30/11/2010

Passeio por Montenegro - Kotor


Kotor é a cidadezinha que dá nome à baía em cujo canto mais profundo ela se localiza. Na Idade Média, foi dominada pela República de Veneza (na época recebeu o nome de Cattaro) e foi construída como um lugar fortificado, estrategicamente localizado num lugar protegido a meio caminho entre Veneza e a Grécia.

Kotor é famosa por ser uma das cidades medievais mais bem preservadas de todo Mediterrâneo. Embora o turismo tenha caído bastante durante os anos 90 e o início dos 2000, com o fim da Iugoslávia, a recente independência de Montenegro colocou o lugar novamente nas listas de muitos visitantes. Hoje, Kotor é um dos lugares mais visitados por navios de cruzeiro que saem de Veneza em direção às ilhas gregas (navios da MSC, da Costa Cruzeiros ou da Norwegian Cruise Line).
Cruzeiros significam multidões, e esse é o principal problema de uma visita ao lugar. Entre as 10h da manhã e as 16h, em dias de cruzeiros, a cidadezinha fica tomada por velhinhos em grupos de 30 a 60 pessoas, com guias puxando a boiada enquanto gritam as explicações sobre cada lugar. Conosco não foi muito diferente, já que estávamos numa excursão organizada.

Logo depois do estacionamento de veículos, entra-se na cidade pelo único portão na muralha que dá uma forma de funil à cidade, com a montanha na única face não amuralhada. Para chegar ao portão, passa-se por um fosso de água que chega a ser de uma cor esmeralda, de tão verde e cristalina.
Do lado de dentro, a primeira coisa que se vê é uma praça medieval, onde ainda existe uma "coluna da vergonha", onde eram presos os ladrões, adúlteros e estelionatários para serem xingados e espancados pelos cidadãos como punição. Toda a praça é rodeada por prédios históricos, que precisam sempre estar impecáveis para manter o título de Patrimônio da Humanidade da UNESCO. Hoje, a maioria virou restaurantes e bancos.

Há bancos por toda parte, por um simples fator: Montenegro não tem moeda própria e adotou o euro como padrão. Por isso, que chega da Croácia, da Bósnia ou da Sérvia, ou mesmo da Rússia, precisa tirar dinheiro local e acaba fazendo isso no primeiro lugar que visita. Além disso, é uma oportunidade para simplesmente comprar euros sem ter de pagar taxas a casas de câmbio de aeroportos ou de cidades maiores.
Há várias igrejas, católicas e ortodoxas por toda a cidade, bem como fontes, museus, mansões históricas. O lugar é daqueles labirintos medievais que dão vontade de ser melhor explorados numa visita com mais calma.

Uma das coisas mais interessantes para se fazer na cidade é subir as várias muralhas e escadarias que foram sendo construídas pelos locais ao longo dos séculos até a parte mais alta da montanha que fica atrás da cidade, permitindo acesso a grutas religiosas, igrejas e a vistas de toda a baía de Kotor.

Mesmo com pouco tempo no lugar, tratamos de ver de tudo um pouco e principalmente de subir o quanto desse nas escadarias ao longo da montanha. O sol do meio-dia nos castigou bastante e chegmos a uma igreja, que era nosso objetivo final, completamente encharcados de suor e com muita sede.

O resultado foi que nos atrasamos e fomos os últimos a chegar no microônibus da excursão, sob os olhares de reprovação do resto do grupo, que já se referia a nós a boca pequena como "os brasileiros atrasados".

28/11/2010

Passeio por Montenegro - Baía de Kotor


Boka Kotorska é o nome local para a Baía de Kotor, uma imensa entrada de mar em formato de ípsilon que passa por um estreito entre dois morros bastante altos e que forma uma paisagem muito semelhante àquela que se vê em lugares como Noruega, Chile e Nova Zelândia, só que curiosamente num país quente. Exatamente por essa semelhança, muitas vezes a Baía de Kotor é tratada como um fiorde - dito o maior fiorde do sul da Europa. Por questões geográficas no entanto, os estudiosos descartam a classificação do lugar como fiorde, preferindo a denominação baía.

