27/08/2012

Porto - Ribeira


O bairro da Ribeira é aquele que fica na margem do Rio Douro, na cidade do Porto. É praticamente o sinônimo da parte antiga do Porto e concentra a maior parte das atrações turísticas da cidade. 

A Ribeira é o tipo de bairro que, mesmo decadente, permanece charmoso. É o lugar mais típico do Porto e tem título de Patrimônio Mundial da Humanidade, pela UNESCO. 

A maior atração, por ali, é simplesmente caminhar pelo calçadão à beira do rio, admirando a vista de Vila Nova de Gaia e das pontes que atravessam o Douro, bem como o casario colorido, com sacadinhas de ferro, que dão a cara do bairro. 


Nos andares térreos da maioria desses prédios, há restaurantes de comida típica e bares, que começam a se encher de gente por volta do final da tarde e que só se esvaziam lá pela meia noite. 

O ponto de referência é a "praça do cubo", onde há várias mesinhas do lado de fora dos bares que cercam o lugar e, é claro, o cubo que dá o nome popular ao local. 


Um pouco mais longe da Ponte D Luís I, por onde entramos nessa parte da cidade, está o Palácio da Bolsa de Valores do Porto e a Igreja de São Francisco, grudadinha a ela. 


Por mais que você não goste de igrejas, a Igreja de São Francisco é uma atração que não pode deixar de conhecer. Do lado de fora, ela até parece uma igrejinha gótica como tantas outras, mas do lado de dentro o que se vê é a maior concentração de arte barroca por centímetro quadrado que eu já vi na vida. 

O lugar chegou até a ser desconsagrado, ou seja, deixou de ser uma igreja de verdade, para se tornar um local de visitação para turistas interessados em ver todas aquelas esculturas em madeira e todo aquele ouro recobrindo boa parte delas. 

Com relação ao Palácio da Bolsa, logo ao lado, demos o azar de encontrá-lo fechado, por isso não pudemos conhecer o seu interior. 

Próximo dali, também, fica a Casa do Infante Dom Henrique, o Navegador, local onde se imagina ter nascido o famoso personagem português, em 1394. 

Depois de termos conhecido a igreja e já cansados de um dia inteiro de passeios pela cidade, tratamos de escolher logo um restaurante típico para jantar, antes que eles ficassem lotados. 

Encontramos um com  a TV ligada e ainda pudemos curtir um jogo da seleção portuguesa, enquanto tomamos chopp e comemos bacalhau com batatas, num prato bem simples e barato, mais muito típico e gosto.

No final da janta (e do jogo), já era noite e demos mais umas caminhadas antes de ir embora. Ao invés de tomarmos o caminho mais curto até o albergue, decidimos subir pelo funicular dos Guindais e de lá seguir até a estação São Bento, onde compramos passagens para Lisboa, saindo no dia seguinte. 

25/08/2012

Vinho do Porto

O vinho do Porto é um produto mundialmente conhecido que levou o nome da segunda maior cidade portuguesa à sua fama atual. Um passeio por uma vinícola especializada na produção e comercialização desse produto é algo obrigatório a quem passa na cidade.

Citando a Wikipedia: "o vinho do Porto é um vinho natural e fortificado, produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, no norte de Portugal a cerca de 100 km a leste da cidade do Porto. (...) Apesar de produzida com uvas do Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esta bebida alcoólica ficou conhecida como "vinho do Porto" a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada para todo o mundo a partir desta cidade. Vila Nova de Gaia é o local com maior concentração de álcool por metro quadrado do mundo. (...) O que torna o vinho do Porto diferente dos restantes vinhos, além do clima único, é o facto de a fermentação do vinho não ser completa, sendo parada numa fase inicial (dois ou três dias depois do início), através da adição de uma aguardente vínica neutra (com cerca de 77º de álcool). Assim o vinho do Porto é um vinho naturalmente doce (visto o açúcar natural das uvas não se transforma completamente em álcool) e mais forte do que os restantes vinhos (entre 19 e 22º de álcool)."

