07/09/2009

Muitas nuvens e religiosidade

Para evitar surpresas negativas e aproveitar uma das dicas mais comuns de quem viaja, decidimos perguntar aos locais sobre um bom restaurante para comer no domingo de meio-dia. As indicações de guias de viagem nem sempre são as melhores - os lugares tendem a ser mais caros justamente por serem mais procurados e às vezes as indicações são mais baseadas numa cortesia de quem atendeu o escritor do que na qualidade do lugar.

Acabamos parando numa casa de parrilla, bem no meio do caminho entre a Iglesia de San Francisco e o Convento de San Bernardo. Não poderia ter sido melhor. Lugar bem ajeitado, com pouca gente porque ainda era cedo para os padrões argentinos, com comida muito boa e a preços bem camaradas. Comemos como poucas vezes se come carne no Brasil, a uns 18 reais por pessoa, numa refeição com entrada e vinho da casa.

Terminado o almoço, decidimos que era hora de fazer o check in lá no albergue, que dava uma boa pernada dali. No caminho, paramos em algumas lojinhas, e já surgiu o primeiro de nós a comprar um chulo, aquele gorrinho de lã típico de bolivianos. Barganhando não sai mais do que 15 reais na cidade.

Depois de ajeitar as mochilas no quarto (sobraram dois beliches de cima e uma cama separada para nós, já que já havia duas pessoas hospedadas), nem tomamos banho nem descansamos: rumamos direto para o teleférico.

O teleférico do Cerro San Bernardo é uma das atrações mais conhecidas de Salta. Ele parte do início da Avenida San Martín e chega até o topo do Cerro, onde há um parque. Se bem me lembro, o ingresso de ida e volta custa atualmente uns 20 pesos por pessoa, o que dá 10 reais.
O dia não estava dos melhores. Estava completamente nublado desde cedo da manhã, e ao contrário do que esperávamos, assim continuou a tarde inteira. A vista poderia ter sido bem melhor lá de cima, se não estivesse naquelas condições.

Não há nada de muito interessante no parque do Cerro. Paramos um tempo só para tomar uma cerveja e não dizer que ficamos menos de meia hora lá em cima. As vistas da cidade é que são a atração do lugar, que também pode ser alcançado de carro, por uma estrada que vai serpenteando morro acima. Uma cruz, estátuas de santos e outras referências religiosas complementam o parque, demonstrando a forte religiosidade da cidade - o que se notou desde cedo pelo grande número de grandiosas igrejas.
O lugar anuncia como uma de suas "maravilhas" as cachoeiras artificiais que possui. Mas, para nós, não deixava de ser um tanto ridículo eles se orgulharem do fato de bombearem milhares de litros de água desde a cidade lá embaixo só para depois a água descer tudo de novo, numas cascatinhas nem tão legais assim.Depois que descemos, paramos numa feira de artesanato/bugigangas/roupas próxima à entrada do teleférico. Matamos um tempo ali olhando o que, depois de um tempo, se verifica ser o mesmo que se vende em toda região. O lugar onde a feira acontece até seria legalzinho, se não estivesse tão mal cuidade. De qualquer forma, foi uma primeira oportunidade de ver grandes quantidades de gente local na viagem - a maioria famílias com filhos pequenos passeando numa fria tarde de domingo.

Quando já estávamos quase a duas quadras do albergue, vimos que a polícia estava fechando a rua para a passagem de uma procissão religiosa. Decidimos parar e convocamos o Diego para "sacar unas fotos" da dita procissão. Conversando, descobrimos que se tratava de uma procissão para Nossa Senhora "del Carmen". Gente muito simples, algumas em caminhonetes decoradas com passagens da bíblia e crianças fantasiadas, com outras pagando promessas, foram o cenário do evento.
Logo ao lado, várias igrejas de evangélicos. Talvez só na Europa tenha visto cidade com mais igreja e demonstrações religiosas que em Salta.

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