15/09/2009

Cobres e La Polvorilla

Já era quase meio dia quando estávamos chegando perto de San Antonio de los Cobres. A estrada, que logo que saímos de Salta era asfaltada, teve uns 25km de terra, depois uns 100km de asfalto, agora terminava nessa cidadezinha a mais de 4000m de altitude.

Um pouco antes de entrarmos na cidade, começamos a ver os maiores rebanhos de llamas que até então tínhamos visto naquela viagem. É claro que uma foto acaba sendo obrigatória...
A primeira vista de San Antonio não é lá das mais encantadoras. Como era de se esperar àquela altura, onde nem cactus nasce, não havia quase vegetação alguma. A minha impressão foi a de uma grande COHAB, sem qualquer desapreço pelos tais conjuntos habitacionais.
Atravessamos o centro da cidade, que não é muito grande, e seguimos direto para o outro lado, em direção ao viaduto de La Polvorilla. Aqui, a estrada volta a acompanhar bem de perto a ferrovia do Tren a Las Nubes, coisa que não aconteceu nos últimos km antes da cidade.

É o trecho mais duro (e para quem já estava se sentindo um pouco mal como eu, o mais difícil) da estrada. São estradinhas vicinais, fora da rota normal de trânsito, que levam aos pés do maior viaduto (e maior atração) do passeio do Tren a Las Nubes.

O viaduto La Polvorilla é considerado um grande feito da engenharia, porque foi construído numa altitude extrema: 4.200m sobre o nível do mar. Com um ambiente seco, frio, ventoso e sem recursos minerais para obras próximo de si, foi necessário muito trabalho para completá-lo.

A visão dele de longe não dá dimensão de sua grandeza. À medida que a gente se aproxima é que vê.

A caminhonete estacionou quase embaixo dele e ali o motora deu uns 45 minutos para fotos e, que quisesse (e pudesse) subir pelo morro que há ao lado, até lá em cima.
Até tentei, mas já estava me sentindo mal e desisti nos primeiros degraus. Os guris conseguiram subir e tiraram fotos lá de cima. Eu estava me sentindo enjoado, com a pressão baixa, e com um princípio de dor de cabeça. O vento era muito frio e às vezes fazia perder o equilíbrio de tão forte.

Achei melhor me recolher à caminhonete depois de algumas fotos na parte debaixo e me dei por vencido. Até apaguei de sono por alguns minutos antes de os guris voltarem.

Dali, voltamos a San Antonio de los Cobres para almoçar. Naquela hora, a pacata cidadezinha vira um enxame de turistas e vendedores. Todos os restaurantes já fazem reservas para os grupos a passeio. Os menus não oferecem muita opção: a idéia é que todo mundo experimente carne de llama. Na verdade, a experiência não é das melhores, porque a tal llama vem num empanado que mais parece carne moída prensada, com um pouco de nervos...

Como não poderia deixar de ser, há grupos musicais típicos tocando musiquinhas em flautas peruanas. Até sertanejo universitário em versão argentina de cumbia sai...

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