15/11/2009

Revista Lonely Planet no Brasil

Pessoal,

Nos próximos dias, com a inspiração e o tempo voltando, pretendo reiniciar os posts. Por enquanto, só gostaria de aproveitar para recomendar um lançamento do qual só tomei conhecimento na semana passada: começaram a editar a revista da Lonely Planet no Brasil. Já estão na edição nº 5 e eu decidi comprar uma ontem para conferir.

O visual é muito bacana, igual aos das revistas com a mesma marca editadas mundo afora. A maioria das cartas, perguntas e reportagens menores ainda são tradução das versões gringas, mas há bastante chamadas para que os leitores brasileiros participem com susgestões, fotos e perguntas. O preço é compatível com o que a revista oferece: R$ 10,90. Ainda não vi opção de assinatura (opa! uma integrante da Editora disse que tem sim, basta ler nos comentários!).

Ainda há algumas coisas a serem acertadas: achei bastante erros de digitação, principalmente em nomes de lugares estrangeiros e até mesmo em links de internet. Um ponto positivo é que tem muito menos propagandas do que revistas de turismo e viagem brasileiras em geral.

Na edição deste mês, gostei de ver que fizeram uma boa reportagem sobre os passos fronteiriços entre Chile e Argentina, com fotos bastante semelhantes àquelas que postei aqui no blog sobre o passeio pela estrada do Paso de Jama, depois das Salinas Grandes e até Purmamarca. Detalhe: modéstia à parte, as fotos que o Diego e eu tiramos com a máquina dele, em algumas situações, saíram até melhores que as da revista, hehehe...

Vale a pena conferir, sugestão minha!

24/09/2009

Cafayate


Perto do meio-dia, chegamos à cidadezinha de Cafayate, conhecida na Argentina como o segundo maior centro produtor de vinhos.

Nossa primeira parada na cidade foi na Bodega Nanni, que é famosa entre eles por produzir apenas vinhos orgânicos, ou seja, feitos de uvas que não levam qualquer espécie de defensivo agrícola sintético.
O orgulho local é o vinho produzido da variedade de uva chamada "torrontés". A todo tempo nosso guia e o pessoal encarregado das explicações nas vinícolas faziam questão de dizer que eram os melhores vinhos torrontés do mundo, embora fossem inevitáveis as piadas sobre ser fácil ser o melhor do mundo em uma coisa que praticamente só existe ali.

Depois do tour básico - que não deixa de ser igual ao de qualquer vinícola - passamos para a degustação, propositalmente ao lado da lojinha. Confesso que não gostei de nenhum dos vinhos que provei ali - e na cidade inteira. Muita gente achou a mesma coisa e o pessoal explicou que exatamente por isso é que não se exportam muitos vinhos de Cafayate. Eles são vinhos mais secos, que segundo eles agradam mais ao paladar dos argentinos.

Poucas quadras ao lado da bodega, almoçamos. Já estava marcado pelo guia o lugar, mas o menu era de livre escolha (dentro de umas 5 opções) e o preço pago à parte. Arrisquei um tal de "locro", que é um cozido local que leva feijão, carne de cabra, milho e não sei mais o quê. Muito bom mesmo, e com bastante sustância!

A essa altura o pessoal do grupo já estava bem integrado e o almoço estendeu-se por quase duas horas com conversa indo e vindo, num mesão comprido de família grande.
Depois do almoço, demos umas voltinhas pelo centrinho de Cafayate. A cidade é tranqüila, parece uma "Serra Gaúcha" do deserto. Conhecemos a igrejinha e lojas ao redor da praça central, quase vazia àquela hora.


Até provei o famoso sorvete de vinho que se vendo no lugar e é indicado nos guias, mas nem eu nem os demais gostamos. Um troço azedo e tingido com opções de "cabernet", "pinot", etc, que não vale os 5 pesos que se paga.

