31/01/2012

Deslocamentos em Bangkok


Bangkok é uma megalópole de 12 milhões de pessoas, com uma região metropolitana que ainda acrescenta mais uns 2 milhões de habitantes a essa conta. Embora seja famosa por seus arranha-céus metidos a moderninhos, a cidade não tem tantos prédios como São Paulo e por isso é bem espalhada.

Aquilo que se define normalmente por “centro” da cidade em Bangkok, na verdade é o distrito de Ratchathewi, local onde ficam os maiores shopping centers da cidade e que pode ser quase todo percorrido por passarelas aéreas, que ficam acima das ruas e avenidas, mas abaixo das duas linhas de Skytrain BTS, que se cruzam na Siam Square, considerada o ponto mais central da cidade. Um conceito mais amplo de centro inclui também as regiões de Sukhumvit, do parque Lumphini e Chit Lom. O centro antigo fica em Ratanakosin (uma ilha artificial onde está o Palácio Real e os seus arredores) e nos bairros logo acima, incluindo a famosa Khao San Road, onde estão a maioria dos albergues de Bangkok – tudo um pouco mais perto do Rio Chao Phraya. A Chinatown de Bangkok, também famosinha, fica mais ao sul disso tudo.

Um lugar com tanta gente também oferece diversos meios de transporte, embora muitos deles só cubram algumas regiões da cidade, não necessariamente aquelas de maior interesse turístico:

- BTS Skytrain: esse é o meio de transporte mais famoso, moderno, rápido, limpo e eficiente de Bangkok. Para quem não conhece, é como um daqueles monorails da Disneylândia: trata-se de um trem que circula silenciosamente numa pista a uns 30m acima das principais avenidas, mas só na região oeste e no centro moderno da cidade. O preço da passagem varia conforme o número de estações que se vai andar. O menor é de 15 baht (cerca de R$ 0,85), que dá direito a uma estação apenas, e depois vai subindo a 20 baht, 30 baht, até um preço máximo de uns 60 baht (cerca de R$ 3,80). Para comprar, basta inserir moedas numa máquina que informa o preço da estação a que se quer chegar. Se não tiver moedas, procure um atendente nos quiosques para trocar cédulas de valor maior. Em algumas estações, há máquinas que aceitam cédulas de baht, mas geralmente é só uma e há filas. Uma voltinha nesse trem aéreo é considerada por si só uma atração turística da cidade. Usamos ele, por exemplo, para ir ao mercado de Chatuchak (perto do terminal de uma das linhas, em Mo Chit) e para saltar de um shopping para o outro, na região mais central, e ainda para visitar a Jim Thompson House, a partir da estação National Stadium.

- MRT Metrô: Bangkok só tem uma linha de metrô subterrâneo, que não é muito útil aos turistas, porque só faz uma ligação norte-sul no lado mais a oeste da cidade, fazendo conexão com algumas estações de Skytrain. Não cheguei a andar nesse transporte.

- Chao Phraya River Express: são os barcos que percorrem o rio Chao Phraya, a leste da cidade, parando em vários piers ao longo do caminho, alguns pertencentes a hotéis famosos. É um meio bastante rápido, porque o rio não fica congestionado. Uns modelos de barco admitem de 90 a 120 pessoas e outros de 120 a 180 pessoas, umas bem apertadinhas com as outras. Bastante turistas usam, juntamente com locais. Não cheguei a andar em nenhum, mas num passeio que fiz com um barco que oferecia jantar a bordo, numa das noites na cidade, vi vários deles indo e vindo por todos os lados. Ainda existem alguns barcos menores, que transitam nos poucos canais que restam no interior da cidade, mas nesses não se vê tantos turistas, quase só locais mesmo.
 
- Tuk tuks: são veículos iguais aos que se vê na Índia e outros países asiáticos, uma espécie de evolução do riquixá. São montados sobre uma espécie de triciclo – o condutor vai na frente, sentado num banco dirigindo como se estivesse numa scooter ou Vespa, e dois (ou até três) passageiros vão sentados atrás, num banquinho de couro com uma cobertura de lona. O nome se deve justamente ao barulho típico do motor desses veículos. Andar num desses veículos é outra experiência que qualquer visitante que se preza precisa ter quando vai pela primeira vez à Ásia ou à Tailândia. Estrangeiros que moram no país a trabalho não usam esse tipo de transporte, porque sabem que os condutores superfaturam as corridas ou, quando cobram barato, levam os passageiros a lojas ou centros de compras onde ganham comissões, ao invés de ir direto para o destino. Prepare-se para não ver muita coisa (a lona tapa a visão um pouco na altura dos olhos), para ficar quase engasgado com a fumaceira do próprio tuk tuk e do trânsito ao redor e para uns bons trancos, já que a suspensão não é das melhores – e cuidado com as manobras bruscas! Em Bangkok, só usamos numa curta corrida entre o Wat Pho e o Grand Palace, por 40 baht (2,30 reais).

 - Táxis: Bangkok tem quase um táxi para cada 5 carros e por isso é bastante fácil conseguir um. Como já disse em outro post, a maioria são Corollas. Há basicamente três cores de táxi: azul, rosa e os verde-amarelos. Os dois primeiros pertencem a grandes empresas, por isso tendem a ser mais limpos, bem mantidos e a usar corretamente o taxímetro. Os verde-amarelos, que são a maioria, são de proprietários individuais, por isso tendem a ser menos cuidados. Os taxistas desses carros, na maioria das vezes, não querem e até se recusam a ligar o taxímetro, embora haja adesivos obrigatórios informando um telefone para denunciar essa prática às autoridades, ao lado do nome do condutor. Numa das vezes, um taxista inclusive pediu que então saíssemos do carro, porque ele não ia ligar e não entendia direito inglês para combinar o preço antes de sairmos. Embora pareça meio ruim essa história toda, basta combinar bem o preço antes de entrar no carro (vale até pechinchar) e, no fim das contas, dificilmente se pagará mais do que uns 8 reais (150 baht) por uma corrida dentro da cidade (se você estiver sendo logrado, não terá um prejuízo maior do que 5 reais, pode ter certeza). Só cuidado com as promessas de passeios que os taxistas sempre oferecem – se você aceitar que te levem ao Mercado Flutuante (coisa que não fizemos, porque já tinha lido a respeito), saiba que é num lugar bem pobre a mais de uma hora de Bangkok, em direção ao norte, e que a corrida custará um valor proporcional a esse trajeto.

- Sorng-a-thews: não são tão comuns no centro de Bangkok, mas na periferia e em outras cidades do interior do país, como Chiang Mai, é praticamente o único meio de transporte público que existe. Basicamente, são caminhonetes em que são colocados dois bancos na caçamba, para algo entre 6 ou 8 passageiros poderem viajar (daí o nome, que em tailandês significa “dois bancos” ou “duas fileiras”. A maioria é coberta, para evitar a chuva, mas algumas andam sem capota na estação seca. Se a pessoa não fretar a corrida, ele vai parando e pegando quem fizer sinal. Normalmente, já tem uma rota pré-estabelecida, e não atende a pedidos individuais.

- Ônibus e trens metropolitanos: além dos transportes típicos, também há linhas de ônibus urbano convencional em Bangkok e algumas de trens metropolitanos, que são os meios mais usados pela população local.

29/01/2012

O Jet lag


Já tinha ouvido falar sobre Jet lag desde que era criança, mas nunca tinha sofrido tanto com isso porque jamais havia viajado para um lugar com um fuso horário tão diferente. Para quem não sabe, Jet lag é a “descompensação horária” somada com a “fadiga de viagem” que uma pessoa sente depois de muitas horas de viagem num avião, especialmente quando se desloca de leste para oeste ou vice-versa, passando por vários fusos horários diferentes.

Se você sofre nos primeiros dias de horário de verão, quando o relógio é antecipado em apenas 1 hora, mas mesmo assim fica difícil acordar de manhã cedo, basta imaginar o que acontece com o relógio biológico de uma pessoa que vai para um lugar em que se adiantam 9 horas no relógio em relação ao Brasil. Sim, isso mesmo. Quando aqui são 23hs, em Bangkok são 8h da manhã do dia seguinte.

