23/01/2010

Pucará e viagem a Humahuaca

A fortaleza de Pucará fica a cerca de 2km do centrinho de Tilcara. Dá para fazer o caminho a pé, como fizemos, sem maiores problemas. Só é bom proteger orelhas e o pescoço, pois apesar do frio, o sol pega forte enquanto se caminha.
Há uma ponte de metal sobre um rio seco no limite entre a cidade e a área do sítio arqueológico, que vale umas fotos.
A Pucará de Tilcara é uma fortaleza de pedra pré-colombiana do período entre os séculos XI e XV, em boa parte reconstruída pelos arqueólogos. Sua localização era estratégica tanto do ponto de vista militar como de comunicação. Pessoas viviam ali, tanto que há vestígios de quartos e até mesmo uma igreja.
Há altares dedicados às práticas religiosas dos povos da região e, em todos os lugares, um grande cardón, ou cacto.
O guia Lonely Planet critica o fato de terem sido alteradas algumas características originais na reconstrução, principalmente o fato de ter sido erigido um monumento em forma de pirâmide em homenagem aos arqueólogos.
O lugar permite uma visão de 360° das montanhas que cercam a Quebrada de Humahuaca e vale algumas horas de visita, no labirinto de ruínas que o forma.
À medida que a tarde avança, os ventos vão se tornando cada vez mais fortes e começa a subir bastante poeira. Eu, que uso lentes de contato, sofri bastante com o ardor nos olhos. A paisagem acaba ficando um pouco apagada por conta disso. Com o tempo que passamos nas cidades da região, percebemos que isso era algo comum, que acontecia todos os dias da metade da tarde em diante. Por isso mesmo, acho que o melhor é visitar o lugar na primeira metade do dia ou à noite (quando faz bastante frio, mas o céu fica estrelado).
Na saída da Pucará, ainda paramos para umas fotos no jardim botânico de cactus perda do portão. Ao contrário da maioria dos lugares, que só têm cactus gigantes da mesma espécie, o jardim concentra outros vários, alguns parecidos com espécies que eu já tinha visto no cactário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Eram quase 4 da tarde quando chegamos à rodoviárias. Pegamos nossas mochilas no guarda-volumes e tratamos de comprar a passagem para o primeiro ônibus para Humahuaca. Pagamos barato demais e logo entendemos por quê. Além de ter atrasado um horror, quando o ônibus chegou ficamos estarrecidos. Era um ônibus igual a esses mais velhos que só circulam dentro da cidade, com bancos duros e que não reclinam, com muito mais espaço no corredor para as pessoas ficarem em pé, do que assentos.
A velocidade média do busão não passava dos 40km/h. Suspensão era algo que acho que não tinha sido inventado quando construíram a “máquina”. O resultado foi que levamos mais de uma hora e meia para fazer 45km entre Tilcara e Humahuaca.
Imbuído de um espírito zen, tentei ficar curtindo a paisagem e observando os diferentes tipos que subiam e desciam do ônibus (mas que sob nenhuma hipótese chegavam nem perto de nós, sentado na parte de trás).
Foi nessa lenta e sofrida viagenzinha que cruzamos o Trópico de Capricórnio, marcado por um monumento na beira da estrada.

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