23/05/2009

Na estrada até Buenos Aires

Sempre tenho a sensação de que a viagem propriamente dita só começa depois que saio do Brasil. No caso daquele mochilão a Buenos Aires e Montevideo, isso significa que, 1 minutos depois de sair da rodoviária de Uruguaiana, minha viagem estava começando. Ali, do outro lado da ponte internacional por onde passa quase todo o comércio Brasil – Argentina – Chile, preenchi meu cartãozinho do MERCOSUL e ganhei meu carimbo de 90 dias de turista, apresentando simplesmente a carteira de identidade.

Aproveitei para fazer câmbio. É incrível como as cotações são bem melhores em pontos de fronteira entre o Brasil e os vizinhos. Mesmo comprando pesos ou dólares em casas oficiais, com recibo do órgão oficial do governo, o valor pelo qual se troca moedas sai muito mais em conta do que em aeroportos ou no centro de cidades grandes. Geralmente não tem taxa e os valores se aproximam muito do câmbio comercial.

Depois disso, consegui dormir. Era passado de meia-noite, a estrada um reta escura sem fim, o ônibus quase vazio, e nem uma parada no caminho. Acho que só acordei rapidamente numa paradinha para pagamento de pedágio e numa parada em frente a um posto policial. Depois, lá pelas 5 e pouco da manhã, acordei e fiquei olhando aquilo que imaginava ser o único ponto de interesse daquela estrada toda: o complexo de pontes de Zarate, que é um conjunto de viadutos sobre os vários braços do Rio Paraná, entre as províncias de Entre Rios e Buenos Aires.

Dali em diante, já começa a região metropolitana da capital e não dormi mais. O dia já estava clareando quando fui chegando pela parte mais rica dos subúrbios portenhos. San Isidro, Tigre, os countries e os campos de pólo, a fábrica da Ford, os bairros de Belgrano e Núñez, o estádio do River...

As primeiras impressões da cidade foram muito boas. Prédios não tão altos, bastante verde, uma aparência de organização e riqueza. O dia com céu azul que ia se revelando deixava o contraste com a cor predominantemente branca dos imóveis ainda melhor.

Algumas curvas antes da estação rodoviária do Retiro, uma “pequena mancha”: uma favelinha escondida atrás de cercas com arames farpados e fios elétricos, bem atrás da entrada dos ônibus.

O ônibus estacionou num dos mais de 60 box da rodoviária e eu desci, peguei minha mochila e fui direto para um banheiro lavar o rosto, escovar os dentes e colocar minhas lentes.

Sozinho, pela primeira vez, num outro país, fiquei me sentindo o caipira que chega na cidade grande. A rodoviária era enorme e eu, tentando não dar pinta de perdido, fui seguindo as plaquinhas que indicavam a estação de metrô.

Logo depois de sair pro lado de fora, fiquei um pouco confuso com o movimento de gente indo para o trabalho, mas logo achei, meio que por mágica, a entrada da estação Retiro, onde pegaria pela primeira vez na vida um metrô.
Retiro

22/05/2009

Requisitos migratórios para a Europa ATUALIZADO

Com exceção de Londres, todos os demais vôos diretos entre o Brasil e a Europa chegam em aeroportos dentro do Espaço Schengen, o que significa a observância de requisitos comuns de entrada (Madrid, Lisboa, Porto, Paris, Milão, Munique, Frankfurt, Amsterdam).

A imigração (entrada) é feita no primeiro aeroporto onde você desembarcar, independentemente de ser aquele o seu destino final ou não. Mesmo se tiver uma conexão marcada para alguns minutos depois, é nele que fará sua entrada na União EuropEia.

Há vezes que em ninguém pergunta absolutamente nada, simplesmente carimba seu passaporte e manda passar. Outra vezes, pode fazer um montão de perguntas e inclusive levar a pessoa para uma sala para averiguações mais detalhadas. Qualquer que seja a sua sorte, fato é que existem alguns requisitos a serem observados para entrar na União EuropéEa como turista (fora desses casos, verifique como tirar visto):

  • Passaporte válido por até 6 meses depois da volta. Você nem vai conseguir embarcar num avião aqui no Brasil sem passaporte; ele é o seu documento de identidade lá fora.
  • Bilhete de passagem aérea com ida e volta no máximo 90 dias depois (se passar desse prazo, você precisa apresentar algum tipo de visto, como residência temporária ou visto de trabalho). Esse é o requisito mais importante, depois do passaporte. Invariavelmente dão uma olhadinha nas suas passagens para ver se você tem a volta já comprada.
  • Seguro de saúde com cobertura mínima de 30.000 euros. Nunca conheci ou ouvi alguém que tenha tido que comprovar que tinha seguro, mas a regra é obrigatória e podem pedir se quiserem. Esse seguro pode ser feito em qualquer agência de turismo que trabalhe com viagens à Europa ou, ainda, ser disponibilizado pelo seu cartão de crédito, se você comprar a passagem usando o cartão (o Visa Platinum é assim).
  • Reservas de hospedagem ou carta-convite. Você tem que comprovar onde vai ficar. Se é em albergue, hotel ou pousada, tem que ter uma reserva feita (pelo menos para os primeiros dias). Se é na casa de amigos ou parentes, uma carta deles explicando que você ficará na casa deles. Reservas podem ser feitas pela internet, mas o importante é levar um comprovante impresso disso (seja o e-mail de resposta, seja a página gerada pelo site de reservas, seja o voucher emitido pela agência de turismo).
  • Dinheiro suficiente para custear a viagem. Você tem que comprovar uma quantia mínima de dinheiro proporcional ao tempo de sua viagem. Em média costuma-se exigir algo em torno de 60 euros por dia de viagem. Faça as contas. Não precisa ser tudo em dinheiro vivo. Pode ser através de cartão de crédito (tem que comprovar por escrito o limite do cartão, com a fatura ou informação disponível no site do seu banco), pode ser através de Visa Travel Money (tem que ter alguma prova escrita do saldo), pode ser através de traveller checks, dólares, euros. É bom ter uma quantia inicial para pequenas despesas antes de encontrar algum caixa automático.

