02/07/2010

Chile


Como mencionei nos posts sobre o mochilão ao Atacama, estive no Chile várias vezes nos últimos tempos.

A primeira vez foi em 2003, na volta de Machu Picchu. Naquele ano, usei o país apenas como passagem de volta para casa. Ficamos algumas horas em Arica, na praia, esperando o ônibus para Calama, onde amanhecemos no dia seguinte. De lá, outro ônibus para Salta, na Argentina, com uma pequena parada para fazer a imigração em San Pedro de Atacama.

A segunda vez, em dezembro de 2008 e janeiro de 2009, foi aquela em que melhor conheci o país. Fiquei 10 dias, entre Santiago, Valparaíso, Viña Del Mar e Pucón, numa viagem com a minha namorada – um pouco diferente de um mochilão. É com base nessa viagem que pretendo contar a maior parte das coisas sobre Santiago que serão tratadas nos posts dos próximos dias.

Houve ainda uma terceira vez, em abril de 2009, quando fui com mais 5 amigos assistir a um jogo do Grêmio pela Libertadores, em que ficamos 5 dias entre Santiago e Valparaíso.

Por fim, houve aquela que acabei de contar, na volta do Atacama, em que basicamente só fomos a Valle Nevado e às compras na capital, além de conhecer Iquique e San Pedro de Atacama.

Hoje, aquele país, que parecia algo tão distante e diferente para mim, até bem pouco tempo atrás, tornou-se extremamente “próximo” e mais fácil de entender.

O Chile é muito diferente da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, da Bolívia, enfim, de qualquer de seus vizinhos. No guia da Lonely Planet, define-se a psique do povo chileno como a de um povo insular (que vive numa ilha), e não é por menos.

Isolado do resto do mundo em razão da Cordilheira dos Andes a leste, do deserto do Atacama ao norte, das geleiras eternas ao sul e do oceano Pacífico a oeste, esse país, que tem 24 vezes mais comprimento do que largura, é definitivamente um “estranho no ninho” da América do Sul.

A economia mais dinâmica do país é o que mais chama a atenção. De certa forma, o país tem um pouco de Estados Unidos (ou de México), no tipo de carro, no tipo de construção e no tipo de moda que se vê nas ruas. Há menos influência de imigrantes europeus do que na Argentina, no Uruguai e no sul do Brasil, mas a população mestiça de índios e espanhóis parece ter tido muito mais sucesso do que no Peru ou na Colômbia.

Indo dos trópicos a uma região quase polar, o país se caracteriza pelos contrastes: desertos e geleiras; matas úmidas e descampados; neve e areia; mar, lagos, rios e vales; montanhas e altiplanos; frio extremo e calor inclemente. Tudo isso com um pouco de terremotos, vulcões, tsunamis, gêiseres, chuvas e secas, só para não cair na monotonia.

De certa forma, o Chile é uma Nova Zelândia aqui pertinho – não tão cara, com um idioma mais fácil e dirigindo do lado direito da rua. Tem arvorismo, montanhismo, trilhas, bungee jumping, esqui e snowboard, surf, rafting, estradas que nunca mais terminam para fazer de jeep ou de caminhonete ou trailer, além de bons vinhos, culinária interessante e segurança pública melhor que na Argentina ou no Brasil. Enfim, é um lugar muito bom para ir descobrindo aos poucos, e voltar e voltar várias vezes.

Um comentário:

Anônimo disse...

Estou pesquisando uma viagem para o chile para o ano q vem, mas vou de moto com minha noiva. Adorei o seu blog e o seu jeito de descrever a viagem e o país.
Parabéns, está sendo de extrema importancia.