29/08/2013

Londres - Greenwich e o Imperial War Museum

Pois bem.

Depois de cerca de 6 meses sem postar absolutamente nada aqui no blog, decidi que já estava na hora de sair de um período de hibernação e voltar a escrever alguma coisa.

Nesse meio tempo, viajei bastante (como de costume) e escutei muitos comentários de pessoas que continuavam usando o "De Mochilão" como fonte de consulta - e são esses os dois principais motivos que me levam a querer continuá-lo. Como era de se esperar, ouvi também reclamações pela falta de atualização e pedidos para compartilhar algumas dicas sobre destinos que ainda não apareciam por aqui, mas que sabiam que eu já conhecia.

Para não deixar o assunto se perder, decidi, primeiro, terminar a série de posts sobre a viagem que fiz a Londres em setembro de 2008, tratando dos lugares que visitei em meus últimos dois dias naquela cidade e que ainda tinham ficado faltando aqui no blog.

Começo, por isso mesmo, falando do agradável dia de domingo que tive em Londres, quando o sol finalmente saiu com toda a força detrás das nuvens, no qual visitei a região de Greenwich e o Museu Imperial de Guerra.

Chegar em Greenwich, para quem está no centro de Londres, não é tarefa das mais fáceis e rápidas. São necessárias alguma baldeações de transporte público e, na maioria das vezes, conforme de onde se vem, até mesmo usar o DLR (Docklands Light Railway), um sistema de transporte público integrado ao metrô de Londres, mas que funciona mais como uma espécie de trem suburbano de superfície (o cartão Oyster vale para ele também).

Quando fui até lá, inclusive, havia obras de ampliação em algumas estações de metrô e do DLR na região próxima a Canary Wharf e, em razão disso, precisei usar ônibus substitutivos para percorrer um dos trechos. 

A região de Greenwich é completamente diferente de todo o resto de Londres: áreas abertas, muito verde, prédios clássicos em meio a parques e, ao fundo, arranha-céus cobertos de vidros espelhados, onde estão sediados grandes bancos e empresas. Ao redor de tudo isso, o Tâmisa, já mais largo do que no centro da cidade (a região é próxima do antigo porto) e dando algumas voltas - praticamente uma ferradura contornando o bairro.


Como era domingo, tive a oportunidade de ver um pouco da vida de londrinos típicos durante o final de semana, assim que cheguei por lá. Pessoas fazendo piqueniques ou simplesmente aproveitando o sol nos extensos gramados era a cena mais comum. Gente passeando com o cachorro, com os filhos pequenos ou simplesmente correndo pelos parques completavam o cenário.


A primeira coisa que fiz, assim que cheguei no local, foi subir até o ponto mais alto da região, onde está o Observatório Real de Greenwich, que é esse prédio que aparece na foto. 


É numa das torres do observatório que fica uma famosa esfera vermelha, que cai exatamente na hora cheia, para que os navios que estivesse passando lá embaixo, no rio, pudessem sincronizar seus relógios. Como qualquer turista que se presta para ir até ali, eu também fiquei esperando a bolinha fazer seu movimento curto e sem graça para tirar uma foto.

A importância do observatório está no fato de que ele, historicamente, foi utilizado como ponto de referência para traçar os meridianos do globo terrestre. Ali, passa justamente o "meridiano de Greenwich", ou a longitude 0°. Tecnicamente, pode-se considerar que uma pessoa que coloca um pé de cada lado desse meridiano está, ao mesmo tempo, no hemisfério ocidental e no hemisfério oriental. Em outras palavras, é o equivalente a cruzar o Equador, só que esse fica no sentido vertical...

A partir dessa definição dos meridianos, foram calculados também os fusos horários mundiais. Assim, toda a referência a horários parte da hora de Greenwich. Nós, no Brasil, por exemplo, estamos no fuso -3h em relação a Greenwich (muito embora hoje em dia seja mais correto falar em "Tempo Universal Coordenado" do que hora de Greenwich).

Dentro do prédio do observatório, é possível visitar gratuitamente uma espécie de museu do fuso horário e entender a importância histórica do lugar, inclusive com a possibilidade de experimentar tipos antigos de observatórios espaciais. 

