07/08/14

União Europeia, Espaço Schengen e Zona do Euro (ATUALIZADO até 08/2014)

ESTE POST JÁ TEM ANOS DE EXISTÊNCIA, E PELA IMPORTÂNCIA DAS INFORMAÇÕES NELE CONTIDAS, DECIDI ATUALIZÁ-LO CONTINUAMENTE:

Muitas das dúvidas relacionadas à Europa, no que se refere a assuntos como vistos, necessidade de passar ou não pela imigração, câmbio e outras questões burocráticas, são resolvidas se forem bem compreendidas as diferenças entre os conceitos de União Europeia, Espaço Schengen e Zona do Euro.
  • UNIÃO EUROPEIA
União Europeia é o nome atual da Comunidade Econômica Europeia, ou simplesmente Comunidade Europeia. Abrange, atualmente, 27 países europeus e 1 país asiático (Chipre), bem como seus territórios e colônias espalhados pelo mundo (Guiana Francesa, Ilhas Canárias, etc.). Esses países estão representados no mapa abaixo em amarelo:


Com relação a viagens, entender quais são os países da União Europeia (UE) só tem relevância se você possui passaporte europeu. Ter passaporte europeu significa que você tem cidadania europeia e que seu passaporte vale como se fosse de uma pessoa nascida em qualquer um dos 28 países da UE.

Nem todos os países da UE usam o Euro como moeda ou tem fronteiras comuns, sem controle de imigração.
  • ESPAÇO SCHENGEN
Espaço Schengen é o nome que se dá ao conjunto de países que assinou o Tratado de Schengen, que prevê a abolição do controle de imigração entre um e outro país membro desse mesmo tratado, bem como a observação de regras comuns com relação às fronteiras externas e à imigração de pessoas de fora desse conjunto de países. 

No mapa abaixo, estão representados em azul os países que fazem parte do Espaço Schengen:

Perceba que nem todos os países da União Européia estão no Espaço Schengen, a exemplo da Irlanda, do Reino Unido, da Croácia e da Romênia; perceba também que há países de fora da UE que estão em Schengen (Noruega, Islândia, Suíça). Romênia e Bulgária devem ingressar dentro de alguns anos nesse acordo.

Os países do Espaço Schegen funcionam, para efeitos de imigração, como se fossem um país só. Se você entrar num deles, NÃO precisa mais fazer imigração para seguir para os demais, porque não haverá controle entre um e outro. Apenas um carimbo será colocado no seu passaporte se você ficar dentro do Espaço Schengen a sua viagem inteira. 

Assim como você não precisa fazer imigração para ir de São Paulo para o Rio de Janeiro, do Rio para Porto Alegre e de Porto Alegre para Manaus, porque todos estão dentro da mesma zona imigratória, na Europa você não precisa fazer imigração (carimbar passaporte) quando vai de Lisboa para Madri, de Madri para Paris, de Paris para Berlin e de Berlin para Oslo. Isso vale tanto para viagens de avião como de barco, trem ou automóvel.

Agora, se você estiver em Paris (dentro de Schengen) e quiser ir para Londres (fora de Schengen), vai fazer a saída migratória (carimbo de saída) e a entrada no Reino Unido (carimbo de entrada). Se quiser voltar para Paris, vai carimbar sua saída da Inglaterra e a nova entrada na França. Tudo isso mesmo que você não tenha saído da UE. 

Brasileiros que pretendam viajar para países do Espaço Schengen por até 90 dias como turistas não precisam de visto. Entretanto, se quiserem trabalhar em algum país do Espaço Schengen, terão que procurar o consulado do país onde querem trabalhar para tirar um visto e esse visto valerá para todos os países do Espaço Schengen. Da mesma forma ocorre com países que precisam de visto até mesmo para turismo na Europa, como por exemplo bolivianos (precisam tirar um visto que vale para todos).
  • ZONA DO EURO
O conceito de Zona do Euro serve para que se saiba quais são os países onde se usa o Euro como moeda. Nem todos da UE usam e alguns países de fora da UE usam extra-oficialmente. Veja no mapa, em azul, onde se usa o Euro como moeda:


Em verde, estão os países que devem adotar o Euro num futuro ainda incerto. Em marrom (Reino Unido), está um país que optou por não usar o Euro, mantendo a Libra. Em vermelho, a Dinamarca, que está fazendo um plebiscito para ver se adota o euro. Os dois roxos (Kosovo e Montenegro) usam o Euro como moeda extra-oficialmente. 