Basicamente, os requisitos são esses. Para ficar ainda mais seguro, é aconselhável levar provas dos vínculos que você tem aqui no Brasil, ou seja, tudo aquilo que sirva para comprovar que você tem muitos motivos para voltar para casa: cópia da carteira profissional assinada ou carteira funcional, contra-cheques, declarações de imposto de renda, certificados de propriedade de veículos, certidões de empresas que estejam em seu nome, certidão de casamento com alguém que more bo Brasil, comprovante de endereço atual, etc. A prova de vínculos é mais exigida na imigração nos EUA que presume todos como imigrantes ilegais até prova em contrário, mas mesmo assim reforça a prova exigida na UE, que se foca na prova das condições econômicas do turista para fazer a viagem.

No mais, o importante é não ficar nervoso. Responda só o que perguntarem, mas responda com firmeza e certeza. O primeiro passo para entrar em contradição é contar alguma mentira. Saiba o que você vai fazer nos lugares para onde vai. É comum perguntarem: "Se você é turista, o que veio ver aqui em Madrid?" Não saber responder uma pergunta dessas pode colocá-lo numa fria. Para não chamar a atenção nem para o mais nem para o menos, vá com uma roupa normal, compatível com o clima do destino, sem estar ajeitado demais nem muito desarrumado, com uma boa aparência no que se refere a higiene, etc. Numa blitz, é lógico que eles têm a obrigação de parar um % de pessoas para averiguações - coloque-se no lugar desses oficiais e pense quem você pararia como suspeito, numa turma de 300 pessoas: o sujeito de calça jeans, camiseta e mochilinha ou aquele magrão barbudo, arrastando as calças, usando casacão mesmo com um calor de 30ºC?

17/05/2009

De Santa Maria a Uruguaiana

Faltava pouco mais de um mês para a minha formatura. Enquanto todo mundo estava arrancando os cabelos por causa do trabalho de final de curso, eu, com a monografia já pronta para a defesa, “desempregado” depois de ter “terminado” um estágio num escritório que não tinha planos de ficar comigo depois de formado, estava decidido a fazer uma viagenzinha de cerca de uma semana a Buenos Aires e Montevideo.

Lembro ainda das caras curiosas e assustadas de alguns colegas quando perguntavam porque eu estava indo para lá e o que faria, afinal, em Buenos Aires.

Numa quarta-feira ao meio-dia, mês de novembro de 2003, embarquei num ônibus da Ouro e Prata que faz o trajeto entre Santa Maria e Uruguaiana. Para quem conhece, sabe o que isso significa. Umas seis horas numa estrada quase reta, sem nenhum atrativo para ver, sem ar condicionado ou mesmo TV no ônibus. Para piorar, ainda tinha que trocar de ônibus em São Francisco de Assis, porque na época ainda havia um trecho de terra perto de Manoel Viana, no qual a empresa não gostava de colocar seus “melhores ônibus”.
Santa Maria

O ônibus da Pluma que faz o trajeto São Paulo – Buenos Aires, que era o que eu pretendia tomar, só vendia passagens para embarque em Porto Alegre (a 300km a leste de Santa Maria) ou em Uruguaiana (a uns 400km a oeste). A opção intermediária seria embarcar em São Gabriel, a uns 150km de Santa Maria, quando o ônibus para para jantar (olha o que essa reforma ortográfica fez conosco: “para para”).

Só que, para embarcar em São Gabriel, a pessoa tem que comprar a passagem desde Porto Alegre, o que deixava a passagem quase o dobro do preço. Resultado: liguei e consegui que um conhecido comprasse a passagem para mim lá em Uruguaiana, deixando combinado que, quando chegasse lá, pegaria com ele (ou a família).

Bom, mas voltando à minha viagem, cheguei em Uruguaiana no horário marcado, pouco depois das 18hs. Li quase inteira a “Comédia da Vida Privada” do Veríssimo na viagem – empréstimo de um colega que não poderia ter caído melhor para aquelas horas de estrada.

Em Uruguaiana, um conhecido meu, o Cláudio, e um amigo seu, estavam me esperando para me levar à casa da família do Guilherme, que havia comprado minha passagem, mas que estava viajando naquele dia. Meu ônibus só sairia por volta das 1h da manhã, por isso o pessoal propôs de jantarmos juntos em algum lugar no centro da cidade.

Comemos uma pizza, tomamos uma cervejinha, e lá pelas 22hs fomos para a rodoviária, de onde ele me deixariam e iriam embora. Na estação, fui direto falar com o pessoal da Pluma, para saber se estava tudo ok e se o ônibus chegaria na hora. Aí que tive uma ótima notícia: haveria um ônibus extra saindo praticamente vazio para ficar de reserva em Buenos Aires, dali meia hora, e se eu quisesse poderia ir junto, usando a mesma passagem. Não tive dúvidas: avisei aos guris, que ainda estavam por ali, e me fui, feliz da vida.

16/05/2009

Ideia fixa: Buenos Aires

Logo que voltei do primeiro mochilão, todo empolgado pela experiência de primeira que tive, fiquei com uma idéia fixa na cabeça: conhecer Buenos Aires.

Passei 2003 em inteiro pensando em ir para lá, custasse o que custasse. Não sei o que me atraía tanto naquele lugar. Cheguei a bolar um roteiro e mandar para toda uma lista de e-mails de amigos, mas não recebi nenhuma adesão muito empolgada de alguém querendo ir junto. Como era último ano de faculdade, a maioria das desculpas girava em torno da necessidade de terminar a monografia de graduação. Houve até um ou dois que garantiram que iam, mas faltando pouco mais de um mês, desistiram – seja por causa da namorada ou da família.

