31/07/2010

Retomando

Essa semana ainda retomo os posts com a regularidade de antes!!! Estou na Croacia, terminando um mochilao de duas semanas, quase voltando para casa!

22/07/2010

Santiago: Cerro San Cristobal

O Cerro San Cristobal equivale ao Central Park para Santiago. O lugar, para começar, é muito grande. Olhando lá debaixo ou no mapa, não dá para ter ideia.

A parte da frente do cerro, mais próxima do centro, é a mais alta. Ali, bem no topo, está o Santuário da Imaculada Conceição, com uma imagem da Virgem que pode ser vista de quase toda cidade - exceto em dias de muita poluição. Nessa parte é que chega o funicular que vem de Bellavista.

O santuário tem várias estátuas e grutas religiosas, onde as pessoas vêm pagar promessas ou simplesmente rezar. Há uma escadaria toda ajardinada que forma um visual muito bonito. A vista lá de cima é impressionante. Dá para ter uma visão de pelo menos uns 200° da cidade.

Um pouco atrás do santuário, há um teleférico que leva para outra parte elevada do cerro, passando por cima de um bosque. Lá embaixo, há pistas que muitos usam para correr ou para passear de bicicleta.
Do outro lado, há uma área onde vários casais ficam namorando e que famílias usam para fazer piquenique, embaixo de coqueiros. A vista também é muito bonita e a tranquilidade é impressionante. Um lugar no meio da cidade, mais elevado, com silêncio quase total - só o vento e alguns gritinhos de crianças vindo das piscinas públicas do cerro podem ser escutados.
Há duas piscinas no cerro. Basta pagar para tomar um banho. Até tínhamos levado toalha e roupa para entrar, mas nos desencorajamos porque parecia muito muvucado. Dá uma olhada no formigueiro que estava na piscina Tupahue.
O teleférico tem duas estações e, depois de conhecer essa parte central do Cerro, seguimos para a segunda, numa parte já bem mais baixa, já próxima do bairro de Providencia. Daquele lado, que tem uma saída do Parque ao nível do chão, há mais restaurantes, sorveterias e um jardim japonês. Brinquedos para crianças e mais pistas completam o cenário, que é muito agradável para curtir o final de semana.

18/07/2010

Santiago: Casa de Neruda


Uma das principais atrações do bairro de Bellavista é a casa em que Pablo Neruda passou a maior parte de seus dias. O lugar fica numa rua bem estranha, mais parecida com um beco, numa subidinha ao pé do morro. Não tem como errar o caminho: basta ir até a praça de onde se pega o funicular para subir o Cerro San Cristobal e seguir a rua à direita, margeando a encosta, até encontrar uns murais coloridos muito bonitos, que foram pintados bem em frente à dita casa.

Essa casa de Neruda é conhecida como “La Chascona”, ou “a descabelada”, e é apenas uma das três em que o poeta viveu ao longo de sua fase como o maior expoente da literatura chilena. Outra das casas do artista fica em Valparaíso e a terceira em Isla Negra, um pouco ao sul de Valparaíso.

A casa foi construída para que ele vivesse com sua companheira e hoje abriga um grande acervo de itens que Neruda ganhou ou comprou ao redor do mundo, enquanto era diplomata. A fixação do artista por coisas que lembrem o mar aparece em quase todos os cantos da casa, que não deixa de parecer um grande navio. Há janelas em forma de escotilhas, escadarias por todos os lados e muitos itens de decoração com motivos marinhos.

Em alguns pontos da casa, o humor do dono se revela. Há passagens secretas, fantasias e alguns móveis só para fazer graça, principalmente nas partes onde recebia seus convidados.

Mais no fim do passeio, há fotos mostrando como a casa foi invadida, parcialmente saqueada e ocupada logo depois do golpe militar de 1973, orquestrado pelo Pinochet. Neruda morreria logo depois desse golpe, após anos sofrendo com problemas vindos com a velhice.

