23/10/2011

Guias Lonely Planet em português

Começaram as campanhas publicitárias na internet, na TV e na mídia impressa para a divulgação de um produto que já era há muito esperado pela comunidade mochileira do Brasil: os primeiros guias da Lonely Planet em português. A responsabilidade pela edição é da Ed Globo.

A Lonely Planet é uma editora de livros de viagem de origem australiana, que começou publicando os relatos de viagem e as dicas de amigos australianos que percorreram o Sudeste Asiático nos anos 70 (até hoje o Southeast Asia on a Shoestring é um dos seus guias mais vendidos). Nos anos 90 eles deram seu grande salto e passaram a produzir programas para a TV e a cobrir praticamente todos os lugares visitáveis do mundo (inclusive com livros polêmicos sobre o Afeganistão e Myanmar). No final da década de 2000, a empresa foi comprada por uma subsidiária da BBC, da Inglaterra, e passou a agir dentro de uma estratégia mais comercial, ampliando a variedade de produtos.

Até então, os guias já tinham sido publicados em algumas línguas que não o inglês em situações pontuais. O espanhol, o alemão e o francês receberam versões de países mais procurados por cidadão falantes das respectivas línguas, mas algumas edições chegaram a ser inclusive descontinuadas, dando a impressão de que essa iniciativa não tinha dado certo.

Agora, aproveitando o bom momento que o Brasil vive na área do turismo internacional, e seguindo-se à publicação da revista Lonely Planet, que já circula em português há uns 2 anos, estão sendo lançados os guias em português para alguns países como Portugal e Argentina e para algumas cidades como Nova York, Praga, Istambul e Barcelona.

Ainda não tive a oportunidade de conhecer nenhum desses guias traduzidos, mas certamente comprarei algum para conferir. 

Não nego que sou fã desses guias (na sua versão original) e sempre que possível compro aquele que cobre o lugar por onde vou, ou ao menos o capítulo correspondente em PDF na página da empresa. Só quando a crítica a respeito de alguma edição é muito negativa e alternativas melhores se apresentam é que, com resistência, parto para outra opção.

21/10/2011

Voltaremos

Daqui uns dias retomo os posts, possivelmente na semana que vem, continuando com Uruguai (Punta del Este, da foto acima, viagens de carro pelo país), Portugal e Inglaterra!

16/10/2011

Aprendizado

Depois de muitos anos daquele mochilão em Buenos Aires e Montevideo, alguma coisa eu pude aprender e agora alertar aos marinheiros de primeira viagem:

- não chegue numa cidade totalmente estranha sem no mínimo ter reservado a primeira noite no lugar onde pretende dormir (ou ao menos se certifique de que o lugar em que pretende dormir estará efetivamente funcionando);

- não saia caminhando pelas ruas fora do circuito turístico no bairro de La Boca, a menos que queira fazer alguma experiência antropológica nos estratos menos favorecidos da população argentina ou simplesmente ser assaltado;

- não tente economizar dinheiro em transporte público caminhando dezenas e dezenas de quadras, numa cidade em que o táxi não custa mais do que alguns trocados por quilômetro rodado;

- não tente entender o sistema de ônibus urbano portenho: cada linha é operada por uma microempresa diferente, em ônibus que muitas vezes fazem você se sentir em Assunción ou na Bolívia e, para finalizar, não aceitam notas de dinheiro, só moedas;

- não tenha a brilhante ideia de ir para um jogo da seleção argentina sem ter um ingresso comprado com antecedência e com pessoas que sequer falem espanhol;

- quando a tropa de choque da polícia argentina se aproximar para “organizar” a fila na entrada do estádio, não tente dialogar e pedir-lhes informações;

- os albergues dos nossos hermanos não são dos mais organizados e limpinhos; vá preparado.

13/10/2011

Red Hostel e Centenario


Em janeiro de 2011, quando fui com mais três amigos ao Uruguai ver um jogo de pré-Libertadores, escolhemos ficar naquele que frequentemente é considerado como o melhor albergue de Montevideo – o Red Hostel.