A baía de Kotor é um dos principais pontos turísticos de Montenegro, tendo sido declarada pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Há estradas ao longo de todo seu entorno, com várias cidadezinhas. Começando por Herceg Novi, passa-se por Zelenica, Denovici e pelo estreito propriamente dito. Já do lado "de dentro" da baía, passa-se por Risan, Perast, Doni Ohrajovac, Ljuta, Dobrota e Kotor, no canto mais profundo da baía.

Por ser uma entrada de mar com uma passagem bastante estreita para o Mediterrâneo, as águas são bastante calmas e, por isso mesmo, historicamente a região sempre foi utilizada por capitães de barcos e navios como um porto seguro em tempos de tempestade, inclusive para atracar barcos com problemas que requeressem manutenção. Pelo mesmo motivo, a concentração de sal na água é ainda menor do que no resto do Adriático, que já tem menos sal do que o Atlântico. Desde os tempos do Império Romano a região já era habitada, havendo ainda alguns resquícios de casas e banhos ao longo da estrada que contorna a baía.
Como o lugar é totalmente cercado de montanhas bastante altas e com água no centro, formou-se um microclima bem diferente do resto da região: temperaturas mais amenas no ano inteiro, só que intensidade de chuva bem maior, dentre as mais altas da Europa.

A paisagem de cartão postal da baía de Kotor é aquela em que aparecem as duas ilhotas no centro da baía, cada um com um pequenos mosteiro em cima (ilha de São Jorge e a ilha de Nossa Senhora sobre as Rochas). A história contada é que uma das ilhas é natural (São Jorge), mas a outra foi feita artificialmente, em simetria com a já existente, para que ficassem parecendo os dois olhos da Virgem Maria.
Tirando um passeio às ilhotas no meio da baía e a visita a Kotor, de que falarei no próximo post, a baía de Kotor é um lugar mais para ser curtido numa casa à beira do mar ou num passeio de lancha ou iate do que para se fazer alguma coisa. Subir nas montanhas ao redor em busca do melhor visual também é outra opção interessante.

Logo que fiquei sabendo da existência do lugar, ainda na época da organização da viagem, fiquei bastante curioso para conhecê-lo e recomendo justamente por ser bem diferente de qualquer outro lugar que já tenha visto.

27/11/2010

Montenegro

Logo que chegamos a Dubrovnik, tratamos de nos informar sobre um dos principais objetivos de nossa viagem: dar uma escapada para conhecer o país mais novo do mundo. Montenegro fica a apenas alguns minutos de Dubrovnik e só em 2006 se tornou um país independente. Até então, era parte do país chamado Sérvia e Montenegro, que até 2002 ainda levava o nome "Iugoslávia".

No próprio albergue, conseguimos com a neozelandesa Fiona, a encarregada dos passeios, reservas num tour pelo pequeno país no dia seguinte. Pagamos cerca de 180 reais por pessoa por todo o trajeto, antecipadamente. A saída ficou marcada para as 8h da manhã seguinte, na frente do Hotel Hilton, logo depois do portão de Pile, do lado de fora da cidade antiga.

A opção por um tour fechado foi quase lógica para quem não quer passar mais do que um dia em Montenegro - coisa que, embora perfeitamente possível, não estava nos nossos planos. Há apenas uns dois ou três ônibus por dia em cada sentido, levando bem mais tempo do que numa van ou microônibus de excursão.

Na hora marcada, estávamos lá dentre os primeiros que chegaram. Fizemos o café da manhã ali na rua mesmo, enquanto esperamos a saída da excursão, comprando uns croissants na padaria em frente ao hotel mais luxuoso da cidade. Havia um casal de velhinhos da Irlanda do Norte, mais um casal americano de meia idade, um grupo de 4 gordinhas americanas mais jovens, mais uns australianos. De latinos mesmo, só nós quatro.

A guia que se apresentou não poderia ser mais sem graça e antipática. As informações que ela foi pssando se resumiam àquilo que se leria num Almanaque Abril: população dos lugares, data de independência, atividade econômica principal. Quando perguntávamos alguma coisa mais inteligente é que ela saía desse esquema ridículo de informações. O motorista, um gurizão com cara de cínico, só escutava com um ar de reprovação, alternando com uns chamegos para cima da guia.

A saída de Dubrovnik em direção à fronteira com Montenegro é um espetáculo para os olhos. À medida que se vai subindo, a visão da cidade, pequenina lá embaixo, via enchendo os olhos. Passamos ainda por umas prainhas mais tranquilas e por cidades menores, próximas ao aeroporto, cuja atividade principal é a produção de vinhos. São áreas bem luxuosas, que estão se enchenco de "villas" privadas de alto padrão.