Resumindo...

França, Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Finlândia, Áustria, Eslovênia, Eslováquia, Estônia, Letônia, Malta e Grécia são países que fazem parte da UE, usam Euro como moeda e não têm controle de fronteiras entre si. 

Suécia, Dinamarca, Lituânia, Polônia, República Tcheca e Hungria fazem parte da UE, não têm controle de fronteiras entre si, mas usam cada um a sua moeda própria. 

A Irlanda e Chipre fazem parte da UE, usam o Euro como moeda, mas fazem controle de fronteiras.

O Reino Unido, a Croácia, a Romênia e a Bulgária fazem parte da UE, mas usam moedas próprias e fazem controle de fronteiras. 

A Suíça, a Noruega e a Islândia não fazem parte da UE, têm moedas próprias, mas não fazem controle de fronteiras dentro do Espaço Schengen.

Os micro-países seguem a política do país do qual dependem. O Vaticano e San Marino seguem a política italiana; Mônaco e Andorra seguem a política francesa (usam Euro e não fazem controle de fronteira). Liechtenstein segue a política suíça (usa o franco suíço e deixou de fazer controle de fronteiras com a entrada da Suíça no Espaço Schengen, em dezembro de 2008).
 
Todos os demais países da Europa (Rússia, Ucrânia, Sérvia, Albânia, Belarus, Montenegro, Bósnia-Herzegovina, etc) seguem políticas próprias com relação a moeda, imigração e cidadania, alguns deles isentando turistas brasileiros de visto (exemplo: Croácia, Rússia, Ucrânia) outros exigindo visto de brasileiros (exemplo: Belarus).

06/08/14

Preparativos para a Europa - passaporte e visto (ATUALIZADO ATÉ 08/2014)

PELA IMPORTÂNCIA DO ASSUNTO, ATUALIZEI HOJE ESSE POST, ORIGINARIAMENTE PUBLICADO HÁ UNS 4 ANOS:

Quando falei dos preparativos para o mochilão a Machu Picchu, dei algumas dicas a respeito da documentação necessária para aquela viagem num tópico postado em 06/02/08. Se quiser dar uma olhada, clique aqui. Os preparativos para uma viagem para a Europa, no entanto, merecem um aprofundamento maior, já que são muitas as dúvidas a respeito e muitos os países que podem ser visitados. Mas vamos lá, então!
  • DOCUMENTO DE VIAGEM
Para viajar para a Europa, você precisa de um passaporte com validade mínima de 6 meses após a data de retorno e espaço suficiente nas folhas para alguns carimbos dos países por onde pretende passar. Se for ficar nos principais da Europa Ocidental, vai precisar apenas de um espacinho, pelas razões comentadas no post anterior (no Espaço Schengen não há controle interno de fronteiras). Tanto faz se for o passaporte novo (modelo azul) ou o antigo (modelo verde), o que importa é que esteja válido. Os endereços para fazer passaporte foram referidos nas dicas para Machu Picchu, relembradas acima.

Apenas cidadãos europeus podem viajar de um país europeu para o outro com documento de identidade nacional.
  • VISTOS
Em regra, a maioria dos países europeus não cobra vistos nem taxas de turistas com passaporte brasileiro para permanência de até 90 dias. Para não ficar nenhuma dúvida, vamos fazer uma lista dos que pedem e dos que não pedem visto para portadores de passaportes brasileiros:

PAÍSES QUE NÃO EXIGEM VISTO PARA TURISTAS (ATÉ 90 DIAS)

