15/03/2012

Phuket - introdução


Depois de conhecer a capital do país, Bangkok, e Chiang Mai, no norte da Tailândia, já estávamos ansiosos por conhecer aquele que estava previsto como o ponto alto da viagem: Phuket.

Phuket (pronuncia-se Puquê) é uma ilha na costa sudoeste da Tailândia, no litoral do Oceano Índico. Embora já fosse velha conhecida dos europeus há pelo menos 20 anos, ficou famosa mundialmente após as desgraças ocorridas no final de 2004, quando um tsunami gerado por um terremoto próximo ao litoral da ilha de Sumatra, na Indonésia, acabou matando milhares de pessoas - algumas centenas delas em Phuket. Desse desastre, porém, não há mais quase nenhum resquício, a não ser por placas que indicam locais para onde fugir caso algo semelhante ocorra no futuro.

A ilha (que também é uma província) tem mais ou menos o dobro do tamanho da ilha de Florianópolis (talvez até um pouco mais) e a sua cidade principal, referida como Phuket Town, fica bem no canto sudeste, diametralmente oposto ao aeroporto, no canto noroeste, próximo à ponte rodoviária que conecta a região ao continente. O maior centro turístico, porém, é a cidade de Patong, na costa oeste (voltada para o mar aberto).

O turismo é a principal atividade turística da região, que se desenvolveu voltada para essa indústria como nenhuma outra no país. Há dezenas de megaresorts ocupando boa parte das melhores partes das praias da ilha, além de centenas de hotéis e pousadas menores. Há universidades de turismo e toda uma estrutura governamental voltada para a atenção aos visitantes. Cada vez mais, também, surgem condomínios fechados de luxo, muitas vezes com imóveis comprados por aposentados russos, europeus ou australianos.

Para se ter uma ideia do tamanho dessa indústria em Phuket, basta dizer que desembarcaram na ilha, em 2011, cerca de 5 milhões de turistas estrangeiros. Isso é quase o mesmo número total de turistas que visitam o Brail inteiro num ano. O aeroporto, que é internacional, recebe voos de regiões tão distantes quanto a Finlândia, a Suécia e a Noruega, como de outros lados, na Austrália, no Oriente Médio e por toda a Ásia. O número de voos para a Rússia também é desproporcionalmente grande. Cada vez mais, europeus em férias chegam diretamente na ilha, sem precisar passar por Bangkok.


O que atrai tanta gente a Phuket é a imagem muito bem divulgada de um paraíso tropical, com muitos coqueiros, frutos do mar, praias de águas quentes, calmas e de cor azul turquesa, flores, cultura budista pacifista e muita segurança. A gastronomia tailandesa, a boa infraestrutura e o baixo custo das coisas (comparado com o Ocidente, mas não com o restante da região) completam o ambiente naturalmente favorável ao turismo.

As estações na ilha, no entanto, determinam que ela só seja esse paraíso todo entre dezembro e maio, pois a partir de junho costuma começar a chover bastante. As monções, com seus temporais infindáveis, deixam o mar turvo e bravo, aumentam as chances de deslizamentos, escondem o sol por boa parte do dia e fazem fechar muitos estabelecimentos. Elas são mais fortes entre agosto e outubro, época em que só os surfistas acham graça na região.

A primeira coisa que quem pretende visitar Phuket precisa fazer é escolher uma dentre as inúmeras cidades e vilas de praia para se estabelecer. O turismo de praia se desenvolveu quase que exclusivamente na costa oeste da ilha, ou seja, nas partes de mar aberto. Há inclusive sites indicando quais são as características de cada uma das praias.

As praias mais ao norte da costa oeste, a exemplo de Hat Mai Khao e Hat Mai Yan, são mais desertas, um pouco mais selvagens, mas com menos infraestrutura. Há alguns poucos (e caros) hotéis boutique e resort meio isolados, que atraem especialmente quem gosta de lugares mais no estilo pé-na-areia, com tranquilidade.

As praias mais centrais, com Patong no destaque, são as mais muvucadas, mas também as únicas com expressiva vida noturna. Ali, de outro lado, é que se concentram os cabarés e os antros de prostituição, pelos quais a Tailândia também é famosa, no melhor estilo "Se beber não case 2". Como o mar é bastante raso nessa parte, o tsunami fez os maiores estragos justamente nessa cidade. 