Depois de esgotar o que tinha para fazer por ali, desci parque abaixo em direção à Queen's House, o prédio branquinho que fica no centro do conjunto arquitetônico formado pelos demais edifícios do Antigo Colégio Naval Real.


Nessa parte, as atrações são pagas, mas é possível comprar um ingresso combinado que torna a entrada um pouco mais barata. Pode-se visitar o palácio propriamente dito e o museu naval. 

Eu mesmo não sabia, até chegar lá, que naquele lugar tinham nascido importantes reis da Inglaterra, como o famoso Henrique VIII e os demais integrantes da dinastia Tudor, além da Rainha Elizabeth I. Antes de ser destruído numa guerra civil, ali ficava o Palácio de Placentia, mas no século XVII a Rainha Anne determinou a construção de um novo palácio, que é o que está até hoje em pé.

Por muitos e muitos anos, portanto, essa foi a residência oficial da realeza britânica. Depois da construção de outros palácios, como o de Windsor e o de Buckingham, entretanto, a realeza deixou o lugar e um hospital público para marinheiros foi então construído aproveitando parte da estrutura. Mais tarde, o lugar se tornou também a sede da escola naval inglesa e, depois de ter sido fechado para essa função, tornou-se um museu marítimo. O conjunto é protegido pela UNESCO e reconhecido, hoje, como Patrimônio da Humanidade.

Dentro do palácio propriamente dito, há objetos da realeza e quadros para serem vistos, como se ainda fosse um castelo real. Nas alas adjacentes, as mostras do museu estão relacionadas à história naval do Império Britânico, que por muitos séculos deteve o controle dos mares mundo afora, conquistando e mantendo suas possessões graças à força de sua Marinha.

A mostra explica as grandes batalhas navais inglesas, como a de Trafalgar, e vai até os dias atuais, mostrando como o turismo se desenvolveu ao longo do século XIX e XX, com os primeiros transatlânticos e, posteriormente, com os navios de cruzeiro. Falando assim, parece chato, mas tem bastante coisa interessante para se ver por lá e devo ter ficado pelo menos umas duas horas olhando tudo. 

Quando finalmente terminei a visitação ao museu marítimo, já eram mais de 4 horas da tarde, e decidi fazer ainda outro passeio antes de voltar ao centro. Aproveitei que estava numa área ao sul do rio e fui para outra atração que também estava nessa margem. Cortei caminho pegando um ônibus urbano, coisa que raramente faço em viagens, já que me sinto mais seguro para não me perder em cidades grandes usando o metrô.

O Museu Imperial da Guerra, lugar que eu queria conhecer, é, na verdade, dividido em 4 ambientes diferentes. O mais tradicional e mais amplo é o que conheci, na zona sul de Londres.




Chegando lá, confesso que não gostei tanto assim do lugar. Tinha na cabeça, ainda, a experiência de ter conhecido o excelente museu de guerra do Hotel des Invalides, de Paris, e esse de Londres não chegou nem perto... 

Estão expostos armamentos de guerra, aviões das duas Guerras Mundiais e inclusive bastante material capturado dos inimigos da Inglaterra, principalmente da Alemanha. Um pedaço do muro de Berlim, aliás, está exposto do lado de fora, na entrada do museu. 

Como o lugar fechava às 6 da tarde, acabei ficando menos de uma hora lá dentro, por isso também não posso dizer que conheci adequadamente o museu.





14/03/2013

Dicas sobre como usar bem o TAM Fidelidade

Essa semana, enquanto pesquisava umas passagens aéreas, acabei descobrindo por acaso o excelente blog sobre o mundo das passagens aéreas "Passageiro de primeira" (http://passageirodeprimeira.com), que dá dicas para facilitar a vida de quem quer tirar o máximo dos programas de fidelidade e dos benefícios das companhias que parecem inacessíveis aos reles mortais.

