30/01/2011

De Split a Plitvice

No mapa, não são mais do que 250km que separam a cidade de Split, no litoral, do Parque Nacional dos Lagos de Plitvice, na região central da Croácia. No entanto, essa distância que parece pequena para padrões brasileiros significa uma viagem de mais ou menos 5 horas em ônibus com bancos mais estreitos do que estamos acostumados, por estradinhas que poderiam muito bem estar no interior de um Município pequeno, mas que ali fazem a ligação entre regiões importantes de um país.

Nosso ônibus estava marcada para as 9h30 da manhã, não custou mais do que uns 30 reais por pessoa e saiu na hora marcada. Como não há poltronas marcadas, bolamos a estratégia de deixar dois do grupo colocando as bagagens no maleiro (sempre há que pagar uma taxa de 2 reais por mala "despachada" aos agentes que as colocam lá dentro, com uma etiqueta de identificação), enquanto que os outros dois subiam e escolhiam lugares bons para sentar.

Naquele dia, porém, o ônibus estava com menos da metade da ocupação prevista, por isso conseguimos seguir a viagem inteira com dois bancos para cada um.
A paisagem não empolga muito na saída, a não ser por algumas ruínas de castelos que aparecem lá e cá, quando o ônibus se aproxima de algumas cidades, como na foto acima. A rota que fizemos, supostamente a mais curta que há, passa pelas cidades de Sinj, Knin e Korenica, costeando a fronteira com a Bósnia, pela estrada E71.

É impressionante como não existe quase sinal algum de atividade econômica no interior da Croácia. Nada de plantações, nada de criações de gado ou fábricas naquela região. Até apostamos uma cerveja para o primeiro que enxergasse uma vaca naquele país, coisa que não víamos desde que tínhamos saído do Brasil.

O único alento da viagem foram alguns lagos e montanhas que se apresentaram com a cor azul limpíssima com a qual acabamos nos acostumando naquela viagem, como nessas fotinhos tiradas de dentro do ônibus em movimento.

Faltando menos de meia hora para chegarmos ao Parque, o ônibus fez uma parada para almoço de meia hora. Afinal, seguiria para Zagreb e aquele povo tinha que comer.

O restaurante de beira de estrada onde ele parou revelou-se uma das maiores excentricidades da viagem, porque era cheio de animais da fauna regional empalhados. Ursos, cervos, coelhos, ratões e outros mamíferos estavam expostos bem perto dos bufês, alguns em posições de humanos, como uma mesa de poker cheia deles, segurando as cartas. Outros tomavam cerveja ao redor de uma mesa de bar, enquanto alguns estavam apenas em poses para assustar criancinha. Mau gosto ou não, ficaram registrados.

28/01/2011

Rumo ao interior da Croácia

Com tanta coisa para fazer nos lugares próximos, a uma ou duas horas de viagem, acabamos negligenciando a cidade de Split em si. Os passeios que fizemos por lá ou foram durante a espera para um barco, ou no fim de tarde, quando já estava escurecendo. Ao contrário de outros lugares em que já estive na Europa, na Croácia o sol não se põe tão tarde no verão, sendo que o pôr do sol costuma ocorrer lá pelas 19h30, 20h00.

O resultado foi que não entramos em nenhum museu, igreja ou atração em que se tinha de comprar ingresso. Ficamos só andando pela cidade, indo aos pontos indicados como sendo de interesse e aproveitando para comer nos restaurantes que apareciam no guia da Lonely Planet para os "Western Balkans".
Do pouco que conhecemos de lá, dá para tirar algumas dicas do que fazer e do que não fazer:

- os melhores restaurantes ficam próximos ao mercado público, logo depois (a noroeste) da Narodni Trg (Praça do Povo) e ao redor da Trg Republike (Praça da República), que é essa da foto.
- a praia urbana de Split, Bacvice, à direita do porto para quem olha do mar, é uma furada. Parece uma borda de uma psicina, com uma calçada de concreto que termina no mar, ao qual se desce por uma escada de piscina. Os restaurantes e bares ao redor parecem de qualidade baixa, com músicas altas demais e tal. Gastamos caminhada à toa indo lá.