As praias mais ao sul tendem a ser mais voltadas a famílias. Hat Karon e Hat Kata têm bastante estrutura de comércio, muitos restaurantes, mas a orla marítima é praticamente uma propriedade particular dos grandes resorts que lá se instalaram há bastante tempo.

Depois de muita indecisão, minha escolha foi pela pequena praia de Kata Noi, uma parte separada da praia de Kata, bem no sul da costa, que tem menos muvuca, areia mais limpinha e uma baía com um visual bonito, inclusive com uma ilhazinha no canto. 

Pesei muito a questão de escolher um hotel com acesso direto ao mar e por isso decidi abrir mais a mão e reservar um resort, o Katathani, do qual falarei em outro post.

12/03/2012

Última noite em Chiang Mai


Depois da massagem e de uma passada no hotel, para um banho de piscina, saímos novamente para uma caminhada pela cidade, por volta das 4 e pouco da tarde – bem quando o movimento aumenta mais, já que as crianças deixam os colégios mais ou menos nesse horário.

Cruzamos a ponte de ferro sobre o rio Ping, para dar uma olhada como eram as coisas na outra parte da cidade, mas não achamos nada de interesse turístico. O único fato curioso foi termos visto a primeira (veríamos apenas uma segunda, em Phuket) igreja cristã de toda a nossa viagem pela Tailândia, juntamente com um colégio para cristãos.


Nossa volta à margem mais conhecida da cidade foi por outra ponte, alguns metros rio acima, bem ao lado da casa oficial do governador da província. Seguindo pela rua Thapae, que termina no portão de entrada na muralha do centro histórico, encontramos a uma quadra do rio uma loja de objetos de decoração e religiosos bem diferente de tudo que tínhamos visto até então.

Para quem tem interesse em trazer objetos ligados ao budismo, vale sempre lembrar que a Tailândia não deixa fazer a exportação de representações de Buda ou de sua cabeça sem uma autorização especial. Pois é justamente nisso que essa loja se especializou: a pessoa escolhe pessoalmente o que quer e, depois, eles enviam o objeto para qualquer lugar do mundo, com a tal autorização especial de exportação. Até tirei uma foto da marquise na frente da loja para guardar o nome do lugar e dar como dica aqui no blog: Baan ThaPae é o nome da galeria.

Ainda na mesma rua, mas mais perto da cidade amuralhada, encontramos por acaso outro templo que se revelou um dos mais bonitos de nossas andanças por Chiang Mai: o templo de Bupparam. Cheio de detalhes brancos e prateados, esse templo parece até um cenário ao estilo Mini-Mundo.

Depois disso, a volta para casa foi até meio estressante, em razão do grande número de motos e carros na hora do rush tirando fininho dos pedestres nas estreitas e irregulares calçadas da parte mais comercial da cidade.

À noite, saímos para comer no restaurante indiano de que já falei aqui no blog, noutros posts sobre a cidade, e para conhecer finalmente o Bazar Noturno pelo qual a cidade também é conhecida.

Como todos os mercados de rua na Tailândia, esse bazar noturno também me surpreendeu positivamente, pela organização e pelo ambiente bem família. As pessoas fazem de tudo: desde jantar, jogar em atrações infantis, soltar balões tipo aqueles de São João, até massagem para os pés ou para o pescoço – além de compras, claro.

Da nossa parte, a única aquisição foi uma camisetinha estilo souvenir, depois de uma boa pechinchada.

OBSERVAÇÃO: na capa da edição mais recente do Lonely Planet sobre a Tailândia, aparece uma bela foto do festival mais importante de Chiang Mai, no qual são soltos milhares de balões, que levam os pedidos das pessoas até o céu. Essa, que aparece no Wikipedia, é bem parecida:

09/03/2012

Chiang Mai - templos e mais templos


Passei alguns dias sem postar aqui no blog, mas retomo agora os relatos sobre nossa viagem à Tailândia, seguindo por Chiang Mai...

Depois de um dia intenso, com visita ao campo de elefantes, ao zoo de tigres e ao lugar onde se faz tirolesa, chegamos completamente exaustos no hotel e não tivemos nem coragem de sair para jantar fora. Pedimos algo no quarto mesmo e fomos dormir até mais cedo do que o normal.