Mesmo quem não conhece a obra de Neruda acaba achando o passeio interessante, principalmente se participar de um dos tours guiados que são feitos pelo local, a cada 15 minutos, com duração aproximada de meia hora. Não lembro exatamente qual o preço da visita, mas fica em alguma coisa entre 10 e 20 reais por pessoa.

15/07/2010

Santiago: Bellavista

Bellavista, que fica entre o rio Mapocho e a frente do Cerro San Cristobal, é talvez o bairro mais interessante de Santiago.

Além de ter a noite mais agitada da cidade, principalmente no estilo “universitário”, suas ruas têm calçadas em boa parte coberta por árvores, o que tornam a caminhada mais agradável. Há inúmeras feirinhas de artesanato e galerias de arte – tudo com preços mais acessíveis para quem se interessa por comprar.

A maior parte dos lugares para se ver ficam ao longo da Calle Pio IX, a principal do bairro, que começa logo depois da ponte sobre o rio Mapocho e vai até a Plaza Caupolicán, entrada do Cerro.

Diferentemente do que ocorre com bairros nesse mesmo estilo aqui no Brasil, ou mesmo em San Telmo, em Buenos Aires, ou em alguns países europeus, há muito pouca gente pedindo dinheiro ou assediando os transeuntes para vender bugigangas, o que torna as coisas mais agradáveis.

A Terraza Bellavista é uma das maiores galerias comerciais desse bairro, tendo vários bons restaurantes, lojas, bares e galerias num só lugar, valendo uma passadinha ou mesmo uma refeição. Numa das minhas andanças por lá, aproveitei para comer uma paella negra de frutos do mar, coisa que conheci em Barcelona e que desde então, sempre que vejo, fico com vontade de repetir.
Há um zoológico bem interessante, cuja entrada fica na Plaza Caupolicán, na direção oposta à entrada do funicular (pode-se também ir de funicular e começar o zoológico pela parte de trás). Os lugares onde ficam os animais são todos na encosta do morro e, à medida que se vai visitando-os, vai-se subindo gradativamente até um ponto em que já se tem uma boa vista da cidade. A parte onde ficam as aves é bem legal, porque é bastante grande e são as pessoas que entram onde os animais estão. Há portões duplos na entrada e na saída, para que os bichos não escapem, mas, uma vez ali dentro, eles ficam livres para voar e até mesmo fazer uma sujeira na cabeça de algum visitante.
No dia em que fomos ao zoo, fazia bastante calor e era pouco depois do meio-dia. Os animais maiores e principalmente aqueles de regiões mais frias estavam um pouco assoreados ou dormindo mesmo. Uma das cenas mais engraçadas da viagem que fiz com minha namorada foi justamente quando estávamos tentando enxergar o pinguim e, como não conseguíamos, pedimos a um zelador para nos mostrar onde o bicho estava. Ele, muito solícito, entrou na pinguinera, acordou um pinguim e tocou-o para fora da toca, só para que a gente o visse. O coitado estava meio sonolento ainda e com uma cara de “onde estou?”, “quem sou eu?”.


Outro passeio obrigatório acaba sendo o próprio funicular para subir o Cerro San Cristobal. O aparelho é bem antigo (chega a dar medinho), mas é bem rápido e seguro (mais do que os de Valparaíso). Geralmente há filas para subir, porque não cabe muita gente. Lá em cima, o funicular deixa o turista pertinho do Santuário da Imaculada Conceição, que é o ponto mais alto do centro da cidade, onde até o papa já rezou missa.

12/07/2010

Santiago: quando ir


Santiago tem um clima predominantemente seco a maior parte do ano. Contudo, a variação da temperatura é bastante grande. No inverno, existe a possibilidade até mesmo de neve, mas isso é um pouco raro por causa do calor das indústrias e dos carros e pelo ar seco que parece sempre pairar por cima da cidade. No verão, o sol chega a arder e é bom sempre andar com protetor solar e tomar bastante água.

Não cheguei a ver chuva em nenhuma das três vezes em que estive por lá, mas um amigo meu pegou num mês de setembro.