Um dos posts mais interessantes, que me permito aqui reproduzir dando crédito integral ao seu autor, Fábio Vilela, foi um com dicas sobre o programa TAM Fidelidade, um dos mais populares no Brasil (o post é de janeiro de 2013 e com as recentes alterações nas regras do programa alguma coisa pode ter mudado):


1- É possível visitar vários lugares na mesma região usando apenas uma pontuação. Sabe como? Simples, somente marcar os vôos com menos de 24 horas de intervalo entre eles na mesma região. Por exemplo, posso ir pra Frankfurt, dormir la, no outro dia acordar ir pra Paris, dormir la, no outro dia acordar, ir pra Londres, e assim sucessivamente. Já consegui fazer até 6 conexões no mesmo bilhete usando a mesma pontuação. Mas a regra é clara, a saída do próximo vôo não pode ser superior a 24 horas do vôo anterior. Por exemplo: Ir para Nova York, passar um dia, seguir pra Las Vegas. Na volta sair de Las Vegas, ir pra Chicago, passar um dia, e depois voltar pro Brasil. Tem inúmeras maneiras.

2 - Caso seu voo emitido com pontos, seja na TAM ou parceiras seja modificado ou cancelado, você tem o direito de escolher qualquer outro voo da TAM, ou cias parceiras pra ser marcado, MESMO se não tiver a classe com pontos, permanecendo origem e destino.

3 - Você pode mudar quantas vezes quiser a data da viagem do seu bilhete emitido com pontos SEM MULTA, desde que a origem e destino permaneçam o mesmo. Ex: Bilhete original: Guarulhos – Nova York – Chicago – Las Vegas, mas de repente você achou uma disponibilidade melhor com pontos Guarulhos – Houston – Las Vegas. Por manter a mesma origem e destino, não importa como fica as conexões, que você pode mudar quantas vezes quiser. Isto é uma ótima saida para quem está com pontos pra vencer, pois te permite emitir uma passagem para algum lugar que você sabe onde vai, mas nao tem data especifica. OBS: Exceção da América do Sul e Brasil onde esta regra não se aplica.

4 - Sempre adicione seu numero fidelidade no seu bilhete emitido com pontos (mesmo sabendo que não pontua). Alem de você garantir acesso a salas vip e prioridade nas bagagens e check-in, eu ja tive casos em que mesmo sendo voos com pontos, foram creditados na minha conta.

5 - O Fidelidade cobra por regiões percorridas e não por Origem-Destino. Ex: Guarulhos – Frankfurt – Beirut. Mesmo o voo sendo conexão, a TAM vai te cobrar pontuação da América do Sul para Europa, e depois da Europa para Oriente Médio. Um roubo, pois na hora de acumular, voce acumula por Origem e Destino e não por regiões percorridas.

6 - Quer pontuar mais na mesma viagem? Simples, faça conexão com MAIS de 24 horas. Qualquer trecho feito com mais de 24 horas, é considerado uma nova viagem pela TAM, portanto irá pontuar. Mesmo se voce tiver bilhetes emitidos separados e fizer o voo em um intervalo de 24 horas, ele irá pontuar somente um bilhete.

7 - Se você ver disponibilidade em voos da Star Alliance, seja pelo site da Ana, ExpertFlyer, Aeroplan, etc. A disponibilidade existe. Se você ligar no Call Center e o atendente dizer que não tem, desligue e ligue denovo. 

8 - Se acontecer novamente, ligue denovo. Você vai achar uma que vai achar os voos.

9 - Não achou trechos saindo do Brasil para o exterior? Tente de lugares como Buenos Aires, Lima ou Santiago, pois a conexão para estes lugares é gratuita pela TAM.

10 - Não é permitido resgate e acumulo nas cias Avianca/TACA e nem Copa Airlines(mesmo sendo membro da Star Alliance) por medida judicial determinada pelo tribunal do Chile após fusão TAM/LAN que exigiu que a LATAM não pertencesse a mesma aliança aérea que Avianca/TACA e Copa Airlines.

11 - Todas as emissões pelo Call Center, inclusive as somente feita em parceiros, é cobrado uma taxa de R$40,00 embutido no preço da taxa de embarque.

12 - Você só pode emitir bilhetes internacionais a partir de 6 meses de antecedência da data da volta da viagem.

13 - Bilhetes internacionais nas cias parceiras são emitidos somente por lojas TAM ou Call Center.

14 - Pontos expiram em 24 meses

15 - Mudança de itinerário, nome de passageiro, temporada é cobrado multa de 10% da pontuação.

16 - Reembolso é cobrado multa de 10% da pontuação e é devolvido somente os pontos válidos.

17 - Não é permitido parada intermediária (stopover).

