30/05/2011

Transporte na Grécia

A Grécia é um país europeu que, diferentemente dos tradicionais Portugal, França, Espanha, Itália, Alemanha, Holanda, etc., exige um certo planejamento na questão da logística do transporte.

A geografia do país, embora seja interessantíssima do ponto de vista turístico, impõe uma grande dificuldade na criação da sua infraestrutura. O interior da Grécia é quase todo montanhoso e seco, além de ser bastante extenso no sentido nordeste-sudoeste (entre a fronteira com a Turquia, em Alexandroupolis, e o extremo do Peloponeso, em Kalamata, são mais de 1000km de estrada). Já as ilhas, que são centenas, dependem do ar ou da água.

Por essa razão dedico esse tópico a falar um pouco dos pontos positivos e negativos de cada meio de transporte por aquelas bandas.
  • TREM – o trem, na Grécia, é algo muito pouco desenvolvido, se comparado com a Europa Ocidental. O maior problema é que as ferrovias são de mão única, ou seja, para um trem passar por um determinado ponto em que há trem vindo no outro sentido, um deles tem que esperar num ramal de uma estação ferroviária de alguma cidade. Isso limita bastante os horários. Não existe trem de alta velocidade no país, também. Com isso, viagens de trem geralmente demoram mais que as de ônibus em trechos equivalentes. O máximo que se encontra são alguns trens “Intercity Express”, que têm menos paradas no caminho. Tampouco existe qualquer conexão direta com linhas férreas de outros países, o que significa que uma viagem de trem até a fronteira dependerá de outro meio de transporte para seguir viagem do outro lado. O site da companhia estatal é o http://www.ose.gr/en/Home.aspx. É possível reservar e comprar bilhetes online, e aí vem o susto com o preço: uma passagem de trem normal entre Atenas e Salonica, por exemplo, não sai por menos de 36 euros para um adulto, na segunda classe.
  • AVIÃO – mais ou menos como acontece no Brasil, o mercado de voos domésticos na Grécia é dominado apenas por duas empresas: a Aegean Airlines e a Olympic Air. A primeira é uma das mais novas integrantes da Star Alliance, tem uma frota de Airbus 320 bem novinha, mas cobra preços um pouco mais salgados. A segunda é uma empresa mais velha (fala-se até que estaria sendo vendida), com frota mais ultrapassada, sem estar integrada a nenhuma aliança global, mas com preços mais em conta. Ambas têm frequências, destinos e horários bastante semelhantes, por isso vale sempre comparar nos detalhes o que convém mais. Em comum, também, está o fato de que quase sempre um deslocamento entre ilhas depende de conexão em Atenas. São voos tão curtos (menos de 50 minutos) que, na maioria das vezes, sequer se consegue servir um suco aos passageiros.
  • FERRIES – os barcos de passageiros e de transporte de veículos têm uma extensa e mutável rede de viagens entre as mais diferentes ilhas. As frequências aumentam bastante durante a temporada de verão e podem cair para apenas uma viagem por semana nos meses mais frios. É muito importante pesquisar com antecedência se efetivamente existe alguma companhia fazendo determinado trajeto antes de marcar um hotel no ponto seguinte da viagem. As viagens não são tão baratas (os tickets mais em conta são para o deck,ou seja, para uma cadeirinha dura do lado de fora do barco) e variam conforme a rapidez do barco. O site Greek Ferries traz algumas companhias, mas às vezes é preciso pesquisar mais a fundo para conhecer outras companhias menores que podem ter horários mais adequados para as suas necessidades. A experiência de qualquer viagem entre ilhas já é um passeio em si e está muito vinculada à imagem da Grécia, mas deve-se ter em conta que pode ser bem cansativa (por causa do tempo que leva entre uma ilha e outra) e imprevisível (atrasos e cancelamentos em razão das condições do mar são comuns).
  • CARRO ALUGADO – tirando Atenas e Salonica, o resto da Grécia é bem apropriado para aluguel de carro. Os preços das diárias, pelo que já pesquisei, são mais em conta do que na maior parte da Europa. As redes que atuam no país são as mesmas do mundo todo: Avis, Herz, Budget, etc. A gasolina não é mais cara do que nos outros lugares. Há pedágios apenas em estradas maiores, entre grandes centros. Estacionamento é fácil de achar e geralmente existem opções gratuitas, ainda que um pouco mais longe (lembre-se que na Europa centro histórico não combina com carro, por isso uma caminhadinha sempre é normal). De outro lado,é inviável levar carro alugado para países vizinhos e os preços para transportar em ferry boat são bem altos. Vale mais a pena alugar um carro diferente em cada ilha que precisar. Com um GPS (hoje em dia é muito fácil encontrar mapas da Europa em torrent pela internet afora), fica muito fácil fazer descobertas pelas estradinhas de mão única do interior – a maioria delas asfaltadas.
  • ÔNIBUS – para algumas cidades do interior, o ônibus é a única opção. O nível de conforto não é muito diferente do que se vê aqui no Brasil, pelo que sei. As passagens costumam ser mais em conta, o que leva muitos imigrantes mais pobres a utilizarem esse meio de transporte também. Os horários não são tão frequentes, mas quase não há riscos de cancelamentos.
  • METRÔ – em Atenas, o melhor meio de se deslocar, definitivamente, é o metrô. A rede foi toda modernizada e ampliada para as Olimpíadas de 2004, as tarifas são em conta, há segurança e a maior parte das atrações turísticas não fica muito longe de alguma estação. É possível sair do aeroporto internacional de metrô, passar pelo centro da cidade e chegar até o porto de Pireus, de onde saem muitos barcos, usando essa rede. Em algumas linhas, bondes elétricos de superfície novinhos complementam a rede, usando o mesmo tipo de ticket.