As vinícolas são quase todas bastante próximas umas das outras e há uma em cada canto da parte de Vila Nova de Gaia que fica diretamente do outro lado do rio, em relação à Ribeira. As mais conhecidas são a Ramos Pinto (os fãs de Friends devem lembrar de um cartaz que existia no apartamento da Monica com a imagem símbolo dessa vinícola), a Sandeman (que tem os maiores cartazes publicitários próximos à ponte D Luís) e Taylor's (uma das marcas mais fáceis de encontrar nos free shops do mundo inteiro).



Seguindo a dica do Lonely Planet, caminhamos um pouco mais mas fizemos a visitação gratuita da Taylor's, que ocorria de meia em meia hora. 

Além de entender um pouco sobre o processo de criação do vinho do Porto, o tour serve para conhecer o interior dos armazéns da companhia e, obviamente, para experimentar um pouco de diferentes tipos de vinho do Porto, como os tawny e os ruby.




Nem sabia que existia, mas tomei até vinho do Porto branco naquela oportunidade. Para quem quer levar presentes para conhecidos, a boa é comprar mini-garrafinhas do produto que são vendidas em kits. 

Quando terminamos o tour, vimos que já eram uma 5 horas da tarde, mas tivemos uma grata surpresa: pela primeira vez o sol tinha dado as caras na cidade. Assim, conseguimos tirar algumas fotos mais legais da vista da Ribeira, antes de atravessar novamente a ponte, dessa vez na direção oposta.




23/08/2012

Passeios pelo Porto - ponte D Luís e o Douro

A linha de metrô que liga o centro velho do Porto a Vila Nova de Gaia (a cidadezinha do outro lado do rio Douro) faz um trajeto a céu aberto que, por si só, já vale como um passeio turístico. O trem passa pela parte superior da Ponte Dom Luís I, que é um dos mais importantes ícones da cidade do Porto e que permite uma bela vista das duas margens do rio, incluindo o bairro da Ribeira. 



A ponte Dom Luís I tem dois "andares": o de cima é só para o metrô e para pedestres, e o de baixo serve para carros e pedestres. Ela foi concluída em 1886 e a semelhança com a Torre Eiffel de Paris não é mera coincidência: seu projeto foi feito por um antigo sócio de Gustave Eiffel, seguindo a moda da época (Gustave Eiffel disputou o concurso público para projetar a ponte, mas perdeu para esse sócio).

Assim que chegamos do outro lado e descemos na estação Jardim dos Morros, viemos caminhando em direção ao antigo mosteiro da Nossa Senhora do Pilar, do qual se pode ter uma boa vista da ponte pela qual passamos havia pouco e do rio Douro. 





No ladinho da ponte, outra atração do Porto: o funicular dos Guindais, que foi reinaugurado em 2001, ano em que a cidade foi uma das Capitais Europeias da Cultura.

Foi ali em cima que descobrimos algo que qualquer um na cidade deveria estar sabendo, menos nós: naquele final de semana, ocorreria uma etapa da Redbull Air Race no Porto. Exatamente por isso, o rio Douro estava cheio daqueles marcos infláveis por meio dos quais os aviões da competição deveriam passar.



Além disso, havia várias vans de equipes de imprensa e muita movimentação de gente se preparando para o evento oficial no dia seguinte. Helicópteros voando por toda a extensão do rio aparentemente avaliavam se haveria condições de realizar o treino classificatório previsto para aquela tarde.

Alguns aviões até chegaram a sair, mas em poucos minutos tudo foi cancelado, devido ao mau tempo, segundo nos informaram. 

Depois de conhecermos um pouco dos arredores do antigo mosteiro, que estava fechado naquela hora, e de tentar fazer algumas fotos bacanas da vista, apesar do tempo, começamos a nossa descida em direção ao rio pelo Jardim dos Morros, que é separado do mosteiro pela Avenida da República.