Na primeira vez que fui, entre o natal e o ano-novo, as pessoas perguntavam, afinal de contas, o que é que eu ia fazer no Chile naquela época do ano. Eu mantenho a mesma opinião que tinha antes disso: sempre tem o que fazer, em qualquer época do ano.

É claro que não dá para fazer esportes na neve em janeiro (o que nunca foi minha pretensão), mas todo o resto está disponível, inclusive a possibilidade de um banho no oceano Pacífico a apenas uma hora da capital. Os parques estão cheios de gente, há até piscinas públicas abertas no Cerro San Cristóbal; as vinícolas seguem com a visitação; o sol fica lá em cima até mais tarde; há menos gente na cidade (já que muitos saem de férias), embora a noite seja mais agitada. Comer frutos do mar, sem dúvida, também é mais agradável no verão, e esse é um dos meus programas preferidos enquanto estou lá.

No inverno, em compensação, as pessoas aproveitam mais o vinho e, é claro, vão às estações de esqui (que tem custos incompatíveis com um orçamento de mochileiro, diga-se de passagem).

Um problema constante de Santiago é a nuvem de poluição que fica quase sempre no ar (eu não tenho problemas respiratórios, por isso nunca sofri com isso). Só dá uma limpada com uma boa chuva. Raramente dá para ver as montanhas que rodeiam a cidade nitidamente, por causa dessa nuvem. Quando se chega de avião, tem-se a impressão de que se está indo para um “nada” todo cinza. Das vezes que fui, senti isso mais na segunda, num mês de abril.

11/07/2010

RÚSSIA SEM VISTO PARA TURISTA BRASILEIRO


SOBRE ISENÇÃO DE VISTOS DE CURTA DURAÇÃO

Comunicamos que entrou em vigor, no dia 7 de junho de 2010, o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da Federação da Rússia para a Isenção de Vistos de Curta Duração para Nacionais da República Federativa do Brasil e da Federação da Rússia, celebrado no Rio de Janeiro em 26 de novembro de 2008.

Os nacionais do Brasil e da Rússia portadores de passaportes nacionais válidos estarão isentos de visto para entrar, sair, transitar e permanecer no território da Rússia, se brasileiros, e do Brasil, se russos, por um período não superior a noventa (90) dias, a cada período de cento e oitenta (180) dias, a partir da primeira entrada.

Os nacionais brasileiros e russos portadores de passaportes nacionais válidos deverão obter os vistos apropriados segundo a legislação da Rússia, se brasileiros, e do Brasil, se russos, se pretendem desempenhar qualquer atividade remunerada ou empregatícia, atividades missionárias, trabalho voluntário, estudos, estágios e pesquisa.

Os nacionais brasileiros e russos podem entrar, transitar e sair do território da Rússia, se brasileiros, e do Brasil, se russos, através dos pontos de fronteiras abertos ao tráfego internacional de passageiros.

Serviço de Imprensa da Embaixada da Rússia no Brasil

10/07/2010

Santiago: onde ficar


Santiago é uma metrópole. Não chega a ter o tamanho de São Paulo ou de Buenos Aires, mas abriga alguns bons milhões de pessoas, numa área bem extensa, principalmente no sentido norte-sul, ao longo do Rio Mapocho. Por isso, é importante ter uma idéia de como são os bairros para escolher onde se quer ficar durante a permanência na cidade.

Quanto mais ao norte da cidade (e próximo das estradas que levam às estações de esqui), mais chiques e caros são os bairros. Os bairros mais humildes, inclusive mais violentos, estão ao sul e ao oeste.

Se a sua intenção na cidade é sair para a balada quase todas as noites, os dois melhores bairros para se ficar são o Bellavista, que fica no pé do morro onde está o zoológico, e o Providencia, um pouco mais ao norte.

O Bellavista equivale à Cidade Baixa de Porto Alegre. Como tem faculdades por perto, há muitos estudantes morando na região. Também em razão do histórico de artistas que moravam por ali (inclusive Neruda), há muitos ateliês e galerias de arte. O lugar concentra muitos bares de salsa (as salsotecas) e também bastante lugares com rock e freqüentados por punks. Os restaurantes são mais simples, com mesinhas na rua, e geralmente mais baratos. Como sempre há bastante gente na rua, é relativamente tranqüilo andar à noite, mas é bom não dar bobeira, especialmente se estiver sozinho ou em ruas mal iluminadas.

