29/06/2012

Alcázar de Sevilla e a Judería


A uns poucos passos da Catedral de Sevilla e do Archivo de Indias, está a entrada do Real Alcázar de Sevilla, um dos palácios pertencentes à Família Real Espanhola e que foi inclusive usado como local das núpcias de uma das princesas daquele país, há alguns anos. 

O Alcázar é mais um dentre vários outros palácios conquistados pelos cristãos no século XV, que originalmente tinha sido um sítio romano, depois visigodo, ampliado pelos árabes na época da Andaluzia muçulmana e que, por fim, caiu nas mãos dos espanhóis. 


De certa forma, tem muitos elementos que podem ser encontrados em todos os demais castelos da região, inclusive na Alhambra de Granada. (Não cheguei a conhecer a Alhambra, mas nas palavras do Harold, que tinha estado lá algumas semanas antes da nossa visita, o castelinho em Sevilla não perde muito para o de Granada em relação aos detalhes e aos jardins, embora seja menor).

Uma das coisas que chama a atenção é o uso da água na decoração. Como a Andaluzia e o norte da África sempre foram regiões secas, era uma demonstração de riqueza ter canais de água abastecendo todos os cômodos da construção e fontes jorrando esse bem precioso nos jardins.


Outro aspecto sempre presente é a utilização de padrões geométricos ou abstratos como adorno do teto, das portas e das janelas, ao invés de qualquer representação de animais ou pessoas, em respeito à vedação islâmica de criação de qualquer figura de coisa viva, numa interpretação extremada do mandamento que diz para adorar apenas a Deus sobre todas as coisas.



A entrada é paga, mas vale muito a pena. O passeio todo leva pelo menos uma hora, porque há muitas salas em diferentes cantos do palácio, que obrigam o visitante a ir e vir por vários corredores, às vezes de forma meio confusa, além de jardins bastante extensos, com algumas construções nas quais se pode subir, para ter a vista de cima.

Há folhetos explicativos, que não ajudam muito, indicando onde ficam os pátios conhecidos como "Pátio das Bonecas", "Pátio das Donzelas" e o "Salão dos Embaixadores", que são as áreas internas de maior interesse. 

Para mim, porém, a melhor parte são mesmo os jardins, cheios de tanques de carpas, arbustos cortados em formas geométricas, pavões andando soltos pelos gramadas e flores de todas as cores (claro que, nisso, a primavera ajudou).



Um detalhe meio esdrúxulo: o único café com lancheria que existe dentro do Alcázar, ao lado do qual estão banheiros acanhados, é bem pequeno, meio metido a besta e ainda por cima fecha cerca de uma meia hora antes do final do expediente.
A Judería de Sevilla, assim como a de Córdoba, de que já falei aqui no blog, era o bairro onde moravam os judeus antes da Reconquista. Também em Sevilla tem a forma de um labirinto medieval de casas brancas, mas está mais descaracterizada do que nas cidades menores da região.

A Judería acabou se tornando a área mais turística da cidade, cheia de hotéis boutique, restaurantes pega-turista e lojinhas de souvenir. Além disso, dá para ver que algumas ruas foram ampliadas e que o tipo de calçamento foi bastante melhorado.

Ainda assim, a área é uma das mais bonitas da cidade e à noite acaba sendo uma das mais tranquilas. Algumas pracinhas, com banquinhos debaixo das árvores e fontes de água funcionando, servem como um bom lugar de descanso.


28/06/2012

Tapas


Passar pela Espanha e não experimentar vários tipos de tapas é um verdadeiro crime. Tapas, que hoje em dia já são famosas em vários lugares do mundo, inclusive aqui no Brasil, nada mais são do que porções pequenas de petiscos, tira-gostos, queijos, presuntos, azeitonas, etc. A grande diferença é a qualidade desses ingredientes, que são tipicamente mediterrâneos e lá estão no seu melhor estado.