Já passava das três da tarde quando nos reunimos todos para seguir viagem, até outra vinícola na saída da cidade. Essa se chamava Vasija Secreta e parecia maior e mais comercial. Tinha até llama para turista tirar foto e os parreirais logo ao lado, dentro da própria propriedade.
Cafayate é um lugar tranqüilo e que dá vontade de voltar com namorada. Parece romântico e, como é tudo muito limpinho e organizado, até mais rico do que os lugares ao redor. Não descarto um dia voltar lá numa viagem por outros lado da Argentina.

No final do passeio, nossa volta foi pela mesma estrada da vinda, só que apenas com umas duas paradas para ver paisagens e os arbustos que têm uma estranha cor flúor. De resto, foi só descanso até Salta, ao som das interpretações do figuraça que era o guia, fazendo caras e bocas para cantar desde cumbias até musiquinhas de mariachis.

21/09/2009

Quebrada de Cafayate

Assim que chegamos do tour de dia inteiro, saímos para jantar no centro de Salta e voltamos para o albergue lá pelas 23hs da noite.
Foi aí que, pela primeira vez na minha vida, recebi uma ligação particular na recepção de um albergue. Era o dono da agência de turismo com quem tínhamos reservado um carro alugado para usar no dia seguinte, às 7h da manhã, como forma de irmos até Cafayate por contra própria.

Como já pressentimos no domingo, quando reservamos, os caras não tinham muita palavra. Ele me ligou para dizer que o carro teve problema, que não tinham outro, que o mais caro também estava ocupado - enfim, para dizer que tinha nos deixado na mão. Perguntei dos 50 pesos da reserva e ele garantiu que devolveria no dia seguinte.


Bom, dos males o menor: tínhamos na nossa frente, enquanto soubemos da notícia, um aviso do albergue comunicando que eles tinham uma excursão para 20 pessoas justamente para a Quebrada de Cafayate saindo às 7h da manhã e que ainda havia lugares. Pagamos para ver - enão nos arrependemos.
No dia seguinte, no horário combinado, fomos os primeiros a embarcar no microônibus. Levamos quase uma hora recolhendo gringos em vários hostels do centro de Salta. Tinha americano, australiano, austríaco, alemão, italiano, brasileiro - é claro - e até indiano. Depois da inevitável paradinha no mercado para comprar folhas de coca, pegamos a estrada.

O guia, muito parceiro, foi logo avisando que dava para aproveitar as primeiras duas horas para dormir, que não havia muito que ver. Como de costume, não consegui, mas até achei interessante a paisagem.
Depois de outra parada para um café, começamos o tour propriamente dito.

A Quebrada de Cafayate é uma falha geológica que existe numa cadeia de montanhas do pré-Andes. No meio dela, passa a estrada que leva a Cafayate, a Ruta Nacional 68 - daí o nome da Quebrada -, e o Río de Las Conchas - razão pela qual a Quebrada também é conhecida como "de las Conchas".
As formações rochosas dessa quebrada são do estilo do Grand Canyon. Foram tombadas como patrimônio natural mundial e estão cada vez mais sendo conhecidas. Aqui no Brasil, pouco antes de sair, li a respeito numa Viagem e Turismo.

A estrada é toda asfaltada e, embora cheia de curvas "cegas", não tem o mesmo sobe e desce daquela que vem do Chile, o que a torna bastante fácil para quem aluga carro ou foi com o seu até aquela região.

As primeiras paradas que o ônibus faz são para conhecer vilarejos quase fantasmas um pouco antes do início propriamente dito da quebrada. O rio acompanha quase todo caminho, às vezes de um lado, às vezes do outro.
Na quebrada propriamente dita, as atrações são as formações que, por se parecerem com lugares ou objetos, ganharam seus nomes.

