30/04/2008

Deutschland!

Durante o vôo entre Barcelona e Munique, aconteceu uma coisa que, na hora e do jeito que foi, pareceu muito engraçada. A aeromoça veio distribuindo os sanduíches do lanche grátis e ia perguntando:

"Turkey or meat?".

Eu pedi o de peru, ela me alcançou na mão e, em um segundo, ela disse:

"Oh, that's not turkey, that's meat!".

Eu fui devolver o sanduíche para que ela trocasse e a resposta veio ainda mais rápida:

"Sorry, now you've touched it!"

Por que diabos então admitiu tão rápido se não ia trocar!? O Rafael ficou só rindo da minha cara.


Vista dos Alpes, da janela do avião

Bom, tirando essa grosseria que soou até engraçada, o resto foi tudo bem no vôo da tal da Condor Airlines, uma companhia alemã low cost que faz vôos principalmente entre a Alemanha e o Mediterrâneo.

Quando chegamos no aeroporto internacional de Munique, a primeira impressão foi a de silêncio, de assepsia. Pela primeira vez eu chegava num país em que não tinha domínio da língua e isso dava um friozinho na barriga também. Saímos do avião e seguimos o fluxo até as esteiras de bagagem, que em alguns minutinhos já estavam entregando sãs e salvas nossas mochilas (que alivio!).

Começamos a andar por corredores intermináveis ao longo do aeroporto, até um lugar onde houvesse um quiosque de informações turísticas. Como era época de Oktoberfest, quase tudo estava relacionado ao evento e não havia muita coisa além de um mapa.

Andamos mais um tanto por corredores silenciosos até chegar à parte onde havia uma estação de metrô até o centro da cidade. E ali confesso que travei. Levamos pelo menos uns 10 minutos para tentar entender a máquina onde se compravam os tickets de metrô.

Assim que apertávamos, abriam as opções em alemão. Demoramos algum tempo para descobrir que era só apertar mais de uma vez num botãozinho com bandeirinhas para ir trocando de língua. Era só demorar um pouquinho que o sistema reiniciava tudo. Depois que chegamos no inglês, não conseguíamos descobrir que ticket comprar. E lá se ia a máquina pro início de novo. Quando finalmente decidimos pegar 2 simples, não tínhamos dinheiro suficiente em moedas para inserir na máquina, e tivemos que pular para outra que aceitava cédulas.

O sistema de metrô e trens na Alemanha é completamente diferente daquele que existe na Espanha, na Argentina ou no Brasil. A começar pelo bilhete: tem-se a opção de comprar bilhetes simples ou bilhetes de 24 horas, ou ainda bilhetes de grupo (Gruppenkarte ou Partnerkarte), que valem para até 5 pessoas, por 24 horas. Não há abonos turísticos que valham a pena como em Madrid ou Barça.

Depois, tem a questão da validação do bilhete (entwerten). Não há catracas ou roletas. A área de acesso aos trens é livre, mas existe apenas umas maquininhas parecidas com as de bater cartão-ponto em que o bilhete deve ser validade antes de entrar no trem. O controle é meramente eventual e você pode simplesmente andar por tudo sem ninguém ver se você tem ou não um ticket. Os fiscais estão à paisana, e de uma hora para a outra podem te abordar e, se te pegarem sem um cartão validado, vão te multar em uns 40 euros. Andar sem bilhete validado é conhecido como Schwarzfahren (algo tipo "viagem negra").

Assim como em outras cidades grandes, não há só metrôs, mas também trens metropolitanos. Os metrôs são chamados de U-Bahn, os trens de S-Bahn. Geralmente os primeiros são subterrâneos e os segundos de superfície, mas nem sempre. As redes são interligadas e você acaba nem sabendo direito quando pega um ou outro (os tickets são os mesmos).

Por fim, existe ainda um cuidado a ser tomado: passa mais de um trem e metrô no mesmo trilho, na mesma estação. Ou seja, quando o trem está chegando, tem-se que cuidar nas placas ou na frente dele para onde ele está indo, porque direções diferentes passam pelos mesmos pontos de embarque.

Naquele stress todo que foi esse primeiro contato com os trens alemães, acabamos fazendo merda, mas ainda bem que não deu nada. Não lembro bem se compramos um bilhete que só dava direito a uma determinada zona (do aeroporto ao centro passam-se 3 zonas tarifárias) ou se esquecemos de validar antes de entrar; só sei que só fomos perceber isso quando já estávamos sentados lá dentro.

A viagem entre o aeroporto e a cidade demora bem mais do que se imagina. São mais de 30km. Na janela, uma paisagem asséptica, tudo perfeitinho, casinhas perfeitinhas, campos limpinhos. Chovia bem fininho, mas não chegava a fazer frio. E um silêncio ensurdecedor. Contraste total com países latinos, como Espanha e Itália.

Fizemos uma conexão entre o S1 (S-Bahn, linha 1, do qual vínhamos do aeroporto) para o U2 (U-Bahn, linha 2) até a estação Hohenzollernplatz, a mais próxima do albergue. Chegamos e suspiramos por não ter dado nada errado.

24/04/2008

Uns dias fora

Vou passar uns dias fora e acredito que volte a postar no dia 30. Até lá, então!

23/04/2008

Adiós, España!

Chegando de Montserrat, pegamos nossas mochilas na Sants Estació e imediatamente procuramos um trem com destino ao aeroporto de El Prat.