Minha organização prévia para aquela viagem (eu já trabalhava com a idéia de ir sozinho, caso necessário) não foi muito diferente daquela que tivemos no mochilão a Machu Picchu: nada de guias especializados, só uns mapas, umas revistas de viagem e informações que encontrava na internet. Lembro que me meti até nuns fóruns e chats na internet para saber um pouco mais do que pretendia ver.

Com uma amiga que viajava seguido para Buenos Aires, para visitar amigos, consegui informações sobre a logística do transporte até lá – tanto do ônibus que ia do Rio Grande do Sul para Buenos Aires, como a volta pelo Uruguai, até Santa Maria ou Santana do Livramento.

O dinheiro, eu já tinha. Aqueles 160 e poucos dólares que tinham sobrado da viagem a Machu Picchu, pro tipo de mochilão que eu faria, eram mais do que suficientes para gastar por lá. Fora disso, só o preço da passagem de ônibus até lá. Ao total, uns R$ 600, no câmbio de 2003.

Ficaria em albergues, mas sem reserva prévia alguma (eu nunca tinha ouvido falar em Hostelworld naquela época e certamente acharia US$ 1,50 de taxa de reserva muito caro – além de não ter cartão de crédito internacional para facilitara vida. Em Uruguaiana, minha porta de saída do Brasil, e Livramento, a porta de entrada, ficaria na casa de um pessoal (mais ou menos) conhecido. De graça, é claro!

Com o mesmo mochilão, a carteira de identidade, umas mudas de roupas e alguns trocados no bolso, eu não precisava de nada mais para fazer o primeiro mochilão sozinho (bem urbano, é verdade, mas era uma viagem pro “exterior” sozinho!).

15/05/2009

O assunto é: América do Sul


Em sentido horário: Montevideo, Asunción, Santiago e Buenos Aires

Depois de mais de um ano escrevendo sobre países europeus, recomeço agora a postar sobre nossos vizinhos sul-americanos, a partir de experiências que tive em várias viagens e mochilões de menor duração a cada um deles.

Além do meu primeiro grande mochilão, no qual conheci a Bolívia, o sul do Peru e, de relance, o norte do Chile e da Argentina, e sobre o qual escrevi os primeiros posts aqui do blog, fiz outros mochilões passando por Buenos Aires e Montevideo (final de 2003), Misiones, Paraguai e o Chaco (final de 2005), Mar Del Plata e Buenos Aires (início de 2006). Além disso, fiz outras viagens rápidas, mas sempre de forma independente, à Argentina, ao Uruguai e ao Chile – algumas de carro, outras de busão e outras de avião.

Para quem mora no Sul do país, como eu, muitas vezes é mais fácil e barato (e na minha opinião mais interessante) passear por países vizinhos do que viajar pelas demais regiões do Brasil. Ultimamente, aliás, as viagens que tenho feito a outros lugares do Brasil, como Noronha e o Rio, foram feitas com o uso de passagens aéreas obtidas em programas de milhagem.

O período entre o final de 2003 e meados de 2008 foi, talvez, o melhor que já existiu, do ponto de vista financeiro, para conhecer a Argentina, o Chile e o Uruguai. Esses países, tradicionalmente, sempre foram mais caros do que o Brasil. Já tinham superado problemas de inflação muito antes de nós e, talvez por falta de maiores riquezas naturais ou de um grande mercado consumidor, tinham preços mais altos do que por aqui. Com a megacrise pela qual passou a Argentina, o Uruguai afundou junto e, com nosso crescimento em tempos de Lula, vimo-nos com um câmbio superfavorável que praticamente “empurrou” todo mundo para as terras dos “hermanos”.

Agora, no final de 2008, a crise fez todo mundo pisar no freio, mas mesmo assim nossos vizinhos continuavam sendo uma opção bem mais em conta do que os EUA ou a Europa. A tendência, levando em conta o que está acontecendo com o dólar nos últimos dias (e em contrapartida com as moedas argentina e uruguaia) é de que a situação volte a ficar a nosso favor – embora não no mesmo grau e intensidade anterior à crise.

Promovi uma enquete aqui no blog para saber que país interessava mais aos meus leitores e, atendendo à opção vencedora, começo falando um pouco sobre a Argentina. Continuem aparecendo aqui para lei mais!

14/05/2009

Como tirar o visto americano - Parte II

Foto e formulário DS-157: além do DS-156, preenchido online e gerado automaticamente pelo sistema de entrevista, baixe um pdf do formulário DS-157 no próprio site Visto-EUA ou em qualquer site oficial do governo americano e preencha-o a caneta, depois de imprimi-lo em branco. Menores de 16 anos não precisam preenchê-lo. Além disso, providencie uma foto 5x5 ou 5x7, recente, porém sem data, para entregar na entrevista (ela será digitalizada e aparecerá no seu visto).

Entrevista: compareça ao Consulado ou Embaixada no qual sua entrevista foi marcada com cerca de meia hora de antecedência em relação ao seu horário. Não esqueça nada: comprovante do agendamento da entrevista, passaporte (o atual e os anteriores que contenham vistos americanos), comprovante da taxa de US$ 131 paga, formulários DS-156 e DS-157 preenchidos, foto 5x5 ou 5x7 e os demais documentos com os quais você pretende comprovar sua condição financeira e seus vínculos aqui no Brasil (declaração de imposto de renda, comprovante de matrícula em instituição de ensino, extratos bancários dos últimos 3 meses, contracheques dos últimos 3 meses, carteira de trabalho, contrato de aluguel ou certidão de propriedade de imóvel, certidões de nascimento de filhos e de casamento, se casado, comprovantes do motivo da sua viagem, etc.). Já na fila do lado de fora funcionários terceirizados verificam se você está trazendo tudo e mandam sair da fila se não estiver tudo OK.

Ao contrário do que muitos pensam, não é necessário ter passagem comprada ou reserva feita no local de destino, mas é preciso comprovar o motivo da viagem de alguma forma.