Não demorou mais do que meia hora para que chegássemos à fronteira. Levamos uns 10 minutos para cruzar o posto de controle croata, onde ganhamos um carimbo de saída do país. Do lado montenegrino, apenas uma ficha de controle foi entregue ao fiscal; os passaportes não foram tocados. No celular, a mensagem da operadora dando as boas vindas a Montenegro (Crna Gora, em montenegrino), confirmava que já havíamos deixado a Croácia.
À primeira vista, a paisagem de Montenegro era totalmente diferente da croata, e mesmo do que eu imaginava. Começamos a descer morros sem parar, rodeados por florestas de pinheiros por todos os lados. A estrada, em perfeito estado de conservação, dava as boas vindas aos turistas com outodoors de marcas de luxo (Rolex, Porsche) e de propagandas do governo, chamando para investir no país.

Cheguei a achar que estávamos realmente entrando num filme do James Bond (o Cassino Royale tem uma história que envolve Montenegro) quando comecei a ver as concessionárias de carros luxo naquela estrada, sem mais nada ao redor. Nossa "parada para lanche" foi num freeshop de beira de estrada, recheado de chocolates suíços e bebidas.

Não demorou muito, porém, para que voltássemos ao Mediterrâneo, com cidades que bem poderiam estar na Croácia, na Eslovênia ou na Itália. Herzeg Novi foi o primeiro lugar por onde passamos - o extremo norte do litoral montenegrino.
Herzeg Novi é uma sucessão de morros, com a estrada passando por cima, cheia de casas de praia. As ruas são estreitas e apinhadas de carros de russos e sérvios, os turistas que mais usam as praias do país para o veraneio. Nem chegamos a parar na cidade, porque o primeiro ponto do passeio só seria a Baía de Kotor, de que falarei no próximo post.

12/11/2010

Dubrovnik - noite


A noite em Dubrovnik é bem legal e é fácil se deslocar de um bar para outro.

Na Croácia, não há frescuras com relação a beber na rua, como em outros países. Pode-se muito bem circular com latinhas ou copos de cerveja sem ser incomodado pela polícia.

Normalmente, as pessoas saem jantar em algum restaurante ou pizzaria perto do Porto Velho ou da Praça do Mercado por volta das 20h, 21h, e ficam por ali até umas 22h e pouco (ver o post sobre comida em Dubrovnik, para mais detalhes). Se a ideia é só tomar drinks ou beber, há alguns cafés na Placa, bem em frente à Catedral, onde geralmente há música ao vivo ou apresentações de artistas mais clássicos.

Depois, entre as 22h e as 2h da manhã, o agito se tranfere para os barzinhos que ficam do lado oeste da cidade, além da Placa (ou Stradum), o mais longe do mar possível dentro da cidade velha. São pelo menos 5 ruazinhas bem inclinadas, com algumas escadarias, tomadas de barzinhos um ao lado do outro. Às vezes, nem se percebe direito em qual deles se está comprando a bebida.

Alguns têm pista de dança, outros só um balcão de bar, com uma musiquinha ao fundo. A maioria toca o pop internacional que se escuta em qualquer rádio FM do mundo inteiro (na época a Lady Gaga e o "We no speak americano" eram a bola da vez), alguns menores tocam o "turbo folk" dos Bálcãs, que são musiquinhas cantadas em servo-croata com estilo meio oriental, mas com parafernalha tecnológica ao fundo, dessas que se escuta no concurso da Eurovision.
O pessoal geralmente só entra nos barzinhos para comprar bebida ou quando a música está muito boa, senão fica nas escadarias da rua ao lado de fora mesmo, conversando e indo de um lugar para o outro.

Um dos melhores e mais famosos desses barzinhos é o Galerija, para onde muitos albergues e hotéis de mochileiros recomendam os seus hóspedes. Outro, numa rua paralela a duas quadras dali, é o Casablanca.

Numa das nossas andanças, chegamos a ver um lugar com cara de zona disfarçada - um tal de Trocadero, bem pertinho do Casablanca. Umas mulheres meio à toa, sem conversar entre si, fazendo caras e bocas para tomar uns drinks e fumando tinham toda pinta que estavam ali a trabalho.

