31/03/2008

Madrid: o domingo

Domingo sempre é um dia diferente em relação aos demais, em qualquer lugar em que se esteja. O ideal é procurar deixar para esse dia passeios ou atrações que só acontecem nele. Foi isso que procuramos fazer.

Depois da noite na Pacha, acordamos um pouco mais tarde do que no dia anterior. Na verdade, fomos acordados pela faxineira, que entrou quarto adentro dizendo que tínhamos tantos minutos para sair. Descobri, em alguns minutos, que tínhamos que trocar de quarto, deixando o de 2 pessoas para passar para um de 4 pessoas, conforme nossa reserva original. Perdemos até o café da manhã.

Saímos do albergue por volta das 10h30 e fomos direto para a estação de metrô, onde se deu aquele episódio narrado no post anterior de encontrar, por acaso, o meu amigo que estaria em Madrid no mesmo dia. Nosso objetivo era ir até um "mercado de pulgas", feirinha estilo "Brique da Redenção" que acontece na cidade todos os domingos de manhã.

O nome do mercado de rua é El Rastro. Ele começa na altura da estação La Latina do metrô e desce, pela Calle de Toledo, até a Puerta de Toledo, que é essa que aparece na foto abaixo.

O mercado se estende também para algumas ruas paralelas e perpendiculares. O movimento é bem grande (por precaução, é bom até colocar as mochilas de passeio para a frente, para evitar qualquer pickpocket). O clima é bem familiar, com pais levando filhos na garupa e de mãos dadas. Mas o volume de pessoas é tão grande que praticamente se é levado pela multidão. Melhor não perder de vista a pessoa com quem se está, para não ter que procurar muito depois.

Há de tudo para vender, desde souvenirs turísticos de 1 euro a artigos caríssimos de antiquário. Há camisetas com estampas da cidade, bugigangas eletrônicas, CDs falsificados, jogos de computador e videogame, artesanato de verdade, flores, frutas... É um bom lugar para fazer comprinhas de presentes para família ou namorada.

Como em qualquer lugar do mundo, há camelôs não legalizados (geralmente marroquinos e nigerianos) que ficam vendendo coisas pirateadas e que, a qualquer sinal de perigo (leia-se presença da polícia) recolhem tudo e saem correndo, atropelando quem está pela frente.

Mais perto da Puerta de Toledo, no final da rua de mesmo nome, há algumas galerias tipo shopping com mais lojas, quase todas abertas, mesmo sendo domingo.

Com o sol à toda e a fome pegando, decidimos comer por ali mesmo. Catamos um barzinho com estilo bem típico, daqueles em que a pessoa pede um chopp e algumas tapas para comer de pé mesmo, no balcão do bar ou em mesinhas sem assentos. Como era tudo mais simples, saiu bem baratinho. Comemos lula frita em rodelinhas, sardinhas, empanadas de queijo e uma cervejinha, para acompanhar.

Depois do almoço improvisado (isso já por volta das 14hs), voltamos mais um pouco para olhar tendinhas no mercado e dali partimos para ver como era o estádio do Atlético de Madrid, que fica umas 4 quadras da Puerta de Toledo. Não valeu a pena. Além de darmos uma pernada violenta naquele solaço de início da tarde, chegamos lá perto e vimos que o Estádio Vicente Calderón não tinha nada de especial.

Naquele final de semana, nenhum dos times de Madrid jogava em casa. Antes da viagem até tentamos descobrir se haveria como assistir algum dos jogos, seja em Madrid ou Barcelona, mas nenhuma das datas fechava. Além disso, o preço dos ingressos nem estimulava a fazer muito esforço. Como a maioria é vendida em pacotes ou só para sócios, os preços de ingressos individuais são altíssimos, geralmente uns 80 euros (os mais baratos).

Dali de perto do Vicente Calderón, tomamos mais uma vez o metrô até o Parque do Retiro, para dar uma descansada até a hora do nosso próximo programa: uma tourada, às 17hs. Demos uma sesteada debaixo de umas árvores, na grama, como muita gente faz por lá e seguimos por volta das 16hs para a Plaza de Toros de las Ventas (esse prédio em estilo árabe que aparece abaixo).

Ainda no Brasil, procuramos saber se teríamos chance de assistir a alguma tourada. Pesquisando na internet, descobrimos que, no domingo em que estaríamos em Madrid, haveria uma novillada, que é uma tourada realizada com toureiros ainda não-profissionais (há um ritual de consagração pelo qual eles têm que passar para que sejam considerados matadores profissionais) e com touros que não são os top de linha. No mais, tudo é igual a uma tourada: 6 corridas numa tarde, com todo o ritual e o final com a morte do animal.

Os preços das novilladas também são mais baixos do que nas touradas (corridas de toros). Para ter uma idéia, vale pesquisar datas, preços e condições no site de Las Ventas. O valor dos ingressos variam em função do lugar ser no sol, na sombra ou parte do tempo no sol e parte na sombra, à medida que o sol baixa. Quanto mais perto da arena, também, mais caro o ingresso. O nosso custou 14 euros, cada. Os lugares são marcados e não se pode trocar durante o espetáculo. Um sujeito encaminha as pessoas aos lugares corretos logo depois da entrada.

Não há necessidade de comprar antecipadamente. As filas não são tão grandes e há bastante lugares, já que a arena é a maior da Europa (só perde, no mundo, para uma mexicana). No próximo post, falo mais sobre como foi a experiência...

30/03/2008

Madrid: a noite

Depois de um sábado cheio de passeios, voltamos do Santiago Bernabeu para o albergue, novamente pelo metrô. Estava quase anoitecendo, mas como as coisas só acontecem na Espanha bem mais tarde do que aqui, decidimos dar uma sesteada para só depois jantar e sair à noite.

Isso, na minha opinião, é essencial para aproveitar bastante em países com hábitos mais noturnos, como Espanha, Argentina, Uruguai, etc. Depois de passear um dia inteiro, normalmente você estaria caindo de cansado para jantar e ainda sair, mas uma dormida de uma hora já é o suficiente para revigorar os ânimos.

Comemos uma pizza na pracinha próxima ao albergue, no fim da Calle Espíritu Santo e já começamos de leve na cerveja. Na noite anterior, já tínhamos visto como funciona a noite naquela região: o pessoal fica indo de bar em bar, bem à vontade, para só depois entrar em algum lugar do estilo boate.

Antes de sair, pegamos umas dicas com o pessoal que trabalhava no albergue. Foi aí que eles nos deram uma entrada grátis para a Pacha, uma das maiores boates da cidade e uma das maiores redes de boates do mundo (agora ficou mais conhecida no Brasil por causa da inauguração de uma em São Paulo). Na brincadeira, significou uma economia de 15 euros!

Bom, voltando à pizza, depois que terminamos, seguimos para os barzinhos ao longo das ruas de Malasaña. É um do lado do outro, parece praia. Muitos não cobram nada para entrar; poucos têm lugares para sentar. Alguns têm som ao vivo, mas a maioria tem música eletrônica, pop internacional ou latina, conforme a proposta do lugar. Como eu já falei em post anterior, o assédio dos funcionários de cada bar é intenso - abordam quem passa na rua oferecendo drinks grátis, ou promoções do tipo pague 2 leve 3.

A maior parte do pessoal é de estudantes locais mesmo, dos 18 aos 30 anos. Não há tanta concentração de turistas, como se vê em Barcelona, por exemplo.

Por volta das 2hs, o movimento já começa a se dispersar mais, com o pessoal indo para outros tipos de lugares, como as boates. A Pacha ficava bem pertinho do albergue, e foi para lá que fomos.

Eu já tinha lido isso antes de sair do Brasil, numa comunidade do orkut, e só obtive a confirmação na entrada da boate: para entrar em lugares assim, tem que estar usando sapato e calça. Roupa esportiva (leia-se tênis, bermudão, havaianas), coisa mais usada nos bares, é ser barrado na certa. Não adianta nem discutir com os bruta-montes da entrada.

Tem gente que diz que boate é tudo igual, em qualquer lugar do mundo, assim como shopping center. Mesmo assim, eu acho muito legal conhecer a noite em outros lugares. O clima sempre é diferente, embora as músicas que tocam nem sempre o sejam, hehehe. É impressionante como quase não há novidades por onde se vai. Coisas que tocam lá em 3 meses estão tocando aqui, e vice-versa. Hoje em dia é comum ouvir música brasileira (nem que seja um funk carioca ou "Chorando se foi") numa boate européia.

Só não dá para querer encher a cara dentro de boate. Uma cerveja long neck acaba sempre saindo, no mínimo, uns 5 euros, o que quebra qualquer um. O energético (Red Bull, Speed...), em compensação, sai mais barato do que num supermercado brasileiro (cerca de 2 euros). Água custa quase tão caro quanto cerveja, às vezes até mais (dizem as más línguas que é porque é a única coisa que se deve tomar quando se toma ecstasy, aí eles cravam a faca no preço).

Na Espanha, a noite parece em algumas coisas com o Brasil. O povo é animado, brinca e ri muito. Dá para se sentir bem em casa. Quem destoa são os grupinhos de americanos, que são vários nas boates, sempre daquele jeito meio esquisito deles. Dos ingleses, eu aprendi a não gostar depois de ter ido a Ibiza, mas isso é história para outro dia.

