21/09/2009

Quebrada de Cafayate

Assim que chegamos do tour de dia inteiro, saímos para jantar no centro de Salta e voltamos para o albergue lá pelas 23hs da noite.
Foi aí que, pela primeira vez na minha vida, recebi uma ligação particular na recepção de um albergue. Era o dono da agência de turismo com quem tínhamos reservado um carro alugado para usar no dia seguinte, às 7h da manhã, como forma de irmos até Cafayate por contra própria.

Como já pressentimos no domingo, quando reservamos, os caras não tinham muita palavra. Ele me ligou para dizer que o carro teve problema, que não tinham outro, que o mais caro também estava ocupado - enfim, para dizer que tinha nos deixado na mão. Perguntei dos 50 pesos da reserva e ele garantiu que devolveria no dia seguinte.


Bom, dos males o menor: tínhamos na nossa frente, enquanto soubemos da notícia, um aviso do albergue comunicando que eles tinham uma excursão para 20 pessoas justamente para a Quebrada de Cafayate saindo às 7h da manhã e que ainda havia lugares. Pagamos para ver - enão nos arrependemos.
No dia seguinte, no horário combinado, fomos os primeiros a embarcar no microônibus. Levamos quase uma hora recolhendo gringos em vários hostels do centro de Salta. Tinha americano, australiano, austríaco, alemão, italiano, brasileiro - é claro - e até indiano. Depois da inevitável paradinha no mercado para comprar folhas de coca, pegamos a estrada.

O guia, muito parceiro, foi logo avisando que dava para aproveitar as primeiras duas horas para dormir, que não havia muito que ver. Como de costume, não consegui, mas até achei interessante a paisagem.
Depois de outra parada para um café, começamos o tour propriamente dito.

A Quebrada de Cafayate é uma falha geológica que existe numa cadeia de montanhas do pré-Andes. No meio dela, passa a estrada que leva a Cafayate, a Ruta Nacional 68 - daí o nome da Quebrada -, e o Río de Las Conchas - razão pela qual a Quebrada também é conhecida como "de las Conchas".
As formações rochosas dessa quebrada são do estilo do Grand Canyon. Foram tombadas como patrimônio natural mundial e estão cada vez mais sendo conhecidas. Aqui no Brasil, pouco antes de sair, li a respeito numa Viagem e Turismo.

A estrada é toda asfaltada e, embora cheia de curvas "cegas", não tem o mesmo sobe e desce daquela que vem do Chile, o que a torna bastante fácil para quem aluga carro ou foi com o seu até aquela região.

As primeiras paradas que o ônibus faz são para conhecer vilarejos quase fantasmas um pouco antes do início propriamente dito da quebrada. O rio acompanha quase todo caminho, às vezes de um lado, às vezes do outro.
Na quebrada propriamente dita, as atrações são as formações que, por se parecerem com lugares ou objetos, ganharam seus nomes.

A primeira delas é a "Garganta del Diablo", uma fenda no meio da rocha em formato de garganta, que pode ser escalada facilmente. Basta levar um sapato mais reforçado e não ter medo de sujar as mãos para chegar até o final.
Não muito longe dali está a parada seguinte, que é o "Anfiteatro". Nessa formação, a atração é um oco formado pelo vento e pela água que deixa uma acústica quase perfeita para fazer platéias escutarem a música que está sendo tocada perto das paredes sem auxílio de outros instrumentos. Na saída do anfiteatro, há vendedores de comida de tudo que se possa imaginar de coisas feitas de llama: presunto, espetinho, salame, e por aí vai. Vendem-se tortillas e empanadas de queijo, também. Uma das vistas mais legais, entretanto, é uma mais aberta, que dá para o vale inteiro. O lugar vale uma bela foto de 360°. O rio lá embaixo, cercado de vegetação verdinha e alagadiços, com montanhas alaranjadas e cor-de-rosa por todos os lados. À medida que a estrada vai seguindo, as paradas vão diminuindo - até porque o guia disse já estarmos atrasados àquela hora. Passamos pelo "Sapo", uma rocha que incrivelmente parece um sapo mesmo, sem exigir muito da imaginação do observador e pelo "Titanic", que é esse da foto - e que exige um pouquinho mais de criatividade...

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