No Consulado ou Embaixada, não é possível entrar com malas, mochilas grandes, aparelhos eletrônicos como máquinas digitais e celulares. Os celulares e máquinas podem ser guardados na entrada, junto com os seguranças (que deixam um comprovante para pegar na saída), mas as malas e mochilas grandes não são admitidas.


Depois de passar pela segurança (que tem aqueles detectores de metal tipo aeroporto), apresente-se ao balcão para retirar a senha da entrevista, que ocorre por ordem de chegada. Sim, há dezenas de pessoas com o mesmo horário que você agendou!
Com a senha na mão, aguarde ser chamado para colherem suas impressões digitais eletronicamente.

Uma funcionária pedirá para você colocar os quatro dedos de uma mão, depois os quatro dedos de outra mão e, por fim, os dois polegares, numa leitora ótica de impressões.


Após as impressões, finalmente você é entrevistado por um agente consular, através de um vidro a prova de balas, por um microfone. Você repassa a ele o passaporte, os formulários DS-156 e 157, já com a foto grampeada por um funcionário, e o passaporte no qual o visto deverá ser colocado.
Se o agente pedir, você deve apresentar outros documentos adicionais. Limite-se a responder e a entregar aquilo que lhe for pedido. O agente pode, inclusive, pedir licença para ligar para os números de referência indicados por você nos formulários, para ter certeza de alguma informação, ou mesmo buscar outras fontes de consulta.

Tanto as perguntas como as respostas são feitas em português, por isso não há motivo para preocupação. No nosso caso, o entrevistador perguntou apenas se éramos casados (porque marcamos “solteiro”, mas indicamos o mesmo endereço); quanto cada um de nós ganhava por mês e para onde viajaríamos. Com as três respostas, o agente deu-se por satisfeito e começou a digitar um monte de coisas no computador.

Ao terminar, quase um minuto depois, disse que nossos vistos estavam concedidos. Nada mais. Terminou.
Foi tão rápido e natural que nem tivemos uma reação na hora.

Pagamento da taxa de entrega: depois de saber que os vistos foram concedidos, fomos para a última etapa dentro do Consulado, que é o pagamento da taxa de entrega do passaporte em casa. No Rio de Janeiro, não usam os Correios. Usam uma transportadora chamada TNT, que na verdade comprou a estrutura nacional da Mercúrio Transportes. Nós mesmos preenchemos a guia com o endereço para entrega (um só para o casal) e pagamos a taxa, que varia em função do endereço e da quantidade de passaportes. No nosso caso, saiu por R$ 52,00, com a promessa de que os passaportes chegariam m 7 dias úteis.

FINAL: feito isso, resta sé esperar a entrega dos passaportes. No nosso caso, como mencionei noutro post, houve um grande atraso, inclusive com a informação de que os passaportes haviam sido extraviados, mas no final deu tudo certo. Acabamos ganhando os vistos pelo período máximo atualmente concedido, que é de 5 anos.
Observação: se você quiser um visto de negócios (B1-B2), além do visto de turismo, que foi o que nós fizemos, deverá pagar uma taxa adicional de US$ 60 para cada passaporte no próprio consulado, segundo nos informaram. Vistos para estudantes têm mais requisitos, por isso é bom se informar.

13/05/2009

Como tirar o visto americano - Parte I

Há pouco mais de mês e meio, finalmente providenciei um visto americano – coisa que vinha adiando há alguns anos. Depois de termos decidido uma viagem no segundo semestre, minha namorada e eu passamos pela ‘via crucis’ imposta pelos americanos e já estamos com os nossos garantidos nos passaporte, por 5 anos.

Aproveito essa experiência recente para repassar aqui, a quem possa se interessar, os passos a serem seguidos para conseguir o dito cujo. Aviso: não é barato e, mesmo seguindo tudo direitinho, nada garante que se consiga...

1º - Passaporte: você deve possuir um passaporte válido, com pelo menos duas folhas em branco sobrando na parte dos vistos, que ainda tenha pelo menos 6 meses de validade a contar da data da sua provável chegada aos Estados Unidos. Pouco importa se é do modelo velho, de cor verde, ou dos novos, de cor azul. Caso não tenha passaporte, providencie o seu primeiro. Caso tenha, mas já esteja vencido ou prestes a vencer, providencie outro.

As taxas para o passaporte do modelo verde (nas cidades que ainda trabalham com este tipo de modelo) saem por R$ 89,71 e, geralmente, o passaporte fica pronto na hora. Tem que levar duas fotos tamanho 5x7, recentes, com data. Se no lugar onde você vai fazer o passaporte já trabalham com o modelo novo, azul, as taxas são de R$ 156,07. Além disso, deve-se marcar hora para fazê-lo e tirar a foto digital na própria Polícia, e depois retirá-lo num prazo não inferior a 3 dias úteis. Se você já teve passaporte antes e não o levar quando fizer o novo, paga as taxas em dobro. Para informações detalhadas, endereços, formulários e agendamentos, ver o site da Polícia Federal.

2º - Pagamento da taxa de acesso ao sistema de agendamento: com o passaporte em mãos, a primeira providência para tirar um visto americano é fazer o pagamento da taxa de acesso ao sistema de agendamento de entrevistas unificado de todos os Consulados e da Embaixada Americana no Brasil. O site Visto-EUA é o único canal de comunicação entre cidadãos brasileiros e os serviços consulares americanos, para efeitos de prestação de informações sobre vistos e para o início do processo de concessão do visto. Para entrar nele, é preciso que o requerente insira o seu número do passaporte e entre na página que encaminha o pagamento da taxa de R$ 38,00, que serve para até 5 pessoas da mesma família, que residam no mesmo endereço.

Essa taxa é obrigatória a todos que precisam fazer a entrevista e pode ser paga por cartão de crédito, cheque ou boleto bancário. Se for por cartão, ocorrendo a confirmação do pagamento imediatamente, o acesso fica liberado na hora. Se for por outros meios de pagamento, que implicam ir até um banco e fazer o pagamento, é necessário aguardar alguns dias até a confirmação.

