19/12/2012

Sintra


Se tivesse que escolher apenas uma cidade em Portugal para indicar a qualquer pessoa que queira conhecer o país, essa cidade seria Sintra. Situada numa região serrana a apenas uns 30 e poucos quilômetros de Lisboa, Sintra está para a capital portuguesa como Petrópolis está para o Rio de Janeiro, tanto em termos geográficos como históricos e culturais – guardadas as devidas proporções.

Sintra era a sede da família real portuguesa em épocas de verão e, principalmente no século XIX, tornou-se também um dos locais preferidos pela aristocracia europeia para manter uma residência de verão. A cidade foi até mesmo visitada pelo poeta que é o símbolo do romantismo: Lorde Byron.

O município de Sintra propriamente dito é bastante extenso e abriga mais de 370 mil pessoas. Mas a divisão administrativa é na verdade um conjunto de freguesias menores, que têm o tamanho de cidades pequenas, com menos de 50 mil habitantes, em meio a uma grande região natural protegida que vai do oceano Atlântico às proximidades de Lisboa, e de Cascais (no sul) a Mafra (no norte).

Geralmente as pessoas conhecem a cidade num passeio de bate e volta de dia inteiro, partindo de Lisboa. Foi também o que fiz com o Ângelo na primeira vez em que estive por lá. Saímos bem cedo num domingo de manhã, de metrô até a estação Entrecampos e depois num trem da CP, que levou cerca de uma hora para chegar à estação de Sintra-Vila.

Há inclusive passes turísticos que permitem a visitação de mais de uma atração turística ao mesmo tempo e a utilização dos transportes urbanos de Sintra (basicamente ônibus), o que estimula a ideia de que apenas um dia bem corrido seria o suficiente.

Logo que se chega à cidade, porém, a percepção já muda: é necessário muito mais. Se a pessoa for se limitar às atrações principais (Palácio Nacional da Pena, Palácio dos Mouros, Palácio Nacional de Sintra e Quinta da Regaleira – que são as quatro mais importante na minha opinião) já terá dificuldades em cumprir todo o itinerário num dia só e provavelmente ficará destruído fisicamente para o próximo dia.

 Quinta da Regaleira
 Castelo dos Mouros
 Palácio de Sintra
 Palácio da Pena

Naquela primeira vez, fizemos três dessas atrações (o Palácio de Sintra ficou de fora), mas quando retornei ao país em 2011, marquei logo um hotel na cidade e aluguei um carro diretamente no aeroporto, para ir para lá antes de qualquer outra coisa. Dormindo duas noites ali, tivemos tempo de sobra para fazer com mais calma os castelos mais famosos e ainda escolher outras atrações, sem falar no pulo que demos em Cascais, do que falei no post anterior.

À noite, pouca gente fica na cidade e fica parecendo que ela é só para você. O centrinho histórico se acalma e é possível escolher com calma uma boa padaria e um bom restaurante para comer comidas bem típicas, sem muitas frescuras.

Nos próximos posts vou falar de algumas dessas atrações que tanto gostei. 

15/12/2012

Cascais




Cascais é uma cidadezinha a beira-mar bastante próxima a Lisboa, que merece ser conhecida num final de tarde ou num domingo em que se estiver meio à toa. O lugar já foi residência da família real de Portugal e é dominado pelo antigo forte da cidadela antiga, no seu centro histórico.

O clima é totalmente relax e, embora lembre um pouco Punta del Este ou Viña del Mar no visual charmosinho, é um lugar bem família, próprio para passeios sem compromisso no calçadão ao redor da marina, experimentando um sorvete ou qualquer outro lanchinho. 

Embora tenha cara e clima de cidade pequena, é a quinta maior do país, com pouco mais de 200 mil habitantes. 

Curiosamente, foi um dos lugares onde mais vi concentração de brasileiros na Europa (acho que só perdeu para Londres, onde é comum ouvir português no metrô).

Para chegar lá, não se leva muito mais do que meia hora desde a capital, vindo de trem a partir da estação Cais do Sodré, ou de carro alugado.

No caminho entre Lisboa e a cidade, passa-se por Estoril, sede do antigo GP de Formula 1, que era disputado na cidade até 1996, e que também sedia um dos maiores cassinos da Europa.

