30/06/2010

Últimas horas de mochilão


Nossas últimas horas em Santiago foram mais de preparação para o retorno do que propriamente de passeio.

Ao chegarmos no albergue, de volta do dia em Valle Nevado e no shopping, decidimos fazer uma janta na cozinha do lugar. Fomos até um dos vários mercadinhos perto do lugar (quando contar de outras viagens a Santiago, nos próximos posts, vou me dedicar às qualidades do Andes Hostel, dentre as quais a localização) e compramos o suficiente para a refeição.

Saiu uma bela picanha no grill da cozinha (a tentativa de fazer churrasco na cobertura do albergue foi frustrada por causa do frio), com um bom vinhozinho – da Concha y Toro, óbvio.

Para terminar a viagem, até fomos dar umas voltas no Bellavista, que fica pertinho do albergue, mas acabamos foi bebendo cerveja no barzinho do próprio lugar, falando abobrinha com um polonês maluco que conhecemos naquele dia e que quase nos convenceu a ir conhecer o interior do país dele com a agência de turismo que ele jurava que ia abrir até o final do ano.

Na manhã seguinte, acordamos mais tarde. Já estávamos com as coisas mais ou menos arrumadas e logo descemos para fazer o check out. Saímos então para dar uma voltinha no centro de Santiago, que fica a umas três quadras do albergue, apenas. O que chamou a atenção, naquele dia, foram as promoções.

Demos uma sorte medonha de estar em Santiago justamente num dia de liquidação nacional. Descontos de até 50% durante as 24 horas daquele sábado deixaram as lojas cheias de ofertas boas. Descobrimos a Falabella, uma loja de departamentos que também tem filiais em Buenos Aires, e conseguimos verdadeiros achado. Desde calças da Ellus por menos de 40 reais até abrigos da Adidas por uns 100 reais, além de cintos de couro de marca por 15 reais, camisas da Levi’s e blazers, saímos de sacolas cheias de lá, nas últimas horinhas da viagem, prometendo voltar.

Ainda tivemos um contratempo com o pagamento, já que não havia jeito de nossos cartões de crédito funcionarem na dita loja. Fomos até um caixa automático na estação de metrô logo em frente e voltamos com o cash para pagar tudo e ir embora.

As mochilas estavam no guarda-volumes do hotel e só precisamos organizar um pouco as sacolas, para estar prontos para o retorno. Ainda tivemos tempo de ver um Boca Juniors x River na TV, antes de pegar o táxi até o aeroporto, que fica a uns 25 minutos do centro, apenas.

No vôo da Gol, também meu velho conhecido, tudo normal. Em quatro horas já estávamos em Porto Alegre, sendo recebidos por, é claro, funcionários públicos brasileiros atendendo de máscara contra a gripe.

28/06/2010

De volta à cidade

Como disse no post anterior, nossa visitinha de ônibus ao Valle Nevado não durou mais do que três horas. Só que o barato saiu caro: o dito ônibus só voltaria ao fim da tarde e não havia nenhum outro tipo de transporte público nas redondezas. O jeito foi apelar pro dedão: carona mesmo!

Ninguém parava. Às vezes nem tentávamos, ou porque o carro era muito chique (há estacionamentos privativos para Jeeps lá em cima!) ou porque estava muito cheio. Uns quinze minutos depois, porém, tiramos a sorte do dia: um instrutor de esqui precisava voltar urgentemente à cidade porque o filho se machucara no colégio e se dispôs a rachar a gasolina conosco.

Toda carona é sempre uma surpresa. O cara dirigia enlouquecidamente morro abaixo, afinal faz aquele caminho umas quatro vezes por semana e, naquele dia, estava indo ver o filho machucado. Contou um pouco como funciona o seu trabalho, que faz uma temporada no Chile e que no verão daqui vai para o inverno na Europa, mais especificamente em Andorra. Disse que o nosso Ministro da Saúde acabou com a temporada deles ao dize na TV que não era para viajar ao Chile por causa da gripe e, quando já estava um pouco mais íntimo, começou a perguntar se não tínhamos um baseado (!!!) para dar para ele...
Ficou um clima meio chato e, para quebrar o gelo, ele até parou para tirarmos mais foto pelo caminho.