Lá embaixo, vimos de pertinho os rabelos, que são os barcos típicos do rio Douro, utilizados antigamente para escoar a produção de vinho do Porto das partes mais altas do vale Douro até as vinícolas que se concentram em Vila Nova de Gaia, onde o produto era armazenado, comercializado e exportado. 




21/08/2012

Passeio pelo Porto

Como a chuva parecia que não daria trégua, decidimos colocar uns casacos mais apropriados para o tempo feio e comprar guarda-chuvas de camelô para começar a conhecer a cidade, já que teríamos apenas um pouco mais de 24 horas por ali, até descer para Lisboa.

Seguindo o nosso guiazinho daquela viagem, um Lonely Planet Portugal que já estava na 6ª edição, escolhemos como nosso primeiro ponto de visita a atração mais próxima do albergue Oporto Poets: a Igreja e a Torre dos Clérigos. 

Não foram necessários mais do que 5 minutos para que chegássemos ao pé da torre, que foi construída na metade dos anos 1700 e que continua sendo o ponto mais alto da parte velha do Porto. Segundo as informações turísticas, além de ficar numa parte mais alta, ela tem 76m de altura e 225 degraus até o ponto mais alto acessível a uma pessoa. 



A entrada à torre é cobrada, mas na época isso não saía por mais de 1 euro. Com aquela chuva fina persistente, éramos os únicos visitando o local naquela hora. Não há elevador nem pontos de descanso na torre, por isso encaramos os degraus de uma só vez, até chegar pertinho dos sinos.

Lá de cima, as janelas do campanário permitem uma vista de 360° da cidade, principalmente da parte antiga. Os telhados vermelhos e as torres das outras igrejas são as características mais marcantes do lugar. 




O vento e a chuva fina tornavam os degraus meio resvaladiços e a nossa permanência lá em cima acabou não sendo tão grande pelas condições em que tudo estava. 

Depois de descer da torre, entramos na Igreja dos Clérigos, logo abaixo, por uma porta lateral. A igreja  também estava vazia, não fosse por um homem cuidando do altar. Não conheço as cidades históricas de Minas Gerais, mas imagino que sejam parecidas com esta...




Só quando saímos da igreja, agora pela porta da frente, é que vimos como era a sua fachada, realmente muito parecida com as que se vê nas parte mais antigas do Brasil. 

Da igreja dos Clérigos, seguimos caminhando para aquilo que seria o centro da parte histórica do Porto, a Avenida dos Aliados. 



A tal Avenida dos Aliados é rodeada por prédios num estilo que lembram um pouco Paris ou Buenos Aires. Não há muito a se fazer por ali, a não ser pegar um dos vários ônibus que têm parada nos seus arredores e conferir as estátuas colocadas no meio da praça que divide as vias de ida e vinda dessa avenida, que não tem mais do que umas três quadras. 

Uma das estátuas causa uma certa perplexidade a brasileiros sem conhecimento da história de Portugal: o nosso Dom Pedro I está lá, com sua barba e bigode característicos, em cima de um cavalo, mas nesse país é chamado de D Pedro IV. Foi esse o título que ele assumiu após abdicar do trono Imperial (deixando o filho menor de idade no lugar) para assumir o reino português, após a morte de D João VI. 


Enquanto estivemos por ali, aproveitamos para encontrar um lugar daqueles em que se paga pelos minutos falados e ligar para casa, avisando que tudo tinha corrido bem e que já tínhamos chegado no nosso destino. 

Como a chuva apertou mais um pouco, decidimos que era hora de pegar o metrô e tentar a sorte no outro lado do rio, perto das vinícolas de vinho do Porto, em Vila Nova de Gaia. Para isso, descemos até a estação São Bento e esperamos o primeiro que estava passando em direção à estação Jardim do Morro. 


19/08/2012

Albergue no Porto

Assim que botamos o pé para fora da estação de São Bento, em direção ao albergue que tínhamos reservado pelo Hostelworld, a chuva começou a ficar mais forte. Com um mapinha já decorado na cabeça, pensava que não tinha como errar o endereço do lugar e que seriam apenas umas três quadras dali. 