Preenchimento dos formulários online: após o pagamento da taxa de R$ 38,00, o sistema libera o acesso aos formulários de pedido de visto. O requerente principal é o único que entra no sistema, caso estejam sendo requeridos mais de um visto para até 5 membros de uma mesma família. O principal documento a ser preenchido é o formulário DS-156, que desde janeiro, só pode ser preenchido de forma online, para ser gerado automaticamente pelo sistema ao final da inserção de todos os dados.

Tenha consigo todos os documentos necessários para o preenchimento, para não ter de ficar perdendo muito tempo ou parando e continuando em outro dia o processo. É preciso ter todos os dados de todos os solicitantes do visto, como número de passaporte, endereço, filiação, data de nascimento, CPF, profissão, dados sobre a existência de vistos americanos anteriormente concedidos, dados sobre viagens anteriores aos EUA, motivo da viagem, data provável da viagem, local onde se pretende ficar nos EUA, entre outros.

Embora o formulário online esteja com as perguntas em português, fica melhor respondê-las em inglês, porque ao final, o sistema gera um formulário todo em inglês. Caracteres especiais, como acentos, hífens e outros sinais acabam saindo desconfigurados ao final, por isso é melhor não usá-los no processo de preenchimento.

Depois das questões de dados pessoais, há uma série de perguntas que devem ser respondidas por cada solicitante, para ver se não pretendem desenvolver qualquer atividade ilegal naquele país ou para saber se não têm nenhum problema com a Justiça no Brasil.

Depois de estar tudo certinho e inserido, é possível gerar a versão imprimível do DS-156, que deverá ser levada à entrevista. Caso houver necessidade de retificar alguma coisa, é só entrar novamente no sistema e corrigir o erro, gerando um novo formulário impresso. Leve apenas a última versão.

Marcação da entrevista: depois de preenchidos todos os formulários dos solicitantes da mesma família, o sistema libera a possibilidade de marcação da entrevista. Primeiro, deve ser escolhido o Consulado no qual será feita a entrevista: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife ou na Embaixada em Brasília. Não importa onde você mora; pode fazer em qualquer um deles. Eu fiz no Rio, para aproveitar e fazer um turismo na viagem.

São liberadas várias datas e vários horários (nos feriados brasileiros e americanos o Consulado não funciona), na qual a pessoa terá de ir com os demais solicitantes da família, se houver.

Uma vez escolhida a data e horário, o sistema gera um documento com código de barras que deve ser impresso e levado no dia da entrevista. Só um por família é necessário. Sem o documento, a pessoa não entra no consulado.

Pagamento da taxa de expedição do visto: agora, com a entrevista agendada, o negócio é procurar uma agência do Citibank (qualquer uma no Brasil) para fazer o pagamento da taxa de US$ 131 para cada passaporte. Leve cópia do passaporte ou o próprio na agencia, pois o recibo precisa conter o número e o nome da pessoa que está solicitando o visto. Pode-se usar motoboy, amigo ou despachante para pagar, não precisa ser o interessado – desde que conste o número do passaporte e o nome da pessoa no recibo. O pagamento é feito em real, pela cotação informada pelo Citibank no ato do pagamento, que pode até mesmo ser no mesmo dia, desde que antes, da entrevista.

Guarde o comprovante de pagamento e leve no dia da entrevista.

CONTINUA!!!

12/05/2009

Saldo de viagem do segundo mochilão

Meu segundo mochilão à Europa, sobre o qual postei nos últimos meses, contando um pouco da minha experiência em cada um dos oito países pelos quais passei, também foi muito bom. Lembro que, na época, logo que voltei de viagem, fiquei achando que tinha gostado mais do primeiro. Hoje, porém, com mais distância e tempo para analisar, vejo que foram completamente diferentes e que cada um me agradou ao seu jeito.

Alguns números da nossa jornada:
  • 24 dias de viagem;
  • 8 países (contando a esticadinha até a Polônia), sendo que apenas 1 eu já conhecia (Alemanha);
  • 2 voos intercontinentais (Brasil-Europa-Brasil) e 4 voos internos (Paris-Estocolmo, Estocolmo-Copenhague, Copenhague-Berlim, Berlim-Amsterdam);
  • 8 trechos de trem, sem contar utilização de transporte metropolitano;
  • 7 albergues e 2 noites no apto de um brasileiro na Dinamarca;
  • nenhuma coisa perdida, furtada ou estragada (a minha calça da Timberland ficou meio "russa", mas acho que isso era da qualidade...);
  • mais de 6Gb em fotos digitais, reunindo as 5 máquinas dos 5 integrantes do grupo;
  • 2 pub crawls, dezenas de barzinhos e uma boa quantidade de boates (sem contar aquelas em que fomos barrados em Estocolmo e Amsterdam);
  • uns R$ 9.500 ao total, somando passagens aéreas, hospedagem, alimentação, transporte, lazer, passeios, souvenirs, etc.

11/05/2009

Retorno ao Brasil

O trem que tomamos em Metz com destino a Paris era rápido, como prometido, porém estava lotado, ao contrário do que nos tinham dito. Como não tínhamos reservado assentos, tivemos que nos contentar com o fato de termos achado alguns lugares vagos. Separamo-nos em duas duplas e um sozinho, para conseguirmos todos nos sentar. O Diego e eu ficamos bem apertados na frente de dois militares que, como a metade do trem, devia estar voltando para casa.

A sensação, apesar do incômodo de um vagão cheio de gente, era de alívio geral por estarmos naquele trem. Eu só repetia ao Diego algo do tipo “viu o que eu te disse?”, me referindo à hora em que o convenci a não abandonar tudo e ir para o aeroporto.