Chipre (está na Ásia mas faz parte da UE)
França (para territórios como Guiana Francesa e Polinésia, precisa)
Geórgia
Marrocos (fica na África, mas a um pulinho da Espanha)
Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Pais de Gales e Irlanda do Norte)
Romênia
Rússia (o acordo assinado para isenção de vistos entrou em vigor em 07/06/2010 e eu mesmo já viajei para lá sem visto depois disso)
Turquia (tanto a parte na Europa como a asiática)

PAÍSES QUE EXIGEM VISTO DE TURISTAS BRASILEIROS
Azerbaijão (pode ser tirado no aeroporto de Baku)
Belarus (Consulado no Rio de Janeiro emite)

29/08/13

Londres - Greenwich e o Imperial War Museum

Pois bem.

Depois de cerca de 6 meses sem postar absolutamente nada aqui no blog, decidi que já estava na hora de sair de um período de hibernação e voltar a escrever alguma coisa.

Nesse meio tempo, viajei bastante (como de costume) e escutei muitos comentários de pessoas que continuavam usando o "De Mochilão" como fonte de consulta - e são esses os dois principais motivos que me levam a querer continuá-lo. Como era de se esperar, ouvi também reclamações pela falta de atualização e pedidos para compartilhar algumas dicas sobre destinos que ainda não apareciam por aqui, mas que sabiam que eu já conhecia.

Para não deixar o assunto se perder, decidi, primeiro, terminar a série de posts sobre a viagem que fiz a Londres em setembro de 2008, tratando dos lugares que visitei em meus últimos dois dias naquela cidade e que ainda tinham ficado faltando aqui no blog.

Começo, por isso mesmo, falando do agradável dia de domingo que tive em Londres, quando o sol finalmente saiu com toda a força detrás das nuvens, no qual visitei a região de Greenwich e o Museu Imperial de Guerra.

Chegar em Greenwich, para quem está no centro de Londres, não é tarefa das mais fáceis e rápidas. São necessárias alguma baldeações de transporte público e, na maioria das vezes, conforme de onde se vem, até mesmo usar o DLR (Docklands Light Railway), um sistema de transporte público integrado ao metrô de Londres, mas que funciona mais como uma espécie de trem suburbano de superfície (o cartão Oyster vale para ele também).

Quando fui até lá, inclusive, havia obras de ampliação em algumas estações de metrô e do DLR na região próxima a Canary Wharf e, em razão disso, precisei usar ônibus substitutivos para percorrer um dos trechos. 

A região de Greenwich é completamente diferente de todo o resto de Londres: áreas abertas, muito verde, prédios clássicos em meio a parques e, ao fundo, arranha-céus cobertos de vidros espelhados, onde estão sediados grandes bancos e empresas. Ao redor de tudo isso, o Tâmisa, já mais largo do que no centro da cidade (a região é próxima do antigo porto) e dando algumas voltas - praticamente uma ferradura contornando o bairro.


Como era domingo, tive a oportunidade de ver um pouco da vida de londrinos típicos durante o final de semana, assim que cheguei por lá. Pessoas fazendo piqueniques ou simplesmente aproveitando o sol nos extensos gramados era a cena mais comum. Gente passeando com o cachorro, com os filhos pequenos ou simplesmente correndo pelos parques completavam o cenário.


A primeira coisa que fiz, assim que cheguei no local, foi subir até o ponto mais alto da região, onde está o Observatório Real de Greenwich, que é esse prédio que aparece na foto. 


É numa das torres do observatório que fica uma famosa esfera vermelha, que cai exatamente na hora cheia, para que os navios que estivesse passando lá embaixo, no rio, pudessem sincronizar seus relógios. Como qualquer turista que se presta para ir até ali, eu também fiquei esperando a bolinha fazer seu movimento curto e sem graça para tirar uma foto.

A importância do observatório está no fato de que ele, historicamente, foi utilizado como ponto de referência para traçar os meridianos do globo terrestre. Ali, passa justamente o "meridiano de Greenwich", ou a longitude 0°. Tecnicamente, pode-se considerar que uma pessoa que coloca um pé de cada lado desse meridiano está, ao mesmo tempo, no hemisfério ocidental e no hemisfério oriental. Em outras palavras, é o equivalente a cruzar o Equador, só que esse fica no sentido vertical...