Nosso objetivo era o "Oporto Poets Hostel" (Oporto é como se diz Porto em inglês), um albergue que na época estava muito bem cotado nos sites de reservas e que tinha reviews bastante bons. O site do albergue, para quem se interessar, é http://www.oportopoetshostel.com/public/index.php. O endereço dele é uma tal de Rua dos Caldeireiros, à qual se chega por uma tal Travessa do Ferraz. 

Andamos, andamos, andamos. Começamos a ter que parar debaixo das marquises das lojas para respirar um pouco das corridas com a mochila nas costas entre um ponto seco e outro, porque a chuva era cada vez mais forte, e percebemos que tínhamos chegado à "Rua do Ferraz"... mas nada de "Travessa do Ferraz". Começamos a perguntar para alguns comerciantes se conheciam a tal "pousada da juventude" (é assim que se diz albergue naquele país), mas ninguém nunca tinha ouvido falar. 

Chegamos até uma ladeiras que mais pareciam ter saído do Pelourinho, mas nada de alguma indicação do albergue ou de uma placa sobre a tal Travessa do Ferraz, que daria acesso ao nosso endereço. A essa altura. já tínhamos até colocado as capas de chuva das mochilas, porque começávamos a sentir que até as roupas dentro delas estavam se molhando. 

Depois de mais uns minutos tentando em vão encontrar o destino, demo-nos por vencidos e voltamos à estação de trens para pegar um táxi. Um velhinho numa Mercedona bem detonada nos atendeu e disse que conhecia sim a tal Rua dos Caldeireiros e que não seria longe dali, possivelmente coisa de uns 3 ou 4 euros a corrida. Depois de tirar muitos finos com o carro naquelas ruas bem estreitas e com veículos estacionados por todos os lados, ele finalmente parou num mesmo ponto em que estivéramos a pé minutos antes e disse: "é aqui". 

Aí eu me indignei. Disse que queríamos chegar na Travessa do Ferraz, e não na Rua com o mesmo nome, mas ele explicou que era só passar por uma viela por onde nem dava para ir de carro que chegaríamos lá em cima no nosso destino. Muito contrariado, desci do carro e pedi ao Ângelo que esperasse, para me certificar de que ele tinha dito a coisa certa. Depois que me convenci, peguei minhas coisas, pagamos e saímos, agora ladeira a cima, até finalmente ver a porta do maldito albergue que tanto nos custou a encontrar.



O Oporto Poets era um sobrado bem mal cuidado por fora, inclusive com um monte de lixeiras da vizinhança ao seu redor, sem cara de muitos amigos. Entramos lá e parecia que éramos os únicos por ali, já que chovia e recém passava do meio-dia. 


Fizemos o check in e pagamos antecipado, como é costume nos albergues, e fomos para nosso dormitório, no segundo andar. Era um quarto com chão de parquê e umas quatro camas beliche, quase todas já tomadas e com toalhas secando. Os lockers eram bem pequenos e não dava nem para deixar todas as coisas do lado de dentro. Do lado de fora, havia algumas cadeiras de jardim, mesas para o café da manhã e redes nas árvores.



A única coisa legalzinha era a vista da janela, que dava para o pátio do próprio albergue e que permitia uma primeira vista da cidade em que tínhamos chegado. Olha se não parece o Brasil?


A primeira coisa que fizemos foi abrir as mochilas e tratar de verificar o que tinha sido molhado na nossa chegada desastrosa, para colocar para secar. Como a chuva continuava, fizemos tudo sem pressa e eu fui até tomar um banho, para tirar a nhaca de viagem, e só depois pensaríamos em comer. 

Ficamos umas duas horas por ali, conhecendo as pessoas que estavam pelo albergue, até que a chuva parasse. Havia alguns espanhóis, os inevitáveis brasileiros e gente de países mais do norte, como Holanda e Alemanha, quase todos na faixa dos 20 e poucos, sem grandes planos para a passagem pela cidade. 