A primeira delas é a "Garganta del Diablo", uma fenda no meio da rocha em formato de garganta, que pode ser escalada facilmente. Basta levar um sapato mais reforçado e não ter medo de sujar as mãos para chegar até o final.
Não muito longe dali está a parada seguinte, que é o "Anfiteatro". Nessa formação, a atração é um oco formado pelo vento e pela água que deixa uma acústica quase perfeita para fazer platéias escutarem a música que está sendo tocada perto das paredes sem auxílio de outros instrumentos. Na saída do anfiteatro, há vendedores de comida de tudo que se possa imaginar de coisas feitas de llama: presunto, espetinho, salame, e por aí vai. Vendem-se tortillas e empanadas de queijo, também. Uma das vistas mais legais, entretanto, é uma mais aberta, que dá para o vale inteiro. O lugar vale uma bela foto de 360°. O rio lá embaixo, cercado de vegetação verdinha e alagadiços, com montanhas alaranjadas e cor-de-rosa por todos os lados. À medida que a estrada vai seguindo, as paradas vão diminuindo - até porque o guia disse já estarmos atrasados àquela hora. Passamos pelo "Sapo", uma rocha que incrivelmente parece um sapo mesmo, sem exigir muito da imaginação do observador e pelo "Titanic", que é esse da foto - e que exige um pouquinho mais de criatividade...

19/09/2009

Ruta 52 e Purmamarca

Estômago embrulhado por refeições que não vinham descendo bem desde a noite passada + dor de cabeça causada pela altitude + estrada sinuosa = puke!

Depois de uns bons minutos lutando contra o que seria inevitável, tive um "reecontro" com minhas últimas refeições na descida da Ruta 52, a estrada que liga a região de Salta e San Pedro de Atacama, passando pelo Paso de Jama.

Pegamos essa estrada logo depois de sair das Salinas Grandes, que ficam ao lado direito de quem está chegando na Argentina. No primeiro trecho, subimos em menos de 20 minutos até quase 4.200m de altitude, como mostra a placa da foto acima.

Depois de chegar lá em cima, vimos o que nos esperava do outro lado: curvas e mais curvas de uma bela estrada asfaltada há menos de 5 anos, com belas paisagens ao redor.
Para tirar foto na beira da estrada era uma desgraça: o vento lá em cima não era coisa para se brincar. Foi numa dessas paradas que eu assumi o lugar da frente na caminhonete já prevendo o pior.

Apesar dos pesares, tudo fui muito legal. As montanhas ao redor são multicoloridas e com formatos muito interessantes. Creio que tenhamos descido uns 2000m em menos de meia hora, quando fomos chegando nos arredores de Purmamarca, a última cidadezinha daquele nosso tour.

Logo antes de entrar na cidade, no sentido de quem vem do Chile, está a atração mais famosa do lugar: o Cerro de los Siete Colores, descrito nos guias de viagem como uma "paleta de pintor". Confesso que esperava um pouco mais do lugar, porque já tinha visto muita coisa bonita na descida, mas valeu a pena.
Chegando na cidadezinha de Purmamarca, vimos que estávamos num lugar que parecia uma contradição em si mesmo. Hotéis bem chiques, carrões de luxo, muitos turistas com caras de "urbanos" em meio a um povoadozinho indígena que sofria com lufadas de vento empoeirado a cada cinco minutos.

Algumas ruazinhas têm cara de velho oeste; já o centrinho ao redor da praça lembra um pouco mais a Bolívia. A igrejinha é toda branca, no estilo da região.
Muito artesanato de lã por todos os lados, gringo a dar com pau comendo sorvete na praça e portenhos com a família inteira andando para lá e para cá são a impressão que fiquei de Purmamarca.

Aproveitamos para fazer um lanche na cidade e, depois dali, só voltamos a Salta. Estávamos moídos de cansados mais satisfeitos por ter visto tanta coisa num passeio só.

A volta foi pela auto-estrada entre Jujuy e Salta, que embora não seja o caminho mais curto no mapa, para quem olha, é o mais rápido, por ser mais plano e duplicado.

17/09/2009

Ruta 40 e Salinas Grandes

San Antonio de los Cobres não oferece muito aos seus visitantes além de almoço e proximidade ao viaduto. Logo que começa a tarde, a cidade novamente se esvazia - e conosco não foi diferente.