O trem partiu lotado, com gente por tudo quanto é canto imaginável. A maioria eram turistas estrangeiros, com malas enormes. A confusão era tanta, que o trem às vezes parava em algumas estações e pessoas que queriam descer não conseguiam, por terem ficado bloqueadas com malas no corredor e por haver muita gente. Como as paradas duram apenas alguns segundos, só dava para ver a cara de "desespero" da pessoa vendo sua estação passar e, em seguida, uma cara de consternação dos demais ao redor.

É nessas horas que se vê a importância da agilidade de uma mochila. No transporte público, não tem como ser ágil carregando malas - isso é coisa para táxi.

Chegamos e o aeroporto estava aquela muvuca que tínhamos visto na chegada. Imediatamente tratamos de localizar o balcão de check in da nossa companhia, uma tal de "Condor", que nunca tínhamos ouvido falar.

O nosso vôo, para Munique, havia sido comprado por esssa companhia por 99 euros - nem tão caro nem tão barato, em se tratando de uma low cost. Definitivamente, era bem mais barato e rápido do que se fôssemos por terra, de trem.

Quando finalmente encontramos, vimos que já havia um montão de alemães esperando para fazer o check in, mas o guichê ainda não estava aberto. Só abriu faltando cerca de 1h30 para o horário da partida.

Depois da espera, conseguimos nos livrar das mochilonas e ainda tivemos tempo para matar uma baguete no Pans & Cia, antes do vôo.

O avião atrasou um pouquinho, mas tudo foi avisado com clareza no sistema de informação. Decolou no horário que indicaram.
Vista de Gênova (Itália) no vôo entre Barcelona e Munique

Depois de 12 dias na Espanha, partíamos para o nosso segundo país na Europa. O que ficou para trás naquele dia me deixa saudades até hoje. Ainda quero muito voltar para conhecer outras cidades no país e quem sabe até visitar de novo os mesmos lugares por onde passamos.

Confesso que nunca fui muito fã da idéia de conhecer a Espanha como um dos meus primeiros destinos na Europa. Entretanto, nos últimos anos, cada vez mais eu ouvia pessoas que tinham ido para lá falando muito bem, ao ponto de começar a ficar interessado. Li muita coisa também falando que o país está sendo procurado cada vez mais por turistas de tudo quanto é canto.

Não sei se era por causa da língua, que para mim não apresenta tanto desafio e éigual à dos nossos vizinhos platinos, ou se era por causa da idéia de um país meio desértico e quente, coisa que também não me atrai muito, mas fato é que estava meio que pagando para ver... E me surpreendi!

Hoje, depois de conhecer uns 16 países na Europa, eu coloco a Espanha como o meu preferido.

Talvez seja um dos que eu mais gostaria de morar, não sei. Uma coisa que tenho certeza é de que a Espanha, muito mais do que outros tantos países como a Itáila ou a França, passa a idéia de um futuro legal, de algo que está cada vez melhor. O país não está parado no tempo como muitos outros. A questão de ter um povo um pouco mais parecido com o nosso também ajuda, assim como o fato de não ser tão caro quanto outros vizinhos mais ao norte.

Acho até que não é o mais bonito da Europa nem o que tem mais coisas para se ver ou fazer, mas mesmo assim é o mais interessante, na minha opinião!!!

22/04/2008

Mosteiro de Montserrat



Segundo as informações do Wikipedia, Montserrat é o nome da montanha (ou maciço montanhoso) onde fica o mosteiro conhecido pelo mesmo nome. Essa montanha é a mais importante de toda a Catalunha e se atribui a criação do mosteiro naquele exato lugar à descoberta da estátua da Virgem de Montserrat na Santa Cova, uma caverna no meio das rochas.

O nome oficial do lugar é Monasterio de Santa Maria de Montserrat. Foi criado pelos beneditinos por volta do ano 1.000DC. Depois de diversas trocas no grupo religioso que administrava o local e inclusive uma destruição quase completa por Napoleão, em 1811, o lugar foi reformado em boa parte no século XX, por arquitetos catalães. Até hoje é lugar de peregrinação de fiéis que buscam milagres através da adoração da Virgem de Montserrat, conhecida como "La Moreneta".

Além dos prédios ocupados pelos religiosos e da igreja onde fica a santa, existe uma infra-estrutura para receber os turistas, incluindo lojinhas, lanchonetes, museu e os transportes (teleférico, funiculares, acesso para ônibus).
Eu não sou muito ligado em religião, no sentido de seguir a fé católica, mas mesmo assim gostei muito do lugar, pela importância histórica para a região e principalmente pelas vistas que se tem lá de cima, pelas formas inusitadas das montanhas ao redor e pela própria localização do complexo monástico no meio daquelas rochas. Acho que vale muito a pena para quem está passando por Barcelona.

Logo depois de termos feito algumas caminhadas nas partes mais altas, acima da cidade, descemos e tratamos de conhecer os prédios mais importantes. A essa altura, a neblina já tinha ido embora há umas boas horas e a visibilidade estava perfeita.


Conhecemos o interior da igreja e chegamos bem pertinho da Virgem. Há uma fila para passar pela frente da estátua e não se pode parar por muito tempo.




Demos mais umas voltas pela cidadezinha, para conhecer as lojas e os museus e, depois de uma descansada no terraço da praça de alimentação, tomamos o teleférico de volta à estação de trem, lá embaixo. Como já tínhamos pego um folheto com os horários de trem de volta para Barcelona, descemos bem na hora certa para não ficar muito tempo esperando nem para correr o risco de perdê-lo (já que se formam filas bem grandes para descer de teleférico minutos antes das saídas dos trens).