Bom, já que o assunto é noite, vou antecipar como foi a noite de domingo. Na manhã daquele dia, ainda meio de ressaca, encontrei incrivelmente por acaso, numa estação de metrô, o Felipe e um amigo dele, que estavam começando um mochilão pela Europa. O Felipe é um colega meu do Rio de Janeiro que tinha descoberto, por acaso, sobre a minha viagem numa comunidade do orkut, quando eu estava pedindo dicas. Conversamos por e-mail e ficamos certos de nos encontrar nos pontos da viagem em que estaríamos na mesma cidade. A coincidência foi isso ter acontecido por acaso, numa estação de metrô.

Ali mesmo combinamos de nos reencontrarmos pela noite, para fazermos alguma coisa, os 4 juntos. Mais tarde, nos ligamos e marcamos na Puerta del Sol, bem no centrão. O Felipe tinha ouvido falar que o pub crawl que partiria do albergue dele (o Cat's) valia a pena e propôs que fizéssemos. O Rafael, que já tinha participado de outros em outras viagem, incentivou a idéia e acabamos fechando.

Pub crawls, para quem não sabe, são passeios guiados por alguém, aos quais os interessados aderem de última hora. Geralmente partem de albergues ou de pontos turísticos conhecidos. Têm como objetivo reunir grupos de mochileiros para ir de bar em bar (geralmente 3 ou 4 bares, com permanência de meia hora ou uma hora em cada um), com brindes do tipo um drink de graça em cada bar, ou cerveja liberada até tal hora, sempre com entrada grátis para os bares. O final da noite, no geral, é numa boate.

No caso, o pub crawl que fizemos em Madrid era organizado por um brasileiro. Pagamos cerca de 15 euros e entramos no tour com mais umas 20 pessoas. É legal porque o pessoal acaba te levando em bares que sabem que vai dar bom naquele dia e porque, como já há um grupo, é diversão na certa. No primeiro bar, tinha cerveja liberada no balcão. Ficamos por ali cerca de uma hora.

Lá pelas tantas, lembramos que ainda não tínhamos jantado e foi aí que tive minha primeira experiência com um kebab. Kebab (ou mais especificamente döner kebab, ou kebap döner) é um lanche rápido de origem árabe, que existe quase em qualquer esquina de cidades grandes na Europa, em razão do grande número de imigrantes marroquinos, turcos, argelinos e tunisianos. Consiste, basicamente, num pão do tamanho de pão de hamburger, aberto só de um lado, com alguma salada (geralmente só alface) e um molho, na maioria das vezes à base de maionese. No meio de tudo isso, lasquinhas de churrasquinho grego. Esse churrasco é feito com um grande bloco de carne de frango ou de ovelha (com uma boa dose de gordura, cartilagem e sabe-se lá mais o quê) assado num espeto vertical giratório. Aquela carne, que parece um presuntão gigante, fica horas ali girando e à medida que eles fazem o kebab vão tirando lasquinhas da carne com uma faquinha ou outro instrumento para tirar fatias fininhas. Como custa muito pouco (geralmente uns 2 euros), acaba sendo o lanche preferido de quem quer economizar. Eu, para falar a verdade, não gostei muito, mas valeu para forrar o estômago...

Barriga cheia, voltamos para o bar e logo em seguida o grupo já saiu para o segundo e, depois, para o terceiro bar, onde só havia um drink grátis na chegada de cada um. No final da noite, fomos para uma boate num casarão histórico, cheia daqueles corredores externos típicos de palacetes árabes-espanhóis, com ambientes diferentes em cada salão. Muito legal.

Recomendo a todo mundo fazer um desses pub crawls na cidade em que estiver. Já fiz em Barcelona, Berlin, Amsterdam, entre outros, e nunca me arrependi.

29/03/2008

Madrid: o Prado, o Retiro e o Real

Nosso segundo dia em Madrid, após a primeira noite no albergue, foi intenso. Acordamos cedo, por volta das 7hs, para tomar café da manhã e em seguida já estávamos na rua. O sábado amanheceu bonito e não tão quente quanto o dia anterior.

O objetivo era iniciar o dia conhecendo pelo menos museus mais famosos da cidade - o Prado ou o Reina Sofía. Antes, porém, aproveitamos para ir direto até a estação de Atocha descobrir como funcionava o esquema dos trens para ir até Toledo, dois dias depois. Tranqüilizados em saber que não era muito difícil e que havia trens partindo quase de hora em hora, deixamos para comprar as passagens no dia em que decidíssemos fazer aquele passeio.

Os muses do Prado e Reina Sofía ficam a poucos metros de Atocha. Preferimos ir visitar o Museo del Prado, mais tradicional e famoso do que o outro. Passamos pelo Jardim Botânico que há ao lado e chegamos minutos antes de serem abertas as portas.

Há duas entradas para o museu: uma para o acervo permanente e outra para as exposições temporárias. Naquele dia, havia uma grande exposição de Picasso, que, pela novidade, gerou uma gigantesca fila para a entrada. Como o nosso interesse era ver as obras mais antigas mesmo, compramos um ticket para o acervo permanente e, em alguns minutinhos, já estávamos lá dentro.

No Prado, é muito bom olhar as obras. Pouquíssimas têm proteção especial; pode-se quase tocar nelas, olhar bem de pertinho. Como não havia tanto movimento (o pessoal se concentrou mais na exposição temporária), pudemos olhar com calma o que nos interessava. É permitido tirar fotos dos quadros (coisa que o Louvre não deixa), desde que não se use flash.

À medida que eu passava e olhava, vinha à minha cabeça a lembrança de ilustrações que já tinha visto numa Bíblia que minha mãe sempre teve no quarto, de enciclopédias e outros livros. Os quadros de arte sagrada são os mais conhecidos do acervo. Há ainda outros, como o "Las Meninas", de Velásquez, "O cambista e sua esposa", de Van Reymerswaele, e o auto-retrato de Durero.

Ficamos umas 3 horas andando lá por dentro. Depois, saímos para fora e nos sentamos nos jardins ao redor do prédio para descansar um pouco e tomar água.

Já era perto do meio-dia e decidimos ir para o Parque do Retiro, ou Jardines del Buen Retiro, a apenas algumas quadras do museu.

O parque é muito grande. Quando se vê um mapa de Madrid, se percebe isso. Guardadas as devidas proporções, é o Central Park da cidade. Entramos pela parte que aparece na foto acima e logo nos demos de cara com o Palacio de Cristal, tipo uma estufa (parecida com a de Curitiba) que fica ao lado de um lago com um chafariz no meio. Um belo lugar para uma foto. Há outros palacetes escondidos ao longo do parque. À medida que caminhávamos, íamos encontrando um ou outro.

Como era sábado, estava cheio de gente patinando, pais levando os filhos para passear, babás conduzindo carrinhos de bebê - uma sensação muito boa ver esse clima de calmaria numa cidade grande.

Em frente ao maior lago do parque, onde fica o Monumento a Afonso XII, paramos um pouco para um lanchinho.

Depois de aproveitar mais um pouco aquele lugar, saímos pela parte mais ao norte, em frente à Puerta de Alcalá, um dos cartões postais mais conhecidos da cidade. Como muitas cidades européias, Madrid era toda cercada por muralhas na Idade Média. As portas era justamente os pontos de passagem pelas muralhas. Depois que as cidades cresceram a ponto de ultrapassar as muralhas, foram matidos os portões em praças ou rótulas, como é o caso da de Alcalá.

É um pouco difícil chegar num ponto bom para tirar fotos dessa Puerta, porque as avenidas que a circundam são bem movimentadas e não há faixas de segurança para chegar lá no meio (talvez seja justamente para NÃO chegar lá!), mas isso não nos impediu de chegar bem pertinho. A foto abaixo mostra o Edifício Metropolis, outro cartão-postal, visto pelo arco central da Puerta de Alcalá.

Depois da Puerta, descemos pela Calle de Alcalá até a Plaza de las Cibeles, onde fica o Palacio de las Comunicaciones, uma bela construção também.

Com a fome apertando, já por volta das 14hs, decidimos encontrar algum lugar para almoçar. Na Europa em geral, é muito fácil escolher restaurantes, porque todos deixam uma placa do lado de fora com o cardápio principal e, o mais importante, os preços. Assim, não se cria aquele constrangimento de entrar e ter que sair porque não tinha nada de que se gosta ou porque era caro demais. Escolhemos um restaurante que tinha um "menu completo", tipo um buffet livre, mas de uma servida só. Incluía sopa, pão, dezenas de pratos quentes e sobremesa. A bebida era por fora. Foi uma ótima escolha, tudo por cerca de 10 euros.

De barriga cheia, continuamos caminhando por aquela mesma avenida, até a estação Sevilla, passando por prédios conhecidos da cidade, como o Metropolis.

Tomamos um metrô até a Plaza Colón, onde fica o monumento que aparece na foto abaixo, em homenagem ao maior navegador espanhol de todos os tempos.

A algumas quadras dali, fica também a mais importante Corte de Justiça do país e a sede do Congresso Nacional deles. Fomos até lá e voltamos para a estação para pegar o metrô com destino ao Estádio do Real Madrid.


O Santiago Bernabéu, sede do Real, como a maioria dos grandes estádios, tem horários de visitação definidos, com acompanhamento obrigatório de guias e entrada incluída para o museu de troféus e fotos - sempre com uma lojinha de produtos oficiais ao final do passeio.

O passeio começa justamente pelo campo. O estádio é muito impressionante. Mais bonito do que vários outros que conheci em outras cidades européias. Ele começou com o anel de arquibancadas mais baixo por volta da década de 1920, e a cada 20 anos, mais ou menos, foram construindo mais um anel. Hoje, é um dos que tem arquibancadas mais altas. O campo, além disso, foi rebaixado para um nível mais baixo do que o solo ao redor do estádio.