Quando finalmente chegamos, demos cada um o equivalente a uns 5 reais para ele e pedimos para parar num grande shopping center que vimos na subida, do qual já tínhamos ouvido falar e que só tinha lojas voltadas ao esporte.

Foi ali que almoçamos de verdade e ficamos umas boas horas olhando lojas. Nunca vi um shopping como aquele, em que só havia praticamente homens andando. As lojas eram especializadas em tudo quanto é esporte possível e, pela estação, muitas vendiam coisas para o inverno. Até iates e lanchas dava para comprar ali. Minhas aquisições se resumiram a um Mizuno Wave da última geração, por pouco mais da metade do preço que se pagaria aqui, e a alguma outra coisa que não lembro bem agora. Mas que eu olhei e experimentei um montão de coisa, até me dar por conta de que metade daquilo não teria como usar no nosso inverno brasileiro, isso eu fiz!
No fim da tarde, ao invés de metrô, como pensávamos no início, pegamos um táxi para ir vendo um pouco mais da cidade. Surpreendentemente, ao contrário do que dizem, a hora do rush de Santiago (pelo menos no nosso caminho) não foi tão complicada em matéria de trânsito.

27/06/2010

Valle Nevado


Tínhamos apenas umas 30 horas em Santiago, até nosso vôo de volta ao Brasil, dando fim à viagem de pouco mais de duas semanas pelo norte da Argentina, sudoeste da Bolívia e Atacama chileno. Como já conhecíamos as atrações da cidade, o plano era sair dela – ir até uma estação de esqui, só para conhecer – e depois aproveitar restaurantes e lojas para fazer compras.

Levantamos cedo. Dormimos não mais do que umas três horas e já estávamos tomando o metrô em direção a Las Condes, o bairro mais elegante e moderno ao norte da capital. Lá, onde termina a linha vermelha da rede de metrô, descemos e caminhamos umas poucas quadras até o lugar conhecido como Cantagallo, de onde saem ônibus relativamente baratos em direção às estações de esqui mais próximas.

Como era cedo, nem chegamos a pegar o café da manhã no albergue, por isso tivemos que comer alguma coisa por ali mesmo, logo depois de assegurar as passagens, que nos diziam se esgotarem rápido (não naquele dia!). Comemos uns sanduíches numa padaria do outro lado da avenida e logo entramos no ônibus.

Nunca vi tanto brasileiro junto. Gente com experiência e sem experiência em esqui, matraqueando o tempo todo, em alto e bom português. Ficamos quase uma hora parados ali dentro – pelo menos era quente – esperando, possivelmente, o ônibus encher, para só então sair. Sei que, ao invés de sair às 8h30, o dito ônibus ainda estava passando pelo extremo norte de Santiago às 10h, onde fez mais uma paradinha para que mais gente subisse.

Assim que a cidade termina, a estrada começa a subir, vertiginosamente. Dá até para ficar um pouco enjoado (teve gente que vomitou, graças a Deus dentro do saquinho). A vegetação, que é bem bonita e abundante, vai aos poucos ficando mais rara, até que quase desaparece. Os primeiros blocos de gelo no chão vão aparecendo, até que tudo começa a aparecer coberto de gelo.

Dizem que, em 2009, o inverno foi relativamente fraco em questão de neve, até julho, por isso as estações tiveram até mesmo que “fabricar” um pouco de neve para garantir o esqui. Mas para quem não conhece nada de esportes de inverno, como eu, estava tudo bonito e tapado de neve.

Valle Nevado é a última das estações de esqui pelas quais se passa no caminho e aquela para onde vai a maioria das pessoas. É também a mais alta, com relação à altitude.

Assim que chegamos, sentimos o desconforto que é estar em um lugar cheio de neve com calçados não muito bons para isso. Era só pisar na neve que gelava valendo o pé e, se ficasse um pouquinho mais, já molhava.