A volta não foi tranqüila como a vinda, por causa do grande número de pessoas no trem. Passamos a maior parte do trecho até Barcelona sem conseguir um lugar para sentar. Com o cansaço nas pernas pelas caminhadas em Montserrat, o tempo parecia passar ainda mais devagar.

21/04/2008

Nas montanhas de Montserrat

Segunda-feira, nosso último dia em Barcelona. Acordamos bem cedinho, tomamos o café da manhã e fizemos o check out do albergue (nada mais do que jogar os lençóis num cesto de roupa suja).

Saímos em direção à estação Paral-lel, de onde pegamos o metrô até a Sants Estació. Nosso abono turístico de 4 dias já tinha expirado na noite anterior, mas o bilhete conjugado para Montserrat dava direito a utilizar o sistema interno de transporte público de Barcelona até lá, sempre com o mesmo cartãozinho, que parece um daquele ingressos de jogo de futebol com a tarja magnética de um lado.

Na Sants, deixamos nossos mochilões num locker, para pegar na volta, quando iríamos direto para o aeroporto. Tomamos em seguida um trem metropolitano relativamente vazio até Monistrol de Montserrat, numa viagem que durou cerca de 1 hora. A distância até que não é tão grande (pouco mais de 50km), mas como se pára em todas as estações, acaba levando mais tempo do que se imagina.

Quando se começa a chegar mais perto da cidade, começa-se a ver as montanhas todas de pedras que até então só tínhamos visto em folders turísticos. Muito legal.

Na estação de trem de Montserrat, descemos e demos um tempinho até pegar o teleférico (cable car em inglês ou aeri em catalão) que sobe até o monastério. A vista é impressionante desde o início do percurso de subida.


Quando chegamos lá em cima, pegamos um mapinha da mini-cidade para tentar, primeiro, entender o que tínhamos para conhecer. Na mesma estaçãozinha de onde se desce do teleférico, já existem acessos a outros funiculares, que sobem a partes mais altas das montanhas, onde existem outras covas para conhecer.

Ainda era relativamente cedo e havia muita neblina cobrindo as partes mais altas das montanhas.



Paramos, pensamos um pouco e decidimos que seria melhor fazer as caminhadas nas partes altas das montanhas enquanto o sol ainda não estava muito forte, deixando a parte da visitação da cidade em si para depois.

Pegamos o funicular (cremallera em catalão) para subir até a rocha de Sant Jaume e de lá começamos a caminhada. A vista, enquanto se sobe, é ainda mais bonita: o monastério lá embaixo, no meio das rochas, com o resto do mundo ainda mais lá embaixo:



Há vários caminhos a seguir na parte acima de Montserrat. Alguns deles levam a outros antigos monastérios menores, encravados nas rochas. Alguns têm subidas bem fortes, outros vão serpenteando pelas encostas dos morros. Nada que demande equipamento ou calçados especiais, pois tudo são estradinhas bem definidas, inclusive com escadarias nos pontos mais íngremes e guardas de proteção nas partes mais perigosas.

Conforme o ponto em que se está, vale sempre a pena andar mais um pouquinho (inclusive além do que as placas permitem) para ter uma visão ainda melhor de Montserrat, lá de cima.


Depois de pelo menos umas 2 horas caminhando, a fome bateu. Já tínhamos levado umas frutas para servir de lanche e almoço, porque não quisemos comprar o bilhete conjugado que também dava direito a uma refeição, porque achamos que não valia a pena.

Escolhemos o lugar mais alto e mais distante para almoçar, com uma vista que parece que é da janela de um avião - mas que é apenas aquela que se tem lá de cima:


Se tem uma coisa que eu não imaginava antes de ir pela primeira vez para a Europa é que lá eu conheceria lugares assim, tranqüilos, com a abundância de natureza... A melhor parte de uma viagem acaba sendo justamente essas pequenas surpresas.

20/04/2008

Barcelona - parte XII

Na nossa última noite na cidade, tivemos a idéia de aproveitar ao máximo o nosso ticket de metrô, que expirava a validade à meia-noite: ir até alguns dos pontos turísticos mais famosos e tirar fotos nortunas. O plano era chegar na estação de metrô mais próxima do local, botar a cara para fora, tirar a foto e seguir para a próxima.

O primeiro lugar para onde fomos foi a Plaça d'Espanya.

Aí já começou a não dar muito certo o nosso plano, porque ficamos surpresos de ver o que estava para acontecer em frente ao Palau Nacional, que já estava todo iluminado e com holofotes por trás, formando como que um leque de luz no entorno do prédio.
Acabamos ficando mais de uma hora ali por perto, porque assim que chegamos o pessoal começou a se reunir ao redor das fontes d'água que existem na frente do palácio. Começou uma música alta, clássica, e as águas começaram a fazer movimentos ao ritmo da música. Um show de águas dançantes totalmente inesperado e também muito bonito.

A constatação dos dias anteriores cada vez mais se afirmava: sempre há o que ver em Barcelona.

Depois de um tempo ali naquela parte da cidade, já estava chegando perto das 23hs e ainda não tínhamos feito o que tínhamos planejado. Pegamos outro metrô e fomos até a Sagrada Familia.
É dificil tirar fotos boas à noite sem um tripé. A máquina digital, no modo de captação de luz para fotos noturnas, ou mesmo no automático, fica com o obturador aberto por muito mais tempo do que em condições normais de luz. Isso significa que demora mais para captar a imagem e, qualquer tremidinha, já causa um borrão na foto. O tripé serve justamente para dar estabilidade. Programa-se a máquina para disparar sozinha e, firme no chão, a foto sai boa. Coisas que só se aprende depois de ter errado várias...