É essa sensação que dá as boas-vindas a um visitante brasileiro nas primeiras noites na Tailândia. O resultado sentimos logo no primeiro dia e só depois de uns 5 dias estávamos conseguindo ter um sono recompensador. No nosso caso, tanto eu como minha mulher normalmente acordávamos no meio da noite, por volta das 4h da manhã, com dificuldade para pegar no sono de novo. Houve dias em que ficamos nos enrolando até as 6h, hora em que o café da manhã começava a ser servido, porque não conseguimos mais dormir. Em compensação, às 22h o sono era insuportável e tínhamos que ir para a cama.

Em revistas de viagem e naquelas que se disponibilizam nos bolsões das poltronas de avião, as dicas mais comuns para minimizar os efeitos desse desconforto todo são as seguintes:

- se estiver viajando do oeste para o leste (como na ida para a Tailândia), a dica é dormir o máximo possível na viagem; se estiver viajando de leste para oeste (como na volta ao Brasil), a dica é ficar acordado o máximo possível na viagem e só dormir quando chegar no destino;

- faça refeições leves e tome bastante líquidos;

- tente respeitar o máximo possível o horário local já no primeiro dia, porque o corpo sente que precisa dormir algumas horas depois de escurecer e se adapta mais rápido se for forçado a se guiar pela natureza.

Eu, para falar a verdade, lancei mão de um Dramin de 100mg na segunda e na terceira noite, para garantir pelo menos umas seis horas de sono sem acordar no meio da noite – com sucesso!

Em Bangkok, capital relativamente próxima à linha do Equador, as horas de escuridão praticamente se equivalem às horas de claridade. O sol nasce por volta das 6h15 e se põe mais ou menos às 18h15 – mas os neons e as luzes do comércio da cidade fazem com que a noite seja um dos melhores períodos para aproveitar as lojas e os restaurantes, até porque a temperatura fica mais agradável, em torno de 25°C (de dia ela facilmente passa dos 35°C).

A janela de onde, meio insone, vi o sol nascer algumas madrugadas era essa aí da foto, do 29º andar do Grand Centre Pointe Ratchadamri, um hotel muito bem localizado, com mais de 50 andares, com um hall de entrada impressionante e quartos bem amplos, que é voltado para pessoas que estão na cidade a trabalho (por isso oferece até máquina de lavar roupas e louça com talheres nos quartos). Valeu muito a pena pegar um hotel assim, porque o valor da diária, quase o mesmo que se paga para ficar num hotel mediano numa capital brasileira, lá garante um nível entre as 4 e as 5 estrelas. (Apesar de fugir dos albergues, para não renegar minhas raízes, estava de mochilão!)

27/01/2012

Chegada em Bangkok - Aeroporto de Suvarnabhumi

Ao contrário da boa experiência de voo do trecho de São Paulo a Istambul, o trajeto aéreo entre Istambul e Bangkok foi um verdadeiro pesadelo. A Lei de Murphy fez com que todas as criancinhas de colo que não paravam de chorar se sentassem em poltronas ao nosso redor, a comida não estava lá essas coisas, houve um atraso de cerca de uma hora na decolagem por causa da neblina que baixou no aeroporto e, para terminar, conseguimos dormir bem menos do que desejávamos.

Chegamos tão cansados no nosso destino que até esquecemos um casaco no compartimento acima dos nossos assentos (coisa que só percebemos uns dois dias depois). Por sorte, assim que me dei por conta, escrevi para o achados e perdidos da Turkish Airlines e em um dia eles me responderam que o casaco havia sido encontrado a bordo e que tinha sido recolhido ao escritório da companhia em Ho Chi Minh, no Vietnã, para onde aquele avião seguia viagem após nos deixar na capital tailandesa. Para minha satisfação, foram extremamente profissionais e nos devolveram o item esquecido no dia de nossa volta à Turquia, cerca de 16 dias depois.

Ao contrário do que se poderia imaginar, um voo entre a Turquia e a Tailândia não é uma conjunção de pessoas de culturas exóticas, de turbantes ou burcas, mas sim muitas e muitas famílias com crianças pequenas da Escandinávia, da Alemanha e da Inglaterra, indo em busca daquilo que é para eles o mesmo que para nós seria ir ao Nordeste nas férias escolares.

A chegada no aeroporto internacional de Bangkok, em compensação, foi bastante tranquila. O aeroporto, conhecido como Suvarnabhumi, é bem novo, só foi inaugurado em 2006, e foi considerado um dos 10 melhores do mundo pela Skytrax, que avalia e premia companhias aéreas e outros negócios desse setor. Ele é bastante extenso, havendo mais de 800m entre os últimos portões e os acessos dos raios-x e da imigração. O antigo e acanhado aeroporto Don Mueang, que inclusive ficou fechado nas enchentes de outubro e novembro de 2011, só continua sendo usado por companhias low cost em voos domésticos.
 
Já sabendo que tínhamos de passar pelo controle de saúde, para apresentar a carteira de vacinação de febre amarela, nos destacamos da grande maioria das pessoas do nosso voo, que passou direto pela imigração, e fomos para outro lado do aeroporto. Em compensação, acabamos ganhando bastante tempo com isso, porque logo depois de termos o comprovante de que estava tudo OK com nossa carteira de febre amarela, passamos por uns guichês de imigração que quase não tinham fila alguma.

Ninguém nos perguntou nada ou pediu para ver qualquer reserva, simplesmente carimbaram os passaportes, entregaram a via do formulário de imigração que deve ser devolvida na saída do país e logo em seguida já estávamos livres para recolher a bagagem. Parei na primeira máquina de caixa automático que vi e coloquei as mãos nos meus primeiros bahts tailandeses da viagem.

Para chegar ao centro de Bangkok, onde ficaríamos hospedados, há várias opções. São cerca de 30km que podem ser percorridos de diferentes formas:

- Airport Rail Link: inaugurado em 2010, é o trem que liga o centro ao aeroporto. Funciona das 6 às 23h59. Tem duas opções: o Express Line, que só para no terminal da linha expressa e custa 150 baht por pessoa (leva só uns 16 minutos de viagem) e o City Line, que custa algo entre 15 e 45 baht por pessoa, mais vai parando em várias estações até Phaya Thai, levando algo em torno de 40 minutos. Dos terminais, a pessoa pode pegar a única linha de Metrô da cidade ou entrar no Skytrain, que é o metrô aéreo de Bangkok. 

- Táxi: custa em média 450 baht (cerca de 25 reais), aí incluídos a taxa extra de chamada cobrada no aeroporto, os pedágios das vias expressas e a própria corrida. Na maioria, são Corollas de 5 a 10 anos de uso, mais ou menos bem conservados, mas com pouco espaço no porta-malas por causa de tanques que acredito serem de GLP. Se estiver viajando entre 2 ou 3 pessoas, acho que é a melhor e mais rápida opção (dá entre 30 e 60 minutos, dependendo do trânsito). Para pegar um, basta descer ao 1º piso e procurar as filas, onde um guichê anota seu destino, informa o preço que vai ser cobrado e entrega outra via ao motorista.

- Ônibus: há ônibus de transporte público comum, bem barato e que demora mais de uma hora para chegar à cidade, e outros especiais do aeroporto, mais caros, que passam pela maioria das regiões onde se concentram os hotéis mais famosos.

Fomos de táxi e correu tudo bem. A autoestrada que liga o aeroporto ao centro é quase toda com 4 pistas de rolamento, elevada em relação ao solo, e chega-se facilmente em 15 minutos ao meio da cidade. Dali em diante, quando se sai da autopista e se entra em alguma avenida para chegar ao hotel, tudo para, mais ou menos como em São Paulo às 6h da tarde. Leva-se até 15 minutos para dar a volta numa quadra grande, principalmente porque os semáforos são muito demorados, para dar vazão a um grande volume de carros de uma vez só. Nem tuk tuks ou bicicletas conseguem ser muito mais rápidos, porque tudo fica bastante apertado nos cruzamentos.