17/08/2012

Chegando na cidade do Porto, em Portugal

Minha primeira viagem a Portugal começou numa madrugada do início do mês de setembro de 2008, com 4 horas de ônibus entre Santa Maria e Porto Alegre. Chegando direto no aeroporto Salgado Filho, encontrei o Ângelo, que já estava na cidade e que seria o meu companheiro de mochilão. Para ele, seria a primeira vez fora do país e a primeira experiência como mochileiro. 

Despachamos a bagagem pela TAM até o destino final (Porto), mas logo no check in fomos avisados de que deveríamos trocar os cartões de embarque impressos naqueles papéis que parecem nota fiscal por cartões da TAP, lá em Guarulhos, onde pegaríamos o voo transatlântico. 

Em 2008, Guarulhos ainda era um paraíso perto do que é hoje. O movimento era muito menor e, por ser metade da tarde, com poucos voos internacionais, havia ainda menos gente. A fila para o despacho de bagagem da TAP era gigantesca, contudo. Deixei o Ângelo esperando lá atrás na fila e fui até o check in da Executiva para perguntar se tínhamos que esperar toda aquela gente, já que bastava trocar nossos cartões de embarque pelos definitivos. Com a resposta positiva, liberamo-nos em poucos minutos e pudemos ir fazer outras coisas. 


Naquela época, ainda era necessário fazer a declaração de saída de bens do Brasil na Receita Federal, para não correr o risco de ser tributado na volta. Fomos até o final do aeroporto e descemos a escadinha até o escritório, para preencher os formulários com os dados das câmeras digitais que estávamos levando e carimbar os documentos. 

Depois disso, ainda tivemos quase umas  três horas de espera até o momento do embarque, que gastamos basicamente tomando chopp e petiscando num dos bares (sempre caros) do aeroporto de Cumbica. O grande problema da falta de melhores conexões entre Porto Alegre e os voos que saem de Guarulhos antes das 7 da noite é sempre esse: esperas longas demais que matam no cansaço qualquer um.

Quando finalmente chegou a hora de embarcar, deparamo-nos com um avião bem melhor do que tínhamos imaginado. Já tínhamos ouvido gente contando horrores de viagens com a TAP, mas o Airbus em que viajaríamos estava estalando de novo. Entretenimento individual, com bastante filmes em português e muitos joguinhos de computador, ambiente confortável (sem crianças chorando ou gritarias típicas de excursões) e uma tripulação muito atenciosa. Na hora da janta, refeições tipicamente portuguesas, com bacalhau e vinhozinho para dar mais sono. 



Uma ida para a Europa de avião com uma companhia portuguesa já serve para que o marinheiro de primeira viagem tenha os primeiros contatos com o jeito português de dizer algumas expressões conhecidas. Descolagem, por exemplo, diz-se "descolagem". A aterrissagem é dita "aterragem". Nas legendas dos filmes em inglês, é bom ir desde logo se acostumando a tratar meninas como "miúdas", a dizer "giro" em vez de legal e a falar "malta" em vez de galera. Sem contar as palavras que são escritas da mesma forma que aqui, mas que se pronunciam diferente, como descer, que soa como "dexer".

A viagem foi bastante agradável, mas logo depois do café da manhã, quando estávamos nos aproximando do aeroporto Francisco Sá Carneiro, na cidade do Porto, começamos a sofrer muita, mas muita turbulência. Chovia bastante forte do lado de fora e na hora em que estávamos atravessando a grossa camada de nuvens que havia sobre o norte de Portugal, o avião tremia e balançava tanto que algumas portinhas de bagagem começaram a se abrir sobre as cabeças das pessoas. Uma mulher do nosso lado começou a chorar de desespero e se via facilmente que todos estavam bem apreensivos - eu nunca tinha passado por nada parecido. 

Quando finalmente ultrapassamos as nuvens e o avião começou a se preparar para descer na pista, as coisas ficaram mais calmas e, do lado de fora, parecia que estava apenas garoando. 