Eu, na verdade, só conheci Cascais na segunda vez em que estive no país, quando dormi duas noites em Sintra, ao invés de Lisboa, e aproveitei a proximidade para fazer um passeio de final de tarde. 

Cascais é um bom ponto de partida para conhecer, com um carro alugado, as várias cidadezinhas de praia na região entre Peniche e a foz do Tejo. Certa vez, vi uma foto de um amigo que esteve em Azenhas do Mar, uma dessas vilinhas, e fiquei arrependido de não ter explorado melhor a região. Quase tudo é protegido historicamente por estar dentro do Parque Nacional Sintra-Cascais e, pela mesma razão, as estradas são simples e pouco movimentadas. 



10/12/2012

Shoppings e mais passeios em Lisboa


Além de todos os lugares de que já falei (Belém, Parque das Nações, a Alfama, a Baixa, o Chiado e o Bairro Alto), há muitos outros lugares para se conhecer em Lisboa. A cidade é incrivelmente “fácil” para um turista, em boa parte graças ao excelente sistema de metrô.


Por mais que tenha estado por lá em dias de semana, nunca vi o sistema tão lotado como os metrôs aqui do Brasil ou mesmo de outros países europeus, como Itália e França. As estações geralmente ficam perto dos pontos mais importantes de cada bairro da cidade e muitas vezes estão associadas a centros comerciais.

Um exemplo disso é o shopping que fica junto ao estádio de Alvalade, casa do Sporting. O lugar é muito bonito, moderno e tem boas lojas com material esportivo, além de uma licenciada oficial do time português e uma praça de alimentação que me proporcionou uma experiência de comida caseira que me fez parecer que estava no Brasil. Quem curte as listras verdes horizontais da equipe vai conseguir bastante coisa com esse design por ali.



Outro exemplo é o Centro Colombo, que conheci na segunda vez em que estive na cidade, em razão de uma loja específica que a minha esposa queria encontrar. A estação Colégio Militar do metrô tem saídas para dentro do complexo de compras, que é como qualquer grande shopping brasileiro, bem moderno e com praça de alimentação.

Pela primeira vez na vida, fiz compras no sistema Tax Refund nesse shopping: comprei, peguei os formulários oficiais para preencher e consegui ter parte dos impostos de volta no aeroporto, na hora de voltar para o Brasil.

Por fim, o shopping Vasco da Gama, de que falei no post sobre o Parque das Nações...



Numa das noites em que estive por lá da primeira vez, andamos no famoso bonde 28 até a Basílica da Estrela (foto), onde está enterrada a mãe de Dom João VI, D Maria I, que fica bem em frente ao Jardim da Estrela, para conhecer ambos. Descobrimos, porém, que os portões do Jardim fecham à noite e a única coisa que conseguimos foi tirar algumas fotos da igreja.


Fiquei com vontade (e ainda vou fazer) de conhecer outro importante ponto turístico da cidade:  a Fundação Calouste Gulbenkian, perto da estação Praça de Espanha, que é um centro de arte moderna.

Como acabamos privilegiando outros passeios por cidades próximas, das quais falarei nos próximos posts, ainda ficou muita coisa por ver na cidade – o que não é um problema, já que com os voos diretos de Porto Alegre para lá, certamente ainda vou fazer muitas passagens rápidas por essa capital.


08/12/2012

Lisboa - a Baixa, o Alto e o Chiado


Em Lisboa, quase tudo que existe em matéria de organização urbana, prédios e monumentos históricos se divide em "antes" e "depois" do grande terremoto de 1755. A Alfama, de que falei num post passado, por exemplo, é de antes do terremoto. A Baixa, o bairro onde me hospedei na primeira vez que estive na cidade, é do período posterior.

"Aproveitando" a destruição da cidade pelo terremoto, o governo da época, liderado pelo Marquês de Pombal, decidiu reconstruir tudo de forma planejada. A Baixa, que é a parte mais central da cidade, surgiu como um bairro de ruas retinhas, com quadras estreitas e compridas bem uniformes. Partindo da Praça do Comércio, à beira do rio (essa que se vê na foto acima), o bairro se estende até a Praça Dom Pedro IV (o nosso D Pedro I), onde começa a avenida mais importante da cidade, a Liberdade. 