Por volta das 18h45, chegamos na Gare de L’Est, onde param os trens que vem daqueles lados. Pegamos nossas coisas e fomos correndo para as maquininhas automáticas comprar passagens de metrô para o aeroporto. Como era hora do rush, ainda tivemos que pegar uma fila para conseguir.

Não muito tempo depois, já estávamos no RER que vai ao aeroporto. Demos sorte de pegar um daqueles expressos, que não para em todas as estações. Chegamos no aeroporto com tempo de sobra para fazer as coisas com calma.

O Diego, que tinha um embarque doméstico quase uma hora antes do nosso vôo, despediu-se de nós logo depois de ajeitarmos as coisas no banheiro (é, tem que lembrar de separar os líquidos para despachar com a mochila grande!) e seguiu para Toulouse. Três dias depois, quando o reencontrei já aqui no Brasil, soube que deu tudo certo.

Nós fomos para o check in da TAM e vimos um princípio de alvoroço no vôo que ia para São Paulo. Pensadamente, escolhemos o vôo para o Rio de Janeiro, ainda antes da viagem. Os vôos para São Paulo costumam ser mais cheios, portanto estão mais sujeitos a overbooking, e na época eram feitos com os MD-11, bem mais velhos que os Airbus.

O vôo saiu no horário e foi tranqüilo. Consegui dormir a maior parte do tempo, assim como os demais.

Pela manhã, na conexão para Porto Alegre, foi uma correria. Demoraram muito (mais de uma hora) para colocar as bagagens na esteira. Como tínhamos que passar pela alfândega antes de proceder ao reembarque para Porto Alegre, quase perdemos o vôo. Só sei que o avião saía às 7h45 da manhã (hora da decolagem), mas eu só estava entrando nele às 7h46, sendo o último do grupo.

Chegando em Porto Alegre, vim de carona com o Rafael e o Marcelo a Santa Maria, pondo fim ao segundo mochilão que fiz à Europa.

10/05/2009

Luxemburgo - tensa despedida

Apesar do pouco tempo que passamos na cidade – pouco mais de 24 horas – sentimos que vimos o que havia de mais interessante. Ninguém se arrependeu de ter incluído a cidade no roteiro, ainda que não tenhamos conhecido a vida noturna, que dizem ser bem legal. Todos ficaram surpresos com a beleza daqueles vales verdinhos cheios de pontes e fortalezas por todos os lados, com a tranqüilidade e a beleza do lugar e com a riqueza que se via por todos os lados.

Luxemburgo, porém, acabou sendo o palco do momento mais tenso de toda a viagem – e talvez um dos mais tensos pelos quais eu já tenha passado em qualquer mochilão.
Quando chegamos na estação de trem, vindos de Bruxelas, decidimos deixar as mochilas grandes na estação e sair só com as pequenas, para, caso não gostássemos da cidade, voltar e seguir viagem para outro lugar, talvez parando em alguma cidade a caminho de Paris.

Por isso mesmo, não deixamos compradas as passagens de trem para o dia seguinte. Na chegada do albergue, enquanto fazíamos o check in e depois de já estarmos decididos a ficar na cidade até o dia seguinte, o Rafael perguntou meio informalmente se havia trens a toda hora para Paris e se era tranqüilo deixar para comprar na hora. Segundo ele, a moça da recepção falou que havia um trem saindo por volta das 13h30 e que era raro faltar passagem.

Um pouco antes das 13hs, eu e o Diego chegamos na estação. Os outros três estavam demorando um tanto e, lá pelas tantas, decidimos ir ver se, afinal, havia trens em horários tranqüilos para viajarmos para Paris. Foi aí que bateu o desespero.

Não havia trem algum indo para Paris por volta das 13h30. O único serviço direto que sairia naquela tarde era lá pelas 17hs, o que significava chegar em Paris por volta das 20h30. Isso significaria que o vôo do Diego para Toulouse (onde ele visitaria um amigo antes de voltar ao Brasil) já teria partido e que nós, que seguiríamos para o Brasil, provavelmente estaríamos nos apresentando para embarcar a menos de meia hora para a decolagem do vôo. Acho que todo mundo sabe que, em vôo internacional, o certo é se apresentar 2 horas antes, sob pena de passarem a fila de espera na sua frente!

Nossa primeira atitude foi ligar para os guris para mandá-los vir imediatamente à estação. Em menos de 5 minutos, eles já estariam chegando. Enquanto isso, eu peguei um mapa, olhei para todos os lados possíveis e entrei numa fila de um serviço de informações sobre trens para traçar uma estratégia.

Conversando com o cara que me atendeu e olhando nas escalas de horários de trens, acabei descobrindo um trem que saía para Metz, na França, de onde seria mais fácil seguir para Paris. O cara do atendimento concordou que seria a melhor opção, mas fez um alerta que nos deixou apavorados: o trem que ia para Metz vinha de Bruxelas e normalmente estava atrasando. Segundo ele, em 50% das vezes, o tal atraso de cerca de 10 minutos ocorria e, com isso, seria impossível fazer a conexão com um trem de alta velocidade que saia de Metz para Paris, com uma única parada.

Esse trem era nossa única chance de chegar a Paris a tempo de pegar nosso vôo e do Diego pegar o dele. Mas essa única chance estava condicionada à não ocorrência de um atraso que já era perfeitamente previsível.

Conversamos, exaltados, até discutimos um pouco, mas chegamos à única conclusão possível: de que tínhamos que comprar aquelas passagens e apostar na nossa única chance.

Entre a compra das passagens e a espera, o Diego meio que perdeu as esperanças e começou a falar em largar tudo e ir para o aeroporto de táxi, sozinho, tentar um vôo para Paris ou para Toulouse. Depois de umas quatro tentativas, consegui convencer ele de que o melhor meio para chegar a alguma cidade francesa era, primeiro, ir à França conosco. O máximo que poderia acontecer seria ele ter de arranjar um jeito para ir a Toulouse a partir de Metz, caso perdêssemos o segundo trem.