 
Li tanto que Bangkok tinha um trânsito caótico, que era muito poluída (e de fato os policiais e alguns motoristas usam máscaras para se proteger), que era uma selva de pedra, que quando cheguei lá achei tudo bem mais “normal” do que eu tinha pintado na minha cabeça.

26/01/2012

Ucrânia agora sem visto


Está publicado na página da Embaixada da Ucrânia no Brasil e no site da Presidência da República do nosso país, na parte dos decretos presidenciais, o acordo que suprimiu reciprocamente a exigência de vistos para visitar este país europeu. Leia a nota oficial da embaixada, emitida há algumas semanas:

"Em 30 de dezembro de 2011 entrou em vigor o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Ucrânia sobre Isenção Parcial de Vistos, assinado em Kiev, em 2 de dezembro de 2009.

Ele estabelece, em seu Artigo 1, a desnecessidade de vistos em passaportes válidos para entrar, permanecer, transitar e sair do Estado da outra Parte Contratante para fins de turismo e negócios. Essa isenção é válida para períodos de até 90 (noventa) dias, durante um intervalo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da primeira entrada (Artigo 2)."

Com esse acordo com a Ucrânia, a exigência de vistos para brasileiros que querem visitar a Europa se reduziu ainda mais. Na Europa, apenas a Armênia, o Azerbaijão (esses dois, países do Cáucaso pouco visitados), a Sérvia e a Bielorússia (ou Belarus) seguem exigindo a autorização prévia para passaportes brasileiros, sendo que a Sérvia deve aboli-la em breve e o Azerbaijão emite vistos na chegada do aeroporto. 

A medida certamente tem como motivo o incentivo ao turismo, num ano em que a Eurocopa será sediada nele, e reflete a percepção mundial de que o Brasil é um país que tem muita gente interessada em viajar pelo mundo. 

Entretanto, o nosso maior destino de visitas, os EUA, seguem exigindo o visto, ainda que recentemente tenham noticiado que facilitarão o processo de renovação e que agilizarão as entrevistas para as primeiras emissões. Outros destinos bastante procurados por brasileiros que ainda exigem visto são a Austrália (que só isenta a Nova Zelândia e por isso não dá sinais de que abolirá a burocracia tão cedo), a China (que exige de quase todo mundo, mas deixa Hong Kong livre ao acesso de quase todos os países), o Japão (que sempre temeu a imigração ilegal de descendentes de seus imigrantes), a Índia, o Canadá (pelos mesmos motivos dos EUA) e o México (que flexibilizou bastante com as autorizações eletrônicas via companhia aérea e com a aceitação do visto americano).

Muitos países africanos (com a exceção dos mais turísticos, como a África do Sul, o Marrocos, o Egito e o Quênia) ainda exigem visto dos brasileiros, como também o fazem alguns do Sudeste Asiático que mais parecem estar interessados nas taxas que arrecadam com essa autorização do que com o turismo (Vietnã, Camboja - que aceita até cartão de crédito, Laos, Myanmar). Já no Oriente Médio, em países como Qatar e Emirados Árabes, a política é a de associar a emissão do visto à escolha de uma companhia aérea oficial ou à hospedagem em hotéis de 4 ou 5 estrelas, que providenciam o visto para a chegada do visitante.

A necessidade de visto certamente desestimula muita gente de dar uma esticadinha numa viagem ou mesmo de decidir por um lugar na hora de viajar, especialmente em se tratando de mochileiros com orçamento apertado.

25/01/2012

Grand Bazar e Torre Galata

Depois de passar umas boas quatro horas envolvidos na visita ao Palácio de Topkapi, onde também almoçamos, saímos caminhando pela parte que passa em frente à Aya Sofia, bastante movimentada naquele início de tarde.

A praça em frente à antiga catedral, que a separa da Mesquita Azul, estava toda em reformas, por isso não havia muito o que fazer por ali. Fomos em direção à avenida na qual passa a única linha de bonde daquele bairro e pegamos um deles até duas estações acima, para sair bem na frente do Grand Bazar.

Em turco, esse grande mercado público coberto é chamado de Kapalıçarşı. Ele é o maior e mais antigo (começou logo depois da queda do Império Romano) mercado coberto do mundo, ocupando cerca de 59 ruas cobertas, com mais de 4000 lojas e com uma visitação diária de mais de 250 mil pessoas (sim, Istambul tem uns 8 milhões de habitantes e parte deles passa por ali todo dia).

Acabamos só fazendo passeios por ali e comprando uma caixinha de turkish delight para ir comendo, mas compras que é bom, nada. O lugar tem partes que parecem um camelódromo, com vendedores de camisetas baratas ou falsificadas, e outras que parecem uma galeria de Milão, cheio de joalherias e relojoarias de luxo uma ao lado da outra.

Algumas ruas são bastante estreitas, outras bastante muvucadas, mas em geral a experiência é bastante tranquila. Percebemos que, se você olhar para uma mercadoria em especial ou prestar a atenção demais numa vitrine, um vendedor virá abordá-lo com alguma oferta ou encher o seu saco para olhar lá dentro, mas se só mostrar que está passeando e não demonstrar interesse por nada, ninguém fala com você.

Se for comprar alguma coisa, ali dentro vale a regra básica da pechincha: ofereça com respeito um preço 50% ou 40% menor pela coisa e chegue a um acordo. Geralmente sairá pelo valor de 75% a 80% do valor inicialmente oferecido.

Se precisar de banheiro, siga as setas e chegará a lugares onde se pode usar o WC por uns trocados.

Depois de cerca de uma hora no bazar, saímos para uma rua mais movimentada e paramos um táxi, para que nos levasse até a Torre Gálata.

A torre Gálata (em turco Galata Kulesi) é um prédio de mais de 650 anos, inicialmente construído por genoveses na época do comércio com o Império Bizantino em substituição a outra destruída na 4ª Cruzada, que foi sucessivamente utilizada para propósitos de depósito, defesa, mas que hoje se rendeu ao capitalismo e abriga apenas um restaurante e cafeteria, no qual se fazem jantares com apresentações folclóricas locais, com danças do ventre e danças sufi (quase um “show de mulatas” turco para gringo ver, hehehe).
 
 
O interesse principal pelo lugar é o fato de se ter uma vista de 360° da cidade lá de cima, facilitada por a torre ser o prédio mais alto no raio de uns 3km e por estar logo depois do Chifre de Ouro, tendo-se uma vista do Sultanhamet à distância. É de lá de cima que são tiradas as fotos com as quais se fazem a maioria dos cartões postais do skyline da cidade, principalmente ao pôr- do-sol.

A subida até que é tranquila, pois se vai de elevador até o átrio do restaurante, apenas um lance de escada acima. O problema é o aperto da parte externa, que é bastante estreita e está quase sempre cheia de gente querendo tirar fotos de todos os ângulos possíveis e, é claro, aproveitando para fumar já que isso é permitido ao ar livre. Se tiver medo de altura, melhor não ir, porque a sensação não é muito boa mesmo para quem não sofre com isso. 
 
Depois de um tempo do lado de fora, entramos na cafeteria e fizemos um lanche-quase-janta, para aproveitar a vista do sol se pondo na tranquilidade de uma mesa e repor as energias. Dali, tomamos outro táxi até o hotel, onde só nos restava arrumar as malas e descansar um pouco para seguir para o aeroporto, de onde partiríamos para Bangkok às 23h40.

REFERÊNCIA DE GASTOS

- corrida de táxi entre o Bazar e a Torre: TL 12,00

- entrada na Torre: TL 11,00 por pessoa

- corrida de táxi entre a torre e o hotel, em Sultanahmet: TL 23,00

24/01/2012

Palácio de Topkapı

Uma das principais atrações turísticas de Istanbul, que toma várias horas para ser conhecida e que, por isso mesmo, não pude visitar quando estive pela primeira vez na cidade, é o antigo palácio de onde os sultões governavam o Império Otomano: o Palácio de Topkapı (pronuncia-se "Topkap", que o “p” bem sonoro, como um estouro com a boca, fazendo do “i” um som mudo ou quase um "ã").