Ao invés de voltamos pela mesma estrada que usamos para chegar até ali (Ruta 51), seguimos em direção a Salinas Grandes pela Ruta Nacional 40.

Essa estrada é muito famosa entre os aventureiros. Parte dela, mais ao sul, foi inclusive utilizada no Rally Dakar deste ano, que por questões de segurança deixou de ser feito na África. A rodovia, que tem apenas algumas partes de asfalto, é em sua maior extensão feita de "ripio", uma espécie de brita fina sobre o chão batido. Ela começa bem lá no sul do país e sobe até o extremo norte, costeando os Andes, quase na fronteira com o Chile.
Creio que andamos uns 80km pela dita estrada, numa paisagem que praticamente não mudou de San Antonio até o entroncamento em que a deixamos: de um lado uma planície sem fim, do outro montanhas nevadas no horizonte. Muita areia e pó por todos os lados, inclusive com trechos que dão um belo atoleiro.

Logo que entramos na província de Jujuy, o motorista pegou um desvio por dentro do salar para chegar até a parte "turística" das Salinas Grandes. Ele nos garantiu que quase nenhum guia faz isso, e a julgar pelos demais carros que o pediram para seguir atrás, realmente não é muita gente que conhece esse caminho alternativo.
A rigor, o que percebemos é que essa parte da salina é área de trabalho da empresa concessionária que retira sal do lugar, a qual não permite a circulação de veículos de terceiros.

Chegando na parte mais movimentada, encontramos vários carros estacionados e muitos turistas. Para mostrar como funciona a extração de sal, são feitas várias piscinas que servem para a evaporação da água, bem como são deixados equipamentos para os visitantes tirarem fotos e "brincarem".
O inevitável artesanato de sal também se faz presente em banquinhas próximas ao local onde se estacionam os carros.

A explicação para a formação da salina é a mais simples possível: um lago que existia ali secou. Na verdade, não bem um lago, mas um braço de mar que ficou separado do oceano quando os Andes se elevaram, há muito tempo atrás.

Embora não tenha o mesmo efeito do Salar de Uyuni, porque não é tão grande nem tão branquinho, vale a pena visitar o lugar.

15/09/2009

Cobres e La Polvorilla

Já era quase meio dia quando estávamos chegando perto de San Antonio de los Cobres. A estrada, que logo que saímos de Salta era asfaltada, teve uns 25km de terra, depois uns 100km de asfalto, agora terminava nessa cidadezinha a mais de 4000m de altitude.

Um pouco antes de entrarmos na cidade, começamos a ver os maiores rebanhos de llamas que até então tínhamos visto naquela viagem. É claro que uma foto acaba sendo obrigatória...
A primeira vista de San Antonio não é lá das mais encantadoras. Como era de se esperar àquela altura, onde nem cactus nasce, não havia quase vegetação alguma. A minha impressão foi a de uma grande COHAB, sem qualquer desapreço pelos tais conjuntos habitacionais.
Atravessamos o centro da cidade, que não é muito grande, e seguimos direto para o outro lado, em direção ao viaduto de La Polvorilla. Aqui, a estrada volta a acompanhar bem de perto a ferrovia do Tren a Las Nubes, coisa que não aconteceu nos últimos km antes da cidade.

É o trecho mais duro (e para quem já estava se sentindo um pouco mal como eu, o mais difícil) da estrada. São estradinhas vicinais, fora da rota normal de trânsito, que levam aos pés do maior viaduto (e maior atração) do passeio do Tren a Las Nubes.

O viaduto La Polvorilla é considerado um grande feito da engenharia, porque foi construído numa altitude extrema: 4.200m sobre o nível do mar. Com um ambiente seco, frio, ventoso e sem recursos minerais para obras próximo de si, foi necessário muito trabalho para completá-lo.

A visão dele de longe não dá dimensão de sua grandeza. À medida que a gente se aproxima é que vê.