Geralmente, qualquer bar na Andaluzia tem um menu, um cartel na parede, anunciando o preço das porções de jamón ibérico, queijos típicos, bacalhau defumado, linguiças, frutos do mar fritos e mais outras tantas coisas conforme o tamanho: ración (porção inteira, que serve duas pessoas), media ración (individual) e tapa (porção pequena, para ser complementada com porções de outras coisas). É comum também, por conta de uma rede chamada 100 Montaditos, pedir um “montadito”, que seria o ingrediente da tapa colocado dentro de um pãozinho, do tamanho de uma bisnaga.


Tapas geralmente são comidas em pé ou naqueles banquinhos que ficam encostados no balcão do bar. Na maioria dos bares, há apenas bancos no balcão; no mais, existem apenas mesinhas altas, fixas no chão, para apoiar o prato com as tapas e o copo da bebida que se esteja tomando. Do lado de fora, alguns bares também colocam prateleiras nas paredes, para que quiser fumar possa também apoiar o copo e o prato enquanto conversa.


Nós passávamos tomando chopp, que por lá se diz “caña”, porque sai do “cano”, a torneira de chopp do balcão. Mas há também quem peça um vinho e deixe a garrafa na mesa de apoio. Geralmente (e curiosamente), a bebida se paga na hora em que se busca no balcão, mas as tapas são anotadas pelo garçom, que cobra o valor integral ao final, mesmo que se tenha pedido para comer do lado de fora.

Não há consumação mínima e nem ingresso – os bares são bastante simples e muitos existem há mais de 50 anos, sendo comum passar por vários deles ao longo da noite. A limpeza, como era de se imaginar não é lá essas coisas (e também curiosamente, é muito difícil encontrar algum que tenha pia no banheiro, o comum é só enxergar o vaso sanitário e o mictório, e nada mais).

Quando estão cheios, tem que se impor no balcão para ser atendido. Vale caprichar no sotaque para ser entendido: dizer “pecaíto” para pronunciar “pescadito”, “montaíto” para dizer montadito e por aí vai. Os velhos garçons e caixas resmungam um pouco, mas todo mundo sai feliz de uma experiência dessas.

27/06/2012

Semana Santa em Sevilla




As procissões de Páscoa de Sevilla são as mais tradicionais do mundo e, exatamente por isso, atraem centenas de milhares de turistas todos os anos. A cidade fica no seu grau máximo de ocupação, sendo a Semana Santa considerada o pico da alta temporada por lá. O evento só rivaliza com a Feria de Abril, que ocorre alguns dias depois, e ainda é coroado pela abertura da temporada de touradas.

As procissões começam no Domingo de Ramos, 7 dias antes da Páscoa, um dia em que a cidade ainda não tem tantos turistas, mas no qual parece que todo mundo sai de casa com a melhor roupa de domingo para curtir, em família, o início das comemorações. Sentimo-nos até meio deslocados por ver tanta gente de terno azul marinho e gravata na rua, principalmente os jovens. Quem olha acha que estavam daquele jeito só para ir à missa, mas na verdade a maior parte do tempo é passada em pé, nas ruas e nas praças, bebendo cerveja com os amigos, os pais, os demais familiares.

Já uns três ou quatro dias antes, as ruas por onde as procissões passam começam a ser cercadas e cadeiras para a plateia começam a ser instaladas. Os apartamentos com sacadas para essas ruas recebem visitas de representantes das confrarias que fazem as procissões e recebem adornos para pendurar nas sacadas e nas janelas.

O auge da celebração é a madrugada entre a quinta-feira santa e a sexta-feira santa, quando passam as procissões mais antigas e tradicionais. No domingo de Páscoa, as celebrações são encerradas.

As tais cofradías são as protagonistas das procissões. Embora tenham origem religiosa e estejam vinculadas às diferentes igrejas existentes na região central de Sevilla, na prática, funcionam quase como um clube ou bloco de carnaval no Brasil: seus membros pagam anuidades para se manterem sócios e só quem estiver em dia com os pagamentos tem direito de sair na procissão.  Há uma liga municipal que define quem e quando vai passar por que ruas, e em que ordem.