18 - É permitido emitir somente ida ou ida e volta e também chegar por um destino e sair pelo outro (open jaw).

19 - Ligar em horário comercial é a melhor forma de ser atendido rápido, no máximo até as 19:00, depois deste horário o tempo de espera pula para 30 minutos.

20 - Desde Dezembro de 2012 a TAM não permite mais segurar reserva com pontos por 24 horas em parceiros. Agora somente emissão imediata.

26/02/2013

Londres à noite

Nossas noites em Londres quase sempre terminavam cedo, mas todos os dias, com exceção de um em que choveu forte, fizemos pelo menos alguma coisa antes de ir dormir.

Depois dos dois primeiros dias conhecendo a região no entorno do Soho e do Piccadilly Circus (e gastando uns pilas no Trocadero), dos quais já falei nos primeiros posts, num dos nosso finais de tarde pelo centro da cidade saímos direto da National Gallery para um pub, na hora em que todo mundo está fazendo o happy hour do trabalho, e por ali ficamos bebendo até mais tarde.

Um fenômeno relativamente novo estava ocorrendo naquela época: todo mundo tinha começado a beber na rua, do lado de fora do pub. No ano de 2007, o fumo foi proibido no interior dos pubs e a reação foi quase imediata: as pessoas começaram a levar seus copos de cerveja para a calçada.  O governo veio para cima dos estabelecimentos, exigindo que eles não deixassem que as pessoas atrapalhassem o trânsito, e o resultado acabou sendo o de que todos tiveram que contratar seguranças que não deixam as pessoas saírem exatamente da calçada que pertence ao pub - nem na sarjeta, nem nas calçadas dos prédios vizinhos; só na frente do pub.

A cena chegava a ser um pouco surreal: um aperto desgraçado de gente em cima de um espaço que não tem fronteiras com os demais espaços vazios, mas que fica sendo vigiado por um segurança, que não deixa nenhum cliente sair dali. Do lado de dentro do pub, em compensação, havia vários espaços vazios - basicamente só se entrava lá para pedir mais uma cerveja. 

Em outras das noites decidimos fazer parte de uma caminhada noturna pelos lugares historicamente ligados ao rock and roll em Londres. O aviso, que estava na área de uso comum do albergue, dizia apenas para deixar os nomes na recepção e estar no ponto de encontro às 20h30, que um guia voluntário viria para levar o grupo. Na hora marcada, comparecemos mas o grupo era formado apenas por nós dois, uma mulher e o próprio guia. Depois de uns 15 minutos esperando para ver se mais alguém aparecia, saímos andando pela cidade ouvindo as explicações do carinha - basicamente um cinquentão ainda entusiasmado com as histórias das bandas inglesas mais famosas. 

Passamos em frente às gravadoras em que Beatles, Rolling Stones e até o Oasis gravaram alguns de seus discos. Passamos também em frente ao prédio em cujo terraço os Beatles fizeram a sua última apresentação conjunta. 

Conhecemos o prédio onde Yoko Ono encontrou John Lennon, cafés que apareceram na capa de discos, a Carnaby Street e uma série de outros lugares ligados à indústria musical e aos anos da swinging London dos 60.

Passamos pela região onde estão os melhores alfaiates da Inglaterra, na Saville Row, e pela mercearia que fornece as "groceries" para a Família Real Britânica também. 






Depois de mais de duas horas e meia de caminhada e muitas explicações sobre a história de cada lugar, nos despedimos, e até hoje não sei se o cara estava esperando alguma gorjeta ou não - muito embora tivesse reforçado que fazia aquilo voluntariamente, ficou um clima meio estranho. 

Na noite de sábado, depois de voltar de Oxford, programamos a nossa única ida a uma boate em Londres da nossa semana na cidade. A escolhida foi a Ministry of Sound, que fica na margem sul do Tâmisa (um pouco longe), perto da estação Elephant & Castle do metrô.

Na época, a entrada custava £20, sem direito a consumação, e a dura que tomamos dos seguranças na entrada foi das mais "invasivas" que já vi numa boate: até por dentro das minhas meias o cara passou o dedão procurando se não estava levando alguma droga para dentro. Assim que entramos e fomos ao banheiro, entendemos a preocupação: havia gente descaradamente vendendo algumas pílulas de não sei o quê lá. 