A caminhonete estacionou quase embaixo dele e ali o motora deu uns 45 minutos para fotos e, que quisesse (e pudesse) subir pelo morro que há ao lado, até lá em cima.
Até tentei, mas já estava me sentindo mal e desisti nos primeiros degraus. Os guris conseguiram subir e tiraram fotos lá de cima. Eu estava me sentindo enjoado, com a pressão baixa, e com um princípio de dor de cabeça. O vento era muito frio e às vezes fazia perder o equilíbrio de tão forte.

Achei melhor me recolher à caminhonete depois de algumas fotos na parte debaixo e me dei por vencido. Até apaguei de sono por alguns minutos antes de os guris voltarem.

Dali, voltamos a San Antonio de los Cobres para almoçar. Naquela hora, a pacata cidadezinha vira um enxame de turistas e vendedores. Todos os restaurantes já fazem reservas para os grupos a passeio. Os menus não oferecem muita opção: a idéia é que todo mundo experimente carne de llama. Na verdade, a experiência não é das melhores, porque a tal llama vem num empanado que mais parece carne moída prensada, com um pouco de nervos...

Como não poderia deixar de ser, há grupos musicais típicos tocando musiquinhas em flautas peruanas. Até sertanejo universitário em versão argentina de cumbia sai...

13/09/2009

Caminhonete a las Nubes


Como chegamos em Salta num domingo pela manhã, já sabíamos de antemão que não poderíamos fazer o passeio do Tren a las Nubes no próprio trem, já que ele só ocorre aos sábados, conforme informado no site. Cheguei até a ligar antes, ainda do Brasil, para confirmar se não haveria qualquer saída no meio da semana, como ocorre na alta temporada, mas a resposta foi negativa.

Certos de que o único jeito era fazer um tour "rodoviário", fomos à luta. Entramos em várias agências de turismo e o que vimos é que o tour padrão que é vendido consiste em colocar grupos de 8 a 14 pessoas numa van ou microônibus, que sai de Salta às 7h da manhã, chega em San Antonio de los Cobres para o almoço, depois volta. Para conhecer o viaduto de La Polvorilla, que fica uns km adiante de S Antonio, é necessário um veículo de tração 4x4.

Foi aí, de posse dessa última informação, que começamos a negociar. As moças da agência que mais simpatizamos nos disseram que os tours de caminhonete 4x4 se consideram tours privados. Paga-se por 4 pessoas, independentemente de viajarem 4 ou menos. Como estávamos em 3, talvez fosse mesmo a opção mais conveniente, porque assim poderíamos fazer mais paradas para fotos, ter mais privacidade e ainda ir até La Polvorilla. Perguntamos se não havia como fazer a volta por um caminho diferente, e a resposta foi positiva. Já que era privado, poderíamos escolher tudo.

Foi assim que fechamos nosso primeiro passeio pela região de Salta num formato bem melhor do que o normalmente vendido: iríamos fazer todo o percurso padrão até San Antonio, seguiríamos a La Polvorilla, e na volta, passaríamos pelas Salinas Grandes e por Purmamarca. Como não teríamos problema se houvesse uma quarta pessoa, deixamos ao critério da agência conseguir mais um turista sozinho, para rachar o preço total.

Para nossa sorte, apareceu um americano que foi junto conosco e fechou o tour.

Na manhã seguinte, na hora combinada, a caminhonete estava nos esperando em frente ao albergue. O guia, cujo nome não lembro, foi muito simpático e explicou bastante sobre o que faríamos.

A primeira paradinha foi para comprar folhas de coca, para ajudar na altitude. Todo dia acabou sendo assim: paradinha em mercadinho para compras de última hora, inclusive as famosas hojas.

O tour propriamente dito começa a uns 20km do centro, na estação que marca o início do trajeto do Tren a las Nubes. Uma locomotiva da época do início das viagens está exposta numa praça ao lado (foto).
A ferrovia, na época a mais alta do mundo, foi inaugurada na década de 50, tendo se tornado ponto turístico já nos anos 70. Com as privatizações dos anos 90, caiu nas mãos da iniciativa privada e acabou sucateada. O serviço de transporte de cargas foi quase extinto e até mesmo o trem turístico parou por alguns anos. Só há menos de 3 anos é que foi retomado, nos moldes atuais, com outra empresa operando.