Os albergues desse bairro costumam ser mais do tipo “festerê”, geralmente em prédios mais velhos e meio improvisados.

A Providencia tem fama de ser um bairro mais caro, mas não é tanto assim. Las Condes e Vitacura, no extremo norte da cidade, tiraram o lugar da Providencia como o bairro mais chique já faz bastante tempo. Ali, há restaurantes de melhor qualidade e, principalmente na Calle Suécia, vários barzinhos e danceterias, um do lado do outro. Uma minoria é freqüentada por gente de mais dinheiro, mas o maior público é de classe média mesmo. Os lugares mais caros, como eu disse, ficam em Vitacura e Las Condes. Os locais garantem que é tranquilaço andar na rua à noite.

Os albergues desse bairro costumam ser mais do tipo “residencial”, alguns até com pretensões de hotel butique, guardadas as devidas proporções para um albergue.

Os guias de viagem, como o Lonely Planet, fazem recomendações sobre o Barrio Brasil, que fica ao sul do centro, como um lugar de rica vida cultural, mais autentico, que está ressurgindo, etc. e tal, mas fato é que não achei nada de interessante por lá. Pareceu mais um bairro bem caidinho, mais sujo e malcuidado que os outros bairros centrais de Santiago. Como eu já achei o Bellavista alternativo o suficiente, não acredito que viesse a gostar da região.

Por fim, o centro e o bairro Lastarria, que fica ao seu lado, antes da Bellavista, aparecem como outra boa opção, tanto pela localização como pelo que oferece. O lado do centro ao redor da Plaza de Armas, do Mercado e do Palácio da Moneda é meio deserto à noite e só tem uns lugares meio esquisitos abertos à noite, por isso são regiões a serem evitadas. Já para o norte, próximo ao Cerro Santa Lucia, quase no Lastarria, a coisa é bem diferente. Há muitos restaurantes bons e barzinhos logo ao lado do parque que fica em frente ao Museu de Belas Artes, sendo uma região bastante agradável. Conheci brasileiros que estavam estudando em Santiago que tinha alugado apartamento naquela região também.

Nas duas vezes em que fiquei em albergue em Santiago, fiquei no extremo norte do centro, no Hostel Andes, que gosto muito e recomendo como um dos melhores em que já estive. Na vez em que fiquei em hotel, fiquei num da rede Best Western, na Providencia (minha associação tem desconto nessa rede!!), pertinho da Calle Suécia. Tenho amigos que já ficaram na Bellavista (e falaram do climão meio bagunçado dos albergues) e é com base nessas experiências que falo o que disse aqui.

08/07/2010

Santiago: do aeroporto ao centro


O aeroporto de Santiago fica fora da cidade, a uma distância de mais ou menos 20km do centro, numa cidade da região metropolitana chamada Pudahuel. Ir a pé está totalmente fora de questão, portanto.

O metrô de Santiago, embora seja o maior da América do Sul em número de linhas e estações, ainda não chegou até lá (e nem vai nos próximos anos). Com isso, para quem quer economizar, como todo bom mochileiro, as opções ficam um pouco mais restritas.

Um táxi do aeroporto até a região central da cidade sai relativamente mais barato do que no Brasil, mas ainda assim é um preço caro a ser pago por apenas 1 ou 2 pessoas. Se estiver num grupo de 3 ou de 4, já é uma boa opção a se considerar. Além de ser o meio mais rápido e seguro, ainda traz a vantagem de ir mostrando a paisagem até o destino, bem como de levar os passageiros com bagagem mais pesada (e a mochila?!) de ponto a ponto, sem esforço. Só cuidado com o horário: na hora do rush, de manhã cedo ou no fim da tarde, pode ser uma grande roubada, porque geralmente há muito trânsito. Na saída da sala de recolhimento de bagagem, normalmente vários taxistas assediam os turistas de um jeito bastante irritante, tentando convencer os turistas a irem com eles. O melhor é ir até um balcão e comprar uma corrida por um preço fechado ao invés de seguir com esses desconhecidos.