A Baixa é um lugar extremamente plano no meio de colinas em ambos os lados, onde se encontram muitos bancos, lojas e restaurantes voltados a turistas. Chega até a ser meio curioso o fato de perceber que os menus turísticos são quase idênticos entre si em algumas ruas. Suspeitando disso, perguntamos a um garçom que confirmou: "É tudo igual nesta rua!"

Objetivamente, não há muito o que ver na Baixa, a não ser as duas praças - a do Comércio, de que já falei, e a do Rossio, onde há uma grande estátua de Dom Pedro (o motivo para ele se chamar D Pedro IV em Portugal e D Pedro I aqui no Brasil é que, quando o Brasil proclamou a independência, ele foi o primeiro rei a se chamar Pedro no país; em Portugal, para onde voltou alguns anos depois, havia 3 xarás antes dele).
Ao sudoeste da Baixa, fica o bairro do Chiado, no alto de uma colina. Para chegar lá, há duas maneiras bem fáceis:

- a primeira delas é usar as escadas rolantes por dentro da estação do metrô chamada Baixa-Chiado, que como o nome sugere, serve aos dois bairros. Ela parece um túnel no meio da rocha e à medida que vai-se andando por dentro, percebe-se que se vai subindo gradualmente o morro.

- a segunda maneira, que é uma atração por si só, é andar no elevador de Santa Justa, para o qual os vales de transporte público servem como ingresso (afinal, além de atração, ele é um transporte público).
Lá de cima, além de uma bela vista do Castelo de São Jorge, dá para conhecer as ruínas do Convento do Carmo e o museu anexo a ele.

No Largo do Chiado, há uma grande concentração de bancos e de cafés, ao estilo do século XIX. O mais famoso deles é o Café "A Brasileira", onde há uma estátua do cliente mais famoso: Fernando Pessoa. Os visitantes fazem fila para sentar ao lado da estátua e bater uma fotinho. Para comer ou beber café, no entanto, é meio muvucado. Chegamos a tentar, mas sequer fomos atendidos mesmo depois de 10 minutos.
Logo ali ao lado do Largo do Chiado, há paradas do Eléctrico 28, aquele mesmo bonde que percorre os pontos turísticos da Alfama e que, depois de passar pela Baixa, entra no Chiado e segue para os lados da Basílica da Estrela.


À medida que se anda no Chiado na direção oposta à Baixa e indo em direção ao Bairro Alto, vai-se tendo a impressão de que se está indo para um lugar parecido com Salvador. Prédios antigos e menos conservados, com ladeiras para todos os lados e mais residências familiares, com cara de cidade menor, vão tomando a paisagem. 

O Bairro Alto é definido pelos guias da LP como o SoHo de Lisboa... Guardadas as devidas proporções, é por ali que a noite acontece para os mochileiros de passagem pela cidade.

Quase todos os pub crawls organizados por albergues de Lisboa têm como destino final o tal bairro, onde as ruas são tomadas por gente conversando e bebendo cerveja nas dezenas de bares um ao lado do outro. 

Saímos numa noite de sábado ali e tive a impressão de um lugar quase tão cheio quanto o centro de Madrid numa noite de final de semana. Tudo é muito barato e tranquilo, mas depois de um certo horário uns sujeitinhos mal encarados começam a aparecer nas esquinas, dando a impressão de que é melhor evitar voltar sozinho ou muito bêbado para casa.

04/12/2012

10 lugares para conhecer em 2013


Todos os anos, a Lonely Planet divulga suas famosas listas dos “10 melhores” para se conhecer no ano seguinte. A lista, obviamente, é totalmente discricionária e leva em conta, muitas vezes, os países que estão surgindo como a próxima tendência no mercado de turismo. Há várias categorias: países, cidades, regiões, experiências, etc.

Veja agora quais são os 10 países para conhecer em 2013, na opinião da editora:

- Sri Lanka: destaca-se pelo fim da guerra civil, pelo baixo custo, pelo crescente investimento em turismo e pelos voos baratos partindo de Bangkok;

- Montenegro: destaca-se pelas trilhas nas montanhas, pelas oportunidades para andar de bike e pelas praias mediterrâneas (já postei sobre o país aqui no blog, basta olha no menu de conteúdos);

- Coreia do Sul: golfe, escaladas e pesca são atrações ao ar livre desse país superdesenvolvido que em 2013 sediará vários eventos esportivos;