As casamatas são muito confortáveis, com bancos de couro azul. Todas as arquibancadas também têm banquinhos.

Passa-se pelos vestiários e pelos corredores internos do estádio - e tudo é de cair o queixo. Quem está acostumado com estádios no Brasil, geralmente meio detonados, sujos e em parte depredados, fica com inveja. Tudo limpinho, sem aquelas grades horrendas, com rampas de fácil acesso, muito legal mesmo.

O time, conhecido pelos espanhóis simplesmente como "Madrid", e não como "Real" como nós costumamos dizer, é admirado até por torcedores de outros times nacionais. No passio, vimos gente com camiseta do Valencia, do Mallorca e outros times tirando fotos bem felizes lá dentro do estádio.

Na parte do museu, o guia faz questão de destacar que o time é considerado o mais vitorioso de toda a história, segundo a própria FIFA. O número de troféus impressiona. Havia grandes painéis de fotos dedicadas ao Ronaldo, em vários pontos (ele ainda jogva lá quando fomos).

O destaque principal é dado para as copas da UEFA e da Champions. Os mundiais vencidos ficam num segundo plano de importância.

A lojinha é bem completa e os preços são um pouquinho menores do que em outros lugares que também vendem produtos oficiais. Para colocar nome de jogador nas costas da camiseta comprada, leva uns 40 minutos, em média.

28/03/2008

Madrid: a língua


Ao contrário do que alguns ainda pensam, não se fala só espanhol na Espanha.

O país, como quase todos da Europa, foi formado através da reunião de vários reinados, principados, ducados e condados menores, com características, língua e cultura próprias. Por alguma questão histórica, um povo se sobrepôs sobre os demais na formação desse Estado e acabou impondo a sua língua como o idioma nacional, através das escolas, do serviço militar, dos funcionários públicos, das leis e, mais recentemente, da cultura de massa, da TV, etc.

O que conhecemos como “espanhol”, na verdade, é o castelhano, língua da região de Castilla La Mancha e Castilla y León, que circundam Madrid. Essa é que, de fato, tornou-se a mais falada e, inclusive, foi exportada para as colônias espanholas na América Latina e no resto do mundo.

Além do castelhano, entretanto, há outras 3 línguas com presença muito forte no país, consideradas também como línguas oficiais onde são usadas: o catalão (falado na Catalunha, onde fica Barcelona, bem como partes de Valencia, Ilhas Baleares, etc), o basco (falado principalmente no País Basco, onde ficam Bilbao e San Sebastián) e o galego (falado na Galícia, ao norte de Portugal, onde fica Santiago de Compostela e La Coruña).

Ainda existem algumas línguas menos conhecidas, faladas praticamente só entre moradores locais, como o aragonês, asturiano, occitano, extremeño, etc.

O castellano falado em Madrid soa bem diferente daquele falado no México ou na Venezuela, e mais ainda da Argentina. É mais lento do que o sotaque argentino, mas mais rápido do que o mexicano ou o boliviano. Para quem não sabe nada em espanhol, é mais fácil de entender do que o falado na Argentina, no Chile ou no Paraguai, desde que se preste atenção.

A característica principal desse sotaque é o som dos “s”, do “z” e do “c”. Palavras que, em português, seriam escritas com “ç”, em espanhol são escritas geralmente com “z” e, na Espanha, pronunciadas com a língua passando entre os dentes. Assim, “chouriço” é escrito como “chorizo” e pronunciado “tchorisssso”, com o “s” soando como se a pessoa falasse errado (aqui no Brasil mandariam a pessoa para o fonoaudiólogo). A mesma coisa acontece com o “c” nas sílabas “ce” e “ci”. Já nas palavras com “s”, o som sai meio chiado, mas de um jeito diferente daquele dos cariocas. Perceba como um espanhol fala “Gracias” e você entenderá o que eu estou tentando dizer.

Outra coisa curiosa é o uso do verbo “coger”. Na Argentina, ele é super ofensivo. Equivale a “foder”, num sentido ainda mais chulo. Na Espanha, entretanto, “coger” é usado a toda hora e significa simplesmente “tomar” ou “pegar”. Quando você pedir uma informação, certamente lhe dirão para “coger” a rua (calle) tal e depois a rua tal.

Você também ouvirá muito a expressão “bale!”, que equivale a “ok” ou “vamos lá”.

O pronome usado para a segunda pessoa do singular (tu) é o “tu”, e não “usted” ou “vos” (esse último usado na Argentina, Paraguai e no Uruguai).

Relativamente poucas pessoas falam inglês, se comparado com países mais do norte. Basicamente só se usa essa língua para conversar com outros mochileiros e turistas.

Para quem nunca viajou a um país que fale outra língua, é um bom lugar para começar, já que as pessoas geralmente são muito atenciosas e não há maiores dificuldades com relação ao idioma (a não ser na hora do cardápio, quando até quem estuda espanhol fica boiando).

27/03/2008

Madrid: o centro

Depois de tomar um banho e dar uma esticadinha nas pernas por alguns minutos, no albergue, passamos a mão na mochila de passeio e saímos para conhecer o centro de Madrid.

Pegamos o metrô até a estação da Porta do Sol, considerada o centro do país. O lugar estava meio em obras e não pudemos ver muita coisa por ali. Na pracinha que há no meio, fica o “marco zero” das rodovias espanholas. A foto abaixo peguei no Panoramio: mostra um urso tentando alcançar um madroño com a boca – é o símbolo da cidade e também fica nesse lugar.


A cerca de umas duas quadras dali fica a Plaza Mayor, um dos pontos mais conhecidos da cidade. É uma praça retangular totalmente cercada por prédios históricos, sem qualquer árvore ou área verde, realmente muito bonita.

O centro de Madrid mostra muito da influência árabe no país. A Espanha só conseguiu expulsar os muçulmanos no século XV, mas as centenas de anos que eles passaram por lá não ficaram em branco.


Da Plaza Mayor, fomos caminhando meio que em zigue-zague pelas quadras até o Palácio Real. No caminho, várias igrejas (não lembro o nome de todas) e prédios históricos, muitos com cafés na parte de baixo.


Em frente ao Palácio Real fica a Catedral de Nuestra Señora de la Almudena, que na sua origem foi uma mesquita, mas que acabou transformada em templo católico. Por dentro, é relativamente simples e aparenta ser mais moderna do que muitas outras.


Depois de algumas fotos nos portões do palácio, entramos para fazer o passeio pelas partes de dentro. Não precisa de guia e há fones com áudio para escutar sobre o significado de cada sala. Como foi o primeiro palácio que vi na vida de perto, fiquei bem impressionado. Leva cerca de uma hora para ver tudo, sem parar muito. O lugar, muito luxuoso, é usado pelo Rei Juan Carlos mais em ocasiões especiais do que no dia-a-dia.

Depois do palácio e da catedral, paramos num café ali perto para tomar um chopp e descansar um pouco. Fazia bastante calor e o sol ainda estava bem alto, mesmo sendo quase 20hs. Conversando com o dono do bar, descobrimos que aquela era a hora do rush na Espanha. O pessoal trabalha, normalmente, das 10hs às 14hs e das 16hs às 20hs, saindo para jantar lá pelas 23hs, indo para bares à meia-noite e só entrando em boates por volta das 3hs da manhã!!!

Depois do choppinho, descemos a avenida que há ao lado do Palácio para chegar até o Campo del Moro, um grande parque de jardins ao lado do mesmo palácio, numa parte bem mais baixa.

A visão de lá é muito legal (foto acima); subir de volta, pelo outro lado, é que foi o problema. Demos uma pernada para chegar até uma parte mais alta, de onde se vê a Catedral e o Palácio (foto abaixo), e onde fica o Templo de Debod, uma espécie de réplica de templos egípcios, que não vale muito a pena ver, na minha opinião.

A alguns metros dali, fica a Plaza España, onde está o famoso monumento a Cervantes, com as estátuas do Don Quijote e de Sancho Panza.


Já estava escurecendo (cerca de 22h) quando tomamos o metrô de volta para o albergue.


Catamos um lugar para comer, logo depois de tomar uma ducha e trocar de roupa. Já no primeiro dia, jantamos a coisa que mais comemos na Espanha: frutos do mar. Lulas, camarões, mexilhões e otras cositas más saem relativamente em conta se a intenção é comer algo que não seja fast food. Tudo com muito, muito azeite de oliva!


Naquela noite, já deu para sentir bem como era o clima dos barzinhos na região em que fica o albergue (Malasaña). É um estilo meio “Cidade Baixa”, para quem conhece Porto Alegre. Cheio de gente vestida bem informalmente na rua, muitas com trânsito interrompido, entrando e saindo de barzinhos pequenos que têm entrada grátis e que ficam chamando possíveis clientes com a oferta de “chupitos grátis” (não é nada do que está pensando; são só uns shots ou drinks pequenos!).

26/03/2008

Madrid: o albergue

Sair de uma estação de metrô numa cidade completamente desconhecida é sempre uma experiência surpreendente. Como as estações quase sempre ficam em áreas movimentadas, é inevitável o impacto de, saindo do subterrâneo, dar de cara com um lugar com um estilo todo próprio, nunca visto por você antes, cheio de gente, placas de trânsito, prédios históricos.

Em Madrid não foi diferente. Saímos na estação Tribunal e a primeira sensação era de estar meio perdido. Por mais que se saiba no mapa onde se está, leva alguns minutos até perceber que direção tomar para chegar ao destino desejado.

Conseguimos identificar as placas da rua por onde teríamos que seguir até o albergue e iniciamos a caminhada.