À medida que a noite avança, os metrôs se tornam cada vez mais espaçados entre um e outro. Como já eram cerca de 23h30, decidimos parar por ali e ir até o Porto Olímpico para jantar e quem sabe esticar a noite.

Na tarde, na saída da praia, vimos de relance que havia vários restaurantes ali por perto. No dia anterior, também, tinham-nos dito que existiam dezenas de barzinhos ao redor do ancoradouro. Como era um lugar que ainda não tínhamos conhecido e era a última noite na cidade, foi para lá que fomos.

Primeiro, demos uma geral nos restaurantes. Como tudo na Europa, acaba sendo fácil escolher, pois os menus estão sempre do lado de fora do restaurante (com os preços, inclusive) e muitos lugares inclusive expõem modelos de pratos.

Acabamos escolhendo um que não ficava bem no cais, mas na avenida em frente ao porto. Pegamos uma seqüência com 6 tipos diferentes de frutos do mar por cerca de 10 euros. Mais barato do que se pagaria no Brasil para comer, numa só refeição, lula, lagostim, camarões, moluscos, peixe frito - tudo em porções bem satisfatórias.
Depois da janta, seguimos para os barzinhos ao redor do porto olímpico.

No meio do grande movimento que há por ali, passamos pela primeira experiência que poderia ter resultado em algo bem desagradável... Estávamos nós dois andando e de repente, do nada, dois gurizões com cara de árabes começaram a puxar conversa, viram que éramos brasileiros e começaram a falar o basicão: Ronaldo, Ronaldinho!! De repente, o menor deles passou a mão no bolso de trás da calça do Rafael e apertou o passo.

O Rafael se deu por conta, mas na hora ficou tranqüilo porque sempre estava com a carteira no bolso da frente da calça e com o passaporte, um cartão e a maior parte do dinheiro vivo no money belt. Só tinha um mapa e uns folders no bolso de trás.

O ladrãozinho, de tão descarado, deu meia-volta e voltou se desculpando por ter "levado por engano" o mapa do Rafael, e ainda devolveu... A gente só riu e disse na cara deles que era bem-feito por tentar roubar brasileiro, que nunca tem dinheiro!

Eis um pickpocket típico!!!

Mas, como eu disse, é muito fácil se prevenir desse tipo de coisa. Dificilmente alguém anda armado na Europa para assaltar. O que acontece em áreas turísticas é justamente isso: furto com destreza. Eles se valem da técnica para que não se perceba que estão levando alguma coisa sua. Por isso a importância de guardar coisas de valor por dentro da roupa, ou no mínimo no bolso da frente. Se estiver de mochila, vale até girá-la para a frente do corpo em lugares mais movimentados.

Bom, depois daquela, seguimos tranqüilos pelo barzinhos e lá pelas 2hs e pouco da manhã pegamos um táxi de volta ao albergue, já que não tínhamos mais ticket de transporte público e em razão da distância.


Barcelona - parte XI

PARC DE LA CIUTADELLA

Logo depois do almoço, fomos direto para o Parc de la Ciutadella, que fica logo abaixo do Arc de Triomph. O parque é enorme, tem quase o tamanho de um bairro inteiro. Insistindo no clichê, é o "Central Park" de Barcelona.

O lugar tem várias partes bem diferentes uma da outra. Na parte mais a oeste, por onde entramos, há uma grande fonte d'água, com estátuas e tudo. Logo ao lado, há um grande lago, onde inclusive se alugam barquinhos e pedalinhos para passeios.


No meio há uma praça central e alguns lugares com plantas exóticas. Seguindo um pouco, depara-se com o Parlamento da Catalunha, bem no meio do parque.
Seguindo mais um pouco, na extremidade leste do Parque, fica um jardim zoológico, a única parte em que se tem que pagar para entrar.

Demos um tempo para fazer a digestão e para conhecer um pouco o lugar e seguimos em direção à praia, nosso objetivo para a maior parte da tarde.

PRAIAS E A VILA OLÍMPICA

Saindo do Parc de la Ciutadella e fazendo o contorno pela Avinguda Circumval-lació, chega-se ao começo da Vila Olímpica.

Essa parte da cidade não existia até pouco antes de 1992, quando foi construída para servir de hospedagem aos atletas olímpicos e, depois, se tornou um bairro comercial e residencial.

Na Vila em si, não há muito o que ver. Trata-se de uma seqüência de prédios parecidos, ao longo de uma grande avenida, que termina nos prédios e na fonte que aparecem nas fotos acima.

A praia fica logo ali em frente. Na verdade são 3 praias na frente da Vila Olímpica, todas meio artificiais, separadas por molhes, desenhadas quando da modificação da região para a Olimpíada. Ao lado, em direção ao porto, fica a praia da Barceloneta, onde já havíamos estado no dia anterior.

Já estávamos de mochila preparada para a praia e foi isso que fizemos.

Catamos um lugarzinho na areia, que estava bem lotada naquele domingo à tarde, e estendemos nossas toalhas para dar uma sesteada.

É engraçado ir à praia num lugar onde a cada lado tem alguém falando uma língua diferente. Para varia, tinha uns brasileiros fazendo um batuque ali por perto, mas a maioria eram europeus de tudo quando é canto mesmo.

A água, como sempre, não é das mais atraentes por causa da temperatura. Setembro, embora ainda seja um mês quente, já não é tão bom para um banho de mar...

E a pergunta que não quer calar: topless??? Sim, muitos... A mulherada não se encabula e, em nome de um bronzeado sem marquinhas, deixa os p... para fora numa boa! Tudo na maior civilidade.

