01/10/2010

De Mostar a Dubrovnik

Os ônibus da Bósnia e da Croácia geralmente não asseguram os lugares marcados, embora ninguém fique de pé. Mas, para não perder o melhor da paisagem ou mesmo fugir do sol, o ideal é ser um dos primeiros a entrar para escolher onde ficar. Foi o que aprendemos logo nos primeiros dias de viagem e, por isso, sempre nos organizávamos de modo que dois subissem direto enquanto outros dois ficassem para colocar as bagagens no maleiro (ah, não dá para esquecer da verba extra que se deve pagar por cada mala ou mochila guardada no bagageiro, de cerca de 1 euro por peça).

Assim que o ônibus saiu de Mostar, o que vi pela janela foram vários prédios ainda destruídos no meio do campo, principalmente sobrados de gente que trabalha em pequenas propriedades. Um ambiente bem triste, mas bonito. Há alguns vinhedos na região e começam a surgir prédios mais novos, de depois da guerra, como concessionárias de veículos, atacados e lojas de móveis nos arredores da cidade. Outra coisa que me chamou a atenção é que as placas que indicavam os nomes dos lugares em alfabeto cirílico e latino tinham muitas vezes pichações sobre as letras cirílicas, no que eu interpreto como um protesto contra os sérvios (que usam esse alfabeto).

O ônibus só entrou numa cidade bósnia antes da fronteira e nessa cidade o que se viu foi a mesma coisa do resto do país: prédios crivados de balas na paredes, mas uma população simples levando uma vida bem serena.

Pelas placas, percebe-se que o ônibus entre Mostar e Dubrovnik passa bem pertinho de Medjugorije, uma das cidades mais visitadas da Bósnia. O motivo é religioso: nesse lugar, desde o início da década de 80, alguns jovens começaram a ter visões da Virgem Maria (ao estilo daquelas ocorridas em Fátima e Lourdes). Só que, diferentemente dos casos da França e Portugal, essas visões teriam continuado por anos e anos, de modo que até hoje alguns ainda dizem recebê-las. Milhares de peregrinos vão até lá para presenciar esses momentos, que não são oficialmente reconhecidos pelo Vaticano como fenômenos milagrosos, embora já tenham sido objeto de congressos de bispos.

Cerca de uma hora e meia depois de sairmos de Mostar, chegamos à fronteira com a Croácia. A estrada é estreita e não há nenhum estacionamento no posto de controle, por isso forma-se um longo congestionamento. O passo de fronteira, ali, tem o nome de Metkovic, e tudo que vimos foi um policial croata entrar no ônibus, olhar alguns passaportes e só carimbar aqueles que era da própria Bósnia ou da Sérvia - todos os demais, inclusive os nossos, não receberam nenhum carimbo.

Do lado croata, logo percebemos a diferença na paisagem natural e nas cidades. Tudo tem cara de Mediterrâneo. As cidades não têm marcas de guerra. Tudo parece mais novo e bem conservado. A planície já é a regra e já se começa a ver o mar logo ao fundo.
A viagem pela costa da Dalmácia, que é o nome dessa região croata, é uma das mais bonitas que já fiz na vida. O mar é de um azul impressionante. A estrada vai serpenteando as inúmeras baías que o mar forma quase na beirada dos penhascos que geralmente dão direto para o mar (há poucas praias e as que existem são de pedras). Ao fundo, sempre há uma ilha ou uma península para dar o toque final.

No meio do caminho, passa-se novamente por um trecho da Bósnia, onde fica a cidade de Neum. Esse pedacinho de litoral bósnio tem só 9km e é o único contatdo daquele país com o mar. Tudo não passaria de uma interessante curiosidade se não fosse pelo fato de que há postos de controle de fronteira tanto antes como depois desse trecho, o que gera congestionamentos e atrasos de mais de meia hora.
Também em Neum, na Bósnia, o ônibus faz a parada para lanche num restaurante com um visual muito legal da cidade, que aparece na foto acima.

Após passar por Neum, a viagem ainda demora mais um bom tanto, mas a paisagem, que continua bonita até Dubrovnik, serve como distração.

Dessa vez não teve bêbado incomodando e nem nada. O ar condicionado na medida certa e o ônibus mais confortável fizeram do deslocamento algo bem agradável.

Chegamos em Dubrovnik perto do meio-dia e primeira visão que tivemos da cidade foi da gigantesca ponte que serve para cortar uma estreita baía ao lado do porto novo e de um navio de cruzeiro ancorado.

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