28/05/2011

Definições

Acertada a ida e a volta, bem como o voo interno entre Grécia e França, faltavam ainda as definições dos lugares e dos dias no nosso roteiro grego.

Atenas seria parada obrigatória, tanto pelos monumentos que queríamos ver (apesar de estarmos preparados para a cidade não ser “tudo aquilo”) como pela necessidade de usá-la como porta de entrada e saída do país.

Embora todo mundo que pense numa viagem pelas ilhas gregas imagine que vá se deslocar de uma ilha para a outra de barco, um pouco de pesquisa revela uma dura realidade: os barcos demoram cerca de 6 horas para fazer viagens que podem ser completadas em 45 minutos de avião e, além disso, atrasam ou são cancelados em dias de vento forte. Por essa razão, passamos a considerar viagens de avião dentro do país como algo necessário, ainda que não fosse para todos os trechos. Isso levou a outra descoberta: a maioria dos deslocamentos aéreos entre ilhas demanda uma conexão em Atenas – há pouquíssimos horários diretos entre ilhas.

Independentemente disso, a principal questão era definir quais ilhas a visitar. A Grécia tem milhares delas, centenas habitadas. Há diferentes grupos de ilhas: Cíclades (as mais famosas, no mar Egeu), Jônicas (no oeste do país, no mar Jônico), o Dodecaneso (ilhas ao sul da Turquia), Sarônicas (entre Atenas e o Peloponeso), as ilhas do Nordeste do Mar Egeu e a gigantesca ilha de Creta (maior do que muitos países europeus).

Para ajudar na escolha, comprei o Guia Visual da Folha “Ilhas Gregas” (cerca de R$ 80) e usei o site http://www.guiagrecia.com.br/, de um brasileiro aficionado pela região, que vai e volta da Grécia há mais de trinta anos, sempre conhecendo lugares diferentes. Coletei experiências também no blog “Turista Acidental”,na parte em que a autora conta como foi sua viagem de lua de mel pelo país.

Desde o início, descartei Creta, que mereceria mais tempo, e nos focamos nas ilhas mais tradicionais. Tanto o site que falei acima como o Guia Visual trazem uma tabelinha comparativa de atrações das ilhas que, de certa forma, foram bem importantes nesse processo decisório.

Ao final, acabamos optando pelo quase óbvio dos roteiros de quem vai pela primeira vez à Grécia: Mykonos e Santorini (sendo que a primeira permite um passeio de bate e volta à ilha de Delos, um patrimônio histórico em que não é possível pernoitar).

Acima: Santorini. Abaixo: Mykonos

Definimos ainda que seriam três noites em cada ilha e, depois de muita pesquisa, acabamos fechando os deslocamentos com a Aegean Air (que embora cobre preços alguns trocados maiores que os da concorrente Olympic Air, tem uma frota mais nova e estava entrando justamente naquele mês na Star Alliance, o que permitiria acúmulo de pontos do TAM Fidelidade). Deixamos o barco apenas para o bate e volta entre Mykonos e Delos.