Na manhã seguinte, depois do café, saímos a pé com o propósito de alugar bicicletas, para dar umas pedaladas pela cidade, enquanto conhecíamos alguns do vários templos ao redor do centro amuralhado.

No caminho, já paramos em um dos templos à beira do rio Ping, logo ao lado de nosso hotel, para tirar umas fotos e para conhecer a marina, de onde saem barcos que funcionam como transporte público, no mesmo estilo de Bangkok, e outros que fazem passeios turísticos. Na verdade ,não achamos o rio tão interessante e nem mesmo cogitamos de fazer algum passeio daqueles.


Umas poucas quadras depois, encontramos um lugar que nos haviam indicado para conseguir as bikes, ao lado do restaurante indiano Whole Earth, perto do bazar noturno, mas o proprietário nos deu a real: já estava um pouco tarde para aproveitar o melhor horário, que é cedo da manhã. Como o trânsito e o calor aumentam consideravelmente ao longo do dia, o melhor seria deixar para o dia seguinte. O preço é bem pequeno, cerca de 100 baht por umas quatro horas com as bicicletas, tempo mais do que suficiente.

Decidimos então seguir de tuk tuk para o centro, indo direto para o Wat Phra Singh, o ponto mais central de Chiang Mai e o maior de todos os templos dentro da cidade (existe outro templo maior em Chiang Mai, que é o Wat Phra That Doi Sutep, no alto de uma montanha a uns 17km da área urbana, no qual as pessoas fazem peregrinações religiosas subindo as longas escadarias e sendo recomensadas com as vistas da cidade – isso dependendo da ausência de neblina).

Já no Wat Phra Singh, tivemos um dos contatos mais próximos com a verdadeira religião budista, sem tanta presença de turistas. Pudemos ver inclusive um monge sentado em posição de meditação, que só se mexia de vez em quando para dar alguma benção a quem lhe fazia uma oferenda. Confesso que fiquei meio envergonhado de tirar foto, mas me posicionei um pouco mais longe e usei o zoom... embora tivesse gente bem cara de pau que dava com o flash bem perto da cara do velhinho.

O templo é bastante extenso, ocupando praticamente o tamanho de uma quadra urbana das grandes. É considerado um templo de primeira categoria, por indicação do irmão mais velho do atual rei da Tailândia. Religiosamente, sua importância se deve ao fato de ser o abrigo de uma importante imagem de Buda, com traços da cultura Lana, típica da região noroeste do país, desde 1345.



 

Nos jardins atrás do templo, há várias plaquinhas com mensagens budistas em tailandês e inglês, em meio a bancos para que as pessoas possam descansar. Ali também há um grande chedi branco, no qual as pessoas dão voltas em sentido horário enquanto rezam. Há também um mecanismo de corda movido por uma manivela, pelo qual a pessoa pode jogar água benta em cima do chedi, de vários metros de altura, levando-a até lá com um baldinho preso ao equipamento, que é elevado até o topo, onde a água é virada. Isso é considerado como uma forma de fazer o pedido chegar mais rápido aos céus.

Quase escondido, há um prédio pequeno com uma réplica do Buda reclinado de Bangkok, com a mesma posição e os mesmos traços. O lugar está meio mal cuidado, com muita sujeira das pombas que andam por ali, mas vale uma visita.

Depois do Wat Phra Singh, tratamos de arranjar um lugar para comer, bem no centrinho de Chiang Mai, e encontramos um bistrô que pareceu bem simpático, inclusive com internet wi fi. Curiosamente, o nome era o mesmo da pizzaria de nossa primeira noite: Ratchadamnoem. Pedimos umas massas com molhos locais e recuperamos as forças para seguir o passeio.

A algumas quadras dali, encontramos outro templo, bem menor, de nome Wat Chai Phrakiat, quase vazio, mas com interessantes desenhos sobre a vida do Buda. A essa altura, já tínhamos feito nossas pesquisas na internet para entender um pouco do que significam os principais aspectos do budismo e, por isso, pudemos aproveitar um pouco mais.

Depois daquele templo, sentimos que o sol do início da tarde não estava sendo nada agradável conosco e, por isso, decidimos entrar numa clínica perto do portão da muralha a leste do centro para fazer 1 hora de massagem tailandesa...