23/08/09

Paso de los Libres


Já havia passado mais de uma vez por aquela fronteira, mas nunca demorei tanto tempo para conseguir fazer todo o “processo”. Logo de cara, há “despachantes” se oferecendo para conseguir os papéis necessários e para orientar como preenchê-los, mas qualquer um consegue fazer tudo sozinho e, o que é mais importante, de graça. Existe até um cartaz dizendo que os serviços de migração são gratuitos e pessoais, para informar as pessoas.

Dias antes, havíamos ouvido que em Paso de los Libres todos estavam usando máscaras contra a gripe. A primeira impressão realmente não foi boa, já que um dos únicos 2 policiais que estavam fazendo a imigração estava usando uma. Só que isso acabou não se confirmando mais tarde. Já adianto aqui que, depois desse policial, só vi uma criança de 6 anos de idade na Argentina inteira usando “barbijo”, que é como se diz máscara em espanhol.

Depois de preencher a declaração de entrada e o cartão de turismo, carimbamos os passaportes e passamos para uma casa de câmbio que fica ao lado da imigração. Não lembro se já comentei em outro post ou não, mas esse lugar tem umas das melhores taxas para trocar reais por pesos argentinos, bastante próxima do câmbio comercial.

Apesar da demora na fila da imigração, ainda eram recém 10 horas da manhã, o que significava quase mais duas horas numa cidade sem maiores atrativos. Por isso, decidimos que, ao invés de esperar na rodoviária – que não tem muito boa fama – pegamos um táxi até o centro da cidade, para pelo menos dar umas voltas por lá e quem sabe comer mais alguma coisa, a título de almoço.

Posso dizer que a hora em pegamos o táxi marcou realmente o início do nosso mochilão. Nada mais típico do interior argentino do que um táxi velho caindo aos pedaços, um saudoso Ford Falcon com um velhinho de motorista, a um custo ridiculamente baixo, fedendo a diesel.
Chegamos no Falcon ao centrinho de Paso de los Libres. Tiramos umas fotos na praça central, na igreja matriz e na prefeitura – os quais até então não conhecia, já que só tinha ido a Libres para jantar no cassino. Em seguida, fomos em direção à rua que concentra o comércio da cidade e demos uma olhada nas várias lojas que vendem vinhos e queijos. Nem lembro se alguém comprou alguma coisa.
Logo depois, já pelas 11h da manhã, paramos numa lancheria/padaria que pareceu a mais “honesta” e comemos o que seria nosso almoço.

Uns 20 minutos antes do horário previsto para nosso ônibus sair, pegamos um outro táxi – dessa vez um Fiat alguma coisa, também caindo aos pedaços – para ir até a estação rodoviária.

REFERÊNCIA

Paso de los Libres: essa cidadezinha de fronteira, localizada na província argentina de Corrientes (uma das mais pobres do país), não tem muito mais do que uns 40.000 habitantes. Acaba servindo como porta de entrada e saída para muitos que vão ou vem por terra para a Argentina, porque tem a ponte mais antiga ligando os dois países, com o diferencial de não ter pedágio – o que a torna mais barata que a de São Borja. Por ali passa quase todo o trânsito de caminhões entre Brasil e Argentina/Chile, mas pouco disso pode ser visto pelo turista comum, já que o Porto Seco é separado. Ninguém vem a Libres para visitar o lugar; apenas se vai lá para comprar, ir ao cassino ou até mesmo abastecer o carro. Se tiver que dormir na região, a melhor opção acaba sendo Uruguaiana, embora saia um pouco mais caro. Ainda que não seja um lugar perigoso ou tão feio, como muitas cidades de fronteira com o Brasil mais ao norte, não vale a pena ficar mais do que o tempo necessário até o próximo ônibus por ali.

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