Os trajes variam nos adornos e nas cores, mas são todos do mesmo estilo “nazareno”. Quem olha pela primeira vez até se assusta, porque são exatamente como aqueles que a Ku Klux Klan usava no sul dos Estados Unidos: um manto que cobre todo o corpo e um capuz em formato de cone, com apenas alguns buraquinhos para os olhos, nariz e boca.

As cofradías têm, da mesma forma, uma espécie de segmentação social: as mais tradicionais e mais caras são compostas por gente das classes mais altas e usam roupas com menos adereços; as mais novas são compostas por trabalhadores mais simples e geralmente são mais alegres nos adereços.

As procissões consistem, basicamente, em processos de penitencia, nos quais se levam altares com as imagens das padroeiras de cada igreja, à qual a irmandade está vinculada, até a sede da catedral de Sevilla, para fazer parte da comemoração de Páscoa. A marcha é acompanhada por uma banda tocando, com tubas, cornetas e tambores, músicas bem melancólicas típicas de Páscoa (embora às vezes se façam gracinhas, como tocar um “Ai se eu te pego” em ritmo de Páscoa).

Na prática, consegue-se ver muito pouco de cada procissão, porque as ruas ficam praticamente intransitáveis de tanta gente. Com os cortes que se faz na circulação de pessoas a cada vez que um grupo está passando pelo trajeto oficial, é fácil se perder dos demais integrantes do grupo e ficar uns 10 minutos preso em algum lado.

O clima de festa que o centro histórico todo assume, com pessoas de todas as idades se divertindo nos bares e restaurantes, porém, é o que faz tudo valer muito a pena. 






25/06/2012

Flamenco


O flamenco é o estilo de música e dança mais representativo de toda a Espanha e tem em Sevilla o seu centro de maior disseminação. O flamenco tem origens relacionadas aos ciganos, aos mouros e aos judeus, povos que foram perseguidos depois da Reconquista e que seguiram às margens da sociedade por muitos anos.

Mesmo não sendo considerado como uma arte até pouco tempo, sempre foi o estilo popular preferido dos andaluzes. Assim como aqui no Rio Grande do Sul uma rádio do interior tende a tocar música gauchesca e de bailão para agradar os ouvintes, na Espanha o estilo mais tocado é o flamenco.

Assim como ocorre com o samba no Rio de Janeiro e o tango em Buenos Aires, o flamenco é, também, uma atração turística. Por isso, existem muitos shows voltados a turistas, geralmente vinculados a um jantar e um transfer de ida e volta até o hotel, onde são feitas apresentações que nem sempre são do gosto dos puristas.

Essa questão leva a um dilema frequente para quem visita Sevilla e quer ter uma experiência com o flamenco: apelar para um show turistão ou se enfiar num salão cheio de pessoas locais, nem sempre muito receptivas a quem vem de fora e não entende nada da coisa.

Hesitamos bastante antes de escolher um lugar, mas acredito que tenhamos chegado a um meio termo satisfatório: decidimos assistir ao show que ocorre no final da tarde no Museo del Baile Flamenco Cristina Hoyos. O lugar fica bem no meio do centro histórico, a uns três minutos da Catedral. Para maiores informações, basta ir no site da organização: http://www.museoflamenco.com/

O museu tem uma mostra permanente de caráter interativo, onde são apresentadas as origens do estilo, as diferentes espécies de música flamenca, e trajes típicos usados nas apresentações. Pode-se combinar o ingresso da mostra com o show, com um desconto pela compra do combinado.






Cada dia são dançarinos e “cantaores” diferentes que se apresentam, mas todos são considerados profissionais, ou seja, também se apresentam em eventos típicos tradicionais – e não em shows para inglês ver.

O show tem uma hora de duração é feito num palco que fica bem no centro do museu. Vale a penas chegar uma hora antes da apresentação para marcar lugar e fazer a visita à amostra, para depois, ao final, sentar-se e esperar o show começar. Há uma copa improvisada ao lado das cadeiras, onde se pode comprar um vinhozinho e refrigerante.