- Equador: está prevista a renovação da malha ferroviária do país, de olho no turismo, ligando Guayaquil, Quito e vulcão Cotopaxi, além do Nariz del Diablo;

- Eslováquia: é um dos países que mais cresce na UE e ainda oferece opções baratas de esqui na Europa;

- Ilhas Salomão: com o fim da guerra civil, o país desconhecido se apresenta como uma opção fora da rota comum dos viajantes, com mergulho, resorts ecológicos e pousadas no meio do Pacífico;

- Islândia: muito embora os preços tenham voltado a subir depois da crise de 2008, o país ainda oferece paisagens extremas que valem a pena;

- Turquia: ruínas, praias, cultura e facilidade de acesso e circulação colocam o país na lista da LP (já postei algo sobre Istambul no menu Turquia, e imagino que estará tapado de brasileiros por lá depois da novela das oito);

- República Dominicana: tornou-se o destino que mais cresce no Caribe;

- Madagascar: depois de períodos de instabilidade política, o país famoso pelas paisagens e pela fauna únicos se renova como opção de viagem bem alternativa.

Para as cidades a conhecer em 2013, a lista da LP é essa:

- San Francisco;
- Amsterdam;
- Hyderabad (India);
- Londonderry (Irlanda do Norte);
- Pequim;
- Christchurch (NZ);
- Hobart (Tasmania);
- Montreal;
- Adis Abeba (Etiópia);
- Puerto Iguazu (ao lado de Foz).

02/12/2012

Passeios em Lisboa - Alfama e Castelo de S Jorge

A parte mais tradicional de Lisboa, e talvez aquela que mais esteja associada à imagem da cidade na cabeça dos que nunca viajaram para lá, fica no bairro da Alfama, à direita da Rua Augusta, para quem olha em direção à Praça do Comércio.

A Alfama é um bairro com cara de centro histórico medieval. Diferentemente da Baixa, que é toda planejada com ruas retas e quadras regulares, numa área plana, a Alfama é um labirinto de ruelas e becos sem saída, numa região cheia de colinas. Como em quase todas as cidades antigas da Península Ibérica, havia uma grande população de judeus e muçulmanos durante a Idade Média e a Idade Moderna, e era por ali que eles se concentravam em maior número. 

Um passeio pela Alfama deve começar (ou terminar) com uma viagem pelo Elétrico (ou bonde) nº 28, que percorre a principal rua desse bairro, morro acima, partindo do Centro da Baixa. Pode-se saltar perto dos vários mirantes, igrejas ou do Castelo de S Jorge para fazer as visitações nesse caminho. 



Aqui, nessa parte da cidade, vale a pena ter um mapa turístico nas mãos para não perder os melhores lugares com vistas do alto e para não entrar em becos sem saída. 

O castelo de S Jorge, para mim, foi um pouco decepcionante, porque praticamente são apenas muralhas que restaram e muito pouca coisa dentro para se ver. Lojinhas de souvenir, é claro, estão por todos os lados. Os pátios e as vistas lá de cima, porém, são muito legais. 




O Panteão Nacional é um monumento que de certa forma copia aquele existente em Paris, sendo o local onde foram enterrados ilustres personagens portugueses. De certa forma, não atrai tanto interesse para nós brasileiros, porque quase todos os que ali estão são de períodos posteriores à nossa Independência. É por isso que alguns guias dizem que o verdadeiro panteão dos heróis portugueses é o Mosteiro dos Jerónimos, de que já falei nos posts sobre Belém. 


Outro ponto de interesse na região, bem próximo da Baixa, é a Catedral da Sé, que é a igreja matriz da capital portuguesa. 


Ali foi batizado Santo Antônio, que é português e nasceu na cidade (embora seja conhecido como Santo Antônio de Pádua, por ter morrido nessa cidade italiana). O santo casamenteiro começou sua vida religiosa no local e por isso há um museuzinho dedicado a ele.

A região concentra muitos restaurantes bons e baratos, bastante simples, mas com uma comida típica portuguesa de encher os olhos e dar água na boca. Uma indicação de amigos que acabei experimentando na segunda vez em que estive por ali foi o "Alpendre", bem na subida depois da Sé, ao lado dos trilhos do bonde. 

30/11/2012

Passeios em Lisboa – Parque das Nações (parte 2)


Um passeio pelo Parque das Nações não é completo sem uma visita ao Oceanário de Lisboa.