O aeroporto da cidade do Porto é bem mais moderno e tranquilo do que o de Lisboa. Naquela hora da manhã, acredito que só o nosso voo estava chegando de um país de fora do Espaço Schengen. Fomos direto para a imigração, sem nem mesmo enfrentar fila (Portugal é famoso por filas de imigração). Na hora do carimbo, porém, o oficial fez bastante perguntas. Perguntou se era a nossa primeira vez no país, quanto tempo ficaríamos, o que fazíamos no Brasil e se tínhamos reservas para toda a permanência. 

Com o carimbo no passaporte, fomos às esteiras buscar nossa bagagem e decidimos ainda passar numa cafeteria, para dar mais uma reforçada no café (ah, café com leite é "galão") e estudar o mapa da cidade, para saber como chegar ao nosso albergue, bem no centro antigo do Porto. O aeroporto, até mesmo do lado de fora do embarque e desembarque internacional, estava vazio como se fosse um meio de feriadão. 

Do lado de fora, a chuva estava com cara de que não pararia tão cedo. Por sorte, a estação do metrô fica bem ao lado do aeroporto, e não é preciso caminhar mais do que uns 20m na chuva para entrar num vagão. Entramos e o metrô também estava completamente vazio, aguardando a saída depois de um intervalo de uns 15 minutos entre um carro e outro. Lá pelas tantas, só apareceu um velhinho meio caquético, falando sozinho, que não conseguimos distinguir se estava bêbado ou só meio biruta.


Quando as portas finalmente se fecharam, começamos a viagem de cerca de meia hora até a estação São Bento, no centro antigo da cidade, de onde sairíamos para ir a pé até o albergue. 

O metrô da cidade do Porto (pronuncia-se "métro") ainda era bem novinho e o achamos muito bem cuidado. A primeira linha só foi inaugurada em 2002, e um dos principais motivos para a sua construção foi justamente a realização de uma Eurocopa no país, em 2004. Para entender como funciona, basta entrar no site da empresa que o mantém: http://www.metrodoporto.pt/

Como boa parte do trajeto entre o aeroporto e a área mais central da cidade é feito pela superfície, inclusive parando em alguns semáforos pelo caminho, a impressão que se tem é a de que se está andando de bonde (ou "elétrico", como dizem por lá). Pode-se ver um pouco da cidade, mas no início tudo é meio sem graça, porque são quase só prédios modernos e um tanto impessoais, como em qualquer outro lugar do mundo. 

Fizemos uma baldeação na estação Trindade e, em poucos minutos, chegamos à estação São Bento, que é considerada uma das mais tradicionais e bonitas do país. Ela ainda preserva um ar de século XIX e tem mosaicos muito bonitos de azulejos no hall de entrada. Vale a pena até tirar foto (alguns estavam em restauração, por isso tinham uma telinha de tecido por cima). 




Mesmo tendo passado quase uma hora desde nossa chegada, a chuva continuava lá fora. Como achamos que ia ser só uma garoinha de molhar bobo, deixamos de lado o impulso inicial de tomar um táxi e nos metemos pelas ladeiras da cidade velha para encontrar nossa hospedagem. Mas isso fica para o próximos post.

15/08/2012

Preparação do 3º mochilão à Europa


Comparando com a complexidade que foi a organização dos dois primeiros mochilões à Europa, o terceiro foi uma barbada. Visitaríamos só 2 países, dormindo em apenas 3 lugares diferentes, num espaço de curto de 2 semanas. Além disso, seriam somente 2 pessoas, indo e voltando na mesma data e nos mesmos voos, com os mesmos períodos de férias.

Nas duas primeiras vezes que viajei com a gurizada, ademais, delegávamos as reservas dos albergues que escolhíamos à mesma agência de turismo com quem reservávamos as passagens aéreas (inclusive pagávamos antecipadamente pela hospedagem) – coisa que prometi para mim mesmo que nunca mais faria depois de alguns desgastes em função da demora do agente para nos confirmar que tudo tinha dado certo, em 2007, e por causa de erros nas datas das reservas, que quase nos custaram ficar sem hospedagem num país pequeno e caro como Luxemburgo.

