27/06/2010

Valle Nevado


Tínhamos apenas umas 30 horas em Santiago, até nosso vôo de volta ao Brasil, dando fim à viagem de pouco mais de duas semanas pelo norte da Argentina, sudoeste da Bolívia e Atacama chileno. Como já conhecíamos as atrações da cidade, o plano era sair dela – ir até uma estação de esqui, só para conhecer – e depois aproveitar restaurantes e lojas para fazer compras.

Levantamos cedo. Dormimos não mais do que umas três horas e já estávamos tomando o metrô em direção a Las Condes, o bairro mais elegante e moderno ao norte da capital. Lá, onde termina a linha vermelha da rede de metrô, descemos e caminhamos umas poucas quadras até o lugar conhecido como Cantagallo, de onde saem ônibus relativamente baratos em direção às estações de esqui mais próximas.

Como era cedo, nem chegamos a pegar o café da manhã no albergue, por isso tivemos que comer alguma coisa por ali mesmo, logo depois de assegurar as passagens, que nos diziam se esgotarem rápido (não naquele dia!). Comemos uns sanduíches numa padaria do outro lado da avenida e logo entramos no ônibus.

Nunca vi tanto brasileiro junto. Gente com experiência e sem experiência em esqui, matraqueando o tempo todo, em alto e bom português. Ficamos quase uma hora parados ali dentro – pelo menos era quente – esperando, possivelmente, o ônibus encher, para só então sair. Sei que, ao invés de sair às 8h30, o dito ônibus ainda estava passando pelo extremo norte de Santiago às 10h, onde fez mais uma paradinha para que mais gente subisse.

Assim que a cidade termina, a estrada começa a subir, vertiginosamente. Dá até para ficar um pouco enjoado (teve gente que vomitou, graças a Deus dentro do saquinho). A vegetação, que é bem bonita e abundante, vai aos poucos ficando mais rara, até que quase desaparece. Os primeiros blocos de gelo no chão vão aparecendo, até que tudo começa a aparecer coberto de gelo.

Dizem que, em 2009, o inverno foi relativamente fraco em questão de neve, até julho, por isso as estações tiveram até mesmo que “fabricar” um pouco de neve para garantir o esqui. Mas para quem não conhece nada de esportes de inverno, como eu, estava tudo bonito e tapado de neve.

Valle Nevado é a última das estações de esqui pelas quais se passa no caminho e aquela para onde vai a maioria das pessoas. É também a mais alta, com relação à altitude.

Assim que chegamos, sentimos o desconforto que é estar em um lugar cheio de neve com calçados não muito bons para isso. Era só pisar na neve que gelava valendo o pé e, se ficasse um pouquinho mais, já molhava.

Até então, meu único contato com neve tinha sido uma estação de esqui com pouco gelo em La Paz. Nossa intenção era mesmo só ir lá, dar umas voltas e, se batesse muita vontade, fazer alguns treinos de esqui, mas não nos empolgamos.

Assim como no ônibus, o que mais se via eram famílias (ricas, diga-se de passagem) de brasileiros, irritantemente gritando, brigando entre si ou fazendo dengo o tempo todo. Não foi uma experiência muito agradável.
Os melhores bares e cafés exigem uma consumação mínima bem alta, coisa que não estávamos dispostos a pagar. Acabamos pegando uns chocolates quentes e uns churros mesmo, sentado em mesinha do lado de fora, de frente para a área de iniciantes.
Não fizemos muito mais do que isso enquanto estivemos em Valle Nevado. Só demos risadas das trapalhadas dos aprendizes, tiramos algumas fotos (como as que ilustram esse post), comemos e bebemos para nos esquentar, conhecemos as lojinhas e as áreas de uso comum dos hotéis e, lá pelas 2h da tarde, já estávamos com vontade de voltar.

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