Até então, meu único contato com neve tinha sido uma estação de esqui com pouco gelo em La Paz. Nossa intenção era mesmo só ir lá, dar umas voltas e, se batesse muita vontade, fazer alguns treinos de esqui, mas não nos empolgamos.

Assim como no ônibus, o que mais se via eram famílias (ricas, diga-se de passagem) de brasileiros, irritantemente gritando, brigando entre si ou fazendo dengo o tempo todo. Não foi uma experiência muito agradável.
Os melhores bares e cafés exigem uma consumação mínima bem alta, coisa que não estávamos dispostos a pagar. Acabamos pegando uns chocolates quentes e uns churros mesmo, sentado em mesinha do lado de fora, de frente para a área de iniciantes.
Não fizemos muito mais do que isso enquanto estivemos em Valle Nevado. Só demos risadas das trapalhadas dos aprendizes, tiramos algumas fotos (como as que ilustram esse post), comemos e bebemos para nos esquentar, conhecemos as lojinhas e as áreas de uso comum dos hotéis e, lá pelas 2h da tarde, já estávamos com vontade de voltar.

26/06/2010

De Iquique a Santiago

Depois de dois dias bem aproveitados em Iquique, terminamos nosso período na cidade como começamos: na sala de uso comum do albergue, porque nossa diária já tinha acabado e o vôo só sairia à noite.

Os donos do albergue, como falei alguns posts atrás, nos convidaram para participar da janta que ofereceram, com carne argentina na parrilla.
Pagamos um táxi antecipadamente para viajar ao aeroporto, que fica a quase 50km da cidade. O caminho é todo feito pela estreita faixa de terra e areia entre as montanhas e o mar, pelas partes mais ricas ao sul de Iquique. Como já era noite, não deu para ver muita coisa.

O aeroporto, chamado “Diego Aracena”, é bem grandinho e moderno para uma cidade com o tamanho de Iquique. Havia bastante movimento, mesmo sendo meio de semana.

Pela primeira vez, viajei com a LAN. O avião não é muito diferente dos que se usam aqui, nos trechos nacionais, mas o serviço de bordo é definitivamente melhor. Os lanches levavam a marca da Havanna, aquela conhecida loja de alfajores argentina.

Com o cansaço do dia, dormi quase todo o período em que não estava envolvido com decolagem, aterrissagem ou com o lanche, por isso a viagem passou muito rápido.

Chegamos em Santiago por volta da 1h30 da madrugada, com um frio em torno dos 3°C (até achei que estaria mais).

O suspense da viagem não era por causa da cidade em si – eu mesmo estivera duas outras vezes lá, num espaço de 10 meses antes daquele dia, sendo que os meus dois amigos também já tinham dado uma passada por lá, alguns anos atrás. O medo era por causa da gripe suína. Na época, embora a Argentina fosse tratada como o país com maior número de contaminações pela gripe aqui no Brasil, na verdade o Chile, com uma população muito menor, tinha uma taxa proporcionalmente muito mais alta. Só em Santiago, antes de pararem a contagem oficial dos contaminados, havia pelo menos 5 mil pessoas com o H1N1.

Por mais que estivéssemos confiantes em razão de uma viagem sem maiores problemas e sem ver quase ninguém de máscara ou com algum cuidado mais exagerado – exceção feita ao trem boliviano – não deixava de ser um pouco arriscado usar o transporte público do país naquelas condições.

Pegamos um táxi até o Andes Hostel, meu velho conhecido de um jogo do Grêmio em Santiago, e chegamos por volta das 2h30. Nosso quarto, para o pavor da gurizada, tinha uma pessoa tossindo sem parar. Na outra cama, certamente com medo, outra tinha feito uma “barraquinha” improvisada com lençóis.
O cansaço era tão grande, contudo, que ninguém deixou de conseguir dormir por causa disso.