O oceanário é um grande complexo de aquários e ambientes que reproduzem os habitats marinhos de quase todas as regiões costeiras e marítimas do mundo. Há ambientes como a costa da Antártida, com direito a pinguins em meia a rochas com neve em cima, e outros extremamente quentes e úmidos, reproduzindo o Caribe ou regiões de mata tropical alagadiças.

O passeio pelo oceanário, além de agradar muito às crianças, entretém bastante os adultos. A primeira vez que conheci o lugar gastei pelo menos duas horas lá dentro – boa parte desse tempo em frente às janelas do aquário central principal, onde estão espécies de tudo quanto é tipo de animal marinho nadando amistosamente num mesmo ambiente.





A sensação de ver uma arraia nadando naquela imensidão azul é muito legal, como se ela estivesse voando. De tanto em tanto, um tubarão com cara ameaçadora ou de algum jeitão esquisito, como tubarões-martelo, servem para dar um susto. Enquanto isso, cardumes nervosinhos de peixes e tartarugas fazem os papel de coadjuvantes no aquário.

Nos aquários menores, há animais mais curiosos, como os cavalos-marinhos, os peixes-dragão e outros mais raros, como aqueles peixes-palhaço iguais ao Nemo, da Disney.

Uma das principais atrações dentro do aquário é um casal de lontras marinhas, bem peludinhas, que ficam quase sempre boiando de barriga para cima e fazendo gracinhas com as mãos. É claro que isso é bem explorado na lojinha dos souvenires da saída, com chaveirinhos e réplicas dos bichos de todos os tamanhos.

A construção do Oceanário foi feita justamente para a Exposição, como peça central da mostra sobre os mares do mundo inteiro. Um ingresso para o lugar, hoje em dia, está custando cerca de 11 euros  (14 se for ver a exposição temporária também) – caro perto de outras atrações turísticas em Lisboa, mas certamente recompensador.

Para saber horários e mais informações, visite a página oficial do lugar: http://www.oceanario.pt/

Se tivesse que indicar outra das atrações imperdíveis da região, indicaria o passeio de teleférico, que além de proporcionar uma bela vista de toda aquela parte da cidade e do rio, ainda funciona como meio de transporte até o extremo oposto do Parque, próximo à Ponte Vasco da Gama – que por si só também é uma atração, para quem gosta de arquitetura e de pontes.


29/11/2012

Passeios em Lisboa – Parque das Nações (parte 1)


Um dos melhores passeios a serem feitos por quem está de passagem por Lisboa, seja a primeira ou quinta vez na cidade, é curtir a região conhecida como Parque das Nações, às margens do Tejo, mas no extremo oposto da cidade, em relação a Belém.

Essa região estava bastante degradada até o final dos anos 90, quando foi revitalizada para a realização da Exposição Mundial de Lisboa, em 1998, que teve como temática os mares do mundo. Foram construídos imensos pavilhões, uma nova estação de trens e metrô, um amplo calçadão para caminhadas e esportes, um teleférico com vista de tudo isso e uma torre, bem ao lado da nova ponte que passou a ligar a capital portuguesa ao sul do país. Ah, além de tudo isso, a joia da coroa: o Oceanário de Lisboa.

O lugar é bastante diferente do resto da cidade, porque foi todo concebido a partir de uma arquitetura moderna. A renovação do local atraiu também bastante hotéis, voltados a um público mais executivo do que turístico, comércio (há um grande shopping center bem em frente à Gare do Oriente) e muitos restaurantes e barzinhos. É um Puerto Madero portenho ainda melhor e mais amplo, digamos assim.



O Parque das Nações é relativamente distante do centro antigo da cidade, mas é facilmente acessível por metrô ou por trens metropolitanos. Para quem está chegando à cidade ou indo embora pelo aeroporto, não poderia ser mais fácil: são apenas 5 minutos de táxi entre a Gare do Oriente e o Terminal de Passageiros do Aeroporto.

Na segunda vez em que estive por lá, fiz questão de me hospedar por ali mesmo, dadas essas facilidades. Foge-se um pouco das grandes concentrações de turistas e se aproveita o que a cidade tem de melhor, juntamente com a população local. Ah, e como os hotéis geralmente são de redes conhecidas, consegue-se preços bons por acomodações relativamente mais novas e padronizadas, inclusive com vista para o Rio Tejo.