Ficamos na praia até o sol se pôr, fazendo lanchinho, tomando uma cerveja. Assim que escureceu um pouco, já começou a soprar um ventinho mais frio e logo o lugar foi ficando vazio. Valeu muito a pena descansar daquele jeito, depois de uns dias conhecendo toda a cidade.

Para voltar ao albergue, caminhamos de volta até a Vila e pegamos um metrô na estação Ciutadella.

19/04/2008

Barcelona - parte X

CIUTAT VELLA

No domingo pela manhã, acordamos um pouco mais tarde do que nos dias anteriores. Depois do café, saímos meio sem rumo com o objetivo de conhecer melhor a parte velha da cidade de dia, coisa que até então não tínhamos feito.

Ciutat Vella é o nome pelo qual é chamado o conjunto dos bairros mais antigos da cidade, na parte histórica: El Raval, Barri Gòtic, Barri de la Ribera e Port Vell.

Do nosso albergue, no Raval (que não tem muita coisa para ver a não ser o mercado público) fomos em direção às Ramblas (Les Rambles, em catalão). O movimento era grande e havia muito mais tendas vendendo de tudo, meio que num estilo brique. Mesmo assim, não chegava a ser lotado. Acho que pela primeira vez tivemos a oportunidade de ver mais pessoas locais do que turistas andando naquela região!
Dali, seguimos para a Plaça Reial, de onde entramos no Barri Gòtic, por uma das passagens entre os prédios que rodeiam a praça. Fomos andando até a Catedral de Barcelona, que estava com a fachada frontal toda em obras, impedindo uma foto mais legal. Essas que aparecem abaixo são da torre e da lateral do prédio.

Numa outra igrejinha ali por perto (se não estou enganado, era na Igreja de Santa Maria del Pi), havia tipo uma quermesse, com pessoas vendendo alimentos dentro da igreja. Entramos, demos umas voltas, e quando saímos, vimos que estava chegando uma banda tocando musiquinhas folclóricas locais, andando como se fosse uma procissão.



Lá pelas tantas, os velhinhos que estavam por ali começaram a fazer umas rodas e a dançar com os braços para cima, numa dança que depois descobri se chamar "Ball de la Sardana".

Esse é o tipo de coisa que só acontece num domingo e que te pega totalmente de surpresa. Quem diria que, sem querer, pararíamos no meio de uns festejos reliogiosos típicos do lugar.

Na praça em frente à igreja, havia também uma feirinha de domingo, onde aproveitamos para experimentar de tudo um pouco (queijos, bolos, frutas...). Sempre tem oferta grátis se você aparenta ter a intenção de comprar alguma coisa ou demonstra curiosidade por algo. Uma boa dica para os mais pão-duros economizarem, hehehe.

Logo depois de uma avenida larga, que contrasta com as ruazinhas estreitas do bairro gótico, começa o Barri de la Ribera. Parece uma continuação do anterior, com a mesma aparência. Nele fica o Museu do Picasso, onde fomos.
Sinceramente, achei que não valeu muito a pena. Eu, que não entendo nada de história da arte, esperava ver algumas pinturas mais famosas e tal, mas ali a exposição se concentra no início da carreira do pintor, mostrando especialmente desenhos, rascunhos e objetos pessoais, além de estudos de obras famosas de outros pintores pelo próprio Picasso. O preço era bem salgado, mas não lembro quanto...

Quase no fim de La Ribera, fica o Arc de Triomph, que é esse que aparece na foto.

Ali perto do Arco, fica uma das estações rodoviárias de Barcelona. Tínhamos a informação de que lá conseguiríamos saber alguma coisa sobre a possibilidade de um passeio a Andorra ou a algum outro lugar. Queríamos fazer algo fora da cidade, na região, mas ainda não tínhamos nos decidido. Fomos convencidos de que Andorra é um lugar onde o pessoal só vai para fazer compras e que não haveria muito o que fazer ou ver por lá fora do inverno, quando existe a opção de esquiar nas montanhas ao redor da cidade. Sugeriram Montserrat, que é um convento em cima dumas montanhas rochosas, bem pertinho da cidade, que foi o que acabamos escolhendo para fazer no dia seguinte. Compramos um passe que conjugava metrô, trem suburbano até Montserrat e as subidas de teleférico até o local onde fica o centro de peregrinação no meio das montanhas.

Como já havia passado do meio-dia, voltamos um pouco no caminho até La Ribera, para catar um restaurante daqueles que tínhamos visto perto do Museu do Picasso. Entramos em um que pareceu ter um menu interessante e não nos decepcionamos: eu peguei um baita filé de salmão com uns acompanhamentos bem legais, por cerca de 9 euros, e o Rafael um tipo de lula chamado, em castelhano, de "sepia", que também era bem bom, pelo mesmo preço. Olha a tal da sépia na foto:

18/04/2008

Barcelona - parte IX

BARCELONETA

Depois do passeio pela região de Montjuïc, que começou no sábado pela manhã e acabou com um fim de tarde já bem nublado, pegamos um metrô na Plaça d'Espanya até a Barceloneta.

Esse bairro é uma região residencial espremida entre o Port Vell e o Port Olimpic, numa península que serve de separação aos dois. De um lado, há uma praia com o mesmo nome, Barceloneta. No extremo da península, em contato com a ponte móvel, fica o Maremagnum, já no meio do Port Vell.

A estação fica relativamente longe da praia, por isso aproveitamos para ir caminhando pelo interior do bairro. As quadras são bem estreitinhas (as ruas também) e quase todas iguais. A impressão que dá é a de um lugar bem tranqüilo para se morar.