17/06/2010

"Bienvenido a la Argentina"

Já imaginou ir até um caixa automático de um banco conhecido, colocar seu cartão, fazer um saque e sair dali sem preocupação nenhuma, para algumas horas depois descobrir que parte do dinheiro que você sacou era falsa?

Pois é... foi exatamente isso que me aconteceu nesse último final de semana, quando fui a Buenos Aires para comemorar o Dia dos Namorados longe dos nossos restaurantes lotados de 12 de junho (na Argentina esse dia se comemora em fevereiro, no Dia de São Valentim).

Não sei exatamente em qual das vezes isso ocorreu, porque só descobri depois. Fato é que fiz um saque de 700 pesos (cerca de 330 reais) num caixa automático do HSBC do porto da Buquebus (recebi 7 notas de 100 pesos) e, no dia seguinte, outro saque de 500 pesos, quando recebi outras 5 notas de 100 pesos, dessa vez num banco da Calle Reconquista, a meia quadra da Casa Rosada, que é o principal centro financeiro da Argentina (só lembro que o caixa era da rede Banelco).

No terceiro dia na cidade, quando fui pagar uns presentes numa daquelas lojas da Havanna, a moça do caixa só pegou uma das notas de 100 e já viu que era falsa. Arregalei bem os olhos e ainda soltei a frase: "mas não pode ser, eu saquei num caixa automático..." Aí ela me devolveu e me mostrou como era falsa.

De fato, passei um ou dois dias com aquela nota na carteira sem perceber nada. Eu, que colecionava moedas e cédulas quando era criança, que a vida inteira gostei de conhecer papel moeda de outros países, pela primeira vez fui vítima de um golpe do qual já tinha ouvido falar muito.

Meses atrás, na revista Viagem e Turismo, já se alertava que os caixas automáticos do aeroporto de Ezeiza, inclusive do Banco de la Nación (o Banco do Brasil dos argentinos) estavam dispensando notas de 100 falsas. Um dia antes de me descobrir vítima do golpe, um taxista me comentou a mesma coisa, enquanto olhava para a nota com que eu lhe pagava, para ver se não era falsa.

As pessoas que me viram naquela situação ainda comentaram que eu devia reclamar e que se tivesse guardado o recibo do saque (o que eu não tinha), teria de fazer alguma coisa.

Realmente, não havia como fazer nada. Eu estaria viajando dali a alguns minutos e de nada adiantaria registrar uma ocorrência, sendo que não tinha prova de nada.

O triste é que não há como se prevenir de um golpe desses. Ninguém escolhe as notas num caixa automático e muito menos pode devolver se suspeitar que são falsas. Um bancário pode muito bem colocar dinheiro falso no meio de cédulas verdadeiras, que é o que parece estar acontecendo com frequência em Buenos Aires. A única forma de evitar isso é não sacando dinheiro (?!). Só que, para evitar isso, fica-se exposto a um risco ainda maior: as casas de câmbio, que adoram empurrar falsificações e cédulas esfarrapadas que depois não se consegue passar adiante.

O prejuízo econômico foi relativamente pequeno: 100 pesos valiam, no dia, apenas 46 reais. Mas a imagem da situação atual do país, para mim, ficou um pouco mais prejudicada. Enquanto eu me lamuriava por não ter como evitar o dito golpe, a caixa da loja só me disse o seguinte, com ar de deboche: "ah, bienvenido a la Argentina!"

09/06/2010

Top Top 2

Mais algumas listas de melhores e piores nesses anos de mochilão:

Cidades – maiores surpresas positivas:
  • - Berlim
  • - Iquique
  • - Sintra
  • - Bruges
  • - La Paz
  • - Ibiza
Cidades – maiores furadas:
  • - Humahuaca
  • - Bruxelas
  • - Viena
  • - Munique
  • - Assunção
Algumas das fotos de que mais gosto nesses anos de viagens:
Vulcão Villarrica visto do lago de Pucón, Chile
Vaticano visto da Ponte Umberto I, Roma
Castelo de Praga visto da Cidade Velha de Praga, Rep. Tcheca
Vista do mirante de Machu Picchu, Peru
Cidade velha do Porto vista de Vila Nova de Gaia, Portugal
Nyhavn, Copenhague, Dinamarca
Es Vedrà, Ibiza
Ilha de San Giorgio Maggiore, vista de San Marco, Veneza
Vale da Morte, San Pedro de Atacama, Chile
Mercado de Flores, Amsterdam, Holanda