O estilo é muito impactante e, como bem descreve o guia da Lonely Planet para a Andaluzia, toca no fundo da alma. A experiência, na minha opinião, é obrigatória para quem vai até o sul da Espanha. Um videozinho no Youtube não faz jus à experiência de estar lá, ouvindo a voz do cara cantando daquele jeito típico do flamenco e das batidas no "tablao".

OBS: uma das coisas mais típicas que vi acontecer foi entrarmos num barzinho, na hora em que começou a chover, para tomar um café, e de repente, ao nosso lado, ali no balcão mesmo, um velhinho com cara de uns 70 e poucos anos puxar um flamenco lá do fundo e começar a cantar para os amigos ao redor. É a isso que eu me refiro, quando me empolgo com as experiências da Andaluzia!

24/06/2012

Sevilla das exposições

A paisagem urbana de Sevilla é fortemente marcada pelos legados de dois grandes eventos que ocorreram na cidade: a Exposição Iberoamericana de 1929 e a Exposição Universal de 1992


A primeira delas envolveu 13 países de língua portuguesa e espanhola da América Latina, além de Portugal e Marrocos, e províncias e regiões da própria Espanha,  num evento que durou cerca de 1 ano. Para que os países e regiões fizessem suas mostras, foram criados vários pavilhões individuais, em diferentes estilos, sendo que o mais famoso é o Pabellón Mudéjar, esse que aparece na foto abaixo.


Mudéjar é o nome que se dá ao estilo que surgiu na Andaluzia após a Reconquista, quando arquitetos com experiência em construções árabes foram contratados para fazer obras civis para os cristãos, mesclando influências das duas culturas. 

Outro dos marcos mais importantes da Exposição de 1929 é a Plaza España, uma espécie de panteão onde estão representadas as cidades mais importantes do país em nichos ornados com azulejos, ao longo de uma base em meia-lua, com um canal de água à frente e grandes edifícios contínuos, onde até hoje funcionam órgãos do Governo (inclusive o ofício de imigração, onde é possível ver filas de imigrantes esperando renovar suas permissões de residência nos dias úteis).




A maioria desses prédios fica localizada ao redor do Parque de María Luísa, o "Central Park" de Sevilla. Embora esteja meio mal cuidado, com algumas fontes quebradas e partes da vegetação em más condições, é o parque mais bonito da cidade e sempre está cheio de gente caminhando, descansando ou fazendo piqueniques. 



Acabei conhecendo essa parte da cidade no dia em que houve a greve geral, até porque os maiores protestos estavam sendo realizados bem ali perto. Entretanto, deu para perceber que a polícia estava a postos para não deixar que as pessoas envolvidas na manifestação se aproximassem da área desses monumentos, que são tombados e protegidos pela UNESCO.

A segunda grande Exposição, realizada em 1992, coincidiu com o aniversário dos 500 anos do Descobrimento da América e, exatamente pelo vínculo que a cidade tem com esse fato, foi ali realizada. 

O evento teve um duração de 6 meses e, desta vez, foi concentrado na Isla de la Cartuja, uma porção de terra ao sul do rio Guadalquivir que, até então, concentrava apenas indústrias de cerâmica e funilarias. Hoje, os pavilhões que foram criados para aquela exposição continuam sediando eventos. Há também um parque temático infantil e, na antiga fábrica de cerâmica da Cartuja, existe uma galeria de arte contemporânea. 

O maior legado desta exposição universal, porém, foram a ampliação do aeroporto internacional, a urbanização da região ao redor da Ilha da Cartuxa e  as pontes que ligam o centro histórico da cidade ao outro lado do rio Guadalquivir. 



Segundo soube lá em Sevilla pelos colegas de mestrado do Harold, até 1992 só havia uma ponte ligando a cidade ao sul, na zona urbana: a Puente de la Triana (que é um bairro tradicionalmente ligado aos ciganos e ao flamenco). Todas as demais foram feitas para a exposição e hoje não dá mais para imaginar como a cidade vivia sem elas.

22/06/2012

Catedral nos detalhes



Para muita gente, igreja é tudo meio igual. Aliás, quem costuma viajar para a Europa, não se surpreende mais com muita coisa nessa área, dada a grandiosidade dos templos em Roma, Paris, Londres, e por aí vai...