Quando chegamos na praia propriamente dita (bem vazia, só com alguns fazendo um cooper), começaram a cair alguns pingos de chuva, o que nos levou a correr para um dos vários barzinhos que existem ao longo da avenida beira-mar. A chuva durou o tempo suficiente para um lanche.

O lugar pareceu interessante, mas por causa do clima e da hora, não havia muito o que fazer ali. Ficamos de voltar outro dia e decidimos ir para o albergue.

Dali, vale a pena ir caminhando. Cruzamos de novo o meio do bairro, passamos pelo porto e chegamos ao início das Ramblas, onde fica a estátua do Colombo.

FIM DE TARDE

Chegamos no albergue e ficamos ajeitando um pouco as coisas. Pelo terceiro dia seguido, haviam 2 pessoas novas no nosso quarto - cada dia trocava. Decidi levar a roupa para lavar, enquanto o Rafael queria ir numa missa na igreja ali na frente do albergue.

No fim das contas, a máquina estava estragada e acabei não conseguindo fazer nada. Aproveitei para ir para a internet, coisa que já fazia alguns dias que não tinha feito mais.

Umas 2 horas depois, o Rafael voltou contando que, além da missa, tinha conhecido um mercado público ali perto: o Mercat de la Boquería.

Uma fruta vietnamita esquisita que o Rafael encontrou no mercado

Aproveitou também para fazer umas comprinhas e me trouxe um cartão de memória de máquina digital (1GB, o que na época era muito!) pela metade do preço que se encontraria num free shop aqui no Brasil. Vale muito a pena comprar eletrônicos na Europa hoje em dia, coisa que até então eu não imaginava.

Mais tarde, à noite, saímos para jantar ali na Plaça Reial, do "lado Gótico" da Rambla. Escolhemos um lugar (pra variar) que tivesse alguma coisa com frutos do mar e decidimos fazer uma janta completa, já que fazia alguns dias que estávamos mais na base do lanchinho (baguetes, sorvetes, frutas, barrinha de cereal) do que qualquer outra coisa.

Sentamos num lugar com mesinhas do lado de fora, para acompanhar o movimento do sábado à noite. Eu pedi uma bem paella diferente de tudo o que eu já tinha visto. Era uma paella negra, escura como uma feijoada. Usam uma tinha da lula para dar esse efeito. Muito bom mesmo, e diferente também. Uma das melhores refeições que fiz naquela viagem.

Depois, demos umas bandas na Ramblas e seguimos de novo para o Maremagnum, mas como eu falei em outro post sobre a noite na cidade, já não tinha tanta gente quanto no dia anterior.

17/04/2008

Barcelona - parte VIII

MONTJUÏC

Mesmo com a saída na noite anterior, conseguimos levantar cedo no sábado. Descemos, tomamos o café e seguimos a pé até a estação Paral-lel, de onde se pega o funicular para subir até o Montjuïc.

Funicular é tipo um trem de um só vagão que, ao invés de andar na horizontal, sobe na diagonal ou até mesmo na vertical, por trilhos, geralmente puxado por cabos. Serve para chegar em lugares com grandes desníveis que não poderiam ser alcançados com metrô ou trem e que exigiriam muitos desvios para construir uma estrada. Não fica solto como os teleféricos e nem é sobe-desce como elevadores públicos. O valor da passagem está incluído no ticket do metrô, porque é considerado como transporte público e não como passeio turísticos.

A subida é rapidinha, não chega a 2 minutos. Do ponto onde chegamos, o caminho até o Castelo de Montjuïc é só subida e bem cansativo. O Rafael, que estava com imunidade baixa e numa crise de rinite, sentiu bastante. O percurso é todo através de jardins e, à medida que se sobe, uma vista da cidade vai aparecendo atrás.

O Castelo de Montjuïc era uma fortificação de defesa da cidade. Até hoje há canhões apontados para o mar. Hoje, existe um museu militar no local, que pode ser visitado.
Logo abaixo, fica o porto comercial moderno da cidade, um dos maiores da Europa.
Depois da visita, demos um tempo numa lanchonete que há ao lado da fortaleza. Dali uma meia hora, seguimos em frente, agora descendo para o outro lado do morro de Montjuïc, em direção ao Parque Olímpico.

No caminho até, passa-se pelo Museu de Miró, mas não quisemos entrar.

Chegando no Parque Olímpico, a decepção: o estádio estava em obras, inclusive com aquele relógio que era o seu principal enfeite todo coberto.

O estádio, por fora, impressiona bastante. Demos a volta e vimos que estava aberto. Sequer estavam cobrando alguma coisa para entrar, porque não tinha muito o que ver. O campo estava todo sem grama, com terra pura, cheio de restos das obras que estavam fazendo por lá.

Depois das Olimpíadas de 1992, ele vinha sendo usado por um clube de futebol, se não me engano o Espanyol.

Ao redor do estádio, quase todos os outros prédios ocupados pelos demais esportes de quadra coberta ainda existem. O lugar é grandioso, mas fica meio surreal vazio como estava. Por tudo, há uma seqüência de colunas, com espaçosos calçadões, que devem ter ficado fervilhando na época dos jogos.

Demos umas voltas pelo complexo e seguimos descendo pelo lado oposto do Montjuïc por onde chegamos, agora com destino ao Palau Nacional.

Cruzamos pelo Poble Espanyol, uma atração turística que reproduz casas e vilas típicas de todas as regiões da Espanha - não é um mini-mundo, mas sim uma mini-cidade com casas de tamanho real típicas de cada parte do país. Pensamos um pouco e achamos que não perderíamos muita coisa não entrando.

