27/04/2010

Isla del Pescado

O trecho entre o hotel de sal e a Isla del Pescado, se bem me lembro, é o mais longo que se anda por dentro do salar. Ali sim se tem a noção de estar no meio do nada, indo para lugar nenhum, já que a vista nos 360° ao redor do veículo é basicamente igual: um mar branco sem fim, com montanhas ao longe, tudo coberto por um céu azul.

Como eu já fiz questão de destacar num dos posts sobre a preparação da viagem, é essencial levar óculos escuros, de preferência polarizados, para não perder essa vista toda. A claridade é muito forte e uma dor de cabeça acaba se tornando algo quase inevitável se a pessoa não levar um óculos.

Chegamos à Ilha do Pescado um pouco depois das 13h. O guia e motorista “Edson” estava preocupado em não chegar muito depois dos demais veículos, porque dizia que à noite quem chegava primeiro garantia as melhores acomodações nos alojamentos noturnos em San Juan, enquanto que os últimos podiam até mesmo ficar sem alojamento, tendo que dormir na caminhonete. O almoço era sua referência sobre a posição que estava nessa “corrida”.

Assim que aportamos, ele pediu que esperássemos ao redor do veículo para que ele arrumasse a mesa para o almoço, que já estava pronto em potinhos de plástico. O passeio seria livre após a refeição.

Realmente, não levou mais do que 10 minutos para que as mesinhas estivessem armadas bem ao lado dos barrancos da “praia” da ilha do Pescado, com pelo menos umas quatro variedades de comida para o almoço, além de refrigerantes. Havia tomate em pedaços como salada, quinoa (substituindo o arroz como guarnição), pedaços de frango e bifes empanados de lhama para comer. A memória não está me ajudando, mas havia mais alguma coisa ainda.

Fizemos a refeição todos juntos e até tiramos algumas fotos. Logo depois, tratamos de pagar a entrada no parque nacional que representa a ilha (cerca de 15 bolivianos) e de começar o passeio pelas trilhas entre os cactus. Os únicos banheiros da ilha estão logo ao lado da bilheteria.
As trilhas a serem feitas estão todas sinalizadas, coisa rara na Bolívia. Basicamente conduzem a pontos mais altos da ilha no meio do sal, de onde se tem vistas interessantes do conjunto formado pelo mar branco, pela ilha crivada de cactus e pelo céu azul. Alguns cactus mais antigos até trazem placas indicando sua idade aproximada. Muitos são centenários e já estão mortos, conservando apenas uma casca seca prestes a cair a qualquer hora.

A maioria dos cactus é de tamanho grande, sendo mais altos que as pessoas ao seu redor. Os formatos não variam tanto, já que são quase da mesma espécie, mas cá e lá se vê algum turista brincando com a forma mais ou menos fálica de alguns ramos dos cactus.

No ponto mais alto, acaba se concentrando a maior parte do pessoal. É de onde se tem a vista de 360° da ilha. Há algumas pedrinhas amontoadas, como se faz em montanhas, e placas pedindo silêncio e respeito em homenagem aos deuses dos povos tradicionais.
Pequenas grutas e até algumas pontes de pedra formam as demais atrações que vão surgindo ao longo da trilha. O percurso todo leva algo em torno de uma hora, dependendo, é claro, da pressa do sujeito – na verdade todo mundo está ansioso para descer e tirar mais fotos brincando com a falta de noção de proporção que o salar dá, como naquele post de título surreal postado há algumas semanas.

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