A partir dessa definição dos meridianos, foram calculados também os fusos horários mundiais. Assim, toda a referência a horários parte da hora de Greenwich. Nós, no Brasil, por exemplo, estamos no fuso -3h em relação a Greenwich (muito embora hoje em dia seja mais correto falar em "Tempo Universal Coordenado" do que hora de Greenwich).

Dentro do prédio do observatório, é possível visitar gratuitamente uma espécie de museu do fuso horário e entender a importância histórica do lugar, inclusive com a possibilidade de experimentar tipos antigos de observatórios espaciais. 

Depois de esgotar o que tinha para fazer por ali, desci parque abaixo em direção à Queen's House, o prédio branquinho que fica no centro do conjunto arquitetônico formado pelos demais edifícios do Antigo Colégio Naval Real.


Nessa parte, as atrações são pagas, mas é possível comprar um ingresso combinado que torna a entrada um pouco mais barata. Pode-se visitar o palácio propriamente dito e o museu naval. 

Eu mesmo não sabia, até chegar lá, que naquele lugar tinham nascido importantes reis da Inglaterra, como o famoso Henrique VIII e os demais integrantes da dinastia Tudor, além da Rainha Elizabeth I. Antes de ser destruído numa guerra civil, ali ficava o Palácio de Placentia, mas no século XVII a Rainha Anne determinou a construção de um novo palácio, que é o que está até hoje em pé.

Por muitos e muitos anos, portanto, essa foi a residência oficial da realeza britânica. Depois da construção de outros palácios, como o de Windsor e o de Buckingham, entretanto, a realeza deixou o lugar e um hospital público para marinheiros foi então construído aproveitando parte da estrutura. Mais tarde, o lugar se tornou também a sede da escola naval inglesa e, depois de ter sido fechado para essa função, tornou-se um museu marítimo. O conjunto é protegido pela UNESCO e reconhecido, hoje, como Patrimônio da Humanidade.

Dentro do palácio propriamente dito, há objetos da realeza e quadros para serem vistos, como se ainda fosse um castelo real. Nas alas adjacentes, as mostras do museu estão relacionadas à história naval do Império Britânico, que por muitos séculos deteve o controle dos mares mundo afora, conquistando e mantendo suas possessões graças à força de sua Marinha.

A mostra explica as grandes batalhas navais inglesas, como a de Trafalgar, e vai até os dias atuais, mostrando como o turismo se desenvolveu ao longo do século XIX e XX, com os primeiros transatlânticos e, posteriormente, com os navios de cruzeiro. Falando assim, parece chato, mas tem bastante coisa interessante para se ver por lá e devo ter ficado pelo menos umas duas horas olhando tudo. 

Quando finalmente terminei a visitação ao museu marítimo, já eram mais de 4 horas da tarde, e decidi fazer ainda outro passeio antes de voltar ao centro. Aproveitei que estava numa área ao sul do rio e fui para outra atração que também estava nessa margem. Cortei caminho pegando um ônibus urbano, coisa que raramente faço em viagens, já que me sinto mais seguro para não me perder em cidades grandes usando o metrô.

O Museu Imperial da Guerra, lugar que eu queria conhecer, é, na verdade, dividido em 4 ambientes diferentes. O mais tradicional e mais amplo é o que conheci, na zona sul de Londres.




Chegando lá, confesso que não gostei tanto assim do lugar. Tinha na cabeça, ainda, a experiência de ter conhecido o excelente museu de guerra do Hotel des Invalides, de Paris, e esse de Londres não chegou nem perto... 

Estão expostos armamentos de guerra, aviões das duas Guerras Mundiais e inclusive bastante material capturado dos inimigos da Inglaterra, principalmente da Alemanha. Um pedaço do muro de Berlim, aliás, está exposto do lado de fora, na entrada do museu. 

Como o lugar fechava às 6 da tarde, acabei ficando menos de uma hora lá dentro, por isso também não posso dizer que conheci adequadamente o museu.