O site dos caras na internet impressiona bastante e não tivemos muita dúvida, na comparação com outros que havia na cidade. Ao chegarmos, ficamos também bastante impressionados com a localização (uma rua arborizada bem ao lado do prédio da Prefeitura, a apenas uma quadra da Avenida 18 de Julio) e com o prédio em que o albergue funciona (um casarão de três andares, todo estiloso, com uma escadaria legal na entrada e um pátio interno em estilo espanhol, com um pé-direito bem alto e piso de tabuão.
No dia em que estivemos lá, obviamente, havia mais gremistas como nós do que gringos se hospedando no lugar, mas mesmo assim pudemos ver que é um lugar que sempre tem gente de fora. As áreas de uso comum são bem bacanas e um dos maiores atrativos é a cobertura, que tem redes de dormir estendidas, churrasqueiras e mesinhas com bancos para vários grupos. Lá em cima, também, é servido o café da manhã.
O albergue tinha tudo para ser um dos melhores do mundo (lembra-me aqueles de Lisboa, que são sempre classificados no topo das listas do Hostelworld), não fosse o relaxamento dos proprietários em relação aos banheiros e a falta de ventilação adequada e de ar condicionado nos dormitórios. Os banheiros são dos piores que já vi em albergues, com pouco ou nenhum lugar para pendurar as coisas enquanto se toma banho, box que deixam a água de um passando pelos pés dos outros (reze para o vizinho de box não aderir à campanha do xixi no banho!) e chuveiros meio podres, com água quente que fica indo e vindo. Com relação aos quartos, como disse, a ventilação/refrigeração é o problema. Era janeiro e o calor era insuportável. Para fazer frente a isso, só um ventiladorzinho chinês fraquinho, disputado pelos seis ocupantes de três beliches. O Diego, que estava comigo, conta que levantou no meio da noite, encharcou uma toalha com água fria e deixou-a por cima do peito para conseguir dormir.

Embora não seja nada de matar, o café da manhã não é dos mais fortes, com apenas algumas bananas, pão de sanduíche, doce de leite e margarina, além de uns frios meio ruins.

Como era só um dia, serviu apenas para darmos risada, mas recomendaria que a pessoa não se hospedasse por lá no auge do verão e fosse preparada para o banho.

Para nós, a localização do albergue se revelou ainda melhor, porque a sede da federação uruguaia de futebol ficava a apenas uma quadra dali, por isso pudemos comprar nossos ingressos para o jogo com tranquilidade e sem nem precisar pegar o carro.

O jogo, contra a equipe do Liverpool, estava marcado para o Estadio Centenario, aquele mesmo da final da primeira Copa do Mundo, em 1930.

Não dava para ir a pé, porque senão levaríamos pelo menos uns 30 minutos caminhando, e por isso pegamos um táxi que nos deixou quase no portão do estádio. A torcida do time local, muito diminuta, quase nem se fazia notar. Em compensação, estava cheio de ônibus fretados vindos do Rio Grande do Sul e uma verdadeira galera esperando o início do jogo.

Apesar dos esforços e de pernadas num raio de duas quadras do estádio para vários lados, não encontramos nenhum lugar vendendo cerveja. As opções de comida, também, não eram muitas e onde havia alguém vendendo um pancho tinha uma fila gigante de gente esperando o seu.

O Estádio Centenário fica no meio de um parque que era considerado, alguns anos atrás, como uma das áreas mais nobres da cidade. Um dos monumentos mais conhecidos de Montevideo, uma escultura de um carreto puxada por vários pares de bois, fica ali no meio, no alto de um morrinho artificial. Várias embaixadas ficam na avenida entre ele e a estação rodoviária de Tres Cruces. Hoje em dia, o parque está meio descuidado, assim como o próprio estádio, que merecia uma reforma.
Há um museuzinho da história do futebol e da Copa, mas que estava fechado no horário próximo ao jogo.

Na hora do jogo, tudo tranquilo. Entramos por um lado separado da torcida local, que só começou a chegar depois de iniciada a partida. Até houve algumas provocações entre as torcidas, num ponto em que elas ficavam mais próximas, as quais deram algum trabalho para a polícia uruguaia, mas em relação a nós, nenhum problema.
Na hora da saída, como as únicas opções de transporte para quem dormiria na cidade se resumiam a táxi, levamos algum tempo para conseguir um carro – e isso só depois de nos afastarmos umas três quadras dali.