Mais um tanto de caminhada, descida abaixo, e chegamos na esplanada em frente ao Palau Nacional. Esse castelo era a sede da monarquia catalã, nos tempos do Principado da Catalunha. Hoje, abriga o Museu de Arte da Catalunha. Ele fica bem no meio do morro, por isso há várias seqüências de escadas rolantes para se chegar até lá.
Lá de cima, tem-se a vista completa da esplanada em frente, com a Plaça d'Espanya ao fundo, com 2 torres que também são um dos cartões postais da cidade.
Entre o palácio e a praça, existem vários antigos palacetes menores que foram transformados em grandes centros de convenções, exposições e feiras.

Nessa parte da cidade, e depois de já ter conhecido muita coisa no dia anterior, não tem como não dar razão aos que dizem que Barcelona supera muito Madrid em matéria de turismo. Os caras são muito profissionais nessa área. Tem de tudo para fazer qualquer evento na cidade. Sempre tem alguma coisa acontecendo para manter os turistas entretidos. Tem infra-estrutura, variedade de atrações, história, modernidade, tudo que é tipo de opção de lazer, praias, montanha, arquitetura, esporte, e só suspenderam agora há pouco as touradas por causa dos ativistas ambientais... Difícil alguém bater. Na minha opinião (não sei se já não falei em outro post) é a cidade mais legal da Europa!

Barcelona - parte VII


A NOITE

Sexta-feira. Depois de um dia cheio de passeios desde cedo da manhã, voltamos para o albergue para um merecido descanso até a hora de arranjar alguma coisa para fazer à noite.

Não me lembro bem como foi que ficamos sabendo, mas haveria um pub crawl saindo dali mesmo do nosso albergue por volta das 20h30. Como já estávamos meio em cima da hora, tratamos de saber se tinha como alcançar o grupo num dos bares da seqüência, mas a explicação foi tão complicada que decidimos correr e ficar prontos para sair com todo mundo.

Tomamos um banho a jato e em alguns minutos estávamos lá embaixo, saindo com o pessoal para o primeiro pub.

Fomos para um bar no Barri Gòtic, perto daqueles nos quais tínhamos estado na noite anterior. Dessa vez, era um grupo bem maior, que lotava os bares em que chegava. No primeiro, como de costume, era cerveja liberada.

Instalou-se um clima de rivalidade, na brincadeira, entre americanos e o resto do mundo (pra variar) e sempre que podiam os demais cagavam na cabeça dos americanos quando alguém falava alguma besteira.

Passamos por uns três bares ali naquela parte da cidade, não sei exatamente quais, mas era um melhor que o outro. Sempre tinha um drinkzinho de graça em cada um, incluído no pacote do pub crawl.

Entre um e outro, o guia do pub crawl sempre avisava algo que deve ser levado muito a sério por todos: ao sair na rua à noite, evite ficar gritando, senão sempre tem algum morador mal humorado que acaba jogando um balde d'água em quem está fazendo arruaça. Dito e feito: lá pelas tantas, alguém estava gritando e chuáá... um balde na cabeça... hehehe.

Depois de três bares, fomos para o último, que era pertinho do Passeig de Colom, no Port Vell. Eu nem tinha percebido, até que saímos em direção àquela que seria a boate da noite: as boates em cima do Maremagnum.

Foi disparado a melhor noite daquela viagem inteira. Em cima do Maremagnum, cada lado do andar superior do shopping é uma boate, mas se entra e se sai de qualquer uma delas a hora que se quer. Era muito pouco techno, praticamente só musiquinhas mais pop, a maioria daquele estilo eurodance mesmo. Gente de tudo quanto é canto do mundo, literalmente, fazendo festa num só lugar. Imperdível.

Ficamos por lá fazendo festa até umas 4hs da manhã, quando saímos para fora e, mortos de cansaço, caminhamos todo o percurso até o albergue... O pior é que à noite, como a ponte móvel do porto está levantada, tem-se que fazer um desvio enorme pelo cais do porto para voltar, o que não estava nas nossas contas.

Como foi bom, no sábado à noite tentamos repetir a dose no mesmo lugar, mas já não foi a mesma coisa. Estava bem mais vazio, por isso o melhor é se informar antes de ir para lá para pegar o melhor dia, que acredito que seja a sexta mesmo.

Já no domingo, descobrimos o Porto Olímpico. Na parte de cima do cais, um restaurante do lado do outro. Na parte debaixo, um barzinho do lado do outro. A cada dia a cidade revelava algo ainda mais interessante.

Não chegamos a sair em nenhum lugar freqüentado pela "elite" local - dizem que os night clubs perto do Tibidabo são esses points. Por onde andamos, o que mais dava era intercambistas e mochileiros mesmo, mas serviu para mostrar que Barcelona é a melhor cidade da Europa para fazer festa, na minha opinião!

16/04/2008

Barcelona - parte VI

PARC GÜELL

Depois de pelo menos duas horas conhecendo a Sagrada Família, decidimos ir para o Parc Güell, para aproveitar o ticket conjugado que dava direito a visitar a Casa de Gaudí, naquele parque.

Pegamos o metrô e descemos na estação Vallcarca e de lá fomos caminhando até o parque, o que dá uma boa pernada. Quando estávamos chegando pertinho, vimos uma cena pouco usual em outras cidades: uma rua aparentemente sem saída, com uma escada rolante ao fundo, ao ar livre. Era o caminho para a parte mais alta do Parc Güell, uma entrada por trás dele, que dá direto na parte conhecida como Calvário.