- a Riva, o calçadão a beira-mar em frente ao Palácio, tem vários cafés e barzinhos, mas muito poucas opções para comer. Por isso, ali só é bom para curtir o movimento e fazer uma paradinha, mas não para passar tanto tempo.

- saindo umas três quadras para fora da região do centro histórico, começa a parte mais "nova" da cidade, que não tem muito apelo turístico. Blocos residenciais gigantes e todos parecidos do tempo comunista formam a paisagem, que pode ser vista também nos bairros de várias cidades do leste europeu.

- Split tem um aeroporto todo moderninho, não muito longe da cidade, que pode ser uma boa opção para quem quer chegar direto para conhecer as ilhas de Hvar, Brac e arredores. A maioria dos voos para lá são sazonais (só ocorrem no verão), mas há voos da Croatian Airlines (parceira da Star Alliance) saindo da Itália e de outras cidades croatas o ano inteiro.

- além dos passeios que fizemos (Hvar, Brac) e que ainda vou contar (Plitvice Lakes), que podem ser feito em bate e volta de Split, há ainda outros lugares que são bastante procurados pelos turistas: a cidade medieval de Trogir, que fica numa ilhota bem ao lado do continente e que preserva seu centro como há centenas de anos atrás, e o parque Nacional de Krka, cheio de cachoeiras ao longo de um rio que desce para o Adriático.
Como tínhamos planejado um roteiro que contemplava um noite nos arredores do parque de Plitvice, demos adeus a Split e tomamos um ônibus bem cedo numa manhã para descermos direto na porta do parque. Depois de cerca de 10 dias, deixamos a região da Dalmácia, uma das mais bonitas que já conheci na vida, em direção ao interior.

19/01/2011

Split - Palácio de Diocleciano


Logo no primeiro post em que falei sobre a cidade de Split, quando contei sobre a vinda de Dubrovnik, fiz referência ao Palácio de Diocleciano (que também apareceu naquele post de fim de ano com as fotos do showzinho de ciganos com fogo). É sobre esse mesmo lugar que volto a falar agora.

O palácio de Diocleciano é a maior estrutura romana continuamente habitada do mundo. Desde quando foi feita, no final do século III e início do século IV, foi residência oficial do imperador romano Diocleciano, que abdicou voluntariamente ao seu trono e decidiu descansar na sua terra natal, transformou-se em sede do governo provincial, virou fábrica de tecidos, armazém de armamentos, lugar de comércio barato, antro de prostituição, e por aí vai, até se tornar o centro atual da cidade de Split.

O palácio, na verdade, tem o tamanho de quatro quadras grandes de uma cidades moderna. Há toda uma fortificação externa e só se pode ingressar no interior pelos quatro portões, no centro de cada uma das paredes. Do lado de dentro, várias ruelas separam diferentes prédios, que originalmente eram quartos e setores do próprio castelo - desde a cozinha real, até os quartos dos moradores e empregados, passando pelos templos de adoração religiosa, hoje transformados em templos cristãos.

Essa estrutura gigantesca permanece viva e aberta ao público porque é o próprio centro histórico da cidade. Há lojas, restaurantes, albergues, igrejas, museus - tudo funcionando de forma independente ali dentro. Não há espaço para o ingresso de veículos, por isso toda a área está sempre cheia de pessoas pelos caminhos.

O único espaço mais aberto é o antigo peristilo do palácio (pátio central das casas e palácios romanos onde ficava o altar do deus principal adorado pelo morador), que serve como uma praça medieval à cidade.

Principalmente no paredão da frente, aquele que dá para o mar, há vários recintos subterrâneos, alguns transformados em museus, outros ocupados pelo comércio de souvenirs turísticos e bugigangas.