Na pesquisa por companhias de aluguel de veículos, fechamos com a Budget, a mesma que já tínhamos usado em outra viagem aos Estados Unidos. Por 29 euros por dia, conseguimos carros da categoria do Citroën C3, com direção elétrica, ar condicionado e vidros elétricos – uma piada se formos comparar com os preços absurdos que se paga para alugar um Fiat Uno pelado aqui no Brasil.
De Citroën em Mykonos

25/05/2011

Grécia

A Grécia sempre ocupou um lugar especial na minha imaginação. A ideia de um lugar com milhares de anos de história, origem de tantas ciências e artes, com ruínas por todos os lados para lembrar do seu passado glorioso – isso sem falar na mitologia – fazia do país um lugar fascinante na minha cabeça.

Foi só com o passar dos anos que comecei a enxergar aquele lugar com uma visão mais próxima da realidade atual: um país não muito desenvolvido, de certa forma até ineficiente, com uma população envelhecida, mas dotado de belezas naturais que o fazem um dos destinos mais cobiçados de férias em todo o mundo.

Com o tempo, também, fui sendo convencido de que a capital, Atenas, não tinha nada de mais e que a verdadeira atração do país estava nas suas centenas de ilhas e no interior. Lembro-me bem da decepção com a maior cidade grega depois de ver as fotos e ouvir o relato do meu primeiro amigo mais próximo que tinha passado por lá num mochilão enlouquecido por 17 países.

A partir do momento em que comecei a viajar, fui associando a Grécia a um lugar romântico e chique, que merecia ser visitado a dois. E foi exatamente esse o país que escolhi para fazer a primeira viagem à Europa com a Gisele, minha esposa desde 2009, no nosso aniversário de 1 ano de casados.

Foi com bastante antecedência que a escolhemos, mas passamos por momentos de hesitação. O medo de que tudo acabasse se tornando caro demais, o noticiário expondo greves e quebra-quebras no centro de Atenas por causa da grave crise econômica (que ainda não terminou) e até mesmo um terremoto no Peloponeso no mês em que estávamos comprando as passagens trouxeram algumas dúvidas. Mas depois de uma reportagem da Viagem e Turismo falando como estava bom e barato viajar para lá e que nas ilhas a crise era coisa de outro mundo, tivemos certeza de que valia a pena.
Nossa ideia não era fazer mochilão, mas uma viagem independente, organizada por nós mesmos, com direito a carro alugado, hotéis com certas amenidades e um ritmo bem tranquilo, que permitisse aproveitar um pouco mais cada lugar. Tudo com antecipação e pesquisa, para não deixar muita margem de erro.

Tiramos férias de 15 dias entre o finalzinho de setembro e a primeira metade de outubro para fazer essa viagem. O clima ainda estaria bom, porque seria final da temporada de verão, mas o público e os preços já estariam diminuindo.

A ideia, em princípio, seria fazer Atenas, duas ilhas “top” no Egeu e Meteora, no interior. Dependendo da companhia aérea com a qual comprássemos a passagem (não há voos diretos entre Grécia e Brasil), faríamos um stop over em alguma capital europeia na ida ou na volta.

Na hora de pesquisar voos, acabamos reduzindo nossas opções a apenas duas companhias: TAP (via Lisboa) e Air France (via Paris). Como já conhecia as duas, deixei a opção para a Gisele, que escolheu Paris. Acabamos conseguindo comprar as passagens de ida e volta, com taxas e o stop de três dias em Paris, por R$ 2.200,00 para cada um, com saída pelo Rio de Janeiro e volta por Guarulhos.

Como Paris sempre merece um tempinho a mais, acabamos cortando Meteora, na Grécia (a logística parecia meio complicada) e fechamos um roteiro com 9 noites de Grécia e 3 noites de Paris.

24/05/2011

Dando adeus ao Chile


A foto acima, tirada na decolagem do voo da Sky Airline a partir de Temuco, capital da Araucanía, em direção a Santiago, marca o nosso retorno e o fim de umas boas férias naquele país.

O saldo da(s) viagem(ns) ao Chile sempre é positivo. Um país com tanta variedade de paisagens, com tanta organização e preços não necessariamente tão altos (hoje o Brasil está custando bem mais caro) é um atrativo que merece ser visto e revisto várias vezes.

Ainda me falta conhecer muita coisa no país. Tenho que ir um dia à região dos Lagos e à Isla de Chiloé (quem sabe numa mesma viagem com Bariloche, fazendo o "cruce de lagos") e à Patagônia chilena (especialmente para conhecer o Parque Nacional Torres del Paine, descrito como um dos mais belos do mundo). Isso sem falar nas outras estações de esqui além do Valle Nevado (que não estão em meus planos nem de médio prazo, mas que atraem muita gente).

Porém, depois de um bom tempo escrevendo sobre o Chile (no menu do blog aparece como o país com o maior número de posts atualmente, passando dos 50), deixo o país de lado e me volto mais uma vez para a Europa. Ainda tenho vários posts a redigir sobre lugares a respeito dos quais nunca falei aqui no blog, como a Grécia, Portugal e a Inglaterra.

23/05/2011

Ano Novo e passeios

Inicialmente, tínhamos planejado um rafting para o dia 1° de janeiro, embora o dono da agência tivesse advertido que não era comum os guias trabalharem nesse dia. Mesmo assim, se disponibilizou a fazer a atividade conosco, reunindo mais gente interessada.

Quando descemos do vulcão, porém, já percebemos que não teríamos condições físicas de aguentar outra atividade puxada no dia seguinte. Estávamos completamente moídos e só queríamos descansar ou fazer passeios mais leves. Por isso mesmo, desmarcamos com a agência e fomos para o hotel.

Antes de subir para o quarto, passamos num mercadinho e compramos uma champagne para assistir aos fogos que estourariam no lago e para comemorar a dois a passagem de ano. Deixamos gelando na cozinha do hotel e subimos para descansar. Jantamos mais cedo, num restaurante comum, pois a maioria dos pacotes de jantar de final de ano nos lugares da cidade ou estavam a preços extorsivos, ou já estavam lotados.

Por volta das 23h30, nós e a metade da cidade - a maioria chilenos mesmo - rumamos para a praia do lago Villarrica. À meia-noite em ponto, começou um show de fogos bem meia-boca para os padrões brasileiros, mas que empolgou bastante os locais. Champagne tomada, fomos para um bom e merecido sono.
No dia seguinte, como era de se esperar, a cidade estava quase parada, com cara de feriado. Levantamos mais tarde, sentindo na pele ressecada do rosto e nos lábios os efeitos colaterais da subida no dia anterior - sem falar no cansaço do corpo como um todo.

Passeamos pela praia, que no início da tarde já tinha bastante gente, e andamos para o lado da marina. Informamo-nos a respeito de passeios de barco pelo lago e deixamos acertado um para as 17h.

Aproveitamos o centrinho, com suas sorveterias, cafes e lojas de souvenirs, e na hora marcada voltamos para o pier de onde sairia nosso barco.
O passeio, de cerca de 1h, nao empolga muito, porque o trajeto que o barco faz se resume a chegar até a ponta da península de Pucón (não chega a passar para o lado da praia) e voltar pela margem mais próxima do vulcão. Como o catamarã é bem lento, não passa muito disso. A única coisa interessante acaba sendo a explicação a respeito dos lugares, da cidade e do vulcão que vai sendo passada.

Na volta, passamos na estação rodoviária para acertar o ônibus de retorno a Temuco, de onde sairia nosso avião de volta a Santiago no dia seguinte.

À noite, pagamos uns 2 reais para entrar no cassino da cidade e até nos prestamos a comprar uns 20 reais em fichinhas, mas não nos arriscamos além dos caça-níqueis. Não posso dizer que foi de todo um disperdício, porque recuperei as apostas.
Na última manhã na cidade, a quarta consecutiva de sol e tempo bom (contrariando a fama da região da Araucanía), andamos um pouco pela praia e fomos à rodoviária, pegar o ônibus e depois o avião.

21/05/2011

Esquibunda

Depois de uns 50 minutos no topo do vulcão, era hora de começar os preparativos para a descida. Já tínhamos sido avisados que boa parte desse percurso seria feita de “esquibunda”, ou seja, deslizando sentado pela neve, vulcão abaixo. A expressão, em português, foi adotada pelos guias chilenos em razão da brincadeira frequente que os brasileiros que não sabem esquiar e vão ao Chile fazem com essa forma pouco usual de descer uma montanha.

Para não ter problemas, colocamos um reforço na parte de cima das calças, envolvendo todo o traseiro. Fomos ainda orientados a amarrar as polainas bem firme, para que não entrasse neve pela abertura das calças acima dos sapatos. Além disso, fomos instruídos sobre como usar o piolet para frear quando estivéssemos indo rápido demais ou chegando muito próximo de alguém que fosse mais devagar à frente.

Em cima do vulcão, com o sol lacrado e nenhuma nuvem, fazia uns 5°C – o suficiente para as camadas mais superficiais de neve ficarem um pouco derretidas. À noite, quando o sol se põe, essa neve derretida congela e fica mais dura pela manhã, por isso a tarde é mesmo o período ideal para a descida.

Foram pouco mais de 4hs de subida até o topo e não levaria mais do que uma hora para descer. A primeira parte, deslizando pela neve, tomaria pouco mais de 20 minutos – o trecho final seria por um lado do vulcão que é coberto de um areião – diferente do trecho de pedras e solo firme que usamos para subir.

Se chegar no topo já foi uma sensação indescritível, descer daquele jeito vulcão abaixo foi ainda mais. Na hora em que percebi que estava descendo com aquela paisagem monumental à frente, com aquele lago lá embaixo, montanhas ao redor e Pucón bem pequenininha ao fundo, tive uma sensação de liberdade que acredito que seja parecida com aquela que se sente pulando de para-quedas ou voando de asa-delta.
De tanto em tanto, íamos parando para trocar a rota, desviar de algum afloramento rochoso ou simplesmente porque a neve ia se acumulando entre as pernas, forçando a pular por cima do “morrinho”.

Quando finalmente chegamos na parte em que o gelo acaba, senti que estava com os “países baixos” quase congelados. Por mais que tivesse me cuidado, havia bastante neve por dentro da roupa. A Gisele acabou levando um punhado de gelo dentro do sapato até a cidade, como descobriríamos uma hora depois, na hora de devolver o equipamento.

A parte final, pelo areião, foi um tanto cansativa, porque ali começamos a sentir novamente o peso daquelas horas de caminhada vulcão acima. Não havia tanto esforço, era só ir arrastando os pés pela areia morro abaixo, mas parecia que nunca chegávamos.

Quando finalmente todos desceram, ainda tivemos de esperar um pouco até que o veículo da agência nos buscasse e, em pouco mais de meia hora, estávamos de volta ao centro, comemorando o fato de que ninguém havia desistido no caminho e que todos tinham chegado bem e felizes ao final do passeio.

19/05/2011

Subida ao vulcão - Parte II

A parte da subida que implica em andar no gelo, de início, pareceu muito mais fácil que a primeira, na terra e nas pedras. Os joelhos não sentiam tanto e o fato de poder utilizar o piolet como apoio do lado do corpo em que o solo estava mais alto (andávamos em zigue-zague) ajudava a dar uma sensação de apoio.

De outro lado, a sensação de frio ia progressivamente aumentando e o medo de queimar o rosto por causa da claridade intensa da neve, do vento frio e do sol direto também. Acredito que tenhamos andado mais de uma hora sem parar no primeiro trecho pelo gelo, até pararmos numa das “ilhas” de rochas que não estavam cobertas pela neve.
Só quando chegamos na primeira dessas ilhas é que tivemos a oportunidade de admirar melhor o cenário que ia se abrindo às nossas costas, enquanto subíamos. O lago Villarrica, agora, ia cada vez mais parecendo uma grande poça d’água ao lado da cidadezinha de Pucón, quase invisível na paisagem verde.

Depois dessa primeira, as paradas foram se tonando mais frequentes, a cada meia hora, a princípio, e depois a cada quinze minutos. A sensação que tínhamos, quando parávamos nessas ilhas de rochas, era a de que o cone do vulcão não estava tão longe assim e que o guia estava exagerando quando falava que faltavam ainda tantas horas ou minutos para chegarmos lá.

Há um ponto em que a inclinação se torna ainda mais forte, faltando uma meia hora, e nesse momento eu, que já tinha visto a minha namorada e outros do grupo passar por momentos de maior dificuldade, pensei em desistir. O cansaço era grande e parecia que nunca chegávamos. Mas aí valeu o incentivo dela e continuei.

Em poucos minutos, chegamos à parte do topo, ao redor da cratera do vulcão. O gelo, antes branquinho, aqui era todo sujo por detritos expelidos pela cratera do vulcão.
O cheiro do ar às vezes se tornava insuportável, por causa do enxofre e outros gases expelidos. É em função da quantidade de fumaça no ar que os guias estabelecem quanto tempo podemos ficar lá em cima, e nesse dia, como tudo estava relativamente tranquilo, foi-nos dito que poderíamos andar por uns 45, 50 minutos.

A sensação de chegar lá em cima, para quem nunca escalou montanha ou nada parecido, é muito gratificante. O visual é de matar. Do ponto mais a leste ao redor da cratera, é possível enxergar vulcões na fronteira: o Quetrupillán, mais achatado, do lado chileno, e o Lanín, do lado argentino. Inesquecível.
A cratera, em si, também é surpreendente. Fomos para o lado em que o vento levava o gás para o outro lado e chegamos mais perto. Por mais que nos aproximemos, não conseguimos ver o fundo – ir mais adiante é arriscado, tanto pela possibilidade de cair lá embaixo como pela chance de alguma golfada de gás quente ser expelida.
Com certeza, não é todo dia que se vê um lugar assim e acredito que são pouquíssimos os lugares da Terra que permitem que alguém sem experiência em montanhismo faça algo tão interessante.

17/05/2011

Subida ao vulcão Villarrica

As agências de turismo de Pucón têm como principal produto comercial o “ascenso al volcán”, ou seja, a subida ao vulcão Villarrica, mas não apresentam muitas diferenças entre si. Basicamente, o critério a ser observado na escolha da agência é com relação ao equipamento que será oferecido aos que contratam o serviço – muitas vezes a falta de uma polaina, um calçado ruim para a neve ou mesmo casacos finos demais podem tornar o passeio um pesadelo.

No dia marcado para a nossa subida, um 31 de dezembro com o céu límpido e temperatura na casa dos 20°C no centro da cidade, fomos até o escritório da agência com a antecedência solicitada, por volta das 7h da manhã. Levamos apenas o recomendado: dois litros de água por pessoa, algumas barras de cereais e frutas, chocolate e roupas quentes para usar por baixo da roupa que a agência emprestaria – tudo em mochilas pequenas.

Em poucos minutos, escolhemos o nosso equipamento (é importante experimentar o tipo certo de calçado e pedir a alguém com experiência que verifique se tudo foi colocado da forma correta) e nos juntamos aos outros integrantes do grupo que faria a subida com os três guias da agência – um motorista, uma guia para ir seguindo o grupo e um para ir “puxando” na frente.

A base do vulcão fica dentro de um parque nacional, ao qual só se pode entrar em horários determinados. São cerca de 15km desde a cidade, feitos num veículo com tração nas quatro rodas e de suspensão bastante elevada. Não há muito conforto dentro dele, mas a ideia não seria essa mesmo num passeio desse tipo.

À medida que nos aproximamos do vulcão, começamos a ver a vegetação progressivamente diminuindo, até desaparecer completamente. Erupções antigas geraram rios de lava, que hoje são vistos como grandes áreas rochosas sem qualquer sinal de vida em cima. Subimos bastante em relação ao nível da cidade, acredito que algo em torno de 1000m, com o veículo. Pucón fica a apenas 220m acima do nível do mar; já o vulcão tem 2800m.


Cerca de 45 minutos depois de sairmos da agência, chegamos ao ponto máximo onde veículos conseguem chegar. Descemos, colocamos o que faltava de equipamento e começamos a ter aulinhas rápidas sobre como usar o piolet – uma espécie de equipamento de neve com uma ponta fina e outra larga, com um cabo comprido para segurar, que parece uma picareta pequena para quem olha de longe.

O guia nos explicou como seria a subida e o que fazer em caso de alguma emergência. Avisou ainda que, se alguém quisesse desistir, poderia fazê-lo até o ponto onde se inicia o gelo, cerca de uma hora de caminhada acima.

O primeiro trecho, em outros tempos, podia ser feito por um teleférico, mas quando estivemos lá, o aparelho estava desativado. Isso implicava na necessidade de subir uma hora por um trecho pedregoso – que para mim foi o mais difícil de todos.

Naquela primeira parte, confesso que já dava vontade de desistir, mas íamos dizendo a nós mesmos que pelo menos até gelo valia a pena continuar.
Quando chegamos ao final da parte de terra e pedra, paramos por uns quinze minutos para repor energias e para aprender como caminhar na neve. Em razão da inclinação forte da subida (que dispensa equipamento de alpinismo, mas vale por uma caminhada muito forte), andaríamos em zigue-zague.