O palácio está localizado num grande parque ajardinado que começa logo atrás da Aya Sofia (ou Santa Sofia) e ocupa toda a ponta do bairro de Sultanahmet, conhecida como o Serraglio, com vistas para o estreito de Bósforo e para o Chifre de Ouro (canal que separa Sultanahmet do centro novo da cidade). Quando o primeiro sultão derrubou o Império Romano do Oriente em 1453, amuralhou essa parte da cidade para fazer o palácio, “engolindo” alguns prédios como igrejas, que viraram depósitos de armas.

O palácio é bem diferente de um castelo de estilo europeu. É formado por vários prédios separados (cozinhas, salas de reunião, salas para rituais religiosos, ginásios, salas de recreação), tendo uma parte aberta à corte como um todo e outra reservada, privativa, onde moravam o sultão, seus filhos, suas mulheres (geralmente ele se casava com 4 mulheres) e até 300 concubinas. “Harem”, como se chama essa parte, significa justamente “fechado”, “privado”.
Achei bastante interessante ter alugado áudio-guias para a visitação, até porque tudo era em português brasileiro bastante claro e bem pronunciado, com informações interessantes sobre cada lugar. Como as inscrições originais dos lugares são em árabe e como as informações em plaquinhas em turco e inglês não dizem muita coisa, fazer o passeio sem um guia ou sem esses áudio-guias pode se tornar monótono e sem muito sentido. Além disso, há poucas representações de pessoas ou de cenas históricas, porque a religião islâmica não gosta de imagens de pessoas ou animais, porque entende que isso de alguma forma ofenderia o mandamento segundo o qual só Deus pode ser adorado.

Fomos para a entrada do palácio por volta das 10 e pouco da manhã (o lugar só abre das 9h às 17h) e nos impressionamos com a enorme quantidade de pessoas que estavam nas filas para comprar ingressos e para entrar nas partes mais disputadas do palácio. Sendo inverno, esperava muito menos gente, mas vi grandes grupos de japoneses, muitos russos e mesmo escolas locais conhecendo o lugar. 
Exatamente como tinha sido dito no guia da Lonely Planet, só se encontra um pouco mais de paz justamente na parte mais interessante do complexo palaciano: o harem. Não sei se é porque a entrada é paga separada ou porque estão proibidos os tours guiados nessa parte, mas de fato bem menos gente entra no emaranhado de corredores, apartamentos e pátios internos por onde vivia a grande família do sultão.

Para aproveitar mais a visita, vale a pena dar uma olhada antes ou depois em artigos do Wikipedia sobre o Império Otomano e sobre os sultões, que governaram dali desde o final do século XV até meados do século XIX, quando o governo foi transferido para um palácio mais de estilo europeu – o Dolmabahce, em Besiktas.

Outro ponto de interesse na visitação são relíquias religiosa, sagradas para os muçulmanos, mas que deixariam muito cristão incrédulo: o cajado de Moisés, uma pegada de Maomé, o crânio de um profeta, o osso do braço de um santo, e outras tantas.

 Entrada do Harem
 Pátio das concubinas
 Sala de estar interna num dos apartamentos
Pátio das preferidas
O lugar sempre ocupou a imaginação dos europeus, por ser fonte de muitos mistérios e por sediar um dos governos mais exóticos que se tinha perto do mundo ocidental. Sequer roupas como calças e camisas eram usadas nessa corte – o traje oficial era um camisolão chamado de kafta, sempre com turbantes na cabeça. Eunucos protegiam o harem, intrigas entre as centenas de concubinas ocorriam a todo momento, sultões que só queriam saber de comer e beber deixavam tudo nas mãos dos vizires, enfim, histórias típicas de contos das mil e uma noites aconteceram de fato ali, e o cenário de tudo isso está quase intacto (ainda que tudo pareça mais simples se comparado a lugares como Versalhes, Sintra ou Schonbrunn).

Ah, as fotos são meio pobrinhas porque é proibido tirar dentro da maioria dos prédios que têm algum objeto exposto.

Para almoçar e fazer lanches, existe um café, bem caro por sinal, onde se vendem sanduíches ao estilo kebab (frango ou carne), doces e tortas, além de um restaurante a la carte, geralmente cheio de grupos de excursão.
Vista do café do Palácio

REFERÊNCIAS DE GASTOS

- entrada no Topkapi Sarayi: TL 20,00 (cerca de 19,80 reais) por pessoa

- entrada no Harem do Topkapi: TL 15 (cerca de 14,90 reais) por pessoa

- audioguia em português brasileiro para o Harem e o Topkapi: TL 20,00 por audioguia

- kebab no café do Palácio: TL 18 (preço de aeroporto - 17,80 reais por um sandubão, que dá tranquilo para dois)

- passagem de bonde: TL 2,00 (cerca de R$ 1,95), comprando o “jeton” ou ficha nas máquinas de autoatendimento

23/01/2012

Stop over em Istambul

Como a opção de companhia aérea para viajar à Tailândia acabou sendo a Turkish Airlines, uma parada em Istambul estava programada para as conexões de ida e de volta. Já sabendo das experiências de outras pessoas que viajaram à Ásia, organizei stop overs na cidade nas duas oportunidades, para poder dormir um pouco melhor e ainda, de quebra, conhecer alguns lugares que haviam ficado faltando no meu roteiro pela cidade em 2010, nas paradas que fizemos por lá indo e vindo da Croácia.

O fato de ser inverno em Istambul no início de janeiro, confesso, me deixou um pouco estressado com a história de ter que levar roupas pesadas, que só seriam usadas na cidade e em momento algum posteriormente na Tailândia. Acompanhei a previsão do tempo nos últimos dias da viagem e no fim das contas vi que não seria tão ruim assim. O tempo estaria seco, com sol e tudo, e a temperatura estava oscilando entre 13ºC e 4ºC, com sensação térmica sempre positiva.

Depois de um rápido voo de Porto Alegre a Guarulhos, esperamos umas 3 horas até o único horário de voo da Turkish direto entre São Paulo e Istambul, que sai à 1h15 da madrugada. Embarque e voo tranquilo, saindo no horário, sempre com boas refeições (a companhia é a melhor do mundo nas refeições servidas em classe econômica segundo o Skytrax) e pouso dentro do esperado na Turquia. Consegui dormir pelo menos umas 6 das 11 horas e meia de voo até lá.

Chegando no aeroporto, a imigração, como já tinha ocorrido em 2010, foi bastante rápida, mas outro fato daquela vez se repetiu: uma demora irritante de cerca de 40 minutos até que a primeira bagagem de nosso voo aparecesse na esteira. Quando finalmente estávamos de posse de nossas coisas, passamos reto pela alfândega, sacamos umas liras turcas para os gastos e pegamos um táxi.

O hotel escolhido para as cerca de 40 horas que passaríamos na cidade era o Armada, um lugar bastante simpático, decorado com motivos típicos do Império Otomano, localizado numa ruazinha de calçamento entre a Kennedy Cad. (avenida beira-mar que vai quase do aeroporto até a Ponta do Serraglio, no Topkapı Sarayı) e o bairro de Sultanahmet propriamente dito. Fica também a poucos passos da estação de trem metropolitano Cankurtaran e a 10 minutos da entrada do Topkapi e da Santa Sofia. Deve estar a uns 20 minutos do Cheers Hostel, onde fiquei em 2010.

O hotel é indicado em guias de turismo como o Istanbul City Guide da Lonely Planet pelo restaurante que tem no seu terraço, o “Teras”. De lá, que é o mesmo lugar onde se toma o café da manhã, pode-se ver de um lado uma bela panorâmica do Mar de Mármara e do outro lado a Sultananahmet (Mesquita Azul) em primeiro plano e a Aya Sofia um pouco mais ao longe. No verão, as mesas do lado de fora do terraço são abertas e pode-se jantar a céu aberto. No inverno, só na parte coberta, que é toda envidraçada.

Com uma temperatura de uns 8ºC à noite, preferimos jantar por ali mesmo, no famoso restaurante, e pedimos uma seleção de “mezzes” turcas (que são como as “tapas” locais). A comida lembra bastante algumas coisas que experimentamos na Grécia e que também podem ser encontradas em alguns restaurantes de comida árabe aqui no Brasil: carnes de carneiro e de frango grelhadas com temperos a partes, rolinhos de repolho recheados com carne, pastas de grão de bico e de berinjela, pão pita, queijo feta, tudo sempre acompanhado de azeitonas.

