27/08/2009

Cruzando o Chaco


De uma hora para outra, depois de umas cinco horas de viagem, já estávamos dentro da cidade de Corrientes. Poucos quilômetros e subúrbios separam a zona rural do centro da cidade, onde também fica a estação rodoviária.

Encostamos o ônibus exatamente às 17h45 e pusemos em ação um plano: um ficava cuidando das malas, outro já ia vendo passagens, porque sabíamos que pelo menos 2 ônibus saíam para Salta às 18h00.

Na correria, logo descobrimos que nosso plano "A", de pegar o ônibus mais tarde que saísse aquela noite, para ter tempo de andar e jantar em Corrientes, não seria possível. Ou saíamos às 18h, dali a 15 minutos, ou só no dia seguinte, pela tarde.

Nesse meio tempo, o que estava pegando as mochilas no ônibus chegou e decidimos que compraríamos as passagens para viajar imediatamente. Com os quase 10 minutos que levamos nessa escolha e na compra das 3 passagens, os motoristas do ônibus já estavam brabos conosco, que estávamos atrasando a saída. Quase nos perdemos de um que foi no banheiro ainda.

Mesmo com a cara feia dos motoristas, planejamos uma última estratégia: enquanto 2 subiam com as coisas, um, no caso eu, ia comprar algo salgado e de preferência quente para comer. O que deu para trazer em 2 minutos foram 3 sanduíches de presunto e queijo, num pão bem fininho, e umas bolachas doces.

Correndo, mas felizes pela "conexão imediata" para Salta, nos sentamos bem na frente para aproveitar a vista. Era quase ora do pôr-do-sol e a maior atração de Corrientes, o rio Paraná e sua imensa ponte que liga a província ao Chaco, estava bem à nossa frente.
O plano de conhecer a capital correntina ficou adiado para outra oportunidade, talvez uma esticada depois de Posadas, lugar que já fomos todos juntos várias vezes.Para nossa surpresa, o ônibus seguiu quase vazio. Ninguém subiu em Resistencia, capital do Chaco. A outra surpresa veio em seguida: ao contrário do que tinham nos dito, serviam uma janta sim, no ônibus. Eram três formas diferentes do mesmo sanduíche: igual ao que tínhamos comprado, enrolado e como rocambole. Como cavalo dado não se olha os dentes, complementamos a janta.

Ao contrário do que eu pensava (outra vez), o Flechabus era um tremendo pinga-pinga. Ele entrou em TODAS as cidades chaquenhas depois de Resistencia. E são várias, ao longo de uma estrada completamente reta que corta esse "quase deserto" que começa lá na Bolívia, passa pelo Paraguai e chega na Argentina.

No início, como não consegui dormir - afinal havia passado o dia inteiro em ônibus - até fiquei olhando, curioso, para ver como eram as tais cidadezinhas. Para quem tinha ouvido falar que o Chaco é a província mais pobre da Argentina, até que fiquei surpreso, pois a maioria parecia bem melhor do que as vizinhas correntinas e até mesmo as missioneiras.

Depois, o sono me venceu e, com a certeza de que não perdi nada pelo caminho - a não ser retas intermináveis com paisagens sem graça, ao estilo "pantanal seco", dormi até a manhã seguinte, quando o ônibus fez uma parada em Gral. Güemes, já na província de Salta.


REFERÊNCIA

Terminal de Ómnibus de Corrientes: nesse link estão todos os horários de saída e chegada do terminal da capital correntina. Basta clicar em horários.

Municipalidad de Corrientes: nesse outro estão as informações oficiais da cidade.

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