10/10/2011

Dia do Patrimônio


Na vez em que fui a Montevideo com minha namorada, só para passar um feriadão logo após o final do inverno, tivemos a grata surpresa de descobrir, já naquela cidade, que estávamos exatamente no “Dia do Patrimônio”, uma espécie de feriado cívico nacional, em que quase todos os prédios públicos são abertos para visitação da população sem nenhum custo, com visitas guiadas.

Aproveitamos a oportunidade para conhecer vários lugares que, por si só, não estariam em nossos planos.

Logo depois do café da manhã, fomos ao Museu Militar que fica no Cerro de Montevideo, no bairro também conhecido como “Cerro”, do outro lado da baía. Poucas pessoas que vêm à cidade visitam esse lugar e até mesmo são desestimuladas pelos que trabalham nos hotéis a irem até esse lugar. Mesmo assim, por já ter visto fotografias de amigos que passaram por lá, decidi que queria conhecer.

Para chegar, precisa-se tomar a avenida que dá acesso às Rutas 1 e 5 (saídas para Colonia e Rivera) e, logo depois que a rota se afasta da baía, tomar a direção do Cerro, num entroncamento. O bairro todo é bastante humilde e é todo estruturado quase como uma COHAB. Como era sábado, ainda havia várias ferinhas populares trancando partes das ruas, muitas delas de calçamento ou mesmo de chão batido. Só depois, na volta, é que descobrimos que pela Calle Grecia poderíamos ter ido com asfalto todo o percurso.
No final da rua, está o acesso ao cerro, por uma estradinha em ziguezague morro acima. Lá, uma fortificação toda branca, com canhões de ferro apontados para o mar e guardado por militares, sedia o museu. 
Depois de um passeio pelos mirantes, nos cantos do forte, conhecemos o interior do museu, que preserva celas onde foram feitos prisioneiros de guerra e itens históricos, que contam a chegada dos “33 Orientales” que vieram de barco da Argentina para a insurreição contra o domínio brasileiro e a consequente independência do Uruguai, em meados da década de 1820.
Na volta ao centro, vimos que o prédio do Congresso Nacional também estava aberto e tratamos de estacionar ali perto, para conhecê-lo.
Nunca imaginei que, sendo um país unitário, o Uruguai tivesse um Senado, mas tem. São duas as casas legislativas no prédio, portanto: uma câmara de deputados e um senado. O prédio tem um estilo bem tradicional, com salas amplas e de pé-direito alto, poltronas de madeira escura estofadas com veludo e muitos detalhes em dourado, com pinturas históricas nas paredes. Ali, para evitar “danos ao patrimônio”, o passeio era guiado e o acesso restrito por algumas cordas. 
Além dos salões, pode-se ver também objetos como a mesa onde foi assinada a primeira Constituição uruguaia e outras relíquias.
No dia do patrimônio, o teatro Solís também estava com entrada gratuita, mas como tínhamos feito a visitação no dia anterior, acabamos perdendo a “oferta”.

08/10/2011

Ramblas e Pocitos


Montevideo é conhecida, dentre outras coisas, por suas ramblas – avenidas à beira do Rio da Prata, com amplos calçadões para caminhadas, que se estendem desde o porto, na Cidade Velha, até os bairros nobres entre Pocitos e Carrasco, este último já perto do aeroporto internacional.

São quilômetros e quilômetros de calçadões ao longo de praias que recebem diversos nomes, sempre cheias de gente tomando mate, correndo, passeando com o cachorro ou simplesmente namorando. 
As partes mais próximas do centro antigo estão um pouco abandonadas, com muitas pichações e bastante coisa quebrada. A situação melhora mais ou menos a partir da região onde fica o Hotel Ibis de Montevideo, que foi onde me hospedei quando fui com minha namorada (tarifas de US$ 49 em 2008!!) e chega no auge da agitação em frente à praia e ao bairro de Pocitos, onde há clubes náuticos, restaurantes e equipamentos para exercícios.
 
No início do século XX, essas praias eram o que havia de mais chique para a sociedade local e da Argentina, pois ainda sequer haviam sido “inventadas” Punta del Este e Piriapolis. Para quem tem na cabeça a imagem de praia como um lugar com um mar azulzinho e ondas, vai ficar meio sem entender qual é a graça de uma praia na frente de um rio meio marrom, só com uma marolinha.