07/06/2010

Top Top

Algumas listas de melhores e piores nesses anos de mochilão:

Melhores albergues em que já parei (recomendo!):
  • - Luxembourg Backpacker’s Hostel – Luxemburgo, Luxemburgo
  • - Andes Hostel – Santiago, Chile (fui duas vezes)
  • - Traveller’s House – Lisboa, Portugal
  • - City Backpacker’s Vandrarhem – Estocolmo, Suécia
  • - Backpacker’s Hostel – Iquique, Chile



Piores albergues em que já parei (nem morto eu volto!)
  • - Blue Planet – Paris, França
  • - Friendship B&B – Roma, Itália
  • - Oporto Poets Hostel – Porto, Portugal (acho que criei expectativas)

Melhores aeroportos em que já peguei vôo:
  • - Carrasco, Montevideo, Uruguai (atendimento personalizado!)
  • - Arlanda, Estocolmo, Suécia (tranqüilidade e primeiro mundo de primeira!)
  • - Charles de Gaulle, Paris, França (um dos mais movimentados do mundo, mas com estilo e organização)
  • - Francisco Carneiro, Porto, Portugal (talvez o aeroporto mais confortável para chegar direto do Brasil)
  • - Strauss, Munique, Alemanha (perfeição e silêncios intermináveis)

Piores aeroportos onde já tive a infelicidade de passar:

  • - Aeródromo Maquehue, Temuco, Chile (aeroportozinho mixuruca)
  • - Heathrow, Londres, Inglaterra (é o maior do mundo, mas é uma zona)
  • - Orlando, EUA (pela decadência e o relaxamento)
  • - Ezeiza, Buenos Aires, Argentina (velho e desorganizado)
  • - Llobregat, Barcelona, Espanha (velho, pequeno e bagunçado)
  • - no Brasil, ganham disparado Congonhas (antes da reforma) e a parte velha do Galeão.

05/06/2010

Segundo dia em Iquique


No segundo dia em Iquique, com uma bela ressaca causada pela de mistura de Concha y Toro com cerveja, tomamos o café da manhã no albergue e saímos para uma caminhada para um lado da cidade em que ainda não havíamos estado: a praia, ao sul do centro.

O tempo não colaborou muito: continuava com cara feia, nublado e com uma névoa que não permitia nem mesmo ver o Cerro do Dragão direito, atrás da cidade.

A beira-mar de Iquique é toda projetada, mas parece um pouco abandonada. Há até mesmo um minizoológico, com llamas, jacarés e outros bichos, perto do cassino, pertinho da água.

Naquela região, onde fica uma península da qual se enxergam os dois lados da cidade, estão os prédios mais altos e novos, com cara de caríssimos.

Num cantinho quase escondido, numa entradinha que parecia ser de um terreno particular, encontramos outro porto de pescadores, como aquele do primeiro dia: cheio de pelicanos, com pescadores limpando seus peixes. Só que essa "caleta" era bem menor e quase não tinha nenhum movimento além dos próprios pescadores. As fotos desse porto, no entanto, com a cidade ao fundo, conseguiram sair iguais ou até melhores que as do dia anterior.

Depois de mais caminhadas, agora em direção ao sul, decidimos que já era hora de ir para o centro, para almoçar.

Voltamos, pela terceira vez, ao mercado público da cidade, dessa vez para almoçar uma paella de frutos do mar.