Tínhamos reservas pagas no Pop Hostel, que fica na Calle Espíritu Santo, no bairro de Malasaña. Para chegar até, saímos da avenida relativamente movimentada ao lado da estação e nos enveredamos por ruazinhas nas quais só passavam carros pequenos, de vez em quando. Calçadas estreitas, ruas pequeninas, rodeadas por casarões emendados uns nos outros, de no máximo 6 andares, com sacadas sobre a calçada.

Paramos num mercadinho para perguntar se estávamos no caminho certo, mas o chinês dono do estabelecimento sequer sabia falar espanhol direito. Perguntamos a mais alguém na rua e achamos a Espíritu Santo.

Para nossa surpresa, a numeração das ruas é bem diferente daqui. No Brasil, anda-se mais de 100 números numa mesma quadra, numa relação, mais ou menos, de 1 número por metro. Uma casa na Rua João da Silva, 54, por exemplo, teoricamente, fica a 54m do início da rua. Lá não. Cada prédio tem um número seqüencial. Para chegar ao número 18, por exemplo, passam-se 17 prédios.

Ficamos até meio agoniados em nunca chegar o prédio do albergue, por mais que andássemos. Quando chegamos, acabamos passando sem perceber.

O Pop fica num prédio que também tem apartamentos e até outras salas comerciais. Ocupa o 1º andar, acima do térreo. Só uma plaquinha ao lado do interfone identificava que aquele era o lugar. Tocamos e nos atenderam imediatamente.

Subimos e fizemos o check in. Logo em seguida, apareceu um brasileiro que trabalhava ali. O sujeito que nos atendeu era venezuelano ou equatoriano, não lembro.

Nossas reservas eram para 2 camas num dormitório de 4 pessoas, mas disseram que houve algum problema lá e que ficaríamos só nós 2 num quarto para 2.

O quarto era minúsculo, mas bem limpinho. Para a nossa surpresa, tinha até TV e banheiro privativo. As camas eram em beliche e o espaço ao lado delas não era muito mais do que o necessário para deixar as mochilas no chão e para uma mesinha onde ficava um ventilador.

O box do banheiro era tão pequeno que não dava para dobrar os joelhos para limpar os pés. Até tirei uma foto, de tão engraçado que era. Pelo menos tinha, ao invés daquelas cortininhas! Para sentar no vaso, tinha-se que fazer um malabarismo por trás da pia. Dava para fazer o que tinha que fazer no vaso e ao mesmo tempo lavar as mãos ou escovar os dentes, hehehe.


O pessoal do albergue se revelou muito parceria. No dia seguinte, até conseguiram umas entradas para a Pacha, uma das maiores boates da cidades (filial da de Ibiza), o que significou uma economia de 15 euros. Havia pelo menos 2 brasileiros trabalhando.

O café da manhã é que ficou a desejar. Basicamente, era só um pão de sanduíche e umas coisas para passar em cima, além de café, chocolate em pó e leite. O sistema era daqueles usou-lavou. Nada contra, o problema é que se pagou por aquilo (creio que uns 5 euros).

O hotel é bem recomendado por quem pára lá, principalmente pela galera que o freqüenta. Há uma interação nas áreas comuns, mas o espaço é meio pequeno. Dá também uma sensação de lugar fechado demais, por ser apenas um andar de um prédio maior.

No terceiro dia, tivemos que ir para o dormitório de 4 pessoas, junto com um cara de Taiwan e um catalão. Descobrimos que tínhamos que sair quando uma faxineira entrou porta adentro, nos acordando e dizendo que tínhamos que sair imediatamente. Só indo na portaria entendi o que estava ocorrendo.

Se fosse voltar a Madrid hoje, tentaria o Cat’s. Esse albergue é muito bem comentado nos guias; dá a entender, pelo site, que é um dos melhores da Europa e, quando eu estava em Madrid, foi o lugar onde um amigo meu do Rio de Janeiro estava hospedado. O Felipe (o carioca) falou muito bem do lugar; isso que já tinha feito outro mochilão e realmente recomendou.

Tanto o Pop como o Cat’s estão no Google Earth, bastando ativar a opção de aparecer os lugares de hospedagem. O Pop aparece errado, como “Top” no Google Earth, mas é ele mesmo. O Pop fica em Malasaña, próximo à estação Tribunal (linha azul escura), perto de lugares bons para sair à noite (a 2 quadras da Pacha, de vários barzinhos e de uma praça cheia de restaurantes e bares). O Cat’s fica no Centro, perto da estação Antón Martín (linha azul clara), também com muitas opções noturnas por perto.

25/03/2008

Madrid: o metrô

Madrid é um dos lugares mais fáceis de se deslocar usando o transporte público, na minha opinião. E, por transporte público, entenda-se metrô.

A rede de metrô é bem ampla, com 12 linhas, muitas estações, a maioria a poucas quadras uma da outra. Os túneis das conexões são bem menores que na maioria das cidades européias, o que significa menos tempo andando naqueles subterrâneos.

Como eu já disse antes, quase tudo é bem moderno e, sobretudo, limpo. O sistema utilizado é igual ao de Buenos Aires, com linhas simples (só um trem por linha), com catracas de acesso. Muito fácil.

As informações mais detalhadas e os mapas podem ser conseguidos direto no site do Metro de Madrid e, em quase todas as estações, nos pontos de informação.

Para mochileiros em Madrid, a dica é comprar um abono turístico. Trata-se de um bilhete de uso ilimitado em toda a rede de metrô da cidade, por um preço bem menor do que se você comprasse bilhetes simples para cada viagem que faz.

Há várias opções de abono turístico. Em primeiro lugar, você deve decidir se quer para a Zona A ou para a Zona T. Zona A é toda a cidade de Madrid, Zona T é toda a "Comunidad de Madrid", ou seja, a região metropolitana. Sinceramente, acho que não o que ver na região metropolitana. Basta pegar um de Zona A.

Em segundo lugar, os abonos variam conforme os dias. Há bilhetes de 1, 2, 3, 5 e 7 dias. Hoje, para a Zona A, os preços são respectivamente 4,00; 7,20; 9,60; 15,00 e 20,80 euros para adultos.

Nós compramos o abono de 3 dias para a Zona A e foi uma ótima escolha.
O ponto positivo de usar um abono desses, além da economia, é que você não pensa duas vezes em usar o metrô quando precisa. Além disso, acaba economizando tempo.

Como o aeroporto tem estação de metrô e fica na Zona A, não se paga nada a mais para chegar lá, ao contrário da maioria das cidades. Não importa onde você esteja hospedado, terá que pegar a linha 8 para sair do aeroporto. A maioria dos albergues mais conhecidos exigirão uma troca de trem na estação Nuevos Ministerios. Se você já andou pelo menos uma vez de metrô, não encontrará dificuldade alguma: basta ver o sentido do trem que você precisa pegar e saltar na estação certa.

Em Madrid, os trens metropolitanos de superfície se chamam cercanías. Em algumas estações, como a Nuevos Ministerios e a Atocha, há cercanías. O bilhete Zona A não vale nesse sistema, utilizado para quem mora nas cidades ao redor da capital.


Madrid: de Barajas ao centro

Quando o avião começou a sobrevoar a Espanha, tivemos a impressão de que estávamos chegando num deserto. Não se vê um só rio, uma floresta verdejante, nada. Só rochas escuras, solo arenoso e alguns arbustos. Mais perto de Madrid, começam a aparecer modernas e movimentadas auto-estradas, mas a paisagem não muda muito.

O friozinho na barriga foi aumentanto. Começaríamos de vez nosso mochilão. Aterrissamos por volta das 14h no aeroporto de Barajas (sigla MAD), famoso aqui no Brasil pelos recentes problemas com brasileiros na imigração. A saída do vôo foi muito tranqüila, parecia que o aeroporto, muito mais moderno que o de Malpensa, estava quase vazio.

Pegamos nossas mochilas (dá um alívio ver que elas chegaram inteirinhas de São Paulo até ali!) e começamos a procurar com os olhos onde teríamos que passar para colocar algum carimbo no passaporte.

Todas aquelas dicas a respeito de Espaço Schengen eu só aprendi depois dessa viagem. Até então eu sabia que não havia controle de fronteiras entre um país e outro, mas não imaginava que isso se aplicava a aeroportos e não acreditava que aquele carimbinho dado em Milão já era o suficiente.

Pois bem. Com as mochilas nas costas, passamos pela Aduana que, ao estilo brasileiro, só tinha duas portas, uma de "nada a declarar" e outra para bagagem vinda de fora da UE. Passamos e demos de cara com a porta de saída, inclusive com táxis esperando passageiros.

Chegamos perto da porta e, por medo, voltamos. Perguntamos para um funcionário onde era o controle policial. Ele nos indicou um segundo andar, onde se chegava por uma escada quase escondida. Lá, havia uma funcionária da segurança que disse que não precisávamos fazer nada ali. Voltamos para o saguão e encontramos um policial. Mostramos a ele nossos passaportes e perguntamos se havia algo a fazer ainda. Ele só deu uma olhada e disse "Ahora tienen que aprovechar España!". Explicou que já estávamos dentro e que era só isso mesmo.

Em seguida, começamos um ritual que aprendi com o Rafael e que acabaria sempre repetindo nas próximas viagens: procuramos um centro de informações turísticas e pegamos todo o material gratuito disponível (guias, propagandas de passeios, mapas da cidade e do país).

Já tínhamos lido no Lonely Planet e nos vouchers da reserva do albergue que, para ir de forma econômica de Barajas ao centro, bastava tomar um metrô. Começamos a seguir as placas que indicavam onde estava a estação de metrô dentro do aeroporto.