DICA: essa é a melhor parte para se começar, embora a entrada oficial e mais bonita seja pelo outro lado. Como é a parte mais alta, começa-se direto por ela e depois é só descer até a saída, de onde se pega outro metrô pela estação Lesseps. Fazer o caminho inverso é cansaço ou desistência na certa.

A primeira parte que conhecemos não tem nada a ver com aquela face mais conhecida do Parc Güell, com os mosaicos de ladrilhos. É um morro cheio de caminhos ajardinados ao redor, que leva a um cume onde existe uma espécie de plataforma onde há 3 cruzes, simbolizando o local onde Cristo foi crucificado - daí o nome Calvário.

Lá de cima, tem-se vistas muito boas da cidade. Nas fotos abaixo, a vista da cidade em si, sobressaindo-se a Sagrada Familia e aquele prédio num formato fálico muito suspeito (esq) e na outra, a vista para o lado onde fica o Tibidabo (dir):

Depois de subir nessa parte das 3 cruzes, fomos descendo pelas trilhas até a parte mais conhecida do parque. Tudo parece meio pré-histórico, e essa era mesmo a intenção do arquiteto, já que no local foram encontrados fósseis algumas décadas atrás. A vegetação (umas palmeiras e umas samambaias gigantes) lembra aquelas de florestas pré-históricas e os arranjos em pedras também dar um ar meio Flintstone a tudo.
No final, nos deparamos com aquela que é a parte mais conhecida: os bancos ondulados cobertos de mosaicos, na praça central do parque. Também para quem viu o "Albergue Espanhol", esse foi o lugar onde o Xavier levou a mulher do médico para passear e acabou a beijando.

Os banquinhos são disputados, mas demos sorte logo de cara e conseguimos um. Aproveitamos para fazer um lanchinho, já que até então não tínhamos almoçado.
Daquela parte se vêem as principais construções do Parc Güell, que foi projetado pelo Gaudí para ser um conjunto de casas, entretenimento e serviços, mas que ficou pela metade. O nome do parque é o do empresário para o qual ele trabalhava: Eusebi Güell.

Em seguida, fomos na casa onde Gaudí morou por cerca de 20 anos, perto da praça principal do parque. Confesso que não achei nada muito interessante; não passa de um museu com objetos pessoais e algumas obras de arte que não chegam nem perto das construções do cara. Se não fosse pela entrada conjugada com a Sagrada Familia, teria sido dinheiro meio desperdiçado.

A Casa de Gaudí já fica mais baixa, no nível do portão de entrada e saída do parque, abaixo dos bancos ondulados. Ali também está o símbolo do parque: o lagarto de mosaico, que foi depredado em fevereiro de 2007 por uns punks vândalos, mas que já foi restaurado:

Na foto abaixo, uma visão dos bancos ondulados acima dos portões de entrada:

Na saída do parque, ainda compramos um sorvete para a caminhada até a estação Lesseps. Não há nenhuma muito perto do parque, por isso é bom estar preparado. São pelo menos umas 6 quadras. Se fizer o caminho inverso do que fizemos, vai ser tudo subida, o que piora ainda mais.

CAMP NOU

Da estação Lesseps, pegamos um metrô com o objetivo de ir até o Camp Nou, o estádio do Barcelona FC. Como a estação mais próxima do estádio, a Palau Reial, fica na mesma linha que passa na Lesseps (linha 3, verde), e como haviam pelo menos umas 14 paradas até lá, fiquei a vontade para descansar um pouco e deixei o Rafael encarregado de cuidar quando chegássemos no destino.

Não deu outra: com o cansaço, nós dois dormimos ferrados por uma meia hora e acordamos com o trem já parado, vazio, na estação final (Zona Universitaria). Com o susto, acordei o Rafael e tentei entender o que tinha acontecido. Saímos para fora, vimos que estávamos naquela estação e percebemos que era só voltar uma que estaríamos perto do estádio. Ainda meio zonzos de sono, subimos por uma escada para ir para o outro lado, pegar o trem no outro sentido, mas acabamos voltando para o mesmo, sem perceber. Vendo aquilo, a condutora do trem veio até nós avisar que aquele era o mesmo em que nós tínhamos chegado e que deveríamos pegar o outro. Bota perdido, hehehe...

Chegando na estação certa, descemos e fomos caminhando até o estádio. Não é tão longe, mas as quadras são bem compridas. Há um cemitério e um baita estacionamento no caminho. Quando chegamos lá, fomos direto nos informar sobre como era para conhecer o interior do estádio. Como em quase tudo que é lugar, tem que comprar uma entrada para um tour guiado, e demos sorte de ainda não ter fechado.

Na bilheteria, achei engraçado quando o Rafael perguntou se o vendedor conhecia a camiseta que ele estava usando, do Inter, que seria o time que enfrentaria o Barça em Tóquio naquele ano. O cara disse que não, mas que conhecia o Grêmio, por causa do Ronaldinho!

O Camp Nou é enorme. Se não me engano, em capacidade de público é o maior da Europa. É bem mais aberto do que o Santiago Bernabéu.

Na parte de dentro, muitos setores ainda estavam meio encharcados por causa daquela chuva que havia alagado tudo alguns dias antes. Mesmo assim, pudemos conhecer vestiários, capelas dos jogadores, sala de hidromassagem, de treinos, etc.

No final do tour, o museu dos troféus, com a peça mais importante para eles em destaque: a taça da Champions daquele ano:

Na saída do museu, uma exposição de fotos sobre o time, entre as quais essa aí, que achei muito massa: