite, tomando sorvete, olhando vitrines. Aqui e ali havia algum artista de rua tocando em troca de dinheiro.

Algumas quadras adiante, encontramos o primeiro templo ortodoxo grego (de muitos) naquela viagem. Era a igreja de Kapnikarea, que fica bem no meio da praça de mesmo nome. O prédio parece de brinquedo: é baixinho, redondinho, até engraçado. Ao lado da igrejinha, estava acontecendo um teatro de fantoches de rua. Dezenas de crianças estavam assistindo hipnotizadas às encenações, que pareciam um pouco com aqueles teatros tchecos de bonecos. A fala era toda em grego e os turistas que passavam por ali acabavam logo saindo, depois de algumas fotos.

Numa determinada esquina naquela parte da cidade, tivemos outra daquelas visões que surpreendem qualquer pessoa que vai pela primeira vez à Grécia: a Acrópole toda iluminada de branco, no alto do morro, ao fundo do centro histórico. As muralhas que cercam o morro também são todas iluminadas com holofotes, o que deixa tudo parecendo uma imagem que não é de verdade.

Foi para aquele lado que então decidimos prosseguir. A única coisa que eu tinha pesquisado era o nome de alguns restaurantes típicos no bairro de Plaka, sem necessariamente escolher algum. Nossa ideia era ver o que mais nos agradasse e então decidir onde experimentar pela primeira vez os pratos típicos da cozinha grega.

Entre uma ruela e outra da cidade velha, acabamos encontrando uma escadaria toda coberta por parreiras, cheia de bares e restaurantes ao redor (a foto é do dia seguinte), que mais parecia o cenário de algum filme. Começamos a olhar alguns cartazes com os menus dos restaurantes e nisso apareceu um garçom de um deles tentando nos convencer a subir.
Se tem uma coisa que não gosto é de gente me pressionando a fazer alguma coisa. E era exatamente isso que aquele garçom estava fazendo, insistindo para que entrássemos. Quando ele falou que tinha um terraço aberto com uma vista para a Acrópole, acabei cedendo à pressão e me dispus a conhecer o lugar por dentro. De tão incrédulos que estávamos, subi só eu, a Gisele ficou esperando do lado de fora. Mas quando vi a vista, desci correndo os três lances de escada e a chamei: era ali mesmo que jantaríamos. Não lembro nem o nome do lugar!

Não há muita diferença entre um lugar e outro em matéria de restaurante típico, como aprenderíamos naqueles dias de Grécia. Basicamente, todos oferecem os pratos mais conhecidos da cozinha nacional:

- moussaka: uma espécie de lasanha recheada com carne de cordeiro, berinjelas, molho de tomate e cobertura de queijo gratinado;

- souflaki: espetinhos de carne de cordeiro grelhada, com alguns vegetais como pimentão, cebola, geralmente temperado com limão;

- mezes: várias entradinhas, em pequenas porções, como as tapas espanholas, mas com predominância de ingredientes como azeitonas, queijos brancos e sementes, acompanhados por azeite de oliva;

- salada grega: a nossa conhecida salada de tomate, pepino, azeitona, queijo feta e azeite de oliva

- pastittsio: um prato com influencia italiana, feito com massa gratinada no forno.

Quase tudo sempre vem acompanhado de pão pita (um pão parecido com o sírio) e, para beber, vinho.

Posso dizer que provei de tudo um pouco, ao longo dos dias, e que terminei fã da culinária local.

07/06/2011

Onde ficar em Atenas


Atenas (Αθήνα) é uma metrópole que não pára de crescer com mais de 3,5 milhões de habitantes, bastante espalhada geograficamente. Mesmo assim, as áreas de maior interesse turístico são relativamente próximas entre si e podem ser percorridas a pé, bastando apenas um pouco de disposição.

Basicamente, o que um turista que vai passar menos de três dias na cidade quer ver fica nos bairros de Plaka, Syntagma, Monastiraki e Omonia. A Acrópole não é um bairro em si, porque não é habitada – é um morro cheio de ruínas clássicas bem ao lado de Plaka.

Nas pesquisas que fiz sobre hotéis, fiquei sabendo que os arredores de Monastiraki e Omonia podem ser bem boca-braba à noite. São muito frequentes os relatos de pequenos furtos e até mesmo assaltos à noite ou cedo da manhã nessas regiões. Além disso, há muita prostituição e consumo de drogas nessas partes da cidade, fora do horário comercial.

O bairro de Plaka, por sua vez, é o centro histórico da cidade. Por isso mesmo, tem ruas estreitas e muitas vezes com restrições ao trânsito. Por ser o preferido dos turistas, tem os preços mais altos e não necessariamente os melhores serviços. Como concentra muitas tavernas e restaurantes, também pode ser bastante barulhento noite adentro.

Excluindo os primeiros três, acabei ficando com Syntagma. É o centro “novo” da cidade, com uma cara bem anos 60, no qual ficam os prédios públicos e a maior parte do comércio tradicional. Os hotéis são mais voltados para pessoas viajando a trabalho, por isso são mais em conta que os estabelecimentos da Plaka, preferidos pelos americanos, ingleses e alemães, que são os turistas em maior número no país. Andamos à noite por aquela região em mais de uma oportunidade e não tivemos qualquer problema e nem vimos nada suspeito.

Se a intenção é ficar em hotéis supermodernos, mais caros, aí, pelo que soube, o negócio é procurar algo na região de Kolonaki, ao redor da estação Evangelismos. Existe ainda a possibilidade de ficar em algo com vista para o mar, mais próximo do porto de Pireus, onde também há bastante opções para sair à noite ou mesmo para se exercitar e caminhar no final de tarde.

Como nessa viagem de casal não cheguei nem a cogitar ficar em um albergue, acabei não fazendo qualquer pesquisa, por isso não tenho dicas a respeito para dar.

05/06/2011

Chegada em Atenas

No desembarque em Atenas, tivemos logo de cara uma boa impressão do aeroporto. Tudo muito amplo, muito moderno, não muito cheio de gente, com boas opções de restaurantes, caixas automáticos, vários meios de transporte até o centro. Nada que uma Olimpíada levada a sério não faça por uma cidade.

Depois da eterna alegria de reencontrar a bagagem após duas conexões internacionais, procuramos a saída do aeroporto que dava para a estação do metrô. Chegando lá, porém, hesitei um pouco até comprar a passagem, pois não conseguia entender muito bem como funcionava o sistema de tarifação.

Custei mais um pouco a entender – o que só consegui depois de pedir ajuda a um rapaz numa banca de revistas – que a linha que saía do aeroporto nos deixaria diretamente no nosso destino final, a praça de Syntagma, sem qualquer baldeação.

Passagem comprada e validada, viagem conhecida, descemos para a plataforma de embarque. Uma escada rolante estragada no caminho me trouxe rapidamente a lembrança de por que um mochilão é tão mais prático do que uma mala quando o objetivo é usar transporte público.

Depois de uns 5 minutos de espera num trem parado e ainda vazio, começamos a viagem de cerca de meia hora até o centro da cidade. No caminho, minha curiosidade sobre a Grécia me fez ficar olhando o tempo todo para fora, tentando adivinhar o significado de placas de publicidade, identificando semelhanças dos prédios com os que se vê na Itália e absorvendo as primeiras impressões sobre o país e as pessoas.
À medida que fomos entrando no centro da cidade,o trem foi enchendo cada vez mais. Chegamos a perder contato visual com a bagagem, que estava num bagageiro próximo a uma das saídas do vagão em que estávamos sentados. Ficamos um pouco tensos com a situação e o cansaço da viagem acumulado me fez sinceramente arrependido por não ter pego um táxi ou mesmo um ônibus especial desses que levam do aeroporto aos hotéis.

Quando finalmente estávamos chegando na nossa estação de destino, 16 depois da estação do Aeroporto, nos levantamos e eu tive bastante dificuldade para tirar as bagagens por entre as pessoas.

Por fim, saímos na estação e logo demos de cara com as famosas exposições de vasos, objetos e estátuas gregas que existem na própria estação de metrô de Syntagma. Quando saímos para a rua, nos deparamos com o lugar mais central possível da cidade: o prédio do Parlamento, ao fundo da praça de Syntagma.
A uma quadra e meia dali estava o nosso hotel, por isso fomos a pé mesmo. Cruzamos a avenida que contorna a praça bem na hora do rush, por volta das 18h, e depois de passar por umas lojas cheias de doces gregos, atingimos nosso objetivo daquela tarde.

Pelo Booking.com, depois de bastante pesquisa, eu havia reservado duas noites no Astor Hotel, um quatro estrelas muito bem localizado, com diária de 90 euros para um quarto de casal.

O prédio deve ter uns 30 ou 40 anos, mas o interior estava bem renovado. Quarto bem espaçoso, cama boa, sem nada de cheiro de cigarro; só o carpete é inevitável. Pelo lado de fora, nada muito bonito – como é de se esperar de qualquer fachada em Atenas. O grande destaque do lugar vai para a vista de matar que se tem do terraço, onde também fica o restaurante no qual é servido o café da manhã. Seja pelas vidraças, seja pelo lado de fora, nas sacadas, dali se tem uma impressionante e inesquecível visão da Acrópole. Levei quase um susto quando saí do elevador no último andar e dei de cara com a cena da foto abaixo (olha a Acrópole lá no fundo!).
Aquele fim de tarde de sexta-feira não estava dos mais bonitos, por isso nem queríamos fazer nada antes de descansar um pouco. Nosso plano era apenas dar uma volta pelo centro à noite e escolher algum lugar com comida típica para jantar. Tirando uma rápida descida para sacar dinheiro num caixa automático das redondezas, foi o que fizemos.