Depois de quase 10 minutos andando por corredores intermináveis, chegamos na estação do metrô e paramos, antes, no centro de informações do transporte público.

Uma moça muito simpática nos atendeu e explicou as possibilidades mais em conta para turistas. Acabamos comprando um abono turístico de 3 dias livres no metrô por cerca de 9 euros é logo seguimos para a estação propriamente dita.

O lugar é muito bonito, todo moderno, limpo. Já havia um trem parado esperando para sair. No nosso caso, bastava tomar a linha 8 do início ao fim (Aeropuerto - Nuevos Ministerios) e lá, na estação Nuevos Ministerios, pegar a linha 10, sentido Puerta del Sur, até a estação Tribunal.

O trajeto levou cerca de meia hora. Os trens são também bem modernos, limpos, com avisos sonoros e visuais fáceis de compreender. Não tem como se perder. O que estranhamos foi ver mais gente falando árabe (uns caras com jeito de marroquinos) do que espanhol...

DICA: quando chegar num lugar, sempre é bom procurar as informações turísticas. Entretanto, cuide para não se confundir e acabar numa fila esperando para ser atendido pelo centro de informações do transporte público. Uma coisa são informações turísticas (mapas, guias, folhetos); outra são as informações de transportes (explicações sobre os metrôs, sobre trens, venda de passagens, reservar de trens de longa distância). Os funcionários geralmente ficam p... da cara com quem confunde e geralmente só se perde tempo, pois normalmente há filas apenas nas informações de transporte. Ambos são indicados por símbolo tipo "i" ou "info", mas tente descobrir antes qual é qual.

24/03/2008

O vôo e a chegada na Europa

Embarcamos na hora marcada. A primeira impressão do avião foi muito boa. Espaçoso nos corredores, música ambiente legal, funcionários atenciosos... Comparando com um vôo que tinha feito pela TAP meses antes, o Rafael achou aquele bem melhor, especialmente com relação às poltronas.
À medida que o pessoal foi entrando, percebemos que sairíamos com o vôo lotado. Tínhamos escolhido uma janela e a cadeira ao lado, mas a do corredor acabou sendo ocupada por um boliviano que nunca levantava para fazer nada, obrigando-nos a acordá-lo e a pedir licença todas as vezes que quisemos sair.
Apesar da exatidão do horário do embarque, logo em seguida o comandante avisou que a autorização para decolagem só sairia em meia hora, pois havia 10 aviões na nossa frente para usar a pista. Motivo: congestionamento na área de controle de Brasília (ouviríamos muito isso meses mais tarde).
Após a decolagem, liberaram o sistema de entretenimento (telas individuais com programação de filmes, animações, músicas e séries que podiam ser iniciados a qualquer momento - ou seja, não era daqueles que se tem que pegar "o bonde andando"). Cerca de 2hs depois, para a nossa surpresa, serviram a janta (deviam ser 18hs no Brasil), que se revelaria a única refeição do vôo inteiro, mesmo com 12hs de duração!!!
A opção pela Alitalia foi feita em função do parcelamento do preço da passagem, da tarifa em si, que não era tão alta, e da facilidade de retornar por Milão. Na época, a Iberia tinha os preços mais em conta, mas as greves que estouraram no período nos fizeram excluí-la das opções. Além disso, ainda havia a promessa de que milhas da Alitalia poderiam ser usadas no Smiles da Varig (então já quebrada).
Apesar da primeira impressão, o vôo não foi das melhores experiências. Como eu disse, serviram uma janta 2hs depois da decolagem e mais nada. Os funcionários simplesmente desapareceram lá atrás, causando a revolta de muitos no meio da noite que procuravam alguém para pedir algo. A temperatura ambiente também ficou muito alta, causando desconforto e até mesmo suador. Cheguei a ter que trocar de camiseta no banheiro, colocando uma mais leve.
Eu praticamente não consegui pregar o olho; só dei umas cochiladas. O Rafael, mais acostumado e todo equipado com uma pescoceira e aquelas coisinhas de fechar os olhos, até que dormiu. Depois que cansei de olhar filmes, comecei a dar umas caminhadas pelos corredores, assim como muita gente faz para não inchar as pernas.
Aquele mapinha que fica mostrando em que ponto do trajeto o avião está só fazia aumentar a expectativa. Quando o sol começou a nascer, quem abria a janelinha era repreendido pelas aeromoças, que finalmente reapareceram das sombras. Não tem nada para ver e atrapalha os que estão dormindo, diziam elas.
Quando finalmente começamos a sobrevoar o continente (e aí tinha o que ver) comecei a acompanhar pela janela. Chegamos no aeroporto de Malpensa, sigla MXP, a 54km de Milão, com uma chuva fininha e mais de 20ºC de calor. Era cerca de 8hs no horário local (GMT+1).
Confesso que estava que nem criança, feliz por ter finalmente chegado à Europa.
A descida do avião foi por escadinha e em seguida, estávamos num túnel onde pessoas de outros vôos se misturaram a nós. Possivelmente era de algum país árabe, pelas vestimentas das mulheres.
Tudo foi muito rápido, nem sabíamos exatamente o que estávamos fazendo. Uma pequena fila se formou e, ao fundo, enxergavam-se os famosos guichês com as inscrições "Comunitários" e "Extra-Comunitários", mas percebemos que as pessoas eram atendidas indistintamente num e no outro.
Até então, achávamos que só faríamos a imigração na Espanha, mas tudo aconteceu bem ali, sem que nem nos déssemos conta. Passamos os dois pelo mesmo guichê, entreguei os dois passaportes com as passagens junto e o sujeito só carimbou em algum lugar que nem vi onde foi e mandou passar.
Pronto. Já estávamos na Europa oficialmente e nem tínhamos nos dado conta. Abrimos os passaportes e descobrimos um carimbinho fraquinho, lá na página do meio do passaporte, com o símbolo "i" de Itália, entre as estrelas da União Européia, um aviãozinho, o nome "Malpensa" e a data de entrada. Sem perguntas, registros no computador ou qualquer verificação. Se tivesse matado alguém no Brasil, teria chegado lá sem problemas.
Chegamos a achar que aquilo fosse só um "visto de passagem", para passageiros em trânsito com destino a outros países.
Na parte seguinte, fomos seguindo o fluxo e chegamos um salão de verificação de bagagem de mão por raio-x e detector de metais. Ali a coisa ficou um pouco mais tumultuada, dado o volume de gente e a atrapalhação do pessoal. Não adianta: a sensibilidade dos equipamentos em todos os aeroportos é tão alta que o melhor é adiantar o serviço e ir tirando cinto, relógio, celular, colocando tudo na bagagem de mão que você vai passar pelo raio-x.
Já na área de embarque, tivemos algum tempo para ficar olhando lojinhas e para comprar refrigerante. O calor era muito grande lá dentro. O aeroporto de Malpensa passa a impressão de um lugar meio velho, estilo anos 70, e a sensação de abafamento de todas as salas só piorava.
Tivemos algum tempo também para sentar próximo aos portões de embarque e ficar esperando por ali. Perto da hora de saída do vôo de conexão para Madrid, nos deslocamos aos portões de embarque e lá, sim, estava uma muvuca. Não se distinguia fila nem destino, era uma misturança só.
Nunca imaginei ver tanta gente diferente falando tanta língua diferente ao mesmo tempo, num mesmo lugar. Essa foi a primeira impressão que tive da Europa: multicultural, cosmopolita. Para mim, aquilo ali já valia muita coisa, uma sensação muito boa. Eu só ficava tentando adivinhar que língua estavam falando e confirmava lendo o passaporte que seguravam nas mãos. Romenos, gregos, egípcios, italianos, franceses, venezuelanos, japoneses, todos misturados esperando chamarem o seu vôo. Para mim, foi a primeira vez que vi essa mescla.
Quando nos chamaram, passamos para o lado de fora e embarcamos num onibuzinho de transfer. O veículo andou o pátio inteiro do aeroporto, até que depois de uns 10 minutos chegou no avião mais teco-teco que havia, num cantinho escondido. Era o nosso avião da Alitalia até Madrid, um McDonnel Douglas de, no mínimo, 20 anos.
Entramos e o calor estava insuportável. O ar não dava muito vencimento, só fazia vento. Começou a encher de gregos ao nosso lado, falando bem alto aquele idioma incompreensível. Dali a pouco, o aviso: outro vôo cujos passageiros fariam conexão com este estava atrasado e, por isso, retardaríamos a saída. Sequer disseram quanto.
Acabou sendo de uma hora o atraso, mas foi engraçado. Chegando, a novidade nos manteve ocupados.
Na decolagem de Malpensa, uma imagem muito legal: os Alpes suíços ao fundo, o Lago di Orta no meio e cidadezinhas de Piemonte ao redor:

23/03/2008

A partida


Programamos nossas férias para começar no dia 11 de setembro de 2006, uma segunda-feira, justamente para emendá-las com o “feriadão” que se iniciava no dia 7 de setembro, na quinta-feira anterior. O final das minhas férias de 30 dias, da mesma forma, poderia ser emendado com o feriadão de 12 de outubro.

O vôo partiria na manhã do próprio dia 7, de Porto Alegre, com conexão em Guarulhos. Em razão disso, tínhamos que ir de Santa Maria para a capital ainda na quarta-feira, no final da tarde.

Já de posse de todas as passagens aéreas, reservas pagas de albergues para os dias em que viajaríamos juntos e do seguro-saúde, foi só fechar a mochila e começar a viagem. Como o Rafael deixaria o carro em Porto Alegre, fui de carona com ele até lá, numa viagem tranqüila. Dias antes, já tinha combinado com um amigo que mora no Centro de ficar na casa dele até a manhã seguinte; o Rafael ficaria nuns parentes.