O guia “determinou” que as mulheres (apenas duas no nosso grupo) andariam na frente – por um momento até pensamos que era para protegê-las de alguma forma, mas ele próprio avisou que isso era para elas não atrasarem o grupo! Não preciso dizer que conquistou certa antipatia nessa hora.

16/05/2011

Pesquisando passagens nas companhias Star Alliance para emissão com milhas

Essa dica eu só fiquei conhecendo hoje e credito integralmente o "know how" ao site Falando de Viagem (www.falandodeviagem.com.br).

Se você tem milhas no programa TAM Fidelidade (ou Multiplus Fidelidade), sabe que pode pesquisar e emitir passagens pelo próprio site da TAM quando quiser utilizar voos operados pela própria companhia ou por suas parceiras regionais (NHT, Trip e Pantanal), pagando apenas as milhas e as taxas de embarque (se quiser emitir as passagens pelo telefone, pagará uma taxa extra de R$ 30,00). Até aí tudo bem.

Agora, se você quiser emitir passagens de alguma companhia da Star Alliance com milhas do TAM Fidelidade, a única forma possível de fazer a pesquisa e a emissão das passagens é através do telefone (ou indo até uma loja física da TAM). Para isso, obviamente, passará minutos esperando um operador de telemarketing te atender, depois de pelo menos uns 8 menus diferentes até ele.

De certa forma, o usuário fica um tanto restrito, pois tem que fazer a consulta através de um terceiro, que muitas vezes demorará um bom tempo para, afinal, lhe dizer quantas milhas esse trecho vai custar. Aí é que entra a dica que aprendi hoje.

O pessoal do site Falando de Viagem descobriu que é possível fazer essa pesquisa nas companhias parceiras da Star Alliance através do mecanismos de busca do programa da All Nippon Airways (ANA) - mas, aviso desde logo, é bem chatinho de chegar até lá.

Eis um resumo dos passos necessários:

1 - Fazer um cadastro no programa de fidelidade da ANA. Vá até o site da companhia japonesa (existe uma versão em inglês baseada nos EUA) e preencha seus dados para se registrar no programa. O número de registro será informado ao final do processo de cadastramento e a senha de quatro dígitos você mesmo escolhe durante o processo.

2 - Acessar o sistema de reservas de passagens prêmio da ANA. De posse do número de fidelidade na ANA e de sua senha, faça o login no site da companhia japonesa (há uma caixinha dizendo "Welcome to ANA Sky Web"). Depois de logado, procure a opção "ANA Mileage Club" na parte de cima do site e clique. Em seguida, clique em "Using miles > For details"; depois clique em "Request International Flight Awards", um pequeno link em azul abaixo do título "International Flight Awards".

3 - Desviando da restrição a buscas nas cias. Star Alliance. Aqui é que entra a grande dica. O sistema de buscas da ANA não permite que associados sem milhas acumuladas ou com poucas milhas no seu programa façam a pesquisa nas companhias parceiras da Star Alliance. Ela só deixa como opção a busca pelos próprios voos, em "ANA International Flight Awards". O link para a pesquisa em companhias parceiras ficha inacessível, em cinza. Mesmo assim, clique na única opção disponível (ANA International Flight Awards) e deixe carregar a página de pesquisa. Sem alterar qualquer data ou número de passageiros, simplesmente jogue nos campos de pesquisa de aeroporto de origem "JFK" e no destino "NRT" e clique em "NEXT". Pronto: no final da página, como penúltima opção, você terá acesso ao sistema de busca no link "Use Star Alliance Member Airlines".

4 - Pesquisando passagens prêmio nas cias. Star Alliance. Agora, você já pode fazer as pesquisas que quiser e, ao final do processo, saberá quais são os voos disponíveis entre duas cidades, quais as quantidades de milhas necessárias por pessoa e quais os horários que podem ser emitidos. Pesquise apenas com 1 (um) passageiro, porque senão o site exigirá que você cadastre como seus dependentes mais pessoas.

De posse das informações que você conseguir nesse sistema, poderá ter certeza do que quer e se existe ou não disponibilidade e, aí, terá de encarar o 0800 da TAM para efetivar a emissão.

Eu mesmo fiz, pela primeira vez, emissão em companhia da Star Alliance com milhas da TAM na semana passada e deu tudo certo!