A espera foi longa, em razão da tensão. Mas o trem chegou. Só que chegou exatamente na hora em que deveria partir. Ou seja, chegou, quando já deveria estar saindo. Ficou uns 10 minutos parado, para deixar passageiros e fazer o embarque de outros. Exatamente os 10 minutos de atraso sobre os quais tínhamos sido alertados na estação.

A viagem até que passou ligeiro. Em alguns minutos, já estávamos saindo de Luxemburgo e entrando na França. Paramos em umas duas estações numa tal de Thionville e logo estávamos chegando em Metz. Foi aí que, milagrosamente, ouvi saindo do sistema de informação por áudio a frase em francês de que “os passageiros com destino a Paris” teriam que fazer uma “correspondance immediate” com o trem que estaria na plataforma ao lado daquela na qual chegaríamos dali a alguns minutos.

Aí foi só alegria. O alívio foi total. Efetivamente, minutos depois, estávamos saindo de um trem para entrar noutro, a menos de 2m, e saindo dentro de 2 minutos com destino a Paris.

09/05/2009

Luxemburgo - a cidade

O centrinho de Luxemburgo, como a própria cidade, não é muito grande. Não há nada “imperdível” para ser visto por lá, mas vale a pena dar uma olhada no que a cidade tem para oferecer.

O castelo do Grão-Duque é um dos pontos mais importantes a ser conhecido. Trata-se de um prédio de uma pedra meio amarelada, que se estende por quase uma quadra inteira, próximo ao mercado público da cidade. Se não fosse a presença de uma guarita com um guardinha na vigília, nem teríamos percebido que já havíamos chegado. Por um pequeno “lapso” na tradução, eu estava achando que o castelo era onde fica a prefeitura da cidade...
A catedral mais importante da cidade não é maior do que muitas igrejas de cidadezinhas do interior. Quando passamos por ela, no segundo dia na cidade, estava havendo uma missa e até entramos para assistir um pouco. Estava sendo rezada em francês e já estava acabando.
Apesar de ser um país caro, não tanto como a Suíça ou a Dinamarca, mas mesmo assim com preços bem acima da média dos demais vizinhos, Luxemburgo tem bastante lojinhas com coisas bem variadas, a preços acessíveis. Como era o último lugar da nossa longa viagem, era hora de comprar aqueles últimos presentinhos que faltavam para levar para casa. Como estava quase chegando o Dia dos Namorados, comprei uma bolsa para a minha – não sem antes me certificar da qualidade (a ponto de quase se sentir ofendida a vendedora!)

Com relação a comida, acabei não fazendo nenhuma refeição completa de verdade na rua, por isso não posso falar muito.
No final da tarde do primeiro dia, acabei me separando dos demais para fazer um caminho que eles não queriam fazer, porque não estava na rota aconselhada pelo mapa, e por isso comi sozinho, no albergue, depois que cheguei. Os guris pararam num restaurante do centro para comer um menu turístico, mas não fizeram grandes elogios. No dia seguinte, o café da manhã do albergue foi o que nos segurou até o final da manhã, quando fizemos um lanchinho rápido, para depois seguir até a estação, no início da tarde, onde comemos um pouco melhor, num buffet self service que tinha de tudo um pouco.

08/05/2009

Luxemburgo - os passeios

Luxemburgo tem uma história de resistência a guerras e invasões. O povo se orgulha de ter lutado e evitado várias invasões ao longo dos séculos. A geografia do lugar, com vales profundos cercados por paredões de rocha permitiram que fortalezas fossem construídas, com torres de vigia e casamatas por todos os lados.

O passeio por algumas das casamatas, aliás, é uma das principais atrações turísticas da cidade. Paga-se algo em torno de 8 euros para conhecer o interior de alguns trechos, com acompanhamento de um guia que vai explicando tudo em duas ou três línguas. Para quem é meio claustrofóbico, talvez não seja uma boa idéia, já que as pessoas acabam tendo muitas vezes que se abaixar ou se contorcer para passar por alguns corredores menores de ligação das tais casamatas. O chão, em muitas delas, é encharcado pela umidade da rocha.

Para quem não tem problema com essas dificuldades, vale a pena. É legal a surpresa que se tem com o lugar para onde se acaba indo depois de alguns metros debaixo da terra. Pode-se acabar no alto de um vale, ou lá na parte debaixo dele, de onde é possível sair e caminhar pelas florestas que estão por todos os lados na cidade.
Outro passeio que aparece como um dos principais a serem feitos por quem está na cidade de visita são as rotas de caminhada indicadas nos mapinhas turísticos da cidade. Seguindo uma delas, a pessoa acaba conhecendo em algumas horas o que há de mais interessante. Passa-se por pontes sobre rios de águas ligeiras; outros de águas tão paradas que dá para ver o reflexo da cidade como num espelho. Dá para caminhar por entre muros com aqueles “quadradinhos” típicos de castelos e muralhas, subir em escadarias centenárias para ter acesso a torres de vigia e descer em túneis para ter acesso a antigas masmorras e depósitos.
O sujeito que quer caminhar em Luxemburgo tem de estar preparado para muito sobe e desce. As escadarias, às vezes, aparentam não ter fim. Há muitas rampas em ziguezague também, para descer às partes mais baixas (inclusive para chegar ao albergue). Alguns pontos são tão intransponíveis que existem elevadores públicos para subir.
O mais interessante dos passeios a pé, entretanto, são as dezenas de pontes que existem na cidade. Olhando as fotos que tirei delas, não sei reconhecer exatamente qual era qual e, para quem não foi, até parece que tirei muitas fotos repetidas. Mas não. Há muitas e variadas formas de pontes, desde algumas iniciadas pelos romanos, com um estilão ainda bem medieval, passando por outras mais modernas, sempre com arcos gigantescos (sem nenhum pobre morando embaixo!) até as mais modernas e altas, de onde se têm vistas bem legais da cidade.