Foi difícil dormir naquela noite. A expectativa era grande. O medo de ter esquecido alguma coisa importante me fez conferir o check list das coisas que tinha de levar pelo menos umas 4 vezes. Documentação em dia, tudo guardadinho na mochila, roupa com a qual viajaria no avião à mão... Algumas poucas horas de sono depois amanheceu e, na hora marcada, os parentes do Rafael, junto com ele, já estavam lá embaixo para junto me levar ao aeroporto.

Ainda faltavam uns 20 dias para o acidente da Gol na Amazônia, por isso nem se falava em caos aéreo. O movimento estava bem tranqüilo para um início de feriadão e o check in foi rápido. Aproveitamos o tempo que faltava para o embarque para reforçar o café da manhã e para comprar alguma coisa para ler na viagem.

Sem nenhum atraso, o vôo da TAM partiu para Congonhas, onde chegamos por volta das 10h10 da manhã. Por um grande descuido nosso, não acertamos o vôo de conexão para que fosse direto a Guarulhos, por isso tivemos que fazer aquele traslado chato entre os aeroportos de São Paulo.

Saguão de Congonhas lotado, fomos perguntando e conseguimos encontrar o ponto de embarque no ônibus da TAM que leva a Guarulhos de graça, se você já tem passagem comprada para fazer a conexão. Fica bem à direita, no lado de fora do aeroporto. Chegando lá, não tem como não ver a fila monstra de gente que vai se formando. Corremos para garantir nosso lugar entre os 40 e poucos que conseguiriam ir na primeira leva.

A espera foi de mais de meia hora. Saímos de Congonhas por volta das 11hs, mas conseguimos embarcar no primeiro ônibus e garantir lugares tranqüilos para até dar uma cochiladinha no trajeto de cerca de 1 hora até Guarulhos.

Era meio-dia e pouco quando chegamos. O check in do vôo internacional deve ser feito com no mínimo 2hs de antecedência, por isso fomos direto para a fila, já que a partida estava prevista para as 15hs. A fila era de assustar, de tão grande. Acredito que tenhamos ficado mais de 1h nela, até conseguirmos despachar a bagagem.

Em razão de tentativas frustradas de atentados algumas semanas antes na Europa, recém havia começado a valer a regra da restrição de vários tipos de aparelhos eletrônicos a bordo (acho que ainda não havia restrição quanto aos líquidos). Havia muita imprecisão nas informações, mas o que ouvíamos nos levou a despachar o celular com a bagagem.

Check in feito, a tranqüilidade voltou. Sempre dá aquele medo de que haja um overbooking ou coisa do tipo, ainda mais porque embora tenhamos chegado na fila bem antes da hora, só conseguimos despachar tudo faltando pouco mais de uma hora e meia para a partida. Só com a bagagem de mão (a mochilinha dos passeios diurnos), tratamos de arranjar um lugar para almoçar.

Enquanto comíamos, vimos uma cena típica de vôo para a Europa: um monte de mulheres com cara de quem nunca saiu da sua cidade de origem, com roupinha justa e toda pinta de que está indo para trabalhar como “garçonete”, ao redor de um sujeito, provavelmente italiano, com todos os elementos para o estereótipo do cafetão. É... as nossas exportações estão a mil!

No portão de embarque, para a nossa surpresa, sequer conferiram no computador alguma coisa a nosso respeito. O normal seria ver se não há nenhum mandado de prisão, etc.; mas, não: o policial só olhou a foto do passaporte e o devolveu.

Já do lado de lá, o jeito foi matar tempo até o embarque nas lojinhas duty free. Chegando na hora de formar a fila para o embarque, já deu para sentir aquele clima de gente empolgada, em grandes grupos, indo pela primeira vez para a Europa; gente se fazendo de acostumada com aquilo tudo, de nariz empinado; uns com cara de que estavam indo para lá tentar a vida mesmo (muitos bolivianos!) e, é claro, as nossas garotas tipo exportação...

DICAS: se o orçamento está realmente apertado, evite ter que fazer refeições nos aeroportos levando lanchinhos suficientes até o início da viagem até a Europa, quando (teoricamente) são servidas refeições mais completas. Ainda assim, é bom ter uma barrinhas de cereal à mão. Evite levar frutas, porque se não as comer na viagem, terá que jogar fora (barreiras sanitárias) ou sequer o deixarão embarcar com elas. Se pretende comer no aeroporto mesmo, as opções mais baratas costumam ser as lanchonetes de redes conhecidas e os buffets por aquilo - o resto é realmente caro para padrões comuns (já paguei R$ 9 por um café com leite + um pão de queijo em Guarulhos!).

21/03/2008

Como ficou meu roteiro

Inicialmente, como eu tinha dito num post anterior, meus planos estavam mais direcionados a uma viagem pela Itália, Espanha e, talvez, Croácia. Com a adesão do Rafael, acabamos estendendo a viagem à Alemanha e à República Tcheca - a primeira porque alguns amigos dele estariam por lá, para a Oktoberfest, e a segunda porque tinha ouvido falar que era muito legal de conhecer.

Levamos nossos planos ao mesmo agente que já tinha organizado uma viagem anterior do Rafael à África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, da STB de Porto Alegre (agência do Moinhos de Vento). Repassamos a seqüência de cidades que queríamos conhecer, as datas em que deveríamos estar em cada um dos lugares e o momento em que o Rafael retornaria ao Brasil e em que eu seguiria viagem sozinho, para visitar minha prima na Itália e conhecer lugares ao redor. De posse dessa informação, o Ricardo (agente da STB) pesquisou opções de vôo internacional e dos vôos internos, com base em algumas exigências nossas, depois devolvendo tudo para que analisássemos e decidíssemos como queríamos fechar o roteiro.

A mesma coisa foi feita com relação aos albergues. Escolhemos alguns das opções que existiam e já fizemos vouchers com pagamento antecipado integral das diárias em cada um, em todo o trecho que faríamos em conjunto (o período final de 12 dias da viagem, na qual eu seguiria sozinho, ficou totalmente em aberto).

Ficou assim (vide mapa acima):

Porto Alegre (TAM) Congonhas (ônibus) Guarulhos (ALITALIA) Milão-Malpensa (ALITALIA) Madrid

- Madrid (3 noites) (c/ bate-volta a Toledo)

Madrid (AIR EUROPA) Ibiza

- Ibiza (3 noites)

Ibiza (AIR EUROPA) Barcelona

- Barcelona (4 noites) (c/ bate-volta a Montserrat)

Barcelona (CONDOR AIRLINES) Munique

- Munique (3 noites) (c/ bate-volta a Dachau)

Munique (trem) Praga

- Praga (3 noites)

Praga (trem) Viena

- Viena (2 noites) (c/ bate-volta a Bratislava)

Viena (trem) Ljubljana

- Ljubljana (1 noite)

Ljubljana (trem) Imola

- Imola (casa da minha prima - 2 noites)

- Bologna (viagem de ida e volta no mesmo dia)

- San Marino (viagem de ida e volta no mesmo dia)

Imola (trem) Roma

- Roma (3 noites)

Roma (trem) Firenze

- Firenze (passeio de dia inteiro)

Firenze (trem) Imola

- Imola (2 noites)

- Veneza (ida e volta no mesmo dia)

Imola (trem) Milão

- Milão (1 noite)

- Lugano (ida e volta no mesmo dia)

Milão-Malpensa (ALITALIA) Guarulhos (TAM) Porto Alegre

OBS: o Rafael foi embora depois da primeira noite em Viena, tomando um vôo da Alitalia até Milão e de lá seguindo para o Brasil. Originalmente, estava previsto o retorno dele a partir de Budapeste, mas acabamos desistindo de ir até a Hungria por problemas políticos que estavam ocorrendo naqueles dias, assunto que vou retomar quando tratar daquela parte da viagem.

20/03/2008

Dicas para escolher um albergue

Escolher um bom albergue nem sempre é fácil. Quanto maior a oferta, maiores as dúvidas. Há lugares em que é extremamente difícil chegar a uma conclusão, como Paris (a maioria tem muitos defeitos, e você acaba tentando escolher aquele que parece ter menos). Em outros lugares, há algumas quase unanimidades.

De qualquer forma, algumas questões devem ser levadas em consideração para orientar sua escolha.

1º - Você realmente quer ficar num albergue?

Não é todo mundo que gosta de albergue. A falta de privacidade e de serviços oferecidos em hotéis incomoda muito alguns, principalmente se estão viajando em casal. Quem busca albergue quer simplicidade, baixo custo, conhecer gente e não se importa com barulho. Se esse não é seu perfil, quem sabe não é melhor procurar um hotelzinho mais barato, como aqueles da rede Íbis, ou até mesmo um mais simplesinho perto de uma estação de trem – a diferença em dinheiro acaba não saindo tão grande se você está em 2 pessoas (se estiver sozinho, aí sim sai caro). Se o único problema é a privacidade, pesquise se o albergue que você quer não tem quartos para 2 pessoas, separados dos dormitórios coletivos. Sai um pouco mais caro, mas você aproveita o que a área comum de um albergue (o grande diferencial em relação a um hotel) tem a oferecer.

Observe também que muitos albergues adotam políticas de idade mínima e máxima (geralmente de 18 a 35). Procure saber se você pode se hospedar lá!

2º - Decidido a ficar num albergue, quanto você quer gastar?