À tarde, o programa já estava marcado no albergue: sandboard, com direito a prancha alugada e transporte de ida e volta. O programa se revelou meio tosco (afinal, era apenas um dos recepcionistas do albergue, com umas pranchas meia-boca, que levava o pessoal interessado até um "terreno" baldio no pé do morro, para subir as dunas e descer na prancha, sem nenhuma infraestrutura de apoio ou mesmo água para tomar, por cerca de duas horas), mas serviu para nos divertir.

Eu nunca tinha feito sandboard e confesso que não me apaixonei. O duro mesmo era subir aquelas dunas de areia fofa para descer tudo de novo em alguns segundinhos, mas os guris aproveitaram mais do que eu. Havia uma guriazinha alemã empolgada com o "esporte" e um peruano conosco, além do próprio cara do albergue, que deu as instruções básicas.

Eram umas 18h quando sacudimos a areia e descemos tudo, para pegar a van de volta ao albergue.


03/06/2010

ZOFRI e a noite

Depois de um passeio que levou a manhã inteira e mais um pouco, voltamos ao albergue e fizemos o nosso check in.

Apenas deixamos as malas e já saímos novamente, dessa vez de táxi, para almoçar no mercado público, que pareceu o lugar mais interessante para uma boa refeição na cidade, além de ter variedade de opções. Para não perder a oportunidade, pedimos pratos com frutos de mar, que são sempre muito bons e relativamente em conta no Chile.

Assim que terminamos, tomamos outro táxi, agora em direção ao extremo norte da cidade, onde fica a ZOFRI - Zona Franca de Iquique.

À primeira vista, o lugar é descomunal, gigantesco. São estruturas parecidas com a um de shopping center gigante, mas muito mais extensas.

Logo na entrada, já vimos que o melhor seria nos dividir, já que uns queriam ver roupas e outros mais equipamentos eletrônicos. Marcamos hora e ponto de reencontra e combinamos de deixar os celulares ligados para qualquer eventualidade.

Gastamos a tarde inteira lá dentro, mas no final já não estávamos tão impressionados. Funciona mais ou menos assim: logo na entrada estão as melhores lojas, com as melhores marcas. Mas há várias filiais das mesmas lojas, o que às vezes dá a impressão de que não há tanta variedade quanto se aparenta. Em outro setores, há muita bugiganga, no mehor estilo Paraguaizão.

Os preços são bons, mas nem tanto assim. Na Argentina, em qualquer loja, se encontra roupas e acessórios de marca a preços mais convidativos. Na prática, acabei só comprando uma calça jeans (depois de muita procura, porque os chilenos, além de gordinhos e baixinhos, geralmente usam calças folgadas, o que torna quase impossível achar qualquer tamanho menor que 42), umas camisetas, um sapatênis, um boné e mais alguma coisa que não me lembro bem.

Depois que o encanto inicial já tinha passado, quase no final do dia, acabamos encontrando um grande achado, porém: uma loja de produtos esportivos que vendia mochilões muito legais a preços em torno de 120 reais. Foi ali, nesse dia, que finalmente substituí meu mochilão, que me acompanhava desde 2002. Depois de 7 anos, troquei a minha por essa mochila alaranjada com detalhes cinza que aparece no centro da foto abaixo, enquanto o Diego a olha.
Não me arrependo. Além de barata, essa mochila tem muito mais opções de bolsos menores e de aberturas laterais e na parte debaixo, para não ter de abrir e tirar tudo para fora (a minha anterior só tinha uma abertura extra embaixo, dois bolsos laterais e um perto da cabeça). Todas vêm com capa de chuva e atingem bem as finalidades para as quais as uso.

Quem tiver um pouco mais de paciência e disposição de carregar peso no final da viagem, contudo, talvez faça melhores negócios do que nós, que acabamos comprando mais coisas em Santiago, num dia de liquidação, no último momento da viagem, do que em Iquique.

Já estava escuro quando saímos da ZOFRI de táxi e voltamos para o albergue cheios de sacolas e inclusive cada um com uma mochila nova - o que não deixa de causar espanto num albergue cheio de jovens europeus economizando cada centavo.