A Ruta Nacional 51 acompanha e se entrecruza com a ferrovia praticamente o tempo todo. Os vários túneis e as várias pontes podem ser vistos e visitados por quem segue de carro ou caminhonete.

A cada ponto de maior interesse, como a ponte da foto, fazíamos uma parada. Cedo da manhã, ainda havia pouca gente e, como não há movimento, deu até para tirar as clássicas fotos deitado nas linhas do trem.
Não demora muito para que a estrada comece a serpentear montanha acima. A altitude, que acompanhávamos pelo GPS que o Rafael levou na viagem, subia rapidamente. Creio que em 2hs já estávamos a 3.000m sobre o nível do mar.

Com o sol já alto, a paisagem foi ficando cada vez melhor. As rochas multicoloridas das montanhas vão mostrando a cara e algumas paisagens de tirar o fôlego rendem fotos bem legais.

Já acima dos 3.000m, fizemos uma parada num vilarejo indígena chamado Santa Rosa de Tastil, onde há artesanato e um museuzinho público que expõe artefatos dos povos da região e pedras que são utilizadas como instrumentos musicais - quase um piano! Com o frio pegando e o vento zunindo nos ouvidos, me vi obrigado a comprar um chulo, aquele famoso chapeuzinho de peruano/boliviano que cobre cabeça e orelhas. Quase igual aos de Salta, só que mais barato.
Naquela altitude, aliás, frio já era o que mais fazia. Nas primeiras cachoeiras congeladas, até paramos para umas fotos, mas a paisagem se tornaria comum ao longo do caminho.

11/09/2009

Passeios pela Região de Salta

Em Salta, como em várias outras grandes cidades turísticas do mundo, há uma grande variedade de passeios que se pode reservar e comprar com um dia de antecedência, para conhecer as principais atrações. Os roteiros, os preços e as condições mudam muito pouco de uma agência de turismo para a outra, como logo pudemos perceber, depois de conhecer algumas delas nas quadras mais centrais da cidade, principalmente ao longo da Calle Buenos Aires.

A peculiaridade de Salta é que quase todos os passeios envolvem muitas horas de estrada. Quase tudo fica numa distância entre 80km e 200km da cidade, portanto são passeios de dia inteiro, na maioria.

Os mais conhecidos (a escala de qual é o melhor é muito pessoal) são os seguintes:
SALINAS GRANDES: é um passeio que leva os interessados até um "mini-salar" que existe ao lado da estrada que liga Salta a San Pedro de Atacama, via Paso de Jama. No lugar, pode-se ter quase a mesma sensação do Salar de Uyuni: um deserto branco e plano, onde se perdem as referências. No caminho, passa-se por altitudes de até 4.200m sobre o nível do mar, com muitas curvas. Lá nas salinas, é possível entender como se estrai o sal e comprar tudo quanto é coisa feita de sal.
TREN A LAS NUBES: o famoso "Tren a Las Nubes" é um antigo trem que liga Argentina e Chile, com início nas imediações de Salta e final em Antofagasta. Serve eminentemente para transporte de carga, mas pela beleza da paisagem, transformou-se numa das maiores atrações turísticas do mundo. Só foi superado em altitude pela recente construção do trem Transtibetano. O grande problema é que esteve fechado por uns 3 anos e, agora, reaberto, só funciona aos sábados (na alta temporada de verão também às quartas). Outro problema é o preço: USD 140,00. O tempo de duração do passeio, de 14hs para ir e voltar, quase sem paradas, também desanima. Por isso tudo, as agências criaram passeios de caminhonete pela mesma rota do trem, para conhecer os principais pontos e permitir inclusive um almoço em San António de los Cobres, cidadezinha a 4.000m de altitude, com visita ainda ao viaduto de La Polvorilla, ponto alto do passeio.
PURMAMARCA: essa cidadezinha é famosa pelo Cerro de los Siete Colores. Pequeninha, rodeada por montanhas de rochas coloridas que mudam de cor conforme o sol, com uma igrejinha colonial e pracinha central bem preservadas, transformou-se num lugar cheio de hotéis 5 estrelas e pousadas butique. É cheia de porteños e até lugar para lua-de-mel de argentinos, apesar do pó que costuma aparecer com os ventos de fim de tarde. Pode ser visitada tanto em tours pela Quebrada de Humahuaca como na volta de Salinas Grandes.
QUEBRADA DE CAFAYATE: a rodovia que liga Salta e Cafayate, 80km ao sul, é cercada de rochas e montanhas tombadas pela UNESCO como patrimônio natural da humanidade. A região parece um pouco com aquilo que se vê do Grand Canyon americano. Há vários pontos de interesse no caminho, como o Anfiteatro, a Garganta del Diablo, o Sapo e outros vales e formações rochosas interessantes. Em Cafayate, visitam-se vinícolas - o lugar é o maior centro produtor de vinho argentino depois de Mendoza.
QUEBRADA DE HUMAHUACA: quase inteiramente localizada na província de Jujuy, ao norte, essa quebrada no meio das montanhas é um lugar de paisagens tibetanas. Uma estrada e uma ferrovia desativada seguem pelo seu centro, com várias cidadezinhas no caminho. Algumas, como Tilcara, são especialmente desenvolvidas no turismo. Outras são comunidades indígenas típicas. Há fortalezas indígenas, parques cheios de cactus e bastante história relacionada ao fim do Império Inca e à Independência Argentina envolvida.