Com relação ao lugar, digo que não tem nada demais. Aliás, boate tende a ser meio igual em qualquer lugar do mundo. Um diferencial era uma espécie de inferninho techno que havia numa sala separada das demais por um tipo de isolamento acústico. Lá dentro, o volume era literalmente ensurdecedor e só eletrônica da mais pesada tocando - acho que fiquei umas boas horas com zumbido no ouvido só de ter passado um tempo lá.

Como o metrô de Londres fecha à noite, foi nesse sábado que tivemos de usar pela primeira vez o sistema de ônibus noturno da cidade. Basicamente são os mesmos ônibus vermelhos de 2 andares que circulam de dia, só que com horários reduzidos e trajetos maiores, englobando numa só linha paradas de linhas diurnas diferentes. Nos mapinhas do metrô tem a explicação.

Nessas idas e vindas, achamos curioso naquela época o grande número de cartazes de um filme brasileiro bem conhecido aqui e no resto do mundo: Tropa de Elite...



24/02/2013

Oxford

Após um dia na chegada e mais quatro dias de passeios em Londres, foi num sábado que fizemos a nossa única day trip para um destino fora da cidade. A escolhida foi Oxford, que fica a umas duas horas de ônibus dali (muito embora se diga que a distância só toma uma hora, leva-se um bom tempo até sair da metrópole).

Dias antes, descartamos a ideia inicial de ir até Liverpool, tanto por causa dos absurdos preços das passagens de trem (custava mais de £100 se compradas na hora) como por conta do tempo de deslocamento, que nos tomaria mais de 6 horas ida e volta. Da mesma forma, achamos a logística de ir a Stonehenge um pouco complicada, e por isso preferimos fazer algo mais fácil.

Os ônibus a Oxford são bastante frequentes e muito confortáveis. Geralmente têm internet wi fi a bordo e as passagens integradas de ida e volta saem bem em conta. Só a velocidade é que irrita um pouco: como a estrada inteira é monitorada por radares de velocidade, nem a pau ele passa dos 80km/h.

Chegando em Oxford, tratamos de conseguir um mapa num guichê de informações turísticas para percorrer os pontos de interesse da cidade. 

Por lá, tudo parece um grande campus universitário, só que com prédios da Idade Média - bastante diferente dos nossos prédios modernistas de campi brasileiros. Não há exatamente uma fronteira clara entre o que são prédios públicos, prédios privados e as escolas da universidade. As placas indicativas de cada local são bem discretas e fica-se com aquela sensação de que se pode estar invadindo alguma propriedade particular durante as caminhadas. 




Lendo um pouco sobre o lugar, vimos que na verdade não há uma coordenação central das faculdades. São mais de 30 e poucas instituições independentes entre si, que simplesmente foram sendo construídas próximas umas das outras. 

Como era sábado, havia pouca gente na cidade (muitos vão embora no fim de semana, como em qualquer cidade universitária). Até mesmo as famosas canoas dos riozinhos que cortam Oxford estavam em sua maioria guardadas nas margens.




Algumas das partes mais interessantes do trajeto são a visita à Radcliffe Camera, na biblioteca Bodleian, que é esse prédio arredondado que simboliza a cidade, e a visitação interna do Christ Church College, um dos mais famosos e tradicionais de Oxford, em cuja sala de festas foram filmadas as cenas do refeitório do filme do Harry Potter. A catedral do Christ Church também pode ser visitada.



Na maioria das faculdades, e também das bibliotecas, entretanto, não é permitida a entrada de turistas, por isso as opções acabam sendo um tanto limitadas mesmo. Há alguns museus a visitar, mas depois de tantos em Londres, preferimos deixá-los de lado.

O centrinho comercial de Oxford tem uma cara típica de cidade do interior da Inglaterra, com alguns pubs, a prefeitura, lojinhas de souvenir e algum comércio de verdade (muita coisa até parece meio fake). 
Depois de umas seis horas caminhando pelos parques, percorrendo o roteiro do nosso mapinha e visitando os poucos lugares em que conseguimos entrar, voltamos para o nosso ponto de partida para esperar um ônibus de volta a Londres. Quando chegamos de volta, ainda estava claro, mas só voltamos para o albergue para descansar um pouco antes de sairmos à noite.