A melhor opção, na minha opinião, é pegar um ônibus daqueles que só fazem o trajeto do aeroporto (shuttle), que são um pouco mais caros do que os ônibus urbanos comuns, mas que tem guarda-bagagem, poltronas estofadas e um pouco mais de segurança. Há umas duas ou três empresas desses ônibus saindo do terminal de desembarque do aeroporto, de 15 em 15 minutos, com qualidade e preços semelhantes. Custam aproximadamente uns 8 reais por pessoa e permite saltar na estação Pajaritos ou na Alameda (de onde saem ônibus para outras cidades, como Valparaíso e Viña Del Mar), além do destino final da linha, que costuma ser as redondezas do Palácio de La Moneda, no centro. De qualquer forma, você terá de pegar mais um metrô ou outro ônibus para chegar ao seu albergue ou destino final, o que custa ainda uns 2 reais por pessoa. Para evitar o trânsito pesado nas horas de pico, a dica é saltar na estação Pajaritos e pegar o metrô já desde ali, porque os congestionamentos são na área mais central da cidade.
Para quem estiver querendo economizar mesmo, ainda restam opções de ônibus urbanos comuns, que levam quase uma hora no trajeto até o centro, mas garantem uns pesos chilenos a menos.

Eu, pessoalmente, já fiz o trajeto dos dois primeiros jeitos, sem problemas. À noite, com preguiça, optei pelo táxi, mas de dia, quando não estava com pressa, fiz o esquema bus-metrô em Pajaritos.

06/07/2010

Preparativos e documentos para o Chile

O Chile é um país associado ao MERCOSUL, mas não faz parte dele com a mesma “profundidade” que Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Você vai perceber algumas diferenças em relação a cuidados maiores na questão da imigração, principalmente no que diz com aduana – o cuidado que eles têm para evitar a entrada de frutas e hortaliças beira a paranóia.

DOCUMENTO DE ENTRADA: é possível viajar para o Chile com a carteira de identidade civil brasileira (aquela verdinha) emitida pelos órgãos de polícia civil estaduais. O documento deve estar em bom estado de conservação e não ter mais do que uns 10 anos, desde a emissão. Nem tente viajar com carteira da OAB, identidade militar, carteira de motorista ou qualquer outro documento que tenha validade de carteira de identidade aqui no Brasil, que não vão aceitar. Entretanto, se preferir viajar com o passaporte brasileiro, é melhor ainda. Só com o passaporte é possível pagar tarifas menores nos hotéis, com o desconto que eles dão tirando impostos dos quais turistas são isentos. Se você pedir, alguns hotéis e pousadas farão uma nota fiscal de serviços exportados, com o valor da tarifa sem tributos para você, desde que apresente o passaporte. O único cuidado em relação ao passaporte é que ele deve ter pelo menos 6 meses de validade restando (e também uma folhinha para os carimbos de entrada e saída).

CARTÃO DE IMIGRAÇÃO: já no vôo para o Chile, você receberá da companhia aérea um daqueles cartões de imigração para preencher, independentemente de estar viajando com passaporte ou carteira de identidade. Esse documento, depois de carimbado pelas autoridades na imigração, deve ser guardado a viagem inteira (hotéis costumam pedir) e devolvido na saída, sob pena de multas. Não é diferente do que ocorre em muitos países. O cartão da aduana, que também é entregue no avião para preencher, fica com os fiscais da “Receita Federal” deles logo no aeroporto.