Aquele que é propagandeado como o maior outlet da Europa, o Freeport, em Alcochete, é facilmente acessível por vans que saem da região da Gare do Oriente e que, depois de atravessar a ponte Vasco da Gama, deixam o turista no complexo de compras (são cerca de 20km).



A dica, por ali, é chegar na metade da tarde, conhecer alguma das atrações e depois dar uma caminhada pelos calçadões até a hora que der fome ou sede, para então aproveitar algum dos restaurantes. Há bicicletas e patinetes para alugar e, algumas vezes, até mesmo aqueles aparelhos moderninhos (que sempre esqueço o nome) onde a pessoa fica de pé e aciona o motor simplesmente com a força do corpo. 

27/11/2012

Passeios em Lisboa - Belém (parte 2)

Belém ainda tem outras duas importantes atrações no roteiro de um mochileiro de primeira viagem em Lisboa: a Pastelaria e o Mosteiro. 

Com relação ao mosteiro, acabamos "comendo mosca" na primeira vez em que estive na cidade. Entretemo-nos com o Padrão dos Descobrimentos e com a Torre de Belém e não nos demos conta de que a última entrada na atração só era permitida até as 16h30. Por isso, acabamos ficando do lado de fora, só com a vista externa. 


Foi apenas em 2011, de passagem pela cidade entre um voo e outro, que acabei conhecendo o interior do Mosteiro dos Jerónimos, que é outra das 7 Maravilhas de Portugal. 

O mosteiro é o equivalente português de um panteão dos heróis da pátria (muito embora o Panteão propriamente dito fique no bairro da Alfama). Ali estão enterrados personagens como Luís de Camões, Vasco da Gama, Fernando Pessoa e Alexandre Herculano, entre outros vários monarcas portugueses. 

O mosteiro teve sua maior parte concluída ainda nos anos 1500 e representa bem a riqueza que o país vivia com os recentes descobrimentos daquela época. 


O lugar é bastante amplo e apesar do grande número de pessoas que o visita, bastante agradável de se conhecer. 

Personagens mais antigos, como Camões e Vasco, têm estátuas ornadas cobrindo seus sarcófagos, dentro da própria igreja do mosteiro. Mortos mais recentes, como Pessoa, têm lápides mais discretas e modernas. 




O mosteiro, como o nome indica, pertencia à Ordem de São Jerônimo, e foi construído num estilo gótico bem representativo da arquitetura portuguesa. Não tem tantos detalhes como alguns outros mosteiros conhecidos do país (em Batalha e Tomar, por exemplo), mas é muito impressionante pela magnitude da construção. 

Uma visita ao local toma pelo menos 1 hora, se for feita com um mínimo de atenção.

Para terminar o passeio por Belém e também para recuperar as energias, nada melhor do que encarar uma fila de turistas ansiosos para entrar na Pastelaria de Belém.



Os tais pasteis, para quem não sabe, são tortinhas assadas de nata, no formato de uma empada. São levemente crocantes por fora, às vezes até queimadinhas em alguns pontos, e têm creme por dentro. 

A receita dos pasteis de Belém é registrada e por isso só aqueles que são feitos nesse estabelecimento podem ser chamados como tal. A sua história está intimamente ligada ao Mosteiro vizinho, já que foram os clérigos que começaram as vendas por volta de 1820. 

Os pasteizinhos são bons e baratos e vale realmente a pena provar. Obviamente, há outras opções de comida no lugar. Se a pressa for muito grande, existe um serviço que vende os pasteis em sistema take away, que anda bem mais rápido do que a espera por uma mesa. 

25/11/2012

Passeios em Lisboa - Belém (parte 1)


Depois de uns 2 meses parado sem postar, retomo os relatos sobre Portugal, contando principalmente como foi o mochilão que fiz por lá em setembro de 2008, com algumas informações extras de outra viagem em outubro de 2011.

No último post sobre a chegada à cidade, falei um pouquinho do albergue em que nos hospedamos – na época considerado o melhor do mundo pelo Hostelworld. Pois bem, assim que nos instalamos, descemos para almoçar e já fomos atrás de um item obrigatório para quem quer fazer bastante coisa em pouco tempo enquanto está de passagem por Lisboa: um passe de transporte público.