Depois de uma noite bem dormida com a calefação do quarto a mil, acordamos para o café da manhã do hotel, no mesmo local da janta. Deparamo-nos com um buffet bastante exótico, cheio de frutas secas (damascos, figos, uvas), iogurte natural amargo, favas de mel, diferentes queijos temperados, sobremesas turcas tradicionais, os famosos turkish delight e vários pratos salgados e fritos, muitos com carnes e com cogumelos, que assustavam um pouco àquela hora da manhã. No saldo, foi aprovado, pois se alguma coisa não agradava, a variedade proporcionava sempre outra escolha.

REFERÊNCIAS DE GASTOS

- Táxi do aeroporto Istanbul Atatürk até o bairro de Sultanahmet: TL 37,00 (cerca de 36 reais)

- diária no Hotel Armada em quarto de casal, para 2 pessoas: 85 euros (cerca de 195 reais)

- seleção de mezzes turcas: mais ou menos 27 reais por pessoa

18/01/2012

Não vá para a Tailândia sem


Alguns documentos são obrigatórios para brasileiros que querem viajar a turismo para a Tailândia:

- PASSAPORTE COM VALIDE DE 6 MESES - brasileiros precisam de passaporte com no mínimo 6 meses de validade para viajar à Tailândia e, obviamente, folhas sobrando para os carimbos de entrada e de saída do país. Não existe necessidade de visto para passaporte comum brasileiro. Ao chegar no país por qualquer meio de transporte, você precisará procurar a imigração, que checará os seus documentos e dará um carimbo com o número de dias que você poderá permanecer no país. Se chegar de avião, o normal é que te deem 90 dias de permanência. Se vier por terra (trem ou ônibus) de algum país vizinho (Laos, Camboja, Malásia), o normal é que deem apenas 14 dias. Existe apenas uma única fronteira aberta a estrangeiros com Mianmar (Birmânia ou Burma), por isso verifique bem a situação se estiver vindo de lá.

- CARTEIRA INTERNACIONAL DE VACINAÇÃO DE FEBRE AMARELA - o problema não é se a Tailândia tem ou não tem febre amarela, mas o fato de o Brasil ser uma zona sujeita a essa doença. Assim, se estiver viajando com passaporte brasileiro, antes de fazer a imigração, você deverá procurar o "Health Control" e preencher um formulário do controle de saúde, apresentando uma carteira internacional de vacinação de febre amarela válida ao oficial. Esse oficial conferirá o passaporte, a carteira internacional e o formulário preenchido e lhe dará uma via carimbada, atestando que você passou pelo controle. Só com esta via em mãos é que você passará pela imigração. A vacina deve estar na validade (ou seja, ter sido aplicada no mínimo a 10 dias e no máximo a 10 anos) e precisa ser aquela emitida pela ANVISA (para informações, veja o Portal do Viajante no site www.anvisa.gov.br). Se estiver viajando com passaporte europeu, não precisa da carteirinha. No aeroporto de Suvarnabhumi em Bangkok, siga as placas do Health Control logo depois de desembarcar e nem tente ir para a imigração antes de ter o documento carimbado.

- PASSAGEM DE VOLTA OU DE PROSSEGUIMENTO DA VIAGEM - embora não seja rotina, às vezes a imigração solicita provas de que você deixará o país dentro do prazo concedido para sua permanência. Existe muita imigração ilegal de países vizinhos mais pobres para a Tailândia e muitos ocidentais que chegam como mochileiros acabam ficando mais tempo do que o permitido no país, por isso essa fiscalização.

Um outro ponto bastante importante para uma viagem tranquila à Tailândia:

- FALAR INGLÊS OU TER ALGUÉM NO SEU GRUPO QUE FALE - ninguém espera que você aprenda uma palavra sequer em tailandês para visitar aquele país, mas é presumido que você entende e se comunica em inglês, num nível pelo menos básico. Esse é o único canal de comunicação de um estrangeiro naquele lugar - até as placas de trânsito, as informações turísticas e alguns jornais voltados a estrangeiros estão nessa língua. Aqui, não tem muito choro, como na Europa, em que se entende alguma coisinha, porque até o alfabeto é diferente. Prepare-se, ainda, para o obstáculo do sotaque tailandês ao falar inglês. Eles têm dificuldade em pronunciar a letra "L" e a letra "S", por exemplo, e isso deixa as palavras até engraçadas do jeito que eles a pronunciam. Como a maior parte dos visitantes de língua inglesa vem da Austrália, da Nova Zelândia e da Inglaterra, algumas palavras escritas ou faladas no inglês britânico são mais faladas do que as do inglês americano, como por exemplo "prawn" (camarão) ao invés de "shrimp", "centre" ao invés de "center", e assim por diante.

16/01/2012

Dinheiro na Tailândia


Além das razões óbvias de ser um lugar exótico e cheio de maravilhas tropicais, a Tailândia continua sempre sendo um dos principais destinos de verão dos turistas europeus e australianos (são mais de 5 milhões por ano só em Phuket) por uma questão bastante simples: o país oferece uma das melhores relações custo-benefício em termos de turismo no mundo.

Existem lugares mais baratos, como, por exemplo, o Vietnã, as Filipinas, ou os vizinhos Laos, Myanmar e o Camboja, até com algumas atrações semelhantes. Mas em nenhum desses países a indústria voltada ao lazer se desenvolveu tão bem, num ambiente tão propicio, sem perder a vantagem econômica para um turista que vem de longe só para aproveitar esse lugar. Apesar de a imagem da Tailândia estar muitas vezes vinculada, no Brasil, a turismo sexual e a mochileiros hospedados em espeluncas andando de tuk tuk em ruas caóticas, fato é que existem opções que se adequam a todos os perfis e a todos os gostos, pela metade do preço que se pagaria em outros lugares.

Para que se tenha uma ideia do que estou tentando falar aqui, é possível encontrar hotéis 5 estrelas em Bangkok, a capital, com diárias por cerca de 250 reais, com impostos já incluídos. Os hotéis de que estou falando são arranha céus com menos de 5 anos de construção, com design moderno, piscinas, academias, quartos equipados com comodidades que vão desde banheira até máquina de lavar roupa.

Alguns outros preços que me surpreenderam na viagem ou que demonstram os custos na Tailândia:
- massagem tailandesa com duração de uma hora, em clínicas especializadas ou na beira da praia (fora de hotéis): de 200 a 300 bahts (ou seja, de 12 a 18 reais);
- pacotes de tratamentos em spas de hotéis chiques: de 1000 a 3000 bahts por uma hora
- táxi do aeroporto de Suvarnabhumi ao centro de Bangkok (são 35 km): 450 bahts (cerca de 25 reais)
- táxi à nossa disposição das 8h30 às 17h30 em Chiang Mai, para levar a atrações fora da cidade localizadas a até 60km do centro: 800 bahts (cerca de 48 reais)
- lata de refrigerante no supermercado: 10 baht (cerca de R$ 0,55)
- refeições completas em restaurantes moderninhos, na beira da praia, com direito a duas taças de vinho: média de 1000 e poucos baht, ou 60 reais por casal
- camisetas de algodão, para usar por lá mesmo ou trazer de souvenir: 180 baht (11 reais)

Não vi ninguém aceitando ou pagando despesas no país com moeda estrangeiras, sempre em bahts.

A moeda local atualmente tem uma relação que varia entre 16,50 bahts a 17,50 bahts por Real. As maiores cédulas são as de 1000 bahts (cerca de 57 reais) e as demais são de 500, 100, 50 e 20. As moedas são de 10, 5 e 1 baht. As de setang (centavos) praticamente não circulam mais, porque tudo é arredondado.

Uma dica muito importante é procurar sempre ter notas menores na carteira, porque em uns 10 dias no país não encontrei um taxista ou motorista de tuk tuk que tivesse troco. Se não andar com uma boa quantidade de moedas de 10, notas de 20 e de 100, vai acabar passando trabalho ou tendo que deixar o troco para o prestador de serviço. Um bom lugar para conseguir trocados é nos mercados de rua e nas lojas de conveniência, quando for comprar alguma coisa baratinha e pagar com notas de 500 ou de 1000.

A maioria das pessoas hoje em dia usa cartões de crédito, débito ou pré-pagos (Visa Travel Money e concorrentes) para sacar dinheiro nos caixas automáticos à medida que vai precisando de mais grana. Existe um caixa automático em cada esquina (ou mais, em alguns lugares como as praias de Phuket), identificados simplesmente por sinais indicando “ATM”, em qualquer mercadinho, posto de gasolina, shopping, entrada de banco, farmácia e ao lado de casas de câmbio. Cada saque exige o pagamento de uma taxa de 150 baht (8,50 reais), por isso o ideal é tentar sacar o maior volume possível de dinheiro no menor número de vezes (muitas máquinas permitem saques de 5000 bahts (305 reais), outras de 10000 bahts (610 reais) e algumas até de 20000 bahts (1220 reais) por transação.

A ideia de trazer dólares ou euros para trocar em casas de câmbio ainda está em prática, mas é algo quase em extinção. Cheques de viagem são ainda mais difíceis de se ver. Nem tente conseguir bahts fora da Tailândia, porque além de ser difícil, vão te fazer taxas de câmbios ridículas.

Sempre que possível, em restaurantes, lojas em shoppings ou grandes centros urbanos e hotéis, o ideal é pagar com cartão de crédito, que sai faturado em bahts, com a conversão em dólar no dia da compra. No vencimento do cartão, o valor em dólar é convertido para real (se tiver um serviço de mensagem SMS avisando cada compra no cartão, já fica sabendo na hora, em reais, quanto pagou). Nas atrações turísticas, banquinhas de mercados públicos e nas agências de turismo, até se aceita pagamento com cartão, mas geralmente será cobrado um adicional de 3 a 5%. Nos hotéis, serviços como massagens, táxi, refeições em restaurantes dentro do estabelecimento e até gorjetas podem ser lançados na conta para serem pagos ao final, com as diárias, no cartão.

15/01/2012

Alertas e cuidados na Tailândia

A Tailândia é um país acostumado com a presença constante de turistas ocidentais e zela muito pela segurança desse pessoal, porque muitas regiões têm no turismo a principal fonte de renda. Não cheguei a me informar sobre isso, mas acredito que o próprio governo tenha programas de educação voltados para essa indústria, porque existe a impressão de que essa preocupação com o bem estar do estrangeiro é muito disseminada – desde pequenas coisas como deixar o molho apimentado separado na comida como na questão da honestidade na venda de serviços turísticos em empresas sérias.

Apesar disso tudo, uma pessoa que viaja pela primeira vez ao país (e à Ásia, como foi o nosso caso), precisa saber de alguns pequenos problemas que existem para saber como preveni-los:

- Clima – o clima da Tailândia é, em sua maioria, tropical, como na Amazônia brasileira. Isso significa temperaturas que no ano inteiro não oscilam muito, ficando sempre entre os 25ºC e os 35ºC, com sensação térmica maior, por causa da constante umidade. Só nas regiões montanhosas do norte do país é que se tem um clima mais fresco no “inverno”, com algo em torno de 15ºC pela manhã. No “verão” das regiões montanhosas, porém, faz ainda mais calor que no sul. O que diferencia a região da nossa Amazônia são as monções – um longo período de cerca de 5 meses em que chove desesperadamente e que, por isso mesmo, é a baixa temporada para o turismo. De um modo geral, diz-se que as monções vão de junho a novembro, mas existem algumas especificidades regionais. Por exemplo, em Ko Samui (no Pacífico), as monções começam e terminam um pouco mais tarde do que em Phuket (no Índico). Procure se informar, porque monção, além de muita chuva, significa mar bravo (bom para o surf, é verdade) e muitas atrações e passeios fechados, além de atrasos em voos. A alta temporada vai de dezembro a abril, que é o período mais seco. Entre abril e junho também é seco, mas quente demais, segundo a maioria.

- Água potável – a água de torneira não deve ser bebida em nenhuma circunstância, em qualquer região do país. O tratamento é suficiente para garantir a limpeza e o uso geral, mas existe risco de contaminação com algumas doenças, como hepatites e febre tifoide. Por isso, os bons hotéis sempre dão de graça (e repõe todos os dias) garrafas de água potável. Se for ficar em albergues ou se o seu hotel não faz isso, compre água mineral ou filtrada em mercadinhos ou mesmo bancas de rua. O gelo usado pelos vendedores nos drinks, supostamente, também é filtrado.
- Drogas – a Tailândia tem uma legislação muito rígida em relação a drogas, tanto que você deve lembrar de filmes como “Pela vida de um amigo”, em que ocidentais são condenados à morte por tráfico e de outros em que a posse de pequenas quantidades gerou penas muito longas. Apesar disso, sabe-se que o país é um lugar onde os turistas consomem muito. No norte, como ainda existe tráfico de ópio vindo de Myanmar, há barreiras frequentes nas estradas, em que se revistam ônibus. Nos aeroportos, há controle discreto das bagagens, mas sempre presente. Nas ilhas, a presença da polícia não se faz perceber muito, mas é justamente por saber do receio que os ocidentais têm dessas penas altas que há relatos de golpes nos quais o traficante vende a droga e dali a 5 minutos um “policial” vem e dá o flagrante. Na verdade o policial é um golpista e o turista é extorquido sob a ameaça de ser processado e preso.

- Pequenos golpes – todos os guias impressos, sites de embaixadas e “manuais de sobrevivência” na Tailândia falam dos golpes aplicados pelos condutores de tuk tuk em Bangkok. O turista é abordado por alguém perto de locais turísticos, como o Grande Palácio, o Wat Pho ou a Casa de Jim Thompson, que pergunta o que a pessoa está fazendo na cidade, o que vai fazer, e oferece uma corrida de tuk tuk bem mais barata do que o esperado para chegar ao lugar. Essa corrida, porém, sempre implica na parada em lugares para fazer compras de artesanatos ou de joias, em regiões distantes e pobres da cidade, nas quais o turista se sente coagido a comprar algo para ser levado de volta. Os tuk tuk ganham cupons de combustível desses lugares, por isso aderem em grande número a esse golpe. O mesmo resultado ocorre quando a pessoa aborda um tuk tuk, pede para ir a um lugar e o condutor diz que ele está fechado, mas que vai leva-lo a outro lugar bem melhor. Todo mundo anda de tuk tuk em um momento ou outro, por isso a dica é deixar bem claro o lugar para onde se quer, repetindo mais de uma vez o nome do lugar, rejeitando qualquer proposta alternativa do condutor e acertando antes de entrar o preço. Se for abordado por alguém, simplesmente agradeça a informação e saia. Já tive que fazer isso pelo menos duas vezes em Bangkok.

-Falso dano em aluguel – costuma-se contar muito sobre situações em que o turista aluga uma moto ou um jet ski e, na devolução, vários danos não percebidos na retirada são detectados pelo locador e cobrados do turista, como se tivessem sido causados por ele. Procure locais com aparência mais respeitável, inspecione bem o objeto antes de locá-lo e em último caso chame a polícia.

- Pequenos furtos de bagagem – embora seja muito seguro de se andar na rua, devendo-se apenas cuidar com eventuais batedores de carteira em lugares muvucados, a Tailândia oferece um risco para passageiros de ônibus de longas distâncias, especialmente em trajetos noturnos. São frequentes os relatos sobre empresas que não sejam as mais renomadas em que as pessoas têm objetos e mesmo roupas furtados da bagagem colocada no bagageiro do ônibus, porque alguém fica escondido nessa parte do veículo durante a viagem, abrindo as malas e mochilas, tirando o que interessa e fechando bem direitinho tudo de novo, para que nada se perceba na chegada. Evite isso escolhendo boas companhias, colocando objetos de valor numa mochila menor na parte de cima do ônibus ou preferindo o avião, que é bem mais barato do que no Brasil.

- Respeito ao Buda – ocidentais devem demonstrar respeito em lugares sagrados, como templos em que existam imagens de Buda. Sapatos devem ser deixados do lado de fora, demonstrações públicas de afeto (beijos, abraços, carícias) não devem ocorrer, o silêncio deve ser respeitado e nunca se pode colocar as solas dos pés para a frente, apontando para o Buda. Quando for sentar no chão do templo, deixe os pés para os lados ou sente-se sobre as próprias pernas, ou cruze-as. Não são admitidas roupas como regatas, calções muito curtos e bonés. Para mulheres, o cuidado é ainda maior com relação a não mostrar os ombros (pode-se usar uma echarpe ou qualquer coisa que cubra o colo) e ter calças ou vestidos que cubram até abaixo do joelho. Em lugares como o Wat Phra Kaew e o Grande Palácio, fiscais rigorosamente aplicam essas regras, não deixando entrar quem não está vestido adequadamente ou pedindo que as pessoas se cubram novamente se lá dentro resolveram se descobrir. Estátuas do Buda não podem ser levadas para fora da Tailândia sem autorização e caso alguma for detectada na bagagem sem essa licença especial (que algumas lojas têm), o bem é confiscado.

- Respeito ao Rei – o rei tailandês é o monarca que está há mais tempo no poder no mundo, desde 1946. Ele é venerado por sua caridade e mesmo quando há golpes de Estado, é mantido no poder pelo que representa para as pessoas. Há imagens dele em todos os lugares importantes e mesmo em grandes empresas e hotéis. Não se deve debochar dele ou fazer comentários jocosos com os locais e especialmente com autoridades, porque isso é crime. Há frequentes notícias sobre ocidentais processados por crimes de injúria contra o rei. Atitudes como queimar ou rabiscar as notas do dinheiro local (que têm a imagem do rei) também podem ser ofensivas e se enquadrar nesse crime. O hino nacional, composto por ele, é tocado às 8 da manhã em alguns locais, como estações ferroviárias e rodoviárias (e até mesmo em hotéis, em dias como o domingo), e esse é um momento de respeito.

Falando assim, parece difícil, mas é tudo muito tranquilo. Essas são as situações potencialmente causadoras de problemas, o que não significa que você vai enfrenta-las. A dica é sempre permanecer tranquilo, combinar muito bem com as pessoas o que se quer fazer e quanto será pago pelo serviço que tudo correrá bem. Como o inglês dos tailandeses é bem difícil de entender, não tenha vergonha de dizer que não entendeu e pedir que repitam. Fale devagar para ser compreendido e entenda que às vezes um aparente deslize pode ter sido um erro de tradução, como um garçom que chega todo sorridente com uma taça de vinho branco, dizendo, “Red wine, Sir!”, que já me aconteceu.

14/01/2012

Deslocamentos internos


Os deslocamentos internos no meu roteiro pela Tailândia foram outro ponto que me tomou algum tempo até ser definido integralmente. 

No início, como já tinha fechado com a Turkish a passagem de ida e volta do Brasil, pensei em aproveitar aqueles famosos passes regionais da Star Alliance para colocar todos os deslocamentos num bilhete aéreo só, com a mesma franquia de bagagem do voo internacional e com a possibilidade de cumular umas boas 4 mil milhas no Fidelidade da TAM. 

Na teoria, tudo funciona muito bem: a pessoa faz a simulação do passe aéreo no site da Star Alliance, monta os trechos definindo os horários dos voos, fica sabendo quanto pagará (cerca de 80 dólares cada trecho) e então escolhe a companhia que será responsável pela emissão final e pela cobrança. 

Aí, nada funciona. A Turkish responde que não pode receber esse tipo de solicitação no Brasil. A Lufthansa, que na verdade é a dona da Star Alliance, diz que não pode ser com ela - que devo procurar a Turkish ou a TAM. A TAM, por sua vez, só enrola, enrola e no final das contas, vem com uma conversa absurda de que se deve procurar uma loja física num aeroporto (não pode ser uma TAM Viagens e nem por telefone) para fazer a emissão. 

Resultado: desisti do tal passe aéreo e me pus a pesquisar as opções locais, comprando cada trecho separadamente. No final das contas, saiu mais barato e os horários ficaram mais flexíveis do que se tivesse emitido um passe aéreo regional, no qual estaria preso à Thai Airways em todos os voos.

Pesquisar esses voos internos na Tailândia é muito fácil e pode-se confiar nas empresas que estão operando entre os principais destinos. A única companhia que tinha problemas, a One Two Go, fechou há alguns meses e foi comprada pela Orient Thai, pertencente a um milionário asiático. Para não dar sorte para o azar, então, melhor deixar essa Orient de fora e restringir-se às outras quatro opções:

- Thai Airways - é a companhia aérea pública nacional, considerada uma das 5 melhores do mundo pelo Skytrax, com tradição de bom atendimento. Custa mais caro do que todas as demais, por ter serviços completos, mas por ser da Star Alliance, pontua no TAM Fidelidade. Pode-se emitir passagens com milhas da TAM por esta companhia. Seus horários são bem variados, mas quase tudo implica numa passagem pelo aeroporto Suvarnabhumi, de Bangkok, com poucas opções diretas entre cidades do interior e das ilhas. Não cheguei a voar com esta companhia.

- Bangkok Airways - é uma companhia que se entitula a "companhia aérea boutique" da Ásia e realmente tem um diferencial por ter um tratamento visual inovador para cada aeronave, atendimento VIP nos aeroportos de Ko Samui, de Trat e de Sukhothai (que pertencem a esta companhia) e refeições gratuitas bem completas mesmo nos voos domésticos. Ela tem algumas parcerias com cias. estrangeiras, como a KLM Air France, com que vende codeshare. Seu foco principal é Ko Samui, com as melhores conexões para lá de qualquer ponto do país. Comprei os trechos Phuket - Ko Samui e Ko Samui - Bangkok com eles, dos quais falarei no futuro.  

- Air Asia - é uma companhia malaia, com subsidiária na Tailândia, do tipo low cost, ou seja, com preços de tarifas mais baixos do que a concorrência, pertencente a um ex sócio gerente da Virgin, da Inglaterra. Opera como a EasyJet e a RyanAir: vende o preço da passagem bem baixo, mas cada serviço adicional deve ser pago com pequenas taxas extras. Assim, paga-se para escolher poltrona, para despachar bagagem (valores progressivos conforme o peso) e pela comida, bem como para pagar com cartão de crédito e para fazer a emissão da passagem pela internet. Se a pessoa ler bem e comprar exatamente aquilo que precisa, é uma boa opção. A companhia foi eleita por três anos consecutivos como a melhor low cost do mundo e posso dizer que certamente a recomendaria. Voei entre Chiang Mai e Phuket com eles e tive uma experiência satisfatória. Falarei mais num futuro post.

- NOK Air - é a mais pobrinha das quatro, com aviões mais velhos e preços também mais em conta. Pertence à Thai Airways e tem como objetivo competir com a Orient (antiga One Two Go). Seus voos geralmente partem do aeroporto Don Mueang, o antigo da capital tailandesa (mas com as cheias de 2011 foram repassados ao Suvarnabhumi). Se não tiver frescuras, vale a pena tentar. Acabei voando com ela entre Bangkok e Chiang Mai, porque a passagem que originalmente tinha sido comprada com a Bangkok na verdade era um codeshare com essa companhia. Como o check in e o serviço de bordo eram da própria Bangkok, não posso dizer que tenha experimentado a NOK de verdade.

Todas essas cias. têm seus preços cotados em buscadores como o Kayak, o Expedia e o Travelocity e podem ter as passagens compradas tanto por eles como direto nos próprios sites, bastando um cartão de crédito internacional. Seu agente de viagens também conseguirá sem dificuldades emitir uma passagem com essas companhias, que posso garantir - estão bem acima da nossa TAM, Gol, Webjet e Trip... 

