05/10/2011

Centro Velho de Montevideo


O centro velho de Montevideo, que também é o seu cartão-postal, começa na Plaza Independencia, aquela onde fica a grande estátua do General Artigas a cavalo e o prédio que foi o mais alto da América Latina quando construído, e vai até o porto. É exatamente a ponta da península em que Montevideo foi construída e, no passado, era delimitado por muralhas fortificadas, das quais só resta uma única lembrança: um dos portões de acesso, em frente ao calçadão que dá acesso à Catedral a partir da praça da Independência.

Debaixo da praça, fica o memorial onde está enterrado o General Artigas, permanentemente guardado por militares com fardas cerimoniais, que também cuidam de uma chama sempre acesa. Confesso que da primeira vez em que estive no lugar, não tinha atinado que se tratava de um memorial subterrâneo (achei que as escadarias davam acesso a um banheiro público).
De qualquer forma, não pude conhecê-lo quando cheguei lá sozinho, vindo de Buenos Aires, porque estava ocorrendo a visita oficial de um casal de príncipes do Japão. Só quando voltei em 2008 é que desci a primeira vez.

Tirando o memorial, na praça a única atração é o prédio que é o símbolo daquela parte da cidade, que não anda muito bem cuidado, mas faz uma bela foto à distância.

A Presidência da República fica ali também, ao lado da praça, mas não passa de um prédio com uma fachada um pouco parecida com a do Teatro Solís, bem mais interessante e apenas uma quadra ao lado. Não há como deixar de notar, entretanto, a feiura de um prédio de ministérios que deve ter sido construído nos anos 60 e que hoje em dia parece apenas uma sequencia interminável de aparelhos de ar condicionado bem velhos e enferrujados irregularmente colocados em quase todos os andares e salas, com a parte de trás dando para a praça.

No lado oposto à Presidência fica o Hotel Radisson, que tem um dos maiores cassinos de Montevideo em sua parte de trás. Já fui ali num sábado à noite com minha namorada, mas achei um ambiente bem trash. O que mais vi foi um monte de chineses sozinhos jogando nas mesas e nas máquinas, um pessoal meio deprimido tentando a sorte nos caça-níqueis e uns flanelinhas do lado de fora tentando descolar um troco de quem estacionava por ali.

Já a visita ao interior do Teatro Solís vale muito a pena. Demos sorte de chegar na cidade exatamente uma semana depois que ele havia sido reinaugurado, depois de uma reforma de dois anos, que lhe acrescentou uma sala de exposições e um ambiente adicional para ensaios.

As visitas saíam de hora em hora, por isso matamos tempo num café em frente, até que começasse o tour guiado. Embora não seja tão interessante quando o Teatro Colón, o exemplar uruguaio não faz feio e tem muitos detalhes bem preservados que o colocam dentre os grandes da América Latina.

A Catedral de Montevideo, que fica numa outra praça a duas quadras da Plaza Independencia, não chama tanto a atenção. A sua frente é quase toda encoberta por árvores que estão precisando de uma poda e de uma organizada. O estilo é bem sóbrio e me lembrou algumas igrejas que já vi no Peru.

Da praça da Catedral até o porto, as ruas, casas e prédios estão bem degradados e não se aconselha, inclusive, que se percorra a pé, principalmente à noite. Há alguns vagabundos andando para lá e para cá, à espera de um momento bobeira, e alguns lugares com cara de zona de prostituição camufladas. 

Apesar das advertências, atravessamos, eu e minha namorada, esse trecho até o Mercado Público, este sim a maior atração de Montevideo, em minha opinião.

O Mercado ainda conserva bastante de sua estrutura original, quase toda de ferro, com um relógio bonito, dois andares e toldos estendidos para o lado de fora. Mas, ao contrário do que ainda se vê em outros lugares, quase não tem mais nenhuma banca de venda de produtos – quase tudo está tomado por restaurantes, principalmente especializados em parrilladas e em frutos do mar. 

Os restaurantes são muito bons, alguns são os melhores da cidade e consequentemente do país. Mas, é bom avisar, não são baratos. Se a ideia é só aproveitar o lugar sem esbanjar, o melhor é pegar algum do lado de dentro, porque aqueles com cadeiras do lado de fora são os que mais cobram.
 
Em janeiro de 2011, quando estive na cidade para ver o jogo do Grêmio, esse acabou sendo o ponto de encontro de muita gente que veio por conta própria ou que já estava no país passando o verão. Entre as 11h e as 15h, o lugar ficou quase completamente “azul”.

Logo em frente ao Mercado, fica o Porto de Montevideo, área de acesso restrito e sem interesse turístico. Ao redor, porém, ficam várias banquinhas de souvenir e artistas de rua, tentando aproveitar o movimento.

2 comentários:

Paola disse...

Olá André, como vai?

Primeiramente gostaria de lhe dar meus parabéns pelo blog, ele faz com que pessoas que nunca sairão do Brasil – como eu – viagem sem sair de casa. Mas o fato é que eu agora gostaria de sair rsrsrs... Estou planejando uma viagem com minha mãe e meus tios, eu gostaria de ir a Portugal, mas não tenho a menor idéia de por onde começar, ou onde pesquisar pacotes de viagens.
Se vc pode-se estar me dando uma luz, algumas dicas de albergues e restaurantes, eu lhe agradeceria muito.
Desde já grata. Paola
Paola.nonata@gmail.com

Anônimo disse...

é... informativo, concepções bem preconceituosas.