21/05/2011

Esquibunda

Depois de uns 50 minutos no topo do vulcão, era hora de começar os preparativos para a descida. Já tínhamos sido avisados que boa parte desse percurso seria feita de “esquibunda”, ou seja, deslizando sentado pela neve, vulcão abaixo. A expressão, em português, foi adotada pelos guias chilenos em razão da brincadeira frequente que os brasileiros que não sabem esquiar e vão ao Chile fazem com essa forma pouco usual de descer uma montanha.

Para não ter problemas, colocamos um reforço na parte de cima das calças, envolvendo todo o traseiro. Fomos ainda orientados a amarrar as polainas bem firme, para que não entrasse neve pela abertura das calças acima dos sapatos. Além disso, fomos instruídos sobre como usar o piolet para frear quando estivéssemos indo rápido demais ou chegando muito próximo de alguém que fosse mais devagar à frente.

Em cima do vulcão, com o sol lacrado e nenhuma nuvem, fazia uns 5°C – o suficiente para as camadas mais superficiais de neve ficarem um pouco derretidas. À noite, quando o sol se põe, essa neve derretida congela e fica mais dura pela manhã, por isso a tarde é mesmo o período ideal para a descida.

Foram pouco mais de 4hs de subida até o topo e não levaria mais do que uma hora para descer. A primeira parte, deslizando pela neve, tomaria pouco mais de 20 minutos – o trecho final seria por um lado do vulcão que é coberto de um areião – diferente do trecho de pedras e solo firme que usamos para subir.

Se chegar no topo já foi uma sensação indescritível, descer daquele jeito vulcão abaixo foi ainda mais. Na hora em que percebi que estava descendo com aquela paisagem monumental à frente, com aquele lago lá embaixo, montanhas ao redor e Pucón bem pequenininha ao fundo, tive uma sensação de liberdade que acredito que seja parecida com aquela que se sente pulando de para-quedas ou voando de asa-delta.
De tanto em tanto, íamos parando para trocar a rota, desviar de algum afloramento rochoso ou simplesmente porque a neve ia se acumulando entre as pernas, forçando a pular por cima do “morrinho”.

Quando finalmente chegamos na parte em que o gelo acaba, senti que estava com os “países baixos” quase congelados. Por mais que tivesse me cuidado, havia bastante neve por dentro da roupa. A Gisele acabou levando um punhado de gelo dentro do sapato até a cidade, como descobriríamos uma hora depois, na hora de devolver o equipamento.

A parte final, pelo areião, foi um tanto cansativa, porque ali começamos a sentir novamente o peso daquelas horas de caminhada vulcão acima. Não havia tanto esforço, era só ir arrastando os pés pela areia morro abaixo, mas parecia que nunca chegávamos.

Quando finalmente todos desceram, ainda tivemos de esperar um pouco até que o veículo da agência nos buscasse e, em pouco mais de meia hora, estávamos de volta ao centro, comemorando o fato de que ninguém havia desistido no caminho e que todos tinham chegado bem e felizes ao final do passeio.

2 comentários:

Marcele Medeiros disse...

oi, estou curiosa para saber em qual período do ano foi essa subida ao vulcão????

André Augusto Cella disse...

31/12/2008!