Mas, como mencionei no post anterior, a Catedral de Sevilla é a maior catedral gótica do mundo e, como este é o estilo arquitetônico mais rico em detalhes e mais interessante para os que gostam de tudo que é relacionado à Idade Média, a vampiros e a filmes de terror, vale a pena prestar mais atenção e deixar pelo menos uma hora e meia para conhecer bem todo o lugar.

Das naves internas, do coro e do Monumento de Colombo, eu já falei...





Mas de um jacaré de verdade, empalhado e pendurado no teto de um dos corredores externos da igreja, que é um dos pontos mais curiosos do lugar, ainda não. Teria sido presente de um rei africano...


O pátio externo, chamado de Patio de los Naranjos, é um bom lugar para dar uma descansada depois de subir a Giralda.


Lá em cima, o bom é evitar a hora em que os sinos tocam.


E, do lado de fora, sempre tem uma carrocinha esperando casais para um passeio com cavalos andaluzes...

21/06/2012

Sevilla e a Descoberta da América

Para quem curte história, Sevilla traz muita coisa relacionada ao período das grandes navegações dos séculos XV e XVI, inclusive no que diz respeito à Descoberta da América, em 1492.

Naquela época, sob o patrocínio dos Reis Católicos, Cristóvão Colombo deixou a Espanha em embarcações que hoje são reproduzidas em miniatura no museu dentro da Torre del Oro. Essa torre é uma fortificação militar em formato dodecagonal (12 lados), construída originalmente pelos árabes e depois tomada pelos espanhóis, que fica nas margens do Rio Guadalquivir.



Embora não seja muito alta (acredito que equivalha a um prédio de uns 8 andares), o lugar serve para que se tenha uma boa vista do rio e do centro histórico da própria cidade. Lá dentro, além de réplicas de barcos, há um pouco da história das navegações na época do Império Espanhol.


O corpo de Cristóvão Colombo está "enterrado" dentro da Catedral de Sevilla. As aspas ao enterrado se justificam, porque na verdade os seus restos mortais estão numa espécie de monumento de mármore, sustentado por quatro estátuas gigantes, como se fosse uma procissão fúnebre. É por isso que nas fotos as pessoas aparecem bem pequenas, lá embaixo.


A catedral de Sevilla, aliás, uma das principais atrações turísticas da cidade, é a maior igreja gótica do mundo e a terceira maior catedral do mundo inteiro. O lugar é gigantesco e não se consegue bater uma foto do lado de fora que pegue uma fachada inteira. 

Do lado de dentro, as naves são bastante longas e o pé-direito muito, mas muito alto. Algumas partes são bem escuras e meio sombrias, outras são bem ornadas com ouro e relíquias. Vale a pena prestar atenção no coro.



O monumento com o corpo de Colombo fica no canto direito ao fundo, em relação à porta principal. Na verdade, a entrada se faz por uma porta lateral, na praça que separa a Catedral do Alcázar e do Archivo de Índias, onde se paga um entrada que dá direito também a subir na Giralda. 

A Giralda é a torre do sino da catedral, mas originalmente era um minarete árabe, de onde os muezins chamavam os fieis para as orações, na mesquita que ficava no mesmo lugar. A subida até lá em cima é grande, mas menos cansativa do que em outras torres Europa afora, porque é toda em rampas (antigamente se subia a cavalo até lá em cima, para tocar os sinos).

Uma vista de 360° do centro histórico e a possibilidade de ver de perto o complexo telhado da catedral são as recompensas para quem faz o esforcinho de chegar até o topo.

Pertinho da Catedral, o Archivo de Índias é um prédio bastante importante na história de Sevilla, porque é lá que são guardados todos os documentos oficiais da época do Império Espanhol, como por exemplo a versão espanhola do Tratado de Tordesillas, que dividiu o Novo Mundo entre portugueses e espanhóis. O lugar, entretanto, tem um interesse apenas científico, porque são poucas as mostras que trazem algo interessante ao público em geral.