10/01/2012

Definições de roteiro - Tailândia

Planejar uma viagem à Tailândia é algo que, eu confesso, me assustava um pouco no início. Um lugar tão diferente, tão distante, com um idioma e um alfabeto que não fazem nenhum sentido para um ocidental comum parecia algo muito complicado para ser comparado com os outros lugares em relação aos quais eu já tinha preparado roteiros. Só entender os nomes das ilhas e das cidades menores já me assustava e foi só depois de dar uma lida em blogs de brasileiros que andaram por lá e de fazer algumas pesquisas extras na internet, em coisas simples como as páginas da Wikitravel, que tomei coragem para começar a ler aquele guia da Lonely Planet que já tinha comprado.
Centro de Bangkok
Desde o início, sabia que Phuket seria uma parada obrigatória na minha viagem, mas tudo mais ainda dependeria de alguma indicação, alguma leitura interessante ou da derrubada de algum preconceito. Em função da má fama de cidade caótica, grande e poluída, até mesmo a capital Bangkok não tinha lugar assegurado no meu roteiro, especialmente depois que descobri que existem voos diretos da Europa a Phuket e da opção de ir em voo direto de São Paulo a Cingapura, com uma pequena escala em Barcelona, com a Singapore Airlines (melhor companhia do mundo), que iniciou suas atividades no Brasil em março de 2011.

Depois de muita leitura e pesquisa, acabei rascunhando um roteiro inicial que incluía apenas Phuket (com praias no Índico), Ko Samui (no Pacífico) e Bangkok (apesar dos pesares). No mais, visitaria algum lugar na conexão que a companhia aérea escolhida exigisse, já que não existem voos diretos entre Brasil e Tailândia na atualidade. Isso implicava num grande leque de opções pois são várias as companhias que podem ser usadas para chegar até lá. Só para ficar nos exemplos mais óbvios para um brasileiro, cito as seguintes:

TAM – saindo de SP ou do Rio, conecta com a Thai em várias cidades, como Madrid, Milão, Frankfurt, Londres e Paris, para seguir a Bangkok quase todo dia

KLM – saindo de São Paulo, conexão em Amsterdam e chegada em Bangkok (diário)

Air France – saindo de Rio ou SP, conecta em Paris e chega em Bangkok diariamente

British – saindo de Rio ou SP, conecta em Londres, com a segunda parte podendo ser feita de Qantas ou com a própria British até Bangkok (BKK), diariamente

Lufthansa – saindo do Rio ou de SP, conexão em Frankfurt e chegadas em BKK diariamente

Swiss – saindo de São Paulo, conecta em Zurique para Bangkok com a Thai Airways ou para Phuket com a Edelweiss

Iberia – saindo de várias capitais no Brasil, chega em Madrid e de lá segue a Bangkok com a Thai Airways ou salta a Londres e segue as opções da British, diariamente

Emirates – sai de Rio e SP, conecta em Dubai e chega em BKK, três a quatro vezes por semana

Qatar – sai de SP diariamente e com rápidas conexões em Doha, chega a Bangkok ou Phuket (nesse caso com escala em Kuala Lumpur)

Singapore – sai de SP três vezes por semana, faz escala em Barcelona e chega em Cingapura, que fica a uma hora e pouco de Phuket ou Ko Samui

Turkish – sai de SP três a quatro vezes por semana, e de Istambul segue a Bangkok com dois voos diários

South African – sai de SP três a quatro vezes por semana, conecta em Joahnesburgo e de lá segue com a Thai a Bangkok

Além de todas essas opções, que como eu disse, são apenas as mais óbvias, existem dezenas de outras combinações, inclusive algumas fazendo a conexão nos EUA e no Japão, em Hong Kong ou mesmo por meio da Oceania. Há jeitos de chegar lá para todos os gostos e bolsos.

Levei uns bons meses fazendo a definição dessa parte da viagem – com quem voaria e onde faria o stop over para “quebrar” a viagem de mais de 20 horas entre nosso país e o sudeste da Ásia. Levei em consideração as possibilidades de cômputo de milhagens mais convenientes, a disponibilidade de voos nos dias que eu precisava (época de virada de ano é sempre concorrida), a duração dos voos, preços, conforto e a cidade em que eu gostaria de fazer a conexão – de preferência algum lugar que eu não conhecesse ou que tivesse vontade de mostrar à Gisele.

Com esses critérios, acabei concentrando minhas atenções na South African, na Turkish, na Emirates, na Qatar, na Singapore, na Swiss e na British. Com o passar do tempo, os preços da Emirates e da Singapore as tornaram insustentáveis e as deixei de lado. A British também deixou de ser uma boa porque os preços bons exigiam mais uma escala em Madrid, com a Iberia, o que eu me recusava a fazer. A Qatar teve uma megapromoção em setembro de 2011, mas os horários das conexões eram péssimos (seria ainda necessário tirar visto para dormir no país) e logo depois os preços foram às alturas. Por fim, a South African acabou ficando muito cara (e eu torcia o nariz para essa mistura África-Ásia numa viagem só), o mesmo ocorreu com a Swiss (que também tinha o porém de uma conexão num lugar muito frio) e a Turkish acabou sendo a grande eleita, com o argumento insuperável de uma classe econômica “premium” novinha em folha por apenas uns 450 reais a mais.


Tendo Istambul como o stop over, cortei Cingapura de vez e fiz de Bangkok o meu centro de conexões. Depois de algumas leituras, incluí Chiang Mai no roteiro. Hesitei algumas vezes em relação a incluir Siam Reap, no Camboja, para conhecer os templos de Angkor, mas acabei deixando de fora mesmo.

No final, ficou assim: Porto Alegre – São Paulo – Istanbul 2d – Bangkok 3d – Chiang Mai 3d – Phuket 4d - Ko Samui 4d - Bangkok 2d – Istanbul 1d – São Paulo – Porto Alegre

09/01/2012

Tailândia

Não foram nem uma nem duas vezes que já me perguntaram por que eu ainda não tinha ido para um lugar exótico como o Sudeste Asiático – que é tão tradicional entre os mochileiros – e eu mesmo estava começando a me perguntar o mesmo.

Depois de várias viagens à Europa e às Américas, muitas das quais já contadas aqui no blog, um breve pulinho na Ásia durante minha passagem por Istambul foi o empurrãozinho que faltava para decidir que estava mais do que na hora de programar alguma coisa do outro lado do mundo.

Logo em seguida, um dos meus frequentes parceiros de mochilão, o Rafael, acabou fazendo uma viagem com a família que incluiu Nepal, Índia e Emirados e que também me deixou com vontade ainda maior.

Pois bem, decidi que essa primeira viagem seria por um dos países que sempre me interessaram mais e que é considerado como um dos mais agradáveis para se conhecer numa primeira viagem à Ásia – a Tailândia. Desde o início, porém, já estava inclinado a fazer a viagem com a minha mulher, num estilo mais “viagem independente” do que “mochilão”, dando ênfase a lugares com praias paradisíacas, mas alternando com lugares de interesse mais cultural.

Já no segundo semestre de 2010 encomendei pela Amazon.com um exemplar do Lonely Planet “Thailand – Islands and beaches” e comecei a trabalhar com a ideia de que iria para lá num mês de janeiro ou fevereiro. O livrinho chegou cedo, mas demorei para abri-lo. Faltava ainda o principal: convencê-la a ir comigo, conciliar as nossas férias e acertar algumas condicionantes (afinal, estava pensando em fazer um curso de idiomas no exterior no mesmo período e, se essa viagem de aprendizado não saísse, seria a vez da Tailândia). Com o passar dos meses, chegamos a um consenso, já na metade de 2011, de que partiríamos nessa jornada em janeiro de 2012.


Hoje, 9 de janeiro de 2012, estou em Chiang Mai, e depois de andar em cima de um elefante e abraçar tigres de verdade (literalmente), decidi quebrar o costume de só escrever sobre minhas viagens depois que elas se acabaram para desde logo começar a contar um pouco da organização dos preparativos para essa longa jornada e já ir falando dos lugares por onde passamos.

Certamente terminarei os posts só depois que já tiver voltado ao Brasil e, para não deixa-los muito longos, vou programando a sua publicação ao longo de vários dias, mantendo o ritmo de relatos de viagens anteriores.