Depois de ter decidido ficar em albergues, compreenda que a diferença de preços entre eles é bem pequena (às vezes, 1, 2 ou 5 euros), mas em compensação a qualidade pode variar drasticamente em função dessa pequena variação de preços. Cidades mais concorridas como Paris têm camas em dormitórios custando em média 20 a 24 euros; fora disso, suspeite. Lugares mais simples, no interior, podem ter preços em torno de 8 euros a cada. O importante é que você não deixe de ficar num albergue ou em outro por causa de 1 ou 2 euros a mais por dia. Descubra a faixa de preços de cada cidade e tente se manter nela. Albergues vivem da fama que têm com seus clientes (propaganda de boca em boca) e quem apela para baixar os preços é porque não tem fama muito boa. Vale a pena abrir um pouquinho a mão e ficar naquele que todo mundo recomenda.

3º - Você quer sair à noite ou só passear de dia?

Essa pergunta é essencial para definir a localização do seu albergue. Se você é do tipo que não sai à noite, vai ser melhor escolher seu albergue em função dos pontos turísticos que deseja conhecer. Quanto mais perto deles, melhor. Se você gosta de sair à noite, escolha albergues próximos de bairros boêmios. À noite, geralmente o metrô fecha, os ônibus diminuem a freqüência e os táxis ficam mais caros. Além disso, nunca é bom andar sozinho e bêbado numa cidade estranha na escuridão. Por tudo isso, ficar próximo das festas é uma mão na roda....

Outra conseqüência dessa resposta é o fato de ser ou não importante o toque de recolher (curfew) para você. Alguns albergues adotam a política do curfew: a portaria fecha determinada hora da noite e só abre na manhã seguinte, ninguém entra e ninguém sai, salvo exceções como o pagamento por chaves extras. Se você quer sair à noite, evite albergues com curfew; prefira os que têm portaria 24hs ou que disponibilizam senhas e cartões para entrar sozinho no albergue à hora que você quiser. Se você não sai à noite, isso é indiferente.

4º - Você quer conhecer gente no albergue ou só vai usá-lo pela comodidade?

Conhecer gente em albergue é uma das melhores formas de aproveitar viagens feitas sozinho. Para isso, é essencial escolher albergues que tenham áreas comuns animadas, com barzinho, lounge, área coletiva para usar internet, piscina, danceteria, etc. Nesses ambientes, acaba-se conhecendo gente para jantar fora junto, sair à noite e até fazer partes da viagem juntos. Os mais badalados geralmente são os mais recomendados. Se já está com a sua turma ou sua namorada, isso vai ser meio indiferente para você.

5º - Você quer encontrar brasileiros no albergue ou não?

Tem gente que adora encontrar brasileiros no exterior; tem gente que odeia. Para evitar ficar só falando português no albergue, fuja dos albergues recomendados em guias escritos em português (como o "Guia Criativo para o Viajante Independente na Europa") ou os mais comentados em comunidades brasileiras no Orkut. É neles que a maioria da galera se concentra. Se a idéia é encontrá-los, aí não tem erro – vá direto nos recomendados.

6º - Você quer cozinhar sua própria comida?

Verifique bem a política do albergue com relação a comida. Alguns disponibilizam cozinha coletiva, panelas, pratos, até mesmo massa para cozinhar, ficam próximos a supermercados, estimulando você a fazer sua comida. Outros simplesmente não têm cozinha e proíbem trazer alimentos de fora.

7º - Você quer paz e tranqüilidade ou agito?

Isso está muito ligado á 4ª questão referida acima. Pesquise se o lugar que você quer é do tipo certinho (alguns parecem um internato ou um convento de freiras) ou se é do tipo largadão (com histórias de sexo dentro dos quartos e uso de drogas tolerado). Não ser compatível com o estilo do albergue é dor de cabeça na certa. O lugar onde isso fica mais evidente é Amsterdam.

8º - Outras conveniências...

Procure saber coisas como possibilidade de reserva mediante simples pagamento de uma taxinha, ou necessidade de depósito integral das diárias. O horário de check in e check out (alguns mandam sair até às 10hs da manhã; outros só permitem que se chegue depois das 15hs) pode ser determinante na forma como você organiza suas viagens (por isso é aconselhável marcar viagens entre as cidades para o meio-dia). Procure descobrir se o seu albergue tem lock out (período em que é proibido ficar no albergue, para que a limpeza seja feita). Às vezes, isso pode ser um pé no saco se a sua intenção é sair até tarde e dormir até tarde no dia seguinte. Descubra, ainda, se o seu albergue tem lockers individuais ou se é só uma sala para guardar bagagens, ou ainda se há lockers em número limitado, para quem chegar primeiro. Nada melhor do que ficar tranqüilo em relação às suas coisas. Veja também se há café da manhã, se ele é opcional ou já está incluído na diária. Se for opcional e achar muito caro, talvez seja melhor tomar seu café numa lojinha de conveniência ali por perto ou mesmo numa feira livre.

PASSO FINAL: feitos todos esses questionamentos, procure escolher o albergue com base nas indicações de pessoas que já estiveram lá (há sites, como o Trip Advisor, que dão relatos de hóspedes, mas tome cuidado para não ser enganado por propagandas disfarçadas de relatos), seja por contato pessoal ou por comunidades do orkut. Os guias impressos (Lonely Planet, Let's Go, Rough Guide, etc.) dão uma idéia geral dos albergues, mas nunca se sabe se as opiniões são realmente neutras. Sites como o Hostels, Hostelworld e o Hostelling International completam o trabalho, informando tudo com relação a localização, preços, disponibilidade nas datas que você precisa, se há ou não curfew, se há ou não lock out, horário de check in e check out, existência de bares, danceterias e internet grátis, etc. Não tenha preconceito contra os albergues que não são filiados à Hostelling International, muitos também são bons e até melhores. Feito isso, reserve. Na Europa, dificilmente lugares legais têm disponibilidade sem reserva prévia.

19/03/2008

Dicas para comprar sua passagem Brasil - Europa


O melhor lugar para encontrar dicas detalhadas sobre como conseguir passagens aéreas baratas, por companhias confiáveis, nos melhores horários e com os melhores serviços é o blog Aquela Passagem!, que aparece nos links recomendados ao lado.

Mesmo que aquele site trate exaustivamente sobre essa questão, tenho algumas opiniões e dicas a respeito, especificamente, da escolha da melhor passagem entre Brasil e Europa, considerando a relação custo-benefício.

Conhecendo as companhias que fazem o trajeto

O primeiro passo é conhecer quais são as opções de companhias que operam entre a América do Sul e a Europa. Sim, digo América do Sul e não Brasil, porque conforme o lugar que você mora e a época do ano que vai viajar, pode sair mais barato viajar a partir de um país vizinho. Buenos Aires é um dos lugares que oferece as melhores opções para quem mora no Sul, via Aerolineas Argentinas. Quem mora no Norte pode descobrir opções legais via Venezuela ou até mesmo via Guianas.

Para saber quais são as companhias que operam a partir de cada aeroporto, minha dica é pesquisar no site “Answers” pelo nome do aeroporto. Lá são informadas todas as companhias que operam a partir daquele aeroporto e quais os destinos.

Para facilitar as coisas, clique nas cidades e vá direto para a página correspondente:

São Paulo

Rio de Janeiro

Buenos Aires

Recife
Salvador

Fortaleza

Através desse site, você fica sabendo as linhas que existem, por exemplo: Alitalia faz Guarulhos-Milão, TAP faz Recife-Lisboa, Air France faz Rio-Paris, etc.

Começando a pesquisar

Sabendo mais ou menos as linhas que existem, comece a pesquisar alternativas possíveis jogando nomes de cidades na Europa que estejam nos seus planos, ou mesmo naquela seqüência de cidades que você se propõe a fazer no seu roteiro.

Os melhores sites para começar a pesquisar são o Rumbo, o Decolar e o das Americanas.

Fazendo várias tentativas com datas, origens e destinos diferentes, você começa a descobrir qual é a forma mais barata de ir para a Europa naquele período.

Selecione mais ou menos as melhores opções e parta para pesquisas direto nos sites das companhias que mais chamaram a atenção. Os preços e as opções nem sempre batem exatamente com aqueles encontrados no Rumbo, no Decolar ou no Americanas; às vezes são melhores, às vezes piores.

Chegando a uma decisão

Sua decisão de compra de determinada passagem deve levar em consideração diversos fatores, além do destino desejado e do preço:

- programa de milhagens: às vezes vale a pena pagar uns 200 reais a mais para ficar com milhas por viajar por determinada companhia que oferece aquele serviço;
- confiabilidade da companhia: às vezes uma companhia passando por dificuldades financeiras começa a oferecer preços mais baixos, mas será que ela estará operando até sua viagem? Outras vezes, uma companhia começa a fazer greves, uma atrás da outra, tornando-se uma incerteza. Procure saber a respeito da situação atual da empresa;
- qualidade do serviço: eu, particularmente, não me importo muito com qualidade de serviço, mas também ser mal tratado não dá. Ouça opiniões e fuja daquelas que podem se tornar uma dor de cabeça.
- parcelamento: nem todas empresas oferecem parcelamento do preço da passagem, seja pelo preço à vista ou com juros. Se isso for uma necessidade sua, procure se informar antes.

Na hora da compra

Na hora da compra, avalie a possibilidade de fazer a transação através de um agente de viagens, passando para ele todas as informações do vôo que você quer, para que ele compre exatamente aquele. Ter um agente à disposição não significa mais gastos (o lucro dele está embutido no preço da passagem, e se você comprar na internet ou no balcão da companhia, está dando esse lucro para a própria companhia), mas garante mais segurança na hora da necessidade. Em situações de cancelamento, troca de horários ou até mesmo falência da empresa, ter alguém intermediando a compra repassa a essa pessoa a responsabilidade e a obrigação de fazer o que você precisar.