07/05/2009

Luxemburgo - o país

Luxemburgo é um lugar pouco conhecido pela maioria dos turistas e mochileiros brasileiros que vão à Europa. Talvez seja exatamente por isso que esse destino acaba se tornando mais interessante – pelo elemento surpresa.

O país é bem pequeno. Não tanto como o Vaticano ou Mônaco, que são minúsculos, pouco maiores que um bairro, mas mesmo assim pode ser classificado como um micro-país. Ele tem ainda uma grande peculiaridade: é o único país independente do mundo que se qualifica como um “Grão-Ducado”, ou seja, uma monarquia governada por um grão-duque.

Apesar do tamanho, Luxemburgo tem uma grande importância na geopolítica da Europa. Juntamente com Holanda e Bélgica, formou um mercado comum de países, o Benelux, que foi um dos embriões da União Européia. O país, inclusive, é a sede da Corte Européia de Justiça, que é justamente o Tribunal mais importante da União. Nele são apreciadas as alegações de que os Estados-Membros estão descumprindo alguma norma comunitária. Isso torna a cidade de Luxemburgo, capital do país homônimo, uma espécie de Capital Judiciária da Europa.

Luxemburgo, como muitos países pequenos, tem histórico de ser um paraíso fiscal. Talvez isso explique o grande número de bancos na cidade e a frota de veículos que mais parece saída de uma coleção de milionários excêntricos.
Outro fato que poucos brasileiros sabem (antes de ir para lá, porque uma vez que chegam, percebem na hora) é que Luxemburgo é um dos lugares com a maior comunidade portuguesa fora de seu país de origem. Os “patrícios” somam incríveis 16% da população do país (mais de 80.000 pessoas), sendo maioria absoluta entre os estrangeiros que lá vivem, seguidos de longe por italianos. Isso fica bastante evidente em quase todos os lugares por onde se anda. Além das placas nas línguas oficiais do país, que são o luxemburguês, o alemão e o francês, há várias plaquinhas (às vezes improvisadas) em português. Também é comum encontrar ofertas especiais de ligações internacionais direcionadas àquela comunidade e cartazes indicando festejos típicos portugueses em algum centro cultural. Nas lojas, cuidado! Sempre alguém vai estar escutando (e entendendo) o que você diz, já que essa população se concentra em serviços como o comércio, garçons, autônomos, etc.

Aliás, essa questão da diversidade de línguas é uma marca do país. Antes de ir para lá, eu nem mesmo imaginava que houvesse um idioma “luxemburguês”. Mas há. Até mesmo as moedas de Euro cunhadas no país têm seus dizeres nessa língua, que se chama lëtzebuergish na própria língua. Conversando com uma guia, num dos passeios que fizemos, fiquei sabendo que o idioma é falado como língua materna da maioria das pessoas, embora a partir do colégio comecem a falar as outras duas línguas. Como o país fica bem na divisa entre a Alemanha e a França, pegou influências dos dois lados. Na minha opinião, ele parece mais com o estilo alemão, mas prefere manter a aparência de que seria francês. Digo isso pelas pessoas, que são mais claras e altas do que os franceses, e pela limpeza e educação que se vê nas ruas.

01/05/2009

Luxemburgo - chegada

A viagem de trem de Bruxelas a Luxemburgo foi tranquila, tanto que lembro de ter dormido a maior parte do tempo. Quando já estávamos nos aproximando da cidade, o pessoal começou a se perguntar, afinal de contas, o que é que veríamos na cidade.

Quando eu falei que Luxemburgo não tinha uma população muito maior do que uma cidadezinha do interior gaúcho, o pessoal se eriçou e começou a falar até mesmo em dar uma volta e seguir viagem para dormir em outro lugar.

Logo que chegamos na estação de trem, deixamos nossas mochilas grandes em lockers da estação, assim como em Bruxelas, e saímos só com as mochilas de passeio. Informamo-nos acerca do meio de chegar até o albergue e descobrimos que o melhor era pegar um ônibus urbano.

No trajeto entre a estação e o albergue, todo mundo já mudou de ideia em relação à cidade. O que vimos foi um número sem fim de pontes, vales, castelos e muralhas que convidavam a uma caminhada de dia inteiro para descobrir Luxemburgo.

O albergue ficava bem na frente de uma enorme ponte, no fundo de um dos muitos vales da cidade. Para descer até lá, tivemos que fazer um belo ziguezague de escadarias, com as mochilas nas costas.
Chegando no local, vimos que era o melhor lugar que já tínhamos parado em toda viagem. Até hoje acredito que o Luxembourg Youth Hostel, filiado à HI, tenha sido o melhor albergue em que já parei. O aspecto era melhor do que o de um hotel - estava mais para um spa.
Quando fomos fazer o check in, porém, tivemos um susto. Não havia reserva algum em nosso nome. As mulheres da recepção olharam, olharam, e não descobriram nada. Foi aí que, com medo da resposta, perguntamos se havia lugar, mesmo sem reservas, e então elas disseram que sim (não sei porque o drama antes, então!). Logo depois, entretanto, acabaram descobrindo o que ocorreu. As reservas estavam registradas para o mesmo dia, só que do mês anterior (não sabemos até hoje de quem foi o erro).

Ficamos divididos em 2 quartos: 3 pessoas num e 2 em outro. Todos tinham banheiro privativo, lockers para a mochila inteira e bastante espaço no quarto. Cada setor do albergue era separado por portas que só abriam com o cartão magnético que também serve de chave ao quarto. Uma ampla área de uso comum, com computadores, restaurante, livros e otras cositas más havia na parte debaixo do hostel, sem contar um jardim com um deck cheio de mesinhas na parte detrás.

Ajeitamos nossas coisas, tomamos um banho e saímos para fazer as caminhas sugeridas pelo pessoal da recepção para conhecer o mais que pudéssemos nas 24hs que ficaríamos no pequeno país europeu.