Não muito longe do Hotel Ibis e também em frente às ramblas, fica a sede do Mercosul, um prédio de um duvidoso estilo mourisco, que até onde sei não permite visitação interna.
Pertinho dali também fica o Parque Rodo, que tem parque de diversões e também é usado por famílias para passeios, especialmente nos finais de semana. 

Um pouco mais para dentro do bairro de Pocitos, nas suas extremidades, ficam dois dos maiores shoppings da cidade, o Punta Carretas Shopping e o Montevideo Shopping – nenhum dos dois com nada espetacular.

Alguns quilômetros depois, no bairro de Carrasco, o Cassino de Montevideo, num prédio tradicional da primeira metade do século XX, também vale uma visita.

05/10/2011

Centro Velho de Montevideo


O centro velho de Montevideo, que também é o seu cartão-postal, começa na Plaza Independencia, aquela onde fica a grande estátua do General Artigas a cavalo e o prédio que foi o mais alto da América Latina quando construído, e vai até o porto. É exatamente a ponta da península em que Montevideo foi construída e, no passado, era delimitado por muralhas fortificadas, das quais só resta uma única lembrança: um dos portões de acesso, em frente ao calçadão que dá acesso à Catedral a partir da praça da Independência.

Debaixo da praça, fica o memorial onde está enterrado o General Artigas, permanentemente guardado por militares com fardas cerimoniais, que também cuidam de uma chama sempre acesa. Confesso que da primeira vez em que estive no lugar, não tinha atinado que se tratava de um memorial subterrâneo (achei que as escadarias davam acesso a um banheiro público).
De qualquer forma, não pude conhecê-lo quando cheguei lá sozinho, vindo de Buenos Aires, porque estava ocorrendo a visita oficial de um casal de príncipes do Japão. Só quando voltei em 2008 é que desci a primeira vez.

Tirando o memorial, na praça a única atração é o prédio que é o símbolo daquela parte da cidade, que não anda muito bem cuidado, mas faz uma bela foto à distância.

A Presidência da República fica ali também, ao lado da praça, mas não passa de um prédio com uma fachada um pouco parecida com a do Teatro Solís, bem mais interessante e apenas uma quadra ao lado. Não há como deixar de notar, entretanto, a feiura de um prédio de ministérios que deve ter sido construído nos anos 60 e que hoje em dia parece apenas uma sequencia interminável de aparelhos de ar condicionado bem velhos e enferrujados irregularmente colocados em quase todos os andares e salas, com a parte de trás dando para a praça.

No lado oposto à Presidência fica o Hotel Radisson, que tem um dos maiores cassinos de Montevideo em sua parte de trás. Já fui ali num sábado à noite com minha namorada, mas achei um ambiente bem trash. O que mais vi foi um monte de chineses sozinhos jogando nas mesas e nas máquinas, um pessoal meio deprimido tentando a sorte nos caça-níqueis e uns flanelinhas do lado de fora tentando descolar um troco de quem estacionava por ali.

Já a visita ao interior do Teatro Solís vale muito a pena. Demos sorte de chegar na cidade exatamente uma semana depois que ele havia sido reinaugurado, depois de uma reforma de dois anos, que lhe acrescentou uma sala de exposições e um ambiente adicional para ensaios.

As visitas saíam de hora em hora, por isso matamos tempo num café em frente, até que começasse o tour guiado. Embora não seja tão interessante quando o Teatro Colón, o exemplar uruguaio não faz feio e tem muitos detalhes bem preservados que o colocam dentre os grandes da América Latina.

A Catedral de Montevideo, que fica numa outra praça a duas quadras da Plaza Independencia, não chama tanto a atenção. A sua frente é quase toda encoberta por árvores que estão precisando de uma poda e de uma organizada. O estilo é bem sóbrio e me lembrou algumas igrejas que já vi no Peru.

Da praça da Catedral até o porto, as ruas, casas e prédios estão bem degradados e não se aconselha, inclusive, que se percorra a pé, principalmente à noite. Há alguns vagabundos andando para lá e para cá, à espera de um momento bobeira, e alguns lugares com cara de zona de prostituição camufladas. 