22/02/2013

Londres - London Eye e a "City"

Após termos passado boa parte do dia envolvidos na visita ao British Museum, o tempo teve uma reviravolta e um pouquinho de céu azul começou a aparecer. Corremos para o metrô e seguimos para uma das atrações que mais queríamos fazer na cidade, e para a qual estávamos esperando justamente um clima um pouquinho mais favorável - a London Eye.

A London Eye é aquela roda gigante que se vê perto do Big Ben, na margem sul do Tâmisa. Colando do Wikipedia, tem uns 135 metros de altura e 120m de diâmetro. Foi inaugurada justamente no final do ano de 1999, como parte das comemorações da cidade pela passagem do Milênio, por isso também ficou conhecida como Roda do Milênio. O nome da atração está sempre vinculado ao de um patrocinador, e na época em que estivemos lá o nome completo oficial ainda era British Airways London Eye. 




Ao contrários dos museus, essa atração é paga - e é bem carinha. Paga-se ainda mais se quiser pegar a "fila rápida", um jeito sem hipocrisia alguma de dizer que ricos não precisam esperar muito na fila. 

A atração está sempre lotada e oficialmente é considerada a atração paga mais visitada do país. Não chega a ser como a Torre Eiffell, entretanto. 

Nós devemos ter ficado pelo menos uns 30 minutos na fila. Chegando mais perto e já com os ingressos na mão, percebemos o porquê de tanta demora: a cada vez que um grupo é desembarcado de uma das "cápsulas" da roda gigante, e antes que o próximo grupo de pessoas entre (são umas 15 em cada cápsula), há uma checagem completa de segurança em busca de alguma possível bomba que possa ter sido deixada por alguém lá dentro. Os guardas passam um espelho na ponta de um bastão em todos os contornos de baixo e de cima do interior de cada cápsula e só então liberam a passagem.

As cápsulas têm um tamanho bem maior do que eu imaginava. São quase do tamanho dos bondinhos do Pão de Açúcar, mas não se deixa entrar tanta gente de uma só vez como no Rio. Como são presas à roda gigante, elas balançam bem menos do que o nosso bondinho também - só um leve balanço para frente e para trás quando a roda se move para a próxima cápsula chegar no setor de desembarque e embarque. 







A volta toda leva cerca de 30 minutos para ser completada, mas como a cada cápsula ela é parada, não se trata de um movimento contínuo. Na verdade, porém, o tempo acaba sendo curto, porque há muita coisa para se ver. 

A vista é praticamente de 360º da cidade. Como fica bem na beira do rio Tâmisa e pertinho do Big Ben, a atração mais óbvia para se fotografar lá de cima são justamente os prédios do Parlamento. 

Pode ser um clichê, uma atração manjada e não sei mais o quê, mas eu recomendo a qualquer um que esteja visitando a cidade pela primeira vez que reserve pelo menos uma hora e meia para aguentar a fila e fazer o passeio. Nenhum outro ponto da cidade te dará uma vista tão completa de tudo, numa experiência bem agradável e tranquila até para crianças. 

Depois de descermos, decidimos conhecer um pouco do centro financeiro de Londres, a parte que na verdade é a mais antiga da cidade e que justamente por isso é conhecida como a "City" (na verdade seria o distrito de Londres propriamente dito, já que o resto se divide em Westminster, Kensington, Chelsea, etc.).

Essa região da cidade se enxerga de longe por causa da cúpula da Igreja de Saint Paul, onde casou a Princesa Diana. A Igreja, que na verdade é Anglicana e não católica, cobra bem caro por uma visita interna: na época já passava de £11 e hoje em dia não sai por menos de £14,50, a não ser ser que se pague com antecedência pela internet, quando há um desconto de £2,00.



Como no horário em que passamos lá já tinha acabado a visitação, não conhecemos o seu interior. Ficou para outro dia (que acabou não acontecendo).

Ali pertinho fica também a sede do Banco da Inglaterra, que é esse prédio bem tradicional aí da foto.


Não muito longe também, fica a sede de uma das bolsas de valores mais importantes do mundo - a London Stock Exchange. Naqueles dias, o clima andava bem tenso por aquelas partes da cidade, porque a crise das hipotecas nos EUA estava começando a se espalhar - o Lehman Brothers pediu concordata no dia seguinte e só em Londres mais de 700 pessoas foram demitidas. 


