27/06/2012

Semana Santa em Sevilla




As procissões de Páscoa de Sevilla são as mais tradicionais do mundo e, exatamente por isso, atraem centenas de milhares de turistas todos os anos. A cidade fica no seu grau máximo de ocupação, sendo a Semana Santa considerada o pico da alta temporada por lá. O evento só rivaliza com a Feria de Abril, que ocorre alguns dias depois, e ainda é coroado pela abertura da temporada de touradas.

As procissões começam no Domingo de Ramos, 7 dias antes da Páscoa, um dia em que a cidade ainda não tem tantos turistas, mas no qual parece que todo mundo sai de casa com a melhor roupa de domingo para curtir, em família, o início das comemorações. Sentimo-nos até meio deslocados por ver tanta gente de terno azul marinho e gravata na rua, principalmente os jovens. Quem olha acha que estavam daquele jeito só para ir à missa, mas na verdade a maior parte do tempo é passada em pé, nas ruas e nas praças, bebendo cerveja com os amigos, os pais, os demais familiares.

Já uns três ou quatro dias antes, as ruas por onde as procissões passam começam a ser cercadas e cadeiras para a plateia começam a ser instaladas. Os apartamentos com sacadas para essas ruas recebem visitas de representantes das confrarias que fazem as procissões e recebem adornos para pendurar nas sacadas e nas janelas.

O auge da celebração é a madrugada entre a quinta-feira santa e a sexta-feira santa, quando passam as procissões mais antigas e tradicionais. No domingo de Páscoa, as celebrações são encerradas.

As tais cofradías são as protagonistas das procissões. Embora tenham origem religiosa e estejam vinculadas às diferentes igrejas existentes na região central de Sevilla, na prática, funcionam quase como um clube ou bloco de carnaval no Brasil: seus membros pagam anuidades para se manterem sócios e só quem estiver em dia com os pagamentos tem direito de sair na procissão.  Há uma liga municipal que define quem e quando vai passar por que ruas, e em que ordem.

Os trajes variam nos adornos e nas cores, mas são todos do mesmo estilo “nazareno”. Quem olha pela primeira vez até se assusta, porque são exatamente como aqueles que a Ku Klux Klan usava no sul dos Estados Unidos: um manto que cobre todo o corpo e um capuz em formato de cone, com apenas alguns buraquinhos para os olhos, nariz e boca.

As cofradías têm, da mesma forma, uma espécie de segmentação social: as mais tradicionais e mais caras são compostas por gente das classes mais altas e usam roupas com menos adereços; as mais novas são compostas por trabalhadores mais simples e geralmente são mais alegres nos adereços.

As procissões consistem, basicamente, em processos de penitencia, nos quais se levam altares com as imagens das padroeiras de cada igreja, à qual a irmandade está vinculada, até a sede da catedral de Sevilla, para fazer parte da comemoração de Páscoa. A marcha é acompanhada por uma banda tocando, com tubas, cornetas e tambores, músicas bem melancólicas típicas de Páscoa (embora às vezes se façam gracinhas, como tocar um “Ai se eu te pego” em ritmo de Páscoa).

Na prática, consegue-se ver muito pouco de cada procissão, porque as ruas ficam praticamente intransitáveis de tanta gente. Com os cortes que se faz na circulação de pessoas a cada vez que um grupo está passando pelo trajeto oficial, é fácil se perder dos demais integrantes do grupo e ficar uns 10 minutos preso em algum lado.

O clima de festa que o centro histórico todo assume, com pessoas de todas as idades se divertindo nos bares e restaurantes, porém, é o que faz tudo valer muito a pena. 






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