Apesar das advertências, atravessamos, eu e minha namorada, esse trecho até o Mercado Público, este sim a maior atração de Montevideo, em minha opinião.

O Mercado ainda conserva bastante de sua estrutura original, quase toda de ferro, com um relógio bonito, dois andares e toldos estendidos para o lado de fora. Mas, ao contrário do que ainda se vê em outros lugares, quase não tem mais nenhuma banca de venda de produtos – quase tudo está tomado por restaurantes, principalmente especializados em parrilladas e em frutos do mar. 

Os restaurantes são muito bons, alguns são os melhores da cidade e consequentemente do país. Mas, é bom avisar, não são baratos. Se a ideia é só aproveitar o lugar sem esbanjar, o melhor é pegar algum do lado de dentro, porque aqueles com cadeiras do lado de fora são os que mais cobram.
 
Em janeiro de 2011, quando estive na cidade para ver o jogo do Grêmio, esse acabou sendo o ponto de encontro de muita gente que veio por conta própria ou que já estava no país passando o verão. Entre as 11h e as 15h, o lugar ficou quase completamente “azul”.

Logo em frente ao Mercado, fica o Porto de Montevideo, área de acesso restrito e sem interesse turístico. Ao redor, porém, ficam várias banquinhas de souvenir e artistas de rua, tentando aproveitar o movimento.

03/10/2011

Uruguai


O Uruguai é um país pequeno geograficamente e em população. Cerca de um terço das pessoas moram na região metropolitana de Montevideo, sendo que o resto do país consiste de vastas extensões de terras, em sua maior parte planas, com aptidão para a pecuária, esparsamente povoadas. Nenhuma cidade que fique a mais de 100km da capital tem mais de 100 mil habitantes. No total, não são mais do que uns 3 milhões e pouco de uruguaios.

Conhecer esse pequeno país é, de certa forma, voltar um pouco no tempo, em todos os sentidos. As coisas são mais velhas do que costumamos ver no Brasil. Casas, carros, equipamentos urbanos, utensílios nos restaurantes, hotéis e prédios públicos (com as notáveis exceções de Punta del Este e do aeroporto de Carrasco) – tudo parece que tem mais de 50 anos, para ser bondoso. 

De outro lado, antigos hábitos também são preservados no país, como o costume de cumprimentar pessoas desconhecidas na rua ou sempre que se entra num estabelecimento comercial. Todos são muito amáveis e facilmente puxam conversa. Não foi nem uma nem duas vezes que, ao responder de onde vinha, ouvi elogios sobre o Rio Grande do Sul e o Brasil. Até mesmo quem conhecia Santa Maria se derreteu em elogios. O ritmo também é muito mais tranquilo do que por aqui ou mesmo na Argentina; as pessoas não parecem ter pressa – o que não significa um mau atendimento, se é isso que você está pensando. 

Os níveis de segurança também são de antigamente. O Uruguai é muitas vezes apontado como o país mais seguro da América do Sul para o turista estrangeiro e, com exceção de alguma possibilidade de furtos de aparelhos de som ou objetos de valor de veículos estacionados, ou mesmo uma abordagem de um viciado nas zonas mais pobres (e conhecidas por serem perigosas à noite) de Montevideo, uma viagem por lá costuma ser 99% segura. Nas cidades do interior, muita gente ainda deixa portas destrancadas e carros com os vidros abertos.
 
Ao mesmo tempo em que, aos olhos de um brasileiro, o Uruguai parece um país mais pobre que o nosso, fato é que o seus índices de desenvolvimento humano e mesmo econômicos (nesse caso em relação proporcional à população e comparado com alguns estados brasileiros) dão um banho nos nossos. 

Não é de se ignorar o fato de que um país tão pequeno, menor do que muitos dos nossos estados, já tenha sediado uma Copa do Mundo de Futebol, sido campeão de duas delas (e chegado entre os quatro na última!), seja responsável pela sua própria defesa externa, tenha embaixadas em vários países do mundo, uma companhia aérea nacional que faz vários voos para o exterior e ainda dispute com a Argentina questões como quem tem o melhor compositor de tango, o melhor teatro, etc. Além disso, o lugar é referência em toda a América Latina (e mais recentemente nos EUA e Europa) com as festas e eventos de Punta del Este, no verão e, no plano político, é a sede do Mercosul.