CARTEIRA DE MOTORISTA: diferentemente do que ocorre na Argentina e no Uruguai, a carteira de motorista brasileira não é aceita no Chile como prova da condição de motorista. É preciso fazer uma PID (Permissão Internacional para Dirigir) aqui no Brasil, em qualquer CFC. Antigamente, essas carteiras internacionais eram caras, demoradas e difíceis de conseguir, porque só clubes de automóveis as faziam. Hoje em dia, pelo menos aqui no Rio Grande do Sul, paga-se R$ 38 em qualquer Centro de Formação de Condutores e em 5 dias úteis ela chega. Parece um mini-passaporte e tem a mesma validade da carteira de motorista normal, com a mesma categoria habilitada.

VACINAS: o Chile não costuma pedir certificados de vacina.

DINHEIRO: no Chile, a moeda é o peso chileno, que geralmente oscila numa cotação de 650 a 720 pesos por dólar. A conta é bem difícil de fazer de cabeça, mas geralmente fica em algo como 4 ou 3 reais por 1000 pesos. Não há boas cotações aqui no Brasil, por isso é melhor sacar em pesos chilenos no caixa automático quando chegar lá no país ou levar alguma coisa em dólar para trocar em casas de câmbio. O euro está crescendo, mas ainda não é tão fácil de trocar como o dólar. Há notas de 1 mil, 2 mil, 5 mil, 10 mil, 20 mil e 50 mil circulando, bem como moedas de 500, 100, 50, 10 e 5 pesos. O 1 peso praticamente foi erradicado e nas notas fiscais aparece uma mensagem dizendo que você doou aquele trocado para um a fundação ou não sei o quê.

04/07/2010

Voos para o Chile


Todos os vôos diretos entre o Brasil e o Chile têm como destino o aeroporto de Santiago, chamado Comodoro Arturo Merino Benitez (sigla SCL). Há várias opções de horários todos os dias, principalmente através de São Paulo (aeroporto de Guarulhos).

Há várias companhias aéreas fazendo esse trecho também, com saídas de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Dentre elas as brasileiras Gol (com serviço de bordo Varig) e TAM, a chilena LAN e, com conexões em Montevideo e Buenos Aires, respectivamente, a Pluna e a Aerolineas Argentinas.

Nas três vezes que fui ao Chile acabei utilizando o serviço da Gol, principalmente porque, até então, não havia opção melhor. A Aerolineas estava recém se recuperando de sua crise financeira, a Pluna ainda não havia reinaugurado a conexão com Porto Alegre e todos os vôos da TAM e da LAN passavam por São Paulo. Com isso, o vôo Porto Alegre – Buenos Aires – Santiago – Lima, que saía às 6h da manhã do aeroporto Salgado Filho acabava sendo minha melhor opção.

Para quem mora no sul do país, hoje a melhor opção acaba sendo a Pluna. Primeiro, por causa do preço: é disparado o menor de todos (um amigo meu que andou pesquisando essa semana falou em tarifas de ida e volta de Porto Alegre por 596 reais, com taxas!). Em segundo, porque a Gol andou encolhendo bastante a malha e piorando os horários de seus vôos para Argentina e Chile, desde a época da gripe suína, sem contar que já tinha suspendido a parte do vôo que ia até Lima. Em terceiro, por causa do horário. O tempo de conexão em Montevideo não é tão longo assim e o aeroporto é bem tranqüilo. Com relação à qualidade e confiabilidade, não é pior nem melhor que a Gol. Fica aí a dica, portanto.

Se a idéia é resgatar passagens com alguma milhagem do Smiles e do Fidelidade, é importante observar que o prazo máximo de antecedência é de 3 meses. Ou seja, vale a mesma regra das passagens nacionais, e não das internacionais, porque o vôo é dentro da América do Sul. Dependendo da época e da promoção, dá até para emitir trechos com 6000 ou 8000 milhas – se bem que isso está cada vez mais raro.

Um problema em comum com as companhias que voam para lá é o fato de colocarem aviões de porte médio para voar a distância, que não fica em menos de 4 horas. Uma coisa é voar duas horinhas num desses Boeings da Gol; outra é fazer 4 horas nessas mesmas condições, à base de barrinha de cereal e de sanduíche de mortadela, sem qualquer entretenimento decente. Nesse quesito, não conheço porque nunca fui nem pesquisei, mas acho que a LAN é melhor.