O grande interesse que o lugar desperta se deve ao fato de justamente permitir uma experiência diferenciada em termos de ruínas romanas. Ao invés de só ficar batendo foto em pilhas de pedras ou em colunas quase caindo, apelando para a imaginação para ver como seriam os templos, aqui o visitante tem tudo ainda à vista, quase inteiro e em boa parte autêntico. A possibilidade de caminhar por dentro de um prédio romano que ainda preserva suas concepções originais não existe na Itália, a não ser por poucas exceções, como o Panteão romano, que ainda tem o teto original.

17/01/2011

Supetar

Na volta de Bol, precisamos percorrer mesmo caminho que já havíamos feito pela manhã: tomamos uma van no estacionamento pago próximo à praia de Zlatni Rat e levamos uns 45 minutos entre curvas para todos os lados, subidas e descidas até sair do lado oposto da ilha de Brac, onde tomaríamos o ferry boat de volta a Split.

Descendo da van, fomos correndo à agência de passagens da Jadrolinija, mas descobrimos que só haveria outro ferry dali a umas duas horas. Não tivemos alternativa senão arranjar um lugar para servir de base e deixar as coisas. Escolhemos um barzinho a meio caminho entre a agência de passagens e o porto, onde havia cerveja, lanchinhos e uns sofazões para sentar.

Enquanto os outros três do grupo aproveitavam para tirar uma soneca, dei uma saída sozinho para ver o que encontrava na cidadezinha em que estávamos. Tive algumas boas impressões do lugar.

Supetar é o tipo de lugar desconhecido, sem nenhuma razão especial para atrair turistas em meio a uma região cheia de destinos paradisíacos, pelo qual as pessoas apenas passam, sem nem saber o nome da cidade onde estiveram.

Justamente pela ausência de turistas, ela serviu para mostrar como é que é um povoado de verdade naquela região. Não me decepcionei.
A alguns passos do porto, já entrei pelas ruelas estreitas da parte mais antiga da cidade, por onde apenas motos e bicicletas conseguem passar, além das próprias pessoas. As casas são quase todas feitas com pedras clarinhas, que contrastam com as flores de cores vivas que decoram os pequenos jardins.

A igrejinha matriz também não tem nada de especial, mas estava muito bem conservada (inclusive com uma obra de restauração em andamento).
Descendo pelas escadarias da igreja, já encontrei novamente o porto, mas na parte mais antiga, onde ficam ancorados os barquinhos dos pescadores. Ao redor, os mercados, lojas e prédios públicos - todos com um clima bem preguiçoso de cidade do interior. Mesmo com essa simplicidade toda, o visual era muito bonito, com a cadeia de montanhas no continente sempre servindo como cenário ao fundo.

Segui algumas placas e, já do outro lado do estacionamento do porto, encontrei a praia pública do centro da cidade, bem tranquilinha, com crianças brincando, uns poucos banhistas e uma meia dúzia de cadeiras e guardassóis.
Até aproveitei para pôr os pés na água e me sentar um pouco, apreciando o movimento dos barcos de passeio e a paisagem bem atípica para o conceito que nós brasileiros temos de praia (um paredão montanhoso sempre ao fundo, com pedrinhas brancas no chão ao invés de areia).

Com mais uma demonstração de que em uma viagem, deve-se aproveitar todos os momentos, ainda que seja andando ao acaso, voltei um pouco antes da hora do embarque para reencontrar a gurizada e tomar o barco de volta a Split.

12/01/2011

Ilha de Bol e a praia da "ponta dourada"


Bol, na Croácia, não é nome de servidor de e-mail - é a cidade que tem a praia mais famosa do país, que estampa muitos dos cartões postais da região: a praia de Zlatni Rat (ou "Ponta Dourada").