Como o tempo de Londres não dá trégua, aquelas poucas horas que aproveitamos para fazer o passeio na London Eye acabaram num temporal, que começou a se ensaiar justamente enquanto estávamos ali na região da City. Acabamos tendo que fugir da chuva forte e encaramos um rush de final de tarde junto com metade do pessoal que estava voltando do trabalho bem naquela hora. 

20/02/2013

Londres - British Museum

Depois de uma noite bem dormida, acordamos cedinho novamente para o nosso terceiro dia de passeios por Londres. Tomamos o café da manhã no mercadinho em frente ao metrô e fomos nos dirigindo de transporte público até o British Museum, o nosso objetivo principal para aquela jornada. O tempo, para variar um pouco, estava exatamente como na manhã anterior: fechado, com uma chuvinha irritante que quase  chegava à categoria de chuva, obrigando-nos a estar sempre com o guarda-chuva na mão.

Acabamos nos precipitando um pouco no horário e demos de cara com a porta do museu ainda fechada. Tivemos que matar uns 20 e poucos minutos na região ao redor do museu, basicamente numa pracinha em frente, chamada Gordon Square, até que fosse permitida a entrada das primeiras pessoas. Não lembro bem, mas acho que quem tinha comprado ingressos de grupo em excursões organizadas até estava entrando, mas nós tivemos que esperar o horário público oficial.


O British Museum, na minha opinião antes de ir para Londres, e agora confirmada depois da visitação, é o maior e mais importante museu da cidade. Sinceramente, acabei gostando mais dele do que do Louvre, de Paris, por exemplo. Ah, e é de graça!

A proposta do "Museu Britânico" é reunir objetos de uso cotidiano e de arte das grandes civilizações clássicas e com isso ir contando a História do Mundo inteiro. Para isso, nada melhor do que contar com a ajudinha de centenas de navegadores, conquistadores militares, funcionários públicos dos tempos de Império e milionários colecionadores, que durante os séculos foram trazendo para a Inglaterra um pouco do que havia de melhor em todos os grandes centros arqueológicos do mundo. 

A parte do Museu que trata da história do Egito Antigo, por exemplo, é extremamente ampla. Há quem diga que há mais coisas para se ver ali do que no próprio Egito. Sarcófagos banhados em ouro, múmias das mais variadas, estátuas de animais, adornos de santuários, papiros e tudo o que se possa imaginar do Egito Antigo têm belos exemplos em exposição. O governo egípcio, depois da independência ocorrida na metade do século XX, volta e meia postula a devolução de alguns itens.


Um dos itens mais famosos dessa parte do museu é a Pedra de Roseta, aquela com base na qual pela primeira vez se decifraram os hieroglifos egípcios, porque no mesmo objeto havia uma versão equivalente do texto em grego clássico.

Outra parte do museu, que trata da Grécia Antiga, é igualmente impressionante. O melhor exemplo disso - basta dizer - está no fato de que boa parte dos adornos do Parthenon, da Acrópole de Atenas, foram removidos e trazidos para esse museu, estando hoje numa sala que tem o tamanho da Acrópole verdadeira. Para criar a sensação de ver todos os painéis, eles foram instalados ao contrário, nas paredes internas, como dá para ver nessa foto (em que eu apareço junto, hehehe).



Nessa sala onde estão os painéis do Parthenon há toda uma explicação oficial do museu de porque as peças não são devolvidas à Grécia, com argumentos que vão desde o fato de terem sido comprados legitimamente à circunstância de que ali eles estão muito mais bem protegidos da poluição que a própria Acrópole e à possibilidade de que mais turistas vejam as peças porque tem mais gente visitando a Inglaterra do que a Grécia...

Não é só Egito e Grécia... tem muita coisa de Roma, bastante coisa interessante da Babilônia, dos Sumérios e outras civilizações do Oriente Médio. Além disso, há até algumas estátuas, totens e múmias de civilizações indígenas norte-americanas e de Impérios pré-Colombianos da América Central e do Sul, bem como relíquias das civilizações orientais (Khmer, chinesa, etc.). 