Depois de pegarmos algumas informações no escritório de turismo da cidade na própria Rua Augusta, decidimos que o melhor era pegar passes de 24 horas para o metrô, incluindo bondes e ônibus. Fomo até a praça do Comércio – aquela dos Arcos da Rua Augusta e esperamos um bonde para Belém.


A Praça do Comércio, muito embora seja um dos cartões postais de Lisboa, não é um lugar que apresente muito interesse turístico. Há vários órgãos públicos funcionando por ali e várias conexões de ônibus urbanos e bondes – mas além de uma foto com os arcos, não há muita coisa.

Cabe apenas o registro de que foi nesse lugar que mataram o Rei Dom Carlos I e o príncipe herdeiro Luís Felipe, em 1908. Com isso, o segundo filho mais velho do rei assumiu o trono, até que pouco tempo depois fosse derrubado num golpe que pôs fim à monarquia portuguesa.

O trajeto entre a Praça do Comércio e Belém é feito num bonde bem moderno, ao estilo daqueles que existem em Amsterdam – e bem diferente de outros clássicos que circulam por regiões mais antigas, como a Alfama. É bem caro: custa cerca de  3,65 euros por pessoa, se a tarifa for paga a bordo. Em 20 minutos se chega a uma estação próxima da famosa Pastelaria de Belém e a uma praça que separa os principais monumentos da região.  

Belém é um dos bairros mais importantes de Lisboa, do ponto de vista turístico. Ali estão 2 das “7 Maravilhas de Portugal”: a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerônimos. São pontos obrigatórios também o Padrão dos Descobrimentos e a Pastelaria, de que falei acima. Era dali que partiam os navios em direção à América, nos tempos do Descobrimento.

Belém é um bairro com espaços amplos, avenidas largas e com boas opções de lazer, às margens do Rio Tejo. Há muitos restaurantes e barzinhos abertos o dia inteiro e, nos dias de sol, muita gente caminhando, patinando ou andando de bicicleta. SÓ VALE UM AVISO IMPORTANTE: SEGUNDA-FEIRA BOA PARTE DAS ATRAÇÕES É FECHADA, POR ISSO EVITE IR LÁ NESSE DIA.

Assim que chegamos por ali, demos de cara com um obelisco em cujo topo fica uma estátua de Vasco da Gama, bem no meio de uma praça. Cruzamos toda ela sob um sol bem forte para chegar ao túnel por baixo da avenida, pelo qual se passa para chegar ao Padrão dos Descobrimentos.


O Padrão dos Descobrimentos foi originalmente feito como um monumento temporário para uma exposição em 1940 e, assim como a Torre Eiffel, caiu no gosto do público e por isso foi tornado definitivo. Uma réplica em concreto foi construída e inaugurada em 1960.

O monumento tem um formato alusivo a uma nau portuguesa, quando olhado de lado. Para quem olha ele de trás, tem o formato de uma cruz.



Em ambos os lados, estão estátuas dos grandes nomes da história portuguesa, inclusive o nosso Pedro Álvares Cabral.


O interessante é que se pode subir nele, por dentro – e o que é melhor, de elevador. Lá de cima, a vista de todo o bairro de Belém e do Rio Tejo é muito bonita. Olhando para baixo, na parte da frente (próxima ao rio), pode-se ver as estátuas de cima, como se a pessoa estivesse no alto de um navio.

Na parte de trás do monumento, percebe-se o que eu não tinha visto quando cheguei: a calçada que dá acesso ao Padrão tem um mosaico que representa um grande mapa do mundo antigo, em meio a uma rosa-dos-ventos.


O visual do monumento se complementa pela Ponte 25 de Abril, uma ponte pênsil ao estilo da Golden Gate que liga Lisboa ao sul do país, a partir de Almada.


A uns bons metros do monumento, fica a famosa Torre de Belém, um monumento que fazia parte do esquema de defesa da foz do Rio Tejo e que foi construído por volta de 1514.

A torre é muito bonita e cheia de detalhes, num estilo manuelino. Foi utilizada por um tempo como aduana, em outros como farol, como estação de telégrafo e até como prisão para presos políticos.



Embora seja mais conhecida, a torre é mais interessante de se ver do que de se conhecer por dentro, já que não há muito o que ser visitado na sua parte de dentro. Se estiver na correria, vale mais a pena fazer o Padrão e o Mosteiro ali perto.