19/05/2011

Subida ao vulcão - Parte II

A parte da subida que implica em andar no gelo, de início, pareceu muito mais fácil que a primeira, na terra e nas pedras. Os joelhos não sentiam tanto e o fato de poder utilizar o piolet como apoio do lado do corpo em que o solo estava mais alto (andávamos em zigue-zague) ajudava a dar uma sensação de apoio.

De outro lado, a sensação de frio ia progressivamente aumentando e o medo de queimar o rosto por causa da claridade intensa da neve, do vento frio e do sol direto também. Acredito que tenhamos andado mais de uma hora sem parar no primeiro trecho pelo gelo, até pararmos numa das “ilhas” de rochas que não estavam cobertas pela neve.
Só quando chegamos na primeira dessas ilhas é que tivemos a oportunidade de admirar melhor o cenário que ia se abrindo às nossas costas, enquanto subíamos. O lago Villarrica, agora, ia cada vez mais parecendo uma grande poça d’água ao lado da cidadezinha de Pucón, quase invisível na paisagem verde.

Depois dessa primeira, as paradas foram se tonando mais frequentes, a cada meia hora, a princípio, e depois a cada quinze minutos. A sensação que tínhamos, quando parávamos nessas ilhas de rochas, era a de que o cone do vulcão não estava tão longe assim e que o guia estava exagerando quando falava que faltavam ainda tantas horas ou minutos para chegarmos lá.

Há um ponto em que a inclinação se torna ainda mais forte, faltando uma meia hora, e nesse momento eu, que já tinha visto a minha namorada e outros do grupo passar por momentos de maior dificuldade, pensei em desistir. O cansaço era grande e parecia que nunca chegávamos. Mas aí valeu o incentivo dela e continuei.

Em poucos minutos, chegamos à parte do topo, ao redor da cratera do vulcão. O gelo, antes branquinho, aqui era todo sujo por detritos expelidos pela cratera do vulcão.
O cheiro do ar às vezes se tornava insuportável, por causa do enxofre e outros gases expelidos. É em função da quantidade de fumaça no ar que os guias estabelecem quanto tempo podemos ficar lá em cima, e nesse dia, como tudo estava relativamente tranquilo, foi-nos dito que poderíamos andar por uns 45, 50 minutos.

A sensação de chegar lá em cima, para quem nunca escalou montanha ou nada parecido, é muito gratificante. O visual é de matar. Do ponto mais a leste ao redor da cratera, é possível enxergar vulcões na fronteira: o Quetrupillán, mais achatado, do lado chileno, e o Lanín, do lado argentino. Inesquecível.
A cratera, em si, também é surpreendente. Fomos para o lado em que o vento levava o gás para o outro lado e chegamos mais perto. Por mais que nos aproximemos, não conseguimos ver o fundo – ir mais adiante é arriscado, tanto pela possibilidade de cair lá embaixo como pela chance de alguma golfada de gás quente ser expelida.
Com certeza, não é todo dia que se vê um lugar assim e acredito que são pouquíssimos os lugares da Terra que permitem que alguém sem experiência em montanhismo faça algo tão interessante.

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