CACHI E VALLES CALCHAQUÍES: esse passeio foi o único dos principais que não fizemos. Cachi é uma cidadezinha típica que até não tem tanta atração, mas o que vale é o caminho. A estrada até lá passa por paisagens surpreendentemente verdes para a região, é toda rodeada de montanhas e dizem ser muito bonita.

09/09/2009

Múmias de Salta


Quem costuma dar uma olhada no National Geographic Channel, na TV a cabo, deve ter visto que, neste mês, estão passando (e repetindo várias vezes) um programa sobre as "múmias de Salta".

As tais múmias foram encontradas recentemente, em março de 1999, por uma expedição de arqueólogos, quase no topo do vulcão Llullaillaco, entre o Chile e Argentina, na Cordilheira dos Andes, a uma altitude de 6.730m sobre o nível do mar.

Em razão da extrema secura do clima, do frio congelante, da baixa pressão atmosférica e da quase inexistência de vida naquelas condições, os corpos de uma adolescente e duas crianças, um menino e uma menina, foram mantidos em estado de conservação quase perfeito, mesmo tendo morrido há cerca de 500 anos.

Segundo os pesquisadores, "El Niño", "La Doncella" e "La Niña del Rayo'" foram sacrificados em um ritual de cunho religioso, pelos povos a que pertenciam. Dizem que os povos atacameños, para agradar aos deuses, promoviam casamentos entre crianças puras e de altas castas sociais e as sacrificavam. Junto delas, ia uma "babá", que também era virgem.

As três múmias estão guardadas no Museu de Arqueologia de Alta Montanha de Salta, um lugar que vale uma visita (esse da foto acima), muito embora os visitantes só possam ver efetivamente uma delas, além de outros objetos.

Foi para lá que fomos depois de um banho e um descanso no albergue. Chegamos faltando menos de uma hora para o lugar fechar, mas tivemos tempo sufciente para ver. Embora cobrem preços maiores para estrangeiros, a mulher da portaria brincou "vcs parecem argentinos", e nos vendeu tickets de nacionais, pela metade do preço.

Como já era noite, ficamos por ali mesmo, caminhando ao redor da praça, olhando os belos prédios que são todos muito bem iluminados para ficarem ainda mais bonitos, até que achamos um lugar para comer e tomar uma cerveja.
O objetivo de conhecer um pouco do centro da cidade, nesse primeiro dia, já estava cumprido, e no dia seguinte seguiríamos para um dos vários passeios pela região.