Dessa vez, tirei os intermediários, criei perfis em sites de reservas de albergues e fiz tudo por minha conta, mostrando sempre as opções ao Ângelo. Os albergues de Portugal foram reservados pelo site Hostelworld, que a partir da segunda reserva já diminui as taxas que cobra. O albergue de Londres foi reservado pelo site da Hostelling International, e assim que chegamos lá fizemos as carteirinhas da HI da Inglaterra e do País de Gales, para ter um desconto nas diárias (como ficaríamos 7 dias, já valia mais a pena pagar a anuidade de 24 libras do que pagar a tarifa de não sócios no albergue – tudo sem burocracia, na hora mesmo).

Inicialmente, tinha previsto que faríamos a viagem ali pelo dia 22 ou 23 de setembro daquele ano, exatamente a partir de quando as tarifas das passagens aéreas sofrem uma súbita redução na maioria das companhias, por ser o início da primavera (ou outono, no hemisfério norte) o marco que delimita a alta da baixa temporada. Porém, acabamos marcando férias para um pouco antes, emendando com os feriadões de 7 de setembro e de 20 de setembro (feriado estadual no RS), pagando pouco mais de R$ 350 de diferença nas passagens.

A opção de companhia aérea parecia óbvia desde o início e foi com a própria TAP que compramos todos os voos, emitindo por agência a passagem. Ficou assim:

4 de setembro: POA – Guarulhos – Porto
9 de setembro: Lisboa – Londres (Heathrow)
16 de setembro: Londres (Heathrow) – Lisboa – Brasília – POA




O trecho interno entre Porto e Lisboa seria feito de trem, vendo as passagens na hora mesmo. Só cogitávamos fazer mais alguma ou outra cidade no interior da Inglaterra, mas deixaríamos isso para ver lá mesmo, já que a intenção era dormir todas as 7 noites em Londres.

Naquela época, recém estavam começando a falar em crise econômica mundial e os jornais só mencionavam uma “crise das hipotecas”  como algo restrito aos EUA. Já haviam ocorrido algumas quedas bruscas nas bolsas de valores, mas o dólar estava cotado a maravilhosos R$ 1,60, a libra esterlina pela primeira vez baixava dos R$ 3,00 (estava cotada a R$ 2,92 no dia em que pisamos em Londres) e o euro também não assustava mais ninguém. Enfim, era um momento para ninguém botar defeito do ponto de vista da oportunidade para viajar.

Os três trechos de passagens juntos custaram algo em torno de R$ 2650,00, pagamos cerca de 22 libras (na média, porque há preços diferentes conforme o dia da semana) para ficar num albergue no centro de Londres por 7 noite, e coisa de 16 euros por noite nos albergues portugueses. A viagem toda não saiu mais do que uns R$ 5.300,00, mesmo passando boa parte do tempo num lugar caro como a Inglaterra.

A mochila, que era a mesma desde Machu Picchu (2002), foi recheada só com umas 5 camisetas, uma calça jeans extra, um par de tênis e outro de sapato, com alguns casaquinhos para o esperado frio londrino e uma camisa melhorzinha para sair. O resto, além dos itens pessoas de higiene, eu compraria na viagem mesmo, ou iria usando no corpo e levando na bagagem de mão.

Como naquele tempo, a imigração de brasileiros por Londres e por Lisboa assustavam bastante (assim como hoje o pessoal tem medo de Barajas, na Espanha), fomos bem calçados na documentação: seguro de viagem do cartão de crédito comprovado, reservas em nome dos dois para todos os dias, uns 500 euros em dinheiro, extrato do cartão de crédito e da conta corrente, documentos de prova do trabalho aqui no Brasil e roteiro na ponta da língua – para não dar galho!