Seja qual for a forma como se vai para o Chile, o ponto mais interessante da viagem ocorre uns quinze a vinte minutos antes de chegar em Santiago: cruzar por cima da Cordilheira dos Andes. Não tem como resistir, pelo menos na primeira vez, a ir até uma janelinha, mesmo que por cima de outro conhecido, para ficar olhando a imensidão daquelas montanhas e, para muitos, pela primeira vez um pouco de neve ou gelo ao vivo – se bem que distante. O Aconcagua, alguns lagos sem nome, vales em que possivelmente andaram aqueles sobreviventes do filme “Vivos”, um céu ainda mais azul do que o que se vê por aqui, a paisagem é realmente muito bonita.

02/07/2010

Chile


Como mencionei nos posts sobre o mochilão ao Atacama, estive no Chile várias vezes nos últimos tempos.

A primeira vez foi em 2003, na volta de Machu Picchu. Naquele ano, usei o país apenas como passagem de volta para casa. Ficamos algumas horas em Arica, na praia, esperando o ônibus para Calama, onde amanhecemos no dia seguinte. De lá, outro ônibus para Salta, na Argentina, com uma pequena parada para fazer a imigração em San Pedro de Atacama.

A segunda vez, em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, foi aquela em que melhor conheci o país. Fiquei 10 dias, entre Santiago, Valparaíso, Viña Del Mar e Pucón, numa viagem com a minha namorada – um pouco diferente de um mochilão. É com base nessa viagem que pretendo contar a maior parte das coisas sobre Santiago que serão tratadas nos posts dos próximos dias.

Houve ainda uma terceira vez, em abril de 2009, quando fui com mais 5 amigos assistir a um jogo do Grêmio pela Libertadores, em que ficamos 5 dias entre Santiago e Valparaíso.

Por fim, houve aquela que acabei de contar, na volta do Atacama, em que basicamente só fomos a Valle Nevado e às compras na capital, além de conhecer Iquique e San Pedro de Atacama.

Hoje, aquele país, que parecia algo tão distante e diferente para mim, até bem pouco tempo atrás, tornou-se extremamente “próximo” e mais fácil de entender.

O Chile é muito diferente da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, da Bolívia, enfim, de qualquer de seus vizinhos. No guia da Lonely Planet, define-se a psique do povo chileno como a de um povo insular (que vive numa ilha), e não é por menos.

Isolado do resto do mundo em razão da Cordilheira dos Andes a leste, do deserto do Atacama ao norte, das geleiras eternas ao sul e do oceano Pacífico a oeste, esse país, que tem 24 vezes mais comprimento do que largura, é definitivamente um “estranho no ninho” da América do Sul.

A economia mais dinâmica do país é o que mais chama a atenção. De certa forma, o país tem um pouco de Estados Unidos (ou de México), no tipo de carro, no tipo de construção e no tipo de moda que se vê nas ruas. Há menos influência de imigrantes europeus do que na Argentina, no Uruguai e no sul do Brasil, mas a população mestiça de índios e espanhóis parece ter tido muito mais sucesso do que no Peru ou na Colômbia.

Indo dos trópicos a uma região quase polar, o país se caracteriza pelos contrastes: desertos e geleiras; matas úmidas e descampados; neve e areia; mar, lagos, rios e vales; montanhas e altiplanos; frio extremo e calor inclemente. Tudo isso com um pouco de terremotos, vulcões, tsunamis, gêiseres, chuvas e secas, só para não cair na monotonia.

De certa forma, o Chile é uma Nova Zelândia aqui pertinho – não tão cara, com um idioma mais fácil e dirigindo do lado direito da rua. Tem arvorismo, montanhismo, trilhas, bungee jumping, esqui e snowboard, surf, rafting, estradas que nunca mais terminam para fazer de jeep ou de caminhonete ou trailer, além de bons vinhos, culinária interessante e segurança pública melhor que na Argentina ou no Brasil. Enfim, é um lugar muito bom para ir descobrindo aos poucos, e voltar e voltar várias vezes.