Depois que esses barzinhos do lado de dentro da cidadade velha fecham, às 2hs da manhã, há uma migração em massa do público para os night clubs do lado de fora das muralhas.
Do lado sul da cidade, saindo pelo portão de Ploce, fica o EastWest, bar de praia de que já falei e que se torna boate de madrugada.

Do lado norte, saindo pelo portão de Pile, há dois lugares abertos até altas horas da manhã: o Capitano, um pouco acima de um estacionamento à direita de quem sai da cidade, e o mais famoso e sempre cheio Fuego, que de latino só tem o nome. O Fuego fica logo em frente ao portão, próximo das paradas de ônibus para a rodoviária e o porto e é o que mais tem cara de boate de cidade mesmo.

08/11/2010

Dubrovnik - teleférico


Dubrovnik é uma cidade espremida entre o mar e a montanha. Basta olhar no mapa para ver que depois de uma estreita faixa de território croata, já se chega à Bósnia, que fica logo atrás dessas montanhas.

Essa localização interessante levou, ainda na década de 70, à construção de um teleférico para que se pudesse admirar a cidade e o mar lá de cima. Como não poderia deixar de ser, entretanto, esse ponto de observação tornou-se um ponto estretégico fundamental na guerra civil que ocorreu na cidade em 1991.

O Exército Federal Iugoslavo tomou a fortificação antiga que havia ao lado da estação do teleférico e o próprio teleférico para controlar a cidade e começar a bombardeá-la lá de cima. O bondinho foi destruído, em razão das batalhas e passou quase 20 anos desativado.
Tivemos a sorte de chegar na cidade poucos dias depois da reinauguração do equipamento, que estava funcionado ainda com pouca gente sabendo da sua existência.

Pegamos dicas com os locais e perguntamos qual seria o melhor horário para fazer esse passeio, e fortemente nos recomendaram que não fôssemos de manhã por causa do calor e do sol. Deixamos para fazer na hora do entardecer, e não nos arrependemos.

O preço do ingresso não saiu mais do que uns 15 reais para cada um. São apenas duas cabines, que vão e que voltam, o que mostra que quando a atração se tornar mais popular a coisa vai ser bem demorada. Não pegamos quase nada de fila e logo estávamos subindo.

Lá em cima, encontramos a Fiona, uma mulher que conhecemos no albergue dos dois primeiros dias e que fazia passeios com mochileiros pela região. Ela e os seus tinham subido a pé, como se fez nos quase 20 anos em que o teleférico esteve no chão.

Além de lojinhas de souvenir e lancherias, lá em cima há um santuário, com uma grande cruz quae na beira do morro, com vistas para o lado sul da cidade, um castelo em ruínas (muita coisa bombardeada e com tiros do tempo da guerra) e antenas de TV.
Não há muito o que fazer, senão admirar a paisagem lá embaixo. Para o lado de trás, o que se encerga são apenas alguns vales secos e as montanhas que seguem até o lado bósnio.



Aproveitamos para ver o pôr-do-sol e conseguimos ver algumas das imagens mais bonitas daquela viagem, com outras várias ilhas ao redor, o Adriático plácido como sempre e o amarelo tomando conta do céu.

A cidade velha, lá de cima, parece de brinquedo. Com as muralhas ao redor, parece uma caixinha cheia deles. Muito bonito mesmo. Vale conferir...

07/11/2010

Dubrovnik - apartamento


Depois das duas primeiras noites no albergue do qual falei alguns posts atrás, tivemos de trocar de hospedagem em Dubrovnik, porque mesmo reservando com quase três de meses de antecedência, não conseguimos vagas para todos os quatro de nosso grupo pelos cinco dias que pretendíamos ficar na cidade em um só lugar. A disputa por camas em julho é grande, por isso o melhor é se antecipar bastante.

Na manhã da troca, saímos com as mochilas carregadas até o Ana Hostel and Rooms, do outro lado da Cidade Velha. Pelo que vimos no mapa, era perto das ruazinhas onde ficam os barzinhos para sair à noite na cidade. Algumas escadarias para descer, depois algumas para subir, e já estávamos na porta da Ana.