Em tempo: o crédito pelas fotos noturnas é todo do Diego!

07/09/2009

Muitas nuvens e religiosidade

Para evitar surpresas negativas e aproveitar uma das dicas mais comuns de quem viaja, decidimos perguntar aos locais sobre um bom restaurante para comer no domingo de meio-dia. As indicações de guias de viagem nem sempre são as melhores - os lugares tendem a ser mais caros justamente por serem mais procurados e às vezes as indicações são mais baseadas numa cortesia de quem atendeu o escritor do que na qualidade do lugar.

Acabamos parando numa casa de parrilla, bem no meio do caminho entre a Iglesia de San Francisco e o Convento de San Bernardo. Não poderia ter sido melhor. Lugar bem ajeitado, com pouca gente porque ainda era cedo para os padrões argentinos, com comida muito boa e a preços bem camaradas. Comemos como poucas vezes se come carne no Brasil, a uns 18 reais por pessoa, numa refeição com entrada e vinho da casa.

Terminado o almoço, decidimos que era hora de fazer o check in lá no albergue, que dava uma boa pernada dali. No caminho, paramos em algumas lojinhas, e já surgiu o primeiro de nós a comprar um chulo, aquele gorrinho de lã típico de bolivianos. Barganhando não sai mais do que 15 reais na cidade.

Depois de ajeitar as mochilas no quarto (sobraram dois beliches de cima e uma cama separada para nós, já que já havia duas pessoas hospedadas), nem tomamos banho nem descansamos: rumamos direto para o teleférico.

O teleférico do Cerro San Bernardo é uma das atrações mais conhecidas de Salta. Ele parte do início da Avenida San Martín e chega até o topo do Cerro, onde há um parque. Se bem me lembro, o ingresso de ida e volta custa atualmente uns 20 pesos por pessoa, o que dá 10 reais.
O dia não estava dos melhores. Estava completamente nublado desde cedo da manhã, e ao contrário do que esperávamos, assim continuou a tarde inteira. A vista poderia ter sido bem melhor lá de cima, se não estivesse naquelas condições.

Não há nada de muito interessante no parque do Cerro. Paramos um tempo só para tomar uma cerveja e não dizer que ficamos menos de meia hora lá em cima. As vistas da cidade é que são a atração do lugar, que também pode ser alcançado de carro, por uma estrada que vai serpenteando morro acima. Uma cruz, estátuas de santos e outras referências religiosas complementam o parque, demonstrando a forte religiosidade da cidade - o que se notou desde cedo pelo grande número de grandiosas igrejas.
O lugar anuncia como uma de suas "maravilhas" as cachoeiras artificiais que possui. Mas, para nós, não deixava de ser um tanto ridículo eles se orgulharem do fato de bombearem milhares de litros de água desde a cidade lá embaixo só para depois a água descer tudo de novo, numas cascatinhas nem tão legais assim.Depois que descemos, paramos numa feira de artesanato/bugigangas/roupas próxima à entrada do teleférico. Matamos um tempo ali olhando o que, depois de um tempo, se verifica ser o mesmo que se vende em toda região. O lugar onde a feira acontece até seria legalzinho, se não estivesse tão mal cuidade. De qualquer forma, foi uma primeira oportunidade de ver grandes quantidades de gente local na viagem - a maioria famílias com filhos pequenos passeando numa fria tarde de domingo.

Quando já estávamos quase a duas quadras do albergue, vimos que a polícia estava fechando a rua para a passagem de uma procissão religiosa. Decidimos parar e convocamos o Diego para "sacar unas fotos" da dita procissão. Conversando, descobrimos que se tratava de uma procissão para Nossa Senhora "del Carmen". Gente muito simples, algumas em caminhonetes decoradas com passagens da bíblia e crianças fantasiadas, com outras pagando promessas, foram o cenário do evento.
Logo ao lado, várias igrejas de evangélicos. Talvez só na Europa tenha visto cidade com mais igreja e demonstrações religiosas que em Salta.