A famosa caveira de cristal, que apareceu no quarto filme do Indiana Jones, também está exposta ali. Essa peça foi alegadamente uma descoberta feita em sítios arqueológicos da América Central, mas logo se descobriu que se tratava de uma falsificação fabricada com vidro na própria Europa, no século XIX. 


O Museu Britânico, tal como o Louvre, toma pelo menos umas quatro horas para ser visto nas suas partes principais, por isso acabamos fazendo o nosso almoço por ali mesmo, na cafeteria do pátio central (que graças a Deus é coberto, porque só chove naquela cidade).

Já passava das 14h30 quando finalmente saímos do museu, e como o lanchinho lá dentro não matou exatamente a nossa fome, ainda demos uma paradinha estratégica numa Starbucks que estava dando sopa ali na frente para fazer um reforço, antes de seguir viagem.

18/02/2013

Londres - Hyde Park e Notting Hill


Depois de um dia intenso de visitação, com a Torre de Londres pela manhã e três museus pela tarde (bem rapidamente nos dois últimos, é verdade), terminamos nossa jornada com ainda mais dois passeios: uma caminhadinha pelo Hyde Park e outra pelo bairro de Notting Hill.

O Hyde Park é um dos maiores parques urbano na região central de Londres. Originalmente, era uma área em que os reis ingleses apenas caçavam, sendo proibido o acesso da população em geral. Hoje em dia, tornou-se um lugar para prática de esportes no final do dia e no início da manhã, e para a realização de grandes concertos a céu aberto nos finais de semana, em épocas de festivais.



Para o visitante de primeira viagem, talvez uma das atrações que mais chame a atenção seja o Memorial da Princesa Diana. O memorial é bem diferente do que se imagina para esse tipo de atração: é na verdade uma fonte de água com a aparência de um rio, com uma calçada em todo o seu entorno, num formato irregular. A água vai aos poucos caindo por suaves declives e depois é impulsionada por bombas de água para reiniciar o seu ciclo.

Uma caminhada por outras partes do parque revela uma série de cabaninhas com jeito de terem uns bons séculos de existência e permite também ver uma coisa rara na cidade: londrinos de verdade, em seu habitat natural (afinal, o que mais se vê é turista e imigrante circulando nas regiões turísticas mais centrais).



Depois de uma caminhadas por ali, decidimos que ainda daríamos uma última esticada antes de ir para o albergue, até o bairro de Notting Hill, não muito longe dali e famoso por causa daquele filme com a Julia Roberts e o Hugh Grant.

O bairro de Notting Hill é considerado uma atração por ser formado por casinhas coloridas, quase todas iguais entre si, que originalmente foram construídas na época vitoriana, mas depois acabaram ocupadas por imigrantes caribenhos que vieram para a cidade trabalhar no período pós-guerra.



Depois de um período de decadência (os imigrantes fizeram do lugar um bairro conhecido como região pobre na cidade) e de ter-se tornado inclusive um lugar violento, Notting Hill passou a ser modinha entre o pessoal alternativo a partir do final dos anos 1980.

Nesse processo de reocupação e revalorização do bairro, conhecido tecnicamente como gentrificação, o bairro acabou se tornando um dos lugares mais desejados da cidade. É hoje considerado tranquilo, limpo e bastante agradável, além de estar próximo de várias áreas verdes da cidade.

Não chegamos a ver funcionando, porque já estava escurecendo, mas o bairro também é conhecido pelo seu comércio. Na Portobello Road, que corta quase toda a região, ocorre um famoso mercado de rua, especializado em antiguidades.

Em outra época do ano, obviamente, também ocorre um dos maiores eventos do calendário londrino nesse bairro: o Carnaval de Notting Hill.

Assim como em várias outras regiões na cidade, é possível identificar em Notting Hill umas plaquinhas azuis que mostram que pessoas famosas já moraram em algumas das casas. Na foto abaixo, por exemplo, está a indicação do que já foi a casa de George Orwell, o criador do “Big Brother” no livro “1984”, além da “Revolução dos Bichos”.


Na hora de ir embora, indo em direção a uma estação de metrô no extremo oposto do bairro, passamos pelo único momento de insegurança em todos aqueles 7 dias na cidade: um grupo meio mal encarado de jovens debaixo de um viaduto ferroviário, numa região meio mal iluminada (e já estava escurecendo) nos fez fazer um desvio... nunca se sabe!