Tocamos o interfone e ela pediu que subíssemos os quatro andares do prédio com as mochilas. Chegamos lá em cima e ela foi logo explicando que havia tido problemas com os aparelhos de ar condicionado em seus quartos e que por isso nos realojaria num de seus apartamentos, pelo mesmo preço da reserva. Enquanto conversamos, já foi servindo chá e bolachinha para todo mundo, alegando que tínhamos de esperar que o apartamento fosse limpo.

A mulher, a tal da Ana, era muito engraçada e simpática. Parecia meio mafiosa, mandando e desmandando nas irmãs para que fizesse tudo rápido e explicando que além do albergue, dos apartamentos para alugar ainda tinha um pub no centrinho da cidade velha. Deu tempo até para contar do tempo da guerra, em que ela estava grávida e teve de fugir dos bombardeios que inclusive destruíram parte do telhado do prédio em que estávamos conversando.

Chegada a hora de ir para o apartamento, cruzamos toda a cidade novamente e descobrimos que pararíamos a menos de 30m do lugar onde ficava o albergue das duas primeiras noites. O tal apartamento ficava num prédio que mais parecia um castelo antigo, hoje dividido em peças menores - por outro ponto de vista parecia uma vila como a do Chaves, hehehe.
Depois de um portão pomposo, mas decadente, que aparece na foto acima, passamos por um pátio em que havia crianças brincando e velhos jogando jogos de tabuleiro. À direita, entramos por uma porta que dava para o interior do prédio e caminhamos por um longo corredor até a nossa porta.

Quando a porta foi aberta, já deu para sentir o ar quase gelado dos splits funcionando a mil lá dentro. O lugar era enorme e de cara ficamos achando que foi pura perda de tempo termos gasto as duas primeiras noites no albergue.

O tal apartamento tinha uma sala de estar gigante, com sofás macios e uma TV de 29 polegadas, uma cozinha equipada com geladeira, fogão e armários também gigante, um banheiro não tão grande assim e dois quartos com camas, um dos quais seria nosso.

Ficamos de donos do lugar, porque a outra peça só seria ocupada à noite, por um casal que depois acabou nem ficando mais do que algumas horas.

Depois do aperto de um albergue, até ficamos meio perdidos no lugar. Compramos algumas coisas para fazer o café da manhã no dia seguinte, pudemos lavar e estender algumas roupas, enfim, tomamos conta do lugar e pudemos relaxar com o ar condicionado, que inclusive permitiu algumas sonecas durante o meio dia nos dias seguintes.

Nas conversas que tivemos com a Ana, ainda conseguimos um favor dela: foi-nos prometido que bastava passar no pub da proprietária que conseguiríamos gelo para nossa bolsa térmica da cerveja (e assim se fez no dia seguinte). Feito tudo isso, ela nos ganhou, e só pediu uma coisa em troca: que déssemos uma boa nota para ela no site do Hostelworld, na avaliação da hospedagem...

04/11/2010

Dubrovnik - comida


Comemos muito bem e, ao contrário do que diziam, barato, nos cinco dias e quatro noites que passamos em Dubrovnik.

Não sei se é porque o real está forte e o câmbio nos favorece, ou se é porque o Brasil não sofreu tanto os efeitos da crise de 2008/2009 como os europeus ou o quê, mas fato é que fizemos refeições que aqui no Brasil não sairiam por menos de 50 reais por pessoa a preços em torno de 25, 30 reais, em restaurantes nos melhores lugares do Centro Histórico de Dubrovnik, sem frescura de reserva nem nada.
A culinária é basicamente italiana, com bastante frutos do mar. O que mais se vê são pratos como risotos de frutos do mar, camarões assados, fritos e etc., lulas, polvos, sardinhas, massas com todos os molhos possíveis, pizzas, saladas e por aí vai.

A preferência absoluta de todos nós do grupo e que parece ser uma unanimidade entre turistas, mochileiros, pessoas locais, guias de turismo, livros de viagem e etc. é o restaurante Lokanda Peskarija, que fica bem no meio do porto velho da cidade. A vista é espetacular, a comida é excelente e o preço muito bom. Cheguei a guardar a nota fiscal de uma das duas refeições que fizemos lá para provar para quem não acredita que gastamos só R$ 22 por pessoa para comer risoto negro, lula frita, sardinhas e ainda um copo de vinho da casa. O lugar fica à direita na foto abaixo, com os guarda-sóis fechado ainda cedo da manhã.
A única dica para aproveitar bem o lugar é não chegar nos horários de pico, como ao meio-dia em ponto e às 20hs, sob o risco de ter de esperar uma meia hora na fila que se forma. Como nos planejamos, no primeiro dia fomos mais tarde e fomos atendidos na hora. Na segunda vez levamos uns 10min da fila e logo estávamos sentados.

