31/03/2009

De Bruges para Bruxelas



Já na hora em que chegamos a Bruges havíamos comprado as passagens para o dia seguinte, quando seguiríamos para Bruxelas. Talvez, se não fosse por esse fato, teríamos ficado mais um tempo na cidade, de tanto que gostamos.

Bruges não tem especificamente muito o que viver, mas é uma cidadezinha tranquila que serve bem para ficar caminhando à toa, bebendo e conversando em meio à sua beleza medieval.

Depois de uma boa noite de festa no bar do albergue, acordamos com as mochilas já quase prontas para a viagem seguinte, fizemos o check out e fomos para a pracinha central, pegar um ônibus até a ferroviária. Antes, porém, queríamos ver se não havia algum lugar bom para comprar algumas coisas para levar como almoço no trem (comida de trem, além de ruim, é caríssima).

Foi aí que nos deparamos com uma feira que ocupava toda a praça central da cidade. Havia de tudo um pouco: desde flores até pedaços de carne de coelho e porco. Empolgados com a variedade e as coisas que pareciam mais gostosas, acabamos reforçando o café da manhã por ali mesmo.

Passamos quase umas duas horas em meio à feirinha e até encontramos gente que estava no nosso albergue, assim como um brasileiro folgado que casou com uma belga e estava morando por lá havia algum tempo.


Depois, o inevitável: deixamos a cidade num trem para a capital belga. Com o vagão quase vazio, cada um pegou dois bancos inteiros para se espichar e descansar melhor (só não dá para colocar os pés no outro banco, que sempre há um fiscal passando e mandando tirar!).

A paisagem é bem bucólica e, se bem lembro, não houve mais do que uma parada numa cidade no meio do caminho.

Todo esse trecho da viagem passa pela região de Flandres (ou Vlaanderen, em holandês), que é a metade norte da Bélgica que fala holandês - ou flamengo. Para quem olha de fora, não há grandes diferenças na geografia das duas (a outra metade, que fala francês, chama-se Valônia). Flandres é um pouco mais rica e industrializada. O povo é mais branquinho e tem mais semelhança com os holandeses, embora não sejam tão altos. O idioma é o mesmo - só o sotaque é diferente. Já na Valônia não dá para distinguir muito o povo em relação aos franceses, pelo menos no que me pareceu.

Os dois "lados" meio que se aturam e só não se separaram ainda em nome da tradição do país. Um impasse político entre valões e flamengos, na época em que estivemos na Bélgica, fez com que o país passasse mais de um ano sem primeiro-ministro, tantas eram as brigas.

Bruxelas, nosso destino daquele dia, tem um pouco de cada lado. É uma região autônoma em relação a Flandres e Valônia e se diz totalmente bilíngue, embora, na verdade, apenas os flamengos saibam falar também o francês. As placas e os nomes são sempre nas duas línguas e os estilos se misturam, mas a impressão é a de que há um pouco mais de influência francesa.

É sobre essa cidade que falarei um pouco nos próximos posts.

4 comentários:

LUCIANA disse...

Oiii! Eu sou do RJ,mas moro em Manaus-AM. Em post anterior te pedí uma ajuda para montar um roteiro legal para Peru-Argentina-Chile-Bolívia e não sei quando vc poderá falar sobre isso. Já lí muita coisa sua sobre esses lugares, mas ví que vc se arrependeu em não ter conhecido alguns lugares. Eu queria saber o que eu não poderia perder de conhecer, pois só tenho 30 dias e o meio de transporte será ônibus(a distância parece grande entre os países para 30 dias, mas vou tentar...o que vc acha?).
Outra coisa é que estou achando que $ 2.000,00 (dólares) não vão dar para isso tudo (sem as passagens de avião...já comprei de Manaus para Rio Branco- ida/volta). Queria sua ajuda!!!
bjs e obrigada!!!

André Cella disse...

Olá,
Acho que USD 2.000 são mais do que suficientes para uma viagem por terra pela América do Sul, salvo se pretende ficar em hotéis muito chiques.
Aquilo que me arrependo de não ter conhecido está concentrado especialmente em San Pedro de Atacama. Pretendo, inclusive, voltar para lá no próximo mês de julho só para fazer os passeios que partem daquela cidadezinha.
Talvez deva ser legal passar um dia em Arequipa também, já que fica no caminho. No mais, aconselho concentrar esforços (e dias) do seu passeio em La Paz e Cusco, as principais cidades turísticas desses lados do continente. Tem muita coisa para se fazer. Não perca tempo com Sta Cruz de la Sierra nem Cochabamba, que não tem tanto o que ver. Pare em Puno (coisa que não fiz) e durma pelo menos uma noite em Copacabana. Mas deixe uma margem de liberdade para vc ir escolhendo o que quer fazer ao longo do caminho - não é preciso reservar albergue em muitos locais.
Abc

Rodrigo/RJ disse...

Adicionando as informações do André..
Acabei de fazer essa viagem em janeiro agora.
Fique pelo menos 2 dias em copacabana ( ou seja um dia inteiro pelo menos), pois vc vai gastar o dia todo na isla del sol ( a lancha sai as 8 e volta as 18h) e o ultimo bus q sai da cidade de copacabana para qq ooutro lugar do mundo é as 19:30 da noite. Fique atento, pois a cidade em si não tem nada para se fazer

Coisa que não fiz, mas vi por fotos de outros mochileiros e deve valer a pena é salar do uyuni e sucre(vc pode visitar antigas jazidas d prata, é legal), e falam muito bem de nazca tb.
ps: cuidado com as despesas em cusco, vc vai gastar muuuito la ( foi quase metade da grana da minha viagem)

Aline disse...

Bom dia. Você comprou passagens de trem ou ônibus de Bruges para Bruxelas? Onde? Obrigada pelas respostas.