A tal praia é famosa porque tem o formato quase perfeito de uma ponta dourada entrando no mar. Uma longa faixa de pedrinhas brancas e amareladas que só muda levemente de forma conforme as marés. Dá para tomar banho de sol e de mar o dia inteiro, bastando trocar de lado conforme a luz vai mudando de direção.
Desde o tempo dos romanos, o lugar já era conhecido, tanto que existem ruínas de um balneário de mais de 1800 anos no local, próximo aos bares e restaurantes na parte arborizada que dá acesso à praia.
Hoje, o lugar é muito visitado por turistas que estão de passagem por Hvar (há barcos de passeio, especialmente de agências que vendem o pacote de bate e volta, saindo direto de Hvar Town para passar o dia lá), ou mesmo por quem está em Split, como era o nosso caso. Há vários hotéis de todas as categorias na cidade, mas acredito que pouca gente de fora da Croácia durma ali. Da praia, saem passeios de barco, lanchas com banana boat, e outros esportes náuticos.Do lado oeste da praia, um pouco antes da chegada para quem desceu na zona de estacionamento, há um trecho FKK, ou seja, de praia nudista. Chega a ser curioso o fato de que as pessoas estejam peladonas lá embaixo, enquanto todo mundo pode vê-las e inclusive tirar fotos.
Setor naturista visto de cima

A cidade de Bol fica no sul da ilha de Brac, que é uma das maiores da Croácia, inclusive com a montanha mais alta de todas as ilhas. A ilha também é conhecida pelo seu mármore, que inclusive foi usado na construção da Casa Branca, nos EUA, segundo informações que lemos por lá.

Para chegar vindo de Split, como nós fizemos, é necessário pegar um ferry boat no porto da cidade. A viagem dura cerca de uma hora e o desembarque ocorre em Supetar, no lado norte da ilha (extremo oposto em relação a Bol). Dali, é necessário pegar um ônibus (cerca de 1h de viagem) ou um táxi, ou ainda uma van (nesse caso o trajeto fica em pouco mais de meia hora). Há vários motoristas de peruas esperando a saída do ferry para fechar grupos de 8 a 10 pessoas e transportá-los até Bol, num preço acertado na hora que inclui o retorno entre as 16h e 17h da tarde.

Passamos umas boas horas muito agradáveis ali naquela praia. Ficamos no lado leste, com a vista do continente (e as suas montanhas) emoldurando um mar cristalino, se bem que com temperatura mais fria que nos outros dias. Pela primeira vez, conseguimos comprar chopp gelado num barzinho de beira de praia, o que compensou o fato de não termos conseguido achar algum lugar vendendo gelo para colocar no nosso isopor.

Deixamos para almoçar mais tarde, próximo do horário de retornar, e comemos num restaurante self service bem em conta e muito bom, no bosque de pinheiros que fica logo atrás da praia. É um passeio que não é muito fácil de fazer, mas que certamente vale a pena.

11/01/2011

Parceria com o Sweetest Person

A julgar pelo grande número de comentários em poucas horas após a publicação de um post baseado num texto que escrevi para a Paula Pfeifer, do blog Sweetest Person, daqui de Santa Maria, o número de leitoras do sexo feminino aqui no meu blog deve aumentar!

A ideia da parceria iniciada nesta semana é dar dicas voltadas para as meninas que têm vontade de viajar de um jeito diferente, mais independente, sem abrir mão de destinos e até alguns confortos, típicos do conceito mais moderninho de "mochilão".

Para quem quiser dar uma conferida, segue o link: http://sweetestpersonblog.com/2011/01/11/pensando-em-fazer-um-mochilao/#comments

10/01/2011

Ligação direta Porto Alegre - Europa


Uma excelente notícia para os gaúchos, vinda de uma companhia que na minha opinião prestou um serviço muito bom nos quatro voos em que a utilizei (fonte: Panrotas):

Após encontros, Tap confirma voo Porto Alegre-Lisboa

A Tap confirmou há pouco o início das operações de quatro voos semanais que ligarão Porto Alegre a Lisboa a partir de 12 de junho – a aérea só aguarda as autorizações do governo brasileiro e dos órgãos do setor. A confirmação se deu após encontros do vice-presidente da companhia, Luiz da Gama Mór, com o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, e com a prefeita da capital gaúcha, Sofia Cavedon.

Os voos serão operados por um A330, ofertarão algo em torno de 2,3 mil assentos semanais e terão espaço também para o transporte de carga. A duração do voo será de aproximadamente 10h30.