Outra indicação é o Kamenice, na pracinha em que a feira matinal é armada. O cardápio não foge muito das comidas que falei acima, mas como há vários restaurantes ao redor, dá um clima maior de agito no lugar.
Nao consigo lembrar do nome e como não aparece nos guias, não tenho como encontrar, mas outra boa pedida é a varandinha (o restaurante tem o nome de uma mulher, tipo Marija's) que fica à esquerda da Catedral da Assunção da Virgem, próximo ao portão da cidade velha que dá para o porto velho.

A maioria dos albergues e hotéis baratos não oferece café da manhã, por isso sempre se tem que pensar numa opção para isso. No primeiro dia, o que fiz foi dar uma escapada até o mercado (feira) na pracinha de que falei antes, a uma quadra da Placa (ou Stradum), que é a principal da cidade velha, para comprar algumas frutas frescas e croissants. Vende-se muita coisa difícil de encontrar por aqui ainda fresca: cerejas (fora da calda, é claro), mirtilo, framboesa, etc.
Nos demais dias, sempre que queríamos café da manhã, íamos aleatoriamente olhando para os restaurantes que existem nas ruas que usávamos para descer até a Placa. Na Siroka, na Dordiceva e na Cubranonicev estão a maioria desses lugares.

Quando a fome não é tanta ou o desejo é de economizar, o melhor é procurar uma pizzaria. A maior concentração delas na cidade velha fica nas ruelas mais estreitas bem ao centro da cidade velha, um pouco longe da Placa. Se não estou enganado, é na rua Nikole Bozidarevica.

01/11/2010

Dubrovnik - muralhas


Um dos passeios mais interessantes e agradáveis de se fazer em Dubrovnik é caminhar por cima das muralhas que rodeiam a cidade antiga.

As muralhas são bastante largas e há uma calçada renovada lá em cima para que os turistas possam caminhar. Embora haja uma escadaria bem alta para se subir quando se se entra nas muralhas, depois o caminho é relativamente leve, com algumas escadinhas menores quando há troca de nível.
O percurso todo tem 1,9km, por isso deve-se reservar pelo menos 1 hora para realizá-lo, contando com as paradas para fotos, para admirar a paisagem ou mesmo para fazer um lanche (umas três lancherias ficam em determinado pontos das muralhas, principalmente perto dos acessos).

O passeio é pago e embora haja quem diga que é possível realizá-lo sem o bilhete de entrada, o que vimos foi uma fiscalização do tal bilhete em pelo menos três pontos no período da muralha, justamente a cada vez que se passa por um ponto de acesso. O preço é único, seja para fazer a muralha inteira ou só um pedaço.
Das 10h da manhã às 15h30, o lugar é um inferno, pelo que vimos da nossa janelinha e das praias: o calor é insuportável, chegam a se formar filas, principalmente de idosos com guias explicando o roteiro, e a multidão que desce dos navios de cruzeiro é que basicamente toma conta de todo lugar. Deixamos para fazer o nosso passeio ao entardecer e aproveitamos para ver o pôr-do-sol lá de cima, antes de descer para fazer uma "pré-janta".
Entramos pelo portão principal da cidade, o portão de Pile, que é aquele em que os ônibus que vêm da rodoviária e do porto param. O outro portão, que dá acesso às praias (portão de Ploce) também tem uma escadaria de acesso e há ainda um outro ponto, próximo do porto, em que também se pode subir. Pelo que entendi, os demais pontos de acesso são apenas de serviço, para os bares que ficam lá em cima. O sentido do passeio é obrigatoriamente anti-horário.

O melhor visual, para quem faz como fizemos, está justamente no final, quando se chega nos pontos mais altos da muralha e se tem toda cidade à frente, com o sol se pondo ao fundo. A cor alaranjada dos telhados bem cuidados fica ainda mais brilhante e a foto sai sempre com cara de cartão postal.