18/03/2008

Dicas para fazer um roteiro

Fazer um roteiro legal requer muita dedicação. É um esforço prévio que você faz para poder aproveitar ao máximo a sua viagem enquanto ela acontece, sem ter que se estressar com questões de última hora, em lugares onde você não vai ter acesso fácil a um computador e a um telefone.

No meu primeiro mochilão pela Europa, confesso que não fui tão organizado. Sabíamos por onde queríamos passar e quando tínhamos que voltar; o resto foi-se definindo mais conforme os vôos internos e as reservas do que em função de qualquer outra coisa. Já no segundo, depois de aprender muita coisa com o primeiro, adotei junto com meus amigos uma técnica, que pretendo passar aqui como dicas para organizar um roteiro.

1º PASSO – DEFINA OS DIAS DE IDA E DE VOLTA

Não tem escapatória. Você precisa definir uma data de ida e uma data de volta, até porque passagem de retorno é item obrigatório na imigração. O fator preponderante nessa definição costuma ser o seu trabalho, ou seja, a data de suas férias. Além disso, nessa definição você tem que avaliar se quer se submeter à alta temporada ou não (na Europa os meses mais lotados são julho e agosto), o que implica também em custos maiores, tanto em passagens como hospedagem. A época que você vai implica também a escolha do clima que quer ver lá. O verão pode ser realmente muito quente no sul da Europa e o inverno não é tão frio nessa região. Na Escandinávia, viajar no inverno pode ser um saco (pouquíssimas horas de sol). A primavera costuma ser mais chuvosa que o outono, embora sejam as melhores temperaturas para se viajar (inclusive porque é baixa temporada!).

2º PASSO – DEFINA UM TEMA PARA SUA VIAGEM

Escolher o estilo da sua viagem é mais importante do que simplesmente seguir uma ordem de cidades por proximidade geográfica. Dentro da Europa, deslocamentos de avião em companhias low fare são muito mais baratos do que no Brasil e, nesse sentido, tanto faz ir de avião de Lisboa a Madrid ou de Madrid a Berlin – o preço pode ser o mesmo ou até menor nas distâncias maiores.

Por “definir estilo”, falo de dar uma ênfase no seu roteiro. Pode ser passar por uma cidade com língua diferente da outra, pode ser passar só por lugares de língua alemã; pode ser passar só por lugares de festa; pode ser um roteiro por lugares religiosos; pode ser uma viagem por lugares que eram comunistas; lugares que são bons para fazer festa, etc. Variedade ou semelhança entre as cidades a visitar, isso é uma questão a definir. Esgotar tudo que você acha interessante num país só ou passar o maior número de países possível (embora isso não seja muito recomendável para aproveitar uma viagem).

3º PASSO – DEFINA AS CIDADES A VISITAR

Definindo “mais ou menos” o que você quer, comece a escolher as cidades por onde quer passar. Não se preocupe tanto em fazer um pinga-pinga, do tipo: “Tenho que dar uma parada em Bolonha no caminho entre Firenze e Veneza, embora nem saiba o que tem para ver lá”. Escolha objetivos com base no seu interesse , deixando de lado o que houver no caminho entre seus pontos de interesse.

Não se preocupe ainda com a ordem na qual vai visitá-las ou a proximidade entre uma e outra. Isso vem depois.

4º PASSO – DEFINA QUANTAS NOITES EM CADA UMA

Já tendo o nome das cidades que quer conhecer, conte o número de dias que existem entre sua ida e sua volta e guarde esse número. Tente distribuir um número “x” de dias para cada cidade que planeja visitar. Primeiro veja se não está querendo ver coisa demais em pouco tempo.

Para definir quantos dias passar em cada lugares, você tem que avaliar (1º) o seu interesse por aquele lugar, (2º) o tamanho da cidade, (3º) o número de atrações turísticas que ela oferece, (4º) o número de passeios “bate-e-volta” que você pode fazer a partir dela, sem trocar de albergue.

Há cidades que não tem como se dizer que se conheceu em menos de tantos dias. Isso varia da opinião de cada um, mas na minha, não tem como ficar menos de 4 dias em Paris, menos de 3 em Roma, menos de 4 em Barcelona. Em compensação, lugares como Bratislava, Ljubljana, Bruxelas podem ser vistas no seu principal em um único dia, na minha opinião.

Uma coisa muito importante: considere um dia morto o dia de deslocamento entre uma e outra. Não que você vai perder o dia inteiro, mas isso dá margem para compensar atrasos, descontar o tempo perdido com entrada e saída de albergue, atrasos no transporte (sim, até trens alemães podem dar problema!), tempo que você perde se informando quando chega numa cidade nova, etc.

Eu costumo contar, na verdade, o número de noites que vou dormir em cada cidade, porque aí não tem erro. Dormir em trem, como já disse em post anterior, não é legal, salvo numa viagem de mais de 6 horas, o que é raro na Europa (até porque daí já vale a pena ir de avião, financeiramente).

5º PASSO – ESTABELEÇA UMA SEQÜÊNCIA CIRCULAR ENTRE AS CIDADES ESCOLHIDAS

Depois de definir cidades e número de noites em cada uma, estabeleça uma seqüência entre elas, por proximidade geográfica ou facilidade de transporte. Essa seqüência, como falarei a seguir, pode ser cumprida de trás para frente, de frente para trás, e iniciada e terminada em qualquer ponto, como num círculo.

Por exemplo:

Lisboa – Madrid – Barcelona – Nice – Milão – Veneza – Roma – Lisboa
Barcelona – Madrid – Lisboa – Roma – Veneza – Milão – Nice – Barcelona
Milão – Veneza – Roma – Lisboa – Madrid – Barcelona – Nice – Milão

6º PASSO – DEFINA POR ONDE VAI COMEÇAR E TERMINAR A SEQÜÊNCIA

A definição do início e do final do seu roteiro vai ser, na verdade, a definição do vôo que você vai fazer a partir do Brasil. Nessa escolha, entram em jogo preços de passagens, qualidade da companhia, programas de milhagens, presença de algum conhecido que vai acompanhar você na cidade de chegada.

Os vôos diretos entre Brasil e Europa têm como saída, na maioria das vezes, São Paulo e Rio de Janeiro. Alguns até saem de Salvador, Fortaleza, ou mesmo de Buenos Aires, com boas opções de preço. Do lado europeu, sua chegada provavelmente deverá ser em Lisboa, Madrid, Paris, Londres, Milão, Frankfurt, Munique, Amsterdam.

Sabendo a sua seqüência de cidades a visitar, comece e termine por aquela que oferece a passagem aérea mais conveniente para ir e voltar ao Brasil.

No roteiro dado como exemplo acima, se você descobrir que a Alitalia está com uma super-promoção, por exemplo, pode começar e terminar por Milão. Se a melhor opção fora a Ibéria, comece e termine por Madrid.

Não significa necessariamente que você vai ter que ficar 2 vezes na mesma cidade. Você pode chegar nela e, antes de conhecer, já fazer uma conexão para a seguinte. Ou então chegar, ficar, seguir por terra, e, na volta, pegar um vôo que só faz conexão naquela primeira cidade em que você esteve para voltar ao Brasil.

7º PASSO – DEFINA A ORDEM DA SEQÜÊNCIA CIRCULAR

Para definir a ordem da sua seqüência (de frente para trás ou de trás para frente), faça um esqueminha com o número de dias em cada cidade nos dois sentidos e compare num calendário como fica melhor.

Assim, você poderá optar por passar os finais de semana em lugares melhores para se fazer mais festa, os dias de início de semana (geralmente mais tranqüilos) para ir a lugares com museus e igrejas, os finais de semana para assistir jogos de futebol ou touradas numa cidade, e assim por diante.

Depois de definido o ponto de início e fim, uma mesma seqüência de cidades vai gerar no mínimo 4 roteiros (frente para trás, trás para frente, e variantes conforme se você vai ficar na cidade de chegada logo no início ou no final da viagem). Exemplo: imagine que, no roteiro acima, decidi ir de Alitalia, começando e terminando por Milão.

1º roteiro – Milão (2 noites) – Veneza (1 noite) – Roma (3 noites) – Lisboa (2 noites) – Madrid (3 noites) – Barcelona (4 noites) – Nice (2 noites) – Milão (vôo de volta).
2º roteiro Milão (só chego e saio direto) – Veneza (1 noite) – Roma (3 noites) – Lisboa (2 noites) – Madrid (3 noites) – Barcelona (4 noites) – Nice (2 noites) – Milão (2 noites e vôo de volta).
3º roteiro – Milão (2) – Nice (2) – Barcelona (4) – Madrid (3) – Lisboa (2) – Roma (3) – Veneza (1) – Milão (só vôo de volta)
4º roteiro – Milão (chego e saio direto) – Nice (2) – Barcelona (4) – Madrid (3) – Lisboa (2) – Roma (3) – Veneza (1) – Milão (2 noites e vôo de volta)

Você só vai saber qual o melhor comparando cada um deles no calendário e vendo em que dias da semana estará em cada cidade da sua seqüência.

OBSERVAÇÃO: o roteiro prévio é importante para permitir que você faça reservas de albergues, compre antecipadamente (e mais barato) passagens aéreas internas, possa saber se vai conseguir assistir a eventos que só ocorrem determinados dias (por exemplo, para ver o Papa, só na 4ª ou no domingo), etc.