Tomamos banho e descemos para a área de uso comum, onde aproveitamos para pedir uma pizza de tele-entrega e jantar com um vinho - igual àquele que tomamos no meio do tour do Salar.

Lá por volta da meia-noite, ainda arranjamos um lugar para sair, bem ao sul da cidade, na área dita mais nobre. Não lembro o nome do lugar, mas sei que não era o Papa Gallo, a outra opção que nos indicaram. Sei que era furada - só gurizadinha em torno dos 18 anos.

Quando voltamos, tivemos uma inesquecível e terrível experiência: ser cagados por umas aves marinhas que ficam na copa dos coqueiros de toda a cidade, quando estávamos bem na frente do albergue. É impressionante o estrago que o cocô daquele bicho fez: nos deixou com a roupa toda com manchas brancas e com um fedor de peixe estragado que se sentia à distância, e que nos obrigou a ensacar as roupas e esquecê-las pelo resto da viagem.

01/06/2010

Os primeiros passeios de Iquique

Depois das horinhas de sono na área de uso comum do albergue, decidimos ir tomar o café da manhã no mercado público. Geralmente, qualquer cidade que se preze tem um mercado público com bons restaurantes e lancherias, e Iquique não seria diferente.

A caminhada entre o albergue e o mercado foi bem puxada – mais de 10 quadras. Dali até o centro, porém, a distância não seria grande.

Chegando lá, catamos o lugar que mais nos apeteceu para comer e pedimos omeletes e café, cada um de um tipo diferente.

Refeição tomada, começamos a caminhar num circuito bolado na hora, para passar na frente da maior parte dos pontos turísticos da cidade até chegar ao porto e ao museu da aduana.

Foi nessa hora que conhecemos a característica típica da cidade – os sobrados de madeira – , além da Igreja matriz e do centro comercial.

No antigo prédio da aduana, entramos e vimos um pouco das exposições (não sei dizer se são permanentes ou temporárias) que havia ali, sobre as guerras navais do Chile com os vizinhos.
Saímos da aduana e fomos para o porto, onde os pescadores repassam o pescado aos atravessadores e até vendem alguma coisa a consumidores. Existem alguns passeios de barco por ali, mas como o clima estava todo nublado, achamos melhor ficar por terra mesmo.

O porto foi uma das melhores surpresas da viagem. O lugar era muito legal, cheio de pescadores trabalhando com bom humor, com aqueles gritos de feirante e sacaneando uns aos outros. Parecia que estávamos num desenho animado do Popeye ou qualquer outro da Disney envolvendo porto e pesca: era cheio de pelicanos andando para lá e para cá, só esperando que algum pescador lhes atirasse algumas vísceras de peixe, ou mesmo que se descuidassem para que eles pudessem roubar algum peixe.

Além dos pelicanos por todos os lados, havia também lobos marinhos na água, próximos aos deques, esperando que alguma sobra lhes fosse atirada.

Os barcos, bastante coloridos, davam um toque muito bonito ao lugar, que era extremamente simples e, em tese, nada turístico. Ali sim, tivemos aquela sensação de ter descoberto um lugar aonde pouca gente vai, porque os pescadores se ofereciam para tirar fotos e emprestavam os peixes para sair na foto com cara de quem não está acostumado a ver estrangeiros passando. Éramos novidade para muitos deles e por isso nos receberam bem.

Depois do porto, ainda empolgados com a experiência legal que tivemos, fomos para o centrão da cidade, onde fica o relógio inglês e os principais prédios públicos. Encontramos uma feirinha de chocolates caseiros e de doces e aproveitamos para fazer um lanche, deixando o almoço para mais tarde.
Depois de algumas voltas por ali, começamos a voltar para o albergue, onde faríamos o check in. Dessa vez, porém, voltamos por uma ampla avenida em cujo meio há uma linha de bonde, sendo que um vagão histórico está todo conservado para turistas verem como era. Presenciamos um desfile de escolas públicas, homenageando não sei que santo ou a troco de quê – mas sempre é oportunidade para uma foto.